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“EUA e Israel cruzaram todas as linhas”: milícia xiita no Iraque fala em “ponto sem volta” após ataque ao Irã

Em entrevista exclusiva, oficial da organização xiita iraquiana Badr revela o papel do Iraque na guerra do Irã e aponta para risco de expansão do conflito

requentemente ignorado, o Iraque é um dos pontos fundamentais de tensão na atual guerra entre EUA, Israel e Irã. O país e a República Islâmica não estão só entrelaçados pela fronteira terrestre de 1,5 mil quilômetros que compartilham. Carbala, no centro do Iraque, é a cidade onde Hussein ibn Ali, neto do profeta Maomé, considerado pelos xiitas como o terceiro imã, foi martirizado em 680 d.C pelas forças do califa omíada Yazid I. A morte de Hussein na Batalha de Carbala é o principal dia santo do xiismo: durante a Ashura, data que marca o martírio do imã, milhões de xiitas pelo mundo participam de grandes procissões e homenagens, durante as quais os homens batem violentamente contra os próprios peitos para relembrar a dor de Hussein. A data também é considerada pelos xiitas como um símbolo da luta contra a opressão, princípio fundamental para a identidade do próprio xiismo.

Para além dos locais religiosos, também foi do Iraque que veio a principal ameaça à República Islâmica do Irã logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em setembro de 1980, um ano após o triunfo da revolução iraniana, o líder iraquiano Saddam Hussein, incentivado pelo Ocidente, invadiu o Irã, temeroso de que os princípios da revolução iraniana se espalhassem para um Iraque que, embora então liderado por um sunita, tinha maioria xiita. Ávido por conquistar zonas ricas em petróleo, como o Cuzistão, e estabelecer domínio completo sobre o rio Chatt al-Arab, Saddam deu início a uma guerra que, ao longo de oito anos, levaria a ao menos 500 mil mortos, pelo menos 200 mil deles iranianos. Para além das ondas sucessivas de jovens iranianos que se lançavam contra os inimigos iraquianos e da enorme engenhosidade iraniana em readaptar equipamentos militares de segunda mão, no que foi fundamentalmente uma guerra de improviso, um dos elementos estratégicos mais importantes com os quais o Irã pôde contar foram as organizações xiitas que, dentro do Iraque, combatiam contra Saddam.

Dentre estas, uma das mais relevantes é a Organização Badr. Nascida entre 1982 e 1983, durante a Guerra Irã-Iraque, com o nome de Brigadas Badr, a organização era o braço militar do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), liderado pelo clérigo xiita Mohammad Baqir al-Hakim. Formada por generais iranianos e clérigos iraquianos, a organização cresceu a partir de exilados iraquianos no Irã, refugiados de guerra e desertores do exército iraquiano, e chegou a milhares de membros durante a guerra Irã-Iraque, na qual combateu ao lado dos iranianos.

Em 1991, durante os levantes contra Saddam, as Brigadas Badr foram fundamentais nos campos de batalha de Najaf e Carbala, e ao menos 5 mil homens da organização combateram, em 1995, durante a Guerra Civil Curda.

A partir de 2003, com a invasão americana do Iraque, as Brigadas tomam parte na luta contra Saddam e mudam seu nome para Organização Badr, passando a operar de fato como um partido político, agora liderado por Hadi al-Amiri. Ao lado de seu braço paramilitar, a organização amplifica seu trabalho político e de caridade, estabelece bases políticas ao longo de toda a comunidade xiita do Iraque e fortifica sua presença dentro do Estado iraquiano, chegando a controlar postos como o Ministério do Interior.

Em 2014, a organização combate contra o Estado Islâmico (DAESH) no país e se incorpora às Forças de Mobilização Popular (FMP), uma organização guarda-chuva composta por cerca de 40 grupos paramilitares, formada pelo Estado iraquiano para o combate ao DAESH e formalmente submetida ao Ministério do Interior, às Forças Armadas e ao primeiro-ministro do Iraque. Estima-se que a Organização Badr atualmente tenha entre 10 e 15 mil membros ativos e controle de 10 a 17 brigadas das Forças de Mobilização Popular. Conta com um canal de TV, um jornal online, um centro cultural, uma organização de juventude e escritórios por todo o Iraque. Atualmente, tem 21 dos 329 assentos do parlamento iraquiano.

Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)

Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)

A Organização Badr é ainda, ao lado de muitas facções e grupos paramilitares no Iraque, parte do chamado Eixo de Resistência, a aliança regional coordenada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Ansar Allah (houthis), no Iêmen, e o Hamas, na Palestina.

Por isso, quando as explosões fizeram-se ouvir em Teerã, no dia 28 de fevereiro, e a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada, a Revista Opera entrou em contato com Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr em Bagdá, responsável político por um importante distrito do leste da cidade, para organizar a entrevista que segue, no qual tratamos dos impactos da morte de Khamenei entre o povo iraquiano – particularmente dentre os 60% a 69% de xiitas que conformam sua população –, da participação de grupos armados na política oficial do país e dos planos e ações da Organização Badr e outros grupos paramilitares frente à guerra entre EUA, Israel e Irã.

Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)

Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)

Como os ataques ao Irã e a morte do Líder Supremo Ali Khamenei foram recebidos pelo povo iraquiano? E que impacto isso teve nas Forças de Mobilização Popular (FMP), e particularmente na Organização Badr?

O povo iraquiano, em todas as suas diferentes correntes ideológicas — grupos religiosos, esquerdistas, comunistas e outros —, tem se sentido profundamente entristecido e intensamente indignado com o assassinato de Sayyid Ali Khamenei e de outros líderes iranianos que foram martirizados de forma tão traiçoeira.

Como você sabe, a comunidade xiita no Iraque é frequentemente descrita como tendo duas correntes religiosas principais: aqueles que seguem a linha associada a Muqtada al-Sadr e aqueles que seguem a autoridade religiosa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Nesta questão, no entretanto, ambas compartilham a mesma posição e estão agindo em total harmonia.

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

As Forças de Mobilização Popular (FMP) são uma instituição oficial do Estado iraquiano sob a autoridade do primeiro-ministro. No entanto, as facções da resistência [que compõem as FMP] são movimentos revolucionários cujas decisões decorrem do dever moral e religioso de defender a verdade e os oprimidos — mulheres, homens e crianças na Palestina e em todo o mundo. No que tange à justiça, humanidade e Islã, as fronteiras administrativas traçadas pela Grã-Bretanha não definem nossas responsabilidades.

Quanto à Organização Badr, nossa posição é clara e consistente: estamos ao lado da República Islâmica do Irã e de nossa sábia autoridade religiosa, representada por Sayyid Ali al-Husseini al-Sistani, que repetidamente exortou todas as pessoas honradas em todos os lugares a defender a República Islâmica em todas as plataformas e em todas as frentes.

Durante a Guerra dos Doze Dias contra o Irã no ano passado, as milícias iraquianas e as PMF não agiram. Isso agora mudou. Por quê?

Desta vez, o inimigo americano-sionista ultrapassou um limite grave ao assassinar aquele que consideramos a mais alta autoridade espiritual e religiosa para os muçulmanos no mundo, o Imã Khamenei. Este foi um ato chocante e devastador.

Homens e mulheres no Iraque sentem que mesmo sacrificar suas vidas e seu sangue por ele não seria suficiente. Naturalmente, tal evento produziu uma reação muito diferente em comparação com confrontos anteriores.

A resistência possui muitas opções e medidas dentro de seu quadro estratégico. Algumas dessas medidas agradarão nossos amigos e irritarão nossos inimigos, e elas serão implementadas no momento e da maneira apropriados.

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)
Já há relatos de facções do Eixo da Resistência lançando operações militares contra Israel e os Estados Unidos em vários países, em resposta aos ataques ao Irã. No Iraque, desde o 28 de fevereiro, milícias xiitas já realizaram várias ações, como um ataque no norte do país que resultou na morte de um soldado francês e vários ataques a instalações americanas, particularmente em Erbil. Os EUA e Israel, por sua vez, também atacaram posições das PMF no Iraque e declararam que intensificarão seus ataques contra elas. Se a guerra contra o Irã continuar, qual será o papel do Iraque? É possível que ele seja arrastado para o conflito ou que venha a passar por algum tipo de guerra civil? E qual seria a posição da Organização Badr nesse cenário?

Sim, grupos de resistência iraquianos já realizaram inúmeras operações visando interesses e bases americanas no Iraque. No entanto, essas bases também abrigam soldados de outros países aliados aos Estados Unidos sob a bandeira da chamada coalizão internacional.

A presença deles nessas bases os torna parte da equação, e eles devem arcar com as consequências dessa escolha, sejam eles franceses ou de qualquer outro país. Os povos dessas nações devem pressionar seus governos a adotarem uma posição de neutralidade; caso contrário, correm o risco de serem tratados como forças hostis.

Quanto à Organização Badr, nossa posição é de conhecimento público. As medidas específicas que podemos tomar não são algo que discutimos antecipadamente. Somente Deus sabe o que acontecerá a seguir, e em breve o inimigo também ficará sabendo.

Que papel a Organização Badr desempenhou durante os últimos dois anos do genocídio contra o povo palestino?

Nos últimos dois anos, a organização desempenhou um papel humanitário no apoio ao povo palestino. Isso incluiu a prestação de assistência financeira, o envio de alimentos e suprimentos médicos, tendas e equipamentos essenciais, além de facilitar os canais logísticos para a entrega dessa ajuda.

Além disso, oferecemos forte apoio moral e político por meio de nossa base popular e das plataformas de mídia da organização.

A própria Organização Badr não realizou operações militares durante esse período. Se o fizéssemos, todos saberiam, pois nossas ações teriam um impacto significativo.

O Iraque atualmente encontra-se governado por um primeiro-ministro interino, tendo em vista que não formou um novo governo após as eleições de novembro de 2025. Qual é a posição da Organização Badr em relação ao governo do atual primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, e à formação de um novo governo?

A Organização Badr detém atualmente 21 assentos no parlamento iraquiano, enquanto os partidos da Estrutura de Coordenação [aliança de partidos e facções xiitas pró-iranianas no Iraque] detêm, coletivamente, mais de 90 assentos.

A posição oficial da organização em relação ao governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani foi articulada pelo secretário-geral da Organização Badr, Hadi al-Amiri.

No momento, a organização apoia a indicação de Nouri al-Maliki para formar o próximo governo. Caso ele se retire dessa tarefa, é provável que a organização apoie o candidato alternativo que ele propor.

Como nosso Secretário-Geral costuma dizer, a relação entre a Organização Badr e o Partido Dawa Islâmico — do qual Maliki é membro — é como um “casamento católico”, ou seja, uma parceria política profundamente enraizada e duradoura.

Diferentes facções dentro das Forças de Mobilização Popular (PMF) assumiram posições divergentes quanto à escalada na região. Existem divergências significativas entre os grupos de resistência iraquianos sobre até que ponto o Iraque deve ir no confronto com Israel e os Estados Unidos?

Antes de responder à sua pergunta, é importante que todos compreendam um ponto fundamental. As Forças de Mobilização Popular (PMF) foram formadas a partir dos combatentes de facções armadas iraquianas que se levantaram para enfrentar o terrorismo do ISIS em 2014. Hoje, porém, a PMF é uma instituição oficial do Estado iraquiano. Ela opera sob a autoridade do governo iraquiano e possui uma estrutura militar organizada que, em muitos aspectos, se assemelha à de um exército regular.

As facções da resistência, no entanto, representam algo diferente. Elas representam o próprio povo. Suas decisões, reações e movimentos emergem da vontade popular. Não podem ser reduzidas à decisão de um único indivíduo, por mais elevada que seja sua posição. No Iraque, qualquer um que tente agir contra a vontade do povo rapidamente verá o chão ser retirado de debaixo de seus pés.

Quanto à sua pergunta sobre divisões entre as facções, não há nenhuma.

A frente de resistência no Iraque é composta por várias facções, cada uma com sua própria liderança e estrutura de comando. Cada facção adota as táticas que considera mais adequadas às tarefas e circunstâncias que enfrenta. Na verdade, essa diversidade de táticas fortalece a resistência. Ela complica o campo de batalha para os americanos e os fará experimentar a mesma sensação de impotência que sentiram outrora no Vietnã, no Afeganistão e até mesmo em Cuba durante a Baía dos Porcos.

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)
O senhor acredita que a atual guerra regional fortalecerá a influência política das facções da resistência dentro do Iraque, ou ela poderia gerar pressão para limitar o papel dos grupos armados no país, como pretende os EUA?

Os Estados Unidos sempre tentaram pressionar os governos do Líbano e do Iraque a desarmar a resistência e a enfrentá-la. Mas essa exigência é simplesmente impossível na prática. A resistência não é uma milícia que possa ser dissolvida por decreto — é uma expressão viva do próprio povo. A resistência é o povo, e o povo é a resistência. Alguém poderia tirar o fuzil das mãos de Ernesto Che Guevara? Alguém poderia tirar o violão das mãos de Víctor Jara? Alguém poderia impedir Mahatma Gandhi de praticar a desobediência civil?

Quanto à influência política, o Iraque possui um processo político democrático, e é o povo quem decide em última instância. O povo iraquiano já se pronunciou nas urnas ao eleger muitos representantes provenientes das fileiras da resistência. Os Estados Unidos não serão capazes de quebrar a vontade do povo iraquiano.

 

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)

*Pedro Marin/Revista Ópera


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Mundo

Vídeo: Irã lança “Operação Boas Novas Vitória” e ataca bases militares dos EUA no Catar e Iraque

O Irã efetivou uma ofensiva ao lançar mísseis contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio nesta segunda-feira, 23 de junho, em resposta a ataques americanos que atingiram três instalações nucleares iranianas durante o fim de semana.

Esta ação militar ocorre em um contexto de tensão elevada, especialmente após a identificação de uma ameaça à base de Al-Udaid, no Catar, que é considerada um ponto estratégico para as operações americanas na região.

A agência de notícias estatal iraniana, Tasnim, confirmou que a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) realizou os ataques, detalhando que a resposta de Teerã é uma medida “poderosa e vitoriosa” contra os EUA.

O IRGC, em seu comunicado, enfatizou que não permitirá que nenhum ataque à sua integridade territorial, soberania ou segurança nacional passe sem uma resposta, não importando as circunstâncias.

O portal Axios, citando autoridades israelenses e árabes, reportou que seis mísseis foram disparados em direção ao Catar, enquanto outro teria como alvo uma base no Iraque.

Embora o Irã não tenha divulgado oficialmente os alvos específicos da ofensiva, um porta-voz militar declarou que os Estados Unidos enfrentarão “pesadas consequências” em resposta às suas ações anteriores.

Precedendo o ataque, informações da BBC indicavam uma “ameaça concreta” ao Centro de Operações Aéreas da Coalizão, que fica em Al-Udaid, a principal base aérea dos EUA na região e centro das operações do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) no Oriente Médio. Em virtude dessa ameaça, o Catar decidiu temporariamente fechar seu espaço aéreo e elevar o estado de alerta na base.

A base de Al-Udaid, situada nas proximidades de Doha, é vital para as operações militares dos EUA no Oriente Médio, e relatos sugerem que detonações de mísseis foram ouvidas na capital do Catar. O governo dos Estados Unidos, através da Casa Branca e do Departamento de Defesa, confirmou que está ciente da situação e monitorando as possíveis ameaças à base.

O presidente Donald Trump, que estava na Ala Oeste da Casa Branca, convocou uma reunião do Conselho Nacional de Segurança para discutir as implicações dos recentes eventos.Trump já havia advertido previamente que qualquer retaliação do Irã seria respondida com “força muito maior” do que as ações já tomadas. Até o momento, o número de possíveis vítimas resultantes dos ataques iranianos não foi divulgado oficialmente.

Adicionalmente, o governo do Catar informou que conseguiu interceptar mísseis balísticos lançados pelo Irã visando a base militar americana no seu território, reservando-se o direito de responder de forma apropriada e de acordo com o direito internacional.

Tendo em vista a gravidade da situação e as implicações potenciais para a segurança regional, é evidente que a dinâmica de poder entre os EUA e o Irã está se intensificando, com repercussões não apenas para os países diretamente envolvidos, mas também para a estabilidade no Oriente Médio como um todo.

A escalada do conflito pode levar a uma resposta militar mais abrangente e a um envolvimento ainda maior de outras nações na região, dado o valor estratégico das instalações e a possibilidade de novas hostilidades.


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Opinião

O que os EUA querem da Venezuela é roubar seu petróleo com base em mentiras, assim como fez com o Iraque

Os EUA, que acusam Maduro de fraude na eleição da Venezuela, é o mesmo que invadiu o Iraque, alegando que Sadan Russein tinha arma química, o que se mostrou uma acusação mentirosa. O motivo é o mesmo, roubar o petróleo da Venezuela como fizeram com o Iraque.

Nisso tudo, o que mais impressiona é a amnésia da mídia brasileira para aquela armação, montada por Bush e, agora, decalcada por Biden.

O nome da operação deveria ser, operação papel carbono e, lógico, a mídia brasileira seguirá fazendo cara de paisagem para essa aberração plagiada de uma das maiores mentiras criadas pelos EUA para justificar o roubo do petróleo do Iraque.

Isso mostra que o repertório americano para saquear, esmagar e colonizar outros países que não têm força militar para enfrentá-lo, mas tem reserva bilionária de petróleo, segue a mesma cartilha, pior, falando em defesa da “democracia”.

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Mundo

EUA violam soberania do Iraque e da Síria, ocupam parte de seu território, diz ex-militar americano

Com os ataques a esses países e uma “escalada absolutamente perigosa”, Earl Rasmussen espera que haja “adultos na região”.

Os EUA, com seus ataques ao Iraque e à Síria, violam a soberania de ambos os países, afirmou Earl Rasmussen, coronel aposentado do Exército dos EUA e ex-vice-presidente da Fundação Eurásia, à Sputnik.

“Isso é uma violação da soberania do Iraque e da Síria. Além disso, continuamos a ocupar ilegalmente territórios no Iraque e na Síria, juntamente com nosso apoio ao genocídio em curso em Gaza, tornando esses locais alvos de grupos paramilitares”, comentou Earl Rasmussen os ataques dos EUA.

Na opinião de Rasmussen, as ações de Washington são uma “escalada absolutamente perigosa” da situação, com os EUA não só não estando interessados na estabilidade regional, como também ajudando muitos grupos locais.

“Esperemos que haja adultos na região para evitar uma escalada ainda maior, pois os EUA e Israel definitivamente não estão buscando a redução da escalada ou a estabilidade”, acrescentou.

No último final de semana, tropas dos EUA em uma base na Jordânia foram atacadas por um drone. De acordo com o Pentágono, o ataque matou três militares e feriu mais de 40. Entre outros, Washington atribuiu a responsabilidade pelo incidente ao Irã.

Os EUA retaliaram o ataque à sua base militar na Jordânia, atingindo mais de 85 alvos ligados às forças do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) e grupos afiliados no Iraque e na Síria.

*Sputnik

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Ataques dos EUA na Síria e Iraque deixam mortos e feridos: ‘agressão contra a soberania’

Um porta-voz das Forças Armadas Iraquianas classificou os ataques como ‘uma ameaça que arrastará consequências imprevistas’ no Oriente Médio.

Ataques do Exército dos Estados Unidos a postos usados pela Guarda Revolucionária do Irã na Síria e no Iraque, como prometido pelo presidente Joe Biden, deixaram ao menos 16 mortos e 25 feridos, informou neste sábado (03/02) o governo iraquiano.

Os ataques contra 85 alvos duraram 30 minutos e foram utilizadas mais de 125 munições de precisão.

Alguns deles foram executados por bombardeiros B-1B, que partiram da Base Aérea de Dyess, no Texas, na sexta-feira (02/02), em um voo de mais de 6 mil milhas.

Os alvos atingidos incluíram centros de operações de comando e controle, centros de inteligência, foguetes e mísseis, armazéns de armazenamento de veículos ventilados não tripulados e instalações de logística e cadeia de abastecimento de munições usadas por grupos de milícias apoiados pelo Irã.

“A administração dos EUA cometeu uma nova agressão contra a soberania do Iraque, uma vez que as localizações das nossas forças de segurança, nas regiões de Akashat e Al-Qaim, bem como em locais civis vizinhos, foram bombardeadas por vários aviões dos EUA”, disse o governo iraquiano, citado pela ABC News.

“Esta agressão flagrante levou à morte de 16 mártires, incluindo civis, além de 25 feridos. Também causou perdas e danos a edifícios residenciais e propriedades de cidadãos”, acrescentou.

O governo iraquiano também disse que os ataques “colocam a segurança no Iraque e na região no limite” e contradizem diretamente o esforço dos EUA para “estabelecer a estabilidade necessária” na região.

A resposta é a primeira do que se espera ser uma série de ataques em retaliação pela morte de três soldados norte-americanos na semana passada na Jordânia, segundo um oficial de defesa dos EUA.

Biden deu ordem para atacar grupos afiliados e apoiados pelo Irã no Iraque e na Síria, alertando que, “se os Estados Unidos forem atingidos, reagirão”.

“A nossa resposta começou hoje. Os Estados Unidos não procuram conflitos no Oriente Médio ou em qualquer outro lugar do mundo”, afirmou Biden na sua primeira declaração sobre os ataques. A ação militar constitui uma escalada significativa em todo o Oriente Médio.

Ameaça à estabilidade da região

Um porta-voz das Forças Armadas Iraquianas classificou os ataques como “uma ameaça que arrastará o Iraque e a região a consequências imprevistas”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, afirmou que este foi “outro erro estratégico” dos Estados Unidos.

Já o grupo fundamentalista islâmico Hamas acusou o governo norte-americano de ameaçar a “estabilidade da região” e descreveu os ataques como “servindo à agenda expansionista da ocupação [de Israel]”.

Alertando sobre as consequências, o Hamas apelou aos Estados Unidos para “reverem as suas políticas agressivas e respeitarem a soberania dos Estados e os interesses dos povos árabes”.

Os ataques dos EUA, esperados durante dias em resposta ao assassinato de três soldados norte-americanos na Jordânia, continuarão durante dias como parte de uma resposta em larga escala e a vários níveis, revelaram fontes da Casa Branca.

*Opera Mundi

 

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Irã mata com míssil bilionário aliado de Israel no Iraque

Numa sinistra demonstração de que a guerra entre Israel e Hamas já escalou para toda a região, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou que utilizou mísseis balísticos de longo alcance contra o que chamou de “centro de espionagem” do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, em Arbil, no vizinho Iraque.

Arbil é a capital da região autônoma do Curdistão, que mantém relações próximas com os Estados Unidos e onde o governo iraquiano, sediado em Bagdá, tem influência diminuta.

“O quartel-general era responsável por planejar e executar operações de espionagem e terrorismo na região, especialmente em nosso amado país”, disse a nota da IRGC.

Há indícios de que o ataque foi uma resposta ao assassinato por Israel, em Damasco, na Síria, do general da Guarda Revolucionária Razi Mousavi, um dos contatos do Irã com o governo aliado de Bashar al-Assad.

Teerã também confirmou que disparou mísseis balísticos contra a região de Aleppo, na Síria, onde existem bases do Estado Islâmico.

O EI assumiu um atentado em Kerman, no Irã, que matou ao menos 84 pessoas durante o memorial do general Qasem Soleimani.

Soleimani foi assassinato em Bagdá pelos Estados Unidos em 2020. Ele chefiava a Força Quds, um braço da IRGC. Era um dos responsáveis por organizar o Eixo da Resistência contra Israel. Soleimani também organizou o enfrentamento ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Diferentemente do que diz a mídia comercial, o Estado Islâmico é inimigo figadal do Irã. É composto por sunitas que consideram os xiitas iranianos “infiéis”.

A ligação entre Hamas e Estado Islâmico, que Israel usa em sua propaganda para justificar o ataque a Gaza, é inexistente.

Enquanto os sunitas do Hamas lutam essencialmente pela causa palestina, o Estado Islâmico é composto por ortodoxos do salafismo que defendem um novo califado islâmico para governar o Oriente Médio e o Norte da África.

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Iraque exige que EUA retirem tropas ‘desestabilizadoras’ que operam no país desde 2014

Iraque ainda não definiu uma data para a negociação da retirada das forças militares lideradas pelos EUA do seu território.

O premiê do Iraque, Muhammad al-Sudani, pediu nesta quarta-feira (10/01) a retirada dos cerca de 2,5 mil militares dos Estados Unidos ainda presentes no país. Em comunicado, ele afirmou que Bagdá deseja uma “saída rápida e ordenada” das forças da coalizão internacional liderada por Washington e formada com o objetivo de combater o grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS).

A presença de tropas norte-americanas, segundo Sudani, é “desestabilizadora”. Os Estados Unidos operam no Iraque e na Síria desde 2014, mas o ISIS foi declarado derrotado militarmente nesses dois países em 2017 e 2019, respectivamente, embora siga atuante com tropas remanescentes. No entanto, o premiê iraquiano afirmou que o país ainda não definiu uma data para a negociação de uma rápida e ordenada retirada das forças do seu território.

Nos últimos meses, se intensificaram os embates entre forças iraquianas pró-Irã e tropas norte-americanas devido à guerra entre o grupo palestino Hamas e Israel, principal aliado de Washington no Oriente Médio. Na quinta-feira passada (04/01), os Estados Unidos bombardearam Bagdá pela primeira vez em quatro anos, matando o líder de um grupo armado ligado ao governo e apoiado pelo Irã.

As exigências para a retirada da coligação norte-americana do Iraque, feitas principalmente por grupos muçulmanos xiitas, estão ligados ao Irã e ganharam força após uma série de ataques dos EUA a grupos armados ligados ao país persa e que também estão no Iraque, segundo a Reuters.

Os receios de que o Iraque possa voltar a ser um local de conflito no Oriente Médio foram despertados por esses ataques, que foram realizados em retaliação a dezenas de investidas com drones e mísseis contra soldados norte-americanos desde que Israel iniciou a sua guerra em Gaza.

Al-Sudani disse à Reuters que é importante reorganizar a relação entre Bagdá e a coalizão internacional para garantir que não seja usada como alvo por qualquer parte interna ou externa para minar a estabilidade do Iraque e da região.

O premiê do Iraque, Muhammad al-Sudani, pediu nesta quarta-feira (10/01) a retirada dos cerca de 2,5 mil militares dos Estados Unidos ainda presentes no país. Em comunicado, ele afirmou que Bagdá deseja uma “saída rápida e ordenada” das forças da coalizão internacional liderada por Washington e formada com o objetivo de combater o grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS).

A presença de tropas norte-americanas, segundo Sudani, é “desestabilizadora”. Os Estados Unidos operam no Iraque e na Síria desde 2014, mas o ISIS foi declarado derrotado militarmente nesses dois países em 2017 e 2019, respectivamente, embora siga atuante com tropas remanescentes. No entanto, o premiê iraquiano afirmou que o país ainda não definiu uma data para a negociação de uma rápida e ordenada retirada das forças do seu território.

Nos últimos meses, se intensificaram os embates entre forças iraquianas pró-Irã e tropas norte-americanas devido à guerra entre o grupo palestino Hamas e Israel, principal aliado de Washington no Oriente Médio. Na quinta-feira passada (04/01), os Estados Unidos bombardearam Bagdá pela primeira vez em quatro anos, matando o líder de um grupo armado ligado ao governo e apoiado pelo Irã.

As exigências para a retirada da coligação norte-americana do Iraque, feitas principalmente por grupos muçulmanos xiitas, estão ligados ao Irã e ganharam força após uma série de ataques dos EUA a grupos armados ligados ao país persa e que também estão no Iraque, segundo a Reuters.

Os receios de que o Iraque possa voltar a ser um local de conflito no Oriente Médio foram despertados por esses ataques, que foram realizados em retaliação a dezenas de investidas com drones e mísseis contra soldados norte-americanos desde que Israel iniciou a sua guerra em Gaza.

*Opera Mundi

 

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EUA estão desviando petróleo sírio para suas bases militares no Iraque, diz mídia

Um comboio de 56 caminhões-tanque carregados de petróleo “roubado” partiu da Síria em direção à bases dos Estados Unidos no Iraque neste sábado (6), informou a agência estatal de notícias síria SANA.

Ouvindo moradores que vivem perto da fronteira entre a Síria e o Iraque, a SANA afirmou que o comboio atravessou a passagem de Al-Mahmudiyah, na província de Al-Hasakah, no norte do país.

Repetidamente o governo sírio acusa os Estados Unidos seus militares de “pilharem os recursos sírios”, um ato que piora ainda mais a situação econômica que o país enfrenta em meio a uma guerra civil.

O governo do país não detém mais o controle da maioria dos campos energéticos devido a presença dos EUA em áreas ricas de petróleos no norte e no leste da Síria, segundo Farhan Jamil Abdullah, chefe da estatal Syria Oil Company.

O executivo afirmou também que a empresa viu sua produção despencar de 385 mil barris por dia para 15 mil barris devido a presença dos EUA. A produção de gás também viu uma grande baixa, passando de 30 milhões de metros cúbicos por dia para 10 milhões de metros cúbicos.

Em julho do ano passado Firas Hassan Kaddour, ministro do Petróleo e Recursos Minerais, afirmou que a chegada dos norte-americanos levou a prejuízos econômicos maiores que US$ 100 bilhões (R$ 487 bilhões) somente no setor energético.

*Sputnik

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Política

Após atentado no Iraque, Bolsonaro deve cancelar visita ao país

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, a visita oficial que Jair Bolsonaro faria na semana que vem ao Iraque, que tinha como objetivo principal explorar possibilidades de importar petróleo, deve ser cancelada.

Motivo: questões de segurança.

No sábado, a casa do primeiro-ministro, Mustafa Al-Kadhimi, foi alvo de um atentado, num ataque feito por meio de um drone. Al-Kadhimi conseguiu escapar.

A viagem a Bagdá era a última etapa do giro que Bolsonaro fará pelo Oriente Médio a partir de de sábado. Ele participará da Expo Dubai, nos Emirados Árabes; irá ao Bahrein, na abertura oficial da embaixada do Brasil na capital, Manama; e ao Catar.

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Militares dos EUA abandonam 2 bases na Síria e seguem rumo ao Iraque

Militares estadunidenses abandonaram duas bases no nordeste da Síria e se dirigiram para o Iraque, segundo mídia.

De acordo com a agência de notícias estatal SANA, cerca de 40 caminhões com equipamento militar abandonaram a base de Khrab Jir na província de Hasakah e seguiram em direção à fronteira com o Iraque. Por sua vez, da base na cidade de Shadadi saíram 50 caminhões com equipamento militar e se dirigiram para o posto de controle na fronteira com o Iraque.

A agência de notícias informa que a medida está ligada ao “preparo para a retirada final das tropas ocupantes”. No entanto, a agência não divulga as fontes da informação.

Na madrugada da quarta-feira (8), o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) anunciou o início da operação de vingança após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani. O Irã realizou ataques com mais de uma dúzia de mísseis balísticos contra duas bases aéreas no Iraque, que abrigam as tropas norte-americanas. De acordo com a mídia, ataques provocaram morte de 80 pessoas.

Foto aérea da base militar Ain Al-Asad, que abriga militares dos EUA no Iraque

Foto aérea da base militar Ain Al-Asad, que abriga militares dos EUA no Iraque

Antes, o IRGC convocou os EUA para que retirassem as tropas do Oriente Médio para evitarem mais vítimas.

 

 

*Com informações do Sputnik