O Congresso Nacional se prepara para derrubar um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e liberar doações de bens, dinheiro e benefícios durante a campanha eleitoral de 2026 A votação está prevista para esta quinta-feira (21), enquanto a Marcha dos Prefeitos acontece em Brasília e reúne diversos prefeitos do país.
A proposta, defendida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que define as regras do Orçamento da União e abre caminho para a transferência de recursos, cestas básicas, tratores, ambulâncias e outros bens mesmo nos três meses anteriores à eleição, período em que a legislação eleitoral restringe esse tipo de repasse, conhecido como “defeso eleitoral”.
Na prática, a proposta flexibiliza as regras e permite que governos mantenham transferências a municípios e entidades durante a campanha eleitoral, desde que exista alguma contrapartida, como cessão de terreno, participação financeira ou compromisso de uso público dos recursos. A mudança alcança até mesmo o pagamento de projetos bancados com emendas parlamentares.
O trecho da proposta estabelece que a distribuição de recursos e bens públicos não será considerada violação das restrições impostas pelo período eleitoral, quando a legislação normalmente impede esse tipo de repasse nos três meses que antecedem a votação. Um mecanismo semelhante já havia sido utilizado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022.
Embora o governo Lula tenha apoiado a aprovação do texto no Congresso, o presidente vetou o trecho sob argumento de inconstitucionalidade e por tratar de tema eleitoral fora do escopo da LDO. Ainda assim, o Palácio do Planalto liberou parlamentares da base para apoiar a derrubada do veto.
A articulação acontece paralela à liberação de emendas parlamentares em ano eleitoral. Segundo dados do governo, R$ 25,9 bilhões já foram autorizados em 2026, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos.
Parlamentares também articulam derrubar outro veto que permite a municípios com até 65 mil habitantes e em situação de inadimplência continuarem recebendo transferências e emendas federais.
As medidas autorizam o envio de recursos federais para obras e manutenção de estradas estaduais e municipais, além de investimentos em hidrovias locais, flexibilizando limitações para que a União financie ações fora de sua responsabilidade direta.
*ICL
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Jorge Folena avalia que candidatura do bolsonarista seguirá, mas com muitas dificuldades porque perdeu a credibilidade
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) indica impacto das revelações sobre as relações do Banco Master na candidatura de Flávio Boslonaro (PL). O senador teve queda de seis pontos percentuais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como vitorioso no primeiro e segundo turno.
O petista aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador do PL. Na pesquisa anterior, realizada em abril, Flávio tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.
Para o advogado e cientista político Jorge Folena, os recentes resultados mostram o impacto das revelações do envolvimento do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro. O especialista destaca também que a jogada de ficar voltando atrás nas declarações também acaba prejudicando a imagem dele. “A queda é consequência do envolvimento dele e de sua família com um criminoso, que é o Daniel Vorcaro. E isso produziu um efeito grande porque ele mentiu. Mentiu para os repórteres quando foi indagado e depois teve que reconhecer que a voz era dele. Ou seja, um mentiroso. Depois ele foi dizer que o dinheiro do Vorcaro era privado, que o negócio dele não era pedir dinheiro da Lei Rouanet. Só que é um dinheiro fraudado. O Vorcaro gerou um prejuízo a milhares de correntistas, aposentados e pensionistas, e eu diria que até à Receita Federal. O dinheiro é público proveniente de fraudes. Flávio Bolsonaro se enrolou na própria mentira”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
A família Bolsonaro vai tentar sustentar a candidatura de Flávio, porque eles não têm opção e ele expressa a representação do fascismo brasileiro. “A candidatura está chamuscada. Vai ter apoio? Vai. Mas daqueles que são adeptos do fascismo brasileiro. Com mentira e sem proposta, porque vamos lembrar que, até o momento, Flávio não apresentou o que pretende fazer caso vença a presidência. As pessoas vão votar nele por uma opção fascista”, avalia Folena.
O cientista político também destaca um dado que considera importante: o fato de que 95% das pessoas tomaram contato com a reportagem jornalística que trouxe a revelação do envolvimento de Flávio e Vorcaro. “Mesmo com as dificuldades que os meios de comunicação tradicional impõem para proteger Flávio Bolsonaro não puderam esconder, até porque o próprio Flávio admitiu. E que bom que as pessoas puderam ter contato para formar juízo”, afirma.
*BdF
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Por trás dos discursos inflamados contra a escala 5×2 esconde-se uma motivação muito mais clara: o ódio ao governo Lula e o temor de uma nova vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Não se trata de defesa do trabalhador, mas de cálculo eleitoral puro.
Flávio Bolsonaro, o “Bolsonarinho”, repete o manual da família. Usa os mesmos métodos que levaram o pai à prisão, sabe que a Justiça Eleitoral dificilmente tornará alguém inelegível em ano de eleição e, ao mesmo tempo, posa de vítima perseguida pela “ditadura do STF”. Curiosamente, evita falar STE — afinal, tem aliados no tribunal. Se for eleito, a expectativa é que os processos esfriem novamente.
O cinismo fica ainda mais evidente quando se lembra do que aconteceu com o horário de verão. Durante a vigência da medida, as tardes alongadas transformavam as cidades: a partir das 16h ou 17h, ruas cheias, comércio aquecido, bares lotados, praias movimentadas mesmo nos estados que não mudavam o relógio. O efeito positivo se espalhava. Entidades do comércio chegaram a defender que o horário de verão virasse permanente.
Era o povo nas ruas, aproveitando a luz do dia, consumindo, vivendo. Mas isso incomodava. Em 25 de abril de 2019, Jair Bolsonaro assinou o Decreto nº 9.772 e extinguiu de vez o horário de verão no Brasil. Sul, Sudeste e Centro-Oeste perderam a folga extra de luz natural. O homem que não suportava ver o povo sorrindo nas ruas simplesmente apagou a medida com um traço de caneta.
Agora, quando se discute dar mais tempo livre aos trabalhadores — sábados e domingos inteiros —, o mesmo grupo reaparece com o discurso de sempre. A lição é clara: o que está em jogo não é o calendário de trabalho. É impedir que o povo ganhe mais vida, mais luz e mais liberdade. O resto é teatro, narrativas.
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A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, pelo Congresso, pode antecipar a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão para o regime semiaberto, com possibilidade de liberdade em pouco mais de dois anos, antes das eleições presidenciais de 2030. De acordo com o DCM, a proposta, que foi restabelecida no dia 30 de abril, reduz as penas de todos os envolvidos na tentativa de golpe de estado, abrangendo tanto os organizadores quanto os executores da trama. As informações são da VEJA.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio público, delitos igualmente atribuídos aos outros envolvidos no movimento golpista. Com a aprovação do PL da Dosimetria, as penas para esses crimes podem ser reduzidas, e a progressão de regime pode acontecer mais rapidamente.
O PL da Dosimetria introduz mudanças significativas no sistema penal. A principal alteração é a unificação das penas de golpe de estado e abolição violenta do estado democrático de direito, que atualmente são somadas, passando a ser computadas como uma só. Além disso, a proposta estabelece novas regras para a progressão de regime, permitindo que, em certos casos, o condenado cumpra apenas 20% de sua pena antes de poder passar para o regime semiaberto. Nesse novo cenário, o ex-presidente teria que cumprir, no mínimo, três anos e cinco meses em regime fechado antes de avançar de regime.
Esse pacote de medidas foi aprovado com o objetivo de facilitar a reintegração de pessoas condenadas por crimes considerados de alta gravidade, como os que envolvem a tentativa de golpe de estado. Para os especialistas, isso representa uma mudança no tratamento das penas e pode beneficiar outros condenados que se enquadram nesse tipo de delito. No caso de Bolsonaro, isso abre a possibilidade de sua saída do sistema fechado mais rapidamente, o que foi motivo de debate político em Brasília.
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Em reunião com outros chefes de Estado na Espanha, presidente salientou necessidade de países se unirem para fortalecer multilateralismo e fazer frente ao extremismo e às guerras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (18), da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha. Em sua fala, enfatizou a necessidade de reformar a ONU, defender a democracia e combater o imperialismo e a extrema direita. Também falou sobre a urgência de se regular as redes sociais, lutar contra o machismo e o feminicídio e acabar com a escala 6×1.
“O que nos move, com muita força, é a questão do multilateralismo e a relação entre as nações. Porque esse tema que nós estamos discutindo aqui poderia estar sendo discutido nas Nações Unidas. E por que não está? Porque hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual ela foi criada”, disse Lula.
Ele destacou que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — cujo objetivo era garantir a paz no mundo após a Segunda Guerra Mundial — “viraram os senhores da guerra”.
Nesse cenário, prosseguiu o presidente, “a democracia que discutimos aqui, entre chefes de Estado, é se o mundo vai continuar do jeito que está ou se nós vamos tentar mudá-lo”. Além disso, enfatizou: “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”.
Leia também: Lula critica “poderosos que se julgam divindades” e atacam defensores da paz
Sem citar diretamente o presidente Donald Trump, Lula salientou que “não podemos levantar e dormir com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo e fazendo guerra”.
O presidente brasileiro afirmou que “o extremismo e a falta de respeito às cartas da ONU, a falta de respeito à harmonia entre os países e as nações, é algo muito perigoso no mundo em que estamos vivendo”.
Na sequência, Lula defendeu a participação de outros países nos fóruns e conselhos da ONU. “Cadê a representação africana? Só no continente africano nós temos três países com mais de 120 milhões de habitantes. Cadê a participação do México e do Brasil, de uma Argentina, de uma Colômbia? Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes, Alemanha, Japão, Indonésia, todos os países poderiam participar”.
A ONU, acrescentou Lula, “não pode ficar silenciosa diante do que está acontecendo no mundo”, sublinhando que hoje “o Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina no outro país. Ou seja, é o pobre que paga pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer”.
O presidente também se disse “muito preocupado com Cuba” e defendeu o fim das sanções e o direito do povo cubano a sua soberania. “Os problemas de Cuba é dos cubanos. Não é um problema do Lula, da Cláudia (Sheinbaum, presidente do México) ou do Trump”. E enfatizou: “Parem com esse maldito bloqueio à Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles”.
Plataformas digitais e extrema direita
Lula também abordou a necessidade de haver maior regramento ao funcionamento das big techs — o que precisaria partir da ONU para ter alcance global — e criticou a interferência de chefes de Estado nas eleições de outros países por meio das redes sociais, um risco que o Brasil corre neste ano.
“(É preciso) controlar as plataformas digitais, impor regras democráticas”, declarou, acrescentando que “a ONU é um instrumento muito valioso, se ela funcionar. E ela precisa funcionar para garantir que, por exemplo, as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode um presidente da República de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial?”.
Ao tratar da extrema direita brasileira, disse que “acabamos de derrotar o extremismo” porque “temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia, e quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram um golpe”. Mas, salientou, “o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez”. E acrescentou: “mas este é um problema nosso, do povo brasileiro, com o qual a gente lida com as nossas forças e com as nossas armas lá dentro”.
Lula também afirmou: “o que me incomoda é a volta dos imperadores que se acham dono do mundo. Nós não queremos mais czar, nós não queremos mais imperadores. O povo pobre merece uma chance de viver num sistema democrático. Nós precisamos juntar no mundo todos os que querem construir a democracia. A democracia dentro de cada país depende de cada país. Mas a democracia nas Nações Unidas depende de nós; fortalecer o multilateralismo depende de nós”.
Escala 6×1 e feminicídios
Em seu pronunciamento, o presidente Lula também tratou de outras questões que vêm sendo debatidas no Brasil, entre as quais o fim da escala 6×1 — a proposta, que vem sendo trabalhada nos últimos anos por parlamentares e movimentos sindicais e sociais, foi formatada num novo projeto de lei do Executivo, que tramitará em regime de urgência no Congresso.
Ao defender uma nova escala de trabalho, disse: “Hoje me parece que os ganhos tecnológicos, a sofisticação da produção, só vale para o rico. Para o pobre não vale nada. Ou seja, ele não ganha porque aumentou a produtividade da empresa?”.
Para Lula, pautas como essa ajudam a reconstruir a credibilidade da democracia. “A democracia está perdendo credibilidade porque muitas vezes ela não deu resposta aos anseios da sociedade”, completou.
O presidente ainda falou sobre a luta contra a violência de gênero, salientando que “o mundo segue sendo muito machista e no caso do meus país, o machismo é cada vez mais violento”.
Lula informou aos demais chefes de Estado da criação do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. “Estamos tentando chamar os homens à responsabilidade porque eles é que são violentos. Queremos criar a ideia de que o problema da violência contra a mulher não é um problema da mulher, mas do homem”.
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Bolsonaro saiu do governo com o Ibovespa na casa de 110, com Lula, aproxima-se de 200 mil pontos
Quando Jair Bolsonaro deixou a Presidência da República, em 31 de dezembro de 2022, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrava o ano na casa dos 110 mil pontos (exatamente 109.735 pontos no último pregão).
Quase quatro anos depois, sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o indicador se aproxima da marca histórica dos 200 mil pontos. Em abril de 2026, o Ibovespa já superou os 197 mil pontos em alguns pregões e tem renovado recordes com frequência, refletindo um forte rali acumulado ao longo do mandato.
Essa valorização de quase 80% no período representa uma das maiores altas da bolsa brasileira em um intervalo tão curto. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores: recuperação econômica pós-pandemia, entrada de capital estrangeiro, alta de commodities (especialmente minério de ferro e petróleo), cortes na taxa Selic e otimismo com o cenário fiscal e político em determinados momentos.
No fim do governo Bolsonaro, o Ibovespa acumulou ganho de cerca de 25% em quatro anos, saindo de aproximadamente 88 mil pontos em 2018. Já no atual governo, o índice saiu dos 110 mil e caminha para dobrar de patamar, mesmo em meio a momentos de volatilidade causados por debates fiscais, inflação e incertezas eleitorais para 2026.
Essa trajetória reforça o papel da bolsa como termômetro das expectativas do mercado sobre a economia brasileira. Seja qual for a interpretação política, o dado objetivo é claro: o Ibovespa vive, atualmente, um dos períodos mais positivos de sua história recente.
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Sem provas, o ex-juiz suspeito insinuou que eleição de 2022 foi ilegítima e fez ataques ao presidente Lula
Pré-candidato ao governo do Paraná e ex-juiz declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Sergio Moro (PL-PR) está na mira do Inquérito das Milícias Digitais após o ministro do STF Alexandre de Moraes encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um requerimento para que o parlamentar seja formalmente incluído na investigação. A informação foi publicada nesta quinta-feira (26) pela Carta Capital.
Sem qualquer embasamento, Moro colocou em dúvida a legitimidade do resultado das eleições presidenciais de 2022, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL). O autor do pedido enviado à PGR foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). De acordo com o 247, a Procuradoria tem cinco dias para se manifestar, e após receber o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Moraes poderá expedir uma decisão sobre a inclusão de Moro no inquérito.
O gatilho para o pedido foi uma fala do senador durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na última terça-feira (24). Na ocasião, Moro afirmou: “A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento.” A declaração foi interpretada como mais um capítulo na disseminação de narrativas que contestam a validade do processo eleitoral brasileiro.
De acordo com Lindbergh Farias, ao sustentar esse tipo de discurso, Moro contribui para manter em circulação o que o parlamentar classificou como “o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional” — argumento central para embasar o pedido de inclusão do senador no inquérito.
Histórico polêmico O histórico de Sergio Moro é marcado por controvérsias judiciais e políticas. Ex-juiz federal da Operação Lava Jato em primeira instância, Moro teve sua suspeição declarada pelo próprio STF em 2021, decisão que culminou na devolução dos direitos políticos do presidente Lula.
Após a condenação que retirou Lula da corrida eleitoral de 2018, Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro para ocupar o Ministério da Justiça, cargo que exerceu até abril de 2020, quando pediu demissão em meio a uma crise com o então presidente. Anos depois, em 2023, o ex-magistrado foi derrotado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo por fraude em domicílio eleitoral, ficando impedido de concorrer pelo estado paulista.
O Inquérito das Milícias Digitais investiga a organização e o financiamento de redes de desinformação voltadas a atacar instituições democráticas brasileiras, incluindo o próprio STF. A eventual inclusão de Moro no inquérito ampliaria o alcance das investigações a um dos nomes mais proeminentes da oposição ao governo federal.
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Instrução foi dada pelo presidente ao novo ministro da Fazenda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (26), ter demandado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente, essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas, para que melhor planejem seus orçamentos.
Em visita à unidade industrial da montadora Caoa, em Anápolis (GO), Lula disse que, apesar de a economia do país estar bem, há ainda um problema a ser resolvido: “temos a sociedade brasileira um pouco endividada”.
De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como é o caso das que são adquiridas para a formação de patrimônio, como imóveis; ou que garantam qualidade de vida, como a aquisição de automóveis ou aparelhos domésticos.
O problema, segundo ele, é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no final do mês.
“Aí, a gente fica zangado e culpa quem? Culpa o governo. O mundo é assim. A gente culpa o governo por tudo que dá errado. Eu sei que, na cabeça das pessoas, funciona assim”, disse o presidente.
“Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas”, acrescentou.
Busca por uma solução Lula disse não querer que as pessoas deixem de se endividar “para ter uma coisa nova da vida”.
“O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem, e como é que a gente pode começar a ensinar as pessoas a administrar o salário”, disse, ao falar também sobre os riscos de comprometer o orçamento futuro por meio do uso exagerado do cartão de crédito.
“Por isso o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, acrescentou.
Momento raro Durigan assumiu o cargo de ministro da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar as próximas eleições. Segundo o novo ministro, o país passa por um “momento raro”.
“Não é senso comum nem algo básico que um país cresça e se desenvolva gerando emprego; que tire as pessoas do Mapa da Fome e, ao mesmo tempo, mantenha a inflação sob controle. Estamos vivendo um momento raro”, disse o ministro.
Ele lembrou que o atual governo foi o que mais fez concessões na área de infraestrutura; e o que mais apostou no desenvolvimento do país.
“Ao mesmo tempo, foi o que mais passou recursos a estados e municípios. Isso também não é comum. É raro e mostra que nosso compromisso é com todos: com o meio ambiente, com o agronegócio, com a indústria, com a economia e com a democracia. Mais que tudo isso, nosso compromisso é para que o nosso povo viva com qualidade de vida.”
Produtividade e inovação Segundo ele, um dos desafios a ser enfrentado pelo ministério é aumentar a produtividade e a inovação no país. Algo que, na avaliação do governo, abrange uma melhor formação de trabalhadores e, também, a redução da escala 6 por 1, que dará, aos brasileiros, o direito a folgar dois dias por semana.
Ainda nesse contexto, ele destacou os benefícios que a reforma tributária trarão para a produção no país, uma vez que dará mais eficiência e racionalidade ao pagamento de tributos.
“No ano que vem, vamos ganhar — e muito — em racionalidade, eficiência e celeridade na nossa economia. Isso aumenta a produtividade, com cada um de nós trabalhando melhor. Não necessariamente mais tempo, mas, no tempo de trabalho que a gente tem, com a gente entregando todo o nosso potencial”, argumentou.
*Agência Brasil
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Documento reúne parlamentares, prefeitos e influenciadores digitais; entre os patrocinadores está o Paulinho da Força
Um levantamento interno atribuído ao Partido dos Trabalhadores (PT) aponta que 55 apoiadores da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto pagaram para impulsionar publicações críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói.
O documento, com cerca de 70 páginas, circulou entre integrantes do Palácio do Planalto e reúne nomes de parlamentares, prefeitos e influenciadores digitais que teriam patrocinado conteúdos pagos contra o presidente.
Valores e nomes citados De acordo com o levantamento, os valores destinados ao impulsionamento variaram entre R$ 100 e R$ 699, sendo a faixa de R$ 300 a mais recorrente. Entre os citados está o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apontado como o que teria investido o maior valor, entre R$ 600 e R$ 699.
Também consta na lista o empresário Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente e pré-candidato a deputado federal pelo PL, além de diversos influenciadores digitais.
Conteúdo das publicações Segundo o documento, as postagens patrocinadas criticavam o desfile e associavam o presidente a casos de corrupção, além de fazerem ironias direcionadas a grupos religiosos, especialmente evangélicos. Uma das alas da escola trouxe latas com a inscrição “família em conserva”, o que foi explorado nas críticas, segundo Forum.
Uma das publicações citadas é do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (Solidariedade-SP). O vídeo utilizou inteligência artificial para exibir Lula fantasiado na Avenida Marquês de Sapucaí, ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
No conteúdo, o presidente aparece em um carro alegórico com bandeiras contendo as palavras “mensalão”, “petrolão” e “roubo do INSS”, enquanto samba recebendo dólares e reais. Um refrão criado para o vídeo diz: “Eu sou o Lula, e você me conhece, prometi picanha e entreguei confete. Mas não se estresse. Sou Lula, me dá um dinheiro aí”.
Reação Questionado sobre o impulsionamento pago, Paulinho da Força afirmou que utilizou recursos próprios. “Se eles pagaram o carnaval, por que a gente não pode pagar o impulsionamento de uma postagem na rede social?”, declarou, em referência aos R$ 12 milhões destinados pelo governo às escolas de samba. “O PT vai entrar na Justiça falando o quê? O dinheiro usado foi meu, não foi dinheiro público”, acrescentou.
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Compositor afirma que enredo é narrativo, não eleitoral, e relata emoção de Lula ao ouvir o samba no Palácio da Alvorada
Quando as sirenes tocarem na Marquês de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro, às 22h deste domingo (15), a Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, estará fazendo história: será a primeira escola de samba da folia carioca a homenagear um presidente da República em atividade no cargo. A escola levará para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de críticas por parte de políticos da oposição: afirmam que se trata de um desvio de finalidade para autopromoção e suposta campanha eleitoral antecipada. Os parlamentares questionam o repasse de verbas públicas, que são destinadas para todas as escolas, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou os fundos após não constatar favorecimento. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral e o partido Novo entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até o momento, todas as ações foram rejeitadas.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, anunciou que desfilará em um carro alegórico no desfile. A atriz, cineasta e apresentadora do programa Precisamos Conversar, do canal ICL Notícias no YouTube, Juliana Baroni vai representar a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Juliana reviverá a personagem que interpretou no cinema em 2009.
O ICL Notícias conversou com o compositor Paulo César Feital, um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói. Ele tem bastante experiência nessa tarefa. Compôs 13 sambas-enredo que embalaram desfiles na Sapucaí — com dois deles, foi campeão do Grupo Especial.
Feital deu detalhes da homenagem feita pela escola e rebateu as críticas por parte da oposição ao governo Lula. “Não é propaganda, é narrativa histórica”, definiu. Além dele, também participaram da composição do samba a cantora Teresa Cristina, André Diniz, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.
“A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba, ou age de má-fé”, diz o compositor. “As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem”, completa Paulo César Feital.
O compositor rebateu às críticas feitas pela senadora Damares Alves ao enredo da Acadêmicos da Niterói, com referência a um episódio em que a parlamente, que é pastora, durante uma pregação, disse que havia encontrado “Jesus em cima de um pé de goiaba”.
“É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar?”, rebateu Paulo César Feital ao ICL Notícias.
Leia a entrevista com Paulo César Feital ICL Notícias – Você é um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói para 2026. Como foi o processo de criação e que mensagem ele pretende transmitir?
Paulo César Feital – Esse samba nasceu a partir de um convite da Acadêmicos de Niterói, o que já foi um prazer enorme, até porque o enredo tem tudo a ver comigo e com a minha trajetória. É um samba descritivo da vida de Luiz Inácio Lula da Silva, contado a partir da voz da mãe dele. E isso foi fundamental. Não é um samba de propaganda. É um samba narrativo, que fala da história de vida, da caminhada, das dificuldades e da formação dele como personagem histórico.
Acredito que deu muito certo porque é um samba que caiu na boca do povo. Ele é cantado, comunicativo, emocional, e isso é essencial em um samba-enredo.
O samba traz passagens que falam da luta contra a ditadura e cita personagens históricos. O que isso representa para você, pessoalmente, que lutou contra o regime militar?
Representa muito da minha própria vida. Eu participei ativamente da luta contra a ditadura, estive nas ruas, vivi esse período intensamente. O samba fala de ‘Zuzu Angel, Henfil e Wladimir’, eu pensei em colocar outros lutadores da época, mas não dá, senão ele ficaria enorme.
Minha vida sempre foi essa: a luta pelo Estado Democrático de Direito, não só no Brasil, mas no mundo. Por isso, eu acho que esse samba fala muito com o momento atual, de forma universal.
O samba recebeu elogios, mas houve críticas. Como você vê isso?
Isso era absolutamente esperado. Vivemos num país extremamente polarizado. Houve críticas muito boas do ponto de vista técnico e artístico, mas também ataques ideológicos, inclusive ofensivos. Eu até comentei: se fosse um enredo sobre Trump, Hitler ou qualquer outro personagem controverso, as contradições também apareceriam.
Esse samba tem tudo a ver comigo, com a nossa parceria, com a comunidade, com Niterói.
Vocês chegaram a se encontrar com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Como foi esse encontro e a reação dele ao samba?
Foi emocionante. O encontro estava previsto para 30 minutos e acabou durando quase duas horas. Quando o presidente começou a ouvir o samba, ele caiu em prantos, chorou muito. Virou uma verdadeira roda de samba no Palácio da Alvorada.
Ele se comoveu profundamente porque o samba é contado pela mãe dele. É uma história real: uma mulher que sai do Nordeste a pé, com os filhos, em busca de sobrevivência em São Paulo. Aquilo tocou muito ele — e a todos nós. Foi um momento muito bonito.
O refrão já caiu no gosto popular. O que vocês esperam da reação do público e também daqueles que são contrários ao presidente Lula?
Reação contrária sempre vai haver, isso é óbvio. O país está polarizado. Mas tecnicamente o samba é muito forte: é extremamente cantado, tanto na avenida quanto na arquibancada. Isso é incontestável.
O que a gente vê hoje é um confronto diário entre a luta pelo bem-estar social e a ignorância, entre democracia e autoritarismo. E o samba se posiciona claramente do lado da democracia.
Alguns críticos dizem que o samba seria uma peça de propaganda política. Como você responde a isso?
É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar? A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba ou age de má-fé.
As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem.
Quais são suas expectativas para o desfile?
Espero um desfile sério, bonito, alegre, feito com dignidade. Que a escola passe bem e consiga permanecer no Grupo Especial. Essa é a grande esperança. A Acadêmicos de Niterói tem mostrado muita força e união, e isso é fundamental.
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