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Kakay acusa abusos de Moro na Lava Jato e a confissão de um crime: “Só resta a renúncia!”

O advogado narra atuação na Lava Jato em 2014 e comenta documentos sobre Moro revelados após busca na 13ª Vara de Curitiba

Em sua coluna no jornal carioca O Dia o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, diz que a Sérgio Moro só resta uma atitude decente diante dos últimos acontecimentos: a renúncia.

Kakay, que chegou a atuar no início da Lava Jato em 2014 como advogado do goleiro Alberto Youssef, disse que saiu da defesa do doleiro tal a pressão que Sérgio Moro exerceu sobre Youssef. A partir daí ficou intrigado com as atitudes da República de Curitiba e passou a se interessar pelo assunto.

“Foi aí, no início da lava jato [Kakay escreve sempre em minúsculas], que eu percebi que a operação tinha outros propósitos. Claro que ainda não poderia dimensionar a verdadeira organização criminosa que iria , com objetivos políticos e financeiros, dar ao Brasil prejuízos incalculáveis em vários setores .”

Chamou a atenção de Kakay também o poder que a república de Curitiba, especialmente o juiz Sérgio Moro, tinha sobre as instâncias superiores do Judiciário no TRF4.

“Os abusos da república de Curitiba eram muito óbvios, escancarados . Para o mundo jurídico era inconcebível que as decisões teratológicas do então juiz fossem mantidas pelos Tribunais. Nós sentíamos que existia algo no ar além de aviões de carreira. Em muitas situações corria , à boca pequena ,que o grupo criminoso que coordenava a operação lava jato fazia pressão em alguns Desembargadores e Ministros com métodos nada republicanos.”

O Caso Favreto
No dia 8 de julho de 2018, o desembargador federal Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), concedeu liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se encontrava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, desde 7 de abril. De acordo com a Forum, o despacho determinaba a suspensão imediata da execução provisória da pena e a liberdade de Lula.

“Cumpra-se em regime de URGÊNCIA nesta data mediante apresentação do Alvará de Soltura ou desta ordem a qualquer autoridade policial presente na sede da carceragem da Superintendência da Policia Federal em Curitiba, onde se encontra recluso o paciente”, diz trecho da decisão.

O então juiz Sergio Moro abandonou as férias e marchou para a capital paranaense para impedir a soltura de Lula, mesmo a medida tendo sido tomada por um desembargador, posto acima do de juiz.

“Foram muitos os episódios que estarreciam a todos que acompanhavam a operação. Basta citar a pressão exercida por Moro, que estava de férias, na Polícia Federal e nos desembargadores do TRF 4, quando o corajoso juiz federal Flaveto [na verdade, Favreto] determinou a soltura do presidente Lula. Moro rasgou a fantasia e assumiu sua postura autoritária, de quem controlava as autoridades. Não pela força do Direito. Mas da força bruta. Do medo” – escreveu Kakay.

Tony Garcia
“Quando o Tony Garcia me procurou para contar o que tinha sido obrigado a fazer, por pressão direta do ex juiz Moro, com o apoio luxuoso dos procuradores e delegados, eu me neguei a acreditar. Era muita ousadia e imprudência por parte da republiqueta. Mas as afirmações do empresário, que foi preso e depois virou informante do ex juiz, tinha uma coerência que impressionava. Ele havia sido, dentre outros, usado pela organização criminosa, para gravar autoridades com o objetivo de fazer exatamente o que ouvíamos: chantagem! Era preciso, na visão do grupo,ter algumas autoridades nas mãos. E ele afirmava que recebia as ordens criminosas por escrito, como uma determinação do ex juiz. Dentro do que pude, com ética e com cautela, resolvi de alguma forma ajudar que viesse à tona a criminosa e inescrupulosa história. Seria importante para acabar de vez com esta nefasta quadrilha . Mas apenas com documentos e provas seria possível desmascarar os desmandos criminosos. “

Com a determinação do ministro do STF Dias Toffoli que a PF fizesse busca e apreensão na antiga Vara de Moro, surgiu o documento aguardado por Kakay.

O material é datado de julho de 2005 e se trata de um despacho judicial que comprova a ordem de monitoramento. Nele, Moro exigiu que Tony Garcia tentasse gravar “novamente” uma autoridade com foro, alegando que as gravações anteriores eram “insatisfatórias para os fins pretendidos”.

Nesse envio da PF ao STF também há transcrições de gravações determinadas pelo então juiz por delatores contra outras autoridades com foro, segundo fontes com acesso ao caso.

Nota de Sergio Moro sobre o fato:
“O fato ocorreu em 2005, há 20 anos, quando um criminoso colaborador, ladrão de consórcios, se dispôs a gravar seus interlocutores suspeitos de variados crimes em investigações derivadas do caso Banestado. O entendimento do STF na época era que a gravação feita pelo próprio interlocutor não demandava autorização judicial. Então um conselheiro do TCE foi gravado e é só, tudo com registro nos autos. Foi a única autoridade de foro então gravada e o áudio não foi utilizado para nada. Essa colaboração findou em 2005, sem qualquer relação com a Lava Jato. Estranhamente, esses factóides são ressuscitados no momento em que é revelado que Lulinha está sendo investigado pela PF por suspeita de envolvimento no escândalo do roubo do INSS. Estou na CPMI do INSS e defenderei, independentemente de intimidação ou de factóides, que o fato seja investigado.”

Mas, para Kakay, o assunto não é tão simples ou de menor importância como o atual senador Sergio Moro quer fazer crer:

“Não percebe o Senador ,por falta de condições de fazer uma análise ética, que sendo ele à época do crime confessado um juiz que mudou a história do país , exatamente por estes crimes que começam a vir à tona, e muitos virão, ele , sendo hoje Senador, teria a obrigação moral de renunciar.”


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Política

Kakay pede apuração contra Eduardo Bolsonaro por pressão ao STF e diz, “Bolsonaro estará preso até setembro”

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou ao 247 que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser preso até setembro de 2025. Ele também pediu que autoridades brasileiras investiguem o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), licenciado, por atuar no exterior com o objetivo de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tem um deputado federal brasileiro que está cometendo crime. Ele está fora do Brasil, atentando contra a soberania brasileira, atentando contra as instituições brasileiras”, disse Kakay. Ele cobrou providências da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal: “Eu faço uma provocação pública ao Procurador-Geral da República, doutor Paulo Gonet, e ao diretor da Polícia Federal, doutor Andrei: por que não investigam quem está por trás dessas notícias?”, questionou, em referência às declarações do senador norte-americano Marco Rubio. Rubio afirmou ao Congresso dos Estados Unidos que há “grande possibilidade” de o governo do presidente Donald Trump aplicar sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Segundo Kakay, Eduardo Bolsonaro está nos EUA em articulações com parlamentares republicanos e integrantes do governo Trump para pedir sanções contra Moraes. O advogado classificou essa conduta como criminosa. “Eu vi uma matéria onde ele dizia que estava lá procurando autoridades para poder fazer com que tivesse interferência no Supremo. Isso é crime. Está tipificado como crime no Código Penal.”

Kakay ainda expressou indignação com a falta de reação institucional: “O que me chama a atenção não é a atitude desses caras, porque são bizarros. O que me espanta é a Polícia Federal não abrir inquérito ou o PGR não determinar uma investigação sobre isso.”

“Vai ser preso”, diz Kakay sobre Jair Bolsonaro
Durante a entrevista, Kakay reafirmou sua convicção de que Jair Bolsonaro será condenado e preso ainda neste ano. “Imagina o que é um ex-presidente da República acordar de manhã com a certeza de que, dentro de três, quatro, seis meses, ele vai estar na cadeia”, afirmou. “Ele deve estar apavorado, sem dormir. Você imagina o que é saber que vai ser preso?”, completou.

Ele também elogiou a atuação do STF e do procurador Paulo Gonet nos processos contra o ex-presidente, afirmando que tudo ocorre com base no devido processo legal. “Os processos estão se dando cumprindo o devido processo legal. E o que era errado no passado está sendo corrigido agora”, disse, ao lembrar da atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba nos processos da Lava Jato. “O que o Supremo está fazendo hoje é o que salvou a democracia no Brasil.”

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Justiça

Tacla Durán, o homem bomba de Sergio Moro, que a Globo nunca ouviu falar

Está chegando a reta final em que do mini-juiz não sobrará pó. Mas a Globo segue lambendo a sua cria, com lambidas afáveis e ocultação dos seus crimes regidos pelo próprio Sergio Moro.

O advogado Kakay sintetiza o que está nessa bomba de Tacla Durán, onde tudo o que é relacionado à Lava Jato voará pelos ares, quando Kakay avisa que Tacla Durán tem documentos que são avassaladores.

Ou seja, veneno mortal para os falsos heróis, bomba ácida, letal para os hopócritas da mídia, que sempre deram guarida a um falso herói que ela própria criou para golpear Dilma, condenar e prender Lula sem qualquer prova de crime e ainda transformar Bolsonaro num presidenciável a partir de uma pasta barganha em troca da cabeça de Lula, que venceria a eleição.

Pois bem, essa barbada, feita a partir de uma marmelada jurídica, está na marca do pênalti, e Tacla Durán está pronto para jogar Moro, com bola e tudo, para o fundo da rede como uma bala de canhão.

A Globo? A Globo não sabe de nada, não sabe e tem raiva de quem sabe quem é Tacla Durán.

Moro segue sendo o juiz virginal, a própria encarnação da justiça técnica, mesmo com toda a patifaria exposta a partir dos intestinos da Lava Jato, vazada pelo uma série de reportagens do Intercept, liderada por Glenn Greenwald.

Então, pergunta-se, quando Bonner, do JN, e Moro se encontrarão? Que horas o âncora da Globo, que comandou a redação que se transformou numa sucursal da república de Curitiba, dirá com todas as letras que aquele ex-juiz herói era uma fraude que comandou a maior farsa jurídica da história?

Segundo Kakay, Tacla Durán está munido de documentos arrasadores e, por isso, nunca viu, durante seus 40 anos de profissão, um juiz se negar a ouvir o depoimento de uma testemunha. Mas agora não há como Sergio Moro esfriar o caso, até os documentos avassaladores, como diz Kakay, incriminam os principais procuradores da Lava Jato.

Em nota, Kakay diz:

Eu fui procurado por Tacla Duran e fui a Espanha para encontrá-lo. Ele me mostrou alguns documentos que são avassaladores. E demonstrou muito interesse em cooperar com a investigação.

Como não advogo para delatores, não aceitei representá-lo. Mas ele me parece muito sério, preparado e tem provas. Por isto Moro nunca permitiu que ele falasse. Nunca, em 40 anos de advocacia, vi um juiz impedir o depoimento de uma testemunha que é arrolada e tem o direito de depor.

Da mesma maneira, causa espécie o fato do agora deputado Deltan Delagnol tentar desesperadamente impedir que o Tacla Duran vá a Câmara dos Deputados prestar esclarecimentos.

Agora é hora de ouvi-lo, no Poder Judiciário e no Congresso Nacional, e ver os documentos. Simples assim.

Kakay

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Opinião

“Por que Moro e Dallagnol têm tanto medo de Tacla Duran?”, questiona Kakay

“Não se pode ter medo da verdade. Ninguém está acima da lei”, reforçou.

Neste sábado, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, concedeu uma entrevista à jornalista HIldegard Angel, no 247. Durante a conversa, Kakay abordou a relação entre o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, e os ex-membros da Operação Lava Jato, Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Kakay questionou por que Moro e Dallagnol têm tanto medo das possíveis revelações que Tacla Duran poderia fazer sobre tentativas de extorsão. Segundo o advogado, essas revelações seriam gravíssimas e poderiam expor as falhas da Operação Lava Jato. “Não se pode ter medo da verdade. Ninguém está acima da lei”, afirmou Kakay. “Por que Moro e Dallagnol têm tanto medo de Tacla Duran?”, questionou.

Além disso, o advogado criticou a atuação de Sergio Moro na Lava Jato, que segundo ele, desestruturou o Brasil e deixou como legado o bolsonarismo. Kakay ainda destacou o apoio da mídia brasileira à operação, que segundo ele, foi um fator determinante para o sucesso da mesma.

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Kakai sobre a condenação de Dallagnol: “A vida dá, nega e tira”

Se o Brasil virou um país amontoado na areia do descaso e da ruína, como sentenciou Lula, não foi sem motivos.

A Lava Jato nos levou a essa ruína sob qualquer ângulo. De forma direta quebrando grandes empresas nacionais ou levando para o topo do poder Bolsonaro e dele se valer com Moro no ministério da justiça e segurança pública.

E sobre este Brasil moldado por Moro e Dallagnol em nome de um falso pretexto de combate à corrupção, o advogado Kakai faz uma análise brilhante que vale muito a leitura abaixo:

Há anos estamos correndo o país, antes pessoalmente e agora virtualmente, para denunciar os excessos da Força-Tarefa de Curitiba.

“Na realidade denunciamos que o ex-juiz Sergio Moro, verdadeiro chefe de fato da Força Tarefa, coordenou junto com alguns procuradores, verdadeiro projeto político, instrumentalizando o Poder Judiciário e o Ministério Público Federal.
São muitas as irregularidades e sempre pugnamos por uma investigação séria, independente e ampla. O julgamento do CNMP, que terminou há pouco, e que condenou o ex-chefe da Força Tarefa na Procuradoria, o Sr. Deltan Dallagnol, é importante para o resgate da credibilidade das instituições.”

Vários outros julgamentos virão, não somente em relação ao Sr. Deltan. A máxima republicana de que ninguém está acima da lei deve vigorar.

Mas vamos dar aos investigados, sejam juízes ou procuradores, todo o direito que eles negaram aos investigados e aos advogados na Operação Lava Jato. Como lembra o poeta maranhense: “A vida dá, nega e tira”.

Vamos ser coerentes e fazer cumprir a Constituição da República. Seja nos órgãos de classe, seja no âmbito da Justiça criminal.”

 

*Com informações do DCM