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As 96 mensagens de Flavio e Vorcaro, 90 dias antes da prisão

Nas 50 mensagens do senador, 46 do banqueiro e oito ligações atendidas, um universo de encontros e milhões de dólares – eis o que mostra o chat encontrado pela PF

nze meses decorreram entre a primeira e a última tentativa de Flávio Bolsonaro de falar com Daniel Vorcaro, segundo mensagens registradas no celular do banqueiro. O primeiro contato ocorreu às 22h10 do dia 16 de dezembro de 2024, por iniciativa do senador. Quase um ano depois, em 16 de novembro de 2025, às 15h46, Flávio Bolsonaro escreveu a última mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” Referia-se aos dólares que vinha recebendo do banqueiro. No dia seguinte a essa mensagem, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.

A extração de informações e documentos do celular de Vorcaro feita pela PF, e obtida com exclusividade pela piauí, permite reconstituir essa relação de ponta a ponta. O diálogo entre os dois tem 110 registros. São 50 mensagens de Flávio, 46 de Vorcaro e 14 ligações – oito delas atendidas. Entre as mensagens do senador, há cinco fotos e vídeos de visualização única, enviados na semana anterior à prisão do banqueiro, e uma mensagem apagada, em 23 de setembro de 2025.

Chat entre Flávio e Vorcaro, extraído do celular do banqueiro pela PF em 18 de novembro de 2025. Relógio ilustrativo: 9h40, hora de conclusão da cópia.

O conjunto mostra um clima de camaradagem entre os dois, com troca de amabilidades e sondagens. Das mensagens, pode-se depreender que a entre o senador e banqueiro tinha um certo grau de afinidade pessoal (as expressões “irmão”, “irmãozão” e “mermão” aparecem dezesseis vezes), mas se concentrava no âmbito dos interesses mútuos. No caso do banqueiro, era garantir sua influência junto à família Bolsonaro. No caso do senador, era o dinheiro: a intrincada negociação sobre remessa de dinheiro aos Estados Unidos e as insistentes cobranças que o senador fazia para o banqueiro para que liberasse os dólares atrasados.

As conversas se concentram entre agosto e novembro de 2025, mas isso não significa que não tenham existido diálogos nos meses anteriores. É que, após a primeira interação, o recurso de mensagens temporárias foi acionado por Flávio Bolsonaro, e as mensagens eram apagadas depois de 90 dias. Por isso, não é possível ver as interações de 16 de dezembro de 2024 a 17 de agosto de 2025. Foi nessa janela temporal que Vorcaro depositou 10,6 milhões de dólares com a justificativa de patrocinar a cinebiografia de Jair Bolsonaro – o nome Dark Horse não aparece nas conversas, mas eles se referem ao projeto como “o filme”.

Ainda assim, a partir de diálogos encontrados no celular do banqueiro com outros interlocutores e intermediários de Flávio pode-se concluir que eles mantiveram contato nesse hiato. Era um momento-chave na concepção da candidatura do senador. Flávio Bolsonaro sondava Vorcaro não apenas por meio de terceiros, mas também pessoalmente. Já se sabe que, após a primeira prisão de Vorcaro, já solto e com tornozeleira eletrônica, o banqueiro recebeu Flávio em sua casa, em São Paulo, no dia 4 de dezembro. No dia seguinte, Flávio confirmou a pré-candidatura à Presidência da República.

A relação entre os dois ocorreu ao longo do período de maior vulnerabilidade do banqueiro. Desde o fim de 2023, Vorcaro buscava proteção de autoridades do alto escalão da República, como a cúpula do Congresso e ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Sabedor de seus pecados, o banqueiro buscou blindagem em todos os cantos, como dizem fontes ouvidas pela piauí. “Ele acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo”, resume um político que pediu para não ser identificado.

Flávio Bolsonaro escondia sua proximidade com Vorcaro até de aliados importantes da política – um sinal de que ele próprio suspeitava de problemas nessas interações. Depois que o escândalo estourou, em maio deste ano, Flávio mentiu repetidas vezes. Disse que não conversava com Vorcaro e que não havia dinheiro do Master no Dark Horse. Afirmou que o último pagamento para a produção do filme ocorrera em maio de 2025 e que sua visita ao banqueiro depois da prisão foi “para botar um ponto final” nos negócios entre eles. A dureza da expressão “ponto final” usada em público contrasta com a forma amável e cordial com que os diálogos eram conduzidos em privado. Por fim, alegou que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro. Em todas as ocasiões, foi desmentido pelos fatos.

A relação fugidia entre o senador e o banqueiro está sob investigação desde julho de 2026 em razão da captação de dinheiro de Vorcaro para o Dark Horse envolvendo uma empresa que, agora se sabe, é investigada por suspeita de lavar dinheiro do PCC. O inquérito apura crimes financeiros nos repasses ao fundo americano Havengate, que recebeu dinheiro enviado a mando de Vorcaro por meio da empresa Entre Investimentos, do doleiro Antônio Freixo Junior, bem como o possível uso desses recursos em finalidades que não eram a cinebiografia de Jair.

Entre 16 de dezembro de 2024 e 20 de agosto de 2025, a conversa entre os dois está em branco. A piauí, no entanto, reconstituiu esse intervalo a partir das mensagens que Vorcaro trocou com outros interlocutores: o empresário Thiago Miranda, então presidente do Portal Leo Dias; o deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura de Jair Bolsonaro; o cunhado e operador financeiro do banqueiro, Fabiano Zettel; e o amigo Flávio Carneiro, que chama o senador Flavio Bolsonaro de “meu xará”.

Nessas conversas, Flávio Bolsonaro aparece marcando reuniões, apresentando aliados, oferecendo acesso ao pai e cobrando o dinheiro prometido para a cinebiografia. Ao longo de onze meses, as conversas registram encontros marcados entre os dois em pelo menos seis ocasiões – de uma reunião na casa de Vorcaro em Brasília, em dezembro de 2024, a um jantar com o ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no Dark Horse, na casa do banqueiro em São Paulo, em novembro de 2025.

Uma parte dessas reuniões já foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo. O único encontro publicamente admitido por Flávio aconteceu depois da prisão, naquela reunião, ocorrida em 4 de dezembro de 2025, na véspera do anúncio da pré-candidatura de Flávio.

Diálogos entre Vorcaro e o publicitário e lobista Thiago Miranda também revelam um desvio na rota do financiamento que suspostamente bancou o filme. Thiago Miranda foi quem intermediou os contatos do banqueiro com Flávio Bolsonaro e os produtores executivos da cinebiografia, Mário Frias e Eduardo Bolsonaro.

Em 16 de dezembro de 2024, Miranda recebeu uma minuta do contrato da parte dos Bolsonaro e encaminhou para Vorcaro. No papel, os 24 milhões de dólares seriam depositados na conta da produtora do filme, a Go Up Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos.

Por alguma razão ainda desconhecida, no entanto, deu-se uma mudança. Em vez de a produtora receber o dinheiro, optou-se por um caminho mais longo e menos convencional. Em janeiro de 2025, os Bolsonaro elegeram um novo destino para os milhões de Vorcaro. Descartaram a conta corrente da produtora e acionaram a conta do Havengate, o fundo imobiliário registrado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto. Essa figura desconhecida no Brasil era não apenas amigo de Eduardo Bolsonaro, mas também responsável por seu processo de imigração. Calixto tinha um parceiro no Havengate: o corretor de imóveis Altieris Santana. Esse fundo foi o caminho do dinheiro que havia sido pedido pessoalmente por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro.

Os investigadores que acompanham o caso, ouvidos sob condição de anonimato, trabalham com a hipótese de que os dólares – ou parte dos dólares – acabaram não sendo usados no patrocínio do filme. Avaliam que toda a operação pode ter sido, na verdade, uma simulação de investimento que permitiria retirar o dinheiro nos Estados Unidos para outros fins. Além disso, os investigadores detectaram indícios do uso de um meio fraudulento de remessa, via Entre Investimento e Participações.

aproximação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro começou no dia 8 de dezembro de 2024. O empresário Flávio Carneiro escreveu a Vorcaro, de quem é frequente conselheiro: “Thiago tá cobrando se você vai num jantar c meu xará e o pai dele pelo que entendi, você tá ciente disso?” E opinou: “Acho uma roubada danada.” Ele falava de Thiago Miranda, o intermediador, e do encontro com Flávio e Jair Bolsonaro. Vorcaro respondeu: “Não sei nem de quem tá falando.” Carneiro explicou que Thiago Miranda insistia em juntá-lo com “o meu xará e o pai”, e o banqueiro encerrou: “Temos que pensar nisso.”

Pouco depois do meio-dia, Thiago Miranda escreveu ao banqueiro sobre “o filme do presidente”: “Flavio, bolso querem sentar com vc. Tem 40 minutos pra matarmos isso na quarta?” Disse ter “dois assuntos” (“Do filme do presidente e do SBT $$”) e que “Flavio [Carneiro] está ciente de tudo”. À tarde, Miranda insistiu: “Confirmei com o Flávio Bolsonaro. Quarta dia 11 às 17:30 aqui na sua casa de Brasília.” Era o começo de tudo.

Em seu estilo de combinar exposição absoluta em alguns casos com discrição severa em outros, Vorcaro escreveu para Carneiro na noite seguinte: “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém!” E acrescentou: “Esse negócio acaba comigo.” Carneiro respondeu que estava “morrendo de medo” e que já comentara com ele ter “receio do xará”. À época, Jair Bolsonaro já havia sido indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado no processo que o levaria à condenação e prisão no segundo semestre de 2025.

Na véspera do encontro, Miranda encaminhou ao banqueiro uma mensagem do senador, que dizia o seguinte: “Amanhã vou levar o dep Mário Frias por ser o idealizador do projeto. Tem algum problema?” Vorcaro não se opôs.

No dia 11 de dezembro, Flávio Bolsonaro se atrasou para o encontro por causa da votação da reforma tributária no Senado. A partir das 17h59, Frias fez seis chamadas para o banqueiro, que não as atendeu. Às 18h30, Miranda escreveu ao banqueiro pedindo desculpas pelo atraso de Flávio: “Desculpa a confusão que o Flávio fez. Vou conduzir isso da melhor forma.” Pouco depois, Thiago acrescenta: “Isso não se faz. Eu tinha combinado com ele. Como o cara aparece na sua casa assim.” As mensagens não esclarecem que era “o cara”, nem por que sua entrada em cena fora um problema, nem mesmo se a reunião aconteceu.

As mensagens, no entanto, deixam claro que, naquele dia, um pacto foi selado. Isso fica evidente porque às 18h22, depois da sexta chamada não atendida pelo banqueiro, Frias escreveu “Tmj”, abreviação de “estamos juntos”. Depois de mais duas chamadas não atendidas, finalmente Vorcaro retornou para Frias. Tiveram uma breve conversa. Logo depois disso, Frias gravou um áudio para o banqueiro. “Só te agradecer, meu irmão”. Disse que o projeto iria “mexer com o coração de muita gente” e seria “muito importante para o nosso país”. O deputado terminava a mensagem de áudio de 17 segundos dizendo: “Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” Depois de ouvir o áudio, Vorcaro voltou a falar com Frias. O diálogo durou menos de 2 minutos.

Frias retomou a conversa quatro dias depois com a notícia de que o americano Cyrus Nowrasteh havia aceitado dirigir o filme e que o ator Jim Caviezel poderia interpretar Jair Bolsonaro, desde que o cachê fosse bom. Frias celebrou: “Milagres só são possíveis quando há fé.” E completou, em outra mensagem: “Vai ser a maior superprodução de uma história brasileira.”

No dia seguinte, 16 de dezembro, Frias escreveu ao banqueiro às 12h49: “Fala irmão. Tô com senador aqui. Pode falar ?!?”. A mensagem não identifica o senador, mas o contexto indica que era Flávio Bolsonaro. “Opa. Sim”, diz Vorcaro, e os dois iniciaram uma chamada de áudio que durou dois minutos e dois segundos. Logo depois dessa conversa Frias reforça em três mensagens:

– Tmj

– Aqui só os melhores guerreiros

– Família

Vorcaro responde com um “Bora”.

Uma hora e meia depois, Thiago Miranda escreve para Vorcaro. Disse que tinha acabado de almoçar com o pessoal do filme e que lhe apresentaria “todo o projeto e valores”. Às 19h24 e às 19h25, foram gerados os PDFs de um plano de negócios e de uma minuta de acordo de financiamento de Capitão do Povo, o nome que antecedeu Dark Horse.

Os documentos mostram que o investimento no filme seria de 25 milhões de dólares. Na página 9 do plano de negócios, um único investidor, identificado como “número 3”, aparece com 48 das 50 cotas de 500 mil dólares— o equivalente a 96% do orçamento previsto. A apresentação não permite identificar nominalmente esse investidor, mas nem precisava. Era um banqueiro sem nenhum filme no currículo, cuja experiência com o cinema, até então, se resumia à fantasia de Drácula que usou na festa “Halloween das Suíças”, para o qual convidou algumas das mais altas autoridades da República em 2023. Ele mesmo: Daniel Vorcaro.

A piauí comparou essa versão do plano, de dezembro de 2024, com uma versão anterior, editada pela Go Up em fevereiro do mesmo ano. O documento da Go Up dividia as cotas do filme entre três investidores e prometia concessão de green card, por meio de uma “empresa jurídica de imigração” – a descrição lembra os serviços do advogado Paulo Calixto, que também era o controlador do fundo Havengate. Também previa um quadro de “governança corporativa e compliance”, com prestação de contas, relatórios trimestrais e uma conta de garantia, conhecida no mundo empresarial como “escrow”.

A versão do plano de negócios que chegou a Vorcaro eliminou o green card, sumiu com as regras de controle e de complicance e reservou 48 das 50 cotas a Vorcaro. Na prática, virou o dono do filme.

Ainda naquele 16 de dezembro, às 22h10, Flávio Bolsonaro fez a primeira ligação para o banqueiro. Era o começo de uma troca que renderia quase uma centena de mensagens. Seis dias depois desse contato inaugural entre banqueiro e senador, Frias escreveu a Vorcaro dizendo que aquele era um filme de “justiça divina” e que “2026 é do Brasil”. A mensagem indica que os recursos para a suposta produção do filme, independentemente de implicações criminais, estava conectada com a futura campanha presidencial do candidato do PL.

Dias depois, Thiago Miranda escreveu para Vorcaro pedindo orientações sobre como proceder. Escreveu: “Já estou com tudo em mãos. Como prossigo?” Vorcaro lhe respondeu: “Tem que mandar 4 mm usd agora”, orientou, referindo-se à quantia de 4 milhões de dólares americanos, que correspondiam às duas primeiras de 2 milhões cada. Miranda avisou que tinha pedido “para o Mario Frias centralizar tudo comigo” e encaminhou dois arquivos. Eram mensagens encaminhadas de outra pessoa. “Aqui está o mapa do fluxo de investimento”, escreveu sobre o acordo.

A minuta, cujo texto foi recuperado da extração do celular de Vorcaro, previa que o financiador comprasse 48 cotas de 500 mil dólares, recebesse o dinheiro de volta com prêmio de 20% e depois uma fatia da receita, sem “direito ou autoridade legal para tomar decisões”. Os 24 milhões de dólares seriam depositados na “conta de produção Capitão do Povo”, da produtora americana Go Up Entertainment, de Karina Gama e Michael Davis, no Bank of America. O documento não tinha as assinaturas, o nome do financiador estava em branco, e o título interno do arquivo dizia: “Acordo financiamento da produção Eduardo final”. É um indício de que o modelo foi reaproveitado de uma versão ligada a Eduardo Bolsonaro. “Analisou algo do filme? Deixamos para resolver em janeiro?”, escreveu Miranda a Vorcaro em 20 de dezembro.

Procurados pela piauí, Karina e Davis não esclareceram a mudança da conta recebedora do dinheiro de Vorcaro. O produtor disse que processaria a revista caso fossem publicadas informações “afirmações materiais sabidamente falsas” a seu respeito.

Depois da ligação de 16 de dezembro de 2024, a conversa entre Flávio e Vorcaro só volta a ter registro em 20 de agosto de 2025. A perícia não recuperou mensagens apagadas no intervalo. Nesse hiato, a rota do dinheiro mudou, os dólares começaram a ser remetidos e depois rarearam, à medida que os rolos financeiros e legais de Vorcaro se agravavam. Mas o hiato pode ser preenchido com outras mensagens.

Logo em 6 de janeiro de 2025, Miranda pediu os dados da “empresa que vamos usar” para o contrato, e Vorcaro mandou o cunhado e operador Fabiano Zettel usar uma empresa dele mesmo, Zettel. E o banqueiro fez questão de alertar o cunhado sobre a relevância do negócio e pediu que não houvesse qualquer interrupção nas remessas de dólares. “Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais”, disse.

O dia 20 de janeiro marcava o início dos pagamentos do banqueiro para a produção de Dark Horse. “Hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme”, escreveu Miranda, referindo-se às duas parcelas que somavam 4 milhões de dólares. Naaquele mesmo dia, Vorcaro recebeu um print de uma mensagem que Flávio Bolsonaro enviou a Thiago Miranda pedindo “um gás” para desembaraçar o pagamento.

Para agilizar, o banqueiro resolveu usar, como fonte pagadora, a empresa Entre Investimentos e Participações, de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. Mas o pagamento ainda demorou oito dias para cair, causando bastante inquietude para Flavio Bolsonaro. No dia 11, Miranda escreveu para Vorcaro: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”, no que parece ser um referência ao pai de Neymar. O atraso deveu-se a um problema na remessa, que levou mais de uma semana para resolver.

Nos arquivos do celular, não há registro de quem decidiu trocar a conta da produtora Go Up pela conta da Entre Investimentos, nem por quê, criando uma escala na remessa do dinheiro.

O depósito na conta do Havengate, o fundo sediado no Texas, acompanhou a mudança de Eduardo Bolsonaro e família para os Estados Unidos. A primeira remessa saiu no meio de uma licença do então deputado. Três dias depois de o Havengate e a Go Up assinarem o contrato que fez do fundo americano o financiador do filme, em 24 de fevereiro, Eduardo se licenciou e se mudou para a região de Dallas.

Os documentos no celular de Vorcaro mostram também que, no papel, ele não era o financiador do filme. O banqueiro que corrompeu a República virou cotista do fundo Havengate, como mostra uma imagem da cláusula do novo acordo enviada por Miranda em 12 de março. É aí, para os investigadores, que o negócio deixa de ser cinema. Formalmente, Vorcaro não pagou um filme: subscreveu cotas, como quem aplica dinheiro num fundo. O dinheiro, porém, aparentemente não ficou aplicado, e o fundo serviu como ponte de passagem, segundo a PF.

Os investigadores ainda preparam o pedido de cooperação às autoridades americanas para rastrear o caminho do dinheiro. A PF concluiu que Eduardo “orientou” a gestão dos recursos nos Estados Unidos e investiga se parte deles custeou a estadia do ex-deputado no país.

*Ana Clara Costa, do Rio de Janeiro, João Batista Jr., de São Paulo, e Breno Pires, de Brasília/piauí


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Moraes pede manifestação da PGR, antes de mandar Bolsonaro de volta à prisão

O caso é sobre a arma registrada em nome do ex-presidente estava no carro de um militar responsável por sua segurança

Na decisão, Moraes citou a Lei de Execuções Penais. O trecho mencionado prevê que comete falta grave o condenado que possui, de forma indevida, instrumento capaz de colocar em risco a integridade física de terceiros. Com isso, o ministro quer saber se a presença da arma durante o cumprimento da medida cautelar pode gerar consequências para Bolsonaro.

A apreensão da pistola
O caso ganhou repercussão após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 mm durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, realizada na última segunda-feira (15). A arma, registrada em nome do ex-presidente, estava no carro de um militar responsável por sua segurança. Ela foi recolhida por não estar acompanhada do certificado de registro.

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, Bolsonaro reconheceu ser o proprietário da pistola. Segundo documento enviado ao STF, ele afirmou que a arma permanecia em sua residência enquanto cumpre prisão domiciliar. Também teria dito que não poderia ficar desarmado porque havia “três mulheres em casa”.

Depoimento sob sigilo
A oitiva foi conduzida pelo delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia. O policial permaneceu por cerca de 40 minutos no condomínio onde Bolsonaro mora. Em nota, a Polícia Civil informou que o ex-presidente respondeu a todas as perguntas, mas destacou que o conteúdo do depoimento está sob sigilo.

O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou a oitiva. Segundo ele, Bolsonaro repetiu a versão já apresentada ao Supremo. A defesa sustenta que o ex-presidente apenas pediu a um militar da equipe de segurança que verificasse o funcionamento da arma, após suspeitar de uma falha. Também nega que tenha determinado a retirada da pistola para conserto.

Paulo Bueno afirmou ainda que as medidas impostas a Bolsonaro não incluíam a entrega das armas registradas em seu nome. Por isso, considera improvável que o episódio influencie uma eventual decisão de Moraes sobre a manutenção da prisão domiciliar.

Pistola com militar da GSI
A pistola apreendida estava em poder de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), atualmente vinculado à Casa Civil. O órgão é responsável pela segurança dos ex-presidentes da República. O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal e acompanhado pelo STF.

Especialistas apontam que o episódio pode resultar em sanções administrativas. Também avaliam a possibilidade de questionamentos com base no Estatuto do Desarmamento, a depender das conclusões das investigações.


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Bolsonaro faz série de pedidos na prisão, de SmartTV a alimentação

Alexandre de Moraes, relator do caso na corte, determinou que o ex-presidente fique custodiado em uma cela com 12 m²

Preso desde novembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em setembro, a pena de 27 anos e três meses.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na corte, determinou que o ex-presidente fique custodiado em uma cela com 12 m². A sala tem paredes brancas, janela, mesa, armários, frigobar, televisão e banheiro privativo.

Além de local especial, Bolsonaro pode receber visitas regulares de familiares e da equipe médica. A defesa do ex-presidente vem formulando pedidos para novos benefícios. Relembre o que foi solicitado e o que já foi concedido:

Refeições
No dia 25 de novembro, três dias após a prisão preventiva de Bolsonaro, seus advogados solicitaram que o ex-presidente recebesse alimentação especial. Moraes acatou e determinou que a entrega de comida fosse feita por uma pessoa cadastrada e em horário previamente determinado.

Visitas ilimitadas
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que pediu para visitar o marido no dia seguinte à prisão, recebeu de Moraes uma autorização permanente para visitas no dia 18 de dezembro. O direito foi estendido aos filhos Carlos, Flávio, Jair Renan, Laura e à enteada, Letícia Firmo, no dia 2 de janeiro.

Assim, os familiares não dependem mais de autorização judicial a cada visita. Eles devem observar os horários estabelecidos pela PF: terças e quintas-feiras das 9h às 11h. O tempo de permanência é de 30 minutos.

Equipe médica
O ex-presidente estava autorizado a receber atendimento médico desde agosto, quando estava detido em casa. Com a prisão na sede da PF, Moraes determinou que Bolsonaro continuasse recebendo atendimento “em tempo integral” e “em regime de plantão”.

Pedido de prisão domiciliar
Antes do trânsito em julgado do caso, a defesa já havia pedido para que Bolsonaro cumprisse pena definitiva em prisão domiciliar. Com a prisão preventiva, Moraes entendeu, em 22 de novembro, que a solicitação ficou prejudicada.

No dia 19 de dezembro, o relator negou um novo pedido de domiciliar, mas autorizou, após perícia, a realização de cirurgia eletiva para retirada de uma hérnia inguinal. Quando recebeu alta hospitalar depois do procedimento, em 1º de janeiro, Bolsonaro teve outro pedido de domiciliar negado.

Ar-condicionado
Segundo os advogados do ex-presidente, um ruído “contínuo e permanente” emitido pelo aparelho de ar-condicionado da cela de Bolsonaro vem causando “perturbação à saúde e integridade do preso”. A defesa pediu providências, e a PF informou, na última quarta (7), que só seria possível reduzir o barulho mediante obras, que atrapalhariam o funcionamento da unidade.

Livros
Na quinta (8), Bolsonaro pediu para entrar no programa de redução de pena pela leitura. Prevista no artigo 126 da Lei de Execuções penais, a remição por estudo pode ser obtida, no caso do ex-presidente, a partir da leitura de livros presentes em uma lista da Secretaria de Educação do DF. O abatimento dos dias (4 por livro) depende da apresentação de uma resenha sobre a obra.

Smart TV
A defesa solicitou, na sexta (9), que Bolsonaro tivesse acesso a uma Smart TV. No pedido, os advogados citam o direito à informação como “expressão direta da dignidade da pessoa humana” e afirmam que o aparelho não seria usado para acessar as redes sociais. Moraes deu cinco dias para a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestar a respeito.

Assistência religiosa
Também foi solicitada autorização para visitas do bispo Robson Rodovalho e do pastor Thiago Araújo Manzoni. Para a concessão da “assistência religiosa”, a defesa cita os encontros que aconteceram “sem que houvesse qualquer registro de incidente” durante a prisão domiciliar do ex-presidente.

*ICL


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Protesto em frente à prisão do Brooklyn exige libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores

Manifestantes exigem que poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente

Manifestantes se reuniram neste domingo (11) em frente ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, onde o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, passam a nona noite após serem sequestrados em 3 de janeiro durante a incursão militar em Caracas pelo governo dos Estados Unidos, e exigiram sua libertação.

Nesse dia, os manifestantes se reuniram para expressar seu apoio ao presidente venezuelano e à sua esposa, e pediram a libertação imediata de ambos, segundo reportagem do correspondente da teleSUR, Henry Camelo, nos Estados Unidos.

Eles reiteraram que se trata de um sequestro e que precisam sair o mais rápido possível. Os Estados Unidos não podem continuar usando desculpas como as que usaram para invadir a Venezuela e tentar se apoderar de recursos naturais, petróleo e minerais, que é, na verdade, seu verdadeiro objetivo.

Camelo explicou que os manifestantes estiveram presentes continuamente ao longo desta semana, apesar das baixas temperaturas.

“Eles vêm com suas faixas, vêm com seus cânticos e demonstram seu apoio ao presidente Maduro. Há várias pessoas se manifestando aqui, que não estão apenas insatisfeitas com essa situação, mas com tudo o que o governo Donald Trump está fazendo, as ameaças que está fazendo a outros países da região, como Colômbia, Cuba e México”, afirmou o jornalista.

Eles também exigem que os poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente interrompidos.

*BdF

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Carla Zambelli apanha em prisão na Itália e defesa consegue transferência de cela

Agressões teriam ocorrido ao menos três vezes, segundo a defesa, antes da transferência de cela

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi transferida de cela após sofrer agressões por outras detentas na penitenciária onde está detida em Roma, na Itália. Zambelli, que está presa desde julho e aguarda o andamento do processo de extradição ao Brasil, teria sido atacada em pelo menos três ocasiões distintas antes de setembro deste ano, conforme relatos da defesa.

Ainda segundo a defesa, Zambelli teria comunicado formalmente as agressões à administração do presídio, mas não teria recebido providências imediatas do sistema penitenciário italiano, que teria atribuído a falta de ação à alta rotatividade de detentas na unidade.

Diante da preocupação com sua integridade física, os advogados solicitaram a mudança de cela e de andar dentro da penitenciária. O pedido foi aceito, e Zambelli foi transferida do andar térreo

para um andar superior da unidade prisional. Zambelli está detida na Itália após deixar o Brasil para tentar evitar o cumprimento da pena de 10 anos de prisão imposta pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Enquanto aguarda a extradição, a parlamentar renunciou oficialmente ao mandato na Câmara dos Deputados em 14 de dezembro.

*ICL


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Política

Tony Garcia prevê prisão de Sergio Moro até junho por esquema de arapogagem

Segundo Tony Garcia, empresário e delator do ex-juiz da Lava Jato e atual senador Sergio Moro, o ex-magistrado pode ser preso até junho de 2026. Segundo ele, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal nos arquivos do tribunal reforçam denúncias antigas sobre a existência de um esquema de escutas e gravações clandestinas envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.

Garcia disse que o caso não atinge apenas Moro, mas um grupo mais amplo ligado à chamada “República de Curitiba”, culminando na Lava Jato e nas perseguições políticas conduzidas de forma sistemática por Moro.

“Não vai só ele preso. Vai ele e a República de Curitiba inteira”, previu Tony Garcia, ao afirmar que o material revelado pela chamada “caixa amarela”, encontrada agora pela PF, seria apenas o início de uma trajetória que se resume a “alpinismo funcional, social e enriquecimento”.

“O que apareceu é só a ponta do novelo. Agora vem o resto”, afirmou Garcia.

Segundo Tony Garcia, Moro e integrantes do Ministério Público, em conluio com autoridades de inteligência estrangeiras, criaram uma “indústria de arapongagem” como estratégia de poder, de acordo com o 247.

Gravações como a da festa da cueca, por exemplo, não teriam sido feitas para investigar crimes, mas para acumular material capaz de pressionar adversários e autoridades, segundo Tony Garcia: “Não era para ‘passar o país a limpo’. Era para guardar e ter poder — poder para chantagear”.


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Política

Com a prisão e morte política de Bolsonaro, terreno da direita para 2026, fica alagadiço

A umidade atmosférica pode ser medida in locuo nas formas velhas. tradicionais nas terras bolsonaristas.

O fato é estilo!

Não há ninguém com as perebas mentais de Bolsonaro para surgir num horizonte reacionário e bandido.

Nessa fase pre-eleitoral, a expressão no olhar dos candidatos a candidatos à Presidência da República já era pra estar na praça na feira de domingo.

Tarcísio vive aquele dilema. Quer ser esse candidato mas, além de abrir mão de uma quase certa reeleição, tem a antipatia do Clã Bolsonaro de forma unânime.

“Não temos ninguém” é isso que a direita faccionada está gritando.
Nesse terreno tudo se reduz a Bolsonaro.

Ou seja, não terão bigode e traços que contemplem uma adaptação que de conta da tarefa.

Até porque é considerada pueril para o clã alguém colocar a carroça na frente do burro da casa.

Para a ninhada o pai não sente bom cheiro em Tarcisio de Freitas.
Acha que ele fede a traição se chegar lá.

Nesse caso, o governador de SP fica num não lugar.

Tarcisio não tem tração para tanto e, sem um movimento fecundo com propostas claras para o Brasil, a direita hoje é uma mula manca e sem cabeça.


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Política

Moraes decreta prisão de Ramagem após fuga aos EUA

Deputado foi localizado nos EUA e votou remotamente com chip internacional autorizado pela Câmara, apesar de restrições impostas pelo STF.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Aliado de Jair Bolsonaro, o parlamentar estava proibido de deixar o país, mas mesmo assim foi visto recentemente em um condomínio de alto padrão em North Miami, nos Estados Unidos.

A decisão ocorre porque Ramagem tinha medidas cautelares impostas pelo próprio STF, entre elas, a obrigação de permanecer no território nacional e de entregar todos os seus passaportes. Apesar disso, ele deixou o Brasil. Investigadores da Polícia Federal (PF) tentam esclarecer como se deu a saída.

Ramagem, Moraes

Autorização da Câmara desmonta tese de desconhecimento
A situação ficou ainda mais grave após a revelação de documentos internos da Câmara dos Deputados que mostram que Ramagem recebeu, no dia 18 de novembro, quando o plenário votava o substitutivo do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) ao PL Antifacção, autorização para trocar o chip do seu telefone funcional, habilitar roaming internacional e ativar um pacote de dados específico para uso nas Américas, de 40GB.

Esses formulários, assinados digitalmente pelo próprio parlamentar, desmontam a tese de que a Câmara desconhecia sua permanência no exterior. Para que um deputado vote de fora do país, é obrigatório habilitar o serviço internacional, algo que somente pode ser feito mediante solicitação formal e aval da área técnica da Casa.

Assim, os registros indicam que setores internos sabiam que Ramagem estava nos Estados Unidos justamente no dia em que participou da votação, embora estivesse proibido de viajar por decisão judicial.

Integrantes da articulação política do governo afirmam que o voto do deputado foi determinante para manter trechos do texto considerados sensíveis pela Polícia Federal. Segundo essas fontes, as mudanças propostas por Derrite favorecem interesses de polícias estaduais e diminuem a capacidade de operações federais contra facções criminosas, o que torna ainda mais controversa a participação de um parlamentar que não deveria sequer ter deixado o país.

Após a revelação dos documentos, o deputado Rogério Correia (PT-MG) acusou a Câmara de ter feito “vistas grossas” para a fuga de Ramagem. Ele defende que a sessão seja anulada, já que um voto irregular pode ter impactado o resultado. Correia também cobra responsabilização de servidores e dirigentes que teriam permitido a habilitação do chip internacional, apesar da decisão do STF que impedia a viagem.

A Câmara divulgou nota dizendo não ter conhecimento da viagem e alegando que Ramagem estava amparado por licença-saúde, o que permitiria voto remoto. Porém, a existência da autorização para uso de roaming internacional enfraquece essa versão e pressiona a Mesa Diretora, presidida por Hugo Mota, a se posicionar sobre eventual descumprimento de decisão judicial e sobre quem autorizou o procedimento interno.

*ICL


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Brasil Mundo

Ministro israelense defende prisão ‘por meses’ para ativistas da Flotilha humanitária

Itamar Ben-Gvir diz que deportação é ‘erro’ e pede detenção a longo prazo; Itamaraty visitará brasileiros sequestrados em Israel

O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, afirmou nesta sexta-feira (03/10) que deportar os ativistas da Flotilha Global Sumud (GSF) — que se dirigia a Gaza para romper o cerco ilegal e levar ajuda humanitária — é um erro, defendendo que deveriam ser presos por vários meses.

“Acho que eles devem ficar aqui por alguns meses em uma prisão israelense, para que se acostumem com o cheiro da ala terrorista”, declarou Ben-Gvir em uma publicação no X. Ele argumentou que, ao simplesmente repatriá-los, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estaria incentivando os ativistas a “voltarem repetidamente”.

Nesta sexta (03), foi confirmada a interceptação do último navio que tentava romper o bloqueio, o Marinette. Pouco antes de os soldados israelenses assumirem ilegalmente o controle, integrantes da tripulação do barco de ajuda humanitária gritavam palavras de apoio a Gaza. “Do mar a Gaza, não nos esqueceremos de vocês”, foram as frases registradas em vídeo compartilhado pelo Middle East Eye.

Mais de 40 embarcações da GSF foram interceptadas pelo exército israelense na quarta-feira (02/10) e levadas para a prisão de Ktziot, antes da deportação. Localizada no deserto de Negev, no sul de Israel, a prisão tem uma longa reputação por maus-tratos.

 

Em um relatório de 2025 intitulado “Bem-vindo ao Inferno”, o grupo israelense de direitos humanos B’Tselem documentou casos de 12 palestinos detidos no local, citando falta de comida e água, espancamentos severos e incidentes de abuso sexual entre os crimes sofridos pelos presos.

O status de dois membros da delegação brasileira, João Aguiar e Miguel de Castro, anteriormente desaparecidos, foi atualizado para “interceptados por Israel”. Aguiar estava a bordo do Mikeno, navio que conseguiu romper o cerco e alcançar as águas de Gaza, mas foi interceptado antes de atingir a costa do território.

Também foi confirmada a detenção de outros doze integrantes da delegação brasileira: Thiago Ávila, no Alma; Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, a vereadora Mariana Conti e Nicolas Calabrese, no Sirius; Ariadne Telles e Mansur Peixoto, no Adara; Gabriele Tolotti (presidente do PSOL-RS) e Mohamad El Kadri, no The Spectre; Lucas Gusmão, no Yulara; e a .deputada federal Luizianne Lins, no Grand Blue.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, anunciou nesta quinta-feira (02/10) que uma equipe da embaixada do Brasil em Israel visitará os brasileiros detidos pelo governo israelense, que estavam nos barcos da Flotilha Global Sumud (GSF) rumo à Faixa de Gaza. A informação foi divulgada pelo chanceler durante reunião com parlamentares, em Brasília.

A visita está prevista para sexta-feira (03/10), um dia após o feriado judaico de Yom Kippur, que paralisa o atendimento consular. De acordo com o Itamaraty, seus representantes verificarão as condições de segurança dos brasileiros detidos, prestarão assistência médica e jurídica e acompanharão os procedimentos legais.

*Opera Mundi


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Política

Prisão e perda de patente: os próximos passos após condenação

Torres e Ramagem perderão cargo de delagado na PF

Após decidir pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete aliados, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Superior Tribunal Militar (STM) julgue a perda de patente dos militares das Forças Armadas réus na ação penal da trama golpista.

Com a decisão, Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, os generais Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira e Braga Netto e o almirante Almir Garnier devem ser julgados pela Justiça Militar. A Constituição prevê que oficiais das Forças Armadas podem ser expulsos em casos de condenação criminal superior a dois anos de prisão.

A análise do caso pelo STM, portanto, só pode ocorrer após o trânsito em julgado da ação da trama golpista, ou seja, após o esgotamento de todos os recursos possíveis contra a condenação.

A decisão da Justiça Militar por uma eventual perda de patente dos réus, entretanto, não poderá ser aplicada no caso do tenente-coronel Mauro Cid, réu e delator na trama golpista. Cid foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto e recebeu a garantia de liberdade.

O benefício do regime aberto foi sugerido pelo relator na ação penal, ministro Alexandre de Moraes, após o colegiado entrar na fase da dosimetria das condenações dos réus da trama golpista.

Recursos e prisão
A maioria dos réus foi condenada no STF a mais de 20 anos de prisão em regime fechado. Apesar da definição do tempo de condenação, Bolsonaro e os demais não vão ser presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas.

Bolsonaro
O ex-presidente cumpre, atualmente, prisão domiciliar, mas em decorrência de outro processo. Bolsonaro é investigado por sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.

Uma série de medidas cautelares foram determinadas no inquérito que investiga o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, por sua atuação junto ao governo de Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e os ministros do Supremo.

Nesse processo, o ex-presidente é investigado por enviar recursos, via Pix, para bancar a estadia do filho no exterior – em março, Eduardo pediu licença do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos, sob alegação de perseguição política. Em agosto, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro e o filho pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Torres e Ramagem perdem cargo
O STF também determinou que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem sejam demitidos dos cargos de delegado da Polícia Federal. Eles estão afastados da corporação. Concursados, devem perder o cargo em decorrência de condenação pela Corte.

*Agência Brasil


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