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Brasil Mundo

Lula é destaque em Nova York, Flavio é ignorado, No Brasil, bolsonaristas tomam porre de detergente Ypê

Durante a Brazilian Week (semana de eventos com bancos, empresas e organizações brasileiras), em uma conferência fechada para investidores na sede da BlackRock em Nova York, o analista Aitor Jauregui — responsável pela América Latina da maior gestora de ativos do mundo — avaliou que o presidente Lula (PT) deve se reeleger em 2026.

Razões citadas: Otimismo com os dados econômicos do Brasil. Jauregui destacou que a economia ainda pesa na decisão do voto e que é “difícil tirar a vitória” do atual presidente.

Flávio Bolsonaro: Não foi mencionado nem por Jauregui, nem pelos outros participantes (incluindo Chis Garman, da consultoria Eurasia, que também traçou cenário positivo para Lula, inclusive na relação com Donald Trump).

A BlackRock administra trilhões de dólares em ativos e suas visões influenciam o mercado global, mas trata-se de uma análise interna em evento fechado, baseada em indicadores econômicos atuais — não de uma previsão infalível.

Isso reflete a visão de parte do mercado financeiro internacional: estabilidade macro, números recentes da economia e o encontro recente Lula-Trump ajudam a percepção do incumbente.


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Bolsonaro deveria responder por crime contra a humanidade na pandemia, diz Lula

O presidente sancionou a lei que institui o 12 de março como Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19; a data faz referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020

Ao sancionar nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os responsáveis pelas mortes no Brasil durante a pandemia da Covid-19 não podem ser esquecidos.

A data escolhida simbolicamente é o dia 12 de março, referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020.

Lula afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ex-ministros da Saúde deveriam ser denunciados por crime contra a humanidade, pois, se tivessem agido conforme as orientações médicas e científicas, poderiam ter evitado, no mínimo, 400 mil das 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus no país.

Leia também: STF prorroga investigação de Bolsonaro com base na CPI da Covid-19

“Muitas vezes a fala dele na televisão era a demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto, pelo menos teria de ouvir quem sabe. E o que reivindicava-se naquela época? Que ele montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros para que o Estado pudesse ter uma orientação no trato com a sociedade brasileira”, lembra o presidente, referindo-se a Bolsonaro.

Ele questionou por que as entidades médicas não abriram processos contra o presidente, os ministros e os médicos que foram para a imprensa defender o uso do medicamento cloroquina contra a doença.

Também resgatou fala do ex-presidente no dia 9 de dezembro de 2020: “A pandemia está chegando ao fim e um pequeno repique pode acontecer, mas a vacina não se justifica, você vai inocular algo em você”.

“Essa frase foi publicada no canal do seu filho, aquele fujão que está nos EUA tentando pregar um golpe no Brasil”, diz Lula.

Segundo ele, a iniciativa da lei reforça a importância da memória coletiva. “Reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalta a necessidade da escuta atenta aos especialistas. Uma escuta que, se fosse adotada naquele período, poderia ter evitado milhares de mortes”, afirma.

Por isso, diz o presidente, o governo valoriza e incentiva a vacinação. “Ampliamos o acesso à imunização. Intensificamos o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país. Como resultado, nos últimos três anos, revertemos a queda nas coberturas vacinais. Em 2025, o Brasil registrou aumento no número de crianças vacinadas e interrompeu a sequência de quedas observada até 2022”, explica. Vermelho.


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Política

Sururu entre Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro é tempestade perfeita em prol do PT em São Paulo

Ricardo Salles (Novo-SP), pré-candidato ao Senado, espinafrou Eduardo Bolsonaro e revelou coruupção no governo de seu pai, do qual Salles era parte, após Eduardo apoiar André do Prado (PL, presidente da Alesp e ligado a Valdemar Costa Neto) como nome para o Senado na chapa associada a Tarcísio de Freitas.

Salles chamou Eduardo de “burro”, “bravateiro”, acusou-o de ter “falado um monte de merda” nos EUA (incluindo no caso do tarifaço americano), de ter contribuído retoricamente para as prisões do 8 de janeiro e de ter se exilado voluntariamente. Também atacou Valdemar/PL por suposta influência do “Centrão fisiológico” e corrupção passada em Transportes.

Eduardo rebateu, chamando Salles de “incontrolável” e jogando contra-ataques pessoais (inclusive sobre supostos pedidos de “mamata” ou cargos). Isso expõe rachas claros: bolsonarismo raiz vs. ala mais institucional/pragmática (Tarcísio + PL), e Novo tentando se posicionar como “direita pura”.

Simplesmente porque Salles, ex-ministro passador de boiada de Bolsonaro, afirmou com todas as letras que havia uma roubalheira no Ministério dos Transportes, DENIT no governo de Bolsonaro.

É alguém de dentro que destampou o esgoto de um governo absolutamente corrupto, que vivia gritando “acabou a corrupção!”.

Eduardo, para entornar mais o caldo, acusou Salles de votar a favor do PL das fake news e arrematou de voleio, “traiu em 2022, vai trair em 2026.

O furdunço mostrou potencial para rachar a base com a Jovem Pan fazendo enquete e tudo. Grupo de Salles vs grupo de Eduardo Bolsonao quase saem no braço, precisando que a PM interviesse para o riscafaca não terminasse em morte.

O fato é que, se tem racha em são Paulo, tem racha nacional, porque SP é o maior colégio eleitoral do Brasil, mais que isso, quem hoje cola com Salles, não panfleta para Flavio e vice-versa.

agro põe dinheiro na campanha de Salles e Faria Lima, bolsonarista casa pouco para acampanha de Flavio.

Enquanto eles brigam, Haddad caminha em São Paulo como adulto na sala. Lula, agradece.

Numa conta fria, curta e grossa: Flavio precisa de 70% em São Paulo para compensar o Nordeste de Lula. Se racha entre Eduardo e Salles continuar produzindo erosão, Flavio perde 1,1 pp nacional, Lula pula de 49,4% para 50,5% válidos.

A prgunta é óbvia, por que Flavio não intervém? Se escolher Eduardo, perde agro e Salles leva a base. Se escolher Salles, perde raiz bolsonarista, apanha do pai e, consequentemente, do bolsonarismo terra plana. Se não escolher, vira o fraco diante do povo e apanha dos dois lados.

Ou seja, Flavio está num mato sem cachorro, por isso mudo, e mudez na direita é igual à traição.


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Brasil Mundo

Com ameaça e chantagem, EUA minam ação do Brasil em defesa da população negra

Proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana é alvo de uma pressão diplomática de Trump

O governo de Donald Trump nos EUA não aceita a proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana dos Direitos das Pessoas Afrodescendentes. O ICL Notícias apurou com exclusividade que a diplomacia do país está operando uma forte pressão sobre diversos países das Américas para impedir que o documento seja negociado.

O caso, porém, se transformou num espelho da capacidade dos EUA de ditar seus interesses na América Latina, orquestrando o apoio da extrema direita na região e combinando as alianças com ameaças e chantagem contra governos mais vulneráveis.

Desde o começo de 2025, Brasil e Colômbia vêm liderando a negociação de uma futura Declaração Interamericana, com o objetivo de adotá-la na Assembleia Geral da OEA no final de junho, no Panamá.

Segundo observadores que tiveram acesso ao documento, trata-se de uma declaração inovadora e que, em sua versão atual, conta com 28 artigos substantivos e disposições finais, organizados em torno de quatro eixos temáticos fundamentais: Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento, e Gênero e Interseccionalidade.

Na avaliação de seus proponentes, esses temas refletem as principais demandas históricas das pessoas e dos povos afrodescendentes na região.

Desde o ano passado, 14 reuniões de negociação permitiram que um acordo fosse obtido sobre mais da metade do texto. O governo dos EUA, ao longo de todo o ano de 2025, se recusou a participar do processo.

Mas, faltando um mês e meio para a Assembleia, a diplomacia de Trump resolveu agir para paralisar as negociações.

Para isso, buscou apoio em seu grupo de países mais alinhados, e muitos deles governados pela extrema-direita. Assim, o esforço de minar o processo passou a contar com o apoio de Argentina, El Salvador, Honduras, Paraguai, Peru, Equador e outros.

A operação por parte de Trump também passa pelo Caribe, região que possui grande população afrodescendente e vinha se engajando nas negociações em bloco. Segundo diplomatas, o grupo também sentiu a pressão norte-americana.

Os embaixadores do Haiti, Jamaica e Belize receberam ultimatos. Outros países menores da região também receberam recados de que a insistência em levar a Declaração para a Assembleia Geral seria encarada como afronta aos EUA.

Diante da debilidade de vários desses governos, a pressão surtiu efeito. Em reunião da Comissão encarregada do tema na OEA, diversos países pediram mais tempo para negociar, defendendo que não se envie o texto à próxima assembleia, mesmo tendo ainda seis semanas que poderiam ser usadas para fechar o texto.

O embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, na linha do voto contrário de seu país na ONU à resolução que definiu o tráfico transatlântico de escravizados como crime contra a humanidade, disse a interlocutores de diversos países que não admitirá que o tema dos direitos dos afrodescendentes conste da agenda da Assembleia Geral.

Para além da pauta de defesa do movimento negro, o episódio demonstra a subordinação de diversos países aos desígnios dos EUA, mesmo em assuntos que deveriam ser consensuais e constituem prioridade retórica dos respectivos governos.

Segundo diplomata brasileiro familiarizado com as negociações, “o cenário não apenas revela a debilidade de alguns países para defender seus próprios interesses e valores diante do unilateralismo do país hegemônico na região, mas também confirma a adesão automática de grupo de países ao ideário anti-direitos, que tende a naturalizar a discriminação e a exclusão de grupos vulneráveis”.

*Jamil Chade;ICL


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Mundo

Em meio aos escombros, ativista brasileiro Thiago Ávila vira mural em Gaza

Após sequestro por Israel, Thiago está livre e foi deportado para a cidade do Cairo, no Egito, neste fim de semana

Thiago Ávila não chegou até Gaza. Há uma semana, ele foi sequestrado de seu barco que tinha o território palestino como destino. O ativista brasileiro foi preso por Israel e, neste fim de semana, deportado ao Brasil. Mas ele

se transformou em um símbolo da ajuda humanitária e, neste domingo, ganhou um mural em Gaza.

O artista, Obeil Al Qarshali, escolheu um dos raros muros ainda de pé em Gaza para pintar a imagem de Ávila. Com 28 anos, ele explicou:

Por meio dessa obra, eu queria expressar meu apoio a eles, e esse é meu presente depois de sua libertação da prisão de Israel.

Quero encorajá-los a continuar a apoiar a Palestinas e quero dizer que a Palestina não se esquece quem fica ao seu lado e a apoia.

As imagens e depoimento foram enviados ao ICL Notícias pelo fotógrafo palestino Mohamed Ahmed.

Nos últimos dias, a prisão do ativista despertou uma preocupação internacional. A ONU quer que os maus-tratos contra o brasileiro sejam investigados. Num comunicado emitido na semana passada, a entidade defendeu que os responsáveis por violações sejam levados à Justiça.

Conforme o ICL Notícias já havia revelado na terça-feira com exclusividade, a pressão da ONU era para que Ávila fosse solto, sem qualquer condição imposta.

Além de Ávila, foi levado para Israel o ativista Sair Abukeshek, de nacionalidade espanhola.

O governo brasileiro falou em “sequestro”. Mas não optou por romper relações diplomáticas com Israel.

A defesa do brasileiro apontou que a prisão de Ávila foi marcada por violência. De acordo com um comunicado, os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, em suas celas, e mantidos com os olhos vendados sempre que são transferidos, inclusive durante exames médicos.

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, afirmou:

Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que necessita urgentemente dela. Relatos perturbadores de maus-tratos severos infligidos a Abukeshek e de Avila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça.

Exigimos o fim da detenção arbitrária por Israel e da legislação antiterrorista, ampla e vaga, incompatível com o direito internacional dos direitos humanos. Israel também deve pôr fim ao bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente na Faixa de Gaza sitiada.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo Tecnologia

Palantir: a empresa mais perigosa do mundo

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem em destaque: Adrián Astorgano / El Salto)

A Palantir combina ferramentas de controle, a lucratividade da guerra e ideologias totalitárias em uma série de produtos que se espalharam por todo o planeta

inferno se abateu sobre a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab. Era sábado, 28 de fevereiro de 2026, dia letivo no Irã. As aulas haviam sido suspensas devido aos bombardeios americanos, mas centenas de pessoas permaneciam no prédio, esperando que os alunos fossem buscados por suas famílias. Era um processo demorado, já que muitas meninas e meninos moravam nas aldeias vizinhas e precisavam esperar a chegada dos veículos vindos das áreas rurais. Três mísseis Tomahawk atingiram a escola de Minab, causando 175 vítimas fatais, a maioria delas crianças.

Shajareh Tayyebeh é o cenário do primeiro suposto crime de guerra da Operação Fúria Épica lançada pelos Estados Unidos e Israel. Conforme admitiram fontes do exército norte-americano, cuja administração a princípio negou o ataque, tratou-se de um erro. O software utilizado para a classificação de alvos havia identificado aquela escola infantil como uma infraestrutura militar. Assim estava designada desde 2013 e ninguém — nem humano, nem máquina — havia alterado a classificação daquele centro, que há muito tempo era independente do prédio militar adjacente.

Um software de comando e controle chamado Maven, que tem como base a hipótese de que a rapidez na tomada de decisões é determinante para a vitória em uma guerra, selecionou a infraestrutura civil e os humanos endossaram a decisão de bombardear a escola. Trata-se de um sistema de inteligência artificial utilizado pelo Pentágono para análise de inteligência, vigilância e planejamento de ataques.

Outras investigações indicam que o Maven também foi a ferramenta por trás da operação de sequestro de Nicolás Maduro lançada pela Casa Branca em 3 de janeiro de 2026. Em 21 de março de 2026, três semanas após o massacre de Minab, a Reuters informou que um memorando do Pentágono estabelecia o Maven como o sistema militar central dos Estados Unidos. Por trás do Maven está a Palantir ou, como a qualificou Robert Reich, ex-secretário do Trabalho no governo Obama, “a empresa mais perigosa da América”.

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. A CIA seguiu o instinto de Peter Thiel e Alex Karp, fundadores da Palantir, que perceberam que os ataques de 11 de setembro de 2001 poderiam ter sido antecipados com uma infraestrutura capaz de apresentar, de forma simples e operacional, os dados que já estavam nas bases das principais agências de inteligência do país.

Foi assim que a Palantir cresceu e, por meio dos softwares Gotham (para instituições de controle) e Foundry (para empresas), expandiu-se por todos os pontos do “Ocidente” com uma aposta baseada no domínio. A empresa fornece sistemas que permitem às agências governamentais acessar um panóptico de vigilância e, uma vez estabelecida nelas, torna-se parte indispensável da gestão política do Estado, contribuindo para uma base de obscuridade e invisibilidade das decisões que evita a prestação de contas democrática.

Em 18 de abril, o cofundador da Palantir, Alex Karp, e Nicholas W. Zamiska, chefe de assuntos corporativos da empresa, lançaram um manifesto por meio da rede de extrema direita X, o que colocou a empresa como tema de conversa em todo o mundo. Baseado no livro A República Tecnológica: Poder Bruto, Pensamento Fraco e o Futuro do Ocidente, escrito por Karp e Zamiska e publicado em 2025, o manifesto gerou milhares de posts e artigos, mas também teve um impacto colateral entre os funcionários da empresa. “Era supostamente nós que deveríamos impedir muitos desses abusos. Agora não os impedimos. Parece que estamos os promovendo”, explicava um desses funcionários à revista norte-americana Wired.

Mas, acima de tudo, o manifesto colocava em primeiro plano alguns dos discursos que Karp tem defendido nos últimos anos. Sua hipótese é que a sociedade americana se tornou medíocre, que a “psicologização da política moderna” é um desvio do caminho correto e que a indústria tecnológica tem se orientado para satisfazer esse conformismo, o que fez com que os EUA ficassem para trás na corrida armamentista e na defesa da nação, algo com o que o manifesto se inicia. Para isso, sugerem o retorno do serviço militar obrigatório e a primazia que os EUA devem ocupar na “dissuasão baseada em IA”. Outro dos elementos que levou o manifesto a ser descrito como “os delírios de um supervilão”, é um forte viés supremacista, explicitado em frases como “algumas culturas produziram avanços vitais; outras continuam sendo disfuncionais e regressivas”.

Expandida por todo o mundo
Somando os contratos obtidos do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Defesa e do Pentágono, a empresa obteve 1,8 bilhões de dólares em receitas provenientes do governo dos EUA em 2025. 55% da receita da Palantir depende desses contratos, o que demonstra a imbricacão do atual governo Trump, suas políticas de choque e a posição monopolística que a empresa de Thiel e Karp está ocupando no atual processo de acumulação militarizada. A Palantir é proprietária de um software que está forjando as bases do novo Estado policial norte-americano, conforme descrito por Robert Reich. Na sequência do manifesto da Palantir, os autores Arnaud Miranda e Gilles Gressani descreveram como “por trás do vocabulário republicano, se desenrola uma estratégia que pode ser resumida em uma fórmula: transformar o Estado em uma filial de sua própria infraestrutura digital, esvaziando assim a soberania de sua dimensão democrática”.

O Ministério da Defesa espanhol, o serviço de inteligência francês ou sistemas como o de saúde e o de dissuasão nuclear britânicos contrataram os serviços da Palantir, que também se ofereceu para gerenciar, a baixo custo, sistemas logísticos de distribuição de ajuda por parte de ONGs. Uma experiência que agora serve para a gestão das batidas migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) por meio do programa ImmigrationOS fornecido pela empresa de Thiel e Karp.

A jornalista especializada em tecnologia e direitos humanos Marta Peirano explica que a base do poder acumulado pela Palantir é a gestão privada de dados fornecidos por órgãos públicos. A partir dessa análise e apresentação, a empresa propõe modelos algorítmicos de tomada de decisão que oferecem soluções aparentemente técnicas. Em terceiro lugar, a Palantir treina seus modelos de inteligência artificial com base nos dados e na experiência coletados, de modo que, embora a empresa afirme não acumular esses dados, na prática eles se tornam o combustível que alimenta seu produto.

Em toda a cadeia de decisões, há considerações éticas sobre privacidade e os vieses empregados nessas segmentações que despertam a atenção de defensores dos direitos humanos em todo o mundo. Há uma “delegação de funções e responsabilidades por parte do governo”, detalha Peirano, que transforma a empresa em um ator privilegiado no comando de instituições, a priori, sujeitas ao escrutínio democrático. Como alertou o pesquisador francês Olivier Tesquet, coautor de Apocalipsis Nerd, por meio dessa posição de poder na tomada de decisões, a Palantir aspira se tornar “o sistema nervoso da próxima ordem mundial”.

O anticristo e o transumanismo
Uma empresa perigosa requer fundadores perigosos. Na campanha de 2016, Thiel foi um dos grandes doadores de Trump, o primeiro dentro do até então nominalmente liberal Vale do Silício. Posteriormente, tornou-se o grande patrocinador do agora vice-presidente dos EUA, JD Vance. Após a vitória da chapa formada por Trump e Vance em 2024, Thiel colocou parte de sua comitiva em cargos-chave do governo americano. Outra figura fundamental do governo Trump, o porta-voz e vice-diretor do Gabinete de Políticas da Casa Branca, Stephen Miller, possui uma participação de várias centenas de milhares de dólares na Palantir.

O fundador da Palantir soube enxergar o potencial de Donald Trump como acelerador das tendências pós-democráticas necessárias para seu projeto político. Seu credo está relacionado ao do Iluminismo Negro. Baseia-se na preeminência dos monopólios, monarquias corporativas, destinadas a governar cidades ou territórios fora do princípio democrático. A ideia foi colocada em prática em ilhas como Roatán — cedida pelo governo corrupto de Juan Orlando Hernández, em Honduras — onde o município de Próspera é uma “zona de emprego e desenvolvimento econômico” fundada em 2017 com o dinheiro de uma série de tecnooligarcas, entre os quais se encontra Thiel. Próspera prefigura um plano muito mais ambicioso: o controle das populações por meio da tecnologia e da vigilância e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das criptomoedas como ferramenta de controle por meio da economia. Mutatis mutandis, é o mesmo plano apresentado por Jared Kushner para a “nova Gaza”.

A Próspera tem sido, também, um pequeno laboratório de experimentação clínica, seguindo o principal desejo de transcendência que move Thiel e outros investidores como Sam Altman (ChatGPT) ou o investidor Marc Andreesen, seguidores das filosofias TESCREAL. Essa sigla, popularizada de forma crítica pelo filósofo Emile P. Torres, abrange uma série de vertentes de pensamento, entre as quais se destacam o transumanismo e o longoprazismo, nos quais Thiel milita ativamente.

Essas ideologias coincidem em um ponto-chave: a extinção dos seres humanos pode se tornar um dano colateral da chegada dos indivíduos pós-humanos, uma ideia defendida por Thiel, entre outros. Como Torres observou a respeito do longoprazismo no podcast Utopía X: “Vejo o longoprazismo como um movimento a favor da extinção que, como tal, representa uma ameaça significativa e de curto prazo para nossa espécie, porque os longoprazistas não estão interessados só em criar pós-humanos em algum momento, mas querem criar pós-humanos o mais rápido possível”.

Da Escola de Frankfurt à Escola de Minab
O segundo nome mais conhecido da Palantir é o de Alex Karp, CEO da empresa. Ao contrário de Thiel, Karp remete-se à tradição filosófica europeia, em princípio distante do milenarismo profético que caracteriza o primeiro. Influenciado por Jünger, Habermas e a Escola de Frankfurt, Karp mudou de um discurso que inicialmente era entendido como “a esquerda da Palantir” para um pensamento que identifica dois inimigos fundamentais.

Em primeiro lugar, os inimigos do que eles chamam de “Ocidente”, ou seja, a Rússia, o Irã e, sobretudo, a China. Em segundo lugar, o chamado “vírus woke”, com o qual a extrema direita classifica a esquerda defensora dos direitos humanos. Como resume Tesquet, para Karp “as democracias estão perdendo uma espécie de guerra de civilizações contra seus adversários autoritários, não porque lhes falte talento, mas porque seus engenheiros se tornaram apreensivos demais para colocar suas habilidades a serviço do poder militar”.

De origem judaica, o fator que desencadeou o discurso mais violento por parte de Karp foi o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, no qual a Palantir participou orgulhosamente, conforme confirmou o próprio CEO da empresa.

Os assassinatos extrajudiciais fazem parte dos danos com os quais a civilização deve arcar, segundo a ideologia exposta por Karp, que se inspira cada vez mais em uma fonte alemã radicalmente distinta das de Frankfurt, como é o pensamento do jurista do Terceiro Reich Carl Schmitt a respeito da dicotomia amigo-inimigo, na qual os Estados se baseiam para sua maior prosperidade. Em uma reviravolta inusitada, o manifesto publicado em abril por Karp e Zamiska fazia uma referência às potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, em seu ponto número 15: “O desarmamento da Alemanha foi uma correção excessiva pela qual a Europa agora está pagando um alto preço. Um compromisso semelhante e altamente teatral com o pacifismo japonês, se mantido, também ameaçará alterar o equilíbrio de poder na Ásia”.

Como concluiu Olivier Tesquet, a Palantir ocupa um lugar central na biopolítica do capitalismo tardio, decidindo quem deve viver — inclusive, seguindo o credo de Thiel, que tipo de seres pós-humanos devem sobreviver à espécie homo sapiens — e quem deve morrer, em uma aposta pela necropolítica de difícil reversão. Para revertê-la, conclui Peirano, não basta acabar com a crescente dependência que os Estados ocidentais adotaram em relação à Palantir, mas será necessário destruir as bases de dados acumuladas por essa empresa, uma empresa que aspira criar uma espécie de Razão Tecnológica de Estado, uma versão acelerada e privada das tendências autoritárias latentes nas democracias liberais.

*Opera Mundi

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Política

Ciro Nogueira comprou um triplex por R$ 22 milhões um mês antes da emenda Master

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) comprou uma cobertura triplex de 514 m² em um prédio de luxo na Rua Oscar Freire, em São Paulo, por R$ 22 milhões em julho de 2024. Isso ocorreu cerca de 26 dias antes de ele apresentar a chamada “emenda Master” (Emenda nº 11 à PEC 65/2023) no Senado, em 13 de agosto de 2024

Detalhes da compraCiro se tornou sócio de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) alguns meses antes. Segundo ele, o pagamento envolveu a entrega de um apartamento no mesmo prédio (avaliado em R$ 8 milhões) + parcelamento do restante em dinheiro.

Recentemente, ele trocou esse triplex por uma mansão projetada por arquiteto renomado nos Jardins (estimada em torno de R$ 30 milhões).
metropoles.com
Contexto da “Emenda Master”A emenda propunha aumentar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante/investidor. A Polícia Federal investiga se o texto foi redigido pela assessoria do Banco Master, entregue em envelope ao senador e reproduzido integralmente por ele.
bbc.com

A PF vê indícios de que a emenda beneficiaria o banco de Vorcaro (envolvido em fraudes bilionárias), em troca de vantagens como, pagamentos mensais (R$ 300-500 mil). Aquisição de participação societária com deságio. Custos de viagens, hotéis e uso de imóveis.

Ciro Nogueira é alvo da Operação Compliance Zero (fase de maio de 2026), com buscas autorizadas pelo STF. Sua defesa nega irregularidades, afirma que a emenda era legítima e que as relações com Vorcaro são empresariais ou pontuais (como empréstimo temporário de imóvel). A emenda não foi aprovada.

O caso está em investigação e envolve suspeitas de corrupção e tráfico de influência.


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Brasil supera EUA e lidera ranking global dos investimentos chineses

Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos

O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgou que o Brasil assumiu a primeira colocação do ranking global de investimentos da China no exterior. Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos.

Desse modo, houve um crescimento de 45% em valor e 33% em número de empreendimentos em relação ao ano anterior.

“Esse desempenho colocou o Brasil como principal destino global dos investimentos chineses naquele ano, respondendo por cerca de 11% do total aplicado pela China no exterior, um resultado expressivo”, diz nota do CEBC.

O Brasil superou os Estados Unidos, que detêm 6,8% dos aportes globais feitos pelos chinenses, seguido da Guiana com 5,7%, Indonésia com 5,4% e Cazaquistão com 4,4%.

Do ponto de vista setorial, houve uma mudança relevante na composição dos aportes. Segundo a CEBC, o setor de eletricidade manteve a liderança em termos de valor, com forte concentração em projetos de energia renovável e transmissão, mas os investimentos em mineração mais que triplicaram, atingindo sua maior participação histórica.

“Esse movimento reflete o interesse estratégico da China por minerais críticos como cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras. A crescente presença de empresas chinesas na mineração dialoga diretamente com o avanço de investimentos na indústria de veículos eletrificados, outro destaque de 2025”, diz o Conselho.

O balanço da entidade aponta que, a despeito desses grandes aportes em energia, mineração e setor automotivo, destaca-se a diversificação crescente dos investimentos chineses, segundo o Vermelho.

Por exemplo, houve expansão para áreas como Tecnologia da Informação, logística, manufaturas de eletroeletrônicos e serviços associados à economia digital.

O CEBC conclui que o Brasil se consolida como um destino estratégico prioritário para capital produtivo, combinando “uma janela macroeconômica favorável e vantagens estruturais como grande mercado consumidor, abundância de recursos minerais e energéticos e uma matriz elétrica limpa, ao mesmo tempo em que se beneficia do redirecionamento do investimento chinês diante de restrições geopolíticas”.

Confira os investimentos por setor:

– O setor de eletricidade foi o que mais atraiu investimentos chineses no Brasil, com participação de 29,5% e aportes que somaram US$ 1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024 e o maior valor desde 2020.

– A área de mineração recebeu investimentos de US$ 1,76 bilhão – mais que o triplo do valor registrado em 2024 e o maior valor desde 2011.

– O setor automotivo ficou em terceiro lugar e respondeu por 15,8% do valor investido pelas empresas chinesas no Brasil em 2025, com aportes que somaram US$ 965 milhões — cifra 66% maior do que a registrada em 2024.

– Os investimentos chineses no setor de petróleo chegaram a US$ 804 milhões em 2025, 24% a menos do que no ano anterior.


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Política

O mensalão do bolsonistão

Ao contrário da farsa do mensalão, quando o tribunal da mídia condenava petistas por manchetes e o STF, acovardado, ratificava as sentenças dadas pelas redações e blogs de direita, nada ficou provado contra Zé Dirceu, Genoíno, entre outros acusados por Roberto Jefferson de pagarem propina mensalmente a mais de 260 deputados, quando jamais apareceu um único nome de deputado.

A coisa foi tão grotesca que nem a Polícia Federal foi chamada para investigar. No final da história, o ministro do STF, Joaquim Barbosa, teve que carnavalizar a “teoria do domínio do fato” por pura falta de provas.

Nesse caso do mensalão do bolsonistão, tudo se dá através de investigações sérias da Polícia Federal. Ou seja, a mesada que o senador Ciro Nogueira recebia de Vorcaro do Banco Master foi criteriosqamente investigqada pela PF para, depois, virar notícia, não o oposto.

Por isso, já de olho nos próprios fundilhos, Tarcísio de Freitas, que recebeu diretamente em sua conta, R$ 2 milhões do mesmo Vorcaro, assim como Bolsonaro, pai de Flavio, que recebeu R$ 3 milhões direto na corrente sanguínea, resolveram dar declarações que, mesmo carregadas de platitudes, não contestaram a gravidade da suspeita.

Claro que a PF não colocaria na mesa tal cartada contra Ciro Nogueira e, muito menos Valdemar da Costa Neto entregaria a rapadura de Tarcísio e Bolsonaro, se não conhecesse os caminhos nada republicanos que os presentes foram entregues pessoalmente aos beneficiados.

Dito isso, é preciso afirmar que o nome de Ciro Nogueira, Flavio e Jair Bolsonaro aparecem em diferentes níveis de envolvimento e suspeita.

Ciro Nogueira, até agora, é o nome mais comprometido. O momento, segundo a PF, é péssimo para ele, porque era o destinatário central das vantagens indevidas.

Documentos indicam que Ciro recebia pagamentos mensais do banqueiro Danial Vorcaro no valor de R$ 300 a R$ 500 mil.

Além disso, as viagens de luxo não deixam dúvidas do amor verdadeiro entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Vorcaro teria pago ao menos três viagens internacionais para o senador, ex-todo poderoso chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro (Paris, Nova York e Alpes franceses), além de despesas em restaurantes e hotéis de alto luxo e roupas de frio das mais caras grifes.

Como se sabe, uma mão lava a outra e a contrapartida era obrigação, em troca, Ciro Nogueira usou seu mandato para apresentar e articular projetos no Congresso nas chamadas emendas Master, regidas, adivinha por quem, pelos próprios assessores do banco Master para fortalecer o império fraudulento de Vorcaro.

Flavio, senador, é apontado como um elo políico importante, diria mais, determinante. Embora sua defesa nevgue tal envolvimento nos crimes. Difícil de acreditar, porque, segundo Flavio, o vice dos seus sonhos, Ciro Nogueira, está com a cartola do banqueiro Vorcaro atochada até o pescoço.

Agora, Ciro foi escanteado, por Flavio, da chapa de 2026, destacando que sua lealdade é feita do mesmo material mau-caráter que herdou do DNA do pai.

Genética é genética.

O pânico no entorno de Flavio que, agora, como um bom rato, busca frestas para se desvincular do escândaço carimbado na própria testa, prejudicando assim suas pretensões eleitorais, bradando de frente para as câmeras que quer a CPI do Master, mas nos bastidores, opera às avessas do que diz publicamente.


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Política

Flavio Bolsonaro apunhala Ciro Nogueira

Flávio Bolsonaro  reagiu de forma covarde e traiçoeira, classificou as acusações da PF contra Ciro Nogueira como “graves”, pediu apuração com rigor, mas evitou defender Ciro diretamente.

Recentemente, Flávio havia elogiado Ciro como possível vice, mas agora aliados admitem desgaste e Flávio tenta se distanciar, falando em escolher vice mulher.

É uma crise política no campo da direita. Ciro virou um “aliado tóxico” para a pré-candidatura de Flávio, especialmente por envolver o Centrão (PP) e o caso Master.

Ou seja, ainda tem muitos paninhos nessa relação enferrujada, mas a história mudou de figurino e, certamente, quando puxa o carro de Ciro Nogueira, junto, está dando uma cama de gato no centrão, aliado fundamental de Flavio.

Como ficará o enfeite do Flavio Rachadinha daqui por diante, depois de envenenar a imagem de Ciro Nogueira, é que são elas.

Sem chance de oxigenar sua candidatura com outros ares menos tóxicos, Flavio se encontra numa zona carregada de minas e, qualquer passo que der em falso, poderá explodir de vez sua candidatura à Presidência da República.

A conferir.


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