Bolsonaro conseguiu colocar a cultura em chamas, depois de quase três anos em que deixou a Cinemateca asfixiada, sem dinheiro para funcionamento. O incêndio atingiu uma instituição que guarda a memória audiovisual do século XIX, XX e XXI. Acervos de Glauber, Vera Cruz, Oscarito e Grande Otelo. Da Tv tupi e do canal 100.
Assassinato da memória. Impossível não lembrar das fogueiras de livros dos nazistas, ainda que agora as consequências sejam bem mais graves: muito desses filmes em nitrato são irrecuperáveis, e alguns não tem cópia.
Não uso eufemismos para falar da destruição que se aprofunda a cada dia…. “incompetência”, desorganização, populismo, confusão, etc.. o que está em curso é um projeto, não é mero acidente de percurso.
Em qualquer país civilizado, o Ministro do Turismo, Gilson Machado, responderia por essa tragédia. Ele certamente vai sumir nos próximos dias. Vai colocar na mídia o espantalho útil para diversionismo, Mario Frias. Quem deve ser responsabilizado são seus chefes, a começar pelo presidente da República.
*Alfredo Manevy – Foi Secretário Executivo do Ministério da Cultura na gestão Juca Ferreira
Bolsonaro, todos sabem, é a figura do boquirroto. Ele marcou e marca sua trajetória produzindo preconceitos e farsas. Agora, que está comendo na mão do centrão, várias de suas falas contra seu atual grande amor são compiladas e mostram as contradições do passado e do presente de Bolsonaro. Ou seja, ninguém é genocida de improviso.
Fila para comer ossos num país que é o maior exportador de carne bovina do mundo, choca os brasileiros.
Mas essa lógica está longe de ser um caso isolado. Quanto mais o Brasil do agronegócio aumenta suas exportações, mais a miséria e a fome crescem no país.
Paulo Guedes, há poucos dias, apresentou uma solução para esse drama do Brasil, dar restos de comida aos pobres. Isso acontece em um país que, com Lula e Dilma, saiu do mapa da fome, mas que, somente neste último ano, governo Bolsonaro devolveu 20 milhões à miséria absoluta, enquanto o país ostenta 11 novos bilionários, segundo lista da Forbes.
E os bolsonaristas ainda têm coragem de falar de Cuba e Venezuela.
O fato é que nem o mais pessimista dos brasileiros imaginaria que aquele golpe em Dilma, que também fez com que Bolsonaro chegasse ao poder, com o pacto da escória nacional, levasse o Brasil a esse estado de coisa.
Bolsonaro, já no início da pandemia, deu uma aula de desprezo humano pelas vítimas da covid, vírus que ele tanto se empenhou em disseminar e que provocou o genocídio de centenas de milhares de brasileiros.
Mas foi Paulo Guedes que resumiu a verdadeira intenção da política econômica de Bolsonaro, enriquecer ainda mais os ricos e dar os seus restos de comida para os pobres, os famintos, os miseráveis.
Lula, vencendo a eleição de 2022, e espera-se que isso aconteça, terá um árduo caminho pela frente para tirar o país do umbral a que chegou pelas mãos das classes dominantes que manipulam as instituições, sobretudo da justiça e a mídia, principalmente a Globo.
Bolsonaro só chegou à cadeira da presidência e produziu tamanha tragédia porque teve o luxuoso auxílio dos endinheirados completamente descolados de qualquer escrúpulo.
Segundo a instituição, ‘a via proporcionará maior segurança para o trânsito da família militar’.
No dia 19 de julho, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, inaugurou em Natal — com direito a palanque e cerimônia –, onde fica o Comando Militar do Nordeste, uma obra de pavimentação de 183 metros. O leitor não leu errado.
Segundo o Exército, a “via proporcionará maior segurança para o trânsito da família militar, particularmente para as alunas e alunos do Colégio Militar do Recife”.
“O evento contou com a participação das seguintes autoridades: Gen Ex Marco Antonio Amaro dos Santos, Chefe do Estado-Maior do Exército, Gen Ex Marco Antônio Freire Gomes, Comandante Militar do Nordeste, Gen Ex Júlio César de Arruda, Chefe do Departamento de Engenharia e Construção e Gen Ex André Luiz Novaes Miranda, Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército; Oficiais Generais da Comitiva do Comandante do Exército e do Comando Militar do Nordeste”, diz o comunicado da força.
Bolsonaro, que transformou o Brasil numa fila para pegar ossos, é o mesmo que promoveu a mortandade de mais de 550 mil vítimas da covid, e ele não quer nem ouvir falar no assunto como se não tivesse nenhuma responsabilidade.
Enquanto se descobre uma rede fardada de corrupção dentro do ministério da Saúde no esquema de compra de vacinas, ao contrário de dar trégua, o mês de julho que ainda nem terminou, registrou até aqui 33.670 mortos pela covid, mais do total do mesmo mês do ano passado, mês mais letal de 2020.
O contágio teve aumento de 8% em relação a 14 dias anteriores. Há um desalento generalizado no país.
Segundo pesquisa da Ipsos, 69% dos brasileiros avaliam que o país está em declínio, em derrocada. 76% acham que a principal divisão no Brasil é entre cidadãos comuns e a elite política e econômica representada pela imagem e ações de Bolsonaro.
A postagem da Secom homenageando jagunços e grileiros no dia do agricultor confirma que, assim como nos EUA, a Ku Klux Klan tropical é uma associação de patrões.
Reportagem do Intercept mostra que pesquisadora encontra carta de Bolsonaro publicada em sites neonazistas em 2004, explicando por que nesta semana Bolsonaro recebeu a neta de um ministro de Hitler.
Talvez por isso, Carla Zambelli e outros do mesmo quilate bolsonarista estão como mariposas nas redes sociais comandando a escumalha bolsonarista a requentar pela milésima vez o caso de Celso Daniel.
A prisão de Paulo Galo e sua esposa está causando muita revolta por ser uma cínica atitude de regimes ditatoriais.
Se sua prisão já era absurda por ter se apresentado espontaneamente, pior ainda é a prisão de sua esposa por tê-lo acompanhado até a delegacia, deixando desamparada uma criança de 3 anos de idade.
Essa mistura fascista de Bolsonaro e Moro, que resultou na condenação e prisão de Lula, não tinha como não deixar sequelas. Um combinado fascista nesse nível não é obra do acaso, é questão de cidadania.
E se alguém apresentar qualquer consciência de um processo de exclusão, o judiciário brasileiro cria propósitos políticos para efetuar prisões arbitrárias numa clara questão que envolve discriminação e preconceito com as camadas mais pobres da população.
Essa coisa secular no Brasil, que se agravou perigosamente depois da Lava Jato de Moro, acontece no mesmo dia em que Bolsonaro coloca a imagem de um jagunço armado para representar o latifúndio, os grileiros, os matadores de aluguel, numa homenagem ao dia do agricultor e, com isso, mostra a diferença entre o tratamento que o judiciário dá a quem ele considera inferior na sociedade e para quem ele se coloca de forma cordial por defender os interesses da oligarquia.
O que se espera é que a sociedade reaja não mais contra o guarda da esquina da ditadura militar, mas contra o juiz da esquina carregado de discurso de ódio respaldado pela junção fascista que somou forças com a fusão no mesmo grupo político, Moro e Bolsonaro.
Criticado por protelar incentivo à economia de energia, ministério promete programa voltado à indústria nas próximas semanas.
Nicola Pamplona, Folha – Um mês após a criação do comitê de gestão da crise energética, a resposta do governo para enfrentar o risco de apagões ainda se limita a garantir a oferta de energia, sem programas voltados à economia no consumo.
O primeiro programa relacionado à demanda está em fase final de elaboração, diz o MME (Ministério de Minas e Energia), mas ainda não há prazo para começar a funcionar. Para especialistas, a estratégia é arriscada e deve pressionar ainda mais a conta de luz.
Em mesa redonda com a imprensa nesta terça-feira (27), especialistas do Instituto Clima e Sociedade classificaram a resposta do governo à crise como negacionista, por minimizar os riscos e evitar incentivos à economia de energia pela população.
“A gente vê ministros e outras figuras aparecendo e negando que estamos diante de um risco de racionamento e de apagões”, disse a consultora do instituto, Amanda Ohara. “Se na pandemia, em que lidavam com vidas humanas, houve negação, imagina na energia, no início de um período eleitoral.”
Planejada nos moldes da câmara que coordenou o racionamento de 2001, a Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) foi criada pelo governo Jair Bolsonaro no dia 28 de junho, também com o objetivo de propor medidas para enfrentar uma crise hídrica.
É liderada pelo MME, com participação de ministérios de outras áreas afetadas e já vinha sendo alvo de críticas desde a sua composição, que excluiu órgãos responsáveis pela regulação e planejamento dos setores de energia, água e meio ambiente.
Neste primeiro mês de atuação, focou suas atenções na gestão dos reservatórios das hidrelétricas para garantir alguma folga ao fim do período seco e na contratação de térmicas emergenciais, tema de uma resolução publicada no fim da semana passada.
Ainda assim, com a retomada da economia, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) emitiu alerta na semana passada sobre a possibilidade de esgotamento da potência para atendimento aos horários de maior consumo no fim do ano.
O alerta reforçou no mercado a percepção de que, sem controle da demanda, o risco de apagões localizados nos horários de picos é elevado. “Não tem varinha de condão que faça aparecer oferta de energia”, diz o ex-diretor do ONS Luiz Eduardo Barata.
Por isso, diz, o governo deveria apresentar a situação com mais transparência, convocando a população a contribuir. O programa de deslocamento da demanda que será lançado em breve tem foco na indústria, que poderia deslocar a produção dos horários de pico para momentos de menor consumo.
Inicialmente, estava previsto que o programa fosse anunciado em julho, mas segundo o MME, a proposta técnica para apresentação ao mercado ainda está em fase final de preparação. Depois, deve ficar um período em consulta pública para contribuições.
A proposta da indústria prevê o pagamento de compensações pela participação das empresas, em valores menores do que o custo de acionamento de térmicas, mas os detalhes do texto que será levado a consulta pública ainda não foram divulgados.
Especialistas no setor dizem que o deslocamento de demanda e a contratação emergencial de térmicas podem minimizar os riscos de 2021, mas não são suficientes para recuperar os níveis dos reservatórios para um 2022 menos dependente de chuvas.
Além disso, representam pressão adicional na conta de luz, já que os custos tanto das térmicas quanto da compensação às indústrias devem ser rateados por todos os consumidores.
“A pior coisa que o governo está fazendo no momento é não preparar os brasileiros para a situação difícil que vamos enfrentar”, diz o físico José Goldemberg, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo. “Pelo contrário, está tranquilizando as pessoas.”
O governo aposta na entrada de 15 gigawatts (GW) em nova capacidade de geração entre 2021 e 2022, o equivalente a 8% da capacidade instalada atual, além de 16 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, elevando a malha em 10%.
Mas a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña no próximo período chuvoso acrescenta riscos adicionais, ao reduzir as chuvas no centro-sul e ampliar no Nordeste, diminuindo a capacidade de geração eólica, num ano com perspectivas de retomada mais forte da economia.
Em nota divulgada nesta terça, o ministério afirmou que mantém no ar uma campanha pelo uso consciente de energia e água e que as medidas já em vigor estão produzindo os resultados esperados —embora o nível dos reservatórios permaneça em queda.
“Não há indicativo de corte de carga e, portanto, de apagões nem no pior cenário utilizado [pelo ONS]”, afirmou o MME. “Não obstante, as medidas em curso contemplam ações visando obter adicionais de geração que permitem que a operação do sistema conte com mais “folga” entre a oferta e a demanda.”
No texto, o ministério elenca outras medidas adotadas para enfrentar a crise, como a revisão de regras para importação de energia e negociações com empreendedores para antecipar obras. E conclui que “a energia elétrica não será um gargalo para a retomada da economia”.
A luta gigantesca empenhada em tirar Bolsonaro do atoleiro político é de fato intensa, porém, o capítulo que, segundo Bolsonaro, fará com que adquira musculatura política, entregando basicamente seu destino nas mãos do centrão, pode lhe criar muito mais embaraços.
Estamos falando de um grupo, uma frente ou seja lá o que for que caracteriza o centrão que é, antes de qualquer coisa, pragmaticamente fisiológica, é a mais clara tradução do toma lá dá cá, aqui e acolá.
Mas Bolsonaro, no desespero de se salvar, parece ignorar isso, ou pelo menos finge ignorar, pois é isso ou isso. Hoje, não há margem de manobra para mais nada.
Bolsonaro carrega nas costas a culpa pelo morticínio provocado pelo governo claramente genocida que até a chegada da CPI a sociedade imaginava que se limitava à ideia absurda e cômoda de Bolsonaro e os asseclas que o cercam que bastaria 70% da população se contaminar com o coronavírus, não importando quantos morressem, que se chegaria à imunidade de rebanho, tese que já foi repudiado pelo mundo inteiro, que chegou à conclusão de que o grau de letalidade seria gigantesco, além de um número inimaginável de reinfecção.
Mas o mais grave foi descoberto pela CPI que revelou uma teia de corrupção instalada dentro do ministério da Saúde com a compra de vacinas envolvendo muitos militares da alta patente.
Mas não só isso, os militares deixam de ser os protagonistas do governo a partir do momento em que foram obrigados a passar o bastão para o centrão.
O fato é que não há qualquer sinal de recuperação econômica que possa, até a eleição de 2022, trazer benefícios para a população com o desemprego que não para de bater recorde. É possível que o aumento de 50% do Bolsa Família, anunciado pelo governo, traga algum cisco de popularidade. Talvez, com isso, compense um pouco a perda de muitos seguidores do ex-mito, por conta da sua aliança com o centrão.
Há também a possibilidade de fazer uso político eleitoral de uma nova rodada de auxílio emergencial, mas há o risco do enfurecimento do mercado, que é, em última análise, quem está segurando Bolsonaro pelos fundilhos.
A inoperância do governo, a incapacidade dos militares de governar é assombrosa. E se Bolsonaro, em dois anos e meio, não apresentou rigorosamente nada, como é tradição do clã metido na política, não será em um ano e meio, mesmo jogando pesadamente com a máquina do governo nas mãos, que Bolsonaro vai recuperar alguma coisa que dê a ele a reeleição. Não dá para esquecer que ele só cresceu em 2018 porque Lula foi impedido de se candidatar.
Dois detalhes, em 2022 Lula estará no páreo e, como mostram as pesquisas, tem uma invejável vantagem sobre Bolsonaro, além de lembrar que um dos pontos mais fortes do pragmatismo do centrão, assim como Bolsonaro, é a traição que ele exerce sem corar.
Isso que foi aqui narrado ainda prima pelo otimismo, porque a CPI ainda pode trazer revelações que, muito mais que tirá-lo da cadeira da presidência, poderá levá-lo direto para a prisão.
Jornal financeiro vai a Ribeirão Preto e São Bernardo e relaciona desindustrialização com retorno a colônia extrativista.
Nelson de Sá, Folha – No Financial Times, “Um novo boom de commodities pode reviver o Brasil?”. Com enviados a Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, a reportagem de página inteira enfatiza que “o país se tornou um dos maiores produtores de alimentos, mas a indústria está em forte declínio”.
A agricultura, “sozinha” e mecanizada, gerando pouco emprego, não seria capaz de levantar o país. “A forma como vai lidar com essas duas tendências pode determinar se o Brasil se libertará do padrão de expansão e queda [boom and bust] que remonta às suas origens como colônia de extração de recursos.”
Jair Bolsonaro é mencionado por ter cortado proteção ambiental, estimulando “boicote” aos produtos agrícolas do país. E Lula é lembrado por ter liderado greves “durante a ditadura militar”.
ATÉ A ÚLTIMA GOTA
Na Bloomberg, “Gigantes do petróleo caçam aquele último grande achado ao longo da costa do Brasil”.
A transição energética pode estar “em andamento no mundo”, mas no país “Bolsonaro está abrindo ainda mais a indústria do petróleo” para as gigantes Exxon, Shell, Total. “No Brasil, é como se fosse o último furacão”, descreve um consultor.
Mesmo sendo de origem pobre, Zezé Di Camargo apareceu nas redes sociais não para se solidarizar com as mais de 550 mil famílias que perderam seus entes queridos por culpa de Bolsonaro, muito menos para se solidarizar com os mais de 60% de ex-internados pela covid que enfrentam as graves sequelas da doença, menos ainda pra fazer campanha pela vacinação ou contra a fome dos 20 milhões de brasileiros devolvidos à miséria por Bolsonaro.
O inacreditável Zezé Di Camargo resolveu, depois de quase vinte vitórias eleitorais do clã Bolsonaro, defender junto com ele o tal voto impresso.
Claro que isso não vai passar no Congresso, até porque Ciro Nogueira, quem agora dá as cartas no governo Bolsonaro, é contra.
Mas Bolsonaro não está interessado em promover manifestação em prol do voto impresso dentro do governo convocando Zezé Di Camargo a ajudar a rebocar um pouco de gado para mostrar que ainda resta uma rapa de tacho do bolsonarismo.
Confira:
Dia 01/08, em apoio ao VOTO AUDITÁVEL!
A partir das 14h estarei na Paulista para apoiar esse tema tão relevante para a transparência nas eleições! Procure a organização de sua cidade!@zcloficialpic.twitter.com/b39RfZDxog