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E não é que Flavio, na Globo, correu da pauta da corrupção depois do contra-ataque de Lula na Band

Flávio Bolsonaro passou dias prometendo esfregar na cara de Lula suas acusações de corrupção. Mas bastou o presidente propor o desafio e abrir seus sigilos bancário e telefônico para a conversa mudar de rumo.

Agora, quando a cobrança se volta para ele, Flávio recua e evita o terreno que ele próprio escolheu como campo de batalha. A pergunta que fica é inevitável: se cobra transparência de Lula, por que não aceita submeter a si mesmo ao mesmo escrutínio?

O discurso de valentia tem prazo de validade quando a transparência deixa de ser uma arma contra o adversário e passa a ser uma exigência sobre o próprio candidato.

Corrupção não se combate com bravatas, mas com transparência, e esta não pode valer apenas para os outros.


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Vídeo: Globo desmente Flávio sobre deboche de Bolsonaro a vítimas da Covid

Durante o debate presidencial transmitido pela Rede Globo nesta sexta-feira (23), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mentiu para defender a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cruzamento de dados com checagens feitas por agências de fatos e veículos da imprensa profissional, como o serviço Fato ou Fake, do g1, e o Estadão Verifica, desmente as afirmações do parlamentar sobre a atuação do ex-governo na pandemia da covid-19 e o valor do programa Bolsa Família.

Ao responder sobre a postura do ex-presidente durante a crise sanitária, Flávio afirmou que um vídeo em que Jair Bolsonaro aparece “suspirando” não se tratava de um deboche sobre pacientes em estado grave.

O senador solicitou que sua equipe publicasse no Instagram a “versão real” do trecho, alegando que o pai apenas criticava a orientação médica de esperar sentir falta de ar para procurar um hospital em um momento em que “não havia vacinas”. A checagem do Fato ou Fake classificou a declaração como falsa.

A gravação divulgada pela equipe do senador foi editada, omitindo cerca de 30 segundos do material original transmitido em uma live oficial de 18 de março de 2021. Agências de checagem relembraram que Bolsonaro imitou publicamente cidadãos sufocando por falta de ar em mais de uma oportunidade durante transmissões ao vivo naquele ano.

A alegação de que não havia imunizantes no período também é falsa: a campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil teve início oficialmente em 17 de janeiro de 2021, com a aplicação da CoronaVac em São Paulo, dois meses antes da transmissão citada, quando o país já acumulava centenas de milhares de mortes pela doença. DCM.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou durante o debate o vídeo no qual o então ocupante do Planalto imitou sons de pessoas com falta de ar em decorrência da covid-19.

“Ele não conhece o Brasil. Acho que ele só ouviu falar de Manaus e da região Norte quando o pai dele apareceu na televisão rindo e imitando uma pessoa asfixiada porque não tinha oxigênio”, disse Lula.

Flávio rebateu: “Aí esse vídeo, eu peço que a minha equipe coloque agora no meu Instagram o vídeo real sobre o Bolsonaro ter aquele vídeo dele suspirando e ele fala que estava debochando das pessoas que estavam sem ar. É mentira”.

Em transmissão ao vivo em março de 2020, no começo da pandemia, o então presidente imitou o som de uma pessoa com insuficiência respiratória ao defender que a população procurasse unidades de saúde apenas se apresentasse sintomas mais graves, argumento pregado pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A negativa de Flávio foi feita pouco depois de o então presidente ter negado que houve falta de oxigênio em Manaus, no pico da Ômicron, quando a ausência de estoques levou à morte de pacientes e gerou investigação.


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Política

É sabatina marmelada que chama

Globo confirma encontro de Flávio com cúpula da emissora antes de sabatina no JN

Após coluna do Metrópoles revelar almoço com Flávio, Globo confirma visita e não esclarece se Lula teve convite semelhante

A TV Globo confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fez uma visita institucional à sede da emissora, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16), horas antes de participar da sabatina do Jornal Nacional (JN).

A nota foi enviada à imprensa após a publicação da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que revelou que Flávio tinha um almoço reservado com a cúpula da emissora no mesmo dia da entrevista.

Segundo a Globo, o senador foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A emissora afirmou que o encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo.

Na nota, a empresa alega que pedidos de visitas institucionais “fazem parte da rotina dos executivos de empresas de mídia” e que é “usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”.

Segundo a coluna do Metrópoles, Flávio esteve acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, e de um assessor de imprensa.

Este seria o segundo encontro de Flávio com a cúpula da emissora. O primeiro, conforme Igor Gadelha, ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, como parte de uma agenda de visitas do senador aos principais veículos de comunicação.

Lula não teve encontro com executivos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à Presidência, foi entrevistado na quinta-feira (15).

De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, auxiliares de Lula afirmaram que o presidente não teria sido convidado para um almoço semelhante com executivos da Globo.

A Globo respondeu ao ICL Notícias que as visitas institucionais são comuns e que também teria atendido a um eventual pedido da campanha de Lula. O presidente, no entanto, não fez solicitação semelhante, e não houve, portanto, um encontro entre Lula e os executivos da emissora nos mesmos moldes.

Até a publicação, a assessoria do senador não havia se manifestado. O espaço segue aberto.

Confira a nota da TV Globo na íntegra:
O candidato à presidência da República do PL, Flavio Bolsonaro, fez hoje uma visita institucional à sede da Globo, no Rio de Janeiro, e foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia.

*ICL


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Tudo junto e misturado

Grupo Globo, de porta-voz do bolsonarismo a suspeito de conexões que vão muito além de Luciano Huck e Fred Kachar

Escancaradamente bolsonarista, O Globo já nem faz questão de disfarçar seu engajamento político. O jornal da família Marinho parece ter abandonado de vez qualquer pretensão de imparcialidade para vestir a camisa de uma candidatura que interessa à velha direita e aos setores mais poderosos do mercado.

Mas há uma pergunta incômoda que não pode ser ignorada: até onde vão as conexões de Daniel Vorcaro com o Grupo Globo? Se as relações envolvendo Luciano Huck e Fred Kachar já levantam questionamentos sobre a proximidade entre o mundo financeiro e o poder midiático, é legítimo cobrar esclarecimentos sobre a extensão dessas relações e sobre os interesses que podem estar em jogo.

O que não se pode fazer é transformar suspeitas em conclusões sem provas. Mas tampouco se pode exigir que a sociedade feche os olhos diante de relações que merecem escrutínio público.

Quando um dos maiores grupos de comunicação do país assume uma linha editorial cada vez mais alinhada ao bolsonarismo, a pergunta deixa de ser apenas sobre jornalismo e passa a ser também sobre poder, interesses econômicos e influência política.

Quem financia, quem se associa, quem ganha e quem pauta a opinião pública? Essas são as perguntas que precisam de respostas transparentes.

A credibilidade de um veículo de comunicação não se sustenta na força de sua marca, mas na independência de sua cobertura. E, quando essa independência é colocada em dúvida, não basta posar de fiscal da República: é preciso aceitar ser fiscalizado também.

Basta um clique no jornal dos Marinho, para entender que seu conceito de democracia é de uma perna só. Isso deixa claro que o jornalão utiliza uma peneira moral em favor de quem, há anos, furta até o piruá de pipoca das vasilhas do povo, deixando vastos roletes de fumo.

Ou seja, já são dois figurões de cabeça coroada da Globo envolvidos até o talo  jo esquema de Daniel Vorcaro, o todo poderoso diretor, Fred Kachar, e o apresentador, Luciano Huck.

Então fica a pergunta: E os irmãos Marinho, não sabiam de nada? E só se manifestam jogando para a torcida quando aparece uma denúncia comprovando que o Grupo Globo, Vorcaro e, consequentemente, o próprio Flavio Bolsonaro formam um combo de interesses nada repubicanos.


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Com que moral a Globo vai cobrar explicações sobre Vorcaro?

Como Renata Lo Prete pretende questionar Flávio Bolsonaro sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro e tudo o que essa relação representa de nefasto para a política brasileira, se a própria Globo está às voltas com revelações que atingem dois de seus medalhões, também associados ao mesmo Vorcaro?

Eis a pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: com que autoridade moral a Globo pretende colocar Flávio Bolsonaro contra a parede se a própria casa tem explicações a dar sobre suas conexões com o personagem que está no centro dessa trama?

O problema não é apenas o que Renata Lo Prete vai perguntar. É, sobretudo, o que ela terá coragem de perguntar. Vai apertar Flávio sobre os vínculos com Vorcaro? Vai exigir respostas concretas, documentos e explicações sobre as suspeitas que cercam essa relação? Ou veremos mais um espetáculo de indignação seletiva, com perguntas duras para uns e luvas de pelica para outros?

Porque, quando o escândalo chega à porta do adversário, a velha mídia costuma vestir a toga de juíza. Mas, quando as conexões alcançam os seus próprios salões, o rigor pode desaparecer, o tom pode mudar e o silêncio pode se tornar uma conveniente estratégia de sobrevivência.

A credibilidade do jornalismo não se mede pela dureza das perguntas feitas aos adversários, mas pela disposição de fazer as mesmas perguntas aos aliados, aos poderosos e aos próprios donos da casa.

Se a Globo quer cobrar explicações de Flávio Bolsonaro, que cobre. E que cobre sem anestesia. Mas terá de aceitar que a mesma régua seja aplicada a todos os personagens dessa história, inclusive aos que circulam pelos corredores do próprio grupo de comunicação.

O que não dá é transformar o jornalismo em tribunal para os outros e em assessoria de contenção de danos para os seus.

Vorcaro não pode ser tratado como um problema apenas quando o seu nome compromete Flávio Bolsonaro. Se as conexões alcançam também figuras de peso da Globo, a pergunta deixa de ser somente o que Flávio tem a explicar. Passa a ser o que a própria Globo está disposta a esclarecer.

Afinal, o público não quer uma entrevista montada para produzir manchetes convenientes. Quer respostas. Quer coerência. Quer saber se existe, de fato, disposição para investigar todos os lados ou se a velha mídia continuará escolhendo a dedo quem merece ser encurralado e quem merece ser protegido.

A pergunta que paira sobre a entrevista é brutalmente simples: Renata Lo Prete vai fazer jornalismo ou vai administrar os constrangimentos da própria Globo?

Por isso não se espantem, se hoje na sabatina de Renata Lo Prete com Flavio Bolsonaro, assistir a um bem manejado festival de platitudes.


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Relação com Vorcaro: Globo demite o executivo Fred Kachar após divulgação de conversas com Vorcaro

O Grupo Globo demitiu nesta quinta (15) o diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar, após ter acesso a conversas privadas mantidas por ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Ele trabalhou 29 anos na empresa e também comandava a Editora Globo e o Sistema Globo de Rádio.

Em nota, a empresa afirmou que as mensagens trocadas entre outubro de 2023 e julho de 2025 revelaram “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. O Grupo Globo disse que divulgará em breve o nome do substituto de Kachar.

A empresa declarou que a cobertura de seus veículos sobre o caso Master mantém caráter “crítico, isento e independente”. Também afirmou que a independência editorial do jornalismo constitui uma premissa de sua atuação.

Veja o comunicado:

Conversas incluíram encontro reservado e evento em Nova York
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal apontam convites para encontros privados, comentários sobre figuras públicas e tratativas comerciais entre Kachar e Vorcaro. Os diálogos incluem a articulação de um encontro com “Roberto”, uma referência a Roberto Marinho Neto, integrante da família controladora do Grupo Globo e CEO da Globo Ventures, área de investimentos do conglomerado.

As mensagens também citam um convite feito pelo então banqueiro em 15 de maio de 2024 para uma reunião reservada. Ao justificar a ausência em um evento da revista Forbes, Vorcaro escreveu que havia fechado um local próprio e usou as expressões “sem celular” e “sem risco”.

Kachar aceitou o convite e chamou Vorcaro de “convidado de honra”; os registros indicam que ele entrou no local perto da meia-noite de 16 de maio e agradeceu ao anfitrião no dia seguinte.

As mensagens não detalham o conteúdo da reunião nem esclarecem o sentido da expressão usada por Vorcaro. Em fevereiro de 2024, os dois também conversaram sobre encontros semanais em São Paulo, aos quais Kachar se referiu com os termos “guerra da Ucrânia” e “bomba na Rússia”.

A relação profissional entre eles incluiu o Summit Valor Econômico Brazil-USA, realizado em maio de 2024 no Hotel Plaza, em Nova York. O Banco Master patrocinou o fórum promovido pelo Grupo Globo, e Vorcaro discursou na abertura para apresentar produtos da instituição financeira.

De acordo com o DCM, documentos reunidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master incluem orçamentos de passagens para participantes de viagens a Londres, Nova York e Lisboa. Os registros apontam gastos superiores a R$ 60 milhões com autoridades nesses deslocamentos.

As mensagens também incluem comentários machistas sobre Deborah Secco e Sabrina Sato. Eles chegaram a comentar que a atriz “tava pra jogo” e falar sobre sua “bunda”. Sobre a apresentadora, Kachar disse que ela estava “soltinha”.

Mensagens entre Kachar sobre Deborah Secco e Sabrina Sato; Foto reprodução


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Surto antilulista da Globo parece não ter fim

A Globo parece ter transformado o antilulismo em linha editorial permanente. É Lula acordar, respirar, falar ou governar que lá vem mais uma rodada de ataques, insinuações, críticas seletivas e manchetes carregadas de veneno político.

Não se trata de cobrar coerência, fiscalizar o governo ou fazer jornalismo crítico — tarefas indispensáveis em qualquer democracia. O problema começa quando a crítica perde a medida, os critérios mudam conforme o personagem e a cobertura passa a dar a impressão de que o maior objetivo não é informar o público, mas desgastar Lula politicamente.

Para a velha mídia, parece que Lula nunca tem o direito de acertar. Quando há avanços, relativizam; quando há dificuldades, amplificam. Quando o governo apresenta resultados, procuram o defeito escondido. Quando a oposição tropeça, o tratamento nem sempre parece carregar o mesmo rigor.

O mais revelador é a insistência. Quanto mais a Globo parece empenhada em combater Lula, mais precisa explicar por que sua cobertura soa, tantas vezes, como uma campanha política disfarçada de jornalismo.

Jornalismo não é oposição partidária. E telejornal não deveria funcionar como palanque. Se a Globo quer convencer o público de que está apenas cumprindo seu papel, precisa demonstrar isso com equilíbrio, critérios consistentes e a mesma disposição para cobrar todos os lados.

Porque uma coisa é criticar um presidente. Outra, bem diferente, é transformar a antipatia por ele em obsessão editorial.

O surto antilulista parece não ter fim. Mas a credibilidade da velha mídia não é infinita.


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A velha mídia mergulha de cabeça na campanha da chapa miliciano/estuprador

Globo, Veja e Estadão, acompanhados por outros pesos-pesados da velha mídia, parecem ter transformado a disputa eleitoral em uma operação política na qual o jornalismo corre o risco de virar mero instrumento de campanha. O que deveria ser cobertura equilibrada, fiscalização rigorosa e informação de interesse público passa a ser questionado diante da seletividade com que os fatos são apresentados, amplificados ou simplesmente deixados de lado.

Não se trata de exigir neutralidade absoluta de veículos que possuem linhas editoriais e interesses econômicos bem definidos. Trata-se de cobrar responsabilidade pública de empresas que concentram enorme poder de comunicação e que, por isso mesmo, têm o dever de oferecer ao cidadão informações capazes de ajudá-lo a formar sua própria opinião — e não de tentar conduzi-lo pela mão até o candidato escolhido pelos interesses que essas empresas representam.

O problema se agrava quando questões que exigem esclarecimentos, como as relações políticas, os financiamentos, os compromissos assumidos e as alianças de uma candidatura, não recebem o mesmo tratamento dispensado aos adversários. Quando um candidato é submetido a uma lupa permanente, enquanto outro parece desfrutar de uma proteção editorial, a pergunta inevitável é: quem está fiscalizando os fiscais do poder?

Globo, Veja e Estadão conhecem muito bem o peso de suas manchetes, editoriais, comentaristas e escolhas de pauta. Sabem que não é preciso declarar apoio formal a um candidato para favorecer sua campanha. Basta determinar quais assuntos dominarão o noticiário, quais denúncias ganharão destaque, quais contradições serão repetidas à exaustão e quais temas desaparecerão discretamente do horizonte público.

É assim que a disputa política pode ser distorcida sem que seja necessário publicar um único pedido explícito de voto. A influência se exerce pela repetição, pela omissão, pela hierarquia das notícias e pela construção cotidiana de uma narrativa que apresenta determinados candidatos como aceitáveis, enquanto transforma seus adversários em ameaças permanentes.

E há uma contradição histórica que não pode ser ignorada: setores da velha mídia que reivindicam para si o papel de guardiões da democracia precisam responder por seus próprios critérios democráticos. Não basta invocar a liberdade de imprensa quando são criticados. Essa liberdade, indispensável à sociedade, não elimina a obrigação de apurar os fatos com rigor, distinguir informação de opinião e submeter todos os atores políticos aos mesmos padrões de escrutínio.

A questão central, portanto, não é se Globo, Veja e Estadão têm o direito de defender suas posições editoriais. Têm. A questão é se o poder econômico e comunicacional que acumulam está sendo empregado para esclarecer o eleitor ou para favorecer uma candidatura por meio de uma cobertura seletiva.

Quando a velha mídia escolhe quais escândalos merecem manchete e quais contradições podem ser empurradas para debaixo do tapete, o eleitor tem todo o direito de desconfiar, comparar fontes e exigir explicações.

A democracia não pode ficar refém de meia dúzia de grupos de comunicação, assim como não pode depender da versão conveniente de nenhum candidato. O voto pertence ao povo, não aos donos dos jornais, das revistas e das emissoras de televisão.

E, se esses grandes veículos pretendem participar do debate político por meio de suas linhas editoriais, que o façam às claras, com argumentos, fatos verificáveis e responsabilidade. O que não podem exigir é que a sociedade confunda influência com autoridade moral, concentração de audiência com monopólio da verdade e repetição de uma narrativa com prova de que ela corresponde à realidade.

No fim das contas, a pergunta é simples: a velha mídia está cobrindo a eleição ou tentando interferir nela? A resposta exige examinar suas manchetes, suas omissões, seus critérios e o tratamento que dispensa a cada candidatura.

É justamente essa comparação que os leitores, telespectadores e cidadãos precisam fazer, sem aceitar passivamente que os interesses dos grandes grupos de comunicação sejam apresentados como se fossem os interesses do Brasil.


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Política

A mídia que mostrava as ruas contra Dilma, agora esconde o povo que protesta contra Flavio Bolsonaro

★ É impressionante como a grande mídia muda de comportamento conforme seus interesses políticos.

Em 2013, Globo, Folha, Estadão e companhia faziam questão de mostrar, ao vivo, as manifestações contra Dilma Rousseff. Convocavam, davam ampla cobertura e repetiam as imagens dos protestos até transformar as ruas no principal assunto do país. Aquela cobertura ajudou a aumentar a pressão política que, anos depois, desembocaria no impeachment de Dilma, considerado por seus críticos um golpe parlamentar.

Agora, quando estudantes, trabalhadores e gente do povo vão às ruas protestar contra Flávio Bolsonaro, cadê aquela disposição toda para mostrar a multidão? Cadê as transmissões ao vivo, as manchetes de destaque e a repetição das imagens nos telejornais?

Quando o protesto interessa à mídia, vira espetáculo. Quando contraria seus interesses, parece que deixa de existir.

O povo continua nas ruas, mas, pelo que se denuncia, falta à grande mídia a mesma vontade de mostrar essas manifestações que demonstrava quando o alvo era Dilma e o PT.

E isso não é pouca coisa. Quem aparece na televisão ganha visibilidade; quem vira notícia entra no debate nacional. Quando uma manifestação recebe cobertura maciça e outra é deixada de lado, milhões de pessoas acabam vendo apenas uma parte da realidade.

A pergunta é simples: por que tanta disposição para mostrar as manifestações contra Dilma e tão pouco interesse em dar o mesmo espaço aos protestos contra Flávio Bolsonaro?

A população não precisa da Globo, da Folha ou do Estadão para ir às ruas. Mas esses veículos têm o poder de mostrar o que acontece ou fingir que nada importante está acontecendo.

O povo protesta, a multidão ocupa as ruas, mas a velha mídia parece querer escolher qual povo merece ser visto e qual deve ser escondido.

Isso não é jornalismo independente. É uma cobertura que precisa ser questionada, cobrada e confrontada com os fatos.

Porque a rua não pertence à Globo, não pertence à Folha e muito menos ao Estadão. A rua pertence ao povo. E nenhuma empresa de comunicação tem o direito de apagar sua voz simplesmente porque ela incomoda seus interesses políticos.

A tática da grande mídia brejeira sempre foi essa. Nesse caso em que ela tenta dematerializar o Brasil como ele é, a coisa fica escancarada porque os jornais de mais peso mundo afora, destacam as gigantescas manifestações que ocorrem em apoio a Lula e em repúdio a Flavio Bolsonaro por todo mal que ele e Jair Bolsonaro representam.

É a velha fórmula dos Mainho e cia., como dizia o grande cartunista, Henfil, sobre o jogo feito nas sombras do poder midiático, “se uma coisa não aconteceu, mas a Globo diz que acoteceu, então, é verdade. Mas se a coisa aconteceu e a Globo ignora, então, não aconteceu”.

O estilo da mídia brasileira, sobretudo da Globo, sempre foi esse, o de poetar sentimentos do povo, desde que não se pinte uma paisagem política que se choque com os intersses da grande mídia e de seus comparsas de oligarquia.

Assim seguirá, em vão, tentando manter de pé uma candidatura miliciana, escondendo o que de fato as ruas estão gritando. Por isso nunca saiu das próprias ventas esse cheiro de enxofre que caracteriza essa mídia sucupirana.


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Entrevista do Lula hoje no Flow Podcast durante o debate presidencial da Globo

O presidente Lula (PT) dará entrevista ao Flow Podcast nesta quinta (1º), às 20:45h, no mesmo horário do debate presidencial promovido pela Globo. O petista já comunicou à emissora que não participará do encontro televisivo, enquanto o podcast confirmou sua presença nas redes sociais.

A decisão repete a estratégia adotada na data do debate da Band, quando Lula concedeu uma entrevista exclusiva à Record. A campanha do presidente tem priorizado aparições em formatos nos quais ele responde a perguntas sem a dinâmica de confronto direto do debate.

Aliados de Lula avaliam que os debates podem desgastar sua imagem porque os adversários concentrariam críticas contra o presidente. Na leitura do grupo, o tempo limitado para respostas dificultaria rebater todos os ataques durante o programa.

Com Lula fora do estúdio da Globo, integrantes da campanha esperam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se torne o principal alvo dos demais participantes e precise responder aos ataques e questionamentos dos concorrentes.

Lula chegou a considerar comparecer ao programa, mas a tendência de ausência ganhou força entre seus aliados nos últimos dias. O grupo defendia que o presidente poderia ficar isolado diante das investidas dos outros candidatos.

O Flow Podcast anunciou nas redes sociais que receberá Lula no horário reservado ao debate da Globo. A entrevista coloca o presidente em uma plataforma digital de grande alcance, fora da programação tradicional da televisão.

A escolha pelo podcast mantém a campanha de Lula em uma linha já usada no confronto marcado pela Band: substituir o debate por uma entrevista exclusiva em outro veículo de comunicação.


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