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Lula e Putin conversam sobre Venezuela e defendem soberania do país

Caracas foi palco de uma invasão dos EUA, que também sequestraram o presidente Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, trataram nesta quarta-feira (14), por telefone, da situação em torno da Venezuela, palco, no último dia 3 de janeiro, de uma intervenção das forças dos Estados Unidos e do sequestro de seu chefe de Estado, Nicolás Maduro, informou o canal RT.

Lula e Putin concordaram em destacar a importância de garantir a soberania e os interesses nacionais do país sul-americano, de acordo com a reportagem.

O Palácio do Planalto confirmou o telefonema entre Lula e Putin e disse que mais detalhes sobre a conversa serão divulgados em comunicado ainda nesta quarta-feira, informou a Reuters/247.


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EUA podem atacar o Irã ‘dentro de 24 horas’, diz agência

Os Estados Unidos estão retirando funcionários de suas bases instaladas no Oriente Médio por “precaução” após o Irã alertar os países vizinhos de que as estruturas seriam atacadas em caso de intervenção estrangeira, conforme uma fonte norte-americana informou nesta quarta-feira (14/01) à agência Reuters. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump ameaçou Teerã de “ações muito fortes” caso houvesse registros de manifestantes mortos nos protestos em curso no país persa.

Ao veículo, dois oficiais europeus admitiram que uma intervenção militar norte-americana parecia provável. Um deles, por sua vez, alertou que um eventual ataque poderia ocorrer “nas próximas 24 horas”. Ainda segundo a Reuters, um funcionário israelense indicou que “parecia que Trump havia tomado a decisão de intervir”.

Na Base Aérea de Al Udeid, no Catar, a maior dos Estados Unidos na região, o governo catari confirmou em comunicado que as evacuações “estão sendo realizadas em resposta às atuais tensões regionais”, embora o Comando Central do Pentágono não tenha feito nenhum anúncio público de imediato.

Os protestos massivos no território iraniano começaram em 29 de dezembro. De caráter pacífico, os manifestantes, em sua maioria comerciantes, reivindicavam melhoria na situação econômica nacional – que incluem problemas como desvalorização do rial (moeda local) e inflação, decorrentes das sanções impostas pelo Ocidente.

No entanto, ao longo dos dias, os protestos se tornaram violentos, com registros de vandalismo e assassinatos, no que as autoridades locais denunciaram as manobras imperialistas de Washington e Tel Aviv (via serviço do Mossad), argumentando que ambos estavam orquestrando a participação de grupos armados infiltrados para gerar caos e, assim, servir de pretexto para intervenções armadas.

Recentemente, o presidente norte-americano publicou em suas redes sociais uma declaração que incitava uma intervenção militar no Irã, e pediu para que os manifestantes locais, a quem os chamou de “patriotas”, continuassem nas ruas para “tomar as instituições”. Além disso, o republicano anunciou a imposição de uma tarifa de 25% para parceiros comerciais do país persa, como medida punitiva contra Teerã.

Pentágono apresentou a Trump opções para alvos no Irã
De acordo com a apuração do jornal New York Times, o Pentágono apresentou uma ampla gama de opções a Trump para alvos no Irã, incluindo o programa nuclear iraniano e os locais de mísseis balísticos. O veículo também informou que outras opções, contudo, não estão descartadas, como por exemplo um ciberataque ou um ataque contra o aparato de segurança interna do Irã.

“Um ataque está a pelo menos alguns dias de distância e pode provocar uma retaliação vigorosa do Irã”, afirmou uma fonte ao NYT.

Segundo as autoridades do Pentágono, a Marinha dos Estados Unidos possui atualmente três contratorpedeiros lançadores de mísseis na região do Oriente Médio, incluindo o Roosevelt, que nos últimos dias entrou no Mar Vermelho. Além disso, a Marinha também possui pelo menos um submarino lançador de mísseis na região.

Ataque pode ser ‘maior erro’ dos EUA
O presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da câmara baixa do Parlamento da Rússia, Leonid Slutsky, afirmou que uma intervenção militar norte-americana no Irã teria potencial de desestabilizar toda a região.

“Se a Casa Branca decidir por uma agressão contra Teerã, será o maior erro de Washington”, disse Slutsky, em comentário publicado pela agência estatal russa TASS. Também criticou que os protestos no Irã estão sendo alimentados por potências estrangeiras. “Políticos ocidentais efetivamente aprovaram isso ao pedir aos manifestantes que continuem os confrontos de rua e derrubem as autoridades legalmente eleitas”.

*Opera Mundi


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Trump congela vistos para brasileiros e cidadãos de outros 74 países

O governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump congelou a concessão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, nesta quarta (14), segundo a Fox News. Ainda não há confirmação se vistos de turismo também serão afetados pela medida.

A decisão partiu do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que ainda não se pronunciou oficialmente. Com o congelamento, o Brasil passou a integrar a mesma lista de países como Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque, Somália e Tailândia.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que ainda não foi formalmente notificada sobre a restrição. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, não se manifestou publicamente sobre o tema até o momento.

Segundo a Fox News, a medida deve entrar em vigor a partir de 21 de janeiro e não tem prazo definido para terminar. O congelamento estaria baseado em um memorando interno que prevê uma pausa temporária na emissão de vistos para revisão dos critérios atualmente adotados pelo governo norte-americano.

Ainda conforme o documento, o governo dos EUA avalia ampliar restrições com base em fatores como idade e condição física. Em novembro, a agência Associated Press informou que a gestão de Trump analisava diretrizes para limitar a entrada de pessoas obesas no país.

Desde junho do ano passado, os Estados Unidos passaram a analisar perfis em redes sociais de solicitantes de visto de estudante. O republicano já vinha ameaçando endurecer as regras para entrada de estrangeiros no país desde dezembro passado.


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28 de janeiro: movimentos convocam mobilização internacional contra o imperialismo dos EUA

Coordenador da Alba Movimentos, Giovane del Prete, fala dos atos que vão acontecer por toda a América Latina

Movimentos populares, centrais sindicais, partidos políticos e outras organizações realizarão, no próximo dia 28 de janeiro, uma grande mobilização internacional contra o avanço das aspirações imperialistas do governo de Donald Trump. Os atos acontecerão nas ruas por toda a América Latina nos diversos territórios onde atuam essas organizações, e também nas redes sociais.

Veículos populares divulgarão detalhes da programação à medida que cada evento for agendado nas diferentes partes do país e nos territórios das nações vizinhas. O coordenador operativo da secretaria continental da Alba Movimentos, Giovane del Prete, participou nesta terça-feira 13 do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, para dar o pontapé inicial na convocação.

Del Prete relatou que o momento é de preocupação, especialmente com a situação da Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelo regime trumpista. Entretanto, o ataque e as ameaças a outros países servem também para mobilizar a militância.

“Isso levanta o povo com o espírito nacionalista e de consciência. A gente está aproveitando isso, também, com nossa militância. E também extrapolar a militância organizada para chamar para o dia 28 de janeiro, que marca 12 anos da proclamação de América Latina e Caribe como zona de paz pela Celac [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos]”, apontou.

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump deixou clara sua política externa baseada em agressões. Desde o início do mandato, vários países foram alvo ao mesmo tempo da fúria do presidente dos EUA: seja com tarifas, sanções ou guerras. E, nas regiões onde a extrema direita governa, cresceu a presença militar dos Estados Unidos.

“Todos os países, de alguma maneira, tem um porquê de se mobilizar contra o Trump nessa conjuntura. Então buscamos fortalecer o movimento de solidariedade internacional. Agora estamos falando da Venezuela, mas amanhã pode ser Cuba, Colômbia, México ou mesmo o Brasil. Fortalecer esse movimento anti-imperialista no Brasil é fortalecer nossa disputa nas eleições deste ano”, destacou del Prete.

Os movimentos contam com a mídia popular e também com a mobilização dos movimentos e da militância para dar visibilidade às ações de combate aos ataques trumpistas.

“Claro que a gente não tem essas agências de notícias internacionais conosco. A gente não espera e nem quer. Mas a gente vem buscando nossos próprios espaços de articulação para, sobretudo visibilizar nossas lutas. Isso é importante, alimenta a militância, completou.

*BdF


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Iranianos denunciam intervenção de EUA e Israel em protestos massivos pelo país

Manifestantes ocuparam diversas cidades, incluindo Teerã, para condenar violência, vandalismo e assassinatos promovidos por ‘grupos armados infiltrados’ associados a Washington e Tel Aviv

Os iranianos saíram às ruas nesta segunda-feira (12/01) em diversas partes do país condenando os atos de vandalismo, distúrbios violentos e assassinatos promovidos em meio aos protestos que reivindicam melhorias na situação econômica nacional. Sob o slogan “Solidariedade nacional e honra à paz”, as marchas que tomaram conta de cidades como Zahedan, Birjand e Kerman, além da capital Teerã, criticaram os Estados Unidos e Israel, denunciando que as causas iniciais dos protestos foram sequestradas por interesses imperiais.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, elogiou os comícios convocados pelo governo, destacando que a participação massiva das pessoas foi um “aviso” para os Estados Unidos.

“Isso foi um aviso aos políticos norte-americanos para pararem com suas mentiras e não dependerem de mercenários traiçoeiros”, afirmou o aiatolá. “Esses grandes comícios, cheios de determinação, frustraram o plano de inimigos estrangeiros”.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, classificou o cenário de violência nacional como uma “guerra terrorista” articulada por Washington e pela agência de inteligência israelense Mossad. Segundo o chanceler, as manifestações pacíficas começaram em 29 de dezembro por razões originalmente econômicas – decorrentes das sanções ocidentais –, no entanto, grupos armados se infiltraram para atacar a infraestrutura iraniana, o que resultou na destruição de dezenas de mesquitas, ataques a centros médicos e militares, além de assassinatos de civis e policiais por atiradores infiltrados.

As autoridades informaram ter evidências da distribuição de armas de fogo entre infiltrados e relataram ataques a profissionais de saúde. Segundo o governo, há registros de homens armados matando feridos dentro de ambulâncias e destruindo unidades de bombeiros. Ded acordo com Teerã, estas ações buscam aumentar artificialmente o número de vítimas para justificar uma intervenção externa sob pretextos humanitários.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma intervenção no território iraniano alegando que se trataria de um mecanismo de ajuda aos manifestantes locais. O posicionamento norte-americano foi fortemente rejeitado por Teerã, que declarou nesta segunda-feira a intenção de negociar com Washington sobre o assunto.

A própria Rússia denunciou o que descreveu como esforços de “potências estrangeiras” para interferir nos assuntos internos do Irã. Em uma ligação telefônica com seu homólogo iraniano, o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, “condenou veementemente mais uma tentativa de potências estrangeiras de interferir nos assuntos internos do Irã”, informou a mídia estatal.

Infiltração israelense
No domingo (11/01), em entrevista televisionada, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou estar determinado a resolver os problemas anunciados pelos manifestantes, ressaltando que os protestos se tratam de um direito do povo. O mandatário afirmou que tratará o povo com base na justiça, e que trabalhará para uma distribuição equitativa de subsídios.

“Tomamos nossa decisão de resolver os problemas deles com todas as abordagens possíveis… É por isso que estamos mantendo conversas com eles diariamente”, acrescentou. “Consideramos os protestos das pessoas legítimos. Nunca desconsideraremos aqueles que expressam preocupações legítimas”.

Pezeshkian também denunciou as manobras de Israel, denunciando que o regime sionista busca aproveitar os problemas econômicos para agravar a situação nacional. Segundo ele, os inimigos enviaram vários terroristas do exterior para o Irã para lançar ataques incendiários contra mesquitas, incendiar as lojas do bazar e matar pessoas.

(*) Com Tasnim e Telesur/Opera Mundi


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Trump impõe taxa sobre quem exportar ao Irã; Brasil pode ser afetado

Medida é a primeira sinalização de que a Casa Branca irá escalar a pressão contra Teerã por conta dos protestos. Brasil vendeu mais de US$ 3 bi ao mercado iraniano e pode ser prejudicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos de todos os países que tenham algum tipo de comércio com o Irã. O Brasil, portanto, pode ser um dos afetados pelas novas tarifas.

Em 2024, o mercado iraniano consumiu mais de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros e se tornou o quinto maior destino das vendas nacionais no Oriente Médio.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”, afirmou o presidente dos EUA.

A medida faz parte de uma escalada contra o regime em Teerã, diante dos protestos que ganham dimensões inéditas nos últimos dias. O objetivo é isolar o país, romper alianças que ainda possam existir entre os iranianos e parceiros comerciais, criar uma escassez no país e a falta de abastecimento, principalmente de itens essenciais.

Trump também espera cortar o governo iraniano de qualquer tipo de abastecimento de suprimentos que possa permitir que o regime seja viável economicamente.

Trump chegou a dizer que poderia usar força militar e também indicou que os iranianos estariam dispostos a negociar. Mas o gesto desta segunda-feira sinaliza que a Casa Branca decidiu iniciar uma ofensiva.

A medida, ainda que afete o Brasil, tem um impacto bem maior para outros parceiros como a China e Índia. O Irã ainda faz parte do Brics, depois que o bloco passou por uma expansão há dois anos.

No caso das exportações brasileiras, elas estão essencialmente concentradas no setor agrícola e representam 1% do comércio do país com o mundo.

Em 2025, as exportações de milho do Brasil ao mundo atingiram 41,59 milhões de toneladas, crescimento de 9,9% e com receita de US$ 8,6 bilhões. O Irã liderou as compras, seguido por Egito e Vietnã.

*Jamil Chade/ICL


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Protesto em frente à prisão do Brooklyn exige libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores

Manifestantes exigem que poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente

Manifestantes se reuniram neste domingo (11) em frente ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, onde o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, passam a nona noite após serem sequestrados em 3 de janeiro durante a incursão militar em Caracas pelo governo dos Estados Unidos, e exigiram sua libertação.

Nesse dia, os manifestantes se reuniram para expressar seu apoio ao presidente venezuelano e à sua esposa, e pediram a libertação imediata de ambos, segundo reportagem do correspondente da teleSUR, Henry Camelo, nos Estados Unidos.

Eles reiteraram que se trata de um sequestro e que precisam sair o mais rápido possível. Os Estados Unidos não podem continuar usando desculpas como as que usaram para invadir a Venezuela e tentar se apoderar de recursos naturais, petróleo e minerais, que é, na verdade, seu verdadeiro objetivo.

Camelo explicou que os manifestantes estiveram presentes continuamente ao longo desta semana, apesar das baixas temperaturas.

“Eles vêm com suas faixas, vêm com seus cânticos e demonstram seu apoio ao presidente Maduro. Há várias pessoas se manifestando aqui, que não estão apenas insatisfeitas com essa situação, mas com tudo o que o governo Donald Trump está fazendo, as ameaças que está fazendo a outros países da região, como Colômbia, Cuba e México”, afirmou o jornalista.

Eles também exigem que os poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente interrompidos.

*BdF

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Miguel Díaz-Canel: Cuba está pronta para se defender até a “última gota de sangue” diante de ameaças dos EUA

Trump disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou neste domingo que seu país está sob ataque dos Estados Unidos há 66 anos e está pronto para se defender até a última gota de sangue.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança.

“Cuba não está atacando, está sob ataque dos EUA há 66 anos. Não representa ameaça alguma. Está se preparando para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o líder cubano na rede social X.


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Sob ofensiva dos EUA, Petro propõe confederação de estados autônomos na América Latina

Presidente colombiano voltou a propor integração nos moldes de Simón Bolívar, em momento de agressões de Trump na região

O presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a propor a união de vários países latino-americanos para a formação da Grã-Colômbia, revivendo a ideia de Simón Bolívar. Em sua conta no X, nesse sábado (10), Petro publicou um mapa com a indicação da região e escreveu: “Proponho, por voto constituinte da população, a construção de uma confederação de nações autônomas”.

O bloco incluiria países como Venezuela, Equador, Panamá, além de partes do Peru, da Costa Rica e da Guiana. “Teríamos políticas comuns sobre assuntos propostos pelo povo. Sem dúvida, isso incluiria uma política comercial focada na industrialização e no cumprimento de nosso papel geográfico como centro do mundo e da América Latina”, disse o mandatário colombiano.

A confederação, na proposta de Petro, teria um parlamento da Grã-Colômbia, um tribunal de Justiça e um conselho governante, semelhantes aos da União Europeia ou dos Estados Unidos. “Teríamos também potencial para o turismo e a conectividade global”, acrescentou.

Diálogo com EUA
O presidente colombiano confirmou que irá a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à CBS News, no sábado (10), Petro disse que o motivo da viagem aos Estados Unidos era “para impedir uma guerra mundial”.

Ele disse ainda que concorda com a política antidrogas de Trump desde que seja baseada no respeito à soberania nacional. A declaração foi feita em postagem nas redes sociais e divulgada pela imprensa colombiana.

“Estou de acordo com ela, com base no respeito à soberania nacional”, disse Petro, destacando que é preciso “duplicar ou triplicar” a luta contra as organizações de narcotráfico, atingindo líderes, finanças e promovendo a apreensão maciça de mercadorias ilícitas.

A visita, segundo informou Trump na sexta-feira (9), deve ocorrer na primeira semana de fevereiro. “Tenho certeza de que [a visita] será muito boa para a Colômbia e para os Estados Unidos, mas a cocaína e outras drogas devem ser impedidas de entrar nos Estados Unidos”, escreveu o presidente estadunidense na plataforma Truth Social.

Aparando as arestas
Em meio à escalada retórica de Washington contra Bogotá, Gustavo Petro e Donald Trump mantiveram uma conversa por cerca de uma hora por telefone na quarta-feira (7).

O tensionamento entre os dois países não é uma novidade, mas escalou desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e os bombardeios realizados em Caracas, no sábado (3), quando Petro saiu em defesa da Venezuela.

No dia seguinte ao ataque, Trump disse que não descartava realizar uma ação nos mesmo moldes contra a Colômbia. “Me soa bem”, afirmou, ao ser perguntado por jornalistas sobre a possibilidade. Na ocasião, ele também atacou diretamente o presidente Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos.”

*BdF


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Global Times investiga: como os EUA mantêm há 200 anos uma engrenagem de poder sobre a América Latina

Reportagem especial aponta três eixos de intervenção que atravessam do século 19 ao governo do presidente Donald Trump

A América Latina volta a viver, no início de 2026, um episódio que remete às advertências mais antigas de sua história política. “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a atormentar a América Latina com miséria em nome da liberdade”, escreveu Simón Bolívar em uma carta de 1829. Quase dois séculos depois, o temor descrito pelo líder venezuelano reaparece com força diante da notícia de que militares dos EUA realizaram um ataque contra a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para território americano, onde ambos passaram por um primeiro julgamento.

A avaliação é apresentada em reportagem especial do Global Times, que trata o caso como mais do que um evento isolado: seria a continuação lógica de uma doutrina de poder inaugurada em 1823 e reatualizada em versões contemporâneas. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, o episódio se insere numa tradição marcada por três grandes vetores — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — que sustentariam, há 200 anos, a lógica do chamado “quintal” latino-americano.

A reportagem integra a segunda parte de uma série em que o Global Times afirma “decodificar” a Doutrina Monroe e expor “esquemas intervencionistas” dos EUA em múltiplos campos. O texto cita uma sucessão de episódios “sangrentos” para ilustrar o que descreve como o funcionamento dos três eixos de interferência na região, da ocupação militar direta ao uso de sanções e mecanismos de influência política.

Eixo 1: hegemonia geopolítica e militarização
O Global Times afirma que o sequestro do presidente venezuelano gerou críticas severas em uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, inclusive por países parceiros de Washington. Dentro dos EUA, segundo a reportagem, haveria mobilização de protestos contra a ação, citando o relato da revista Newsweek de que “protestos anti-guerra estão planejados em mais de 100 cidades”.

Na leitura dos especialistas citados, o episódio seria apenas o capítulo mais recente de uma política de imposição geoestratégica sustentada por declarações de segurança, presença militar permanente e estruturas institucionais exclusivas que bloqueiam alternativas regionais. A reportagem lembra que a Doutrina Monroe — sintetizada na frase “América para os americanos” — foi anunciada pelo então presidente James Monroe, em 1823, como justificativa teórica para interferir no continente.

O texto aponta que essa lógica teria ganhado nova formulação no documento de segurança nacional do governo do presidente Donald Trump, publicado em 2025. Segundo o Global Times, a estratégia teria designado explicitamente a América Latina como esfera de influência de Washington, posição tratada por veículos e think tanks como “Doutrina Monroe 2.0”, e descrita como uma ameaça “crua” e “sem desculpas” à soberania regional.

A sustentação material desse eixo, de acordo com a reportagem, é a presença militar. O texto cita a agência Xinhua para afirmar que os EUA mantêm cerca de 76 bases militares distribuídas pela América Latina. Essa infraestrutura, argumenta a matéria, cria as condições para intervenções diretas, muitas vezes apoiadas em pretextos.

Como exemplo, o Global Times menciona a invasão do Panamá em dezembro de 1989, quando Washington lançou a “Operação Justa Causa”, supostamente como iniciativa antidrogas, com o envio de cerca de 27 mil soldados, segundo registros históricos do Exército dos EUA. A reportagem afirma que a mesma justificativa de “combate ao narcotráfico” teria sido usada, ao menos formalmente, para o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Maduro.

O professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, é citado como voz crítica a essa mudança de paradigma. “O ataque à Venezuela em 3 de janeiro não deixa dúvidas: os EUA não se comportam mais como a democracia pacífica que afirmam ser”, disse ele, conforme entrevista anterior mencionada pelo Global Times. Carvalho acrescenta: “Hoje, a hegemonia americana é sustentada não pelas instituições multilaterais que antes defendia, mas pela projeção de força bruta.”

Eixo 2: pilhagem econômica e controle de recursos
Ao abordar a dimensão econômica, a reportagem resgata um diagnóstico clássico do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina. “O subdesenvolvimento da América Latina deriva do desenvolvimento de outros e continua a alimentá-lo”, escreveu Galeano. Para o Global Times, a frase segue atual porque a região permanece presa a um modelo que favorece a extração de recursos, o controle de cadeias produtivas e o domínio de infraestrutura estratégica.

A matéria também menciona o papel histórico de grandes empresas na estrutura econômica regional. Como exemplo, cita estudos do History Labs da Universidade de Maryland para afirmar que, na década de 1930, a United Fruit Company teria controlado 42% das terras na Guatemala, além de deter isenções fiscais e dominar não apenas a produção de bananas, mas também sistemas de telefonia e telégrafo.

No campo comercial, a reportagem aponta que acordos de livre comércio foram desenhados para favorecer empresas americanas e produzir ganhos assimétricos. E acrescenta um instrumento recorrente: sanções econômicas contra governos que resistem à agenda de Washington. O Global Times cita dados do Tricontinental Institute for Social Research segundo os quais, em sete anos, as sanções dos EUA teriam devastado a indústria de petróleo da Venezuela, levando o país a perder receitas equivalentes a 231% do PIB entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024.

O pesquisador Sun Yanfeng, dos Institutos Chineses de Relações Internacionais Contemporâneas, resume o efeito desse mecanismo segundo a reportagem: ao criar estruturas econômicas distorcidas, enfraquecer a capacidade industrial e impor acordos desiguais ou sanções, os EUA conseguiriam controlar o padrão industrial e a estrutura comercial da região.

Eixo 3: infiltração ideológica e engenharia política
A terceira dimensão apontada pela reportagem é a infiltração ideológica, descrita como instrumento “flexível” para garantir a esfera de influência americana. O Global Times afirma que o documento de segurança nacional do governo Trump reafirma a estratégia do “America First”, apresentada como continuidade da visão da América Latina como “quintal”.

Segundo o texto, por décadas Washington usou slogans como “promoção da democracia” e “proteção dos direitos humanos” para interferir em processos políticos latino-americanos, financiando organizações e forças alinhadas, influenciando tendências sociais e atuando em disputas eleitorais por meio de apoio financeiro, manipulação de opinião pública e engenharia institucional.

A reportagem menciona a National Endowment for Democracy (NED) como exemplo de organização acusada de financiar grupos de oposição e entidades da “sociedade civil” em países como Venezuela e Cuba. O texto cita o jornalista Stephen Kinzer, ex-repórter do The New York Times, que teria publicado em 2021 artigos no site da New York Review of Books apontando que a NED colabora com a CIA e a USAID para apoiar forças insurgentes e promover mudanças de regime em governos que Washington rejeita. A matéria ressalta que, segundo esses artigos, membros iniciais do conselho da NED incluíam defensores de intervenções e ex-senadores entusiastas de mudanças de regime em Cuba e Nicarágua.

A reportagem também menciona a Bolívia, afirmando que os EUA teriam instigado uma “revolução colorida” por meio da NED e outras organizações, levando o então presidente Evo Morales a renunciar e se exilar. O Global Times diz que, entre 2013 e 2018, NED e USAID teriam canalizado, por diferentes meios, US$ 70 milhões para a oposição boliviana, citando um documento do Ministério das Relações Exteriores da China divulgado em 2022.

Um padrão que atravessa séculos e aprofunda instabilidade
Para o Global Times, a soma dos três eixos — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — não cria desenvolvimento nem estabilidade, mas intensifica conflitos internos, fragiliza instituições e produz ciclos de instabilidade. A reportagem atribui à professora Xu Yanran, da Universidade Renmin da China, a interpretação de que a intervenção americana é “autointeressada” e não mutuamente benéfica, e que as tragédias acumuladas explicam por que o envolvimento dos EUA “só piora as coisas”.

Ao final, o texto afirma que cresce na região um movimento de afirmação soberana. Segundo Xu, aumentam as vozes pela unidade regional, pelo fortalecimento interno e pela oposição à interferência externa. A especialista sustenta que mais países percebem que a dependência de potências externas não gera prosperidade, e que o caminho mais seguro seria aprofundar integração, cooperação e autonomia, como resposta a dois séculos de pressões.

Com o sequestro do presidente venezuelano e a escalada militar descrita pela reportagem, a América Latina entra em 2026 com um lembrete brutal de que a frase de Bolívar, escrita em 1829, continua assombrando o continente — e, na leitura do Global Times, ajuda a explicar por que a Doutrina Monroe permanece como uma das engrenagens centrais de conflito, disputa e resistência na região.

O texto sustenta que essa pilhagem aparece, sobretudo, na disputa por energia e recursos naturais, e menciona o que chama de “imperialismo alimentar”. A reportagem cita entrevista do economista americano Michael Hudson ao site The Grayzone, na qual ele afirma que os EUA, ao influenciar o Banco Mundial, teriam direcionado empréstimos para estimular culturas de exportação voltadas ao mercado americano, em vez de apoiar a soberania alimentar de países como Chile e Venezuela. Hudson diz que, com isso, “os países se tornaram cada vez mais dependentes dos EUA para alimentos”.

Outro ponto central é o controle de infraestrutura de transporte, com destaque para o Canal do Panamá. O Global Times menciona que, em 1903, tropas americanas desembarcaram no país e estimularam a separação do Panamá da Colômbia. Quinze dias depois da independência panamenha, segundo o texto, Washington teria imposto um tratado desigual — o Hay–Bunau-Varilla — que concedeu aos EUA o direito de construir o canal e controlá-lo permanentemente. A reportagem lembra que um novo acordo, assinado em 1977, determinou a devolução do canal em 31 de dezembro de 1999, mas afirma que, no início de 2025, o governo Trump teria voltado a ameaçar retomar o controle do canal, citando a CNN: “ou algo muito poderoso acontecerá”. 247.


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