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Lula, Paes, Maia e Gleisi discutem formação de frente democrática na eleição presidencial

Agenda do Poder – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrou nesta sexta-feira o prefeito Eduardo Paes (PSD), o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) e outros políticos do centro em almoço no Palácio da Cidade. Participou também do encontro o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, provável candidato ao governo apoiado pelo prefeito.

Antes do almoço, houve uma reunião reservada entre Lula; a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Eduardo Paes e Rodrigo Maia. Por 40 minutos, discutiram o quadro nacional e as possibilidades de ampliação da frente ampla que o PT pretende liderar.

Além de Paes e Maia, estiveram no encontro ainda outros aliados do prefeito, como os secretários e deputados licenciados Pedro Paulo (DEM) e Marcelo Calero (Cidadania), o secretário de educação, Renan Ferreirinha (PSB e secretário de desenvolvimento, Chicão Bulhões. Alguns devem migrar em breve para o PSD, acompanhando movimento recente de Paes.

A visita de Lula ao prefeito carioca se deu um dia após o petista se reunir com lideranças de esquerda. Ele favorável à construção de uma frente ampla no Rio que inclua os grupos de Marcelo Freixo, prestes a se filiar ao PSB, e Paes. Ou seja, juntando esquerda e centro.

A composição serviria como um palanque forte, no berço do bolsonarismo, para Lula tentar voltar ao Planalto. O PT deve abrir mão de candidaturas próprias a governador na maioria dos Estados em troca de apoios a Lula. Também pretende priorizar a formação de uma robusta bancada na Câmara.

Nesta manhã, contudo, Paes disse que seu candidato hoje para o Planalto é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (hoje no DEM, mas que também deve ir para o PSD). O partido de Gilberto Kassab mantém discurso de que terá candidatura própria à Presidência e nos três maiores colégios eleitorais do País.

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Bolsonaro: Quebra de sigilos pela CPI da Covid pode “ferrar” o governo

Duas pessoas que conversaram com o presidente Jair Bolsonaro afirmam, de forma categórica, que ele está com muito medo da quebra de sigilos pela CPI da Covid. No entender de Bolsonaro, isso pode “ferrar” o governo. Há suspeitas entre os senadores de que integrantes do Palácio do Planalto receberam propina de laboratórios fabricantes de cloroquina.

Não por acaso, o presidente esta tentando criar um fato atrás do outro para confundir a população. A fala sobre o possibilidade de o governo derrubar a obrigatoriedade do uso de máscaras por quem já foi vacinado ou teve covid-19 está dentro dessas estratégias.

Assessores do presidente já estão correndo para averiguar até que ponto a quebra de sigilos pela CPI pode atingir em cheio o Planalto. Estão na lista das pessoas que tiveram aprovada a quebra de sigilos telefônico e telemático o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, e o empresário Carlos Wizard.

*Vicente Nunes/Correio Braziliense

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Vídeo: Em Vitória, ES, Bolsonaro entra em avião comercial e é rechaçado

Circula nas redes sociais nesta sexta-feira (11) um vídeo que mostra Jair Bolsonaro entrando em um avião comercial da Azul e sendo recebido sob fortes protestos. De acordo com o jornal O Globo, o episódio ocorreu no Aeroporto de Vitória, no Espírito Santo.

Nas imagens é possível ver diversos passageiros filmando o chefe do governo federal enquanto alguns outros se aproximam dele e é possível também ouvir gritos de “Fora Bolsonaro” e “genocida”, além de vaias.

Aos críticos, Bolsonaro disse que eles deveriam viajar de jegue, e não de avião. “Vocês estão bem hoje, hein? Quem fala ‘Fora Bolsonaro’ devia estar viajando de jegue, não de avião. É o ou não é? Para ser solidário ao candidato deles”.

Confira:

*Com informações do 247

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Natalia Pasternak: Negacionismo é a propagação intencional da mentira

Essa frase dita hoje na CPI da Covid pela microbiologista, Natalia Pasternak, é lapidar, porque vai muito além das questões de preconceito, racismo e discriminação que Bolsonaro e sua tropa dispensaram à China que, juntas com a intenção de mentir e, consequentemente, correr o risco de matar centenas de milhares de brasileiros, fica absolutamente evidente.

O que isso quer dizer? Que Bolsonaro optou por tratar uma pandemia, que já matou quase meio milhão de brasileiros, de maneira criminosa, sabendo que era criminosa, tentando com isso mutilar toda forma de informação sobre o vírus substituindo por mentiras, resumindo o negacionismo que Bolsonaro disseminou muitas vezes de maneira profissional, seja por ele próprio nas suas redes sociais na internet, seja em programas como, por exemplo, Pingo nos Is, de Rodrigo Constantino.

Bolsonaro teve a capacidade de, ao usar esses veículos, trazer uma outra percepção do grau de letalidade da covid, sobretudo quando instruía a população a trocar a vacina pela cloroquina, isso depois que não tiveram mais como negar a existência e a gravidade do vírus.

Trocando em miúdos, Bolsonaro se viu, como presidente, no livre exercício de mentir, o que é muito diferente de esconder a verdade. E permaneceu, como permanece, nessa mesma posição de propagar a mentira para disseminar a morte.

Não há mais exame a se fazer sobre seus crimes, porque esse foi um modelo instalado pelo Palácio do Planalto, um modelo criminoso que agravou durante mais de um ano a crise sanitária no Brasil que, muito além dos preconceitos, tinha fórmula, estudo e formação de agentes para espalhar mentiras criminosas que resultaram nesse morticínio sem fim.

Não houve uma integração casual dos estúpidos e idiotas para se chegar a esse momento trágico que o Brasil vive.

Natalia Pasternak mostra a diferença entre ter uma atitude ausente no combate à pandemia e outra atitude em que se trabalhou incessantemente a desinformação como fermento da mentira e, consequentemente do trágico resultado que veio desse discurso oficial.

Se isso não for motivo para arrancar Bolsonaro a fórceps da cadeira da presidência e meter-lhe um par de algemas, acabou qualquer conceito de ordem nacional, de civilidade, de institucionalidade e, sobretudo, de legalidade.

O Brasil não é um templo em que um presidente da República informa a partir de suas crenças. O que hoje vivemos é o assassinato cotidiano de brasileiros pela disseminação de mentiras que coloca o país na condição das piores mazelas produzidas pela covid no planeta.

Isso tem que ter um fim, e esse fim só será possível com o impeachment de Bolsonaro, porque em plena terceira onda já nos devolveu a quase 3 mil mortes diárias, o sujeito decide fazer uma Copa América no país e orienta publicamente a sociedade a abandonar o uso de máscara.

O que fica claro é que Bolsonaro não pretende parar de jogar mais gasolina na fogueira que está cada dia mais agressiva e voraz.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Empresário de farmacêutica beneficiada por Bolsonaro já apoiava presidente antes de 2018

Spallicci herdou a Apsen da família; empresa viveu maior crescimento em 2000.

O Globo – Presidente do laboratório farmacêutico Apsen, ajudado pela atuação de Jair Bolsonaro para liberação de insumos da Índia usados na produção de hidroxicloroquina, Renato Spallicci é um apoiador convicto do presidente nas redes sociais desde antes da eleição de 2018. Executivo principal da empresa desde os anos 1990, ele ainda dá as cartas na empresa e nomeou a filha como vice-presidente.

Como mostrou o GLOBO nesta quinta-feira, Bolsonaro intercedeu a favor dos laboratórios farmacêuticos Apsen e EMS em abril do ano passado, quando solicitou ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que acelerasse a exportação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

Spallicci herdou os negócios da família. Seus pais, o imigrante italiano Mario Spallicci e sua esposa, Irene, fundaram um laboratório de pequena escala em junho de 1969 em Santo Amaro, bairro da zona sul de São Paulo. Irene foi a executiva responsável pela expansão dos negócios nas décadas de 1970 e 1980.

A empresa viveu seu período de maior crescimento nos anos 2000, já com Spallicci no comando, a partir da associação do laboratório com parceiros nacionais e o lançamento de remédios com patente própria. Boa parte da receita da companhia, no entanto, vem da produção de genéricos e medicamentos biossimilares.

Hidroxicloroquina

A Apsen é considerada a líder de mercado na produção de hidroxicloroquina, e foi beneficiada pela alta na procura do remédio quando o presidente da República virou uma espécie de garoto-propaganda da droga.

A empresa afirma que apenas cerca de 5% de sua receita atual advém da cloroquina, mas admite que houve uma alta na venda do produto.

A receita líquida da Apsen no ano passado chegou a R$ 816,31 milhões, ante R$ 691,34 milhões no ano anterior, o que representa uma alta de 18% em meio à pandemia. O lucro líquido da companhia no ano passado bateu a marca de R$ 65,06 milhões, 31,9% a mais do que o registrado em 2019.

Em fevereiro de 2020, a companhia contraiu um financiamento de R$ 94,88 milhões junto ao BNDES. O banco estatal concedeu carência de três anos para o início do pagamento e deu mais cinco anos para que o laboratório quite o financiamento, que tem como garantia imóveis da empresa.

Spallicci é tido no mercado como uma pessoa alegre e expansiva. Em seu perfil no Linkedin, afirma ironicamente ser “doutor honoris causa da Escola da Vida” e ter estudado nas “Escolas da Traição da Amizade do Amor da Paz da Saudade da Sacanagem da Rua da Piada da Vagabundagem (sic)”.

Outra empresa citada por Bolsonaro no telefonema para Modi no ano passado foi a EMS. O presidente da empresa, Carlos Eduardo Sanchez já esteve em reuniões com o presidente e, em abril deste ano, participou de um jantar com Bolsonaro, ao lado de outros empresários, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, o presidente do conselho do Albert Einstein, Cláudio Lottemberg, e o CEO do BTG, André Esteves.

Fundador e presidente do Grupo NC, Sanchez não tem nenhum alinhamento público com o governo Bolsonaro. Em 2012, ele integrou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, ligado à Presidência da República, durante o governo Dilma Rousseff.

A EMS é hoje a maior farmacêutica nacional do país, com faturamento superior a R$ 4 bilhões no ano passado, e líder na produção de medicamentos genéricos no país. A empresa também produz hidroxicloroquina.

*Foto destaque: reprodução do perfil do empresário no Twitter

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Assista aos depoimentos de Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch na CPI da Covid

A CPI da Covid ouve nesta sexta-feira (11) o depoimento da pesquisadora da USP Natalia Pasternak, também presidente do IQC (Instituto Questão de Ciência), e do médico sanitarista Claudio Maierovitch, da Fiocruz Brasília. Ele já presidiu a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de 2003 a 2005.

Além de questionados sobre as ações do Ministério da Saúde em prol do chamado tratamento precoce contra a Covid, os especialistas devem ser indagados sobre o anúncio feito nesta quinta (10) pelo presidente Jair Bolsonaro, que disse ter pedido um parecer para desobrigar o uso de máscara por quem já foi vacinado ou quem já se infectou com o coronavírus.

Assista:

*Com informações da Folha

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Lula afirma que aliança do campo democrático no Rio é essencial para derrotar Bolsonaro

Agenda do Poder – Em reunião na noite desta quarta-feira, com lideranças do campo progressista, no Hotel Pestana, em Copacabana, o ex-presidente Lula disse que, para Jair Bolsonaro ser derrotado, é necessário unir não só a esquerda mas todos setores democráticos do Rio, numa frente ampla nas eleições de 2022. Não por acaso, revelou, ele estava começando sua caminhada pelo país a partir do estado.

Ao discursar, lembrou a importância do Rio nas eleições presidenciais em que foi vitorioso (2002 e 2006), garantindo-lhe ampla vantagem sobre os adversários e neutralizando o eleitorado de São Paulo e Minas Gerais, de tendência mais conservadora.

Apesar do consenso em torno de sua candidatura, Lula disse que está aberto ao debate sobre outros nomes que eventualmente surjam com viabilidade. Lamentou a ausência do PDT na frente democrática firmada naquele ato; disse que entende a posição do partido de lançar candidatura própria, mas discordou da postura de Ciro Gomes pelas críticas que lhe feito.

– Ciro precisa decidir quem é o inimigo principal neste momento. Não será nos criticando que ele conseguirá crescer – afirmou.

Lula disse ainda que ficaria feliz em disputar o segundo turno com Ciro Gomes. Na sua opinião, se os dois chegassem ao confronto final nas eleições, a política se engrandeceria, pois teríamos em jogo dois grandes projetos para o país.

– Com Bolsonaro derrotado no primeiro turno, ganharia o Brasil – acrescentou.

O Presidente da Alerj, André Ceciliano, afirmou que o Rio precisa muito de Lula, com sua experiência e capacidade para ajudar o estado a derrotar a crise. Segundo Ceciliano, a volta de Lula ao comando do Governo Federal daria ao Rio a possibilidade de novos investimentos com a retomada da economia e a garantia de políticas sociais efetivas nas periferias e favelas. O deputado disse ainda que o Rio nunca precisou tanto de Lula como agora, dado o agravamento da crise em função da pandemia.

Discursaram também a deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ), o deputado Carlos Minc (PSB-RJ), o vereador Lindbergh Farias e o ex-deputado federal Wadih Damous, entre outros.

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Com a liberação do uso de máscara, Bolsonaro dá um mata-gado em seus fieis

O Jim Jones de Rio das Pedras deu um nó na cabeça do seu gado e, com isso, o tico e o teco não se entendem. É que, seguindo a bíblia da seita bolsonarista, boa parte do gado não se vacinou.

Agora o “mito” diz que, quem se vacinou ou já foi infectado pela covid, não precisa mais usar máscara, deixando no vácuo boa parte do gado que não se vacinou ou não se infectou.

Ou seja, Bolsonaro está dando ao gado a opção de suicídio em decorrência da infecção pelo coronavírus por falta de máscara, já que boa parte da boiada, atendendo ao chamado do berrante, comprou o discurso macabro do insano que, por sua vez, já provocou a morte de meio milhão de brasileiros.

Resultado, o gado não está mugindo, está uivando nas redes, perdido no cercadinho sem saber que rumo tomar.

A conferir os próximos acontecimentos.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Biden exclui Brasil de doação de 500 milhões de doses da vacina da Pfizer

Doses serão distribuídas a 92 países de baixa e média renda.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (10) a doação de 500 milhões de doses da vacina da Pfizer a 92 países de baixa e média renda. O Brasil, assim como outros países da América do Sul, não está na lista. Segundo comunicado do governo Biden, o Brasil não foi incluído por ser considerado capaz de comprar as próprias vacinas.

Os imunizantes serão distribuídos por meio da aliança Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Países da África, Oriente Médio e Ásia são os principais da lista. Eles receberão as doses até o próximo ano.

Além do Brasil, os Estados Unidos consideram que cerca de 80 países, como Argentina, Canadá e Reino Unido, também entram na lista dos que conseguem pagar as próprias vacinas.

Em maio, os EUA anunciaram uma outra doação de 80 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson, remessa que incluiu o Brasil. Um primeiro carregamento começou a ser distribuído semana passada, mas não se sabe quantas doses ficarão no Brasil – será preciso dividir 6 milhões delas com outros 14 países da América Latina.

*Com informações da Forum

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Surgem as provas: Bolsonaro pediu que premier da Índia liberasse insumos de cloroquina a laboratórios de empresários aliados

Documento obtido pelo Globo mostra que Bolsonaro cita nominalmente as empresas EMS e Apsen ao pedir liberação da exportação dos produtos.

O presidente Jair Bolsonaro atuou diretamente em favor de duas empresas privadas solicitando ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em abril do ano passado que acelerasse a exportação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19. Um telegrama secreto do Ministério das Relações Exteriores em posse da CPI da Covid no Senado e obtido pelo GLOBO contém a transcrição do telefonema feito por Bolsonaro no qual o presidente cita nominalmente as empresas EMS e Apsen ao pedir que a Índia liberasse a exportação dos produtos. Senadores da comissão avaliam que a ligação é prova importante do envolvimento pessoal do presidente com o fornecimento para o Brasil do remédio sem eficácia.

As duas empresas beneficiadas diretamente pela atuação são comandadas por empresários que têm relações com o bolsonarismo. O presidente da Apsen, Renato Spallicci, é um apoiador de Bolsonaro. Ele declarou voto no atual presidente em 2018 e tinha várias postagens nas suas redes sociais com ataques a seus adversários e defesa do governo. Ontem, ele foi convocado a prestar depoimento na CPI da Covid. O CEO da EMS, Carlos Sanchez, já foi recebido por Bolsonaro para reuniões no Palácio do Planalto e participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado.

Procuradas, tanto a Apsen quanto a EMS afirmam que têm relação apenas institucional com o governo brasileiro.

A ligação foi feita para Modi no dia 4 de abril e divulgada nas redes sociais do presidente brasileiro, que postou uma foto na qual está ao lado do então chanceler Ernesto Araújo. No dia 9, Bolsonaro fez outra publicação agradecendo ao primeiro-ministro indiano pela liberação. A Índia tinha suspendido em março a exportação de vários insumos devido à pandemia.

Nas postagens públicas, no entanto, o presidente brasileiro não revelou que o pedido envolvia empresas privadas. O telegrama obtido pelo GLOBO, classificado como “secreto” e “urgentíssimo”, revela que o presidente citou diretamente as empresas ao solicitar a liberação.

Bolsonaro começa a ligação deixando claro que o objetivo era obter os insumos para fabricar a hidroxicloroquina com o intuito de usar o medicamento para o combate à Covid-19, apesar de a bula do remédio prever o uso apenas para malária, lupus e artrite reumatoide — e com prescrição médica.

“Entrarei diretamente no assunto. Embora não haja, por ora, divulgação oficial, temos tido resultados animadores no uso de hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com a COVID-19. Gostaria, por isso, em nome do governo brasileiro, de fazer um apelo ao amigo Narendra Modi para que obtenhamos a liberação de importações de sulfato de hidroxicloroquina feitas por empresas brasileiras”, disse Bolsonaro, de acordo com a transcrição feita pelo Itamaraty.

Sem citar quais fontes embasariam os “resultados animadores”, o presidente cita as empresas que têm a importação retida na Índia.

“O sucesso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 nos faz ter muito interesse nessa remessa indiana. Estou informado de que um carregamento de 530 quilos de sulfato de hidroxicloroquina está parado na Índia, à espera de liberação por parte do governo indiano. Esse carregamento inicial de 530 quilos é parte de uma encomenda maior, e foi comprado pela EMS”, afirmou Bolsonaro.

O presidente prosseguiu: “Adianto haver, também, mais carregamentos destinados a uma outra empresa brasileira, a Apsen. Este, como eu dizia, é um apelo humanitário que submetemos a nosso prezado amigo Narendra Modi, e que, se atendido, poderá salvar muitas vidas no Brasil.”

A interferência do presidente na negociação tinha sido confirmada por Araújo em seu depoimento à CPI da Covid, que tem a fabricação, a distribuição e incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada como um dos focos de sua investigação.

*O Globo

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