Lideranças do centrão avaliam que as brigas públicas dentro do PL, especialmente envolvendo integrantes da família Bolsonaro, têm dificultado a articulação política do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e comprometido a imagem de moderação que o senador tenta construir para ampliar alianças.
Nos bastidores, dirigentes de partidos de centro afirmam que o clima de instabilidade na sigla gera incerteza sobre qual grupo terá maior influência nas decisões eleitorais, segundo a Folha de S.Paulo.
Nos últimos dias, episódios envolvendo os irmãos de Flávio ampliaram a tensão interna. De acordo com o DCM, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente o deputado Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto o ex-vereador Carlos Bolsonaro entrou em atrito com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Para lideranças do centrão ouvidas sob reserva, essas disputas fragilizam negociações e reforçam dúvidas sobre a capacidade de coordenação da campanha.
Desde que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto, Flávio enfrenta também um distanciamento de Michelle, que teria sido mantida à margem do processo de sucessão, mas demonstra intenção de participar das decisões da legenda. Aliados avaliam que o senador tenta se firmar como uma alternativa bolsonarista menos radical, estratégia que poderia ser prejudicada por conflitos familiares e declarações mais duras de outros membros do clã.
Uma liderança do centrão considera que Flávio errou ao anunciar Eduardo como possível ministro de Relações Exteriores em caso de vitória, interpretando o gesto como um reforço a posições mais ideológicas. Ainda assim, o senador tem buscado demonstrar unidade e estará ao lado de Nikolas Ferreira na manifestação bolsonarista convocada para o próximo domingo (1º), movimento visto como tentativa de reduzir tensões após críticas públicas.
Em entrevista ao SBT News, Eduardo afirmou que o apoio de Michelle e Nikolas ao irmão está “aquém do desejável” e disse que ambos atuam de forma alinhada entre si.
“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que um, lado a lado, compartilha o outro e apoia o outro na rede social, só estão com uma amnésia aí. Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora”, declarou.
Nikolas respondeu apontando outras prioridades do campo bolsonarista: “Nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde, você tem as pessoas do dia 8 [de janeiro] presas e precisando ajudar a derrubar o veto à [proposta da] dosimetria, você tem o STF envolvido em diversos escândalos, você tem o Lula fazendo literalmente de tudo para poder destruir esse país e a prioridade é nos atacar. Então, isso diz muito mais sobre ele do que a mim”.
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“A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena”, diz o presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou otimismo após encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul realizado nesta segunda-feira (23), em Seul. Participaram do encontro 230 corporações de setores estratégicos como como economia criativa, tecnologia, alimentos, açúcar, álcool, indústria farmacêutica, agricultura e pecuária.
O comércio entre Brasil e a Coreia do Sul fechou 2025 em US$ 11 bilhões, muito aquém do recorde de quase US$ 15 bilhões em 2011.
“O intercâmbio atual não está à altura de duas economias do tamanho do Brasil e da Coreia. Por isso, celebramos um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola”, explica o presidente.
O acordo também fortalecerá cadeias de suprimentos resilientes e seguras e inova em minerais estratégicos, indústrias sustentáveis, e audiovisual. Para isso, estão previstas reuniões regulares entre os ministros dos dois países para discutir como fortalecer relações econômicas.
“A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena. Tenho certeza de que este fórum gerou muitas oportunidades de negócios que contribuirão para construir um futuro de prosperidade para brasileiros e coreanos”, afirma Lula.
Lula destaca que a República da Coreia tem ampliado sua pesquisa e desenvolvimento na área de saúde e o Brasil também avança na área. Ele cita a construção do laboratório de biossegurança Órion, o único do mundo conectado a um acelerador de partículas.
“Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz e outras fundações estaduais brasileiras, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia. Esperamos que, em breve, possamos fabricar conjuntamente novas vacinas, fármacos e insumos médicos”, observa.
O presidente lembra que o Brasil é o maior destino de investimentos coreanos na América Latina há anos. “Empresas como Samsung, Hyundai e LG estão presentes em lares brasileiros. A Coreia já é o quarto maior investidor asiático no país, com estoque de investimentos de US$ 9 bilhões. Esse volume tem potencial para crescer”, aposta.
Disse que, nos últimos três anos, o país lançou iniciativas importantes como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), a Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e o Plano de Transformação Ecológica. “Todas eles oferecem condições vantajosas para investidores estrangeiros interessados em trazer inovações tecnológicas e soluções sustentáveis”, afirma.
Carne
A competitividade do agronegócio brasileiro na produção de carnes e proteínas foi um dos atrativos nacionais enaltecidos pelo presidente Lula.
“Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o celeiro do mundo. Em 2025, tivemos a maior safra da história, com 350 milhões de toneladas de grãos. Somos uma potência agrícola e temos orgulho de contribuir para a segurança alimentar do planeta”, destaca.
Setor aeroespacial
“Juntos, também podemos dar importantes saltos científicos. A start-up coreana Innospace está ajudando a fazer do Centro de Lançamento de Alcântara um novo polo aeroespacial. Tenho certeza de que o Brasil logo terá o privilégio de ver um foguete sul-coreano em plena operação. O diálogo entre nossas agências espaciais é crucial para aprofundar essa colaboração, inclusive no compartilhamento de dados de satélites e em projetos de exploração lunar”, disse Lula.
Na comitiva brasileira estavam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernanda Haddad (Fazenda), Márcio Fernando Elias Rosa (Desenvolvimento Indústria e Comércio), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Alexandre Padilha (Saúde), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcio França (Empreendedorismo) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações). Com Vermelho.
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Presidentes dos partidos disseram a empresários que estratégia é travar PEC na Comissão de Constituição e Justiça
Os presidentes de dois dos maiores partidos do Congresso, Valdemar Costa Neto, do PL, e Antônio Rueda, do União Brasil, disseram a empresários em São Paulo, nesta segunda-feira (23), que vão articular para impedir o avanço da PEC que prevê o fim da escala 6×1 no Congresso. Os dois estiveram em um jantar com empresários promovido pelo Grupo Esfera.
Segundo eles, a estratégia é tentar segurar a tramitação ainda na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, evitando que o texto chegue ao plenário. As falas de Valdemar e Rueda contra a redução da jornada de trabalho foi aplaudida por empresários.
“Difícil um cidadão que é candidato a deputado federal e senador votar contra. Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum. O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde vai ser a guerra”, disse Valdemar Costa Neto, do PL.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda disse ter uma posição pessoal contrária ao projeto e também defendeu segurar a PEC nas comissões. “Isso vai ser um desatino pra economia, é inflação na veia. Eu defendo uma posição junto com o Valdemar de que a gente possa construir uma blindagem dentro das comissões, principalmente na CCJ. Para a poder ir ‘barrigando’ isso”, disse.
As declarações ocorreram em meio à movimentação de partidos e frentes parlamentares ligadas ao empresariado para pressionar contra mudanças na jornada semanal.
Fim da escala 6×1 A escala 6×1 é um regime de trabalho no qual o funcionário trabalha seis dias consecutivos e possui apenas um dia de descanso na semana. O governo quer que sejam dois dias de folga. A proposta enfrenta resistência de deputados que, na prática, têm mais dias de intervalo na semana entre atividades legislativas na Câmara dos Deputados do que o descanso previsto para trabalhadores nesse regime.
O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), também se reuniu com empresários em São Paulo na noite desta segunda-feira, mas na sede da Fiesp. Ele citou um ‘movimento global’ que discute o assunto.
“Há uma tendência mundial, você ter uma redução. E isso já vem acontecendo. Esse é um debate que não deve fazer correria. Porque você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas é uma tendência”, disse Alckmin.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos -PB), disse que o relator da proposta na CCJ será indicado ainda nesta semana. A ideia é reunir os textos apresentados pela deputada Érika Hilton, do PSOL-SP, e pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT-MG. Ambos defendem a redução da jornada semanal de trabalho.
*ICL
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Filho do ex-presidente tornou pública insatisfação com falta de apoio de deputado e da ex-primeira-dama à pré-campanha de Flávio
Aprofundou-se nos últimos dias o racha interno do PL, com cobranças públicas e trocas de farpas nas redes sociais entre o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
O novo capítulo da antiga disputa por influência no partido e nos rumos da direita bolsonarista teve início no último dia 12, quando Nikolas anunciou uma manifestação para o dia 1° de março sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”.
Deputados do PL por São Paulo, federais e estaduais, reagiram e publicaram nas redes um novo chamamento para o protesto, deixando de lado o “Fora, Toffoli” e priorizando a pauta da anistia e da derrubada do veto do PL da Dosimetria.
Esses parlamentares, mais alinhados ao núcleo duro do bolsonarismo, também criaram um grupo de WhatsApp para organizar o ato na avenida Paulista, esvaziando a liderança de Nikolas.
Os deputados emularam o comportamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que tem evitado explorar politicamente a pauta do impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, pressionado por conexões com o banco Master.
“A primeira convocação foi muito clara. Fora ministros [do STF], fora Lula. Quando vi que não tinha nenhuma menção [à anistia aos condenados por golpismo], me preocupou”, diz à Folha o deputado Mário Frias (PL), que pode receber o apoio da família Bolsonaro para concorrer ao Senado em São Paulo. “Para mim, não tem pauta mais importante no Brasil hoje do que [lutar para que] essas pessoas [os presos pelo 8 de janeiro] voltem para casa.”
Na sexta-feira (20), a discussão esquentou quando Eduardo afirmou em entrevista que é insuficiente o apoio de Nikolas e de Michelle à pré-campanha do irmão.
“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que um, lado a lado, compartilham o outro e apoiam o outro na rede social, só estão com uma amnésia aí”, disse ele ao SBT News. “Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio.”
Eduardo voltou a tornar pública uma insatisfação que circula entre políticos do grupo e apoiadores nas redes sociais. O entorno do filho do presidente avalia que há uma tentativa de Nikolas de se descolar de Bolsonaro e privilegiar o próprio engajamento e crescimento político — por isso, teria se aproveitado do noticiário para pedir “Fora, Toffoli”.
Como mostrou a Folha, aliados do deputado resumem as críticas como “dor de cotovelo” e disputa por protagonismo, especialmente após a caminhada liderada por Nikolas de Minas Gerais a Brasília contra as prisões pelo 8 de Janeiro.
Eles ressaltam que a pauta da anistia está inclusa no protesto anunciado por ele, mas o contrário, não, já que o grupo não se engajou pelo impeachment de Toffoli.
Eduardo também expôs insatisfação tratada nos bastidores há meses diante da falta de apoio de Michelle à pré-candidatura de Flávio. O entorno da ex-primeira-dama afirma que ela ficou decepcionada com a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo filho para concorrer à Presidência — Michelle era tratada como uma possível vice caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fosse o candidato do bolsonarismo.
No sábado (21), um dia após a cobrança pública do enteado, a ex-primeira-dama publicou uma imagem no Instagram de rodelas de banana em uma frigideira ou panela, preparadas para o marido, preso na Papudinha. “Ele ama banana frita”, escreveu.
Aliados de Eduardo interpretaram a publicação como um deboche, já que o filho do ex-presidente é pejorativamente chamado de “bananinha”. No dia seguinte, o deputado federal cassado repostou um tuíte de um seguidor: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”.
Também no sábado (21), após visitar Bolsonaro na prisão, Nikolas respondeu à cobrança do correligionário. Ele disse que está acostumado com os ataques, defendeu Michelle e afirmou que Eduardo “não está bem”.
No domingo (20), o vereador mais votado de Belo Horizonte, Pablo Almeida (PL), ex-assessor de Nikolas, publicou um trecho de sete segundos de um vídeo no qual Eduardo denuncia o que chama de “perseguição” do Supremo contra seu pai.
“Pode prender meu pai. Talvez vá condená-lo à morte, lamento. É triste? Com certeza”, afirma o ex-parlamentar na gravação.
*ICL
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A cúpula do Congresso Nacional sinalizou votar a redução de pena que pode beneficiar Jair Bolsonaro (PL) se a pressão pela CPI do Banco Master diminuir, condicionando a análise do veto ao PL da Dosimetria a um acordo político para evitar a instalação da comissão, conforme informações da Folha de S.Paulo.
A proposta pode reduzir o tempo de prisão em regime fechado do ex-presidente de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da interpretação jurídica.
Para analisar os vetos presidenciais, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), precisa convocar uma sessão conjunta com deputados e senadores. O impasse é que, nessa reunião, também teria de ler requerimentos de CPI, inclusive o pedido de investigação sobre o Banco Master — etapa que tenta evitar.
Desde a abertura do ano legislativo, Alcolumbre vem adiando a sessão, com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que também resiste à comissão.
A estratégia em negociação é realizar a sessão no início de março apenas se a oposição não pressionar pela leitura do pedido da CPI mista do Master. Caso haja acordo, a votação do veto ao PL da Dosimetria pode ocorrer na primeira semana do mês.
Sem entendimento, a análise deve ser novamente adiada. Além desse veto, há outros 73 vetos presidenciais pendentes de apreciação pelo Congresso.
Pressão da oposição e reação do governo Parlamentares bolsonaristas cobram a derrubada do veto do presidente Lula, já que a expectativa é de que a mudança na dosimetria beneficie não apenas Bolsonaro, mas também outros condenados pela trama golpista e pelos atos de 8 de janeiro.
Para manter o veto, o PT precisaria reverter ao menos sete votos favoráveis ao projeto no Senado — tarefa considerada difícil, mas possível por aliados do governo.
A derrubada exige maioria absoluta nas duas Casas: 257 deputados e 41 senadores. O projeto foi aprovado originalmente com 291 votos na Câmara e 48 no Senado. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o Planalto pode recorrer ao STF caso o veto seja derrubado, por considerar a proposta inconstitucional.
CPI do Master amplia tensão política O avanço das investigações envolvendo o Banco Master elevou a pressão pela criação de uma CPI, com apoio de parlamentares de diferentes campos políticos, incluindo bolsonaristas, governistas e integrantes do Centrão. O pedido de comissão mista, liderado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), reuniu 42 assinaturas de senadores e 238 de deputados, número suficiente para sua instalação.
Cardeais do Centrão atuam para blindar o ministro do STF Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após pressão política, e criticam o que chamam de tentativa de transformar as investigações em uma “Lava Jato 2”, com vazamentos seletivos e prejulgamentos contra políticos e ministros da Corte.
A crise ganhou novos contornos após operação da Polícia Federal contra a Amprev, gestora do regime previdenciário do Amapá, por investimentos feitos no Banco Master que podem gerar prejuízos ao fundo dos servidores.
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Levantamento aponta 112 mortes autoprovocadas de policiais penais ativos entre 2020 e 2024; só em São Paulo foram 30 casos
No dia 15 de novembro de 2025, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou nas redes sociais uma homenagem à esposa. Entre centenas de comentários, um deles deveria ter chamado sua atenção. O policial Luiz Henrique Ribeiro, que completava 23 anos na Polícia Penal, em profunda depressão, pediu ajuda para conseguir tratar sua doença. Com três filhos, um deles com apenas 7 anos, Luiz Henrique apelou ao governador como último recurso:
“Vi o quanto o Sr. fala da sua família, então ajuda a minha, sou funcionário público há 23 anos e estou precisando de ajuda urgente para tratamento de duas doenças que têm cura. Estou numa depressão profunda, mal saio do quarto, ajuda por amor de Deus. Mandei mensagem desde 2023 no início das doenças e nada foi respondido. É por isso que há tantas tentativas contra a própria vida de tantos servidores, pois mesmo com vergonha e que se humilham a ajuda não vem!”
Seu comentário nunca foi respondido. Nenhuma ação foi tomada. Menos de três meses depois, no dia 9 de fevereiro de 2026, Ribeiro morreu após uma tentativa contra a própria vida. Ele estava afastado da Penitenciária de Marília e tentava tratar uma doença que o mantinha acordado por noites inteiras. Medicações não faziam efeito. Mudanças de médicos não traziam alívio. O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE) estava sucateado demais para oferecer o tratamento que ele desesperadamente procurava.
O caso de Luiz está longe de ser único. O Boletim do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES) 2025 mapeou 112 mortes autoprovocadas de policiais penais ativos entre 2020 e 2024 em todo o Brasil. São Paulo concentra 30 desses casos. Na comparação entre 2023 e 2024, todas as demais instituições de segurança pública registraram queda no número de suicídios; apenas a Polícia Penal teve aumento.
O Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal) contabilizou pelo menos cinco casos em 2025. A morte de Ribeiro é o primeiro confirmado em 2026, sinal de que a epidemia acelera.
“Depressão, ansiedade e outros problemas psiquiátricos são comuns no sistema prisional de São Paulo. O adoecimento é provocado pelas condições insalubres dos presídios, o risco permanente à vida e pelo excesso de trabalho”, relata Fábio Jabá, presidente do Sindicato.
Assistência de saúde em colapso Servidores públicos paulistas que procuram o IAMSPE encontram longas filas, demoras e não conseguem a ajuda necessária. O estado mais rico da federação não oferece assistência psicológica e psiquiátrica de qualidade para seus servidores. Os números de afastamento entre policiais penais revelam a gravidade: aproximadamente 10% do efetivo total está afastado. Desses, metade é motivada por problemas de saúde mental. Policiais que deveriam estar em funções estão em casa, lutando contra depressão, ansiedade e transtornos que o sistema causa, mas não consegue tratar.
Jabá é direto ao diagnosticar o problema. “Os policiais penais sofrem na pele o sucateamento do sistema prisional e a desvalorização profissional. Eles vivem em constante tensão, trabalhando com defasagem de servidores, em presídios insalubres e recebendo ameaças constantes de facções criminosas. É urgente implementar medidas eficazes para cuidar da saúde mental desses servidores.”
Profissão Perigo A profissão de policial penal é a segunda mais perigosa do mundo e a mais perigosa entre as carreiras de segurança pública. Segundo estudo do Instituto de Psicologia da USP, publicado em 2010, a expectativa de vida de um trabalhador do sistema prisional é de apenas 45 anos, quase três décadas a menos que a média da população. Isso se deve a péssimas condições de infraestrutura, extensa jornada sem compensação adequada e estresse amplificado pela falta de suporte psicológico. Quinze anos depois, a situação piorou.
Em São Paulo, que abriga a maior população carcerária do país — 224.795 detentos em 18 de fevereiro, a falta de servidores é um problema crônico agravado nos últimos anos pelo excesso de afastamentos e falta de contratações. O Estado possui 23.500 servidores ativos na Polícia Penal. Com base no total de presos, o número deveria ser de, pelo menos, 44,9 mil. O cálculo segue a recomendação da ONU e do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que indica um policial penal para cada cinco presos.
Hoje, os presídios paulistas têm um policial para cada quase 10 detentos (9,5). “Cada policial penal faz o serviço de dois. A conta não fecha e o problema tende a se agravar, uma vez que o Estado não faz reposição das vagas perdidas por aposentadoria, desistência e afastamento por doenças, e o concurso previsto foi suspenso pela Justiça”, denuncia Jabá.
Na avaliação do sindicalista, implementar um programa de atenção plena à saúde dos policiais penais é tarefa urgente. “Não é um luxo. Não é um benefício corporativista. É uma questão de sobrevivência. Enquanto policiais penais morrem, o governo segue em silêncio. O apelo de Luiz Henrique Ribeiro ao governador Tarcísio de Freitas nunca foi respondido. Não há programa estruturado de saúde mental. Não há investimento em psicólogos e psiquiatras. Não há plano de contingência para uma crise que já custou dezenas de vidas.”
São Paulo tem recursos e capacidade técnica. Mas falta vontade política para reconhecer que seus policiais penais estão morrendo pela falta de cuidado básico com saúde mental. Cada suicídio é um fracasso do Estado. Cada apelo ignorado é uma oportunidade perdida de salvar uma vida. Luiz Henrique Ribeiro pediu ajuda. Ninguém respondeu. Agora, ele virou uma estatística. A pergunta que fica é: quantas mortes ainda serão necessárias para que Tarcísio finalmente aja?
Posicionamento oficial do governo A Secretaria de Administração Penitenciária apresentou, por meio de nota, solidariedade aos familiares e informou que tentou contato com o servidor sem resposta. A secretaria lista serviços de saúde mental oferecidos: atendimentos presenciais e online desde 2006, novo programa psicológico online com 1.139 atendimentos em 2024, palestras sobre prevenção de suicídio e visitas domiciliares.
A nota esclarece que delega ao IAMSPE a responsabilidade pela saúde mental dos servidores e diz que foram feitos 621.968 teleatendimentos de saúde mental e afirma que o instituto disponibilizará um novo edital de contratação de consultas ambulatoriais com especialista para a primeira quinzena de março.
A reportagem questionou sobre o déficit de servidores, mas a SAP não respondeu.
Confira a íntegra da nota enviada ao ICL A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) se solidariza com a dor dos familiares e colegas do Policial Penal mencionado. Foram feitas diversas tentativas de agendamento de visita ao servidor, em razão de sua licença saúde psiquiátrica, intermediadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidente (Cipa) da unidade prisional, sem que houvesse resposta desse servidor.
Desde 2006, oferece atendimentos presenciais e online em seus Serviços Regionais de Qualidade de Vida, por meio da Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário, sendo realizados 732 atendimentos em 2025.
No ano passado, foi criado o Programa de Atendimentos Psicológicos na modalidade online disponível a todos os servidores desta Pasta, com a finalidade de ampliar o alcance e cuidado. Foram realizados 1.139 atendimentos de servidores.
A SAP desenvolve ações com funcionários, como palestras temáticas e gravação de vídeos sobre prevenção de suicídio, além de distribuir material informativo e promover visitas técnicas domiciliares sob demanda.
O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo oferece teleatendimento de saúde mental com psicólogos e psiquiatras altamente especializados. Já foram realizados 621.968 atendimentos. O Iamspe também disponibilizará um novo edital de contratação de consultas ambulatoriais com especialista para a primeira quinzena de março.
O Iamspe oferece atendimento presencial em 78 hospitais gerais em São Paulo, que podem transferir pacientes em emergências psiquiátricas ao serviço especializado, além de teleatendimento on-line de saúde mental com 685 psicólogos e 11 psiquiatras. A primeira avaliação ocorre em até 24h.
É possível ser atendido no Hospital Geral conveniado e eles transferem para o especializado ou para o HSPE. Porém, é oferecido teleatendimento on-line com psicólogos e psiquiatrias.
*Ricardo Mello/ICL
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A turma do deixa que eu chuto, que erra previsão até mesmo do passado, certamente desaparecerá da mídia para se omitir de explicar a infâmia absolutamente equivocada de seus contos econômicos.
Esse mesmo departamento de balão da mídia não cochila para contas auspiciosas de fatos criados pela própria cachola para vender a ideia de que o Brasil está aos cacos ou num poço.
O problema é que, numa hora dessas, a grande alegria dos tais conservadores não tem como impedir que o parteiro revele um Brasil voando baixo, perfurando a língua dos falastrões e seus galões de gasolina que deveriam ser usados para incendiar o Brasil.
A notícia verdadeira corre e a turma de pés inchados tem que correr atrás para inventar outro sofisma em substituição ao atual.
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,95% para 3,91% em 2026. A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (23), pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,5% para os dois anos.
Pela sétima semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e se mantém dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
É estabilidade econômica que chama.
Luz e gasolina Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025.
Taxa Selic Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida na última reunião, no fim de janeiro.
A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.
A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi reduzida nesta edição do Boletim Focus – de 12,25% ao ano para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
Juros Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 1,8% para 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para 3 de março.
Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,45 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.
*Com informações da Agência Brasil
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Jornalista tentou associar declaração do presidente à política anti-imigração de Trump, mas foi desmentido.
Em entrevista coletiva concedida em Nova Delhi, na Índia, neste domingo (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou o repórter da TV Globo, Tiago Eltz.
Ao fazer uma pergunta, o jornalista disse: “Eu queria esclarecer uma declaração que o senhor deu agora há pouco. O presidente americano tem, entre suas políticas, talvez a política mais polêmica internamente hoje é a de caça a imigrantes. Imigrantes que não têm uma documentação, imigrantes que têm documentação, visto temporário… Isso é um problema e uma polêmica nos Estados Unidos, já resultou até em morte. O presidente Trump considera todos esses imigrantes criminosos”, pontuou. “O senhor disse agora há pouco que, na conversa com o presidente Trump, pode acertar de receber criminosos para o Brasil ou quem cometeu crime por lá.”
Nesse momento, Lula interrompeu e rebateu o repórter. “Não, você não ouviu isso aqui”, disse Lula. “Se eu aceito que você faça a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso, eu não falei isso.”
Em seguida, o jornalista retomou a palavra. “Não, eu ia só terminar, porque para o presidente Trump eles são criminosos. O senhor falou de receber, por exemplo, criminosos de combustíveis, que já cometeram crimes por lá…”
“Não, não, não. Nós queremos é prendê-los. Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, disse Lula. “Nós bloqueamos 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios, entregamos para Petrobras. Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente [Donald] Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos.”
Lula e Trump Na sequência, Lula falou sobre o que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “E eu disse ao presidente Trump que nós estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiro. Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar.”
“E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo, eles moram em cobertura, moram nos bairros mais chiques do Brasil e nos bairros mais chiques dos Estados Unidos. E eles já sabem, inclusive, de alguns nomes que nós já mandamos. Então, nessa conversa com o presidente Trump, eu quero aprofundar [o tema].”
Em uma entrevista concedida à Índia Today, na sexta-feira (20), Lula já havia falado sobre a questão. “Nós temos uma Polícia Federal muito especializada, nós temos uma Receita Federal muito bem preparada e nós queremos sentar com o Departamento de Justiça americano, com a Receita americana, com a Polícia Federal americana, e discutir. Vamos combater o narcotráfico? Vamos combater o narcotráfico. Essa proposta eu quero levar por escrito. Por escrito. Porque eu tenho medo que o vento leve as palavras. Então eu quero entregar por escrito cada coisa que eu vou conversar com o presidente Trump. Eu estou otimista.”
*Forum
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Cláudio Castro, aliado de Jair Bolsonaro, enfrenta processo por suposto abuso de poder com 45 mil contratações e R$ 248 milhões em saques em espécie
O ministro Antonio Carlos Ferreira devolveu ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as ações que podem levar à cassação do governador do Rio, Cláudio Castro (PL). O julgamento havia sido suspenso após pedido de vista do magistrado, depois do voto da relatora, ministra Maria Isabel Galotti, que se posicionou pela perda do mandato por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Os recursos foram apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e têm origem em ações movidas pela coligação que apoiou Marcelo Freixo (à época no PSOL), adversário de Castro no pleito.
Enquanto o julgamento avança, o processo se torna peça central no tabuleiro político fluminense, colocando em xeque não apenas um mandato, mas o peso regional do bolsonarismo em um dos estados mais estratégicos do país, segundo o Vermelho.
O esquema das contratações
As investigações apontam que a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teriam sido usadas para viabilizar cerca de 45 mil contratações temporárias durante o período eleitoral — 27 mil na fundação e 18 mil na universidade.
Relatórios mencionados nas ações indicam pagamentos em espécie que somariam aproximadamente R$ 248 milhões. Para o MPE, o modelo teria servido para empregar apoiadores e influenciar o resultado das urnas.
No voto já apresentado, a relatora afirmou que as instituições foram “desvirtuadas” para atender a finalidades eleitorais, apontando irregularidades formais, ampliação de atribuições por decretos do Executivo e ausência de resultados concretos compatíveis com o volume de contratações.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) absolveu os acusados por 4 votos a 3, mas o MPE recorreu, alegando que a decisão ignorou indícios robustos.
Um governador do campo bolsonarista
Filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Castro consolidou sua trajetória como um dos principais representantes do bolsonarismo no estado. Durante a campanha de 2022, adotou discurso alinhado à agenda conservadora de extrema direita, com ênfase em pautas de segurança pública, retórica ideológica e aproximação com o núcleo político do ex-presidente.
O processo em julgamento expõe, sob a ótica institucional, práticas associadas ao uso intensivo da máquina pública em ambiente polarizado — marca do ciclo político inaugurado pelo bolsonarismo. A eventual cassação teria impacto não apenas administrativo, mas simbólico, atingindo um dos principais quadros estaduais desse campo político.
Defesa e cenário sucessório
A defesa de Castro sustenta que os programas tinham finalidade legítima e que não houve vínculo entre as contratações e a campanha eleitoral. Em nota, afirmou confiar no reconhecimento da legalidade de sua conduta pelo TSE.
Caso haja condenação, o governador poderá perder o mandato e ficar inelegível por oito anos. Também respondem à ação o presidente afastado da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha.
Se confirmada a cassação, o governo será assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio até a definição do formato da sucessão. A depender do momento da decisão, poderá haver eleição direta ou indireta pela Assembleia Legislativa.
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Países em desenvolvimento precisam estar juntos, diz presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento, em especial os do chamado Sul Global, para “mudar a lógica econômica” do mundo. A afirmação foi feita na madrugada deste domingo (22), momentos antes de encerrar a visita à Índia e partir para a Coreia do Sul.
Em coletiva de imprensa, Lula falou sobre as dificuldades históricas que países menos desenvolvidos têm durante as negociações com superpotências.
“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse Lula.
Segundo ele, “os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.
BRICS Na avaliação de Lula, o Brics tem colaborado no sentido de viabilizar essa nova lógica econômica para o mundo. O bloco, segundo o presidente, “está ganhando uma cara”.
“É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os EUA têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”, argumentou.
Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse.
ONU O presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da ONU, que, segundo Lula, precisa voltar a ter legitimidade e eficácia. Ele lembrou que a entidade tem, entre suas funções, a de manter a paz e da harmonia no mundo.
“Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país — por maior que seja — possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, reiterou.
EUA Sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula disse que boas parcerias podem surgir, caso, de fato, haja interesse dos EUA em combater organizações criminosas transnacionais como a do narcotráfico.
“O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco”, disse. “E se o governo dos EUA estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive reivindicando que nos enviem os criminosos brasileiros que estão lá”, acrescentou.
Lula defendeu que a relação da superpotência com os países da América do Sul e Caribe seja sempre respeitosa, uma vez que trata-se de uma região pacífica, sem qualquer armamento nuclear, que quer crescer economicamente, gerar emprego e melhorar a vida de seu povo.
Este, por sinal, é um assunto que ele pretende conversar com o presidente Donald Trump, no encontro que os dois devem ter em breve.
“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça, como está fazendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Vamos gastar nossa energia para acabar com a fome e com a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países”, disse Lula ao lembrar que o momento atual é o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.
Sobre a taxação imposta pelos EUA a outros países, derrubada recentemente pela suprema corte estadunidense, Lula disse que não cabe a ele, enquanto presidente do Brasil, julgar decisões de cortes de outros países.
Índia Lula falou também sobre os encontros que teve com o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi. “Tratamos muito da nossa relação comercial e da relação entre Brasil e Índia. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Eu sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas, e eles sabem o que o Brasil pensa. Nós discutimos o que nos une. Em especial sobre fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, disse ao classificar a conversa como extraordinária e exitosa para os dois países. Segundo o presidente brasileiro, o comércio entre Brasil e Índia atualmente é de US$ 15,5 bilhões, mas em conversa com Modi foi estabelecida a meta de elevar este valor para US$ 30 bilhões até 2030.
Lula disse que as conversas com empresários também foram muito positivas. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos. Eles são muito otimistas com relação ao Brasil”.
O presidente voltou a dizer que o Brasil está aberto para que outros países venham explorar os minerais críticos e as terras raras do país. Ele, no entanto, reiterou que só terá acesso a essas riquezas quem se dispuser a agregar valor em território brasileiro.
“O processo de transformação precisa acontecer no Brasil. Vamos conversar. O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso mineiro de ferro. Por tantos anos a gente só se cavou buraco para mandar minério para fora e depois comprar produto manufaturado. Queremos que ele seja transformado no Brasil”.
Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para visitas à Índia e à Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia, a segunda do atual mandato.
Neste domingo (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.
*Agência Brasil
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