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Flávio Dino chama Bolsonaro de “besta-fera”: “Coisa de Satanás querendo desviar atenção do nascimento de Jesus”

Governador do Maranhão, o comunista Flávio Dino ficou indignado com declaração de Bolsonaro que disse querer armar o “cidadão de bem” em ameaça a João Dória.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se mostrou indignado com as declarações de Jair Bolsonaro (Sem Partido) nesta quinta-feira (24), véspera de Natal, quando o presidente incitou seus seguidores, com a promessa de armar o “cidadão de bem”, contra João Doria (PSDB), mandatário de São Paulo.

Dino chamou Bolsonaro de “besta-fera” e afirmou que o presidente faz “coisa de Satanás” para desviar a atenção do nascimento de Cristo.

“Na noite de Natal, a besta-fera fez suas apologias absurdas de armas e violência, além de difundir mentiras. Coisa de Satanás querendo desviar atenção do nascimento de Jesus Cristo. Mas tenho convicção de que a Palavra é mais forte e a nossa Nação vai se libertar desse mal”, tuitou.

Em sua live semanal, Bolsonaro criticou a viagem de Doria aos Estados Unidos dizendo que quer o “cidadão de bem armado” para acabar com essa “brincadeirinha”, em relação ao decreto do tucano que fez com que o estado retornasse à fase vermelha do plano de contenção do coronavírus.

“Eu quero o cidadão de bem armado. O povo armado O povo armado acaba esta brincadeirinha de ‘vai ficar todo mundo em casa e eu vou passear em Miami’”, afirmou.

 

*Com informações da Forum

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Para que serve a Corte de Haia?

Em live, o cachorro louco, ocupante da cadeira da Presidência da República, sabendo que as mortes por Covid-19 podem ter passado de 230 mil brasileiros por conta de subnotificação, como alertou o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, ironiza e ataca o isolamento e o uso de máscaras.

Mas não para aí.

Mostrando o perigo que representa para a saúde da população, Bolsonaro amplia seus urros animalescos para aterrorizar e desinformar, incentivando as pessoas a não tomarem a vacina.

Ora, se os quatro tipos de crimes julgados nesse tribunal de Haia são crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão, Bolsonaro já cometeu todos durante a pandemia e mais uma meia dúzia.

*Da redação

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Levantamento revela que o Brasil já pode ter superado 220 mil mortes por Covid-19

São 33 mil óbitos registrados como síndrome respiratória sem causa específica; ministério diz ter protocolos.

O Brasil já pode ter ultrapassado a marca de 220 mil mortes pelo novo coronavírus. Oficialmente, o país registrou nesta quinta-feira (24) 190 mil óbitos em decorrência da Covid-19.

Levantamento da Vital Strategies —organização global composta por especialistas e pesquisadores com atuação junto a governos— estima a omissão de quase 33 mil mortes no balanço. Esses casos entraram nas estatísticas como SRAG (síndrome respiratória aguda grave) sem uma causa específica.

No entanto, esses pacientes que foram a óbito tinham três ou mais sintomas clínicos de Covid. Com isso, mesmo que os testes dessem negativo, os casos deveriam ter sido diagnosticados como suspeitos, segundo protocolo da OMS (Organização Mundial da Saúde).

A Vital Strategies já compartilhou os dados com profissionais do Ministério da Saúde. Procurada pela Folha, a pasta afirmou que os casos são revisados e só depois incluídos no sistema de monitoramento.

Os dados foram coletados no Sivep-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe), da própria pasta.

Segundo a médica epidemiologista e especialista sênior da Vital Strategies Fátima Marinho, são 242.249 mortes por SRAG neste ano, até o 14 de dezembro.

Desse total, 68.631 não tiveram a causa especificada, mas 32.923 dos pacientes registraram sintomas de Covid. Isso resultaria em potenciais 221.208 mortes em razão do novo coronavírus.

A SRAG é uma condição do paciente que pode ser causada tanto pelo novo coronavírus quanto por outros vírus respiratórios, como o H1N1, agente infeccioso da Influenza A. Ela é a principal causa de mortes de pessoas com Covid.

Para especialistas ouvidos pela Folha, o país tem uma significativa subnotificação de mortes causadas pelo novo coronavírus.

Marinho, da Vital Strategies, disse que os sintomas mais comuns encontrados nos casos analisados foram dispneia (falta de ar), tosse e saturação do oxigênio menor do que 95%.

Essas são, inclusive, os principais sintomas verificados em pacientes que morreram de SRAG causada pela Covid-19 no país, diz a epidemiologista.

A especialista criticou os procedimentos de investigação e notificação do Ministério da Saúde definidos para municípios.

“Se já tem uma epidemia no país, não tem motivo para requerer o histórico epidemiológico da pessoa [contato com alguém com Covid ou viagem para áreas afetadas]. Esses cidadãos morreram em plena pandemia e no pico das mortes. Não tem por que não classificar ao menos como suspeitas”, disse.

No Brasil, o Ministério da Saúde permite que casos sejam confirmados e notificados também por diagnóstico clínico, ou seja, por análise do médico feita com base em sintomas e histórico do paciente.

Ao todo, são cinco critérios aceitos para confirmação de casos: laboratorial; clínico-epidemiológico; por imagem; clínico; laboratorial em indivíduo assintomático, como profissionais de saúde e outros grupos mais expostos ao risco de infecção.

Responsável pelo levantamento, Marinho diz que pesquisa da Vital Strategies em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) buscou provar que há casos de Covid-19 nos dados de SRAG não especificados. Para isso, um estudo, ainda não divulgado, foi realizado em três municípios brasileiros.

De 2.000 mortes avaliadas de pacientes com três sintomas ou mais da nova doença e resultado negativo para o coronavírus, 90% foram confirmados como Covid após realização de necropsia.

“Queríamos mostrar que a maioria desses casos é Covid-19. São pessoas que correspondem aos critérios clínicos, não têm histórico epidemiológico, mas moram em área com muitos casos”, afirmou Marinho.

Para ela, a base de dados do Ministério da Saúde mostra que é preciso investigar mais os casos. Marinho já se reuniu com servidores da área epidemiológica da pasta para tratar do assunto.

Na avaliação da especialista, ainda falta no Brasil uma coordenação por parte do Ministério da Saúde.

“A gente precisa ter um critério que defina casos de Covid-19. Com certeza a gente não está identificando todos os casos de morte pela doença nem todos os casos. Há mortes de pacientes por Covid-19 em casos não especificados, isso não tenho nenhuma dúvida. Temos ao menos 20% a mais de mortes do que está sendo divulgado hoje”, disse.

Marinho citou a Colômbia como exemplo de notificação. Segundo ela, o país sul-americano tem usado critérios clínicos para mortes com características de Covid mesmo com testes negativos, inconclusivos ou que não tenham sido realizados (caso o paciente tenha tido contato com infectados).

O coordenador do InfoGripe e pesquisador em saúde pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Marcelo Gomes, compartilha da visão de Marinho de que há mortes por Covid-19 nos casos classificados como não especificado.

Segundo ele, muitos casos não são detectados em testes por diversos motivos, como tempo de início dos sintomas até a realização do teste, qualidade e tipo da coleta realizada, armazenamento e transporte até a chegada ao laboratório.

De acordo com Gomes, das mortes por SRAG no país com identificação do vírus, 99% têm relação com o Sars-Cov2, isso sugere que nos casos não identificados, boa parte seja Covid-19.

“A gente não consegue precisar exatamente quantos casos que testaram negativo e entraram nessa estatística são Covid-19, mas podemos dizer que uma grande parte está associada à doença”, afirmou.

 

*Com informações do Uol

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Bolsonaro fala muito para tentar esconder que, em dois anos, seu governo produziu uma barbárie social no país

Governo Bolsonaro aumentou e muito a desigualdade social no Brasil, aprofundando a tragédia iniciada por Temer depois do golpe em Dilma.

Foi a retomada da velha agenda neoliberal tucana, tanto com Temer quanto Bolsonaro.

O resultado está aí.

Uma obra planejada para segregar milhões de brasileiros que teve maciço e massivo apoio da mídia, judiciário e dos endinheirados, em consonância com os partidos de direita, cujos componentes se uniram densa e espessamente para chegar a essa profunda cicatriz social a que chegamos depois do golpe.

O papel de Bolsonaro nesses dois anos foi o de buscar a sobrevivência jurídica do seu clã e produzir gritarias “ideológicas” para animar seu pasto e, com isso, o nefasto neoliberalismo e os crimes da família passarem de boiada.

Na prática, Bolsonaro já caminhou metade do tempo de seu mandato, deixando até aqui uma devastação ambiental em que milhões de animais silvestres foram mortos na Amazônia e no Pantanal sob seu comando com seus “dias de fogo”

Na pandemia, Bolsonaro já tirou a vida de mais de 190 mil brasileiros com seu negacionismo programado para matar.

Guedes teve todo o tempo e divulgação na mídia esta semana para vender terreno na lua. Não pode fazer balanço da trágica política econômica que empurrou do barranco para o buraco duas dezenas de milhões de brasileiros a miséria absoluta.

Então, o negócio é seguir chutando pra onde o nariz aponta para vender ilusões futuras, já que tirou o retrovisor de seu ministério para não ter que ver a terra arrasada que produziu no país nesses dois anos.

Por tudo isso e muito mais, Bolsonaro berra, gesticula, ataca a esmo para tentar esconder um país jogado nas sombras numa tragédia anunciada.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Bolsonaro só chegou ao poder porque mídia e judiciário mudaram os conceitos de moral no Brasil

Nada traduz com mais fidelidade os motivos da chegada de Bolsonaro ao poder do que a ambivalência moral da mídia e do judiciário brasileiro.

Os dois usaram as práticas mais imorais para dar sentimento coletivo de moral às suas próprias imoralidades.

Mídia e judiciário, mutuamente e de forma simultânea, vendem valores morais a partir dos interesses políticos que defendem.

Esses interesses nunca são a favor do povo, mas da elite econômica.

Não é sem motivos que noivos e padrinhos posaram armados em casamento em Goiás. Eles são o exemplo de uma parcela da sociedade que, em nome do amor, comemoram com símbolos de ódio. Eles, certamente, em nome da moral, votaram em um dos políticos mais corruptos e envolvido com os esquemas mais criminosos da história do Brasil.

Mas como um troço desses se deu, principalmente na parcela mais letrada da sociedade?

Como essa gente foi alvo fácil de um pensamento fascista que berra patriotismo enquanto detona o país a mando dos neoliberais?

Bolsonaro na presidência não é acidente, é projeto de poder das classes dominantes. As mesmas que, no Brasil, dominam as redações e o sistema de justiça.

Bolsonaro é literalmente a elite brasileira sem máscaras.

Não é sem motivos que a fome e a miséria não estão de volta ao país.

É essa elite que, através da mídia e do judiciário, naturaliza a barbárie social que está sendo promovida por Guedes e Bolsonaro.

Essa é a “regra de ouro” dos abastados.

A ética da reciprocidade entre pares, entre mídia e elite, entre o judiciário e os donos da terra.

A leitura moral que tanto a mídia quanto o judiciário brasileiros fazem é pelos olhos da nobreza paratatá.

É a “papa-fina da alta sociedade” que dá as cartas da nossa verdadeira constituição, em nome de uma democracia de mercado.

É daí que vem o princípio moral hegemônico no Brasil.

Foi isso que colocou na presidência da República um genocida que matou, em uma semana, mais do que 63 países juntos em toda a pandemia.

A Globo, ontem, deu um gigantesco espaço pra Guedes vender terreno na lua. Isso mostra que, se a direita não tiver candidato, os Marinho vão de Bolsonaro outra vez. Detalhe, com o fiu fiu de Bial.

*Da redação

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Roberto Jefferson ameaça STF e mostra como saiu caro para o supremo se aliar a ele na farsa do mensalão

A narrativa de Roberto Jefferson de que o PT criou um “mensalão” deveria provocar risos nos ministros do STF. Mas, pressionado pela direita e, sobretudo pela mídia, o STF acovardou-se e aquela história burlesca e pífia de provas que Jefferson improvisou, ganhou dimensão na mídia tucana e o que era uma peça cômica, transformou-se, dentro do STF, símbolo de combate à corrupção, ou divisor de águas do nosso glorioso judiciário.

Pior, agora, desmoralizado, o STF, que caiu na armadilha da mídia, é ameaçado por Roberto Jefferson. Isso mesmo. Está estampado nas redes e na mídia que Roberto Jefferson, que deu munição de festim para Barbosa condenar e prender José Dirceu e José Genuíno, chama os ministros do STF de “malandros” e que devem ser “colocados para fora na bala”.

Isso é uma clara incitação para que bolsonaristas usem de violência contra o STF. “Temos que entrar lá e colocar para fora na bala, no pescoção, no chute na bunda, aqueles 11 malandros que se fantasiaram de ministros”, disse o corruptaço, dono do PTB.

Dia desses, o ministro Barroso, pavão como é, fez aquele velho culto à personalidade, em entrevista na Globonews, falando maravilhas do STF sobre aquela farsa protagonizada por Roberto Jefferson.

Está aí o resultado da farsa sustentada pelo STF que tanto os ministros quanto Jefferson sabem muito bem que montaram junto com a Globo.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Doria e Covas suspendem gratuidade de transporte público para idosos de 60 a 65 anos de idade em SP

Passe livre nos transportes públicos para pessoas com idade entre 60 e 65 anos, que existia desde 2013 em SP, foi revogado nesta quarta-feira (23). Governo e prefeitura afirmam que mudança ‘acompanha a revisão gradual das políticas voltadas a esta população’.

O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), e o prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), determinaram nesta quarta-feira (23) o fim da gratuidade nos transportes públicos para quem tem entre 60 e 65 anos. A nova regra passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2021. A tarifa ainda será gratuita para pessoas com mais de 65 anos, benefício garantido pela lei federal que instituiu o Estatuto do Idoso.

Em nota, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor disse que lamenta a sanção às pressas da lei que extinguiu a gratuidade no sistema de ônibus de São Paulo dos idosos entre 60 e 65 anos.

Para suspender a gratuidade nos transportes municipais para idosos, Covas revogou uma lei de 2013 que garantia a isenção de pagamento da tarifa nas linhas urbanas de ônibus às pessoas com idade igual ou maior que 60 anos. A revogação da lei 15.912 foi publicada no Diário Oficial do município nesta quarta.

Já Doria revogou nesta quarta-feira um decreto de 2014 que regulamentaria a gratuidade para essas pessoas nos outros meios de transporte, como Metrô, trens da CPTM e os ônibus intermunicipais (EMTU), da Grande São Paulo.

Em nota, o Governo de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo admitiram que “adotarão novas medidas para a concessão de gratuidade no sistema de transporte público a partir de 1º de janeiro de 2021” e disseram que a mudança na política de benefícios no transporte de idosos “acompanha a revisão gradual das políticas voltadas a esta população”.

“Para acompanhar o Estatuto do Idoso, será mantida a gratuidade nas passagens dos ônibus municipais e intermunicipais (EMTU), Metrô e CPTM para as pessoas acima de 65 anos de idade. A mudança na gratuidade acompanha a revisão gradual das políticas voltadas a esta população, a exemplo da ampliação da aposentadoria compulsória no serviço público, que passou de 70 para 75 anos, a instituição no Estatuto do Idoso de uma categoria especial de idosos, acima de 80 anos, e a recente Reforma Previdenciária, que além de ampliar o tempo de contribuição fixou idade mínima de 65 anos para aposentadoria para homens e 62 anos para mulheres”, afirma a nota conjunta.

Para o Idec, que defende os direitos do consumidor, a medida é prejudicial porque configura “um ataque ao direito dos usuários e usuárias” e desestimula o uso de transporte coletivo.

“Além disso, a economia será irrisória, pois grande parte dos idosos usar o RG para acessar os ônibus e ficam antes da catraca e em alguns meses o sistema de ônibus de São Paulo vai passar a pagar as concessionárias por custo, e não por passageiro transportado, reduzindo ainda mais o impacto das gratuidades dos idosos. Ou seja, a medida não terá impacto significante para o subsídio, mas impactará profundamente a vida de idosos vulneráveis na cidade”, afirma o Idec.

Projeto do orçamento de SP reduz verba de fundos de idoso

Os vereadores da cidade de São Paulo se reuniram nesta terça-feira (22) para analisar mudanças no projeto da lei orçamentária da capital para 2021, que deve ser votado na quarta-feira (23) na Casa após a sessão desta terça terminar sem acordo.

Alguns fundos municipais, como os do idoso, de desenvolvimento social e de habitação tiveram redução no orçamento. O fundo municipal do Idoso terá corte de 91% nos recursos em comparação com o de 2020, passando de um orçamento de R$ 2,7 bilhões neste ano para R$ 253,6 milhões no próximo.

 

*Com informações do G1

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Breno Altman: A falsa escolha de Sofia

Algumas vozes progressistas recorrem ao clássico livro “A Escolha de Sofia”, de William Styron, para definir a disputa pela chefia da Câmara dos Deputados, prevista para fevereiro de 2021. A personagem central da obra, prisioneira em Auschwitz, viu-se diante da opção de salvar apenas um de seus dois filhos, entregando o outro aos braços da morte.

Para setores de esquerda e centro-esquerda, somente seriam possíveis dois caminhos na eleição para o comando da principal Casa parlamentar: apoiar o candidato preferido de Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), ou Baleia Rossi (MDB-SP), escolhido pela oposição de direita.

A maioria das lideranças propõe sufragar o postulante indicado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, para derrotar o Planalto e supostamente garantir um Parlamento menos servil. Essa foi a principal razão aludida por PT, PC do B, PSB e PDT ao decidirem se integrar ao bloco articulado pelo atual comandante da Casa.

Ao contrário de Sofia, enclausurada pelo aparato nazista, aprisionam-se a si próprios os partidos que se conformam com essa dualidade conservadora. Jogam para dentro, não para fora, abdicando de disputar a opinião pública e fazer desse episódio um bom capítulo na acumulação de forças rumo ao que importa, a batalha pelo governo federal.

Mesmo dentro do PT, o principal partido de esquerda, com a maior bancada de deputados, é determinante o peso dos que defendem um papel circunstancialmente auxiliar à agremiação, refutando alternativa fora do pacto com a centro-direita. Insiste-se nessa tese ainda que seja em dois turnos o sistema de eleição para a presidência das Casas parlamentares. Trocando em miúdos: poderia ser apresentada, na primeira volta, uma candidatura do campo progressista, sem comprometer eventual composição, no segundo turno, que derrotasse o bolsonarismo.

O risco seria ficar, em caso de derrota, sem cargos na Mesa Diretora. A grande vantagem estaria em aproveitar as semanas de campanha para defender um programa independente, estruturado sobre três pontos fundamentais: votação da abertura do processo de impedimento contra Jair Bolsonaro, renda mínima emergencial de R$ 600 até junho de 2021 e revogação do teto de gastos, com o fortalecimento do SUS.

Se a esquerda pretende recuperar protagonismo para construir uma alternativa viável de governo que encante as classes trabalhadoras e a juventude, talvez devesse refletir sobre a prioridade de recompor sua identidade política, ideológica e cultural, enfrentando em todos os espaços a aliança estrutural entre neofascistas e neoliberais que domina a República.

Afinal, sem coerência permanente entre narrativa e prática, os discursos contra o golpismo e a crítica ao neoliberalismo, por mais aguerridos que sejam, perdem intensidade e credibilidade, dificultando a ruptura da inércia social sobre a qual viceja a extrema direita e avalizando o suposto caráter democrático da ala moderada do conservadorismo, que chefiou o enterro da Constituição em 2016.

Amarrados a uma falsa escolha, os partidos de esquerda podem deixar escapar a nobre chance de mostrar que são diferentes e capazes de animar o povo na luta por um novo rumo.

*Breno Altman/Folha

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Vídeo: Dois anos de governo Bolsonaro, dois anos de esculhambação, dois anos de crise permanente

Há dois anos, vamos somar mais dois de Temer, na verdade, há quatro anos, desde o golpe em Dilma, o Brasil não tem governo, é uma baderna, uma verdadeira esculhambação, o país se tornou a vergonha do mundo. Um judiciário totalmente cooptado e que contribuiu muito para chegar ao caos social, econômico e sanitário a que chegou. O Congresso, todos sabem, funciona de acordo com o que o mercado manda, e este quer mais é que o povo se dane.

Assista:

*Da redação

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Derrota de Bolsonaro: Isolado, Brasil não consegue eleger juíza para Tribunal Penal em Haia

Em uma derrota diplomática para o governo de Jair Bolsonaro, a desembargadora Mônica Sifuentes não consegue somar votos suficientes e fica sem um assento de juíza no Tribunal Penal Internacional. Ela abandonou a corrida, depois de um desempenho fraco nas urnas e revelador do isolamento político do Itamaraty.

A votação é interpretada como um teste da popularidade internacional do governo, justamente num momento em que é o maior devedor da corte em Haia. Além disso, o presidente é alvo de uma comunicação por parte de entidades de direitos humanos, que o acusam em Haia de incitação ao genocídio e crimes contra a humanidade no caso dos povos indígenas.

Seis vagas para juízes estavam em disputa e um total de 18 candidatos concorriam. Pelo sistema do tribunal, são os países que votam e rodadas são realizadas até que seis nomes consigam dois terços dos votos.

Pela América Latina, foram eleitos Sergio Ugalde, da Costa Rica, e Maria del Socorro Flores, do México. Eles acumularam 87 votos cada. Foram eleitos ainda nomes do Reino Unido, Sierra Leoa e Geórgia.

Faltando três candidatos na corrida na disputa pela última e sexta vaga no Tribunal, a brasileira abandonou o processo. Ela tinha somado apenas 14 apoios na última etapa, entre 123 países. O processo em Nova Iorque continua, mas com apenas dois candidatos disputando uma vaga. Eles representam Trindade, Tobago e Tunísia.

Sempre distante das líderes, a brasileira viu suas chances aumentarem quando os candidatos do Uruguai, Colômbia e Equador abandonaram a corrida. A migração desses votos, portanto, poderia ser decisiva. Mas não foram suficientes para eleger a brasileira. Procurado pela coluna desde segunda-feira, o Itamaraty se mantém em silêncio.

Bolsonaro havia ignorado uma recomendação de juristas brasileiros para a nomeação de um candidato do país para concorrer ao cargo de juiz no Tribunal Penal Internacional. O Palácio do Planalto optou por uma escolha de um nome fora da lista sugerida.

Os nomes sugeridos eram os de Marcos Coelho Zilli e Leonardo Nemer Caldeira Brant. Zilli defendeu sua tese de doutorado sobre a questão de admissão de provas no TPI. Já Brant foi membro do corpo jurídico na Corte Internacional de Justiça e com ampla produção acadêmica sobre o direito internacional.

Os nomes foram submetidos por Celso Lafer, Antonio Augusto Cançado Trindade, Nadia de Araújo e Eduardo Grebler, brasileiro que ocupam cargos de juízes em instâncias internacionais. No passado, o Brasil já contou com uma representante no TPI, a juíza Sylvia Steiner.

 

*Jamil Chade/Uol

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