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Houthis realizam exercícios militares após novo ataque dos EUA no Iêmen

Ofensiva conjunta com Reino Unido aumentou as preocupações sobre a escalada do conflito no Oriente Médio.

O movimento Houthi realizou no sábado (13) exercícios militares na província de Saada, no noroeste do Iêmen, ameaçando uma “resposta forte e eficaz” depois que os Estados Unidos realizaram outro ataque noturno contra o grupo alinhado ao Irã.

Num vídeo divulgado pelos Houthis, oficiais foram filmados assistindo a uma série de exercícios militares, incluindo lançamentos de morteiros e manobras militares.

Os ataques aumentaram as preocupações sobre a escalada do conflito que se espalhou pela região desde que o grupo palestino Hamas e Israel entraram em guerra, com os aliados do Irã também entrando na briga vindos do Líbano, da Síria e do Iraque. O último ataque, que os EUA disseram ter atingido um local de radar, ocorreu um dia depois de dezenas de ataques americanos e britânicos a instalações Houthi no Iêmen.

“Este novo ataque terá uma resposta firme, forte e eficaz”, disse Nasruldeen Amer, porta-voz dos Houthi, à Al Jazeera, acrescentando que não houve feridos nem “danos materiais”.

Mohammed Abdulsalam, outro porta-voz Houthi, disse à Reuters que os ataques, incluindo o que atingiu durante a noite uma base militar em Sanaa, não tiveram impacto significativo na capacidade do grupo de impedir que navios afiliados a Israel passassem pelo Mar Vermelho e pelo Mar da Arábia.

O Pentágono disse na sexta-feira (12) que os ataques EUA-Reino Unido tiveram “bons efeitos”.

Os Houthis dizem que a sua campanha marítima visa apoiar os palestinos sob cerco e ataque israelense em Gaza, que é governada pelo Hamas, apoiado pelo Irã. Muitos dos navios atacados não tinham ligação conhecida com Israel.

O grupo, que controla Sanaa e grande parte do oeste e norte do Iêmen, também disparou drones e mísseis através do Mar Vermelho contra Israel.

 

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Europa registra epidemia tripla de doenças respiratórias

Alemanha e Reino Unido têm alta nos casos de covid-19, VSR e gripe, e Espanha volta a obrigar uso de máscaras em hospitais; Além disso, Itália teme propagação da gripe suína.

Os países europeus — especialmente Espanha e Itália — estão registrando aumento expressivo no número de infecções por doenças respiratórias, e a imprensa local relata escassez de leitos hospitalares e superlotação em algumas instalações de saúde.

As infecções por gripe são uma das maiores preocupações sanitárias no continente neste momento. O impacto no sistema de saúde é agravado por um número crescente de casos de coronavírus e de vírus sincicial respiratório (VSR).

Potencial “tridemia” – além da gripe suína

Enquanto a Itália enfrenta uma ameaça adicional de propagação da gripe suína, a Espanha está adotando novos regulamentos sobre máscaras. Outras partes do continente, incluindo Alemanha e Reino Unido, registraram nas últimas semanas uma alta nos casos das três doenças: covid-19, VSR e gripe.

Diversos outros países da Europa também relataram um aumento de doenças respiratórias nas últimas semanas de 2023.

“Quase 10 mil mortes por covid-19 foram notificadas à Organização Mundial da Saúde (OMS) em dezembro (principalmente na Europa e nos EUA), e houve um aumento de 42% nas hospitalizações e uma alta de 62% nas admissões [em unidades de cuidados intensivos], em comparação com novembro”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) afirmou que a incidência de doenças respiratórias semelhantes à gripe continuou aumentando na maioria dos países europeus. “Após a atividade relativamente baixa de doenças respiratórias durante o período de verão, as frequências de consultas aumentaram a partir de setembro”, informou.

A incidência de casos de infecção respiratória aguda grave (Sari) vinha se situando num nível comparável ao mesmo período do ano passado, e está agora aumentando sensivelmente em alguns países.

Alta em casos de gripe no final de 2023

Entre os pacientes testados, a percentagem de pessoas com gripe aumentou de 19% em meados de dezembro para quase 25% no final do ano.

Dez países na Europa, incluindo Itália e Espanha, relataram atividade de gripe sazonal acima de 10% de taxa de testes positivos.

O ECDC ressalta que os números podem ser subestimados devido à época festiva de fim de ano, observando que menos pessoas foram testadas durante esse período.

O aumento acentuado também pode ser atribuído a grandes aglomerações durante o Natal e outros eventos festivos, comuns na Espanha. O ECDC disse que ambos os tipos de gripe A e B foram detectados.

Alerta de gripe suína na Itália

A Itália registou duas mortes relacionadas a gripe no início de janeiro na cidade de Vicenza, no nordeste do país. Os médicos suspeitaram que as mortes foram causadas por um surto de gripe suína, a gripe H1N1.

Outros três pacientes estão internados em terapia intensiva devido a complicações, como pneumonia intersticial, decorrentes da doença. As autoridades de saúde locais de Vicenza apelaram ao público para que se vacine contra a gripe suína.

A gripe suína é o acréscimo mais recente às tensões existentes no sistema de saúde pública italiano. O Instituto Nacional de Saúde italiano estimou que cerca de dois milhões de pessoas foram infectadas com covid, RSV ou influenza nas últimas duas semanas de 2023.

Em janeiro, ambulâncias foram vistas fazendo fila em frente aos hospitais de Roma. Alguns centros de saúde ficaram superlotados, com pacientes à espera de leitos em cidades como Milão e Turim.

Obrigatoriedade da máscara na Espanha

A ministra da Saúde espanhola, Mónica Garcia, tornou obrigatório o uso de máscaras nos centros de saúde do país. “Temos que proteger as pessoas mais vulneráveis”, disse Garcia aos repórteres. “É apenas bom senso.”

O governo disse que a norma pode ser revogada se as taxas de infecção caírem consistentemente durante duas semanas. Mas é importante lembrar que a Espanha foi um dos últimos países a abandonar as regulamentações sobre máscaras durante a pandemia.

Alguns hospitais na Espanha também enfrentam dificuldades para lidar com o afluxo de novos pacientes.

*Opera Mundi

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Réu por corrupção, Pastor Everaldo recebe R$ 25 mil mensais do Podemos

O PSC, partido que o Pastor Everaldo presidia, foi incorporado ao Podemos por não ter atingido a cláusula de barreira na última eleição.

O Pastor Everaldo não teve alterações nos seus vencimentos de R$ 25 mil no Podemos, após a fusão da legenda com o PSC, partido que presidia. O pastor, aliado de Bolsonaro e responsável pela bênção que o ex-presidente recebeu no Rio Jordão, em Israel, é réu por corrupção na Justiça Federal.

A quantia era a mesma que o PSC desembolsava com o seu líder nacional. Hoje, Everaldo é identificado como primeiro vice-presidente do Podemos, segundo Guilherme Amado, Metrópoles.

Everaldo e dois de seus filhos foram presos em agosto de 2020, na operação que determinou o afastamento do então governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. O pastor era acusado de chefiar uma organização criminosa que desviava recursos públicos da Saúde e de estatais fluminenses. Ele deixou a cadeia em julho de 2021, mas só foi autorizado a retomar as atividades políticas em julho de 2022.

A ação criminal oriunda da Operação Tris in Idem tramita na 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro. O processo não teve o mérito julgado.

Ironicamente, o Podemos era considerado o “partido da Lava Jato” e teve entre os seus filiados o ex-juiz Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná, e o deputado cassado Deltan Dallagnol, que migrou para o Novo.

O TSE autorizou a incorporação do PSC pelo Podemos em junho de 2023. A sigla de Everaldo optou pela fusão após não atingir a cláusula de barreira.

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Cuba manifesta apoio a processo que acusa Israel de genocídio contra palestinos

País socialista é o quinto latino-americano a se somar à iniciativa, junto com Brasil, Bolívia, Colômbia e Venezuela; processo na Corte de Haia é liderado pela África do Sul e também conta com o respaldo de todos os 22 membros da Liga Árabe.

O governo de Cuba anunciou nesta quinta-feira (11/01) que apoia a denúncia apresentada pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ), pela qual se acusa o Estado de Israel de cometer um genocídio contra a população palestina residente na Faixa de Gaza, através da ofensiva militar iniciada em 7 de outubro passado.

Em comunicado elaborado pelo Ministério de Relações Exteriores e difundido pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla através de suas redes sociais, o país socialista manifestou sua “profunda preocupação com a contínua escalada de violência por parte de Israel nos territórios palestinianos ilegalmente ocupados, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, incluindo numerosas resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU)”.

“O Ministério condena veementemente, mais uma vez, os assassinatos de civis, especialmente mulheres, crianças e trabalhadores humanitários do sistema das Nações Unidas, bem como os bombardeamentos indiscriminados contra a população civil palestiniana e a destruição de casas, hospitais e infraestruturas civis”, acrescentou a nota.

Em outro trecho do comunicado, Cuba ressalta que “Israel continua agindo com total impunidade porque tem a proteção cúmplice dos Estados Unidos, que obstrui e veta repetidamente a ação do Conselho de Segurança, minando a paz, a segurança e a estabilidade no Médio Oriente e a nível mundial”.

Este último comentário faz alusão às diferentes resoluções rechaçadas nos últimos meses pelo principal órgão da ONU, uma delas apresentada pelo Brasil em outubro.

Prensa Latina
Apoio de Cuba se soma ao de dezenas de outros países que entregaram seu respaldo à iniciativa da África do Sul na CIJ contra Israel
Todas essas iniciativas, incluindo a brasileira, tiveram maioria de mais de três quartos dos votos entre os 15 membros do Conselho de Segurança, mas foram descartadas devido ao fato de que os Estados Unidos são um dos cinco países com poder de veto dentro dessa instância.

“A República de Cuba é Estado Parte na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio desde 1953 e, de acordo com os compromissos assumidos nesse âmbito, tem a obrigação de prevenir e punir o genocídio. Neste contexto, manifesta o seu apoio ao pedido da República da África do Sul para iniciar um processo contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, em relação às violações por parte daquele país das suas obrigações ao abrigo da Convenção”, conclui o comunicado cubano.

Com essa declaração, Cuba se torna o quinto país da América Latina a expressar oficialmente seu apoio à ação sul-africana. Antes do país caribenho, também o fizeram nações como Brasil, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Dezenas de outras nações do mundo também respaldaram a ação movida por Pretória, incluindo todos os 22 dos membros da Liga Árabe (entre eles, a própria Palestina).

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Apoio dos EUA a israelenses pode fazer com que Israel bombardeie até o Irã, diz analista

Para ex-funcionário do Pentágono, se não fosse o apoio norte-americano a Israel, o barril de pólvora que se encontra a região neste momento não estaria prestes a explodir, e Tel Aviv não teria coragem de expandir sua campanha militar como já prometeu algumas vezes.

Na noite de ontem (11), os Estados Unidos e o Reino Unido lançaram uma operação militar contra os houthis no Iêmen. De acordo com a BBC, a maioria dos bombardeamentos aconteceram em bases aéreas e aeroportos do país, alguns perto de áreas residenciais. A ação foi uma resposta aos ataques houthis a navios no mar Vermelho, disse o governo de ambos os países.

De fato, os houthis têm atacado embarcações na região, mas também já apresentaram sua justificativa: a campanha militar de Israel na Faixa de Gaza, a qual já deixou mais de 23 mil pessoas mortas. O grupo iemenita disse que só pararia as ações no mar Vermelho quando um cessar-fogo fosse alcançado no enclave palestino.

EUA e Reino Unido lançaram uma operação militar contra os Houthi no Iêmen, informou a mídia local – Sputnik Brasil, 1920, 11.01.2024
Panorama internacional
EUA e Reino Unido lançaram uma operação militar contra os houthis no Iêmen, informa a mídia local

Para o ex-analista sênior de política de segurança do Pentágono, Michael Maloof, foi “apenas por causa do aval norte-americano que os israelenses foram encorajados” a lançar tamanha campanha militar, e que enquanto “Washington fornecer esse apoio”, as Forças de Defesa de Israel (FDI) não vão parar de atuar em Gaza.

“Estamos em uma ladeira muito escorregadia agora. Os Estados Unidos poderiam entrar em uma guerra, e até agora Joe Biden não demonstrou uma liderança forte. […] foi apenas por causa dos Estados Unidos que os israelenses foram encorajados e estão avançando. O que poderia impedi-los é se os EUA parassem todas as suas exportações de munições para Israel neste momento, porque caso contrário estariam apenas a alimentá-lo. […] estamos jogando cada vez mais gasolina no fogo. […] Israel [também] se sente encorajado e agora quer ir para o sul do Líbano. Portanto, enquanto os Estados Unidos fornecerem esse apoio, é com isso que vamos nos deparar […]”, afirmou Maloof em entrevista à Sputnik.

O ex-analista ainda destacou que “a administração Biden tem sido negligente em sua visibilidade” nas últimas semanas e, com um ano eleitoral pela frente, “precisa dar a impressão de estar novamente forte”. Em sua visão, o bombardeio no Iêmen também acontece porque “as pessoas precisam ter a imagem de um executivo-chefe forte, e Biden tem sido tudo menos isso”.

Assim como Biden, Maloof mencionou o secretário de Estado, Antony Blinken, o qual classificou como tendo “uma eficácia praticamente zero” ao sublinhar que a visita feita pelo secretário ao Oriente Médio não surtiu nenhum efeito.

“Bem, claramente, a visita de Blinken foi inútil. Os houthis continuaram atacando mesmo enquanto ele estava na região. Portanto, sua eficácia é praticamente zero. […] Ele é muito tímido e manso […] e não está fazendo nada que provoque ou demonstre qualquer capacidade de unir esses lados. E tudo o que ele está fazendo é gastar, desperdiçar dinheiro viajando por aí sem fazer nada […]”, afirmou.

Além de uma liderança enfraquecida na presidência e na política externa, Maloof citou a “desordem” do Congresso norte-americano e a resistência em aprovar pedidos da administração Biden. No entanto, ressaltou que Israel é um caso diferente da Ucrânia.

“Infelizmente, temos um Congresso que está em desordem. E há agora um enorme debate em curso sobre a possibilidade de continuar a apoiar não só a Ucrânia, mas também Israel. No entanto, Israel provavelmente venceria entre os dois, devido ao formidável lobby israelense que existe no Congresso. Isso está tornando o nosso ano eleitoral, para dizer o mínimo, muito tumultuado.”

Por fim, Maloof disse que a situação no Oriente Médio está um caos de tal forma que, continuando a campanha militar, Israel poderia até “ter a rara capacidade de unir os sunitas e os xiitas”, concluindo “que isso não vai funcionar tão bem”.

“Se os israelenses continuarem a bombardear Gaza e expandirem a guerra, como prometeram fazer no Líbano, terão a rara capacidade de unir os sunitas e os xiitas. […] Quando você fizer com que os dois pensem da mesma maneira, isso será problemático. Por enquanto, países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que são sunitas, querem realmente reprimir tudo porque têm outras agendas. […] os sauditas têm trabalhado arduamente para pôr fim à guerra com o Iêmen. Se eventualmente houver pressão exercida até mesmo sobre esses países, se Israel quiser avançar, vão bombardear até o Irã. Portanto, enquanto os Estados Unidos lhes derem essa capacidade, as coisas não terminarão muito bem”, concluiu o ex-analista.

*Sputnik

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‘Eixo da Resistência’ promete retaliação a ataques dos EUA e do Reino Unido ao Iêmen

‘Eixo da Resistência’ promete retaliação a ataques dos EUA e do Reino Unido ao Iêmen.

Integrantes do chamado “eixo da resistência” — movimentos armados e regimes do Oriente Médio que se opõem à influência do Ocidente na região e ao Estado de Israel — prometeram retaliação ao ataque lançado por Estados Unidos e Reino Unido contra os rebeldes houthis, no Iêmen, na madrugada desta sexta-feira (noite de quinta no Brasil). A liderança do grupo iemenita prometeu retaliação aos bombardeios ocidentais, enquanto aliados de primeira ordem, como o governo do Irã e o grupo terrorista Hamas, condenaram a ofensiva e alertaram que o incidente teria consequências para a região.

Porta-vozes do grupo se revezaram em declarações públicas para prometer “punição” e “retaliação” aos EUA e ao Reino Unido pelos ataques. As autoridades houthis também afirmaram que as ações do grupo no Mar Vermelho, direcionadas contra navios israelenses ou com destino a portos israelenses, continuarão, apesar do ataque, segundo O Globo.

— Não é uma opção para nós não responder a essas operações — afirmou Mohammed Abdul Salam, um dos porta-vozes do grupo, em entrevista a Al-Jazeera. — Agora, a resposta, sem dúvida, será mais ampla.

O tom das declarações é o mesmo do adotado pelo líder houthi, Abdel-Malik al-Houthi, horas antes do ataque aéreo. Em um pronunciamento transmitido na TV iemenita, al-Houthi prometeu resposta a qualquer ação americana.

— Nenhum ataque americano ficará sem resposta. E não será como a operação realizada recentemente com mais de 24 drones e vários mísseis, mas mais importante — disse.

Washington e Londres lideraram o ataque contra posições houthis nas cidades Sanaa e Hodeidah, em resposta às agressões dos rebeldes contra navios comerciais no Mar Vermelho. Autoridades do grupo iemenita falam 73 bombardeios, que mataram cinco pessoas e feriram outras seis, a quem eles se referiram como “mártires” em um comunicado. Caças e mísseis Tomahawk foram usados na ofensiva, segundo a imprensa americana.

Em um comunicado conjunto assinado por dez países que endossaram o ataque — entre eles, apenas o Bahrein fica na região —, a medida foi descrita como uma “ação defensiva”, para dissuadir o grupo rebelde a interromper os ataques a navios no Mar Vermelho. Em um discurso, o presidente americano, Joe Biden, descreveu o objetivo da missão como sendo “desanuviar as tensões e restaurar a estabilidade” na região.

A reação entre os aliados houthis e desafetos geopolíticos das potências ocidentais, no entanto, foi no sentido contrário, com condenações ao ataque e alertas de que qualquer ação agressiva acrescentaria uma nova camada de insegurança e instabilidade na região, já sob tensão em meio à guerra entre Israel e Hamas em Gaza.

O grupo terrorista palestino foi um dos que saiu em defesa dos aliados. Em um comunicado, o Hamas apontou que EUA e Reino Unido deveriam assumir a responsabilidade por eventuais desdobramentos indesejáveis da ofensiva.

“Condenamos veementemente a flagrante agressão anglo-americana no Iêmen. Nós os responsabilizamos pelas repercussões na segurança regional”, dizia o comunicado.

O Irã se referiu ao ataque ocidental como “uma violação à soberania e à integridade territorial” do país árabe e como uma “flagrante violação da lei internacional”. Teerã indicou, ainda, que os bombardeios no Iêmen configuram parte do apoio à ofensiva de Israel contra Gaza.

 

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Rússia, Irã e China reagem a ataques de EUA e Reino Unido contra Houthis no Iêmen

Bombardeios anglo-americanos tiveram como alvo locais militares em cidades controladas pelo grupo, que tem atacado navios no Mar Vermelho em solidariedade a Gaza.

Os Estados Unidos e o Reino Unido realizaram bombardeios aéreos durante a madrugada desta sexta-feira (12/01) contra os Houthis no Iêmen, que há semanas aumentam os ataques ao tráfego marítimo internacional no Mar Vermelho alegando “solidariedade” com os palestinos em Gaza.

A operação anglo-americana provocou reações de Moscou, Pequim e Teerã, aliada dos houthis.

O porta-voz da diplomacia russa denunciou uma “escalada” que tem “objetivos destrutivos”. “Os ataques dos Estados Unidos no Iêmen são um novo exemplo da distorção, por parte dos anglo-saxões, das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e de um total desrespeito pelo direito internacional, em uma escalada na região para alcançar os seus objetivos destrutivos”, escreveu Maria Zakharova no Telegram.

Já a China disse estar “preocupada” com o aumento das tensões no Mar Vermelho. “Pedimos às partes envolvidas que mantenham a calma e moderação, a fim de evitar uma expansão do conflito”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning.

Leia também – Quem são os houthis, grupo que bloqueia os navios israelenses no Mar Vermelho?

China pede segurança
Desde o início da guerra de Israel contra o grupo Hamas, em 7 de outubro, os Houthis aumentaram os ataques com mísseis e drones contra o tráfego marítimo internacional no Mar Vermelho, “uma passagem importante para a logística internacional e o comércio de energia”, sublinhou Mao Ning.

“Esperamos que todas as partes relevantes possam desempenhar um papel construtivo e responsável na proteção da segurança regional e da estabilidade do Mar Vermelho, em sintonia com os interesses da comunidade internacional”, continuou a porta-voz.

Pequim pediu a “todas as partes” para “manterem a segurança das vias navegáveis internacionais e evitarem assediar navios civis, o que é prejudicial para a economia e o comércio globais”, ressaltou a diplomacia chinesa.

O Irã, por sua vez, condenou os ataques aéreos norte-americanos e britânicos que são uma “ação arbitrária” e uma “violação flagrante da soberania” do Iêmen.

Como foram os ataques ocidentais
Os ataques anglo-americanos tiveram como alvo locais militares em várias cidades controladas pelos Houthis, indicou o canal de televisão deste grupo – membro do “eixo de resistência”, um agrupamento de movimentos armados contrários a Israel e estabelecido pelo Irã, que também inclui o Hamas palestino e o Hezbollah libanês.

A capital iemenita, Sanaa, e as cidades de Hodeida – onde correspondentes da AFP disseram ter ouvido várias explosões –, Taiz e Saada foram os alvos.

O presidente norte-americano Joe Biden disse que a operação foi realizada “com sucesso” em “resposta direta aos ataques sem precedentes dos Houthis a navios internacionais”. Ele evocou uma ação “defensiva” para proteger a comunidade internacional e alertou que “não hesitaria” em “ordenar novas medidas”, se necessário.

“Estes ataques direcionados são uma mensagem clara de que os Estados Unidos e os nossos parceiros não tolerarão ataques às nossas tropas e não permitirão que atores hostis ponham em risco a liberdade de navegação nas rotas comerciais mais importantes do mundo”, acrescentou o presidente norte-americano.

“Apesar dos repetidos avisos da comunidade internacional, os Houthis continuaram a realizar ataques no Mar Vermelho (…) Por isso, tomamos medidas limitadas, necessárias e proporcionais em autodefesa”, declarou o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak.

A diplomacia francesa alegou que os rebeldes “são responsáveis pela escalada regional”. Em um comunicado, Paris “exigiu que os Houthis acabem imediatamente” com os ataques e lembrou que “os Estados têm direito de reagir”.

Os bombardeios anglo-americanos foram realizados com aviões de combate e mísseis Tomahawk, informou a imprensa dos Estados Unidos. Washington indicou que a operação contou com o apoio da Austrália, Canadá, Holanda e Bahrein.

Londres disse ter mobilizado quatro aviões de combate Typhoon FGR4 para atacar, com bombas guiadas a laser, os locais de Bani e Abbs, de onde os Houthis “lançam” drones.

Impacto no transporte marítimo internacional
Os ataques houthis estão forçando muitos armadores a contornar a zona, o que aumenta os custos e os tempos de transporte entre a Europa e a Ásia. Os Estados Unidos já tinham mobilizado navios de guerra e criado uma coligação internacional em dezembro para proteger o tráfego marítimo nesta área, por onde passa 12% do comércio mundial.

Na terça-feira (09/01), 18 drones e três mísseis foram abatidos por três destróieres norte-americanos, um navio britânico e por caças enviados pelo porta-aviões americano Dwight D. Eisenhower. O Conselho de Segurança da ONU exigiu um fim “imediato” dos ataques do grupo armado iemenita, mas mesmo assim, na quinta-feira (11/01), os Houthis lançaram outro míssil contra um navio no Mar Vermelho.

Combatentes do Houthis controlam grande parte do Iêmen e afirmam ter como alvo navios comerciais que suspeitam estarem ligados a Israel, alegando agir em solidariedade com os palestinianos na Faixa de Gaza, palco de uma guerra devastadora entre Israel e o Hamas.

“O nosso país enfrenta um ataque massivo de navios, submarinos e aviões americanos e britânicos”, respondeu o vice-ministro das Relações Exteriores houthi, Hussein Al-Ezzi, citado pelos meios de comunicação do movimento. “Os Estados Unidos e o Reino Unido devem se preparar para pagar um preço elevado e suportar as pesadas consequências desta agressão”, ameaçou.

*Opera Mundi

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Direto do Equador: Capital Quito vive clima de tensão após explosões

Enviada especial da CNN relata ataque a Unidade de Polícia Comunitária; comerciante contou sobre medo e danos.

Moradores do bairro de Los Condes, no sul de Quito, capital do Equador, vivem clima de tensão após uma explosão em uma Unidade de Polícia Comunitária na noite de quarta-feira (10).

O caso aconteceu após um homem em uma moto acender um dispositivo explosivo diante do local. Uma parede foi reduzida a escombros, e os vidros das janelas ficaram estilhaçados.

Com medo de futuros ataques, uma comerciante das proximidades da unidade pediu que a CNN não fizesse imagens nem dela nem de sua loja. Seu comércio teve duas janelas quebradas pela explosão.

Ela contou à reportagem que mora a cerca de três quarteirões do local do ataque e que escutou uma forte explosão por volta das 21h30, no horário local.

Segundo a comerciante, ela viu uma luz forte, o chão de sua casa tremeu e os alarmes dos carros começaram a tocar. Mas, assustada, ela só foi conferir os destroços que atingiram sua loja no dia seguinte.

Também na quarta, uma explosão foi registrada em uma passarela para pedestres da capital. A polícia local divulgou imagens da área e afirmou que houve danos materiais.

Na manhã desta quinta-feira (11), um explosivo foi deixado perto de uma ponte em Quito, a cerca de seis quilômetros da unidade de polícia atacada. Após averiguação, a polícia metropolitana detonou o artefato de forma controlada.

Além disso, na terça-feira (9), um carro explodiu no estacionamento de um posto de gasolina. Perguntados pela CNN pelo episódio, trabalhadores se negaram a comentar como foi o ocorrido.

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Cidades brasileiras se unem a articulação global e realizarão atos pró-Palestina no próximo sábado

Organizações internacionais marcaram o dia 13 de janeiro como uma data de mobilização internacional contra o genocídio.

Representantes de movimentos, entidades e partidos políticos brasileiros se uniram a organizações internacionais e realizarão atos em solidariedade ao povo palestino no próximo sábado (13). Na mesma data, organizações vão realizar protestos em ruas de cidades por todo o mundo.

O movimento global reforça as denúncias da comunidade internacional sobre a política de extermínio que vem sendo praticada por Israel no território palestino, especialmente em Gaza. Mais de 23 mil pessoas morreram desde o início da ofensiva em resposta a ataques do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023. A maioria das vítimas é de mulheres e crianças.

Em Brasília, a manifestação do próximo sábado acontece pela manhã: às 9h, na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. Os manifestantes se organizam para realizar ações de conscientização sobre a política genocida israelense, com a distribuição de panfletos e outras atividades.

“Não nos omitiremos, não nos calaremos diante do terror e do crime imposto por Israel, que em três meses já matou mais de 15 mil crianças palestinas”, disse Pedro Batista, do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino no Distrito Federal, em entrevista ao Brasil de Fato DF.

Belo Horizonte (MG)

O ato em Belo Horizonte começa às 9h30, na Praça Sete, na região central da cidade. Está sendo organizado um abaixo-assinado para exigir do governo brasileiro o rompimento de relações diplomáticas e comerciais com o governo israelense.

Brasília (DF)

Em Brasília, a manifestação do próximo sábado acontece pela manhã: às 9h, na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. Os manifestantes se organizam para realizar ações de conscientização sobre a política genocida israelense, com a distribuição de panfletos e outras atividades.

“Não nos omitiremos, não nos calaremos diante do terror e do crime imposto por Israel, que em três meses já matou mais de 15 mil crianças palestinas”, disse Pedro Batista, do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino no Distrito Federal, em entrevista ao Brasil de Fato DF.

Goiânia (GO)

Haverá mobilização também em Goiânia. O ato, organizado pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino de Goiás, tem concentração marcada para 9h na Praça Attilio Corrêa Lima, a popular Praça do Bandeirante, no setor central.

Maceió (AL)

A capital alagoana é mais uma cidade que contará com ato em solidariedade ao povo palestino. Com concentração marcada para 10h, a manifestação em Maceió acontecerá no Calçadão do Comércio, ao lado do antigo Produban, no centro da cidade.

Natal (RN)

O Comitê Potiguar de Solidariedade à Palestina se uniu à articulação internacional e realizará um ato em Natal pelo cessar-fogo imediato em Gaza. A mobilização começa às 16h, junto ao shopping center Midway Mall, no bairro Tirol.

Recife (PE)

Em Recife (PE), o dia 13 de janeiro também será de demonstração de solidariedade ao povo palestino. A partir das 9h, representantes de movimentos populares, entidades e organizações estarão no Parque 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, para participação na mobilização internacional.

São Paulo (SP)Um dos atos já confirmados no Brasil é o da capital paulista. Os manifestantes vão se concentrar a partir das 14h30, junto ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e, depois, partirão em caminhada até a Praça Roosevelt, na região central da cidade.

*BdF

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Decretos de Noboa são ‘solução autoritária clássica da direita’, diz pesquisadora equatoriana

Segundo Pilar Troya, política neoliberal e medidas ‘de curto prazo’ adotadas pelo governo do Equador fortalecem Forças Armadas e podem gerar ainda mais violência de facções que se sentirem ameaçadas.

Cenas chocantes protagonizadas por facções criminosas em diversas cidades do Equador têm redobrado a atenção do governo de Daniel Noboa. Imagens de criminosos invadindo os estúdios da tradicional emissora TC Televisión, sequestros de inocentes a mão armada e ataques a universidade foram intensamente divulgadas e reproduzidas em escala mundial.

Diante da onda de violência deflagrada na última terça-feira (09/01), o chefe de Estado assinou um decreto ainda mais rigoroso do que havia anunciado no dia anterior: o estado de “conflito armado interno”, seguido do estado de exceção. O novo documento qualifica os grupos criminosos como “terroristas” e autoriza a operação das Forças Armadas em território nacional.

No entanto, as medidas que têm sido instituídas pelo presidente equatoriano com o intuito de “neutralizar” e controlar a situação, por outro lado, têm sido interpretadas como uma ameaça ainda maior para as facções criminosas.

“Uma solução autoritária clássica da direita”, avaliou Pilar Troya Fernández, pesquisadora do escritório inter-regional do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, em entrevista a Opera Mundi.

Segundo a acadêmica equatoriana, um dos principais fatores que podem ter contribuído para a violência instalada no país são justamente as medidas neoliberais apresentadas por uma gestão conservadora, que tende a lidar com com os problemas de criminalidade “não pensando no conjunto da situação”, mas implementando políticas de curto prazo, como o decreto de caráter “autoritário” que dá aval para os “militares assassinarem os presos”.

“Agora não é [um decreto] emergencial. É uma guerra interna que diz que todas as facções criminosas são terroristas e que autoriza a matar com menos restrições” explica Troya, acrescentando que o cenário é uma clara contraofensiva dos criminosos contra as políticas de violência implementadas pelo governo.

Nos vídeos que circularam em redes sociais, é possível ouvir integrantes expressando suas insatisfações e enviando recados diretos a Noboa. Alguns dizem que “enquanto você [presidente] mantém essa situação, a gente continuará atacando porque queremos viver.”

A questão é de longa data. De acordo com a pesquisadora, os centros penitenciários de Equador carecem de investimentos estatais em vários setores, como de segurança e policiamento, fora que os funcionários são muito mal pagos. Por conta disso, “o Estado perdeu o controle” sobre o órgão prisional, cedendo espaço para que ele seja controlado pelos próprios criminosos.

Na avaliação da acadêmica, os dois meses em que vão vigorar o decreto de Noboa “não resultarão em nada”, uma vez que tais medidas de caráter emergencial já foram adotadas em governos anteriores, como de Lenín Moreno e Guilherme Lasso, mas obtiveram resultados com efeitos opostos.

“Os massacres e a criminalidade continuaram. A gente acha que eles não têm um plano bem feito sobre como lidar com um problema tão grande”, disse Troya. “Enquanto não pensarem a longo prazo, em todas as facetas do problema, não apenas na violência se desvinculando das demais pautas políticas, econômicas, de emprego, de segurança, não vai dar certo”.

Aumento de facções criminosas
A especialista menciona fatores que contribuem no aumento de facções criminosas no país. Um deles é o avanço do narcotráfico em nível internacional, uma vez que Equador “tem uma boa localização geográfica para exportar droga” e “a economia é dolarizada”, o que facilita a lavagem de dinheiro.

A questão monetária foi, inclusive, abordada pelo próprio presidente nesta quarta-feira (10/01), ao canal Todo Notícias. Durante a entrevista, Noboa afirmou que a dolarização “é um elemento que ajuda no narcoterrorismo”.

Além disso, as condições pós-pandêmicas que instalaram uma grave crise econômica no país também foram fatores agravantes.

“A falta de emprego cria um bom caldo de cultivo para o narcotráfico e, pela mesma pandemia, as rotas internacionais mudam. Então tem mais droga circulando pelo Equador. O consumo também aumentou, como em vários outros países da América do Sul”, explicou Troya, acrescentando críticas à conduta da “direita clássica” que, apesar do cenário, se apoia à ideia de Estado mínimo e segue confiando na prevalência da iniciativa privada como solução para problemas que têm raízes mais profundas.

“O narcotráfico também tem corrompido a polícia, as forças armadas, o sistema judiciário e a empresa privada, porque é ali que o dinheiro é lavado. Nesse sentido precisaria um esforço sério para atacar todas as frentes do narcotráfico, mas não temos nada disso”, conclui a pesquisadora.

*Opera Mundi