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Miguel Díaz-Canel: Cuba está pronta para se defender até a “última gota de sangue” diante de ameaças dos EUA

Trump disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou neste domingo que seu país está sob ataque dos Estados Unidos há 66 anos e está pronto para se defender até a última gota de sangue.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança.

“Cuba não está atacando, está sob ataque dos EUA há 66 anos. Não representa ameaça alguma. Está se preparando para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o líder cubano na rede social X.


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Sob ofensiva dos EUA, Petro propõe confederação de estados autônomos na América Latina

Presidente colombiano voltou a propor integração nos moldes de Simón Bolívar, em momento de agressões de Trump na região

O presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a propor a união de vários países latino-americanos para a formação da Grã-Colômbia, revivendo a ideia de Simón Bolívar. Em sua conta no X, nesse sábado (10), Petro publicou um mapa com a indicação da região e escreveu: “Proponho, por voto constituinte da população, a construção de uma confederação de nações autônomas”.

O bloco incluiria países como Venezuela, Equador, Panamá, além de partes do Peru, da Costa Rica e da Guiana. “Teríamos políticas comuns sobre assuntos propostos pelo povo. Sem dúvida, isso incluiria uma política comercial focada na industrialização e no cumprimento de nosso papel geográfico como centro do mundo e da América Latina”, disse o mandatário colombiano.

A confederação, na proposta de Petro, teria um parlamento da Grã-Colômbia, um tribunal de Justiça e um conselho governante, semelhantes aos da União Europeia ou dos Estados Unidos. “Teríamos também potencial para o turismo e a conectividade global”, acrescentou.

Diálogo com EUA
O presidente colombiano confirmou que irá a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à CBS News, no sábado (10), Petro disse que o motivo da viagem aos Estados Unidos era “para impedir uma guerra mundial”.

Ele disse ainda que concorda com a política antidrogas de Trump desde que seja baseada no respeito à soberania nacional. A declaração foi feita em postagem nas redes sociais e divulgada pela imprensa colombiana.

“Estou de acordo com ela, com base no respeito à soberania nacional”, disse Petro, destacando que é preciso “duplicar ou triplicar” a luta contra as organizações de narcotráfico, atingindo líderes, finanças e promovendo a apreensão maciça de mercadorias ilícitas.

A visita, segundo informou Trump na sexta-feira (9), deve ocorrer na primeira semana de fevereiro. “Tenho certeza de que [a visita] será muito boa para a Colômbia e para os Estados Unidos, mas a cocaína e outras drogas devem ser impedidas de entrar nos Estados Unidos”, escreveu o presidente estadunidense na plataforma Truth Social.

Aparando as arestas
Em meio à escalada retórica de Washington contra Bogotá, Gustavo Petro e Donald Trump mantiveram uma conversa por cerca de uma hora por telefone na quarta-feira (7).

O tensionamento entre os dois países não é uma novidade, mas escalou desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e os bombardeios realizados em Caracas, no sábado (3), quando Petro saiu em defesa da Venezuela.

No dia seguinte ao ataque, Trump disse que não descartava realizar uma ação nos mesmo moldes contra a Colômbia. “Me soa bem”, afirmou, ao ser perguntado por jornalistas sobre a possibilidade. Na ocasião, ele também atacou diretamente o presidente Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos.”

*BdF


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Global Times investiga: como os EUA mantêm há 200 anos uma engrenagem de poder sobre a América Latina

Reportagem especial aponta três eixos de intervenção que atravessam do século 19 ao governo do presidente Donald Trump

A América Latina volta a viver, no início de 2026, um episódio que remete às advertências mais antigas de sua história política. “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a atormentar a América Latina com miséria em nome da liberdade”, escreveu Simón Bolívar em uma carta de 1829. Quase dois séculos depois, o temor descrito pelo líder venezuelano reaparece com força diante da notícia de que militares dos EUA realizaram um ataque contra a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para território americano, onde ambos passaram por um primeiro julgamento.

A avaliação é apresentada em reportagem especial do Global Times, que trata o caso como mais do que um evento isolado: seria a continuação lógica de uma doutrina de poder inaugurada em 1823 e reatualizada em versões contemporâneas. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, o episódio se insere numa tradição marcada por três grandes vetores — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — que sustentariam, há 200 anos, a lógica do chamado “quintal” latino-americano.

A reportagem integra a segunda parte de uma série em que o Global Times afirma “decodificar” a Doutrina Monroe e expor “esquemas intervencionistas” dos EUA em múltiplos campos. O texto cita uma sucessão de episódios “sangrentos” para ilustrar o que descreve como o funcionamento dos três eixos de interferência na região, da ocupação militar direta ao uso de sanções e mecanismos de influência política.

Eixo 1: hegemonia geopolítica e militarização
O Global Times afirma que o sequestro do presidente venezuelano gerou críticas severas em uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, inclusive por países parceiros de Washington. Dentro dos EUA, segundo a reportagem, haveria mobilização de protestos contra a ação, citando o relato da revista Newsweek de que “protestos anti-guerra estão planejados em mais de 100 cidades”.

Na leitura dos especialistas citados, o episódio seria apenas o capítulo mais recente de uma política de imposição geoestratégica sustentada por declarações de segurança, presença militar permanente e estruturas institucionais exclusivas que bloqueiam alternativas regionais. A reportagem lembra que a Doutrina Monroe — sintetizada na frase “América para os americanos” — foi anunciada pelo então presidente James Monroe, em 1823, como justificativa teórica para interferir no continente.

O texto aponta que essa lógica teria ganhado nova formulação no documento de segurança nacional do governo do presidente Donald Trump, publicado em 2025. Segundo o Global Times, a estratégia teria designado explicitamente a América Latina como esfera de influência de Washington, posição tratada por veículos e think tanks como “Doutrina Monroe 2.0”, e descrita como uma ameaça “crua” e “sem desculpas” à soberania regional.

A sustentação material desse eixo, de acordo com a reportagem, é a presença militar. O texto cita a agência Xinhua para afirmar que os EUA mantêm cerca de 76 bases militares distribuídas pela América Latina. Essa infraestrutura, argumenta a matéria, cria as condições para intervenções diretas, muitas vezes apoiadas em pretextos.

Como exemplo, o Global Times menciona a invasão do Panamá em dezembro de 1989, quando Washington lançou a “Operação Justa Causa”, supostamente como iniciativa antidrogas, com o envio de cerca de 27 mil soldados, segundo registros históricos do Exército dos EUA. A reportagem afirma que a mesma justificativa de “combate ao narcotráfico” teria sido usada, ao menos formalmente, para o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Maduro.

O professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, é citado como voz crítica a essa mudança de paradigma. “O ataque à Venezuela em 3 de janeiro não deixa dúvidas: os EUA não se comportam mais como a democracia pacífica que afirmam ser”, disse ele, conforme entrevista anterior mencionada pelo Global Times. Carvalho acrescenta: “Hoje, a hegemonia americana é sustentada não pelas instituições multilaterais que antes defendia, mas pela projeção de força bruta.”

Eixo 2: pilhagem econômica e controle de recursos
Ao abordar a dimensão econômica, a reportagem resgata um diagnóstico clássico do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina. “O subdesenvolvimento da América Latina deriva do desenvolvimento de outros e continua a alimentá-lo”, escreveu Galeano. Para o Global Times, a frase segue atual porque a região permanece presa a um modelo que favorece a extração de recursos, o controle de cadeias produtivas e o domínio de infraestrutura estratégica.

A matéria também menciona o papel histórico de grandes empresas na estrutura econômica regional. Como exemplo, cita estudos do History Labs da Universidade de Maryland para afirmar que, na década de 1930, a United Fruit Company teria controlado 42% das terras na Guatemala, além de deter isenções fiscais e dominar não apenas a produção de bananas, mas também sistemas de telefonia e telégrafo.

No campo comercial, a reportagem aponta que acordos de livre comércio foram desenhados para favorecer empresas americanas e produzir ganhos assimétricos. E acrescenta um instrumento recorrente: sanções econômicas contra governos que resistem à agenda de Washington. O Global Times cita dados do Tricontinental Institute for Social Research segundo os quais, em sete anos, as sanções dos EUA teriam devastado a indústria de petróleo da Venezuela, levando o país a perder receitas equivalentes a 231% do PIB entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024.

O pesquisador Sun Yanfeng, dos Institutos Chineses de Relações Internacionais Contemporâneas, resume o efeito desse mecanismo segundo a reportagem: ao criar estruturas econômicas distorcidas, enfraquecer a capacidade industrial e impor acordos desiguais ou sanções, os EUA conseguiriam controlar o padrão industrial e a estrutura comercial da região.

Eixo 3: infiltração ideológica e engenharia política
A terceira dimensão apontada pela reportagem é a infiltração ideológica, descrita como instrumento “flexível” para garantir a esfera de influência americana. O Global Times afirma que o documento de segurança nacional do governo Trump reafirma a estratégia do “America First”, apresentada como continuidade da visão da América Latina como “quintal”.

Segundo o texto, por décadas Washington usou slogans como “promoção da democracia” e “proteção dos direitos humanos” para interferir em processos políticos latino-americanos, financiando organizações e forças alinhadas, influenciando tendências sociais e atuando em disputas eleitorais por meio de apoio financeiro, manipulação de opinião pública e engenharia institucional.

A reportagem menciona a National Endowment for Democracy (NED) como exemplo de organização acusada de financiar grupos de oposição e entidades da “sociedade civil” em países como Venezuela e Cuba. O texto cita o jornalista Stephen Kinzer, ex-repórter do The New York Times, que teria publicado em 2021 artigos no site da New York Review of Books apontando que a NED colabora com a CIA e a USAID para apoiar forças insurgentes e promover mudanças de regime em governos que Washington rejeita. A matéria ressalta que, segundo esses artigos, membros iniciais do conselho da NED incluíam defensores de intervenções e ex-senadores entusiastas de mudanças de regime em Cuba e Nicarágua.

A reportagem também menciona a Bolívia, afirmando que os EUA teriam instigado uma “revolução colorida” por meio da NED e outras organizações, levando o então presidente Evo Morales a renunciar e se exilar. O Global Times diz que, entre 2013 e 2018, NED e USAID teriam canalizado, por diferentes meios, US$ 70 milhões para a oposição boliviana, citando um documento do Ministério das Relações Exteriores da China divulgado em 2022.

Um padrão que atravessa séculos e aprofunda instabilidade
Para o Global Times, a soma dos três eixos — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — não cria desenvolvimento nem estabilidade, mas intensifica conflitos internos, fragiliza instituições e produz ciclos de instabilidade. A reportagem atribui à professora Xu Yanran, da Universidade Renmin da China, a interpretação de que a intervenção americana é “autointeressada” e não mutuamente benéfica, e que as tragédias acumuladas explicam por que o envolvimento dos EUA “só piora as coisas”.

Ao final, o texto afirma que cresce na região um movimento de afirmação soberana. Segundo Xu, aumentam as vozes pela unidade regional, pelo fortalecimento interno e pela oposição à interferência externa. A especialista sustenta que mais países percebem que a dependência de potências externas não gera prosperidade, e que o caminho mais seguro seria aprofundar integração, cooperação e autonomia, como resposta a dois séculos de pressões.

Com o sequestro do presidente venezuelano e a escalada militar descrita pela reportagem, a América Latina entra em 2026 com um lembrete brutal de que a frase de Bolívar, escrita em 1829, continua assombrando o continente — e, na leitura do Global Times, ajuda a explicar por que a Doutrina Monroe permanece como uma das engrenagens centrais de conflito, disputa e resistência na região.

O texto sustenta que essa pilhagem aparece, sobretudo, na disputa por energia e recursos naturais, e menciona o que chama de “imperialismo alimentar”. A reportagem cita entrevista do economista americano Michael Hudson ao site The Grayzone, na qual ele afirma que os EUA, ao influenciar o Banco Mundial, teriam direcionado empréstimos para estimular culturas de exportação voltadas ao mercado americano, em vez de apoiar a soberania alimentar de países como Chile e Venezuela. Hudson diz que, com isso, “os países se tornaram cada vez mais dependentes dos EUA para alimentos”.

Outro ponto central é o controle de infraestrutura de transporte, com destaque para o Canal do Panamá. O Global Times menciona que, em 1903, tropas americanas desembarcaram no país e estimularam a separação do Panamá da Colômbia. Quinze dias depois da independência panamenha, segundo o texto, Washington teria imposto um tratado desigual — o Hay–Bunau-Varilla — que concedeu aos EUA o direito de construir o canal e controlá-lo permanentemente. A reportagem lembra que um novo acordo, assinado em 1977, determinou a devolução do canal em 31 de dezembro de 1999, mas afirma que, no início de 2025, o governo Trump teria voltado a ameaçar retomar o controle do canal, citando a CNN: “ou algo muito poderoso acontecerá”. 247.


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Brasil Mundo

Lula articula reação regional a ameaças de Trump e ofensiva na Venezuela

Presidente conversa com líderes da Colômbia, México e Canadá, condena uso da força, reage a ameaças militares dos EUA e defende soberania, multilateralismo e solução pacífica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quinta-feira (8) a articulação com líderes da América Latina em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e às novas ameaças de Washington à região, reafirmando a defesa da soberania, do multilateralismo e da solução pacífica de conflitos.

Ao longo do dia, o presidente brasileiro realizou ligações telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A articulação ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar países da região com ações militares no México e na Colômbia, a defender a ampliação da presença e do controle norte-americano sobre a Groenlândia e a anunciar a imposição de uma tutela política sobre a Venezuela.

Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, Lula criticou o uso da força contra um país sul-americano, apontado pelos dois governos como violação do direito internacional, da Carta da ONU e da soberania da Venezuela, e defendeu que a crise seja resolvida por meios pacíficos, com diálogo e respeito à vontade do povo venezuelano.

O presidente brasileiro também informou que o Brasil iniciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas para recompor estoques de produtos e soluções para diálise atingidos pelos bombardeios, de acordo com o Vermelho.

Com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, Lula reiterou o repúdio aos ataques contra a soberania venezuelana e à retomada de uma lógica de divisão do mundo em zonas de influência.

Os dois líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio, além do compromisso com a cooperação em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional.

Na ligação com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e defenderam que o futuro da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo.

Lula e Carney também concordaram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global e manifestaram interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.

As conversas ocorrem após Trump intensificar a retórica de confronto com países da América Latina e do Atlântico Norte, dias depois de os Estados Unidos executarem seu primeiro bombardeio na América do Sul.

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA vão “começar agora a atacar em terra” o território do México, sob o argumento de combater cartéis de drogas.

Trump disse que apenas “sua própria moral” constitui um limite para as ações do governo norte-americano no exterior. Questionado sobre o respeito ao direito internacional, Trump declarou que “não precisa” dessas normas e que a única coisa capaz de freá-lo é “sua própria mente”.O presidente norte-americano afirmou ainda que o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia seria “psicologicamente necessário para o sucesso” e admitiu que a escolha entre a estabilidade da Otan e a incorporação do território poderia se tornar um dilema para seu governo.


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Mundo

‘Morreremos de botas calçadas’: a corajosa defesa dos soldados venezuelanos contra a agressão dos EUA

Vídeo divulgado pelo Exército da Venezuela revela caso de oficial morto em combate durante o ataque dos EUA contra Caracas

O Exército venezuelano divulgou na última quinta-feira (08/01), um depoimento sobre as ações das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) durante a agressão militar autorizada pelo governo dos EUA em território venezuelano, ocorrido na madrugada do último sábado (03/01).

“Vamos sair daqui”, disseram alguns garotos, em uma colina, de acordo com relato de um homem. “Não, vamos morrer com as botas nos pés”, responderam.

O homem se referia a um soldado que, em meio aos bombardeios norte-americanos, tentou entrar em um tanque para operá-lo. Ele foi atingido por uma rajada de tiros e morto no local.

“Ele morreu defendendo seus ideais, morreu como um herói”, diz o homem no vídeo, visivelmente emocionado com o ocorrido.

100 venezuelanos mortos
“Nossos combatentes das FANB são o escudo inquebrável da Venezuela. Com o compromisso de defender nossa liberdade e independência, mesmo com nossas próprias vidas se necessário, garantimos a continuidade constitucional de nossa República”, declarou o Exército venezuelano nas redes sociais.

O Ministro das Relações Interiores, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, afirmou que o número de mortos, causados ​​pelo ataque norte-americano, chega a cem pessoas.

Em seu programa de televisão, transmitido pela estatal Venezoelana de Televisión (VTV), Cabello descreveu o ocorrido como uma “onda de terror” sem precedentes, presenciada inclusive por menores. “Isso não é um ato humano. O que foi feito é desumano”, enfatizou.

Agressão contra a Venezuela
No último sábado, os Estados Unidos lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação culminou com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York.

Caracas descreveu as ações de Washington como uma “agressão militar gravíssima” e alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.

Maduro declarou-se inocente na última segunda-feira (05/01), em sua primeira audiência perante o Departamento de Justiça dos EUA no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, onde enfrenta acusações de narcoterrorismo. Flores fez o mesmo. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina no mesmo dia.

Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia enfatizou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.

“Reafirmamos a inabalável solidariedade da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos sucesso à presidente interina Delcy Rodríguez na resolução dos desafios enfrentados pela República Bolivariana. Por nossa parte, expressamos nossa disposição em continuar prestando o apoio necessário à nossa amiga, a Venezuela”, afirmou Moscou.

*Opera Mundi


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Mundo

VÍDEO: Groenlândia será negociada “por bem” ou “por mal”, diz Trump

O presidente Donald Trump afirmou que pretende tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos “por bem” ou “por mal”, reforçando que o controle do território semiautônomo dinamarquês é “crucial” para a segurança nacional.

Em reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera, declarou: “Quero chegar a um acordo por bem. Mas, se não conseguirmos fazer da forma fácil, faremos da difícil.”

Trump citou a presença crescente de Rússia e China no Ártico como justificativa para o interesse norte-americano. Segundo ele, se os EUA não assumirem o controle da ilha rica em minerais, “Rússia ou China o farão”. O pronunciamento ocorreu após discussões sobre exploração de petróleo na Venezuela.

Assista:


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Brasil Mundo

Brasil prevê ‘jogo pesado’ da extrema direita dos EUA para impedir reeleição de Lula

Governo tentará construir agenda positiva com Trump e estabilizar Venezuela para neutralizar atores mais radicais

2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.

A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.

No governo, há um consenso de que a extrema direita dos EUA irá “jogar pesado” para tentar impedir a reeleição de Lula em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.

A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.

O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e não apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.

Já membros do alto escalão do PT admitem que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com as violações cometidos pelo chavismo.

As dificuldades dos aliados de Jair Bolsonaro, porém, podem ser importantes. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado está fora de jogo por enquanto e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.

Entre diplomatas brasileiros e americanos, a esperança é de que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas nos últimos meses.

Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do próprio governo Trump e que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.

A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela, como já ficou demonstrado em discursos na ONU e na OEA. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.

O Planalto ainda vai continuar a insistir para que não haja um segundo ataque contra a Venezuela e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.

Em diálogos dentro da Venezuela e nos países que fazem parte da região, Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.

*Jamil Chade/Uol


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Brasil Mundo

União Europeia aprova acordo com Mercosul; França protesta

Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, considerado o maior tratado desse tipo no mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 722 milhões de consumidores. A decisão, tomada pelos embaixadores dos 27 Estados-membros, abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o pacto na próxima semana, em Assunção, no Paraguai.

O tratado ainda precisa passar por uma formalidade: a confirmação dos votos pelos governos dos países da UE, o que deve ocorrer nas próximas horas.

Apesar disso, a aprovação alcançada aponta que o pacto avançará mesmo diante da forte oposição liderada pela França e outros países como Polônia, Irlanda e Hungria, que temem impactos sobre a agricultura local.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Alemanha e a Espanha foram fundamentais para reunir apoio de uma maioria qualificada, necessária para a avaliação positiva. Com isso, a expectativa é que von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para a assinatura oficial do acordo no dia 12 de janeiro.

O pacto prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, o que deve facilitar a circulação de produtos industriais e agrícolas. De acordo com o DCM, com a redução de barreiras alfandegárias, estima-se que as exportações europeias para os países do Mercosul possam crescer até 39% e gerar cerca de 440 mil postos de trabalho no continente europeu.

O acordo entre UE e Mercosul teve suas negociações iniciadas em meados de 1999 e consolidou-se como uma das negociações mais longas da história da integração comercial mundial, com mais de duas décadas de debates e ajustes. O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai representam o Mercosul, enquanto a UE reúne os 27 Estados-membros.

Apesar dos sinais verdes no Conselho da UE, a proposta ainda enfrenta resistência interna, especialmente na França. Agricultores franceses protestaram em Paris com tratores bloqueando ruas, demonstrando descontentamento com a possibilidade de concorrência de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a oposição do país ao acordo, mesmo após concessões oferecidas pela Comissão Europeia, como subsídios e mecanismos de salvaguarda para proteger setores sensíveis.

Os opositores planejam novas estratégias para atrasar ou bloquear o acordo no Parlamento Europeu, que precisa ratificar o pacto até abril, ou até mesmo recorrer ao Tribunal de Justiça da UE, o que poderia prolongar o processo de implementação por anos.

A história comercial entre os blocos já reforça a importância dessa aproximação: em 2024, o volume de transações comerciais entre Mercosul e UE somou cerca de € 111 bilhões, com a UE exportando principalmente máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul se destacou em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.


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Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de pacientes na Venezuela

Mobilização contou com doações de hospitais universitários e filantrópicos que atendem o SUS

Um avião venezuelano chegará ao Aeroporto de Guarulhos (SP) na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, para recolher 40 toneladas de insumos médicos que garantirão a hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. Medicamentos, soluções fisiológicas, entre outros insumos, foram reunidos pelo Governo do Brasil com o apoio de hospitais universitários federais públicos e hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização é coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Ao todo, 300 toneladas de produtos foram reunidos para ajudar os venezuelanos que precisam do tratamento.

“Fazemos isso porque existe o que nós chamamos de solidariedade sanitária. As saúdes têm que estar trabalhando sempre juntas, ainda mais quando a gente fala de um país vizinho. Se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise na Venezuela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha Governo do Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de 16 mil pacientes na Venezuela

“E também por gratidão, porque eu nunca esqueço o dia em que a Venezuela mandou mais de 135 mil metros cúbicos de oxigênio para salvar o nosso povo de Manaus durante a Covid-19”, completou o ministro. Padilha ainda atestou que as doações não afetam em nada o tratamento de cerca de 170 mil brasileiros que fazem hemodiálise pelo SUS.

O Governo do Brasil também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Foram mobilizadas equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.

A Operação Acolhida foi totalmente assumida

pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária no país. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, 40 profissionais permanentes fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.

O Saúde nas Fronteiras conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.

*Agência Gov


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Mundo

Senado dos EUA aprova resolução para barrar Trump contra Venezuela

O Senado dos Estados Unidos (EUA) aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que determina a interrupção do uso da força contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso Nacional.

“Esta resolução conjunta orienta o Presidente a cessar o uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades dentro ou contra a Venezuela, a menos que uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar para tal fim tenha sido promulgada”, diz o documento aprovado.

Apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, a resolução foi aprovada por 52 votos contra 47, tendo recebido o apoio de cinco senadores republicanos, do partido do presidente Donald Trump. Já um senador republicano não votou.

O texto, porém, precisa ser novamente aprovado pelos senadores e deve passar ainda pela Câmara dos Representantes dos EUA, com maioria de republicanos. A resolução ainda precisaria vencer um provável veto do presidente Donald Trump para entrar em vigor.

Ao justificar a resolução, o senador democrata Kaine disse que apoia o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas defendeu que novas ações tenham autorização legislativa.

“As declarações do presidente de que os EUA governarão a Venezuela por anos deixam claro: seus planos vão muito além de Maduro. Isso significa que o Congresso precisa se manifestar”, destacou Kaine antes da votação.

A oposição argumenta que a invasão da Venezuela foi ilegal uma vez que a Constituição dos EUA exige aprovação do Parlamento para declaração de guerras.

A senadora republicana Susan Collins disse que, apesar de apoiar a captura de Maduro, ela deseja afirmar o poder do Parlamento de autorizar ou limitar qualquer futura atividade militar na Venezuela.

“Não apoio o envio de mais forças americanas ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso. A resolução que apoiei hoje não inclui nenhuma menção à operação de retirada. Em vez disso, reafirma a capacidade do Congresso de autorizar ou limitar qualquer atividade militar prolongada futura na Venezuela”, disse a parlamentar em comunicado oficial.

Ao ser questionado sobre o tema após a invasão da Venezuela, o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia argumentando que a invasão não seria uma guerra, mas apenas a prisão de duas pessoas. Na ação, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por militares estadunidenses.

Trump reage
Ao comentar em uma rede social, aprovação da resolução, o presidente dos EUA disse que os republicanos deveriam se envergonhar dos senadores que votaram com os democratas para privar o poder de “lutar e defender os EUA”. Trump disse que esses parlamentares “jamais deveriam ser eleitos novamente”.

“Essa votação prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente como comandante-em-chefe. De qualquer forma, e apesar da ‘estupidez’ deles, a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional, violando totalmente o Artigo II da Constituição, como todos os presidentes e seus respectivos Departamentos de Justiça já determinaram antes de mim”, disse.

*ICL


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