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Governistas apontam “fraude” em votação que aprovou quebra de sigilo de Lulinha e acionarão presidente da CPMI do INSS

Segundo Paulo Pimenta, 14 parlamentares votaram contrário à aprovação dos requerimentos, enquanto apenas 7 se colocaram a favor.

Líder da bancada governista na CPMI do INSS, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) acusou “fraude” na votação que aprovou a quebra de sigilo do filho do presidente Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O parlamentar afirmou ainda que vai abrir representações contra o presidente da Comissão, o bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG), que operou a manobra da oposição.

Segundo Pimenta, 14 parlamentares votaram contrário à aprovação dos requerimentos, enquanto apenas 7 se colocaram a favor.

“A TV Senado mostra isso. O regimento é claro no sentido de que o contraste da votação simbólica se dá por maioria ou minoria entre os presentes. Portanto, foi 14 a 7 a votação”, afirmou Pimenta.

Na hora da votação simbólica, havia 21 parlamentares titulares com direito a voto no plenário da Comissão. Manifestaram posicionamento contrário aos requerimentos em votação a senadora Soraya Thronicke, Randolfe Rodrigues, Jussara Lima, Jaques Wagner, Tereza Leitão, deputado Damião Feliciano, Átila Lira, Cléber Verde, Orlando Silva, Romero Rodrigues, Paulo Pimenta, Alencar Santana, Neto Carleto e Rogério correia. Portanto, 14 parlamentares votaram contra a aprovação dos requerimentos. O presidente da Comissão, Carlos Viana, contabilizou apenas sete votos.

ENTENDA:
Empurra-empurra entre governistas e bolsonaristas interrompe CPMI do INSS após aprovação de convocação de Lulinha
“Sabotagem”: Governistas acusam bolsonarista que preside CPMI do INSS de blindar aliados como Flávio Bolsonaro e Tarcísio

“Diante disso, senhor presidente, eu requero a vossa excelência que a anule o resultado por erro material da contagem e que vossa excelência anuncie o resultado verdadeiro baseado nas imagens, nas fotos, inclusive da imprensa oficial da casa, da Secretaria Geral da casa. Não havendo, senhor presidente, por parte de vossa excelência emendamento. Eu comunico a vossa excelência que nós vamos interpretar como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação. E diante deste fato nós iremos até o presidente do Congresso Nacional para solicitar a imediata anulação da votação que teve aqui”, emendou.

Viana, no entanto, manteve a votação que aprovou em bloco os requerimentos. Pimenta pediu a suspensão da sessão para reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que foi negado.

O deputado petista sinalizou que deve judicializar a decisão e que fará uma representação contra Viana no Conselho de Ética “por ser o autor desta fraude que nós não reconhecemos”.

“Eu comunico a vossa excelência que nós vamos interpretar como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação. E diante deste fato nós iremos até o presidente do Congresso Nacional para solicitar a imediata anulação da votação que teve aqui. E ao mesmo tempo vamos fazer uma representação no conselho de ética do congresso nacional contra vossa excelência por decisão de fraudar o resultado da votação, mesmo que todas as pessoas que estão aqui saibam que o resultado é outro, vossa excelência está dando um golpe na votação”, disse Pimenta antes da decisão final de Viana. Com Forum

Assista.


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Política

Dino estoura o clã dos Coelho e o modus operandi oligárquico via Orçamento da União

No relatório e na decisão da petição 10.684 no inquérito 4.905 (Operação Vassalos 2) Flávio Dino desmonta com fatos a mais poderosa oligarquia do sertão nordestino

Coelho, Lundgren, Souza Leão, Amorim, Pontes Ribeiro, Andrade Lima… Bezerra Coelho, enfim… estão todos ali, nas 84 páginas da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal. São sobrenomes que contam parte da história política e dos ciclos econômicos de Pernambuco.

O rol designativo de linhagens familiares surge sempre associados a ardis vergonhosos no sintético, objetivo e bem escrito relatório desprovido de juridiquês que revela como os líderes dos clãs usam mandatos públicos para projetar amigos em empresas estatais nas quais passam a ter por missão facilitar o acesso de companhias privadas ao Orçamento da União. A partir dali, pagam obras na administração de Petrolina e redistribuem os lucros tangíveis e intangíveis. Um grande negócio, sem dúvida.

Tudo se dá exclusivamente em Petrolina. A cidade é joia e pequena metrópole do Sertão do São Francisco, coração do Nordeste. A empresa que tem as portas das burras públicas escancaradas para executar obras cruciais nas administrações de Miguel Coelho (2017-2022, filho do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, ex-líder de Jair Bolsonaro no Senado) e de Simão Dourando (2022 até hoje, ex-chefe de gabinete parlamentar do mesmo ex-senador) se chama Liga Engenharia.

A Liga Engenharia pertence a primos e sobrinhos do ex-prefeito Miguel Coelho, até ontem nome pretendido pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), para ser seu companheiro de chapa na disputa pelo governo estadual, e do irmão do ex-prefeito petrolinense, Fernando Filho. Desde fevereiro de 2023 “FBC”, como o ex-líder de Bolsonaro e pai de Miguel e Fernando Fº é chamado pelos seus chegados, dedica-se a atividades de “relações institucionais” (o bom e velho lobby) em Brasília além de dirigir os negócios privados espalhados por Pernambuco e Bahia.

“PERNANBUCO É DO SENHOR, SENADOR”
“Por volta de 29 e 30 de julho de 2019, encontraram-se diálogos entre o então senador e o então ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, acerca da manutenção do indicado dos Coelho para gerir a 3ª Superintendência da Codevasf”, narra o texto da decisão de Flávio Dino em seu relatório. E prossegue: “o então parlamentar assevera se tratar de sua cidade e de sua indicação, sinalizando que a nomeação de alguém outro representaria uma ‘completa desmoralização para quem hoje é líder do governo’. O Ministro de Estado, então, o tranquiliza, informando que ‘Pernambuco é do Senhor, Senador’”.

O trecho grafado em itálico está na página 14 do relatório da decisão do ministro Flávio Dino no inquérito 4.905. É a descrição de uma conversa do ministro-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro, o único general palaciano que não está preso pelo golpe de 8 de janeiro de 2023, com o então líder bolsonarista no Senado, Fernando Bezerra Coelho, entregando ao ex-senador e agora lobista a “capitania” de Pernambuco para que ele fizesse o que bem quisesse. E fez, por meio de emendas da União e usando a Codevasf – Companhia de Desenvolvimento dos Vales dos Rios São Francisco e Parnaíba. A partir de agora, tudo o que segue em itálico é reprodução literal da decisão de Dino.

“Antes de assumir o cargo de Superintendente na 3ª Secretaria Regional da Codevasf, Aurivalter exercia a função de assessor parlamentar no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho”, segue descrevendo o texto legal. E vai além no didatismo: “O histórico profissional de Aurivalter Cordeiro revela sua indubitável proximidade com Fernando Bezerra Coelho, sempre assumindo cargos comissionados de relevo nos órgãos públicos geridos por esse último. (…) por ocasião do cumprimento de mandados de busca e apreensão no escritório de representação do Senador Fernando Bezerra Coelho em Recife e no interesse da Operação Desintegração, observou-se, que Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva constava da lista de pessoas com livre acesso às instalações, estando registrado como assessor, apesar de constar que a última modificação teria sido em 07/11/2016, época em que ele já era o titular da 3ª Superintendência Regional da Codevasf em Petrolina (PE).”

COMPLEXO MECANISMO CONSTRUÍDO PARA FRAUDAR
O objetivo deste artigo é revelar como decisões saídas dos gabinetes do STF podem ajudar a compreender com clareza os mecanismos de fraude e de operação de poder. Em razão disso, continuamos com trechos na íntegra:

“É inegável o estreito vinculo existente entre Aurivalter Cordeiro da Silva e Fernando Bezerra Coelho, sendo certo que os elementos coligidos fortuitamente no âmbito da Operação Desintegração, notadamente a análise dos aparelhos celulares do ex-parlamentar e de Fernando Filho, revelam que o relacionamento existente entre eles não é meramente profissional, mas de verdadeira subordinação do então Superintendente da Codevasf em Petrolina com relação ao ex-senador e ao deputado federal mencionados e, ainda, a outros integrantes da família Coelho.

Os relatórios de análise juntados a este inquérito evidenciam a ascendência de Fernando Bezerra Coelho e de Fernando Filho sobre Aurivalter, passando-lhe determinações e indicando prioridades a serem cumpridas. (…) Por outro lado, Aurivalter encaminha mensagens quase que semanalmente a eles, com claras feições de prestação de contas. Corroborando essa afirmação, tem-se as mensagens constantes do relatório complementar de análise do celular de Fernando Bezerra Coelho, enviadas em abril de 2018, constando mensagens nos dias 18, 20, 23, 24, 28 e 29 daquele mês. A situação repete-se nos meses subsequentes.”

Num salto dado em seu no texto, costurando trechos, estabelece o ministro Flávio Dino em sua decisão:

“A Liga Engenharia Ltda (CNPJ 15.270.565/0001-661) que desde o ano de 2017 celebrou 22 contratos com a Prefeitura de Petrolina e a Autarquia Municipal de Mobilidade de Petrolina, (a partir de) informações extraídas do Portal Tome Conta do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e complementada com dados do Portal da Transparência do Município de Petrolina: a empresa foi favorecida com 158 empenhos, num valor total empenhado de R$ 190.532.712.72, dos quais R$ 189.894.762.94 foram liquidados e R$ 189.753.377.95 efetivamente pagos. Somente no ano de 2024, a Prefeitura de Petrolina e a Autarquia Municipal de Mobilidade de Petrolina empenharam e liquidaram R$ 59.872.865.64 em favor da empresa, dos quais R$ 59.768.124.42 foram pagos. Tais dados e valores estão disponíveis no portal Tome Contas do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. Veja-se que o montante de recursos empenhados e pagos já supera aquele referente aos valores dos contratos celebrados, o que pode decorrer de aditivos ou da existência de outros contratos não listados no portal da transparência.”

SALTO DE INEXPLICÁVEL “EFICIÊNCIA”
“O painel ‘Fornecedores’ do Município de Petrolina no Portal ‘Tome Conta’ do TCE/PE faz constar lista dos maiores destinatários de recursos da municipalidade por ano. No ano de 2017, a Liga Engenharia foi a 27ª empresa a mais receber recursos do ente municipal, num total de R$ 1.309.598.83 empenhados, liquidados e pagos. Em 2018, a empresa se tornou a 10ª maior destinatária, recebendo R$ 7.342.447.54. A empresa passou para a 5ª colocação no ano de 2019, sendo destinatária de RS 15.342.456.82 empenhados e R$ 14.753.342.91 liquidados e pagos. Em 2020, foi mantida a 5ª colocação e a empresa foi favorecida em empenhos na monta de R$ 20.926.512.88 e pagamentos de R$ 20.895.914.99. Em 2021, a empresa caiu para a 6ª colocação, mas ainda recebeu empenhos e pagamentos em valor maior que no ano anterior, em importes de respectivamente R$ 29.226.167.82 e R$ 29.220.121.94. Em 2022 manteve-se a 6ª colocação, com pequena redução nos valores, com empenho, liquidação e pagamento de R$ 27.599.438.84. Houve nova diminuição em 2023 (ano em que Fernando Bezerra Coelho deixou o Senado Federal), com a permanência na 6ª colocação e a realização de empenhos e pagamentos no valor de R$ 18.989.039.32. Por fim, em 2024, a Liga Engenharia Ltda é a 1ª colocada entre os fornecedores do Município de Petrolina, com empenhos no montante de R$ 55.131.318.63 e pagamentos que alcançaram R$ 55.026.577.41.”

“Ao desenhar os vínculos subjetivos existentes entre a pessoa jurídica Liga Engenharia Ltda. e a família Coelho, a representação policial penetra num de seus mais expressivos núcleos argumentativos: ‘O volume de dinheiro encaminhado pelos parlamentares e o montante de recursos públicos empregados na contratação da Liga Engenharia, por si, já chamam a atenção, (sobretudo) quando observado o momento em que as contratações da referida empresa começaram a ocorrer. Entretanto, todas as informações acerca de contratações da Liga Engenharia pela Codevasf e pelo Município de Petrolina, com intervenção direta ou indireta de Fernando Bezerra Coelho e/ou de Fernando Filho, assumem contornos criminosos quando se verifica que a aludida construtora é de propriedade de não apenas um, mas de dois familiares ‘por afinidade’ dos políticos.

[…] O primeiro dos sócios listados, Fabrício Pontes Ribeiro Lima, é filho de Diva Pontes Gusmão Lima e de Eduardo Walter Ribeiro Lima. De seu turno, Eduardo Walter é pai de Pedro Paulo Coelho Ribeiro Lima, filho de Eugênia Coelho Ribeiro Lima, com quem, segundo informações coletadas, Eduardo Walter é casado. Por sua vez, Eugênia é irmã de Fernando Bezerra Coelho e tia de Fernando Filho e de Miguel Coelho. O outro sócio, Pedro Garcez de Souza, é irmão de Milla Garcez de Souza, que é casada com Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto. De seu turno, este último é filho de Carlos Alberto Oliveira Neto e Conceição Coelho Oliveira Neto, que também é irmã de Fernando Bezerra de Souza Coelho e tia de Fernando Filho e de Miguel Coelho.

Em termos mais simples, um dos sócios da empresa é filho do cunhado de Fernando Bezerra Coelho e enteado da irmã/tia desse e de seus filhos, enquanto o outro sócio é cunhado do sobrinho/primo dele e de seus filhos. De forma ainda mais explícita, depreende-se que a Prefeitura de Petrolina vem utilizando recursos repassados pela Codevasf para contratar empresa pertencente a dois indivíduos, dos quais um é “primo por afinidade” e o outro é o cunhado de outro primo do ex-prefeito (de Petrolina), com o uso de emendas parlamentares enviadas pelo pai e pelo irmão do então Chefe do Executivo Municipal.”

Sem concessões ao rococó burlesco de alguns juízes, sem pretensões de fazer subliteratura em juridiquês, o estilo direto do ministro Flávio Dino narra com maestria como e por que ruiu o castelo de pau-a-pique do clã Coelho erguido sobre o solo arenoso do leito do Rio São Francisco no coração de um dos mais belos valorosos rincões do Brasil: o sertão nordestino.

*Luis Costa Pinto/ICL


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Política

Folha teve acesso a anotações de Flávio Bolsonaro sobre candidatos nos estados

Ele afirma que um candidato está pedindo R$ 15 milhões pra desistir; outra anotação é sobre uma provável troca do vice de Tarcísio, Felício Ramuth, indicado por uma seta com um “$”

Anotações feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada nesta terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio, estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.

Nesta quarta-feira (25), Flávio admitiu ser o autor das anotações.

No topo da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado
As anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega.

Logo abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

Minas Gerais: descrença e busca por alternativa
Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem entrar na disputa.

O PL avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao Executivo.

Para o Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.

Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses
Em Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão (PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a observação “recall/melhor nas pesquisas”.

Já o deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro como “campanha de assassinato de reputação”.

Outras articulações
Na Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).

Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.

No Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com outros nomes como Cristina Graeml. Segundo a Forum, rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).

O Rio Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível composição como vice.

Em Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de qualquer jeito”.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro — no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

O documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.


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Mundo

Departamento de Justiça ocultou informações sobre Trump no caso Epstein, diz NPR

Ao menos 53 páginas de entrevistas do FBI, incluindo acusações de abuso sexual de menor, foram suprimidas dos arquivos

A NPR revelou nesta terça-feira (24/02) que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos reteve uma série de documentos dos arquivos Epstein que comprometem o presidente norte-americano Donald Trump, incluindo alegações de abuso sexual contra menores.

Registros que poderiam implicar o atual presidente norte-americano também foram removidos do banco de dados público ou nunca chegaram a ser divulgados, aponta a reportagem, contabilizando mais de 50 páginas apagadas de entrevistas conduzidas pelo FBI. O Departamento de Justiça alega que os documentos podem ser confidenciais, duplicados ou vinculados a investigações federais em andamento.

Após a divulgação da reportagem, o deputado democrata Robert Garcia (Califórnia), à frente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, anunciou uma investigação paralela sobre a supressão dos documentos. A alegação de abuso sexual contra Trump está sendo investigada pelos democratas.

“Ontem, revisei os registros de evidências não editados no Departamento de Justiça. Os democratas responsáveis pela supervisão podem confirmar que o Departamento de Justiça parece ter retido ilegalmente entrevistas do FBI com essa sobrevivente que acusou o presidente Trump de crimes hediondos”, afirmou Garcia, nas redes sociais.

A Casa Branca reagiu às revelações afirmando que o presidente foi “totalmente exonerado” em relação a Epstein. Em nota enviada à NPR, a porta-voz Abigail Jackson declarou que o republicano teria feito mais pelas vítimas do que qualquer outra figura pública, citando a liberação de documentos e a assinatura da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

Abuso sexual
Os registros ligados à mulher que acusou Trump de abuso sexual ao FBI apontam que o suposto crime ocorreu em 1983, quando ela tinha 13 anos de idade. A acusadora foi entrevistada quatro vezes pelo FBI, mas apenas a primeira entrevista, realizada em julho de 2019 e que não menciona Trump, aparece no acervo público.

Ela relatou ter sido apresentada a Trump por Epstein e que, na ocasião, ele “a forçou a abaixar a cabeça em direção ao seu pênis exposto, que ela mordeu em seguida”. Segundo o relato, Trump a atingiu “na cabeça e a expulsou” do local.

Dos 15 documentos listados referentes à acusadora, apenas sete constam no banco de dados dos arquivos de Epstein. Entre os documentos faltantes estão anotações dos agentes que acompanharam três das entrevistas.

A reportagem também destaca outra menção a Trump, encontrada nos arquivos de Maxwell, relativa a seis entrevistas concedidas ao FBI, entre setembro de 2019 e setembro de 2021. Ao detalhar como os abusos de Epstein e Maxwell começaram, a vítima, também de 13 anos, menciona ter sido levada ao clube Mar-a-Lago de Trump.

Ao ser mostrada por Epstein a Trump, o financista teria dito: “essa é boa, hein?’”. A acusadora afirma que ambos riram e que ela “se sentiu desconfortável, mas, na época, era muito jovem para entender o porquê”. Segundo a reportagem, em outra entrevista, ainda offline, a mãe da vítima relatou ter ouvido da menina que “um príncipe e Donald Trump visitaram a casa de Epstein”, o que a fez “pensar que, se eles estavam lá, como Epstein poderia ser um criminoso?”

A NPR menciona ainda uma circular do FBI relacionando Trump e Epstein, no final de julho e início de agosto de 2025. A lista incluía inúmeras alegações escabrosas e os agentes classificaram a maioria das acusações como não verificáveis ou não credíveis.

*Opera Mundi


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Política

Caso Marielle: O fracasso do sistema de justiça, por Luís Nassif

Em suma, poucas vezes um crime apresentou tal número de evidências. O que ocorreu, então, para essa passada de pano geral?

Depois de anos de investigações, o julgamento do assassino de Marielle se baseia em uma delação premiada de Ronnie Lessa, o vizinho de Jair Bolsonaro.

É um embuste, do qual participaram o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, a Polícia Civil do Rio e a Polícia Federal. É de um primarismo tão eloquente, que suscita a questão que interessa: quem está por trás desse jogo, a ponto de exigir tanta simulação?

A lógica da acusação é precária.

O assassino apontou os irmãos Brazão como mandantes.

Mas tinha que se providenciar uma relação de causalidade.

Veio a história, então, de que Marielle era contra a aprovação da regulamentação de terrenos que interessavam à família.

Mas a Câmara aprovou. Então qual a razão de terem comandado o assasinato.

Não tem a menor lógica. Era óbvio que a morte de uma vereadora, mulher e combativa, traria os olhos do país e do mundo para o episódio. Não é preciso de nenhum tirocínio agudo para se chegar a essa conclusão. A troco de quê os Brazão iriam transformar uma disputa local em caso nacional?

Vamos aos fatos objetivos:

  1. O porteiro do Vivendas da Barra disse que o motorista que entrou, para pegar Ronnie Lessa, pediu para ligar na casa de Jair Bolsonaro.
  2. O Jornal Nacional deu a matéria. Do exterior, Jair gravou um vídeo dizendo que, naquele dia estava em Brasilia.
  3. Mostramos aqui, no GGN, que o sistema de telefonia do condomínio permitia transferência de ligação para telefone celular. Logo, o álibi de Bolsonaro era furado.
  4. Carlos Bolsonaro sistentou que passou todo o dia da morte de Marielle na Câmara de Vereadores. Mostramos, aqui, um vídeo dele, com o sistema de telefonia do condomínio, clicando nas diversas chamadas, para tentar mostrar que não havia nenhuma para a casa do pai. Acabou mostrando uma chamada para a sua casa. “Seu Carlos, é seu Uber”, disse o porteiro. Horas? 17 horas, justamente a hora que terminou a reunião de Ronnie Lessa que, naquele mesmo momento, saiu para executar Marielle.
  5. Mostramos aqui que, logo após o assassinato, o interventor do Rio de Janeiro, general Braga Neto, afirman do que já tinham chegado aos mandantes, mas nada falaria para não atrapalhar as investigações. Depois, nada mais disse.

No final do ano, o general Villas Boas celebrou o pacto entre Braga Neto e Bolsonaro, pelo qual Braga Neto assumiu a chefia da Casa Civil. E ainda afirmou que o país foi salvo por três pessoas: Bolsonaro, Sérgio Moro e Braga Neto.

Em suma, poucas vezes um crime apresentou tal número de evidências. O que ocorreu, então, para essa passada de pano geral?

O Ministério Público Estadual do Rio, ao menos a equipe que investigava o caso, demonstrou desde o começo simpatia pelo bolsonarismo. A ponto de não apenas ignorar o fato de Carlos Bolsonaro ter se apossado de uma prova – o sistema de telefonia do condomínio – como sustentar que foi feita uma perícia, em meio dia, para assegurar que nada foi alterado no equipamento. Perícias nesse tipo de equipamento não duram menos de dois dias.

A PF foi acionada pelo então Ministro Sérgio Moro exclusivamente para intimidar o porteiro do prédio. E nunca mais se ouviu falar dele, mostrando o fracasso do jornalismo carioca. A Polícia Civil do Rio foi acusada, desde o início, de desviar o foco das investigações.

Depois disso, houve a morte de Adriano da Nóbrega, uma autêntica queima de arquivo, de Gustavo Bebianno.

Em suma, o caso Marielle significa a falência de todo o sistema de investigação do país, da Polícia Federal ao MPE do Rio e ao MPF.

*Luis Nassif/GGN


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Tecnologia

Inteligência artificial inflaciona preços apesar da promessa de reduzir custos

Estudo revela que algoritmos de “preço por vigilância” exploram dados pessoais para cobrar o máximo que cada consumidor aceita pagar

A narrativa dominante das últimas décadas prometia um futuro onde a inteligência artificial (IA) seria a grande equalizadora: tecnologias mais eficientes reduziriam custos operacionais, barateariam produtos e facilitariam a vida do cidadão. No entanto, a realidade de 2025 e 2026 aponta para uma distorção perigosa desse roteiro.

Em vez de repassar economias ao consumidor, grandes corporações estão utilizando a IA para implementar sistemas sofisticados de discriminação de preços, gerando uma inflação oculta e personalizada.

O fim do preço único e o surgimento da “vigilância de preços”

O The New York Times publicou editorial intitulado “Goodbye, Price Tags. Hello, Dynamic Pricing” [Adeus, etiqueta de preço. Olá, preço dinâmico], alertando que a tradicional etiqueta fixa pode desaparecer. O preço passa a variar em tempo real conforme demanda, perfil e contexto.

O conceito tradicional de etiqueta de preço, que representava um acordo tácito de valor igual para todos, está sendo substituído pelo dynamic pricing (preço dinâmico) turbinado por algoritmos. Segundo uma investigação da CBS News, plataformas como a Instacart foram flagradas cobrando valores diferentes pelo mesmo produto no mesmo dia, com variações de até 23%. Não se trata de erros ou promoções aleatórias, mas de um sistema intencional. Após investigação e pressão pública, a empresa anunciou o fim dos testes com precificação algorítmica baseada em IA.

Reportagem da Al Jazeera detalhou esse fenômeno de “Surveillance Pricing” (Preço por Vigilância). Diferente da precificação dinâmica tradicional, baseada na oferta e demanda geral, a vigilância de preços analisa o perfil individual do consumidor. Trata-se do uso de dados pessoais — comportamento de navegação, localização, dispositivo, histórico de compras — para estimar a disposição máxima de pagamento de cada consumidor.

Um relatório da Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA, divulgado em janeiro de 2025, detalhou como empresas coletam dados granulares — desde o tipo de dispositivo e nível da bateria até movimentos do mouse e histórico de navegação — para calcular o “ponto de dor” (pain point) de cada cliente: o valor máximo que ele está disposto a pagar antes de desistir da compra. O resultado: o preço deixa de ser universal e passa a ser personalizado.

“A tecnologia não observa só o mercado, ela observa você”, alerta a análise baseada em dados da CNN Brasil, que aponta que o uso de IA nas empresas saltou de um terço para quase dois terços das organizações globais em 2024, motivado primariamente pela redução de custos operacionais e maximização de receita, não por benefício social.

Companhias aéreas e a reação política

O tema ganhou repercussão após a Delta Air Lines informar que parte de suas tarifas domésticas já é determinada por sistemas baseados em IA. Senadores democratas questionaram se a tecnologia poderia elevar preços até o “ponto de dor” individual do passageiro, segundo a Reuters.

A Delta negou uso de dados pessoais para discriminação tarifária. Ainda assim, legisladores apresentaram projetos para restringir a personalização algorítmica de preços.

Em 2025, 51 projetos de lei em 24 estados americanos passaram a discutir limites à precificação automatizada.

A exploração da vulnerabilidade: bateria baixa, preço alto

Um dos exemplos mais controversos dessa nova lógica é a exploração de sinais de urgência e vulnerabilidade do usuário. Relatos investigados pelo India Today e pelo jornal belga La Dernière Heure indicam que usuários de aplicativos de transporte como o Uber pagaram tarifas significativamente mais altas quando seus celulares estavam com bateria baixa.

A hipótese levantada por especialistas em economia comportamental, citada pela Reuters, é que os algoritmos identificam que um usuário com 10% de bateria tem menos capacidade de esperar ou comparar preços, estando, portanto, mais propenso a aceitar um valor elevado.

Embora a Uber negue utilizar o nível da bateria como fator direto, seu ex-chefe de pesquisa econômica, Keith Chen, admitiu em entrevista à NPR que a empresa sabia que usuários com pouca carga aceitavam o “preço de pico” com mais frequência, um dado psicológico valioso para a modelagem de algoritmos de lucro.

Veículos brasileiros de imprensa, como o UOL, realizaram testes para verificar esta ocorrência e não observaram a variância de preços denunciada em outros países. Mesmo sem comprovação definitiva, relatos recorrentes reforçam a percepção pública de opacidade.

Eficiência corporativa vs. custo social

A contradição central reside nos resultados financeiros das empresas versus o bolso do consumidor. Um relatório da Boston Consulting Group (BCG), citado pela Exame, revela que as empresas líderes em adoção de IA registram crescimento de receita 1,7 vezes maior e redução de até 40% nos custos operacionais em comparação aos concorrentes. A McKinsey corrobora que quase 80% das empresas globais já utilizam IA generativa visando ganhos de escala.

No entanto, essa eficiência interna não se traduz em preços menores nas prateleiras. Pelo contrário. Estudos acadêmicos publicados na American Economic Review demonstram que algoritmos de precificação podem aprender, sem comunicação direta entre empresas, a manter preços “supracompetitivos”.

Com isso, eles estabilizam valores altos automaticamente, reduzindo a concorrência real. Esse efeito preocupa autoridades antitruste porque não há acordo explícito entre empresas, mas o resultado econômico se assemelha à colusão.

Como aponta a análise do canal Futuro Econômico, a IA tornou-se a ferramenta perfeita para a lógica da ganância corporativa: reduz custos internamente, justifica aumentos externamente sob a desculpa de “investimento em tecnologia” e opera numa zona cinzenta onde a intenção humana de cartel é difícil de provar juridicamente.

A reação regulatória e o futuro do consumo

Diante do cenário onde consumidores pagam mais por serviços muitas vezes inferiores e menos humanos, legisladores começam a reagir. A Reuters informa que, apenas em 2025, 51 projetos de lei foram introduzidos em 24 estados dos EUA para regular a precificação algorítmica. Nova York já proibiu a precificação personalizada não divulgada, e a União Europeia, através do Digital Markets, Competition and Consumers Act, estabeleceu multas de até 10% da receita global para práticas enganosas de preços digitais.

O Financial Stability Board (FSB), órgão ligado ao G20, alertou em 2025 que a adoção massiva de modelos semelhantes de IA pode gerar riscos sistêmicos e comportamento de “rebanho” nos mercados.

De acordo com o Vermelho, o Bank for International Settlements (BIS) defendeu atualização urgente das capacidades regulatórias diante do avanço da tecnologia.

Apesar dos esforços regulatórios, o desafio é técnico. Ferramentas de device fingerprinting permitem que as empresas contornem medidas básicas de privacidade, como navegação anônima ou limpeza de cookies.

O paradoxo econômico: eficiência interna, inflação externa?

Há uma tensão central:

  • Internamente: empresas relatam cortes de custos e aumento de margens.
  • Externamente: consumidores enfrentam preços crescentes e menos transparência.
  • Economistas observam que, quando ganhos de eficiência são apropriados majoritariamente pelo capital — e não repassados ao consumidor — o efeito pode ser aumento de margem, não redução de preços.

Além disso, o boom de investimentos em chips e infraestrutura de IA tem pressionado cadeias produtivas de tecnologia, elevando preços de eletrônicos e equipamentos, segundo análises de mercado citadas pela imprensa especializada.

A promessa original da IA era simples: produzir mais com menos e baratear o acesso.

Os dados mostram que ela, de fato, reduz custos corporativos e amplia receitas. Porém, a disseminação de precificação dinâmica e personalizada sugere que parte relevante desses ganhos tem sido apropriada pelas empresas sob forma de margem — e não revertida em queda de preços.

Se a tecnologia aumenta produtividade, mas o custo de vida continua subindo, a explicação pode estar menos na inovação em si e mais na lógica econômica que a orienta. A questão central já não é apenas tecnológica, mas estrutural: quem captura os ganhos de eficiência?

A conclusão analítica é clara: a promessa da IA de baratear a vida foi redirecionada. O sistema econômico encontrou na inteligência artificial não um motor de bem-estar social, mas um mecanismo de extração de valor sem precedentes, onde a conta da inovação tecnológica continua chegando, salgada, para as mesmas pessoas de sempre.


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Política

Com caso parado no MP desde 2024, Carlos pode disputar Senado sem responder por lavagem

Caso tramita no MP-RJ desde 2019 e estava parado desde 2024; veja provas contra Carlos

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), filho “02” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), se prepara para disputar o oitavo mandato parlamentar sem a conclusão da investigação sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa que tramita no Ministério Público do Rio de Janeiro desde julho de 2019. O movimento mais recente do caso ocorreu em fevereiro deste ano quando a Procuradoria-Geral de Justiça do Rio decidiu enviar os autos que estavam com a cúpula do MP desde setembro de 2024 para a 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro para a “realização de diligências complementares”.

Isso ocorreu porque, em setembro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mandou devolver ao MP a denúncia feita pelo promotor Alexandre Murilo Graça, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada da Capital, do MP-RJ , que acusou apenas sete servidores e ex-funcionários de Carlos Bolsonaro (PL-RJ), mas excluiu o vereador do caso. No entanto, desde que o TJ determinou o reexame dos autos o caso, que tramita há quase sete anos, não teve maiores desdobramentos.

A coluna agora relembra uma série de revelações feitas pelo ICL Notícias ao longo de 2024 sobre o caso que demonstram provas do envolvimento de Carlos ignoradas pela promotoria na primeira denúncia.

Carlos era investigado como líder de uma organização criminosa que funcionou dentro do gabinete dele e que obrigava os servidores, que não trabalhavam, a devolver a maior parte de seus salários. A investigação foi instaurada em 2019 após uma reportagem da revista Época, feita por esta colunista e pela jornalista Juliana Castro, revelar até áudios de confissões de ex-servidores de Carlos sobre o esquema. Desde 2019, o caso tramitou por diversas instâncias dentro do MP do Rio, o promotor Alexandre Murilo Graça atua no caso desde 2021.

Conheça as provas contra Carlos Bolsonaro

Idas ao cofre no Banco do Brasil

Em julho de 2024, a coluna revelou que o Banco do Brasil informou ao MP do Rio a existência de um cofre que Carlos mantinha junto com Flávio Bolsonaro. O vereador acessou o cofre nos dias em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), pai do “02”, registrou as compras de duas casas no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca. Carlos também esteve no cofre no dia em que seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), hoje deputado federal, comprou um apartamento em Copacabana. Neste caso, Eduardo declarou em cartório ter pago R$ 160 mil no imóvel, dos quais R$ 50 mil em dinheiro vivo.

Na análise bancária do vereador e de seus funcionários foi verificado que o chefe de gabinete de Carlos, Jorge Luiz Fernandes, pagou sistematicamente boletos de suas despesas, como faturas de cartão de crédito, plano de saúde, impostos e multas de trânsito.

Foram encontrados 23 contas do vereador e de pessoas ligadas a ele pagas por Fernandes entre 2012 e 2019, que somam um total R$ 27.929,66. Ao mesmo tempo, só foi identificado uma transferência online de R$ 8 mil de Carlos para Jorge em dezembro de 2011.

O Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro e Corrupção do MP-RJ analisou por amostragem esse tipo de movimentação financeira — sorteando aleatoriamente um número de documentos. Isso significa que o número pode ser ainda superior. O chefe de gabinete foi denunciado por receber cerca de R$ 2 milhões em sua conta de seis outros nomeados por Carlos Bolsonaro na Câmara.

Carlos Bolsonaro não pagou plano de saúde com a própria conta por 9 anos

Um relatório do Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro e Corrupção do MP-RJ, obtido pela coluna com exclusividade, constatou que o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) só pagou um boleto de plano de saúde com sua conta bancária em nove anos de contratação desse tipo de serviço. Existe suspeita de que os pagamentos possam ter sido feitos em espécie com dinheiro oriundo de rachadinha.

Chefe de gabinete de Carlos também pagou contas de Bolsonaro e Michelle

Perícia realizada pelo MP-RJ em dados bancários de Carlos constatou que o chefe de gabinete do vereador, Jorge Luiz Fernandes, também pagou despesas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), de sua esposa Michelle Bolsonaro (PL-DF) e de Rogéria Bolsonaro, mãe de Carlos. No documento, não foi registrado que Jair Bolsonaro, Michelle ou Rogéria tenham feito depósitos ou transferências de valores semelhantes em datas próximas a esses pagamentos efetuados com dinheiro da conta-corrente do chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro.

Carlos Bolsonaro comprou carro com 52 mil em dinheiro vivo

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) adquiriu um carro utilizando R$ 52 mil, em dinheiro vivo, em 2010, e um apartamento no centro do Rio de Janeiro, em 2012, pelo valor de R$ 180 mil. Nesses dois anos, porém, a análise do patrimônio dele feita pelo Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro e Corrupção do MP-RJ (Ministério Público do Rio) indica que ele não tinha lastro para as operações na renda em que recebeu nos dois respectivos anos.

Carlos diz que doou R$ 130 mil a Flávio; maior parte nunca entrou na conta

O vereador Carlos Bolsonaro informou à Receita Federal que fez duas doações que somam R$ 130 mil para o irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje senador. Contudo, em ao menos um dos casos um total de R$ 70 mil não passou pelas contas bancárias de Flávio, nem foi declarado por ele no Imposto de Renda.

Carlos sacava todo o salário

O chefe de gabinete de Carlos, Jorge Fernandes, afirmou em depoimento ao MP-RJ que toda a família Bolsonaro “sempre sacava” os salários de suas contas bancárias integralmente. Uma cópia das declarações foi obtida pela coluna com exclusividade.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Economia

Ibovespa bate novo recorde e fecha acima dos 191 mil pontos pela 1ª vez

O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa paulista também fez o dólar recuar para R$ 5,1556, o menor valor desde 28 de maio de 2024

Reuters – O Ibovespa avançou mais de 1% nesta terça-feira, renovando recordes e encerrando acima dos 191 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado mais uma vez pelas blue chips, que têm sido embaladas neste começo de ano pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa paulista.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 1,4%, a 191.490,40 pontos, novo topo de fechamento. Na máxima do dia, chegou a 191.780,77 pontos, novo recorde intradia. Na mínima, marcou 188.854,45 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$32,98 bilhões.

Estrategistas do JPMorgan destacaram que o primeiro mês do ano costuma ser um período de forte entrada de capital externo, mas nada comparável ao que se observou no mês passado e ao que continua entrando. Até o dia 20 de fevereiro, o saldo de estrangeiros na bolsa em 2026 alcançava cerca de R$35,6 bilhões.

No curto prazo, citou o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o que se imagina é que o mercado deve seguir nessa tendência de alta, principalmente pela entrada de investimento estrangeiro.

Operadores também têm citado alguns movimentos de zeragem de posições vendidas, na esteira do rali recente. No ano, o Ibovespa já acumula uma valorização de 18,85%.

A retomada do fôlego na B3 também teve como pano de fundo um clima mais tranquilo em praças acionárias no exterior, embora incertezas sobre a política comercial do presidente Donald Trump permaneçam, assim como agentes seguem avaliando os potenciais efeitos econômicos da inteligência artificial (IA).

O europeu STOXX 600 fechou com um acréscimo de 0,23%, enquanto o norte-americano S&P 500 avançou 0,77%.

DESTAQUES
– PETROBRAS PN subiu 2,54%, renovando máximas históricas e ampliando a alta no ano para mais de 28%. Nem a piora dos preços do petróleo na sessão minou o apetite. O barril sob o contrato Brent encerrou em queda de 1%. PETROBRAS ON avançou 2,28%.

– ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 1,52%, após forte correção negativa na véspera e alguma titubeada nesta terça-feira, com bancos de modo geral firmando-se no azul à tarde. BRADESCO PN subiu 0,8%, BANCO DO BRASIL ON avançou 1,77% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrou em alta de 3,41%, tendo no radar Investor Day do controlador, o espanhol Santander, na quarta-feira.

– VALE ON subiu 0,39%, no quarto pregão seguido de alta, mesmo com uma retomada negativa do mercado na China. O contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Bolsa de Mercadorias de Dalian recuou 1,79% na volta de feriado prolongado, mas o vencimento de referência na Bolsa de Cingapura sustentou sinal positivo.

– GERDAU PN recuou 2,22%, após resultado do quarto trimestre, que mostrou fraqueza na operação brasileira e um desempenho mais robusto na América do Norte. O grupo siderúrgico vê manutenção das margens no primeiro trimestre na operação no Brasil, mas avanço nessa linha na América do Norte. Também afirmou que está sempre avaliando ativos.

– MINERVA ON caiu 4,43%, tendo no radar relatório de analistas da XP, que cortaram a recomendação das ações para neutra e o preço-alvo de R$8,40 para R$7,20, avaliando que a relação risco versus retorno já não é tão atrativa. Analistas do JPMorgan também reiteraram recomendação neutra para os papéis, citando um cenário doméstico desafiador para a companhia.

– IRB(RE) ON saltou 7,26%, para uma máxima desde agosto de 2022. Neste ano, os papéis do ressegurador já acumulam uma alta de quase 20%.

– TECNISA ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 12,75%, após a construtora divulgar oferta do Grupo BTG Pactual por uma participação na Windsor, que desenvolve o empreendimento imobiliário Jardim das Perdizes, na cidade de São Paulo. A proposta vinculante do BTG envolve a compra de 26,09% da Windsor por R$260,9 milhões, a serem pagos à vista.


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“SUS do transporte” é o que Lula quer criar com tarifa zero no país

Proposta prevê novo modelo de financiamento para garantir gratuidade no transporte público e deve integrar programa de governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende incluir em seu programa de governo uma proposta de criação do chamado “SUS do Transporte Público”, com o objetivo de reformular o modelo de financiamento do setor e viabilizar a tarifa zero em todo o Brasil. A iniciativa busca estabelecer um sistema nacional estruturado, inspirado no conceito de universalização, para assegurar a gratuidade no transporte coletivo urbano. As informações são da CNN Brasil e 247.

A avaliação dentro do governo é que a implementação da tarifa zero exige mudanças profundas nos mecanismos atuais de custeio e incentivos ao setor, o que justificaria a adoção de um modelo semelhante ao de um sistema único, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS).

O secretário de Comunicação do PT e deputado federal Jilmar Tatto (SP) afirmou que o governo pretende iniciar ainda neste ano a tramitação da proposta no Congresso Nacional. De acordo com ele, o tema deverá ocupar espaço central no debate eleitoral. “Encontrei com o presidente Lula no aniversário do PT, em Salvador, e ele me perguntou sobre o tema. Estamos fazendo uma série de reuniões com o presidente e tratando disso. Ele está muito interessado”, declarou.

No âmbito do Executivo, o Ministério da Fazenda conduz estudos técnicos para analisar a viabilidade financeira da medida. O ministro Fernando Haddad prometeu apresentar o material antes de deixar o cargo, o que deve ocorrer até abril. Também participam das discussões o Ministério das Cidades e a Casa Civil.

No Congresso, a sinalização inicial é favorável à discussão do projeto. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou, em reunião com parlamentares e prefeitos, que pretende criar uma subcomissão para debater possíveis fontes de financiamento da tarifa zero.

Enquanto o estudo oficial não é concluído, o governo considera análises produzidas por universidades. Um dos levantamentos indica que a implementação da gratuidade nos ônibus municipais em todo o país teria custo estimado em R$ 65 bilhões.

Entre as alternativas para custear o programa está um projeto de lei apresentado por Jilmar Tatto. A proposta reformula o vale-transporte, extingue a cobrança atual de 6% do trabalhador e estabelece que empregadores contribuam com valores entre R$ 100 e R$ 200 mensais por empregado. Os recursos seriam destinados a um fundo específico, com potencial de arrecadação anual de R$ 100 bilhões, destinado a financiar a tarifa zero no transporte público urbano do país.


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Política

O veto terrivelmente sujo de Mendonça ao diretor da PF no caso Master

Decisão do ministro bolsonarista é uma mescla vergonhosa de politicagem porca com impunidade previsível. Entenda a decisão do novo relator do escândalo

O Brasil assiste, em tempo real e sob as luzes da “Justiça” de gabinete, a montagem de um dos cenários mais escandalosos da nossa história política recente. A decisão do ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” de Jair Bolsonaro (PL), de vetar o acesso do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao inquérito do Banco Master, não é apenas um movimento processual. É, na verdade, uma manobra de politicagem porca desenhada para garantir uma impunidade previsível àqueles que financiaram e sustentaram o projeto de poder bolsonarista, e que possivelmente segue nessa tarefa.

Para entender a gravidade do que Mendonça está fazendo é preciso seguir o rastro do dinheiro e dos nomes. O Caso Master não é um simples imbróglio financeiro, ele é o coração pulsante de um ecossistema que liga o mercado financeiro de risco, trambiques, igrejas evangélicas e a cúpula do governo anterior de extrema direita.

O principal operador do dono do Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, é Fabiano Zettel. Este senhor não é um estranho no ninho: Zettel foi simplesmente o maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, a quem entregou dois milhões de reais. De acordo com Henrique Rodrigues, Forum, ele também despejou três milhões na tentativa frustrada de reeleição de Bolsonaro. Mas as conexões não param no bolso. Zettel é pastor e dirigente da Igreja Lagoinha, da conservadoríssima família Valadão, um reduto que serve de base ideológica e política para figuras extremistas como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o próprio clã Bolsonaro.

Quando Mendonça assume a relatoria do caso, em substituição ao ministro Dias Toffoli, num gesto de autoritarismo travestido de zelo, isola então o comando da PF das investigações. Neste movimento, ele está, na prática, colocando um cadeado na porta de um cofre onde as digitais de seus aliados estão por toda parte. É a blindagem perfeita: o relator escolhe quem pode ver o quê, neutralizando qualquer chance de uma investigação republicana e transparente atingir o topo da pirâmide. De quebra, o “terrivelmente evangélico” ainda lança sombras absolutamente injustificadas sobre o delegado mais alto da hierarquia da PF, despejando assim desconfianças e pechas nada honrosas no governo Lula (PT), que foi quem o nomeou.

O escândalo se torna ainda mais ácido quando olhamos para o Banco Pleno. Nascido de uma cisão do Master e fundado por um ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, em um modelo de negócio que o mercado financeiro sempre apontou como inviável, o Pleno acabou liquidado pelo Banco Central por insolvência nos últimos dias.

Agora pasme: a direção desta instituição “fantasmagórica” abrigava nada menos que três ex-ministros do governo Bolsonaro em sua direção e conselho administrativoa: João Roma e Ronaldo Vieira Bento, que ocuparam de forma sucessiva a pasta da Cidadania, e Flávia Peres (ex-Flávia Arruda), que foi ministra da Secretaria de Governo (SEGOV) também na gestão Bolsonaro, e que é esposa de Augusto Lima. Todos geriram os bilhões do Auxílio Brasil e, após deixarem o governo, encontraram abrigo no “ecossistema Master”. É uma porta giratória que cheira a compadrio e que agora encontra em André Mendonça o seu guardião jurídico no Supremo Tribunal Federal.

Mas não sejamos ingênuos, a coisa não fica só por aí. Estamos em um ano de eleição acirradíssima e o tabuleiro está sendo montado com peças viciadas. Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ter André Mendonça no STF e no TSE (onde fará dobradinha com Kássio Nunes Marques) é ter o “seguro total” contra qualquer sobressalto judicial. Pois é, o seguro morreu de velho.

Mas se engana quem acha que as ações de Mendonça alcançaram o seu limite. Ao atacar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e lançar insinuações sobre a lisura da corporação, sem qualquer razão ou justificativa, Mendonça cumpre dois objetivos perversos. O primeiro é suja o governo Lula. Ele tenta pintar a atual gestão como não republicana e intervencionista, criando uma crise institucional artificial entre o Judiciário e o Executivo.

O outro objetivo é a proteção e blindagem total do “01”. O magistrado do Supremo almeja criar uma névoa de desconfiança sobre as provas relacionadas ao caso coletadas até aqui, permitindo que, lá na frente, qualquer documento que complique a vida de Flávio Bolsonaro seja anulado ou “esquecido” sob a desculpa de proteção contra um suposto aparelhamento do governo Lula na PF. É aquela história: “Não aconteceu absolutamente nada até agora, mas se pintar uma acusação, já temos a defesa”.

Por fim, urge dizer que o que Mendonça opera a partir de agora é uma das formas mais vis de uso do poder Judiciário. Ao isolar o comando da PF de um inquérito que envolve doadores de campanha, ex-ministros e aliados religiosos, ele deixa claro que sua toga tem lado, tem cor e tem interesses eleitorais. E não se engane ao acreditar que ele terá algum pudor de agir ao arrepio da lei e da Constituição Federal.

O “veto terrivelmente sujo” de Mendonça é a trombeta de aviso de que a impunidade para o bolsonarismo é o projeto prioritário dentro de sua sala do STF. Ele nunca escondeu sua subserviência e submissão ao presidente golpista e extremista. Resta saber se as demais instituições e a sociedade permitirão que esse teatro de sombras patético e óbvio continue a ditar os rumos da democracia brasileira em 2026.


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