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Governo Lula atrai investidores com Plano Nacional de Ferrovias

Plano prevê investimentos de R$ 100 bilhões para construir 5 mil quilômetros de novos trilhos.

Com interesse em participar dos leilões do Plano Nacional de Ferrovias, mais de 20 grupos empresarias agendaram reuniões com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto prevê investimentos de R$ 100 bilhões para construir cinco mil quilômetros de novos trilhos na malha ferroviária brasileira.

À CNN fontes do governo revelaram que entre os interessados estão operadores de infraestrutura de transporte no país como CCR, MRS e Rumo, todas líderes no setor.

Além deles, marcaram reuniões com os técnicos players como a “Concremat, agora de controle chinês, e a suíça Mediterranean Shipping Company (MSC), conhecida especialmente por transporte marítimo”. Também estaria interessada nos leilões a estatal China Railway.

Leia mais: Após vetos derrubados de Bolsonaro, marco legal das ferrovias vira lei

Um dos pontos atrativos dos projetos é o que governo pretende assumir de 20% a 30% dos investimentos.

São projetos como a Estrada de Ferro 118, que vai ligar Nova Iguaçu (RJ) a Cariacica (ES); Corredor Ferroviário Leste-Oeste, entre Mara Rosa (GO) e até Água Boa (MT); Conclusão da ferrovia Transnordestina, que liga Eliseu Martins (PI) aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE); e a Ferrovia de Açailândia (MA) até Barcarena (PA), para facilitar o escoamento da produção via ferrovia Norte-Sul.

Na semana passada, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o titular da pasta dos Transportes, Renan Filho, disse que a ideia é que sejam aplicados R$ 20 bilhões de investimentos públicos e R$ 80 bilhões de privados.

“No caso de ferrovias, os leilões são diferentes. Vence aquele privado que exigir o menor esforço público. Eles vão concorrer para dizer quem precisa de menos recursos do governo para colocar aquela obra de pé e fazer ali o seu investimento”, explica.

O ministro afirma que a carteira de projetos já foi apresentada ao presidente Lula. “O presidente aprovou e nós estamos organizando para fazer o lançamento nos primeiros dias de fevereiro. Na primeira quinzena do mês de fevereiro”, revela.

De acordo com ele, o trabalho será concentrado na divulgação dos projetos e debates com investidores e com o mercado.

“Vai ser super relevante porque é muito necessário que a gente retire carga e coloque nas ferrovias para evitar os conflitos rodoviários que o Brasil ainda vive. O nosso plano vai visar primeiro carga. O objetivo é, até 2035, nós colocarmos 40% da carga que o país produz nas ferrovias, retirando das rodovias para garantir mais durabilidade e mais segurança para as pessoas”, revela Renan.

O ministro diz que, depois de muito tempo de retrocesso no transporte de carga por ferrovia, o Brasil “voltou a crescer, ano após ano, em volume de carga por ferrovia”.

“Inclusive no ano passado nós batemos o recorde histórico de transporte de carga. Teve recorde de safra e teve também recorde de safra transportada por ferrovias. E a gente deseja intensificar isso”, comemora.

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Homem de confiança de Caiado é preso em megaoperação contra esquema milionário de corrupção

Polícia Civil investiga desvios em contratos fraudulentos da Goinfra; prejuízo estimado ultrapassa R$ 10 milhões, com indícios de superfaturamento de R$ 62 milhões.

A Polícia Civil de Goiás deflagrou na manhã desta terça-feira (28) a Operação “Obra Simulada”, que apura um esquema de corrupção envolvendo contratos fraudulentos na Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Entre os alvos da investigação está Lucas Vissotto, ex-presidente da Goinfra e homem de confiança do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que foi preso por suspeita de participação em desvios milionários.

De acordo com as investigações, contratos superfaturados e reformas simuladas em 26 prédios públicos causaram um prejuízo estimado em R$ 10,4 milhões aos cofres estaduais. As irregularidades foram identificadas em obras realizadas em postos da Polícia Rodoviária Militar Estadual e no Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Além disso, há suspeitas de superfaturamento de mais de R$ 62 milhões em outro contrato suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 2024, no valor total de R$ 271,8 milhões.

Desdobramentos políticos
A operação ocorre em um momento delicado para o governo de Ronaldo Caiado, que ainda não se pronunciou sobre o caso. A nomeação de Lucas Vissotto para a presidência da Goinfra, em dezembro de 2022, foi feita diretamente pelo governador, o que intensifica as pressões para esclarecimentos.

Na semana anterior à operação, o então titular da CGE, Henrique Ziller, pediu demissão de seu cargo, aumentando as especulações sobre possíveis irregularidades nos contratos da agência. Ziller havia sido nomeado no início do governo Caiado e desempenhava um papel central no monitoramento de contratos públicos.

As investigações apontam para crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato, e fraudes em licitações e contratos administrativos. A reconstrução de obras demolidas sem justificativa aumentará ainda mais o custo do esquema para os cofres públicos.

A Polícia Civil e o Ministério Público continuam as apurações para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados.

*Goiás 24horas

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Diretor da PF não descarta prisão de Bolsonaro em inquérito sobre tentativa de golpe

Prisão será solicitada caso os “requisitos legais” sejam preenchidos, diz Andrei Rodrigues.

InfoMoney – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira (27), durante entrevista ao programa Roda Viva, que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser solicitada caso os “requisitos legais” sejam preenchidos. O ex-presidente foi apontado no relatório final da PF como o líder de uma suposta organização que teria planejado um golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

“O relatório policial é muito completo e contundente, trazendo vários elementos de prova”, disse Rodrigues, destacando que o documento enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) descreve Bolsonaro como a figura central na articulação da trama golpista. “Prisão ou não prisão não depende de vontade política, pressão popular ou imaginação de pessoas. Depende de requisitos legais”, reforçou.

De acordo com Rodrigues, o relatório da PF detalha o papel de Bolsonaro como organizador das ações que buscavam impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A investigação foi baseada em depoimentos, colaboração premiada, materiais apreendidos e análise de dados. “Não são convicções dos investigadores, são provas que estão nos autos”, afirmou o diretor.

Apesar de Bolsonaro ser apontado como líder, Rodrigues explicou que uma possível prisão cautelar só será solicitada caso sejam identificados fatores que justifiquem a medida, como risco de fuga, obstrução de Justiça ou reincidência.

Michelle e Eduardo não serão indiciados – Rodrigues também esclareceu que a investigação não encontrou elementos suficientes para indiciar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ambos citados na delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid como parte de um grupo radical.

“Nós investigamos, apuramos e não encontramos elementos suficientes para várias pessoas, não só essas duas”, explicou Rodrigues. Ele destacou que a delação premiada é apenas um instrumento para obtenção de provas, mas que é necessário cruzar os relatos com outras evidências.

Próximos passos da investigação – O relatório da Polícia Federal, concluído em novembro de 2024, indiciou Bolsonaro e outras 39 pessoas. A delação de Mauro Cid foi utilizada para apontar nomes que integram a suposta trama golpista, mas Rodrigues frisou que nem todos os mencionados foram indiciados por falta de provas, segundo o 247.

Questionado sobre o tempo de duração do inquérito, Rodrigues afirmou que investigações dessa magnitude têm “tempo de maturação” e dependem de análise criteriosa. Ele também reforçou o compromisso da PF com uma condução isenta e responsável, descartando qualquer pré-julgamento.

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Sobre a deportação em massa de Trump, diz Bolsonaro, “eu faria a mesma coisa”

O ex-presidente disse que muitos imigrantes não têm sequer “qualificação” para morar nos EUA.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse na última sexta-feira (24) que faria “a mesma coisa” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à política de deportações em massa. Em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro defendeu a iniciativa de Trump, justificando que muitos dos imigrantes não tinham sequer “qualificação” para ir aos EUA.

“Lá é a casa dele. Aqui é a nossa. Quem não está de forma legal tem que se regularizar. Não são apenas brasileiros. Se calcula que sejam um pouco mais de 10 milhões de ilegais lá. Uma parte disso foi gente que não tinha qualquer qualificação para ir para lá. Empurraram para lá ‘muito tipo de gente’ que frequentava presídios em outros países. Ele está fazendo a coisa certa […] No lugar dele eu faria a mesma coisa”, disse Bolsonaro.

O ex-presidente também fez uma comparação da situação dos imigrantes com ocupações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). “É a regra do jogo. O que você acha do MST que invade uma fazenda e permanece lá dentro. Eles estão atrás de oportunidades, não tem onde plantar. Mas e o dono da fazenda, como fica? Então tem que ser dessa maneira. Quem quer ir para lá, busque uma maneira legal, como temos muitos brasileiros de forma legal lá. E conversando com esses brasileiros, eles eram favoráveis a não deixar aquela fronteira aberta como fez o (Joe) Biden”, completou.

A entrevista de Bolsonaro ocorreu antes da polêmica envolvendo a chegada de um voo com deportados no Brasil. Segundo relatos, o grupo, que tinha 88 brasileiros, chegou algemado e acorrentado, e sofreu agressões físicas e psicológicas nos agentes americanos. O governo federal e a Polícia Federal determinaram a soltura imediata dos deportados. A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou um avião para resgatá-los e levá-los até o destino final, que era o Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, diz Otavio Rosso, 247.

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A defesa de Bolsonaro criticou o que chamou de “vazamentos seletivos”, mas não nega o conteúdo da delação de Cid.

Reclamar de vazamento seletivo, o que foi revelado aos brasileiros sobre a trama golpista, convenhamos, é piada.

Melhor seria Bolsonaro nada dizer.

O que ele está fazendo, porque não tem como sair do rodamoinho que essa delação de Mauro Cid revelou, nada mais é que confirmar o que foi publicado na mídia.

O fato é que essa delação desabou agora também nas cabeças de Eduardo e Michelle Bolsonaro como comandantes do grupo central do golpe.

Isso implica ainda mais Bolsonaro, por motivos óbvios e centrifuga para o olho do crime, filho e esposa do mandatário da nação e do golpe em si.

Como a coisa vazou pouco importa.

O cheiro de enxofre entra pelas ventas de qualquer maneira.

A defesa pode vir com mil desculpas esfarrapadas para tentar livrar a cara, agora também de Michelle e Eduardo que não livra a cara ninguém.

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Celac convoca reunião urgente para enfrentar as agressões de Trump

A reunião foi um pedido do presidente colombiano Gustavo Petro em resposta às medidas de Trump na deportação de imigrantes.

A presidente de Honduras, Xiomara Castro, atual líder da presidência rotativa da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), atendeu ao pedido do presidente colombiano Gustavo Petro e convocou uma reunião de emergência para o próximo dia 30 de janeiro.

A reunião é uma resposta às medidas do governo Donald Trump na deportação de imigrantes realizadas nos últimos dias em condições degradantes.

Segundo comunicado divulgado nas redes sociais, a pauta do encontro incluirá temas como imigração, meio ambiente e a unidade latino-americana e caribenha.

As relações bilaterais entre EUA e Colômbia se deterioraram rapidamente após Gustavo Petro recusar a entrada de dois aviões militares americanos com imigrantes deportados. Petro argumentou que os deportados não podem ser tratados como “criminosos”.

Em resposta, Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos colombianos, com possibilidade de aumento para 50% em uma semana, além da suspensão de vistos para cidadãos colombianos. Petro reagiu de forma contundente, impondo tarifas equivalentes aos produtos americanos e declarando que seu governo incentivará a substituição de mercadorias americanas no mercado colombiano por alternativas nacionais.

O México também se posicionou na crise. Após afirmar estar disposto a colaborar com os EUA, o governo mexicano negou a entrada de uma aeronave militar com deportados. A razão para a recusa não foi esclarecida, mas, segundo informações da rede NBC News, a aeronave sequer decolou, possivelmente devido à falta de aprovação do plano de voo.

Autoridades de países como Colômbia e México têm declarado que só aceitarão imigrantes deportados pelos EUA se protocolos forem estabelecidos para garantir sua transferência em condições dignas.

Na noite de sábado (25), o primeiro avião com deportados dos EUA chegou ao Brasil, e os passageiros estavam com pés e mãos algemados. Os brasileiros também denunciaram agressões por parte de agentes americanos e limitações no acesso à água e ao banheiro durante o voo.

A reunião convocada pela Celac ganha centralidade na busca por uma resposta unificada da América Latina e Caribe frente às políticas e atitudes consideradas agressivas por parte do governo Trump. Com 247.

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Mandaram um ‘pica-fumo’ me prender, disse Braga Netto ao ser preso

Conheça os detalhes inéditos sobre o dia da prisão do general Braga Netto.

Eram 5 horas e 30 minutos, do sábado 14 de dezembro de 2024, quando cerca de dez militares chegaram na frente da sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), no centro do Rio de Janeiro. Eles estavam atendendo a ordens da alta cúpula militar de Brasília, capital do Brasil, e ainda não sabiam qual era a missão daquela manhã. O relato a seguir foi feito ao CLIP e ao ICL Notícias, sob condição de anonimato, por dois integrantes da operação.

No grupo de dez militares, estava um coronel e os demais eram oficiais de patentes inferiores. Ao chegar na sede da PF no Rio, eles encontraram um grupo de policiais federais que tinham em mãos um mandado de prisão emitido pelo Supremo Tribunal Federal para cumprir. O papel dos militares era apenas de acompanhar a operação porque um militar de alta patente seria preso.

Nenhum deles sabia, mas estavam a caminho do apartamento do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, em 2022. Em cerca de trinta minutos, ele estaria preso. Mineiro de Belo Horizonte (MG), o militar tem 67 anos e entrou para o Exército em 1975.

Os policiais federais, no comando da operação, informaram aos militares que apenas parte do grupo ia seguir junto com eles em dois carros. A orientação dada era para uma operação sigilosa, ágil e discreta.

Tudo já vinha sendo preparado pelos policiais desde o dia anterior, a sexta-feira (13). Após a emissão da ordem de prisão pelo STF, os investigadores chegaram a discutir sobre quando efetuar o cumprimento do mandado e a data 13 de dezembro, aniversário do Ato- Institucional número 5, um decreto da ditadura que permitiu, por exemplo, uma série de detenções violentas e afundou de vez a população brasileira no horror da ditadura a partir de dezembro de 1968. Os policiais pensaram que prender Braga Netto no aniversário do AI-5 podia soar uma provocação. No entanto, o sábado, 14 de dezembro, é o aniversário da ex-presidente Dilma Rousseff, petista e ex-integrante de um dos grupos de guerrilha armada contra a ditadura. Não tinha data perfeita para aquela prisão.

Como o general estava em Maceió, capital de Alagoas, em uma viagem de férias com a família, ficou para o sábado. Já no nordeste, ele vinha sendo monitorado enquanto a PF preparava a operação para prendê-lo. Ao saber que ele tinha um voo de Maceió para o Rio de Janeiro, a PF acompanhou o embarque e já destacou uma viatura com agentes para monitorar a chegada dele à capital carioca. Os policiais ainda o acompanharam do aeroporto até a chegada em casa, um apartamento que fica na rua Figueiredo Magalhães, no bairro de Copacabana.

Assim, pouco depois de se reunirem na sede da PF, policiais e militares dividiram-se em dois carros descaracterizados e foram até o edifício “El Cid”, o prédio onde o general Braga Netto vive com a família no Rio de Janeiro. Uma coincidência difícil de ser ignorada. O general ia ser preso, em grande medida, pelas informações prestadas pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, em sua colaboração premiada. Os militares, porém, só entenderam quem estavam prendendo quando chegaram na porta do apartamento.

O grupo entrou pela garagem informando para a portaria que estavam cumprindo mandados judiciais e que os porteiros não deviam informar ao dono do apartamento que eles estavam subindo. O prédio é um desses clássicos, antigos de Copacabana, e tem um apartamento por andar com dois elevadores que atendem aos moradores. Metade do grupo subiu em um elevador social, que possui uma porta com saída direta para a porta de entrada dos apartamentos, e outro é o de serviço.

Um dos policiais tocou a campainha e quem abriu a porta foi logo o general Braga Netto vestido com um shorts e uma camisa de pijama, ambos de um branco com azul. O diálogo de alguns minutos, foi reconstituído por duas fontes, assim:

– Bom dia general, estamos aqui para cumprir uma decisão do ministro Alexandre de Moraes. É um mandado de busca e prisão preventiva.

– Prisão preventiva? Mas nem me chamaram para depor – respondeu um Braga Netto, assustado.

– O senhor tem que ver isso com seu advogado. A minha intenção é ser célere e discreto para preservar a imagem do senhor – completou um dos policiais.

– Agradeço. Tão na casa do Heleno também? – questionou Braga Netto, sem perguntar nada sobre Bolsonaro.

A menção ao colega general da reserva Augusto Heleno não era sem razão. Heleno e Braga Netto foram apresentados em um documento como os líderes do gabinete transitório que iria assumir o país após a conclusão do golpe de estado planejado após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022.

– Posso entrar em contato com meu advogado? – questionou o general.

– Pode. Deixa só ver as armas – respondeu um dos policiais.

– Ah, as armas vocês levaram da outra vez – relembrou Braga Netto, ao citar as duas pistolas que foram apreendidas em fevereiro de 2024, na Operação Tempus Veritatis.

Pouco depois que os militares e policiais entraram no amplo apartamento, o general falou com o advogado. Em seguida, o celular dele foi apreendido e os investigadores começaram a busca e apreensão por documentos, armas e dinheiro.

Militares montam um plano para matar Alexandre de Moraes. Pelo menos seis pessoas são distribuídas em diferentes locais de Brasília para intercetar Moraes. O plano só é cancelado no final do dia.

O coronel Marcelo Câmara, assessor pessoal de Jair Bolsonaro, dá a Mauro Cid informações detalhadas sobre a rotina e o itinerário de Moraes.Bolsonaro reúne-se com o general Estevam Theofilo, comandante do Coter (Comando de Operações Terrestres), que concorda em dar continuidade ao plano golpista caso Bolsonaro assine a minuta que foi discutida no Planalto.
Bolsonaro reúne-se com os chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea para apresentar o projeto de golpe.
Bolsonaro, Cid e um dos “kids pretos” estiveram meia hora no Palácio do Planalto (sede do Executivo do Governo Federal brasileiro) ao mesmo tempo. A Polícia Federal obteve essa informação cruzando dados de torres de telefonia com informações da agenda do então presidente.
General Walter Braga Netto conversa com golpistas e pede paciência: “De um tempo”.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-assessor de Jair Bolsonaro, oferece R$ 100 mil para cobrir despesas dos militares na execução do plano.
O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente com Bolsonaro nas eleições de 2022, tem uma reunião em sua casa com militares conhecidos como “kids pretos” para planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice-presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF).
O general Mário Fernandes, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, elabora um documento que detalha as ações golpistas, que envolvem o rastreamento e a execução do ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), Alexandre de Moraes.

15 de dezembro de 2022
10 de dezembro de 2022
9 de dezembro de 2022
7 de dezembro de 2022
6 de dezembro de 2022
18 de novembro de 2022
9 de novembro de 2022
12 de novembro de 2022

14 de novembro de 2022

A cronologia de como foi planejado o golpe de Estado no Brasil e a tentativa de assa

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Militares montam um plano para matar Alexandre de Moraes. Pelo menos seis pessoas são distribuídas em diferentes locais de Brasília para intercetar Moraes. O plano só é cancelado no final do dia.
O coronel Marcelo Câmara, assessor pessoal de Jair Bolsonaro, dá a Mauro Cid informações detalhadas sobre a rotina e o itinerário de Moraes.
Bolsonaro reúne-se com o general Estevam Theofilo, comandante do Coter (Comando de Operações Terrestres), que concorda em dar continuidade ao plano golpista caso Bolsonaro assine a minuta que foi discutida no Planalto.
Bolsonaro reúne-se com os chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea para apresentar o projeto de golpe.
Bolsonaro, Cid e um dos “kids pretos” estiveram meia hora no Palácio do Planalto (sede do Executivo do Governo Federal brasileiro) ao mesmo tempo. A Polícia Federal obteve essa informação cruzando dados de torres de telefonia com informações da agenda do então presidente.
General Walter Braga Netto conversa com golpistas e pede paciência: “De um tempo”.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-assessor de Jair Bolsonaro, oferece R$ 100 mil para cobrir despesas dos militares na execução do plano.
O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente com Bolsonaro nas eleições de 2022, tem uma reunião em sua casa com militares conhecidos como “kids pretos” para planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice-presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF).
O general Mário Fernandes, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, elabora um documento que detalha as ações golpistas, que envolvem o rastreamento e a execução do ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), Alexandre de Moraes.
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 14 de novembro de 2022
Na medida em que o barulho da chegada do grupo avançou pela casa, a mulher do general, a filha e o genro acordaram e vieram para a sala. Os três foram orientados a ficar sentados no sofá enquanto Braga Netto se trocava para sair preso com os policiais.

Ninguém chorou. Estavam todos aborrecidos, mas nenhum deles se desesperou diante dos policiais e militares. Braga Netto levou cerca de 40 minutos para tomar banho e se arrumar para sair com os policiais. Nesse meio tempo, os militares que acompanhavam a operação demonstraram o constrangimento em prender um general. O coronel que liderava os militares chegou a dizer que foi a missão mais difícil que recebeu na carreira.

Quando Braga Netto finalmente ficou pronto, ele saiu andando com os investigadores pela porta da frente. Não foi algemado e saiu do elevador direto para uma das viaturas na garagem. Sentou no banco de trás de uma das viaturas e ficou no meio de dois policiais como qualquer outro criminoso preso pela PF.

No caminho, de Copacabana até o Centro, para aliviar a tensão, o grupo dentro do carro começou a falar amenidades. Primeiro, falaram do Botafogo. O general é torcedor do time que foi campeão da Libertadores em 2024. Depois, ele se queixou do Exército e criticou um projeto de previdência dos militares e, em 20 minutos, estavam de volta ao centro da cidade.

Na Superintendência da PF, a prisão do general foi formalizada. Ele foi levado para uma sala e renunciou ao exame de corpo de delito para evitar a exposição. A ordem de evitar qualquer ato de espetacularização foi seguida à risca. Tanto é que ninguém possui imagens do momento em que ele saiu de sua casa em Copacabana com os policiais. Apenas uma foto foi captada quando Braga Netto chegou na Superintendência da PF.

Enquanto os policiais faziam a burocracia, o general tomou um café e foi recebido pelo Superintendente interino da instituição. A iniciativa, porém, gerou novos desabafos:

– Fui melhor tratado pela PF do que pelo Exército. Colocaram um “pica-fumo” para me prender – reclamou Braga Netto, ao se queixar que um coronel liderava a prisão, não um general. A ausência de um militar com uma patente igual a dele causou enorme irritação em Braga Netto.

Nas histórias de quem se formou no Exército, restou que a tropa costumava fumar charuto ou cigarro de palha nas marchas. Assim, o mais jovem oficial do Regimento de Cavalaria era responsável por picar o fumo de rolo e prepará-lo para seu comandante e alguns oficiais superiores. Dali em diante, passou que “pica-fumo” é o modo como os militares mais experientes chamam os mais jovens.

Outras ausências também foram notadas. Desde o momento em que foi preso, o general não mencionou o nome de Jair Bolsonaro. Quem acompanhou o episódio, avalia que ele contava com a possibilidade de ser preso e já fazia seu cálculo.

A prisão foi formalizada e a PF entregou o general aos militares para que a custódia ficasse a cargo do Exército. Essa também foi a ordem que veio de Brasília. Assim, Braga Netto foi encaminhado para a 1ª Divisão do Exército, que é subordinada ao Comando Militar do Leste e fica na Vila Militar, na zona oeste da cidade. Poucos militares conhecem as instalações do CML tão bem quanto Braga Netto. Ele comandou a instituição entre 2016 e 2019.

Assim, foi preso o primeiro general quatro estrelas da história do Brasil. Antes disso, o marechal Hermes da Fonseca tinha sido preso duas vezes em 1922. Mas o Brasil dos anos 1920 não é comparável ao país de 2024. Braga Netto foi extensivamente investigado em um país democrático, coisa que não se pode dizer sobre o ocorrido no início do período republicano do Brasil. Braga Netto tem direito a defesa e nega todas as acusações.

O advogado José Luis Oliveira Lima, que passou a defender Braga Netto dias depois da prisão, informou que “ele nunca mencionou qualquer irritação relacionada ao cumprimento do mandado de prisão”. Além disso, informou que o general “nega expressamente a prática de qualquer ato ilícito, em especial a alegada entrega de dinheiro vivo”.

Apesar das negativas, é muito difícil de imaginar que tipo de defesa será feita após a Polícia Federal descobrir provas do envolvimento dele em um plano para assassinar o presidente eleito e o vice, além de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

*Juliana Dal Piva/ICL

 

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E no final, descobre-se que a pudica Michelle era a carola Perpétua, a principal vilã do golpe

Não aceitando o funeral da reeleição de Bolsonaro e, lógico, o fim da vida de 1ª dama do fascismo nacional, a pudica, que vive de falsas rezas, revelou-se a carola Perpítua da novela Tieta, incitando o ódio e o golpe.

Não sei quem acreditava nas cenas religiosas da figuraça.

Aquilo sempre fedeu falsidade em estado puro de putrefação do próprio caráter da pundonorosa.

Por isso, não assusta saber que a parceira de maldades da Damares, segundo delação de Mauro Cid era o capeta em forma humana.

Mauro Cid disse à PF que Michelle e Eduardo Bolsonaro participavam de um grupo “radical” que acreditava que os CACs participariam de uma luta armada se o então presidente desse o golpe.

Delação de Cid, diz ainda que Michelle e Eduardo atuavam para convencer o então presidente Bolsonaro a contestar o resultado das urnas e romper com a democracia.

A íntegra do documento foi obtida pelo jornalista Elio Gaspari.

Agora é aguardar a víbora golpista proteger a própria reputação de tímida, casta e recatada.

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Gilmar Mendes, decano do STF: “Estamos atrasados na regulação das redes”

Para o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o Brasil está atrasado na regulação das redes sociais. A afirmação foi feita nesta conversa com o Correio Braziliense, em Zurique, onde o ministro participou do Fórum Econômico Brasileiro organizado pelo Lide — Grupo de Líderes Empresariais e pela Editora Abril. O magistrado considera que o Poder Legislativo desperdiçou, a partir da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, a possibilidade de analisar os limites para publicações nas plataformas de internet, e assim reforçar ainda mais a democracia brasileira. “Todos acreditamos que o Congresso ia se debruçar (na matéria). Houve aquele avanço no Senado, mas, depois, por dissidências e desinteligências, a matéria acabou sendo parada na Câmara”, lamenta. Gilmar, aliás, salienta que a decisão do Supremo sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet será uma das principais pautas da Corte neste semestre. Leia a entrevista completa a seguir.

O senhor tem participado de vários fóruns internacionais, e faltam alguns dias para o STF retomar os trabalhos. O que o senhor destaca como assunto mais importante na Corte neste semestre?

Acho que é a questão das redes sociais. O tema, que já está posto, tem um pedido de vista do ministro André Mendonça. Mas, diante de tudo que aconteceu e está acontecendo, é fundamental que o Brasil tenha alinhamento sobre essa temática. De modo que espero que, no primeiro semestre, tenhamos uma definição que possa, até mesmo, estimular o Congresso a se debruçar sobre a temática, e ter uma regulação mais detalhada de um tema tão difícil. Sabemos que alguns países têm regulado e isso tem gerado conflitos. A Alemanha regulou, a União Europeia tem isso regulado, a Austrália está vivendo também algum tipo de confrontação e o Reino Unido aprovou algo nesse sentido. Precisamos olhar com atenção, pois vimos que, certamente, poderemos ter problemas a partir da interpretação da liberdade de expressão traduzida pelos norte-americanos.

O senhor não votou ainda. E quando acredita que a matéria será votada?

A partir da devolução da vista do ministro André, certamente haverá uma busca de encaminhamento de consenso. Ele tem 90 dias para devolver (o processo). Isso faz algum tempo e teve essa interrupção do período de recesso. Mas não demora. Isso volta e haverá o devido encaminhamento.

As big techs resistem à regulamentação e o Congresso também está demorando. Agora, temos o governo de Donald Trump abrigando as big techs e a Meta suspendendo a moderação de publicações em suas plataformas. Estamos caminhando para um mundo de verdade pulverizada?

Temos que buscar a regulação. Não é fácil. É desafiadora a questão dos crimes graves, que não dependem de uma decisão judicial; ou quando a empresa cobra publicidade ou cobra pelo incremento da divulgação. Há alguns parâmetros que o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições, adotou. Então, alguma coisa sabemos. Mas, também, estamos lidando com uma dinâmica móvel, que é a própria tecnologia. Alguns desses sistemas desapareceram. Quem fala mais em Orkut? Tem inteligência artificial — tivemos, inclusive, essa disciplina nas eleições. O TSE regulou o uso da IA na campanha eleitoral. Então, temos de estar atentos e, claro, discutirmos, também, quem vai cuidar disso em determinados casos, se é possível ter uma agência. Todos têm desconfiança em relação à agência ou muitos têm desconfiança em relação à agência por conta da possibilidade de se tornar um suprapoder e ser capturada pelas empresas. Ou passar a ser tão intervencionista que acabará afetando a liberdade de expressão. Acho que é um aprendizado institucional que condiz com a democracia, mas, certamente, a preocupação existente e as respostas que foram dadas vão nos ajudar a trilhar um rumo construtivo.

Mas não teria de ser uma tarefa do Poder Executivo, ou de uma união dos Três Poderes, para discutir a questão de se criar uma agência? Cabe ao Supremo debater isso?

Também cabe ao Supremo. Nunca podemos esquecer que uma das competências do STF advém das chamadas “omissões inconstitucionais” — as pessoas esquecem disso. Quando há omissão inconstitucional por parte do Executivo ou do Legislativo, o Supremo pode atuar — e não está abusando. Então, é fundamental que a gente tenha isso presente. Algumas normas no Brasil só existem a partir de decisões do Supremo. Por exemplo: o direito de greve do servidor público. Até hoje, o Congresso não regulou isso e o Supremo mandou aplicar as leis de greve existentes.

Sobre as emendas parlamentares. É outro tema que estará na ordem do dia, nessa largada de 2025, tanto no Legislativo quanto no Judiciário. Muita gente aposta em um conflito entre o Legislativo e o Judiciário por causa das decisões do ministro Flávio Dino, muitas delas já ratificadas pela Corte. O senhor acredita que haverá briga entre os Poderes?

Não espero que as coisas tenham esse desfecho. Talvez a gente tenha até que separar as questões residuais, que são expressivas. Mas da disciplina ou do quadro mais ou menos de anomia que existia pré-entendimento e pré-legislação que o Congresso acabou por aprovar.

O senhor acha que ficou só um resíduo? E qual é?

No que é significativo. Houve, a partir do entendimento do ministro Dino, um bloqueio na liberação das emendas de comissão — é um valor significativo — e de todas aquelas que não estavam, de alguma forma, identificadas. E há um problema: o Congresso, às vezes, informa que essa identificação é difícil e o ministro Dino está apontando que isso vem em descumprimento daquela primeira decisão tomada pela ministra (aposentada) Rosa Weber. É preciso olhar isso com atenção, mas tenho a impressão de que a construção para frente foi feita. E veja: o Supremo não está interferindo na conceitualização, se deve ou não ter emendas impositivas. Não é esse o debate, ser contra ou a favor das emendas impositivas. O que o Supremo está dizendo é que são verbas públicas que devem ser aplicadas com transparência, com rastreabilidade, com projetos. É isso que o Supremo está cobrando e, por isso, a censura forte que se fez às chamadas emendas Pix. É fundamental que essa questão seja vista não como um conflito entre o Supremo e o Legislativo, mas como um modus procedendi de construir dentro de um parâmetro de legalidade. A questão de qual é o valor das emendas, isso é uma decisão do Congresso e do Executivo, embora haja debate sobre os valores que estão sendo aplicados. E é legítimo que o parlamentar participe das necessidades de sua base, faça as indicações. Há muitas propostas nesse sentido, até do ponto de vista conceitual — a ideia, por exemplo, de um banco de projetos em que as pessoas colocariam lá as emendas. É preciso que haja o devido equilíbrio para que a gente não crie crises onde não há.

Mas não está faltando acerto, diálogo? O Supremo pode patrocinar esse diálogo?

Talvez seja discutível e questionável o caso dos valores, mas esse é um diálogo entre o Executivo e o Legislativo. Se houvesse a aplicação em planos pré-existentes, o problema seria menor. O ministro Dino até deu o exemplo das chamadas emendas de bancada, em que os próprios governadores vinham ao Congresso e participavam da discussão sobre obras estruturantes. Então, não haveria maiores problemas, porque o parlamentar participa, tem lá o seu selo, sua intervenção. Os governos ou as regiões participam. É possível construir soluções que não levem a uma eventual dissipação de recursos, à não aplicação em finalidades prioritárias. Considerando os nossos apertos orçamentários financeiros, é fundamental que os recursos sejam bem aplicados.

Outro assunto que aparece na ordem do dia é o 8 de Janeiro de 2023. O presidente Donald Trump concedeu perdão aos que participaram da invasão ao Capitólio (em 6 de janeiro de 2021). Há algum risco de o Brasil conceder anistia àqueles que depredaram as sedes dos Três Poderes?

Tem havido apoio de um grupo no Congresso a essas ideias, mesmo antes do advento da presidência Trump. Mas é preciso ver tudo isso num amplo contexto, que agora tem seu novelo deslindado, com a responsabilidade ou a possibilidade de responsabilização dos idealizadores. Tivemos, primeiramente, aquelas pessoas que ficaram na frente dos quartéis, meses a fio, mesmo depois da posse do presidente Lula, até o 8 de Janeiro de 2023. A invasão dos palácios, a aposta nas GLOs (Garantia da Lei e da Ordem) que sugeriam golpe. Agora, vêm as revelações de participantes de alta estatura, inclusive militar, e envolvimento de várias autoridades. As investigações, portanto, como vocês reclamaram, chegaram aos possíveis mentores intelectuais ou responsáveis, segundo o relatório da Polícia Federal. É preciso que isso seja deslindado e espero que o Supremo, ainda este ano, recebendo a denúncia, faça a devida instrução do processo e julgue a matéria. É inconcebível, incogitável a meu ver, falar-se de perdão ou anistia nesse contexto.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, vem trabalhando no recesso. A informação que se tem é de que pode vir alguma coisa pesada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senhor acredita em algo nesse sentido?

Acho que, ao lado dos dados que estão naquele relatório, certamente a Polícia Federal anexou novos resultados. Li informações sobre conteúdos, que foram acrescentados, do telefone do general (Walter) Braga Netto. A PGR está muito adiantada. E trata-se, também, como sabemos, de um procurador-geral extremamente ponderado, responsável e equilibrado. Não espero nenhuma espetacularização na denúncia, mas algo muito calcado em documentos e fatos. Certamente, o doutor Gonet também tem a coragem moral para pedir absolvição ou arquivamento daqueles casos que não forem relevantes.

A democracia brasileira ainda corre algum risco, diante dessa tentativa de golpe, inclusive, com supostos planos de assassinatos de autoridades?

O governo Bolsonaro foi atípico. Inicialmente, um pouco como testemunha da história nesses 30, 40 anos, esperava que fosse se valer do quadro dos militares, mas não com esse viés distorcido. Era natural, porque ele vinha da caserna, tinha toda essa tradição. Mas é possível que alguns segmentos militares, ou vinculados a eles, tenham interpretado que voltaram ao poder pelas mãos do povo. Consideradas todas as distorções e os episódios de corrupção que ocorreram anteriormente, talvez se animaram de maneira equivocada. Felizmente, vimos que a maioria das Forças Armadas, de sua própria cúpula, é composta de pessoas com formação republicana e democrática, que recusaram qualquer aventura. Acho que, aqui, é um sinal de que precisamos estar atentos e tomar medidas. Tenho me queixado de que, até agora, não fizemos o dever de casa em relação à participação dos militares na vida pública, como também em relação às polícias militares. Tem que haver limite. Se alguém decide exercer funções administrativas civis, e está na caserna, deve ir para casa e deixar a carreira militar. Como também a questão das candidaturas, das inelegibilidades, e parece que estamos devendo isso.

*Correio Braziliense

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Política

Enquanto Trump passa o rodo geral na deportação de brasileiros, sendo a maioria bolsonarista, Bolsonaro passa pano para Trump

Sabe aquela história de que quem cala, consente?

Pois é, a atitude de silêncio de Bolsonaro e, de aparente ausência de conteúdo, é uma gritante forma de concordar com Trump, uma vez que não acrescenta nenhuma evidência contra ele.

Dito isso, Bolsonaro só está sendo Bolsonaro.

É o político mais aranha, mais traíra da história do Brasil.

Ele deveria se ligar na fala de Brizola, que diz que “a política adora uma traição, mas suporta o traidor”.

Bolsonaro, que mandou dois penetras, Michelle e Eduardo Bolsonaro, para a posse de Trump, sentiu o amargo da exclusão por depreciação.

Mas mesmo com o choque de ventos contrários, o infeliz, como fazem os covardes, fez cara de paisagem, enquanto os dois enviados para a posse viraram piada nacional por ficarem de fora do Capitólio.

Contudo, o vigarista inventa mil coisas em suas redes para não falar do assunto da deportação de brasileiros algemados e agredidos.

Enquanto Lula pede explicação de Trump por essa atitude canalha e fascista, Bolsonaro se nega a falar sobre o caso para não magoar seu amo.