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Lula vai se reunir com líderes da União Europeia no Rio de Janeiro

Acordo comercial entre bloco europeu e Mercosul estará em pauta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Segundo o Palácio do Planalto, eles devem discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada.

>>Entenda o acordo em 13 pontos

A reunião, que ocorrerá no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense, está prevista para as 13h e será seguida de uma declaração conjunta à imprensa.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial vai criar uma zona de livre comércio de 720 milhões de habitantes e somará um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Uma cerimônia de ratificação entre os dois blocos está prevista para este sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai, com a presença dos líderes europeus e ministros de relações exteriores do Mercosul.

Implementação
Nesta terça-feira (13), Lula conversou com o primeiro ministro de Portugal, Luís Montenegro, e os dois concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria.

Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.

Na França, por exemplo, agricultores entraram com tratores em Paris nesta terça-feira, pela segunda vez em uma semana, para protestar contra o acordo que, segundo os manifestantes, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.

*Agência Brasil


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Lula e Putin conversam sobre Venezuela e defendem soberania do país

Caracas foi palco de uma invasão dos EUA, que também sequestraram o presidente Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, trataram nesta quarta-feira (14), por telefone, da situação em torno da Venezuela, palco, no último dia 3 de janeiro, de uma intervenção das forças dos Estados Unidos e do sequestro de seu chefe de Estado, Nicolás Maduro, informou o canal RT.

Lula e Putin concordaram em destacar a importância de garantir a soberania e os interesses nacionais do país sul-americano, de acordo com a reportagem.

O Palácio do Planalto confirmou o telefonema entre Lula e Putin e disse que mais detalhes sobre a conversa serão divulgados em comunicado ainda nesta quarta-feira, informou a Reuters/247.


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Trump congela vistos para brasileiros e cidadãos de outros 74 países

O governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump congelou a concessão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, nesta quarta (14), segundo a Fox News. Ainda não há confirmação se vistos de turismo também serão afetados pela medida.

A decisão partiu do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que ainda não se pronunciou oficialmente. Com o congelamento, o Brasil passou a integrar a mesma lista de países como Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque, Somália e Tailândia.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que ainda não foi formalmente notificada sobre a restrição. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, não se manifestou publicamente sobre o tema até o momento.

Segundo a Fox News, a medida deve entrar em vigor a partir de 21 de janeiro e não tem prazo definido para terminar. O congelamento estaria baseado em um memorando interno que prevê uma pausa temporária na emissão de vistos para revisão dos critérios atualmente adotados pelo governo norte-americano.

Ainda conforme o documento, o governo dos EUA avalia ampliar restrições com base em fatores como idade e condição física. Em novembro, a agência Associated Press informou que a gestão de Trump analisava diretrizes para limitar a entrada de pessoas obesas no país.

Desde junho do ano passado, os Estados Unidos passaram a analisar perfis em redes sociais de solicitantes de visto de estudante. O republicano já vinha ameaçando endurecer as regras para entrada de estrangeiros no país desde dezembro passado.


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Lula articula reação regional a ameaças de Trump e ofensiva na Venezuela

Presidente conversa com líderes da Colômbia, México e Canadá, condena uso da força, reage a ameaças militares dos EUA e defende soberania, multilateralismo e solução pacífica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quinta-feira (8) a articulação com líderes da América Latina em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e às novas ameaças de Washington à região, reafirmando a defesa da soberania, do multilateralismo e da solução pacífica de conflitos.

Ao longo do dia, o presidente brasileiro realizou ligações telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A articulação ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar países da região com ações militares no México e na Colômbia, a defender a ampliação da presença e do controle norte-americano sobre a Groenlândia e a anunciar a imposição de uma tutela política sobre a Venezuela.

Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, Lula criticou o uso da força contra um país sul-americano, apontado pelos dois governos como violação do direito internacional, da Carta da ONU e da soberania da Venezuela, e defendeu que a crise seja resolvida por meios pacíficos, com diálogo e respeito à vontade do povo venezuelano.

O presidente brasileiro também informou que o Brasil iniciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas para recompor estoques de produtos e soluções para diálise atingidos pelos bombardeios, de acordo com o Vermelho.

Com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, Lula reiterou o repúdio aos ataques contra a soberania venezuelana e à retomada de uma lógica de divisão do mundo em zonas de influência.

Os dois líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio, além do compromisso com a cooperação em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional.

Na ligação com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e defenderam que o futuro da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo.

Lula e Carney também concordaram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global e manifestaram interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.

As conversas ocorrem após Trump intensificar a retórica de confronto com países da América Latina e do Atlântico Norte, dias depois de os Estados Unidos executarem seu primeiro bombardeio na América do Sul.

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA vão “começar agora a atacar em terra” o território do México, sob o argumento de combater cartéis de drogas.

Trump disse que apenas “sua própria moral” constitui um limite para as ações do governo norte-americano no exterior. Questionado sobre o respeito ao direito internacional, Trump declarou que “não precisa” dessas normas e que a única coisa capaz de freá-lo é “sua própria mente”.O presidente norte-americano afirmou ainda que o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia seria “psicologicamente necessário para o sucesso” e admitiu que a escolha entre a estabilidade da Otan e a incorporação do território poderia se tornar um dilema para seu governo.


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Brasil prevê ‘jogo pesado’ da extrema direita dos EUA para impedir reeleição de Lula

Governo tentará construir agenda positiva com Trump e estabilizar Venezuela para neutralizar atores mais radicais

2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.

A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.

No governo, há um consenso de que a extrema direita dos EUA irá “jogar pesado” para tentar impedir a reeleição de Lula em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.

A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.

O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e não apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.

Já membros do alto escalão do PT admitem que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com as violações cometidos pelo chavismo.

As dificuldades dos aliados de Jair Bolsonaro, porém, podem ser importantes. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado está fora de jogo por enquanto e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.

Entre diplomatas brasileiros e americanos, a esperança é de que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas nos últimos meses.

Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do próprio governo Trump e que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.

A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela, como já ficou demonstrado em discursos na ONU e na OEA. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.

O Planalto ainda vai continuar a insistir para que não haja um segundo ataque contra a Venezuela e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.

Em diálogos dentro da Venezuela e nos países que fazem parte da região, Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.

*Jamil Chade/Uol


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União Europeia aprova acordo com Mercosul; França protesta

Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, considerado o maior tratado desse tipo no mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 722 milhões de consumidores. A decisão, tomada pelos embaixadores dos 27 Estados-membros, abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o pacto na próxima semana, em Assunção, no Paraguai.

O tratado ainda precisa passar por uma formalidade: a confirmação dos votos pelos governos dos países da UE, o que deve ocorrer nas próximas horas.

Apesar disso, a aprovação alcançada aponta que o pacto avançará mesmo diante da forte oposição liderada pela França e outros países como Polônia, Irlanda e Hungria, que temem impactos sobre a agricultura local.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Alemanha e a Espanha foram fundamentais para reunir apoio de uma maioria qualificada, necessária para a avaliação positiva. Com isso, a expectativa é que von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para a assinatura oficial do acordo no dia 12 de janeiro.

O pacto prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, o que deve facilitar a circulação de produtos industriais e agrícolas. De acordo com o DCM, com a redução de barreiras alfandegárias, estima-se que as exportações europeias para os países do Mercosul possam crescer até 39% e gerar cerca de 440 mil postos de trabalho no continente europeu.

O acordo entre UE e Mercosul teve suas negociações iniciadas em meados de 1999 e consolidou-se como uma das negociações mais longas da história da integração comercial mundial, com mais de duas décadas de debates e ajustes. O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai representam o Mercosul, enquanto a UE reúne os 27 Estados-membros.

Apesar dos sinais verdes no Conselho da UE, a proposta ainda enfrenta resistência interna, especialmente na França. Agricultores franceses protestaram em Paris com tratores bloqueando ruas, demonstrando descontentamento com a possibilidade de concorrência de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a oposição do país ao acordo, mesmo após concessões oferecidas pela Comissão Europeia, como subsídios e mecanismos de salvaguarda para proteger setores sensíveis.

Os opositores planejam novas estratégias para atrasar ou bloquear o acordo no Parlamento Europeu, que precisa ratificar o pacto até abril, ou até mesmo recorrer ao Tribunal de Justiça da UE, o que poderia prolongar o processo de implementação por anos.

A história comercial entre os blocos já reforça a importância dessa aproximação: em 2024, o volume de transações comerciais entre Mercosul e UE somou cerca de € 111 bilhões, com a UE exportando principalmente máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul se destacou em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.


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Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de pacientes na Venezuela

Mobilização contou com doações de hospitais universitários e filantrópicos que atendem o SUS

Um avião venezuelano chegará ao Aeroporto de Guarulhos (SP) na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, para recolher 40 toneladas de insumos médicos que garantirão a hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. Medicamentos, soluções fisiológicas, entre outros insumos, foram reunidos pelo Governo do Brasil com o apoio de hospitais universitários federais públicos e hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização é coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Ao todo, 300 toneladas de produtos foram reunidos para ajudar os venezuelanos que precisam do tratamento.

“Fazemos isso porque existe o que nós chamamos de solidariedade sanitária. As saúdes têm que estar trabalhando sempre juntas, ainda mais quando a gente fala de um país vizinho. Se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise na Venezuela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha Governo do Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de 16 mil pacientes na Venezuela

“E também por gratidão, porque eu nunca esqueço o dia em que a Venezuela mandou mais de 135 mil metros cúbicos de oxigênio para salvar o nosso povo de Manaus durante a Covid-19”, completou o ministro. Padilha ainda atestou que as doações não afetam em nada o tratamento de cerca de 170 mil brasileiros que fazem hemodiálise pelo SUS.

O Governo do Brasil também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Foram mobilizadas equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.

A Operação Acolhida foi totalmente assumida

pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária no país. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, 40 profissionais permanentes fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.

O Saúde nas Fronteiras conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.

*Agência Gov


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Chavismo segue no poder, bolsonarismo comemora só as bombas dos EUA

Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.

Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.

O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.

É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.

Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?

Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.

Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.

Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.

Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.

Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.

*Sakamoto/Uol


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Governo Lula teme que método de Trump na Venezuela se alastre pelo continente

Planalto acredita que Trump apostará em um pacto com Delcy Rodriguez. O presidente americano alertou que, se ela não atender a seus interesses, vai sofrer também uma ação

O governo Lula considera que a captura de Nicolás Maduro de Caracas neste sábado pode ser uma indicação por parte do governo de Donald Trump sobre como ele pretende agir no hemisfério Ocidental nos próximos anos.

A análise faz parte das considerações do Palácio do Planalto e será transformada em alertas que, nos próximos dias, serão levados tanto para o Conselho de Segurança da ONU como para conversas bilaterais que devem se proliferar ao longo da semana entre Lula e outros chefes de estado.

Violando as leis internacionais, a ONU e mesmo a Constituição americana, Trump agiu para derrubar um presidente e colocar, no lugar, um acordo que permita que permita que os interesses dos EUA sejam blindados.

O governo brasileiro, segundo fontes de alto de escalão, acredita que a Casa Branca irá apostar, num primeiro momento, por uma relação com Delcy Rodrigues, até então a vice-presidente. Também fica estabelecido um acordo para preservar o restante da estrutura chavista no poder. Trata-se, na visão do Planalto, de uma sinalização de que Trump temia a abertura de uma crise interna e, eventualmente, uma guerra civil.

Pelo acordo, fica impossibilitada a existência de um vácuo de poder. Em nome dessa estabilidade frágil, o governo brasileiro interpreta que Trump abriu mão de dar qualquer tipo de apoio para Maria Corina Machado, a líder da oposição. Na coletiva de imprensa no sábado, o presidente americano rejeitou a ideia de que a vencedora do prêmio Nobel da Paz assuma a presidência, alegando que ela “não tem apoio” na Venezuela.

Trump ameaça Delcy
Trump, neste domingo, de fato confirmou a existência de um entendimento com a nova presidente. Mas alertou que, se ela não seguir as orientações dos EUA, sofrerá um ataque ainda mais intenso que Maduro.

Segundo ele, Delcy vai pagar “um preço muito alto se não fizer o que é certo”. E ainda emendou: “provavelmente maior que Nicolás Maduro”. As declarações foram dadas à revista americana The Atlantic.

O ICL Notícias apurou que o governo brasileiro ainda tenta entender e colher informações sobre como vai funcionar o acordo entre Trump e Delcy. Também existem dúvidas sobre como o restante do chavismo vai se comportar e o que receberá em troca, para aceitar o pacto.

Para membros do governo brasileiro, um sinal importante foi o alerta de Trump de que poderia realizar uma segunda onda de ataques contra Caracas. Membros do governo Lula interpretaram isso como um alerta: ou o pacto permite que se tenha acesso aos recursos naturais – principalmente o petróleo, ou novas ações deveriam ser esperadas.

Também chamou a atenção da cúpula do governo Lula a ausência completa de referências à democracia ou direitos humanos na Venezuela, um discurso que os EUA vinham usando para colocar pressão.

Para o governo Lula, porém, a ação militar de Trump vai “muito além da Venezuela”. E esse é o ponto central do debate e da construção da posição brasileira sobre a ofensiva americana.

Exitosa, a ofensiva pode fortalecer a ideia de que o método de uma intimidação militar terá resultados na região, sempre que os interesses americanos forem ameaçados. “Pode se transformar em uma metodologia”, alertou um experiente negociador.

O cenário é de que um argumento pode ser forjado contra um governo e, partir disso, uma ação militar seja implementada para derrubar um líder que não atenda aos interesses.

O temor, portanto, é de que a região veja uma reprodução em série desse processo: pressão, chantagem por acesso a recursos ou áreas estratégicas e, em caso negativo, operações para derrubar ou enfraquecer governos.

Brasília destaca que parte dessa pressão já havia ocorrido no começo de 2025 com o Panamá. Sob a ameaça americana, o governo centro-americano abriu mão de seus acordos com a China e Trump abandonou a ideia de um discurso militar.

A Venezuela exigiu algo extra. Mas a questão é como os demais governos da região vão se comportar a partir de agora. Ou adotam uma postura “dócil” com Trump ou podem estar ameaçados.

Especial preocupação é o caso da Colômbia, onde Gustavo Petro já é alvo de sanções e Trump alertou que ele poderia ser o próximo.

No caso cubano, a ausência de recursos naturais é um elemento que pode tirar a ilha das prioridades da Casa Branca. Mas derrubar a estrutura castristas poderia ser uma “vitória simbólica” de Trump para sua base mais radical de extrema direita, inclusive latino-americana.

No caso brasileiro, o Planalto admite que existirá um uso eleitoral por parte do bolsonarismo da prisão de Maduro. A estratégia é a de manter um distanciamento em relação às atitudes do governo venezuelano e insistir no fato de que o Brasil criticou o comportamento de Maduro nas eleições e que jamais chancelou o resultado do pleito.

*Jamil Chade/Uol


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Lula: Ataques dos EUA à Venezuela são “inaceitáveis!”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou de forma contundente hoje (3 de janeiro de 2026) sobre os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela, classificando-os como “inaceitáveis”.
Em publicação no X (antigo Twitter) e em nota oficial, Lula afirmou que:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”
Ele enfatizou que atacar países em violação flagrante ao direito internacional é “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Lula lembrou que essa posição é coerente com a postura histórica do Brasil contra o uso da força como instrumento político e alertou que o episódio remete aos “piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, ameaçando a preservação da região como zona de paz.

O pronunciamento veio logo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que forças americanas realizaram um “ataque em larga escala” contra a Venezuela, incluindo bombardeios em Caracas e outras áreas, resultando na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país.

Trump justificou a operação como parte do combate ao que chama de “narco-terrorismo”, alegando que Maduro lidera o Cartel de los Soles, mas, como todos sabem, trata-se de roubo do petróleo venezuelano.

O governo venezuelano declarou estado de emergência, condenou a ação como “agressão militar gravíssima” e exigiu prova de vida de Maduro. O caso gerou reações divididas no mundo:

Países como Rússia e Irã condenaram veementemente a intervenção.
No Brasil, a esquerda repudiou os ataques, enquanto parte da direita expressou apoio à ação americana.
Outros líderes latino-americanos (como do México e Colômbia) também criticaram a ofensiva.

O Itamaraty convocou reunião emergencial, e o chanceler Mauro Vieira interrompeu férias para acompanhar a crise. Lula reforçou a disposição do Brasil em promover diálogo e diplomacia, cobrando uma resposta vigorosa da ONU.

É um momento de altíssima tensão na região, com risco de escalada. O Brasil, como vizinho e maior economia da América do Sul, adotou posição clara de defesa da soberania e contra intervenções militares externas.


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