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General Maria Fofoca chama ex-Secom, Fábio Wajngarten, de idiota, imbecil

Às vésperas de depor na CPI, Wajngarten é hostilizado pelo Planalto e pode ser uma ‘bomba’ contra o governo.

Segundo Ricardo Noblat, em matéria publicada no Metrópoles Depoimento de Wajngarten à CPI irrita Ramos e assusta Pazuello.

Ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro vai depor como suspeito de ter feito lobby pela vacina da Pfizer.

É tal a irritação do general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil, com o publicitário Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo, que a ele só se refere como “idiota, imbecil”. Mesmo assim, quando de bom humor. De mal então…

Ramos não perdoa o ex-secretário por ter concedido uma barulhenta entrevista à VEJA na qual criticou o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, e quis parecer mais importante do que foi no combate à pandemia da Covid-19.

O comando da CPI que investiga os erros do governo está convencido de que Wajngarten quis faturar alguns milhões de reais como lobista da vacina da Pfizer. É justamente por isso que o convocou para depor nesta quarta-feira.

Essa amabilidade do general que foi chamado por Ricardo Salles de “Maria Fofoca”, mostra o nível de gentilezas trocadas membros e ex-membros desse governo e mostra que o fascismo é mais que uma ideologia, é uma cultura com linguajar próprio.

O problema é o medo que o Palácio do Planalto de Wajngarten dar com a língua nos dentes e falar mais do que o prudente.

Mesmo que, segundo o que está sendo noticiado na mídia, ele pretenda reproduzir sua entrevista à Veja em que detona todos, mas sobretudo Pazuello para salvar Bolsonaro, ele poderá escorregar numa casca de banana e acabar entregando a rapadura de quem ele quer proteger, já que ele não foi ensaiado pelo Planalto.

*Da redação, com informações do Metrópoles

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Chão de Bolsonaro está mole que nem manteiga

O calor da CPI está derretendo o chão de Bolsonaro, pouco importando os foguetes e trombetas que ele usa para tirar o foco do crime de responsabilidade cada dia mais evidenciado. A técnica desenvolvida por ele como forma de fuga não está dando certo.

Sistematizada numa forma fixa, a CPI criou uma espécie de protótipo por diversas vozes que remontam a tonalidade básica de Bolsonaro que produziu na pandemia mais de 420 mil mortes por covid. Ou seja, o principal protagonista de Bolsonaro é ele próprio na criação de seu público, para sair vitorioso na generalização da pandemia que, segundo o mesmo, traria tristeza para uma “pequena parcela” da sociedade e alegria para outra parcela muito maior com a tal imunidade de rebanho e, em seguida, declarar o fim da pandemia sem gastar tostão.

Este é o governo Bolsonaro, absolutamente desumano, sem a menor sensibilidade social fundamentalmente de espírito aristocrático contra qualquer espírito popular.

O fato é que Bolsonaro orquestrou o abatimento de centenas de milhares de brasileiros, fazendo conta no inferno. Alaga-se tudo, quem souber nadar, sairá vivo, não precisará de vacina, joga a cloroquina como uma boia furada e orienta a população a desobedecer qualquer regra sanitária em nome de outra mentira, a economia.

Talvez Bolsonaro esteja falando de outra economia que o Estado faria, a de R$ 20 bilhões com as vacinas.

A insanidade transformou o país em colônia evidenciando um retrocesso civilizatório que transforma as instituições brasileiras em verdadeiras múmias passivas de sua selvageria.

O problema é que Bolsonaro criou um histórico que está agora no sol do meio-dia, porque precisava marcar território dando aquelas magníficas declarações pró-covid para ter êxito o mais rápido possível na tese de imunidade de rebanho.

Agora, sua obra dá subsídios à CPI, e não tem como Bolsonaro não encontrar consigo mesmo.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Campo de mortes

O Brasil da pandemia é um campo de mortes e o Rio de Janeiro, epicentro da carnificina. O estado que forjou politicamente Jair Bolsonaro e Wilson Witzel, paladinos na brutalidade, banalizou a barbárie. Ontem, uma mal explicada operação da Polícia Civil prendeu seis pessoas e deixou 25 mortos, entre os quais um policial, na favela do Jacarezinho, Zona Norte da capital. Em um dia, o equivalente a um terço das mortes confirmadas por coronavírus na comunidade; foram 79, desde março de 2020, segundo o Painel Rio Covid-19. Foi a mais letal intervenção oficial de agentes da lei da História do estado, segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF). Foi também o segundo maior assassinato coletivo já registrado em território fluminense — no primeiro, conhecido como Chacina da Baixada, criminosos executaram 29 pessoas em duas cidades, Nova Iguaçu e Queimados, em março de 2005.

Enquanto parte do planeta se ocupa da vida — não faz dois dias, o presidente Joe Biden anunciou inédito apoio dos EUA à quebra temporária de patentes de vacinas contra a Covid-19 —, o Brasil empilha corpos. Em 14 meses de pandemia, o país ultrapassou 415 mil vidas ceifadas na combinação nefasta do vírus aos atos e omissões do presidente da República, o 01 do morticínio, como já demonstrado no par de depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich à recém-iniciada CPI no Senado Federal. O Estado do Rio se aproxima de 46 mil óbitos por Covid-19, com taxa de letalidade de 5,96% dos infectados, o dobro da média nacional. Na capital, onde até ontem 24.495 pessoas perderam a vida, praticamente um em cada dez doentes (8,9%) não sobrevive.

Uma semana atrás, o estado afastou em definitivo o governador eleito na onda bolsonarista de 2018. Witzel ficou 20 meses no cargo; no primeiro ano, 2019, a polícia fluminense matou 1.814 pessoas, recorde da série histórica iniciada na última década do século XX. Ano passado, com pandemia e tudo, a escalada homicida das forças policiais levou à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender operações em favelas. De junho a setembro, primeiros quatro meses de vigência da determinação, as mortes por agentes da lei despencaram 71% (de 675 em 2019 para 191 em 2020), segundo dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Tudo isso sem prejuízo dos indicadores de homicídios e crimes contra o patrimônio, que seguiram em queda no estado.

De outubro em diante, já com Cláudio Castro interinamente no Palácio Guanabara e Alan Turnovsky como secretário de Polícia Civil, os números voltaram a subir. Bateram recorde (453) no primeiro trimestre deste ano. O mapeamento do Geni/UFF para a Região Metropolitana do Rio mostra que, desde a decisão do STF na ADPF 635, operações policiais deixaram 823 mortos. “Do total, 150 ocorreram entre junho e setembro. Já o primeiro trimestre de 2021 foi o pior da série, com 404 mortes”, sublinha o pesquisador Daniel Hirata. Nos dez meses, houve 22 operações policiais com três ou mais vítimas fatais, chacinas, portanto; 14 delas foram de janeiro a março deste ano.

No Brasil e no Rio, morre-se pela peste, pela bala da polícia e do crime. Morrem policiais, civis inocentes, criminosos e suspeitos sem julgamento. Morre gente de fome, sem oxigênio, sem atendimento médico. Mulheres morrem pelas mãos de maridos, companheiros, namorados e ex. Uma criança morre espancada por padrasto e mãe, bebês perdem a vida por golpes de facão. Homens negros morrem asfixiados por seguranças de supermercados ou são entregues a traficantes por tentar furtar peças de carne.

A violência desmedida tem produzido luto de um lado, indiferença de outro. Em qualquer sociedade comprometida com o direito à vida e com o Estado Democrático de Direito, um presidente lunático, incompetente ou necrófilo já teria sido apeado do cargo diante da hecatombe social, sanitária e funerária provocada pelo enfrentamento débil à mais grave pandemia em um século. No entanto ele segue no palácio dizendo impropérios, ameaçando instituições, atacando opositores, debochando da ciência, provocando parceiros comerciais, destruindo o meio ambiente, assinando decretos de armas. Em nenhuma unidade da Federação, governador ou chefe de polícia resistiriam à maior chacina da História. Aqui, gados que somos, assistimos silenciosamente ao extermínio dos corpos, predominantemente pretos e pobres, qualquer que seja a tragédia.

*Flávia Oliveira/O Globo

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Se a CPI não servir para cassar o mandato de Bolsonaro, ela não servirá para nada

O que se sabe sobre o comportamento do governo Bolsonaro antes mesmo da CPI, são fatos pesados e profundos.

A CPI da Covid tem cumprido o papel de buscar os subterrâneos dessa indústria de leviandades produzidas pelo governo que já promoveu a morte de, praticamente, 420 mil brasileiros e hoje figura em segundo lugar no número de mortes no mundo, mas está em primeiro lugar na quantidade de vítimas fatais de forma proporcional.

Ou seja, a cada milhão de habitantes, o Brasil é o que tem mais vítimas fatais por covid.

Quem está assistindo ao desenrolar da CPI, não tem qualquer dúvida de que o governo Bolsonaro é o princípio, o meio e o fim dessa tragédia nacional. É certo que não foi ele que inventou o coronavírus, mas foi ele que alimentou um processo crescente que, de pandêmico, transformou-se em trágico pela unidade barulhenta das ações do próprio presidente da República no sentido de criar circunstâncias que favorecessem a disseminação do vírus, seja do ponto de vista filosófico, seja do ponto de vista de ações concretas, Bolsonaro não só verbalizou em cerimônias oficiais e até em pronunciamento à nação, toda a irresponsabilidade possível para estimular a maior circulação do vírus, como esteve de corpo presente promovendo a pior das formas de contágio, que são as aglomerações.

Não satisfeito em estimular pessoalmente a produção de contaminação, Bolsonaro atacou fortemente até o uso de máscaras, o que mostra que, mesmo a sua desculpa esfarrapada de que estaria numa guerra contra a ciência e a favor da economia, é uma gigantesca mentira.

Não ficaremos aqui repetindo o que qualquer brasileiro já sabe, que Bolsonaro o que deu na sua caixola que chegou a esse cheiro de enxofre no Brasil, num processo espiral de contaminação.

O que precisa ficar claro é ,se essa CPI não servir para cassar Bolsonaro, não servirá para nada.

Ninguém está aqui interessado em formular um pensamento sobre o comportamento hediondo do governo para se transformar e, livros a serem estudados no futuro. O governo Bolsonaro ceifou até o momento 420 mil vidas e segue colocando mais carvão na fogueira, enquanto tenta minar a CPI que é sim capaz de usar uma solução prática para remover do comando do país um paranoico que mostra o altíssimo grau de insanidade característica de um psicopata.

Por isso, a sociedade tem que ser curta e grossa para que a CPI, ao invés de produzir a sua destituição, transforme-se em abrigo de um monstro.

Uma recente pesquisa mostra que 60% da população apoia a CPI da Covid e apenas 7% é contra, ou seja, quase dez vezes menos. Isso já dá, em termos de placar, o que a sociedade espera como resultado da CPI. Nenhum passo a menos do que o impeachment.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Vivaldo Barbosa: O governador é o culpado

O Governador do Rio diz que não autorizou, mas na hora que a Polícia Civil lhe comunicou que ia fazer a operação no Jacarezinho, cedo de manhã, assim falou o Governador, e ele não a proibiu, chancelou a operação, concordou com ela e ela se realizou. É assim que acontece nas hierarquias, na administração ou no Exército. Ainda mais que a operação não foi de polícia judiciária para cumprir ordens do juiz, mas de polícia civil, investigativa.

Não se faz operação como essa em lugares populosos. Jamais.

O Supremo já havia proibido esse tipo de operação policial. Aliás, quem proibiu a polícia de fazer tais operações foi Leonel Brizola, lá atrás. Desde a campanha Brizola dizia: “Minha polícia jamais vai abrir portas de barraco a butinaço”.

Brizola foi duramente criticado, o conservadorismo, a direita, especialmente incrustados na mídia, procuraram incendiar setores da polícia contra ele. Mentiram ao dizer que ele proibiu a polícia de subir morro. E setores da esquerda também. Brizola sabia das consequências dramáticas para os jovens, os negros, os pobres.

A Polícia Civil atuou de uniforme, fardada, com armas pesadas. Isto é uma aberração. Polícia Civil é investigativa, deve atuar às escondidas para identificar os culpados e ir em cima deles. Igualmente horrorosas foram as justificativas dadas pelos chefes da Polícia. Falaram em ativismo judicial, que estão impedidos de atuar, acusaram analistas de pedirem investigação, inteligência, que o tráfico cresce porque não atuam e outras excrescências. Assumiram atitudes políticas para se justificarem. É assim que acontece quando não há autoridade: florescem mentalidades como essa no vazio. Há uma onda de autoritarismo que ronda o Brasil e atinge em cheio as atividades policiais. E o Governador do Rio não tem autoridade política nem autenticidade. Seus antecessores imediatos, idem.

Está dizendo a Polícia Civil que fez a operação porque o tráfico estava recrutando jovens, crianças para o crime. Isto já é sabido há muito tempo. Contra isto, há mil maneiras de a Polícia atuar, menos disparar tiros a esmo. Sabendo que havia crianças e jovens do outro lado, eles investiram e dispararam com a possibilidade de atingir crianças? O mais grave é que a operação foi feita pelas autoridades policiais, ao contrário de Vigário Geral e Candelária, feitas por grupos de fora e contra o Governo e os dirigentes da Polícia.

Os chefes disseram que avisaram o Ministério Público da operação. Se o Ministério Público foi avisado e não tomou providências para evitá-la, ficou igualmente responsável.

A repercussão internacional é grande e de maneira negativa para o Brasil e para o povo brasileiro, especialmente para o Rio. Já temos tanta coisa negativa circulando pelo mundo!… A ONU pediu investigação independente para apurar as responsabilidades. Se for possível fazer uma investigação independente com as instituições que temos hoje em dia, o primeiro culpado a ser apontado já é bem claro: o Governador.

Fui Secretário de Justiça de Brizola, encarregado de cuidar de criar situações de democracia e proteção aos direitos humanos, trabalhamos ainda no final da ditadura, com o SNI e o Governo Federal da época, dirigido por um General, em cima. Sei muito bem quanto é necessário um governante que tenha legitimidade, autenticidade política e procure implantar na administração os valores republicanos. Quanta falta nos faz.

*Vivaldo Barbosa

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Em nova oferta ao governo Bolsonaro, Pfizer cobra R$ 1 bilhão a mais pelo mesmo número de vacinas

Preço é 20% maior do que o negociado no primeiro contrato com a farmacêutica. Ministério da Saúde negou ao menos 3 ofertas do imunizante em 2020.

A farmacêutica Pfizer, uma das desenvolvedoras da vacina contra a Covid-19, fez uma nova oferta ao governo de Jair Bolsonaro de 100 milhões de doses do imunizante. O valor cobrado, no entanto, será 20% superior do que o negociado no primeiro contrato do laboratório norte-americano com o Ministério da Saúde.

Segundo reportagem de Mariana Hallal, do Estado de S.Paulo, a oferta para nova compra totaliza mais de R$ 6,6 bilhões, cerca de R$ 1 bilhão a mais do que o valor anterior. O governo publicou nesta quinta-feira (6) no Diário Oficial da União o extrato de dispensa de licitação, que cita o valor bilionário.

Em nota técnica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, há o pedido de compra do imunizante pelo governo, mas com a observação de que o valor está acima do que foi pago no contrato anterior e pede que o preço seja negociado.

O governo de Jair Bolsonaro recusou ao menos três ofertas formais de vacinas da Pfizer ao longo de 2020. A primeira delas foi feita em agosto, quando a farmacêutica colocou à disposição do Brasil 70 milhões de doses para serem entregues em dezembro. As outras duas ofertas formais, feitas através de documentos, foram confirmadas pelo laboratório.

*Com informações da Forum

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Na CPI Queiroga mostra conivência com Bolsonaro e falta de domínio sobre contratos de vacinas

O ministro da Saúde se recusou a emitir uma opinião sobre a defesa da cloroquina e ivermectina por Bolsonaro, entre outras polêmicas.

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga depôs aos senadores da CPI da Covid desde às 10h desta quinta (6). Durante a primeira rodada de perguntas, feitas pelo relator Renan Calheiros (MDB), Queiroga usou o pouco tempo de casa para fugir de algumas perguntas e se negou a criticar a postura negacionista e as manobras diversionistas de Jair Bolsonaro na gestão da pandemia do novo coronavírus.

Queiroga repetiu inúmeras vezes que seu papel como ministro não é o de fazer “juízo de valor sobre as opiniões do presidente”. Além de poupar Bolsonaro, ele não quis avaliar a gestão dos antecessores no Ministério. Se negou a dizer se é contra ou a favor da cloroquina e da ivermectina, e demonstrou falta de domínio sobre contratos de aquisição de vacinas.

No começo da oitiva, Calheiros questionou Queiroga sobre o que faltou ao Brasil para evitar que o surto sanitário iniciado em março de 2020 tivesse se transformado numa verdade tragédia humanitária, levando a vida de mais de 410 mil brasileiro até aqui. Queiroga se disse incapaz de avaliar o que foi feito por seus antecessores no Ministério da Saúde. Pressionado, culpou as novas variantes do vírus – “o colapso decorre de imprevisibilidade biológica” – e a falta de um “SUS fortalecido” pelo desastre na pandemia. Segundo ele, quando a crise estourou, os hospitais não estavam preparados para a sobrecarga e os profissionais de linha de frente tampouco estavam devidamente capacitados.

Com o tempo, a resistência de Queiroga em analisar o que o governo federal fez no primeiro ano de pandemia passou a irritar os senadores, que começaram a questionar se ele tomou pé da situação da Pasta que comanda há mais de 40 dias. Queiroga revelou, por exemplo, que ainda não tem domínio sobre a lei de compra de vacinas e tampouco conhece os termos do primeiro contrato de compra de imunizantes assinado com a Pfizer, por 100 milhões de doses. A informação veio à tona quando Renan questionou sobre a vacina Sputnik, que ainda não foi aprovada pela Anvisa, mas está em uso em outros países.

Ele não soube explicar por que o governo dispensou a oferta de 70 milhões de vacinas da Pfizer, em agosto de 2020, com previsão de começar a entrega em dezembro daquele ano. Amenizando a situação, Queiroga disse que “o fato de assinarmos o contrato não significa que seriam entregues.”

De “diferente” em relação aos ministros Luiz Henrique Madetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, Queiroga disse que vai assinar mais um contrato com a Pfizer, por mais 100 milhões de doses – com previsão de receber 35 milhões em setembro – e está trabalhando em dois protocolos: um sobre o atendimento hospitalar dos pacientes com Covid e outro acerca de restrições à mobilidade. Além disso, prometeu adotar uma postura mais “ativa” do Ministério em relação à testagem. Segundo ele, até aqui, a Pasta vinha enviando os testes diagnósticos para os estados e municípios apenas quando requisitados. Ele também pretende trocar os testes do tipo RT-PCR para “teste antígeno, mais rápido”.

Por conta do protocolo em desenvolvimento para atendimento em hospitais, Queiroga se recusou a dizer se é a favor ou contra o uso de remédios como cloroquina e ivermectina, que não têm eficácia compravada no tratamento de casos graves e moderados do novo coronavírus, mas que são propagados constantemente por Bolsonaro. Ontem mesmo o presidente da República chamou de “canalha aqueles que são contra o tratamento precoce e não oferecem alternativa. O que eu tomei [quando estava com Covid], todo mundo sabe.” Queiroga respondeu à CPI que a cloroquina divide opiniões na própria comunidade médica e que, como ministro da Saúde, ele será a “última instância” a se manifestar sobre a polêmica, no “momento oportuno”.

Com Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde emitiu uma portaria “recomendado” a cloroquina para tratamento de Covid, a despeito dos efeitos colaterais. Queiroga disse que a portaria não foi suspensa na sua gestão “porque não é tão simples assim”.

Sobre o fato de Bolsonaro defender a cloroquina, assim como atacar a China, que é o país que importa insumos para o Brasil, entre outras posturas do presidente da República, Queiroga se recusou a comentar. Ele disse que Bolsonaro lhe deu “autonomia” para trabalhar e que questões referentes à promoção de falsos “tratamentos precoce” não seriam questões “decisivas no enfrentamento à pandemia. O que é decisivo é a vacinação e as medidas não farmacológicas.”

O médico foi perguntado, ainda, sobre a nova ameaça de Bolsonaro, que na última quarta (5) avisou que pode publicar um decreto para impedir o “lockdown” determinado por estados e municípios. O ministro disse que não foi consultado sobre o tema, mas que Bolsonaro conversou com ele sobre “garantir a liberdade” das pessoas, e Queiroga teria concordado. Quanto ao mérito do decreto, na visão do ministro, o Brasil é um “país continental” e uma política nacional de distanciamento social seria ineficaz porque a sociedade não iria aderir. Ele defendeu, contudo, que estados e municípios possam usar a “medida extrema” em “casos pontuais”.

Renan Calheiros questionou se ele teria conhecimento sobre o “assessoramento paralelo” de Jair Bolsonaro nas questões da pandemia, que foi denunciado à CPI pelo ex-ministro Mandetta. Queiroga negou conhecimento, mas para Renan, o fato de Bolsonaro estar estudando um decreto anti-lockdown sem a consulta do Ministério da Justiça prova que o gabinete paralelo ainda está em operação.

A respeito da falta de uma campanha de comunicação nacional, mais firme e clara a respeito da gravidade da pandemia e medidas de mitigação, Queiroga disse que há duas em andamento, uma sobre vacinação e outra sobre prevenção, ao custo de mais de 20 milhões de reais, com inserções em nível nacional e “internacional”.

*Do GGN

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A tática de Bolsonaro é soltar frases e ações estrambóticas para tirar o foco da CPI

Uma CPI para ter um resultado eficiente, ou seja, para oferecer uma resposta contundente à sociedade, ela tem que ser não só simpática à causa do povo, mas também assumir uma proporção à altura do que se pretende como resultado.

Para Bolsonaro sofrer um impeachment depende da toada do mutirão, porque ele é, antes de mais nada, um ato político, mesmo que apresente numa certa divisão características de um processo legal.

O que designa mesmo um determinado desfecho de uma CPI é o tamanho que ela ganha a partir de sua natureza. E o que não falta no catálogo imenso de crimes na CPI da Covid, é crime que sirva como prova cabal de excepcionalidade para que o povo cobre a cabeça do governante.

Para se atingir esse objetivo, a CPI tem que ter um foco bem claro que dê ganho diário de musculatura que equivalha ao peso do crime. Isso só é possível com um conjunto de movimentos que desaguam numa maior exposição daquilo que está virtualmente sendo investigado.

Por isso é fundamental a construção de uma escala de valores de cada palavra dos depoentes e sublinhar as mais determinantes que se somarão dia após dia para que o drama ganhe a mesma dimensão do palco da CPI para as ruas, melhor dizendo, do palco da CPI para as casas das pessoas.

Para isso ocorrer, tem que haver muita visibilidade e, consequentemente, promover um debate sobre a gravidade dos fatos apresentados.

Bolsonaro já percebeu, logo nos dois primeiros dias, que no palco ele perdeu muito e perderá ainda mais no decorrer da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele chegou a reclamar da sua tropa de choque que está imobilizada e não consegue defendê-lo e nem obstruir os trabalhos da CPI, principalmente os do relator Renan Calheiros que Bolsonaro tentou a todo custo e em vão tirar da relatoria.

Então, vendo que nesse terreno já se anuncia uma goleada história que a cada dia enumera um compêndio de crimes do governo na pandemia, a literatura do absurdo de Steve Banner tem que entrar em campo de forma sistemática para produzir falácias que passam a ser marteladas pela grande mídia e, com isso, não deixar a CPI ficar muito próxima das manchetes. Quem deve ocupar as manchetes com suas insanidades sinfônicas é Bolsonaro.

A última palavra, por mais absurda que seja, tem que ser a dele. Por isso, Carluxo, o mais aloprado soprador de sandices do pai, passa agora a prestar um serviço que transformará as declarações de Bolsonaro no fator principal de notícias da mídia.

Se puder, deverá ocupar completamente as garrafais dos jornalões e da própria análise dos articulistas políticos da grande mídia e na mídia independente, ditando ritmicamente e entoando, para ser mais direto, pautando apenas com frases de efeito, o debate nacional.

Este é o valor “científico” dos pombos que Bolsonaro solta. O que dá na caixola, ele fala, mesmo que não tenha condição de cumprir uma linha do que anuncia, pior, como usou ontem, um mesmo fato para criar dois quando pela manhã insinua que a China fez guerra bacteriológica e, mais tarde, respondendo a um simpático colaborador da farsa, afirma que hora nenhuma citou a palavra China.

E o que fez a mídia tradicional e a alternativa como a nossa aqui? Repercutimos as porcarias absolutas que ele fala para vendar os olhos da sociedade e, no dia seguinte, ele sequer toca no assunto, porque a intenção é ganhar um pedaço de terreno proporcional a uma fração.

A intenção de Bolsonaro é que suas declarações alcancem todos, mais do que os fatos graves que a CPI vem revelando sobre o governo que está sob sua batuta, o que acaba por provocar uma dispersão da CPI e muitas vezes levar à fadiga pela própria preguiça que uma CPI pode provocar na população.

É muito importante uma evolução tonal que a cada dia a imprensa aumente um tom para que mantenha o fôlego da CPI, ao mesmo tempo em que aumenta o fogo da chaleira do impeachment até que ele apite no seio da sociedade.

Amanhã, com certeza, Bolsonaro vai criar uns cinco fatos, se necessário uns dez, mas a tática dele, sobretudo nos dias de CPI, será a mesma, criar um absurdo maior que, naturalmente, levará a sociedade a discutir mais uma bravata histriônica do bufão e seus blefes, contanto que a própria CPI fique sempre em segundo plano na relação entre declarações idiotas de Bolsonaro e revelações criminosas do seu governo.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Depoimento do ministro Queiroga na CPI do genocídio aprofunda mais dois metros a cova do governo Bolsonaro

Para ter uma ideia exata do que foi o depoimento do ministro da Saúde Marcelo Queiroga, vamos usar o tuíte de Átila Iamarino: “A CPI da pandemia tem feito mais para sumirem vídeos negacionistas pró-kit covid do youtube do que o próprio youtube tem removido vídeos. Quem removeu os vídeos sabe que estão errados. A realidade vai se impondo aos custos de meio milhão de brasileiros”.

Foi mais um dia trágico para o governo na CPI, o que parecia ser rápido teve uma duração de praticamente um dia em que Marcelo Queiroga mais se explicava do que esclarecia os absurdos cometidos pelo governo Bolsonaro durante a pandemia.

Isso acabou adiando o depoimento de Barra Torres, da Anvisa, para a próxima semana.

Queiroga estava sob forte pressão e quanto mais ele insistia nas evasivas, mais os senadores esticavam a corda.

Na verdade, Queiroga começou defendendo a ciência e a vacinação, falando em uso de máscaras, testagens, isolamento de contaminados pelo coronavírus e fortalecimento do SUS, tudo o que Bolsonaro é contra.

Mas quando a pergunta chegou no calcanhar de aquiles de Bolsonaro, Queiroga saiu pela tangente.

Perguntado por que o governo não conseguiu evitar o colapso, Queiroga disse que não queria analisar a atuação de seus antecessores no ministério, mesmo tendo plena ciência que as perguntas estavam sendo direcionadas a quem de fato manda no ministério da Saúde, Bolsonaro.

A essa altura, a bancada do vírus estava infrene, em franco desespero. Os senadores bolsonaristas tentaram interromper as perguntas de Renan Calheiros porque perceberam que o relator não daria espaço para o ministro responder perguntas extremamente sérias na base da platitude.

Queiroga não teve coragem sequer de responder se era contra ou a favor do uso da cloroquina, mesmo sendo médico e sabendo que a ciência já esclareceu que o medicamento não só é ineficaz, como em muitos casos torna-se uma arma letal a quem faz uso para combater a covid.

Na realidade, os senadores da cloroquina queriam tirar essa batata quente das mãos de Queiroga, porque sabiam que as mãos que queimadas seriam as do próprio Bolsonaro.

O depoimento foi ganhando ares de ópera bufa em que Queiroga cada vez mais escolhia palavras para aliviar a barra de Bolsonaro, subsidiando assim quem acha que o presidente merece a punição máxima pela condução criminosa do seu governo no que refere ao combate à pandemia.

O ministro da Saúde não quis sequer saber de responder sobre a ameaça tosca de Bolsonaro de editar um decreto ilegal que proíbe o fechamento do comércio, fugindo até mesmo de responder sobre a declaração absurda feita pelo presidente, de que a população corria risco de se transformar em jacaré se tomasse a vacina.

No final das contas, Queiroga deixou o principal abacaxi para Pazuello descascar. Nem a declaração dada por Bolsonaro de que a China promoveu uma guerra bacteriológica para ganhar nas costas da desgraça alheia, ele quis comentar.

O fato é que, independente das declarações evasivas ou em defesa de Bolsonaro, o que não falta na mídia é registro do sujeito fazendo defesa da cloroquina.

Para piorar ainda mais, em pleno interrogatório na CPI, chega a notícia de que o hospital Santa Paula, fundado em João Pessoa pela família da esposa de Marcelo Queiroga, fechou as portas em 2012 e foi reativado em 2020 para atender vítimas da covid, após uma reforma com verba pública no valor de R$ 2,5 milhões. Depois de reformado foi posto à venda por R$ 47 milhões e um dos beneficiados dessa venda será a própria esposa de Queiroga.

Este foi o dia de Queiroga na CPI do genocídio. Tirem vocês próprios as conclusões se foi bom ou péssimo para Bolsonaro.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Ao vivo, Alexandre Garcia se desentende com apresentador e ameaça deixar CNN Brasil

Assunto era fala de Bolsonaro

“Não sei se a gente volta”, disse Garcia

Nesta 5ª feira (6.mai.2021) depois de um questionamento feito pelo âncora Rafael Colombo, que realiza a mediação do programa “Liberdade de Opinião”. O apresentador perguntou se as medidas de isolamento adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço da pandemia não estariam garantindo o direito à vida.

Após a intervenção, Garcia, visivelmente nervoso, disse não saber se voltaria a fazer o programa.

Pouco antes, o jornalista havia defendido a fala dessa 5ª feira (6.mai.2021) do presidente Jair Bolsonaro, no evento de abertura da Semana das Comunicações, onde afirmou que não aceitaria medidas a favor do isolamento social.

“Nas ruas, já se começa pedindo que o governo baixe um decreto. E, se eu baixar um decreto, vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal. O Congresso estará ao nosso lado. O povo estará ao nosso lado. Quem poderá contestar o artigo 5º da Constituição? O que está em jogo? Queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir. Ninguém pode protestar isso. E esse decreto que eu baixar, repito: será cumprido, juntamente com nosso Parlamento, juntamente com nosso poder de força, juntamente com nossos 23 ministros”, disse o presidente ontem, no Palácio do Planalto.

Alexandre Garcia defendeu o tom de Bolsonaro e disse que a publicação de um decreto para proibir o isolamento seria apenas o cumprimento da Constituição.

Como acontece normalmente no programa, Colombo questionou o comentarista. “Mas a Constituição tem o direito a Vida, Alexandre. Os governadores e os prefeitos não estão tentando garantir o direito a vida?”, perguntou o apresentador.

Alexandre Garcia ficou calado, fazendo com que Colombo acreditasse que havia ocorrido algum problema técnico na transmissão. O âncora agradeceu a presença do comentarista, lembrando que eles voltariam a conversar no dia seguinte.

Após o silêncio, Garcia respondeu “Eu não estou sendo entrevistado“. Logo em seguida, visivelmente aborrecido, disse que não sabia se retornaria no próximo programa.

Confira:

*Com informações do Poder 360

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