Avisos começaram nesta sexta-feira e terão duração de 60 dias
A FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos) informou nesta sexta-feira (16) que está emitindo uma série de alertas às companhias aéreas para que tenham cuidado ao sobrevoar a América Central e partes da América do Sul, citando os riscos de possíveis atividades militares e interferência de GPS.
A agência informou que emitiu avisos aos aviadores abrangendo o México, outros países da América Central até Equador, a Colômbia e partes do espaço aéreo no leste do Oceano Pacífico.
Os avisos começaram nesta sexta-feira e terão duração de 60 dias.
EUAOs alertas ocorrem em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e os líderes regionais, depois que o governo Trump montou uma força militar em grande escala no sul do Caribe e atacou a Venezuela e prendeu Nicolás Maduro.
Trump levantou a possibilidade de outras ações militares na região, inclusive contra a Colômbia.
Na semana passada, ele disse que cartéis estavam comandando o México e sugeriu que os EUA poderiam atacar alvos terrestres para combatê-los, em uma das várias ameaças de usar as forças americanas contra os cartéis de drogas.
Após o ataque à Venezuela, a FAA restringiu os voos em todo o Caribe, o que forçou o cancelamento de centenas de voos das principais companhias aéreas.
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No mesmo dia em que Trump anunciava presidir ‘Conselho da Paz’, forças israelenses mataram uma mulher em Khan Younis e um adolescente de 14 anos na Cisjordânia
Os palestinos em Gaza receberam com ceticismo e descrença o anúncio de Donald Trump sobre o início da “segunda fase” do acordo de cessar-fogo. A declaração contrasta com a realidade no terreno: uma crise humanitária em aprofundamento e ataques israelenses que não cessaram.
“Eles nem sequer começaram a primeira fase ainda. Como podem começar a segunda?”, disse Fayeq al-Helou à emissora catari Al Jazeera. “Não queremos que seja como das outras vezes, apenas palavras no papel”.
Em Gaza, muitos consideram o cessar-fogo uma farsa. Enquanto há demora no atendimento às necessidades básicas, a situação humanitária continua a se deteriorar rapidamente – um cenário amplamente documentado por ONGs e agências da ONU.
Jaber Mohammed afirmou que o anúncio era “pura mentira”. “Estamos sofrendo há dois anos e agora começamos o terceiro”, disse ele. “Estamos sofrendo com a falta de comida e bebida, e com os preços altos”, acrescentou.
Em paralelo ao anúncio da segunda fase do acordo de trégua, as forças de ocupação israelenses continuam os ataques. Uma mulher palestina foi morta e outras ficaram feridas na madrugada desta sexta-feira (16/01) por disparos israelenses em Khan Younis, ao sul da Faixa de Gaza, conforme relatado pela agência palestina WAFA.
Na vila de Al-Mughayyir, a leste de Ramallah na Cisjordânia, forças israelenses invadiram a localidade, levando a confrontos. Durante os embates, que incluíram intensos disparos de munição real contra moradores, foi morto o adolescente Mohammed Saad Na’san, de 14 anos, atingido nas costas e no peito.
Na área de Masafer Yatta, colonos armados atacaram pastores palestinos. Quando as forças israelenses chegaram ao local, agrediram moradores e pastores e detiveram quatro palestinos, segundo o ativista Osama Makhamreh à WAFA. Na noite de quinta-feira (15/01), o exército israelense também atirou em um cidadão palestino e deteve outro perto da entrada da cidade de Beita, ao sul de Nablus.
Pelo menos 451 palestinos foram mortos desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro do ano passado. E, desde o início da recente agressão em 2023, cerca de 71.441 pessoas foram mortas e 171.329 ficaram feridas pelas forças israelenses em Gaza.
Em comunicado oficial o porta-voz do Movimento Hamas, Hazem Qassem, afirmou nesta sexta-feira (16/01) que “o governo israelense continua sua política de sabotar o acordo de cessar-fogo e obstruir os esforços declarados para estabilizar a calma em Gaza”.
O anúncio de Trump e o “Conselho da Paz” Trump anunciou na noite de quinta-feira (15/01) que presidirá um órgão chamado de “Conselho da Paz” para governar Gaza. “É com grande honra que anuncio a formação do CONSELHO DA PAZ”, escreveu o republicano na rede social Truth Social. Ele não mencionou os nomes dos membros do conselho, dizendo que os detalhes “serão anunciados em breve”.
O líder da Casa Branca também reiterou que o processo avançou para a segunda fase de um acordo para pôr fim à guerra. “Entramos OFICIALMENTE na próxima fase do Plano de Paz de 20 Pontos para Gaza”, disse ele.
Trump afirmou que, como presidente do conselho, apoia a formação de um comitê tecnocrático palestino para administrar Gaza durante um “período de transição” – comitê este que, em sua visão, estaria “firmemente comprometido com um futuro PACÍFICO”.
Em sua publicação, Trump fez uma série de exigências e ameaças: afirmou que os Estados Unidos, em colaboração com o Egito, a Turquia e o Catar, “garantiriam o desarmamento do Hamas” e deu um ultimato ao grupo: “O Hamas deve honrar IMEDIATAMENTE seus compromissos, incluindo a devolução do último corpo a Israel, e proceder sem demora à desmilitarização completa. Como já disse antes, eles podem fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil”.
*Opera Mundi
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um alerta direto sobre o ambiente político e informacional do país às vésperas do próximo ciclo eleitoral. Ao discursar nesta sexta-feira (16), Lula destacou os riscos da disseminação de notícias falsas e afirmou que a desinformação pode comprometer o debate público e o julgamento da sociedade sobre os rumos do Brasil.
Durante sua fala, o presidente enfatizou que o país se aproxima de um momento decisivo e que será necessário atenção redobrada para separar fatos de mentiras. O discurso foi feito em evento oficial do governo federal, e o alerta veio acompanhado de um balanço dos indicadores econômicos e sociais do atual mandato, segundo informações divulgadas a partir da íntegra da fala presidencial.
“É preciso lembrar que vai ter uma eleição. E é importante se lembrar que se a gente não for esperto, a mentira vencerá a verdade. Fique esperto”, afirmou Lula. O presidente ressaltou que a desconstrução de narrativas é um processo simples, enquanto a reconstrução exige esforço e responsabilidade, especialmente diante do cenário herdado no início de 2023.
Lula citou resultados que, segundo ele, demonstram a recuperação do país nos últimos anos. “Eu sei como pegamos esse país em 2023. Nós terminamos o terceiro ano do mandato com a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, com o maior aumento da massa salarial, com o maior número de trabalhadores com carteira assinada, com o menor desemprego da história do Brasil e com a maior exportação da história do Brasil. Com apenas três anos”, declarou.
Na sequência, o presidente defendeu que a população faça comparações objetivas entre diferentes períodos e projetos políticos. “E vamos fazer um comparativo. Quem é melhor? Estamos chegando à hora da verdade”, disse. Para Lula, a decisão eleitoral deve ser baseada em dados concretos e não em conteúdos distorcidos que circulam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.
O presidente também fez um apelo para que os cidadãos verifiquem a origem das informações que recebem, especialmente por meio do WhatsApp. “Quando vocês receberem uma notícia do WhatsApp, se certifique se o canalha que passou para vocês não está reproduzindo uma coisa que outro canalha fez”, afirmou, ao criticar a cadeia de desinformação que se retroalimenta nesses meios.
“Ninguém que ensina algo sério tem milhões de seguidores… o Bolsonaro tinha 30 milhões”.
Além do tema eleitoral, Lula abordou o crescimento das apostas digitais no Brasil, relacionando o fenômeno a preocupações sociais e econômicas. Ele lembrou posições históricas de setores religiosos contrários a jogos de azar e afirmou que, na prática, o problema se agravou com a popularização das plataformas digitais. “O cassino entrou na casa da gente, para criança de dez anos pegar o telefone do pai e jogar, com essa quantidade de bets que foram criadas, que está tomando conta do futebol, da publicidade e da corrupção”, disse.
O presidente citou ainda a atuação do Banco Central diante do setor. “Vocês estão vendo o trabalho do Banco Central tentando fazer com que essa gente pague pelo menos imposto nesse país”, afirmou, ao associar o avanço das apostas online a desafios regulatórios e fiscais.
Ao longo do discurso, Lula reforçou a necessidade de vigilância democrática, responsabilidade no consumo de informação e atenção aos impactos sociais de novos fenômenos econômicos, em um cenário que, segundo ele, exigirá escolhas conscientes da sociedade brasileira.
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Senadora respondeu com uma lista de nomes e instituições religiosas citadas em requerimentos apresentados na CPMI do INSS
O pastor Silas Malafaia cobrou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nesta quarta-feira (14) para que ela apresente provas e divulgue os nomes de igrejas e líderes religiosos que, segundo a parlamentar, estariam envolvidos em fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Em vídeo publicado na rede social X (antigo Twitter), Malafaia classificou a fala da senadora como uma “acusação gravíssima” e afirmou que, sem a apresentação de nomes e evidências, Damares seria apenas uma “leviana linguaruda”. Para o líder religioso, a omissão prejudica a própria liderança evangélica.
A reação ocorreu após declarações da senadora em que ela afirmou haver ligações entre grandes igrejas, líderes religiosos e o esquema de fraudes contra aposentados. Na ocasião, Damares disse ter sido orientada a não divulgar os nomes porque “os fiéis ficariam muito tristes”.
“Ou a senhora dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas envolvidas na roubalheira dos aposentados do INSS, ou é uma leviana linguaruda. Diga também quem pediu para a senhora calar a boca”, afirmou Malafaia, em tom exaltado.
O pastor também disse que a divulgação das informações permitiria que o meio evangélico lidasse de forma transparente com o caso. “Se não tem provas, cale a boca. Se tem, denuncie pelo bem da igreja. A liderança evangélica está indignada com essa postura que considero covarde e vergonhosa”, completou, ao afirmar que a senadora “não é digna de ser chamada evangélica”.
SILAS MALAFAIA DESAFIA A SENADORA DAMARES A PROVAR O QUE FALA
Por meio de nota à imprensa, Damares respondeu com uma lista de nomes e instituições religiosas citadas em requerimentos apresentados no âmbito da CPMI do INSS. A senadora ressaltou que foi autora do pedido que resultou na criação da comissão parlamentar, em 2025.
Segundo Damares, os requerimentos se baseiam em “indícios concretos identificados em documentos oficiais”, como Relatórios de Inteligência Financeira e informações da Receita Federal. Entre eles, estão pedidos de transferência de sigilo de igrejas, além de convites e convocações de líderes religiosos para prestar depoimento à CPMI.
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Em lista com mais de 20 nomes de pessoas e entidades punidas, se destacam comandantes policiais e da Guarda Revolucionária iraniana
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (15/01) uma lista de autoridades do Irã que passam a estar sancionadas em função de sua participação na reação repressiva aos protestos registrados no país este ano.
A medida bloqueia todos os bens e ativos dos cerca de 23 sancionados sob jurisdição norte-americana e proíbe transações deles com cidadãos e residentes dos Estados Unidos.
Em comunicado, o governo norte-americano classificou as autoridades listadas como “arquitetos da brutal repressão do regime iraniano contra manifestantes pacíficos”.
Washington também disse que a medida visa desarticular “redes bancárias paralelas que permitem à elite iraniana roubar e lavar a receita gerada pelos recursos naturais do país”.
Entre os oficiais de segurança que sofreram a punição de Washington está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), órgão de aconselhamento da principal autoridade do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Segundo a nota do governo norte-americano, “Larijani foi um dos primeiros líderes iranianos a incitar a violência em resposta às demandas legítimas do povo”.
Outros nomes destacados da lista são os de Mohammad Reza Hashemifar e Azizollah Maleki, comandantes das forças policiais da República Islâmica nas províncias do Lorestão e de Fars, além de Nematollah Bagheri e Yadollah Buali, comandantes da Guarda Revolucionária nas respectivas regiões, nas quais os Estados Unidos consideram que “foram cometidas múltiplas atrocidades contra civis”.
Além deles, foram punidas outras 18 pessoas e entidades que “desempenham papéis cruciais na lavagem de dinheiro proveniente da venda de petróleo e produtos petroquímicos iranianos para mercados estrangeiros”.
*Opera Mundi
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, na decisão que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a unidade conhecida como “Papudinha”, que, embora haja prerrogativas por ele ter ocupado a Presidência da República, “a prisão não é hotel nem colônia de férias”. A transferência ocorreu nesta quinta-feira (15).
No despacho, Moraes registra que Bolsonaro possui “privilégios” em relação a outros presos, decorrentes do cargo exercido, e lista expressamente 13 condições diferenciadas autorizadas para o cumprimento da custódia.
Entre os itens autorizados estão “sala de Estado-Maior individual e exclusiva”, “quarto com banheiro privativo, água corrente e aquecida”, “televisão a cores”, “ar-condicionado”, “frigobar”, além de “médico da Polícia Federal de plantão 24 horas por dia” e “acesso a médico particular 24 horas por dia”.
Também foram autorizados “banho de sol diário e exclusivo”, “visitas reservadas sem a presença dos demais presos”, “realização de exames médicos particulares no próprio local” e “protocolo especial para entrega de comida caseira ao custodiado todos os dias”, segundo o DCM.
Moraes afirma que essas condições são “absolutamente excepcionais e privilegiadas” e ressalta que não são oferecidas aos demais presos em regime fechado no país. Segundo o ministro, isso não altera a natureza da custódia imposta.
“Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir”, escreveu Moraes, ao mencionar reclamações atribuídas à defesa, a familiares e a aliados do ex-presidente.
Bolsonaro também deve ser submetido imediatamente à avaliação de seu quadro de saúde
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”.
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Bolsonaro também deve ser submetido imediatamente à avaliação de seu quadro de saúde
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”.
O ministro também determinou que Bolsonaro seja submetido imediatamente à junta médica oficial, composta por médicos da PF (Polícia Federal), para avaliação do seu quadro clínico de saúde.
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Acordo comercial entre bloco europeu e Mercosul estará em pauta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Segundo o Palácio do Planalto, eles devem discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada.
>>Entenda o acordo em 13 pontos
A reunião, que ocorrerá no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense, está prevista para as 13h e será seguida de uma declaração conjunta à imprensa.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial vai criar uma zona de livre comércio de 720 milhões de habitantes e somará um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Uma cerimônia de ratificação entre os dois blocos está prevista para este sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai, com a presença dos líderes europeus e ministros de relações exteriores do Mercosul.
Implementação Nesta terça-feira (13), Lula conversou com o primeiro ministro de Portugal, Luís Montenegro, e os dois concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria.
Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.
Na França, por exemplo, agricultores entraram com tratores em Paris nesta terça-feira, pela segunda vez em uma semana, para protestar contra o acordo que, segundo os manifestantes, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.
*Agência Brasil
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Vigilância em serviços especializados de saúde gera temor de evasão de pacientes
O ambiente de acolhimento e sigilo médico das unidades de saúde de São Paulo (SP) está sendo transformado em um braço do monitoramento policial da gestão de Ricardo Nunes (MDB), conforme revelam documentos oficiais do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool do Município de São Paulo (Comuda), encaminhados ao Brasil de Fato nesta terça-feira (13).
A instalação de câmeras do programa Smart Sampa em áreas internas do Serviço de Assistência Especializada (SAE) Fidelis Ribeiro, na Penha, zona leste da capital paulista, motivou uma denúncia formal do Conselho Estadual de Políticas para a População LGBT+, conforme o documento a que a reportagem teve acesso.
O equipamento é peça central no atendimento de pessoas vivendo com HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, atendendo a um público que historicamente busca no sigilo a garantia de sua dignidade.
A gravidade dessa estratégia de segurança pública dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) já apresenta desdobramentos perigosos. Em dezembro de 2025, o programa Smart Sampa em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) resultou na prisão por engano de um paciente, evidenciando falhas tecnológicas que podem levar à criminalização indevida de usuários.
Michel Marques, representante da Plataforma Brasileira para uma Nova Política sobre Drogas, reforça que a medida afasta o público. “O conselho LGBT encaminhou para a gente um ofício dizendo sobre os malefícios da instalação do Smart Sampa nos serviços de cuidado para quem tem HIV/Aids, pode afastar as pessoas por medo de quebra do sigilo”.
Marques ainda compara o risco a episódios de exposição pública, como o ocorrido em Feira de Santana (BA). “Há de se lembrar o caso recente da prefeitura de Feira de Santana que divulgou uma lista de pessoas que tinham o HIV, é mais ou menos nesse sentido que aparece aqui nos ofícios.”
Para o Conselheiro Estadual de Políticas para a População LGBT+ Gedilson dos Santos Procópio da Silva, que assina o documento, a captação de imagens em locais de saúde configura tratamento de dados sensíveis e viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“É amplamente reconhecido que pessoas vivendo com HIV/aids — em especial lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais — enfrentam estigmatização histórica, discriminação institucional e violência simbólica, o que leva muitas delas a buscar atendimento fora de seus territórios de moradia como estratégia de autoproteção e preservação de sigilo”, diz o texto.
O ofício diz ainda que nesse contexto, a instalação de câmeras de vigilância vinculadas a um programa de segurança pública em ambiente interno de SAE produz “constrangimento, medo e desconfiança, podendo resultar em evasão, abandono de tratamento e enfraquecimento das políticas públicas de enfrentamento ao HIV/Aids e às ISTs”.
O documento utilizou como base denúncias trazidas pelo Brasil de Fato em reportagem publicada sobre o tema ainda em dezembro e lista uma série de solicitações, entre elas a apreciação formal do ofício denúncia e do dossiê técnico anexo por parte dos Conselhos Municipal e Estadual. Além disso, requerem que sejam solicitadas informações detalhadas à Secretaria Municipal de Saúde e aos órgãos responsáveis pelo programa Smart Sampa.
O texto também demanda que os referidos Conselhos manifestem um posicionamento institucional sobre a inadequação do sistema de vigilância eletrônica nas áreas internas de serviços especializados em HIV e Aids. Por fim, solicita-se a adoção de providências para acompanhamento e recomendação junto aos órgãos competentes, prevendo inclusive a incidência do Ministério Público caso seja necessário.
Mesmo com a pressão da sociedade civil sobre a instalação de câmeras nos Caps, Michel Marques afirma que não houve recuo por parte da Prefeitura. “Os equipamentos continuam com as câmeras instaladas.”
Ele destaca que organizações como o Centro de Convivência É de Lei e a Rede Brasileira de Redução de Danos estão “captando mais denúncias para apresentar na comissão de saúde da Câmara dos Vereadores” para garantir que “o cuidado em saúde mental seja amplo e diverso”.
A denúncia alerta ainda que a integração do Smart Sampa ao sistema estadual Muralha Paulista cria um precedente para que a vigilância interna avance sobre outros equipamentos sensíveis, como os Centros de Integração da Cidadania (CICs).
Durante reunião do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool do Município de São Paulo (Comuda) realizada nesta terça-feira (13) com órgãos ligados a Prefeitura de São Paulo, como a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cristiano Maronna, representante da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), lembrou da Lei 14.289 de 2022, que torna obrigatória a preservação do sigilo sobre a condição de pessoa portadora de infecção do vírus HIV, hepatites e pessoas com hanseníase e tuberculose.
Segundo ele, o artigo 2° dessa lei afirma “que é vedada a divulgação, por agentes públicos ou privados, de informações que permitam a identificação da condição de pessoa que vive com infecção pelos vírus da imunodeficiência humana, o HIV, e de pessoas com hanseníase e com tuberculose nos seguintes âmbitos: ensino, segurança pública, administração pública e serviços de saúde.”
Diante disso, de acordo com Maronna, já é possível identificar que a instalação dos Smart Sampa no serviço de assistência especializada Fideles Oliveira viola a regra prevista na lei federal que garante a preservação do sigilo às pessoas que são portadoras do vírus HIV. “Instalar esse serviço em equipamento de saúde é um equívoco grave, é uma agressão à dignidade humana.”
Durante a reunião, um dos representantes do Comuda afirmou que houve unidades do Caps que sofreram com cerca de quatro abordagens policiais. “Os usuários não estão indo em vários serviços. Quatro usuários foram levados do Caps AD. No Caps AD Ermelino Matarazzo, na zona leste, haviam 40 usuários que iam almoçar no serviço, hoje não tem 15”, critica.
A representante da SMS, Lindsay Mol de Souza afirmou na mesma reunião que a pasta não faz parte da coordenação e implementação do Smart Sampa, segundo ela, “a saúde em si não consta nas portarias de criação de programa, nem de instalação das câmeras.”
A representante da pasta afirmou que a SMS não foi consultada sobre a instalação de câmeras em equipamentos de saúde. “Não existe uma pessoa que seja membro da do programa do Smart Sampa na Saúde”.
De acordo com o site do programa o Conselho de Gestão e Transparência do Programa Smart Sampa é formado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), cuja representante é Pâmella Cecarelli Candido, a Controladoria Geral do Município (CGM) e a Secretaria Municipal de Justiça (SMJ).
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No Jornal Nacional desta quarta-feira (14), César Tralli se mostrou incomodado com o fato de os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Vladimir Putin, do Brasil e da Rússia, não terem abordado a guerra da Ucrânia em um telefonema realizado mais cedo. Os líderes informaram que discutiram a situação da Venezuela.
“O presidente Lula telefonou hoje para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na conversa, os dois defenderam a soberania da Venezuela e se comprometeram a coordenar esforços para reduzir as tensões na América Latina”, informou o âncora.
O jornalista acrescentou: “Nos relatos sobre o telefonema, divulgados pelos dois governos, não consta que Lula e Putin tenham discutido a invasão, pelos russos, da Ucrânia, uma nação soberana, o que aumentou a tensão na Europa ao maior nível desde o fim da Guerra Fria”.
O trecho chamou a atenção de internautas nas redes sociais e usuários alegaram que Tralli não estaria sabendo esconder seu tom de crítica a Lula.
Cesar Tralli não disfarça mais a defesa por Trump e dá chilique no JN porque Lula não teria falado da Ucrânia em telefonema com Putin. pic.twitter.com/k1WeA1StPm
De acordo com informações divulgadas pelo Kremlin, o petista e o russo enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil “em relação à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana”.
A ligação entre os dois chefes de Estado se deu em meio ao aumento das tensões no mundo após a operação que os Estados Unidos realizaram na Venezuela, em um episódio que resultou na captura de Nicolás Maduro. DCM.
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