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Vice de Tarcísio é investigado em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro

Felício Ramuth nega qualquer irregularidade e diz que recursos são lícitos e declarados à Receita Federal

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), é investigado junto de sua esposa, Vanessa Ramuth, por suposta lavagem de dinheiro em Andorra, país europeu localizado entre a França e a Espanha e que já foi considerado paraíso fiscal.

A investigação conduzida em Andorra, revelada pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha, indica que o casal teria movimentado mais de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões, na cotação atual) em uma conta no AndBank, banco sediado no país, por meio de transferências de “fundos procedentes de atividades ilícitas”.

O dinheiro, de acordo com a Unidade de Inteligência Financeira de Andorra, teria sido transferido de contas vinculadas à Visio Corporation Ltd S.A., uma offshore no Panamá em nome da mulher de Ramuth, sem comprovação de origem. Tanto a Visio como a conta no AndBank foram abertas na mesma data, em outubro de 2009.

À Folha o vice-governador negou qualquer irregularidade e afirmou ter prestado todos os esclarecimentos às autoridades de Andorra. Ele também disse que todos os recursos foram devidamente declarados à Receita Federal.

Ramuth tem a intenção de se candidatar novamente como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição de 2026 ao governo paulista e é visto pelo entorno do governador como um dos nomes favoritos ao posto. Além dele, outro cotado para a vice é o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado André do Prado (PL).

Procurado pela reportagem, o Governo de São Paulo afirmou que não há processo aberto no Brasil sobre o caso. “Não existe acusação contra o vice-governador e sua esposa, e nem processo aberto no Brasil, mas sim uma investigação a respeito do referido banco AndBank. Todos os esclarecimentos sobre o caso já foram prestados diretamente em Andorra, não havendo nova oitiva agendada e nem fato novo. Todos os recursos foram devidamente declarados, bem como todos os impostos pagos.”

A Justiça de Andorra, no processo, relata ter chegado à conta do casal enquanto investigava “uma trama de branqueamento de capitais e valores”. O termo “branqueamento de capitais” é utilizado para se referir a crimes de lavagem de dinheiro.

Ramuth e Vanessa viajaram a Andorra em outubro passado para prestar depoimento sobre o caso. A audiência é mencionada em um procedimento aberto no Brasil, no STJ (Superior Tribunal de Justiça), após o país europeu ter solicitado cooperação ao governo federal, também em 2025.

Nos autos, aos quais a reportagem teve acesso, consta que a Justiça de Andorra bloqueou US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 7,2 milhões) da conta do casal em maio de 2023, quando Felício já era vice-governador, segundo Juliana Arreguy, do ICL.

Segundo a investigação, a movimentação na conta do AndBank de 2009 a 2011″foi nutrida através de transferências internacionais ordenadas por sociedades instrumentais das quais não existe nenhuma informação disponível e que procedem de países como Estados Unidos da América e Luxemburgo”.

Ramuth não declarou à Justiça Eleitoral nenhuma conta no exterior em seu nome nem em 2022, quando foi eleito vice-governador de São Paulo, nem em 2016 e 2020, em sua eleição e reeleição à Prefeitura de São José dos Campos, no interior paulista.

O vice de Tarcísio argumenta que a conta de Andorra está no nome de sua mulher e que todos os valores foram depositados em período anterior ao de sua vida política.

“Não existe nenhuma acusação formal sobre minha esposa ou sobre mim, (mas) sim uma investigação que envolve o banco. Todos os esclarecimentos já foram prestados diretamente em Andorra, inclusive com a cópia do Imposto de Renda, comprovando origem. Todos os recursos estão devidamente declarados e com todos os impostos pagos no Brasil, oriundos de atividades privadas, e depositados integralmente em período anterior (2009/2011) ao início da minha vida política”, afirmou Ramuth em nota à reportagem.


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Política

Viraliza vídeo do governo com capivaras pelo fim da escala 6×1

Imagem que mostra uma família de capivaras cantando por mais tempo com a família ultrapassa um milhão de visualizações; veja a tramitação do projeto aqui

Um vídeo pra lá de bem-humorado produzido pela secretaria de Comunicação do Governo Federal (Secom) com uma família de capivaras já ultrapassou um milhão de visualizações.

No vídeo, o grupo de animais aparece caminhando calmamente pelas ruas e cantando uma canção pelo fim da escala 6×1.

“A voz da capivara sussurrou no meu ouvido. Eu não duvido, só quero o fim da 6×1. Bora, gente! Por mais tempo com a família, pra viver, para se cuidar! Tem que acabar SIM”

No final, uma das capivaras ainda fala: “manda esse vídeo pro governo?”

Veja abaixo:

https://twitter.com/i/status/2024592861891620946

*Forum

O fim da escala 6×1
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 ainda não foi votada de forma definitiva no Congresso Nacional, mas já é tratada como prioridade máxima para o primeiro semestre de 2026 pelo Governo Federal e pelas presidências da Câmara e do Senado.

Em fevereiro de 2026, o tema avança simultaneamente nas duas Casas Legislativas e deve ganhar força nos próximos meses, em meio a negociações intensas entre parlamentares, governo e representantes do setor produtivo.

Tramitação na Câmara
Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta encaminhou, em 19 de fevereiro de 2026, a PEC 8/2025 para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta trata da reorganização da jornada de trabalho e foi apensada à PEC 221/2019, que já previa a redução gradual da carga horária semanal para 36 horas.

A estratégia de unificar os textos busca acelerar a tramitação e consolidar um modelo único a ser apreciado em plenário. Segundo Hugo Motta, a expectativa é que a matéria esteja pronta para votação no plenário da Câmara até maio de 2026.

Avanço no Senado
No Senado Federal, uma proposta semelhante — a PEC 148/2015 — já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e aguarda inclusão na pauta do plenário.

O líder do governo no Senado tem defendido que a votação ocorra logo após o Carnaval, reforçando o esforço do Executivo para dar celeridade ao tema ainda no primeiro semestre.

Pontos centrais da proposta
O principal objetivo das propostas em discussão é substituir a escala 6×1 por modelos como:

Jornada de 40 horas semanais, no formato 5×2;
Jornada de até 36 horas semanais, com possibilidade de escala 4×3 em determinados setores.
Um dos pilares defendidos pelos parlamentares favoráveis é a manutenção dos salários, mesmo com a redução da carga horária.

Pesquisas de opinião indicam que cerca de 73% dos brasileiros apoiam a mudança. Por outro lado, representantes dos setores de comércio e serviços manifestam preocupação com o impacto financeiro da medida. Empresários alertam para o risco de aumento de custos operacionais e possíveis demissões, argumento que tem intensificado as negociações no Congresso.


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Política

‘Frankenstein legislativo’: relatoria de Derrite no PL Antifacção visa penas altas a eficácia investigativa

Manutenção de relator na Câmara amplia tensões; especialistas alertam que endurecimento de penas pode ser “inócuo”

A manutenção do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) na relatoria do Projeto de Lei Antifacção (Projeto de Lei 5.582/2025), por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ampliou a tensão entre governistas e oposição.

O texto, que tranca a pauta do plenário e impede o avanço de outras propostas, tem votação prevista para a próxima semana. Derrite chegou a apresentar seis versões do texto, com forte oposição. Diante disso, líderes governistas questionam a permanência do relator devido às divergências entre as versões anteriores apresentadas por ele e o formato proposto pelo Palácio do Planalto e pelo Senado.

Na plataforma X, o deputado federal Lindbergh Farias (PT) criticou a permanência de Derrite na relatoria da matéria. “Sua atuação já havia sido contestada por desfigurar o projeto original do governo, apresentando seis versões sucessivas, num verdadeiro Frankenstein legislativo, com mudanças erráticas, contradições e recuos que fragilizaram a coerência jurídica e a efetividade do combate ao crime organizado”, declarou o parlamentar.

Por outro lado, Derrite celebrou a nomeação e ainda disse ver outras mudanças como um “retrocesso” citando a redução de penas para quem comete crimes graves. “Nós partimos de penas de no mínimo 20 e máximo 40 anos, mas podendo chegar a 65 anos de prisão com os agravantes. E o texto do Senado reduziu bastante isso, colocando pena máxima de 30 anos. Então eu julgo que isso é algo que a sociedade não espera do Congresso Nacional”, destacou.

O ex-secretário do governo de São Paulo diz ser contra a possibilidade do direito ao voto dos presos provisórios no Brasil, permitida no texto do Senado, e previsto na Constituição Federal, com efetivação em 2010.

No entanto, a eficácia do endurecimento penal é questionada por especialistas. Felipe Ramos Garcia, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP), alerta que o aumento isolado do teto das penas tende a ter impacto limitado. Para ele, a estratégia pode ser “mais sinal político do que instrumento eficaz de redução do crime”, correndo o risco de transformar a prisão em plataforma de recrutamento se não houver controle real.

“No caso brasileiro, há ainda um risco importante: o aumento de encarceramento e do tempo de permanência no sistema prisional pode alimentar o próprio ecossistema faccional, se não vier acompanhado de um modelo efetivo que envolva separação de lideranças, controle de comunicações, redução de superlotação e ajuste de foco em alvos estratégicos.”

Segundo ele, em crimes envolvendo grupos criminosos organizados, a capacidade do Estado de investigar e produzir provas consistentes “tem mais potencial dissuasório do que simplesmente elevar as penas.”

As divergências nos conceitos também se destacam, enquanto o governo e o Senado, sob relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), defendem o termo “facção criminosa” para abranger crimes digitais e infiltração no Poder Público, uma das versões de Derrite focava no uso do termo “organização criminosa ultraviolenta”, o que sequer existe no ordenamento jurídico brasileiro, como explica José Carlos Abissamra Filho, presidente da Comissão Especial de Advocacia Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) São Paulo.

“Derrite cria figuras jurídicas novas ao inserir essas mudanças na lei do terrorismo, estamos oficialmente instalando aqui no Brasil estruturas jurídicas mais próximas da lógica da guerra, o que tende a não dar o resultado almejado, já que a guerra às drogas está em vigor desde a década de 70 e a criminalidade, ao contrário de ser combatida, somente se agrava.”

Ao Brasil de Fato, Vieira argumentou em dezembro que as mudanças do Senado visam “viabilizar o ataque ao andar de cima do crime organizado”, superando a visão de que o crime se restringe ao “pobre na favela com fuzil”.

O senador disse que o crime organizado é uma “atividade econômica fortíssima, estruturada, com infiltração nos três poderes”, exigindo ferramentas que atinjam a lavagem de dinheiro, por exemplo.

O projeto do governo e o que mudou na versão de Derrite
O PL Antifacção é uma iniciativa do governo federal para fortalecer o combate às organizações criminosas e tem percorrido um caminho legislativo marcado por muitas alterações entre sua concepção original e as versões debatidas no Congresso Nacional.

Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 31 de outubro de 2025, o texto inicial do Executivo buscou atualizar a Lei de Organizações Criminosas (Lei nº 12.850/2013), introduzindo a figura da “facção criminosa” na legislação brasileira.

A proposta governamental previa penas de 8 a 15 anos de prisão para a atuação de facções que visam o controle territorial ou econômico, com homicídios relacionados a essas organizações sendo classificados como crimes hediondos, com penas de 12 a 30 anos.

Além da tipificação, o projeto do governo federal estabelecia eixos para fortalecer a investigação, permitindo a infiltração de policiais e colaboradores em facções, e a criação de um Banco Nacional de Facções Criminosas.

A medida amplia o acesso a dados digitais e de geolocalização, e autoriza métodos avançados de investigação, como a criação de empresas fictícias para rastrear crimes financeiros.

Também visava punir a infiltração no Poder Público, com o afastamento de agentes e impedimento de contratação com o Estado por 14 anos para condenados. O estrangulamento econômico das facções, com apreensão de bens e bloqueio de operações financeiras, e a redução do poder operacional, incluindo o monitoramento de parlatórios e a transferência de presos sem autorização judicial em casos de motim, complementam a proposta.

No entanto, a versão aprovada pela Câmara dos Deputados, sob relatoria de Derrite, introduziu mudanças significativas. Uma das principais alterações foi a substituição do conceito de “facção criminosa” por “organização criminosa ultraviolenta”. Essa categoria especial concentra penas elevadas (20 a 40 anos), focando em repressão rigorosa.

As penas propostas por Derrite eram mais severas, variando de 20 a 65 anos de prisão, com aumento de metade a dois terços para as lideranças.

Em relação ao julgamento, a versão da Câmara retirava a competência do tribunal do júri para assassinatos e crimes contra a vida cometidos por membros de facções ou milícias, transferindo-a para juízes.

A proposta da Câmara ainda propunha o fim do auxílio-reclusão para dependentes de presos por crimes de facções ou milícias. No campo constitucional, as propostas de Derrite enfrentam resistências técnicas. José Carlos Abissamra Filho classifica o texto do deputado como uma “legislação de emergência” com carga simbólica superior à eficácia jurídica.

Ele aponta que o bloqueio do auxílio-reclusão e a punição de quem dá abrigo a investigados podem atingir familiares de forma indevida. “A vedação de direitos como o auxílio-reclusão é uma punição para a família do preso, o que é inconstitucional, pois a pena não pode passar da pessoa do condenado”, explica Abissamra, citando a violação direta ao artigo 5º da Constituição Federal.

Financiamento do FNSP
A proposta de Derrite também previa a divisão dos recursos de bens confiscados entre União e Estados, que seriam destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), caso a Polícia Federal (PF) participasse da operação. O texto previa que os recursos dos bens apreendidos das facções e milícias também seriam distribuídos para fundos estaduais, o que, segundo a PF, retira o financiamento da corporação.

Derrite manteve a previsão “de que o produto ou proveito do crime seja revertido em favor do ente federativo responsável pela investigação”. O texto ainda proíbia o auxílio-reclusão para envolvidos com facções e milícias, além de vedar o direito ao voto para qualquer preso, mesmo os não condenados.

*BdF


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Política

Deus acima de todos, Mendonça acima do STF: como a mídia fabrica um novo Sergio Moro

A mídia está tentando transformar André Mendonça no novo Joaquim Barbosa ou no novo Sergio Moro.

Ele já está na capa da Veja, como seus antecessores.

Na CNN, cujo dono tem negócios com Daniel Vorcaro, do Banco Master, conforme revelado por Vinícius Segalla no DCM, a bajulação do ministro terrivelmente evangélico tomou conta de uma conversa mole.

Thaís Herédia se embrenhou pela “psicologia” do Supremo Tribunal Federal, dando o costumeiro cacete nos demônios Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Nós tratamos aqui da soberba do Toffoli e do Alexandre de Moraes… O André Mendonça tem uma personalidade diferente, até em função da religião, tem outro comportamento”, disse.

“Ele pede para as pessoas saírem da sala porque ele quer se dedicar a orações”, completou William Waack, citando sua própria coluna no Estadão. “Mas ele não é arrogante”, afirmou Caio Junqueira.

Sim, de acordo com Waack, aconteceu o seguinte: “Homem de profunda convicção religiosa, o ministro Andre Mendonça teria imediatamente se recolhido em orações ao saber que fora sorteado como novo relator do caso Master”.

“Notícia suplementar alvissareira, o ministro teria dito a interlocutores que o caso Master é definidor de como ele será considerado pela posteridade, e é salutar que alguém no Brasil ainda se preocupe com o que pensam os pósteros”, escreveu Mario Sabino no Metrópoles.

Na inacreditável Gazeta do Povo, Deltan Dallagnol não se conteve em seu júbilo. “Mendonça derrubou todas as decisões de Toffoli que amarravam a Polícia Federal (PF) e a CPMI do INSS, a qual também havia se debruçado sobre o Master. Moraes e Toffoli, que até poucos dias atrás comandavam o alcance e o fluxo das investigações, perderam o sono com o seu pior pesadelo se concretizando”, escreveu.

Exaltou a “retidão” de Mendonça e referenciou Waack e a cena da oração. “É esse o perfil do magistrado que agora conduz a investigação mais importante da história recente do STF: humilde, temente a Deus, técnico, sério, sem blindagens, sem protecionismos”, declarou.

É daí para baixo. Daqui a pouco Mendonça estará recebendo algum prêmio das mãos dos Marinhos e sendo convidado para chá com bolacha vencida na ABL com Merval Pereira e quejandos. Já virou santo.

Se Deus quiser, vai lembrar do que está em Provérbios 26,28 a respeito dos puxa-sacos: “A língua falsa odeia os que ela aflige, e a boca lisonjeira provoca a ruína”.

*Kiko Nogueira/DCM


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Brasil Mundo

Brasil e Índia assinam acordo sobre minerais críticos e terras raras

Brasil e Índia assinaram hoje (21 de fevereiro de 2026) um acordo (memorando de entendimento – MoU) sobre minerais críticos e terras raras, durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, em Nova Délhi.

O anúncio foi feito após reunião entre Lula e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Ambos destacaram o acordo como um passo pioneiro e histórico para fortalecer cadeias de suprimento resilientes, especialmente no contexto da transição energética global e da redução da dependência de fornecedores dominantes (como a China, que controla grande parte do mercado de terras raras).

Principais pontos do acordo

Foco em cooperação técnica, investimentos e exploração de minerais críticos (como lítio, nióbio) e elementos de terras raras.

Esses materiais são essenciais para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, baterias, motores de aviões, equipamentos de defesa e energias renováveis.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, o que o posiciona como fornecedor estratégico.

A Índia busca diversificar fontes de suprimento para reduzir dependência externa e impulsionar sua indústria de alta tecnologia e transição energética.

Não se trata de um contrato com metas financeiras obrigatórias ou volumes específicos de investimento imediato, mas de um framework para ampliar parcerias futuras, incluindo pesquisa, processamento e cadeias sustentáveis.

Contexto da visita de Lula à Índia:

Os líderes também definiram meta de elevar o comércio bilateral para além de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos (atualmente em torno de US$ 15 bilhões ou mais).

Outros acordos assinados incluem cooperação digital, mineração no setor de aço e parcerias em energias renováveis.

Lula enfatizou que “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”.

Modi destacou que “O acordo sobre minerais críticos e terras raras é um grande passo em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”.

Esse acordo reforça a parceria estratégica entre os dois países do BRICS e do Sul Global, em um momento de tensões geopolíticas e disputas por recursos estratégicos para a economia verde e tecnologias avançadas.


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Sobe para 65 o número de mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras, diz Anvisa

As mortes, segundo o órgão, ocorreram no período entre dezembro de 2018 e o mesmo mês de 2025

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) investiga 65 mortes suspeitas após o uso de canetas emagrecedoras. A informação foi revelada pela Agência Pública e confirmada pela Folha de S.Paulo.

As mortes, segundo o órgão, ocorreram no período entre dezembro de 2018 e o mesmo mês de 2025. Esse número supera um balanço anterior, divulgado pela própria Anvisa. Conforme noticiou a Folha, seis mortes eram investigadas até o começo deste mês, além de 225 eventos adversos, número agora atualizado para 2.436.

Segundo a agência, os óbitos ocorreram após o uso de remédios à base de semaglutida (princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, ambos da Novo Nordisk), da liraglutida e da tirzepatida, esta última princípio ativo do Mounjaro.

Anvisa aprova uso de Mounjaro para tratamento contra obesidade

“A Anvisa não investiga óbitos de forma individual. O que faz é a análise das notificações de suspeitas de eventos adversos recebidas como parte do monitoramento de farmacovigilância. O valor das notificações como evidência está no conjunto de dados que, somados e analisados de forma global, podem indicar mudanças no perfil de segurança e eficácia de medicamentos”, disse a agência em nota.

Os casos também resultam de canetas produzidas por farmácias de manipulação e por laboratórios não autorizados. Há canetas que chegam no Brasil por contrabando de outros países da América do Sul e são comercializadas clandestinamente.

As investigações passam por um longo processo clínico e científico, segundo a Anvisa. Isso porque a despeito do uso desses remédios pelos usuários que morreram, não é possível dizer se eles são a causa direta dos óbitos, que podem também estar relacionados à combinação com outros medicamentos e comorbidades.

No dia 9 de fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta para os riscos de pancreatite decorrentes do uso de canetas emagrecedoras.

A Eli Lilly disse, na ocasião, que a bula do Mounjaro (tirzepatida) aponta a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) como uma reação adversa incomum. A empresa orienta que os pacientes conversem com um médico para saber mais sobre os sintomas e, em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento, informem o profissional de saúde e interrompam o uso do medicamento.

A Novo Nordisk, que comercializa os medicamentos Ozempic, Wegovy e Saxenda, afirmou em comunicado que “embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança”.

*ICL


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Brasil Mundo

Na Índia, Lula diz que IA controlada por poucos é ‘dominação’ e não inovação

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva denunciou nesta quinta-feira (19/02), durante a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA), que a concentração de capacidade computacional e dados nas mãos de “alguns países e empresas” ameaça transformar a IA em um instrumento de dominação política e econômica.

“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação. Os dados gerados pelos nossos cidadãos estão sendo apropriados sem um retorno equivalente em criação de valor nos nossos territórios”, declarou Lula da Silva aos chefes de Estado e de governo presentes no evento.

Em meio ao seu discurso na sessão plenária da AI Impact Summit 2026, realizada na capital indiana, Nova Delhi, o líder sul-americano afirmou que o modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia depende da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdo que amplifica a radicalização política.

Lula da Silva comparou o impacto da IA ​​ao da energia atômica ou da engenharia genética, sublinhando sua natureza dual.

“O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem será deixado de fora desse processo”, observou o líder brasileiro, que insistiu que os seres humanos sejam colocados no centro de toda decisão tecnológica.

Apesar de reconhecer seu potencial para a medicina e a produtividade, ele alertou que o conteúdo manipulado por IA está distorcendo os processos eleitorais e colocando em risco a estabilidade democrática global.

Diante desse cenário, Lula da Silva defendeu uma governança internacional liderada pela ONU, descrevendo-a como o único fórum com universalidade suficiente para garantir o desenvolvimento multilateral e inclusivo.

Lula destacou a participação do Brasil na iniciativa liderada pela China para criar uma Organização Internacional de Cooperação em IA voltada para países em desenvolvimento.

O presidente sul-americano insistiu que a IA não deve aprofundar as desigualdades, mas sim servir para reduzir a distância entre o Norte e o Sul globais.

Cooperação do Google no Brasil
A empresa de tecnologia Google quer estreitar sua cooperação com o Brasil, informou o presidente Lula da Silva após reunião com o principal executivo da multinacional americana, Sundar Pichai.

Em sua conta no x, Lula especificou que o encontro ocorreu a pedido de Pichai, à margem da cúpula mundial sobre inteligência artificial que estava sendo realizada na Índia.

“Pichai falou sobre a importância do Brasil para o Google, os investimentos da empresa no país, a inauguração do Centro de Engenharia em São Paulo e os projetos de infraestrutura e parcerias com o setor público […] O Google expressou seu compromisso em aprofundar sua parceria com o governo brasileiro e expandir suas ações com o setor privado no país”, tuitou Lula.

*Opera Mundi


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Política

Marcos Coimbra: “Já podemos até pensar em vitória de Lula no 1° turno”

Cientista político analisa chances de Lula ganhar a eleição diante de adversários sem competitividade e relevância política

o cientista político Marcos Coimbra analisou as chances do presidente Lula (PT) ser reeleito nas eleições de outubro e defendeu que o petista pode ganhar já no primeiro turno se o seu adversário for Flávio Bolsonaro (PL).

Para Coimbra, o anti-lulismo hoje não tem um forte candidato que consiga disputar de maneira acirrada a eleição com Lula. “Tem um cidadão de quarta categoria política, que é um dos filhos do Bolsonaro”, afirma Coimbra, se referindo a Flávio Bolsonaro, escolhido para substituir o ex-presidente.

O cientista ainda afirma que é justamente pela falta de uma candidatura competitiva e relevante com Lula que a direita e a extrema direita fabricam fatos, novidades e notícias políticas mesmo quando não há, de fato, um assunto. Coimbra se refere aos ataques contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que desfilou no Carnaval do Rio de Janeiro com um samba-enredo em homenagem a Lula. A escola acabou sendo rebaixada novamente para a Série Ouro, o que virou uma arma política da extrema direita para atacar o presidente.

No entanto, Coimbra considera isso um “não-assunto”. “É um não assunto que só se transforma em tema de discussão por causa desse quadro de carência de uma alternativa a Lula”, diz.

Ele ainda acrescenta que, com isso, já deve ter políticos ensaiando um golpe jurídico para tirar Lula do páreo, já que a vitória do presidente já é praticamente certa. “E se continuar desse jeito, podemos começar a pensar até numa vitória em primeiro turno. Não tanto pelos méritos, mas também pelo quadro lastimável de opções que existem ao nome de Lula”, afirma o cientista.

“Sequer um sujeito como o Bolsonaro, que podia representar alguns valores ultra-reacionários, anti-democráticos e de baixa qualidade intelectual, existe este ano. Estão restritos a ficar tentando fabricar um filho do Bolsonaro porque não tem nada para pôr no lugar”, diz Coimbra.

Para o cientista, o único nome que tinha alguma chance de competir com Lula era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Porém, Coimbra ainda acha que o governador será de fato o candidato do bolsonarismo.

Tarcísio de Freitas vs Flávio Bolsonaro
Em relação a essa disputa de quem será o substituto de Bolsonaro, Coimbra considera que Tarcísio teria um “conteúdo minimamente concreto” para apresentar durante a campanha eleitoral. Já o filho de Bolsonaro “não tem expressão em lugar nenhum da vida política brasileira”. “Não tem conteúdo, não tem proposta, não tem ideia, não tem trabalho, não tem currículo. O que que ele é? O filho do Bolsonaro”, diz o cientista.

Coimbra ressalta que, fora do “núcleo irracional” do bolsonarismo, é muito difícil viabilizar um candidato que tem apenas o sobrenome. “Sinceramente, nós já vimos na política brasileira o quão curta é a trajetória de quem não é nada, a não ser filho de alguém.”

Avaliação do governo e votos
Coimbra também analisou a avaliação do governo Lula e como os resultados devem ou não influenciar na votação. O cientista afirma que não só no Brasil, mas mundo afora, há uma grande dificuldade de governantes democráticos serem majoritariamente bem avaliados.

O cientista explica que essa nova realidade pode ter várias explicações, como relativas a performance dos próprios governos, que caíram em todos os outros lugares do mundo, muito pelo fato do novo capitalismo ofertar muito menos dinheiro para políticas sociais.

No entanto, Coimbra defende que, diante desse quadro, os números de Lula são normais. “Não sinalizam que ele terá uma reeleição complicada. E se a gente quiser um exemplo brasileiro, é só olhar como é que estava a avaliação do Bolsonaro em 2022 e como é que ele terminou, com 48,5% do voto. Ele tinha números muito ruins de avaliação. A média, a avaliação positiva dele estava na casa de 25”, relembra o cientista.

“Em todas as outras áreas sem ser a Segurança Pública, ele tinha números péssimos. Pois bem, chegou no final comprovando que a avaliação de governo e voto têm cada vez menos relação. Ele chegou no final com os 48,5%, o que assustou todo mundo pensando que realmente o povo brasileiro gosta de governante de terceira qualidade”, completa Coimbra.

“Eu sou muito cético com relação a essa vinculação entre boa avaliação de governo e voto e acho que até outro dia nem existia na gramática da política brasileira a palavra’ incumbência’. Nós estamos vendo hoje o quão importante é estar no governo, fazer as coisas de um governante – até inventar coisas, como o Bolsonaro cansou de inventar naquele final de primeiro turno e na transição do primeiro para o segundo. É esse tipo de incumbência que pesou e que é a grande explicação para o Bolsonaro ter tido aquela performance. Não tem nada a ver com ideologia, tem nada a ver com tese da direita, pauta ideológica ou pauta religiosa.”

Por fim, o cientista afirma que a esquerda deve fazer uma eleição como as outras, mas com uma realidade diferente de 2022. “Naquele ano, quem tinha que convencer de que se ganhasse faria coisas era o Lula. Agora não, quem tem que convencer não é nem o Bolsonaro, que podia ter um certo direito de dizer ‘aquilo que eu fiz eu vou fazer de novo’. Não tem nada disso. Tem um filho dele que vai dizer: ‘Eu vou fazer igual o papai’”.

*Marcos Coimbra em entrevista à Forum


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