No Twitter, por exemplo, o presidente já aparece tecnicamente empatado com Lula (PT).
Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV sobre o desempenho dos presidenciáveis nas redes sociais aponta para tendência de queda de Jair Bolsonaro (PL) em todas as plataformas, segundo Painel da Folha.
É a primeira vez que a liderança de Bolsonaro nas redes aparece ameaçada.
No Twitter, por exemplo, o presidente já aparece tecnicamente empatado com Lula (PT). Já no YouTube, Ciro Gomes (PDT) ficou bem próximo no número de engajamento em postagens.
A FGV analisou 82,2 milhões de interações nos perfis oficiais de Bolsonaro, Lula, Ciro, Marina Silva (Rede), João Doria (PSDB) e André Janones (Avante). As postagens foram entre os dias 1 de novembro e 19 de dezembro.
No YouTube, Ciro chegou a ficar à frente de Bolsonaro em três das sete semanas analisadas. O pedetista apresentou picos durante a última semana após ser alvo de uma operação da Polícia Federal em 15 de dezembro.
A chegada de Lula em Bolsonaro se deu também no Instagram e, segundo a FGV, a melhora no desempenho do petista tem relação com posts sobre sua viagem à Europa e a entrevista concedida ao podcast Podpah.
Sergio Moro se manteve como terceiro candidato com mais interações no Twitter e no Instagram. Janones se destaca no Facebook, onde é o terceiro colocado em interações, mas tem baixa atividade nas outras plataformas. Marina e Doria apresentam baixa interação em todas as redes.
No início de dezembro, o chefe da diretoria da FGV, o sociólogo Marco Aurélio Ruediger, que disse ao Painel que a grande repercussão do Lula no Podpah poderia marcar um novo momento de participação da esquerda nas redes sociais, ambiente que tem sido de domínio hegemônico da direita nos últimos anos.
Ruediger também afirmou à época que o modelo das lives de Jair Bolsonaro (PL) mostrava desgaste.
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Toda essa campanha feita pela mídia contra a possível aliança entre Lula e Alckmin, tem nos servido de memoriol para que não esqueçamos, em última análise, que Bolsonaro só chegou aonde chegou porque foi rebocado e colocado na cadeira da presidência pela grande mídia, o que, grosso modo, podemos dizer que todas as tragédias que se abateram sobre centenas de milhares de famílias que perderam seus entes queridos para a covid têm na mídia brasileira a principal culpada por toda a condução perversa de um fascista como Bolsonaro.
A economia em frangalhos, os 30 milhões de brasileiros na mais absoluta miséria, a precarização de um número incontável de trabalhadores e os 15 milhões de desempregados fazem parte do mesmo pacote de culpa da mídia por ter trabalhado intensamente e com as armas mais sujas para que Bolsonaro chegasse aonde chegou.
Essa obsessão estampada em manchetes e matérias dos Mervais da Globo sobre a aliança de Lula com Alckmin, numa tentativa de envenenar os caminhos para que Lula não volte ao poder e, consequentemente os pobres não voltem a fazer parte do orçamento, não é fruto de outra coisa senão o neofascismo que se confunde com o neoliberalismo do qual a mídia brasileira é a parte mais importante.
Moro, como fica cada dia mais claro, nunca existiu, não naquele formato heroico, destemido de um novo caçador de marajás, aquilo foi um bate-entope requentado de Collor de Mello e, como tal, apresenta todos os dias um exemplo claro de que o ex-juiz todo poderoso conseguiu ser bem pior do que seu inspirador.
Moro é de um analfabetismo intelectual insuperável, é de um provincianismo que vai muito além do manual de um jacu, de um bocó que revela o nível de fragilidade institucional e intelectual com que atravessa o sistema judiciário de Estado brasileiro.
A pergunta que se faz é como um sujeito desse teve tanto apoio dentro das quatro linhas do nosso sistema de justiça? E se não foi pelos seus ativos intelectuais, já que não os tem, a coisa se torna ainda pior, porque foi pela doutrina da mesma mídia neofascista que não faz outra coisa, senão tentar destruir o máximo que pode as instituições do Estado e, lógico, o Estado em si para que o setor privado na sua parte mais canibal e poderosa imponha suas regras, sobretudo naquilo que mais sova as costas dos brasileiros, o sistema financeiro que hoje encontra uma bandalha tão totalmente entregue aos espúrios banqueiros e rentistas nacionais e internacionais que a inflação que já chegou a dois dígitos, cobra taxas de juros anuais de 1000% sem que ninguém da grande mídia tenha coragem de escrever isso no rodapé de qualquer jornalão, mesmo na página mais esquecida do periódico.
Há uma nítida fotografia na nossa frente, diria mais, nunca essa fotografia foi tão explícita, tão explicativa, cabendo a cada um de nós denunciar essa pilhagem, esse saque diário que as elites produzem nesse país para fazer uma transfusão ininterrupta de todo o fruto da riqueza produzida no Brasil para os cofres do 1% dos mais ricos.
Isso não é nem capitalismo, é neofascismo direto na veia. E é esse sistema que a mídia brasileira opera diuturnamente para sustentar e ampliar, e não há limites, muito menos restrição de nomes, condutas ou práticas para isso, o que explica a ascensão de crápulas como Moro e Bolsonaro e tudo o que orbita em torno desses dois personagens nefastos da história da República brasileira.
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“A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso midiático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.” – (Eduardo Galeano)
O que se viu no governo Lula foi a inclusão do pobre no orçamento. O que não falta na sociedade de consumo é slogan vazio em busca de uma síntese de impacto que cause.
Lembro-me perfeitamente bem que, no auge da indústria cultural de massa do modismo que estava na frase que, mais que a qualidade artística, o artista tinha que ter uma atitude comportamental diferente “revolucionária” pela ótica dos mercadores da cultura.
Lógico que slogan político não nasceu hoje e nem vai morrer agora. O que se tem no horizonte é a inevitável busca por conteúdo concreto, menos palavrórios, mais bola no chão, porque a vida concreta das pessoas com essa dinâmica nova que a revolução digital provocou, é que vai cada vez mais reger a orquestra.
Não há slogan possível para transformar uma péssima arte em algo minimamente palatável. Os slogans vazios, de tão efêmeros, quando funcionam têm vida extremamente curta, como mostra a história da indústria fonográfica.
Por mais que os mercados queiram nos transformar em algoritmos com manipulações grosseiras, a fome continua sendo a fome para quem não tem alimento. O desabrigo e o desamparo continuam sendo os mesmos para quem não tem um teto para se abrigar e dorme ao relento.
A mortalidade infantil em decorrência da miséria segue matando crianças desnutridas, independente das frases de efeito que se possa produzir.
Números são números, realidade é realidade, pessoas são pessoas.
Os slogans cabem no universo da especulação quando não há parâmetro de determinada ação futura. E isso está longe de ser fato diante do histórico dos oito anos do governo Lula e mais quatro em que Dilma pôde governar.
Com ou sem carta ao povo brasileiro, com vice A, B ou C, com todas as verdades absolutas ditas pelos sábios de plantão, o que foi produzido em termos de revolução social nesse país durante os governos Lula e Dilma, não cabe no mapa de qualquer slogan, mas o sentimento profundo de cada brasileiro.
Por isso, não é sem motivos que, depois do massacre midiático criminoso durante anos a fio, na tentativa de assassinar a reputação de Lula, Dilma e do PT, Lula, que sequer aparece na grande mídia para dirigir uma palavra à população por uma censura sórdida, é um verdadeiro coqueluche nacional, confirmando o que as pesquisas já escancaram, porque seu nome, pelas ações que teve e não pela tal “carta ao povo” está tatuado no coração do povo brasileiro, sobretudo nas camadas mais pobres da população que não estão nem um pouco interessadas nessas avaliações rasas e de pouca inteligência que sentenciam de maneira medíocre algo de uma complexidade humana gigantesca com uma frase tão boboca quanto inútil diante da correnteza do rio que corre para o mar.
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Cruzamento com dados da pesquisa Ipec indica volta deste eleitorado ao PT.
Cruzamento realizado com dados da pesquisa Ipec divulgada na semana passada mostra que os eleitores de menor remuneração, cuja renda familiar mensal vai até um salário mínimo, e aqueles que moram em municípios nas periferias de grandes centros urbanos são hoje os que mais acenam com a intenção de migrar do presidente Jair Bolsonaro (PL) para o ex-presidente Lula (PT) na eleição presidencial de 2022. Entre os que declararam ter votado em Bolsonaro em 2018, segundo o Ipec, 45% apontam intenção de repetir o voto. Já os outros 55% indicam outras opções, inclusive a hipótese de votar branco ou nulo.
A pesquisa do Ipec, realizada entre 9 e 13 de dezembro, apontou que Lula é o principal herdeiro dos eleitores de Bolsonaro, dos quais 22% dizem que votariam no petista hoje.
O percentual que migra para Lula sobe para 32% entre os mais pobres, considerando os eleitores que já declaram agora intenção de votar em algum candidato, em branco ou nulo. Já entre moradores da periferia, categoria que inclui, por exemplo, habitantes de cidades da Baixada Fluminense e da Grande São Paulo, 37% dos que votaram em Bolsonaro em 2018 e já manifestam alguma intenção de voto hoje apontam preferência por Lula.
Na avaliação do cientista político Oswaldo Amaral, diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), da Unicamp, que realizou o cruzamento com base nos microdados da pesquisa Ipec, os números indicam um “retorno” do eleitorado que se distanciou do PT na última eleição.
— Em 2018, o PT perdeu votação expressiva nas periferias de grandes cidades, em um contexto de problemas econômicos do governo Dilma, casos de corrupção e alta do antipetismo. Depois de três anos de governo Bolsonaro, parece haver uma avaliação de que a situação atual é pior, especialmente em termos de renda e desemprego — afirmou Amaral.
No segundo turno entre Bolsonaro e o petista Fernando Haddad, o então candidato do PSL teve mais de dois terços dos votos válidos em municípios como Belford Roxo e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em Itaboraí e São Gonçalo, parte da Região Metropolitana do Rio, e em Guarulhos e Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Bolsonaro também derrotou Haddad em redutos petistas do ABC paulista, como Diadema e São Bernardo do Campo
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Imprensa brasileira comandada pela oligarquia está profundamente incomodada com a aliança Lula-Alckmin. Isso significa duas coisas, a aliança fortalece Lula e deixa claro que essa mesma mídia vai dobrar a aposta em seu apoio ao genocida.
É disso que falamos nesse bate papo.
Assista:
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The Intercept – Por Fabiana Moraes: “Divergências”, “ataques”, “rivais”, “inimizade”, “ofensas”: quando os primeiros boatos sobre a possível chapa Lula-Alckmin começaram a circular, diversos termos que indicavam animosidade entre os dois políticos pulularam no noticiário. Era hora de lembrar de antigos debates, acusações, ofensas; de um venenozinho aqui, outro venenozinho acolá. Refrescaram ativamente a nossa memória: cês tão lembrados que um já chamou o outro de “leviano”, que por sua devolveu com um “mentiroso”? Ai que delícia, é briga!
Esta recente produção jornalística sobre a provável dupla exemplifica como jornais e jornalistas agem muitas vezes tal qual um veículo voltado para a vida afetiva das celebridades, narrando dramas, separações e uniões de personagens que não parecem, por exemplo, legislar sobre nossas vidas, mas sim estrelar um novelão meio ruim. Ok, sabemos que há tempos política e entretenimento são também uma coisa só – não esqueçamos que Trump e Doria, por exemplo, saíram de reality shows –, mas estamos falando de uma cobertura diária que insiste em tratar como anormais questões absolutamente comuns e pertinentes ao campo da política, como acordos, disputas, coligações, uniões estratégicas etc. Além disso, essa cobertura ainda confere papéis bastante marcados a todos: há sempre um vilão (Bolsonaro? Lula? Xi Jinping?), um mocinho (Moro? Dallagnol? Biden?), um monstro (a corrupção) e uma vítima (nós, a sociedade).
Isso tem um custo social – e ele é alto: ao preferir “vender” ao público a ideia de que aquele espaço é povoado apenas por pessoas de caráter duvidoso que se juntam e se repelem sem maiores justificativas e ao contribuir com o senso comum do “político é tudo igual”, a imprensa acaba destruindo a própria política. E vocês sabem: esse desprezo por esse lugar central da nossa vida nos levou até um anti-sistema de araque que usa a faixa presidencial, manda mensagens no WhatsApp às quatro da manhã e corre atrás de militares e emas enquanto o país é depenado.
Dizer isso não é fechar os olhos para conluios realizados com o único objetivo de se apropriar do dinheiro público e garantir benesses pessoais – sim, espaços como o Congresso estão repletos deles, taí o orçamento secreto para nos mostrar (o jornalista Breno Pires vem traduzindo bem o esquema há tempos). Mas uma cobertura baseada tanto em fla-flus quanto na espetacularização de operações – te invoco, Lava Jato – não trouxe efetivamente nenhuma melhoria para que este Congresso honrasse os votos recebidos, pelo contrário.
Em uma análise da imprensa que inclui outros espaços midiáticos levando em consideração capas de revistas, manchetes, memes e redes sociais, a pesquisadora Yvana Fechine, da pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, a UFPE, percebe que, no Brasil, a abordagem melodramática é a marca por excelência da cobertura noticiosa da política. “Ela é marcada pela redução da realidade a dramas morais e à fixação de atores políticos em certas identidades, em papéis temáticos, como o vilão e o ladrão, e na qual o tema da corrupção é bem vocacionado para esse tipo de narrativa”.
Nesse sentido, a famosa “polarização”, palavrinha doce entre jornalistas que pesam na mesma balança carroça e avião, extrema direita e centro-esquerda, é o espaço perfeito para a fixação destes personagens onde não cabe qualquer complexidade: o caçador é sempre caçador, a bruxa é sempre má, a mocinha está sempre à espera da salvação. “O melodrama é essa cristalização de certos papéis nos quais os personagens não têm nenhuma subjetividade, nenhum psicologismo. Isso dialoga muito com a importância do melodrama nos países latino-americanos, em especial as telenovelas. É um sistema de personagens sem profundidade, do tipo dominador e dominado, o bem versus mal, os decentes versus os indecentes. Dentro desse jogo de papéis, o povo é sempre a vítima”, continua Yvana.
De fato, o personagem da corrupção é aquele mais evocado para garantir audiências e dar emoção à novela. Ele é difuso, generalizado, tem muitos dentes e está sempre ali, pronto para atacar. Lembro bem como ele era repetido continuamente no Jornal Nacional, nos anos 90, assombrando a hora do jantar da minha família. Ao mesmo tempo, nos apresentavam em rede nacional justamente um herói que iria salvar o Brasil da peste: Fernando Collor de Mello. Como no caso do presidente anti-sistema de araque, vocês também sabem onde essa história foi parar.
Mais recentemente, a receita foi novamente oferecida, com a imprensa elegendo Moro e Deltan como o Batman e o Robin que iriam nos livrar da corrupção então personificada pelo Charada, o ex-presidente Lula. Pode soar como brincadeira, mas o fato é que a operação causou um impacto enorme no setor social e econômico do país, como observou uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese: R$ 172,2 bilhões deixaram de ser investidos no país de 2014 a 2017. Além disso, 4,4 milhões de empregos teriam sido extintos. O assunto foi discutido pelo advogado Walfrido Warde no livro “O Espetáculo da Corrupção”, no qual ele analisa os maiores erros da força-tarefa empreendida pelo MPF de Curitiba.
O autor compara a corrupção a um câncer sistêmico que, sem dúvida, precisa ser combatido, mas percebe os muitos efeitos colaterais do modus operandi comum, também, a setores da imprensa. A demonização da política, a desmoralização das instituições e a espetacularização das ações estão entre as práticas mais danosas. Ele argumenta que a concepção de uma política nacional de combate à corrupção precisa, por exemplo, de uma ação articulada entre órgãos e agentes públicos que trabalhem buscando parceria, e não protagonismos e estrelato – é impossível não lembrar aqui dos citados juiz e procurador de Curitiba que, após tornarem-se celebridades, vão em busca de cargos políticos. Para Walfrido, é preciso “uma política que se afaste do moralismo barato e alienado, que seja capaz de distinguir e de separar o que tem utilidade daquilo que não presta, e que prefira o pleno ressarcimento dos cofres públicos à vingança”.
Pois é.
Criador do canal e podcast Fora da Política Não Há Salvação, o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas, pensou o programa justamente para discutir e popularizar a conjuntura política nacional sem simplificações que mais embotam do que iluminam a temática. Cláudio há muito percebe a criminalização da política e dos atos costumeiros à mesma, como acordos e coalizões.
Além disso, falácias como atribuir uma maior qualidade a uma pessoa porque ela tem mais perfil “técnico”, e não político ou ideológico (como vimos extensamente na cobertura da pandemia), também contribuem para que o olhar público sobre espaços como assembleias legislativas e poder judiciário seja sempre enviesado. “É preciso lidar com a política como um dado da realidade, e isso implica em defender a democracia”, diz ele, um crítico do termo “polarização” como sinônimo de “extremo”. “É uma posição preguiçosa, que considera atores do campo democrático antigos como PT e PSDB no mesmo espaço de um radical extremista como Bolsonaro. Ao mesmo tempo, essa imprensa é incoerente, pois se referia a Viktor Orbán como sendo da extrema direita”, continua ele se referindo ao ultradireitista primeiro-ministro húngaro, uma referência para o (infelizmente) presidente brasileiro.
Com o melodrama correndo solto – e a desinformação idem –, o grande desafio de quem procura traduzir o cotidiano da política no debate público é ainda maior. Assim como Cláudio Couto, Yvana Fechine também tem, ao lado de professoras/es e alunas/os da UFPE, realizado debates políticos em um programa de rádio/podcast, o Fora da Curva. Ela assume que a tarefa não é simples. “Quando a imprensa reduz tudo isso a papéis e a narrativas simplificadas, esvazia a própria complexidade da política, um desserviço para população. A dificuldade é encontrar um discurso que não seja redutor e simplista, que seja compreensível para uma população que muitas vezes não tem formação política”.
Um exemplo, diz Yvana, são as diversas matérias sobre o preço da gasolina, que trazem números vários, mas não evidenciam que o valor alto do combustível está diretamente associado a uma decisão comemorada pelo mercado e parte da imprensa em 2016, quando a Petrobras passou a acompanhar o preço de commodities praticado no mercado internacional. “A busca é por uma abordagem crítica, um pensamento feito com profundidade e ao mesmo tempo que traduza a realidade. Não é entendendo que a audiência é formada por Homers Simpsons, mas superando os clichês redutores”.
Um dos casos recentes mais interessantes da popularização do debate político se deu através de uma iniciativa entre a cantora Anitta e a advogada e professora Gabriela Prioli, que se uniram ano passado para realizar uma série de lives sobre política. As perguntas são super básicas – e por isso mesmo importantes para quem tem pouco conhecimento sobre a política brasileira e quer se iniciar. “O que são os três poderes?”, pergunta a cantora, que escuta da também apresentadora quem são os atores de cada âmbito em nível federal, estadual e municipal, assim como suas responsabilidades.
Na época, várias pessoas criticaram a ação – ou melhor, o desconhecimento de Anitta sobre o que membros das assembleias legislativas, por exemplo, fazem a partir do momento em que são eleitos (mas e um presidente da República, que não conhecia uma autarquia que está sob a responsabilidade dele, o Iphan?). “É pedantismo puro, foi uma ação superlegal, que produz efeitos importantes, que abre espaço. O caminho é muito por aí”, diz Cláudio. Concordo: é somente, por exemplo, compreendendo de saída quem é quem nos espaços de poder que apitam na vida pública, quais são suas funções, limites e responsabilidades, que podemos localizar melhor os diversos atores (eleitos ou não) que frequentam as manchetes dos jornais. A partir daí, tenho fé, vamos achar mais absurdas ou no mínimo risíveis matérias como esta, publicada na revista Veja, na qual tanto o título quanto o texto se perguntam se Lula e Alckmin são, agora, “novos amigos”.
Não, isso é política – e, no caso do Brasil, sobrevivência –, estúpido.
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Não entrei e nem entrarei nesse debate sobre a possível chapa de Lula e Alckmin.
É uma operação de guerra como qualquer disputa política. Isso está longe de determinar alguma coisa costurada, além de alianças nos estados.
O sangue começa a correr mais quente nas veias da militância que sonha com aquilo que ela idealiza, o que é absolutamente natural, o que não significa que seja eficaz para vencer uma eleição e até mesmo governar.
Por isso não entro nesse debate. Não conheço a dinâmica nacional de uma campanha presidencial, mas ela existe e, muitas vezes, revela realidades que não contemplam nossos desejos por inteiro, sobretudo num país com uma diversidade cultural tão grande quanto a nossa.
O medo de Lula se render ao neoliberalismo, representado por Alckmin, não faz sentido. Meirelles foi presidente do Banco Central no governo Lula e não o impediu de implantar os mais importantes programas sociais que esse país já viu.
José Alencar, o vice de Lula, nunca foi alguém que tivesse qualquer inclinação à esquerda, mas jamais quis melar os avanços sociais que o Brasil teve nos dois mandatos de Lula.
O PT não nasceu em uma grota, nasceu debatendo e negociando abertamente com todos os setores da sociedade e toda a sua história vitoriosa foi construída assim.
Vencer Bolsonaro não é simplesmente vencer uma eleição ou um candidato de direita. Bolsonaro rompeu todas as barreiras de civilidade e está enfiado até o pescoço num projeto fascista sonhado por ele e os generais boquinhas que têm um apego doentio pelo poder e, por isso, formulam todos os caminhos antipovo que Bolsonaro tem como bandeira principal.
Ou seja, é bola pro mato que o jogo é de campeonato.
Dito isso, reservo-me o direito de não opinar sobre o jogo de xadrez eleitoral que o PT tem que jogar, como é da natureza da democracia.
Lula e Dilma já nos deram exemplos de sobra que não são madeiras que o cupim neoliberal consegue roer.
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O astrólogo Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, criticou o presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (20) durante participação em uma live chamada ConservaTalk e admitiu que a “a briga já está perdida”, em referência às eleições de 2022. Pesquisas apontam que o ex-presidente Lula (PT) venceria a disputa contra Bolsonaro no primeiro turno.
“Não venham com esperanças tolas. A briga já está perdida. Existe chance de voltar [a vencer]? Existe uma chance remota, se o Bolsonaro acordar. Eu não sei como fazer o Bolsonaro acordar”, disse Olavo.
Olavo ainda voltou a negar que seja “guru” de Bolsonaro e disse que foi usado pelo presidente. “Eu conversei com ele quatro vezes na minha vida e eu duvido que ele tenha lido um livro meu inteiro. Se ele tivesse lido, muita coisa que ele fez não teria feito”, declarou.
“A minha influência sobre Bolsonaro é zero, ele me usou como poster boy para se promover e se eleger”, completou. Olavo voltou a reclamar da retirada de pessoas próximas a ele de postos chave no governo. O guru afirmou que indicou dois ministros para o governo após ter recusado integrar o gabinete do presidente.
Participaram da transmissão três ex-ministros do governo Bolsonaro: Abraham Weintraub (Educação), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). O deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP) também esteve no podcast.
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Líder nas simulações de 1° turno, o ex-presidente Lula (PT) venceria todos os pré-candidatos em um eventual 2° turno.
De acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (20/12) pelo Ipespe, o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial de 2022 com ampla vantagem.
Líder nos cenários de primeiro turno, o petista ganharia de todos os pré-candidatos em um eventual segundo turno. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 16 de dezembro, com 1.000 pessoas, por meio de ligações telefônicas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O ex-presidente venceria o atual chefe do Executivo federal, Jair Bolsonaro (PL), por 53% a 31%. Caso o segundo turno fosse entre Lula e Sérgio Moro (Podemos), o petista ganharia com 52% contra 33% para o ex-juiz.
Veja os outros cenários simulados pela pesquisa:
Lula 52% X 25% Ciro
Lula 53% X 22% Doria
Ciro 44% X 33% Bolsonaro
Doria 43% X 36% Bolsonaro
Governo Bolsonaro
A pesquisa também solicitou aos entrevistados que avaliassem o governo Bolsonaro. De acordo com o levantamento, 54% afirmaram que o governo é péssimo ou ruim, 24% classificaram a gestão federal como boa ou ótima e 22% acharam o governo regular.
Já o Congresso Nacional tem uma atuação péssima ou ruim para 46%, enquanto 39% avaliam o Legislativo como regular e 9% como bom ou ótimo.
*Com informações do Metrópoles
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Antes de falar no avançado estado de decomposição de Bolsonaro e perguntar o que sobrará dele até outubro de 2022, vamos a alguns detalhes: Datafolha: Lula é melhor presidente da história para 51%, e Bolsonaro, o pior para 48%.
Como se pode observar, Bolsonaro tem a coerência do histórico da direita no Brasil: Nenhum presidente de direita saiu com mais aprovação que reprovação. Sempre perderam pra eles mesmos.
A direita está sempre em disputa interna quando o assunto é o pior presidente. FHC, Collor, Figueiredo, Sarney, Temer e Bolsonaro estão sempre se estapeando pra ver quem foi o pior aos olhos do povo.
Diante dessa inquestionável realidade, a pergunta é inevitável, sobretudo porque a montanha de estupidez de Bolsonaro até lá deve dobrar de tamanho. O sujeito tem uma inteligência inferior à de um chimpanzé. E muita gente esquecerá, por razões óbvias, que um dia chamou esse animal de mito.
Mesmo que não haja um ponto de vista concreto numa diferenciação dos números de reprovação de seu governo em relação a outros presidentes de direita, resultante de verdadeiras hecatombes sociais e econômicas provocadas por gestões mórbidas, Bolsonaro ainda tem muito carvão para queimar até outubro e tem talento suficiente para ser coroado como a besta das bestas, como o estúpido dos estúpidos, o maior dos maiores imbecis da história do Brasil.
O sujeito tem luz própria quando o assunto é nulidade, incapacidade de um pensamento minimamente racional. Bolsonaro sempre teve orgulho de sua burrice, acompanhado de uma vagabundagem que não lhe permitiu em todos esses anos de vida pública produzir uma única centelha que pudesse ser chamada de trabalho, mesmo no sentido figurado.
Mas todos sabem que ele é um inútil orgulhoso. E aqui nem se fala no mar de corrupção e demais crimes cometidos por ele e todo o clã, muito menos comparando Bolsonaro a qualquer outro infame presidente de direita e seus retumbantes fracassos na gestão da coisa pública, é Bolsonaro com Bolsonaro, osso com osso.
E tudo indica, como já mostra seu arrastado mandato, que aquele que já foi um dia mito dos tolos, terá nesse ano de 2022 sua pior performance. E lógico, deixará o país numa situação gravíssima, tanto que a pergunta que mais se faz é, que resto de país Bolsonaro deixará quando for cuspido da presidência da República?
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