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Militares de Trump terão livre acesso a território que faz fronteira com Brasil

No coração do continente, Paraguai abre país às forças armadas dos EUA

Militares dos EUA terão amplo acesso ao território do Paraguai e poderão levar ao país sul-americano equipamentos de guerra e armas, sem qualquer inspeção por parte do governo local. Os detalhes fazem parte do acordo assinado entre o Paraguai e o governo de Donald Trump, que garante à Casa Branca acesso irrestrito ao território vizinho ao do Brasil. O tratado, obtido pela reportagem do ICL Notícias, já passou pelo Senado do país sul-americano e deve, em breve, ser ratificado pelos deputados.

Ele prevê que os militares poderão andar armados, não serão inspecionados e terão seu próprio sistema de telecomunicação, sem sequer pagar pelos serviços aos paraguaios.

A aproximação entre os dois países e os termos do tratado preocupam observadores militares e civis no Brasil, diante da possibilidade de ter, nas fronteiras brasileiras, a presença da maior força militar do mundo.

A iniciativa da Casa Branca faz parte de uma ofensiva por parte do governo americano de ampliar sua presença na América Latina e militarizar o continente. Enquanto fecha o acordo com o Paraguai, o governo Trump realiza operações no Equador e pressiona o Brasil a qualificar o PCC e CV como grupos terroristas.

Hezbollah, PCC e Tríplice Fronteira
Em maio do ano passado, o governo Trump fez seu primeiro sinal sobre o que pretendia com a região entre o Paraguai e o Brasil. Naquele momento, ele lançou sua primeira ação de combate ao terrorismo na Tríplice Fronteira, oferecendo uma recompensa permanente de até US$ 10 milhões por informações que “levem ao rompimento dos mecanismos financeiros da organização terrorista Hezbollah”, em especial no Brasil e região.

Fontes no governo brasileiro temeram que aquelas ações pudessem representar o início de uma ofensiva de Trump na região, eventualmente adotando sanções. O foco era o financiamento de grupos ligados ao Irã que, nos últimos dias, passou a ser alvo de mísseis da Casa Branca num esforço para asfixiar o regime de Teerã.

“Como parte dessa oferta de recompensa, o programa está buscando informações sobre as redes financeiras do Hezbollah na área da Tríplice Fronteira da Argentina, Brasil e Paraguai”, diz o comunicado do Departamento de Estado.

Segundo eles, na região, “os financiadores e facilitadores do Hezbollah geram receita para a organização terrorista por meio de atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, tráfico de narcóticos, contrabando de carvão vegetal e petróleo, comércio ilícito de diamantes, contrabando de itens como dinheiro, cigarros e artigos de luxo, falsificação de documentos e falsificação de dólares americanos”.

O anúncio aconteceu uma semana depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conversou com um enviado do governo Trump. No encontro, em Brasília, o filho do ex-presidente indiciado sugeriu a vinculação do PCC com o Hezbollah e defendeu a tese americana de que grupos criminosos brasileiros deveriam ser qualificados como entidades terroristas.

Aliança garante livre circulação aos militares dos EUA
Agora, o texto, no caso do Paraguai, não deixa dúvidas da dimensão dos privilégios que receberão os militares dos EUA:

  • Aeronaves, embarcações e veículos do governo dos EUA estarão isentos de inspeções no Paraguai.
  • Aeronaves, embarcações e veículos operados pelo Departamento de Guerra dos EUA poderão entrar, sair e circular livremente no território do Paraguai.
  • Fica estabelecido que o Exército dos EUA tem o direito de realizar treinamentos, exercícios e atividades humanitárias. Já os militares ficam livres para entrar e sair do país, sempre que desejarem.

O documento também prevê a autorização para que as forças americanas operem seu próprio sistema de comunicação, sem qualquer vínculo com as operadoras locais ou controles internos do Paraguai.

Na prática, os EUA ainda terão o direito de “direito de usar os meios e serviços necessários para garantir a plena capacidade de operação dos sistemas de telecomunicações e o direito de usar as frequências do espectro de rádio necessárias para esse fim”.

Num outro trecho, o Paraguai ainda fica proibido de cobrar para que os EUA possam usar os sistemas. “O uso do espectro de rádio não terá custo para os Estados Unidos”, diz o texto.

De acordo com o documento, isenções e autorizações serão dadas para que esses militares possam levar armas para o Paraguai.

Imunidades
A presença de militares americanos no coração da América do Sul, porém, será blindada. Imunidades foram garantidas, assim como todo o tipo de privilégios que um diplomata americano teria no país.

Todas as licenças de trabalho concedidas pelos EUA a seus funcionários passarão a ser válidas também no Paraguai, inclusive carteiras de motoristas e outros documentos.

Os soldados americanos poderão usar uniformes e portar armas, sempre que estiverem em suas missões oficiais. A Justiça do Paraguai, porém, não poderá julgar nenhum dos homens das forças americanas, que terão imunidade completa diante das cortes do país sul-americano.

Em um dos trechos, o acordo ainda estabelece que nenhum dos aviões dos EUA pagará por encargos de aeroportos ou para estacionar suas aeronaves, encargos portuários.

Sem inspeções
Nenhum imposto existente por lei no território do Paraguai será cobrado dos militares americanos. A importação de todo o tipo de equipamentos, tecnologias e materiais poderá ocorrer sem qualquer controle das aduanas do país. Fica explicitado que não existirão “inspeções” sobre o que for transportado pelos militares dos EUA.

O que chama a atenção ainda do tratado é que ele não se refere apenas a militares americanos. Pelo acordo, empresas contratadas pelo Departamento de Guerra dos EUA também serão beneficiadas por todos os benefícios dados aos soldados e não pagarão impostos, nem mesmo de importação.

Consta do acordo que o governo dos EUA poderá contratar quaisquer “suprimentos, equipamentos e serviços (incluindo serviços de construção) a serem adquiridos ou executados no Paraguai, sem restrição quanto à escolha do contratado, fornecedor ou outra pessoa que forneça tais suprimentos, equipamentos ou serviços”.

Para esses contratados, não valerá a lei sul-americana e apenas os EUA poderão determinar seus critérios.

Fica ainda estabelecido que as empresas e serviços contratados dos EUA não estarão sujeitos a quaisquer impostos. Essas companhias poderão levar ao país e usar “quaisquer bens pessoais, equipamentos, suprimentos, tecnologia, treinamento ou serviços para o cumprimento de contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos”.

Paraguai sem direito a se queixar
Draconiano, o acordo ainda prevê que o Paraguai irá “renunciar” a qualquer direito de reivindicar danos, perda ou destruição da propriedade. Também será autorizado ao governo sul-americano denunciar os EUA por “lesões ou morte de membros das forças armadas de qualquer um dos governos ou de seu pessoal civil, decorrentes do desempenho de suas funções oficiais em conexão com atividades sob o acordo”.

O Paraguai tampouco poderá levar qualquer desentendimento a partir do acordo para os tribunais do país. A única saída é por meio de um “mútuo acordo”.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Bolsonaro, réu no inquérito da trama do golpe, diz ter conversado com militares sobre estado do sítio

Jair Bolsonaro (PL) afirmou ter conversado com comandantes militares sobre o estado de sítio. Réu no inquérito da trama golpista após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o político da extrema-direita confirmou a reunião após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar recursos do partido contestando a eleição.

O ex-mandatário disse que restou a ele e aos seus auxiliares “conversar com pessoas de confiança mais próximas”. “É o meu círculo de amizade, eu fui militar. O que foi discutido: hipóteses de dispositivos condicionais. Algum problema nisso?”, continuou em entrevista a Carla Araújo e a Josias de Souza, no Portal Uol.

Bolsonaro reafirmou ter questionado o comando militar sobre quais seriam as possibilidades para ele “dentro das quatro linhas da Constituição”. “Aí está a resposta do comandante Freire Gomes [de possibilidade de estado de defesa e de sítio]”.

Além de virar réu no inquérito da trama golpista, Bolsonaro está inelegível até 2030 após decisão do Tribunal Superior Eleitoral em 2023. O motivo para a condenação foram as declarações golpistas do então mandatário em 2022, quando ele se reuniu com embaixadores, em Brasília (DF), e tentou passar a mensagem de que as urnas eletrônicas não são confiáveis.

Durante a conversa, Bolsonaro afirmou que o seu julgamento no STF é político e que sua inelegibilidade poderia ocorrer “por jogar papel no chão”. Ele disse que foi condenado “por duas ações”: se reunir com embaixadores no Palácio da Alvorada e por fazer um discurso “no carro de som do (pastor) Silas Malafaia” após as comemorações do 7 de Setembro de 2022. “Ou seja, é um julgamento político. Não justifica o que tá acontecendo”.

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Mundo

Militares israelenses exigem fim da guerra e expõem crise no governo

Cartas de militares da reserva, ex-chefes do Mossad e do Shin Bet denunciam uso político da guerra e cobram libertação dos reféns

Israel enfrenta um movimento crescente de oposição interna à continuidade da guerra em Gaza. Reservistas e veteranos de elite, incluindo ex-chefes de inteligência e unidades especiais, denunciam o uso político do conflito e exigem uma saída negociada com o Hamas. A reação do governo Netanyahu aprofunda o racha interno e expõe a crise de legitimidade da ofensiva militar.

Uma carta aberta publicada no dia 11 de abril e assinada por 970 reservistas da ativa e veteranos da Força Aérea Israelense teve forte repercussão nacional ao denunciar o prolongamento da guerra como uma decisão guiada por interesses pessoais e não por objetivos de segurança.

“Continuar a guerra não serve a nenhum dos seus objetivos declarados”, afirmaram os signatários na carta. “A santidade da vida é mais sagrada que o deus da vingança”, escreveram.

A iniciativa desencadeou uma mobilização em diversas frentes do aparato militar e de segurança. Cartas semelhantes foram divulgadas por 150 oficiais da Marinha, 1.525 membros do Corpo Blindado, 250 integrantes da unidade de inteligência cibernética 8200, mais de 1.500 veteranos das Forças Especiais e da Infantaria, e cerca de 500 representantes do setor de alta tecnologia israelense, segundo o Vermelho.

Também subscreveram o protesto cerca de 250 veteranos do Mossad, incluindo três ex-diretores, e 100 ex-alunos do Colégio Nacional de Segurança.

Todas as declarações convergem no apelo pelo fim da guerra, pela devolução dos reféns e pela abertura de negociações que coloquem a vida dos civis acima dos cálculos políticos de Netanyahu e da sua coalizão.

Reação do governo: repressão e ataque político

A resposta do governo foi imediata. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou os signatários como um “grupo anarquista, barulhento e desconectado de aposentados” e afirmou que a mobilização é financiada por organizações estrangeiras com o objetivo de derrubar o governo de direita.

O ministro da Defesa, Israel Katz, e o comandante da Força Aérea, Tomer Bar, ordenaram a demissão dos reservistas da ativa que assinaram a carta. Ao menos 25 recuaram e retiraram suas assinaturas após reuniões com o alto comando militar. Segundo os comandantes, as cartas abalam a coesão das unidades e comprometem a eficiência da operação militar.

A repressão não conteve o movimento, no entanto. Cartas de apoio seguiram circulando e ampliando o clamor pelo fim dos combates. O Shin Bet, serviço de segurança interna, divulgou uma nota assinada por centenas de veteranos, com apoio explícito às cartas militares e exigência de uma comissão de inquérito sobre os eventos de 7 de outubro.

“Trazer todos os reféns de volta é um mandamento ético supremo, mesmo ao custo de interromper temporariamente os combates”, afirmaram.

O racha social e político em Israel

A crise de legitimidade também se reflete nas ruas. Manifestações em Tel Aviv e Jerusalém reúnem familiares de reféns, reservistas e militantes pela paz, que exigem um cessar-fogo imediato. As manifestações incorporaram a agenda das cartas: devolução dos reféns, investigação dos erros de 7 de outubro e fim da guerra.

A isenção concedida às comunidades ultraortodoxas — que não cumprem serviço militar — também é alvo de crescente revolta entre soldados da reserva e familiares. As cartas acusam o governo de permitir uma guerra desigual, onde apenas parte da população é chamada a se sacrificar.

Guerra contestada por dentro

A dissidência militar, a pressão da sociedade civil e as divisões dentro dos aparatos de segurança indicam que a guerra em Gaza não tem mais o consenso institucional que sustentou as primeiras fases da ofensiva.

A insistência do governo Netanyahu em manter a linha dura, sem apresentar alternativas realistas para a devolução dos reféns, amplia o isolamento interno e internacional de Israel. A continuidade da guerra, longe de garantir segurança, expõe um país em ruptura com suas próprias forças armadas.

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Política

Expulsão, honra, pensões: o que acontece com militares se condenados pelo golpe?

Por Caio de Freitas – A Pública

O início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da tentativa de golpe revela diferenças no tratamento a civis e militares envolvidos no caso.

Além do risco de prisão, os oficiais das Forças Armadas denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) podem ter de enfrentar um tribunal de honra militar que os penaliza com a chamada “morte ficta”, “morte fictícia” dos militares que os exclui das Forças Armadas. Até aqui, 24 oficiais da ativa e da reserva do Exército e da Marinha foram denunciados por suposto envolvimento na trama.

Mas, mesmo em caso da imposição da “morte ficta”, familiares dos militares ainda receberão pensões do governo – calculadas com base nos vencimentos de cada oficial condenado e considerado “indigno” para as Forças.

Atualmente, as pensões nos casos de morte ficta se restringem a 70% do valor integral recebido pelo militar antes de sua expulsão das Forças Armadas – dinheiro esse a ser repassado aos familiares.

Tome-se como exemplo o caso do general Estevam Cals Theophilo, ex-comandante de Operações Terrestres e ex-membro do Alto-Comando, um dos “kids pretos” denunciados na trama do golpe: segundo o Portal da Transparência, ele recebeu R$ 24,7 mil de salário após deduções em janeiro passado. Se condenado à morte ficta, seus familiares receberiam, em tese, R$ 17,3 mil de pensão.

Obtida pela Agência Pública, uma representação do subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União Lucas Furtado aponta que as Forças Armadas gastam R$ 43 milhões por ano com pensões desse tipo para familiares de militares. O gasto foi revelado inicialmente em dezembro de 2024 pelo portal Metrópoles.

Expulsão de militares depende do procurador-geral da Justiça Militar
Cabe apenas à Justiça Militar, por meio do Superior Tribunal Militar (STM), julgar a exclusão de oficiais dos quadros das Forças Armadas. Em recente entrevista à Pública, a presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, explicou como funciona esse tipo de processo.

“Se a pena à qual o oficial for condenado superar dois anos, cabe uma representação de indignidade para com o oficialato. Se for inferior a dois anos, cabe a instalação de um Conselho de Justificação. São tribunais de honra. Ao fim, decidem se o oficial tem condições de permanecer nas fileiras do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica. Caso decida-se que não, o oficial é excluído da Força, perde seu posto e a sua patente”, disse a presidente do STM.

Mídia internacional repercute decisão do STF de tornar Bolsonaro réu |  Metrópoles

No caso dos oficiais ligados à trama golpista, são esperadas representações de indignidade contra os que forem condenados, pois as penas dos crimes em julgamento no STF superam dois anos de prisão.

Tais ações devem ser propostas pela Procuradoria-Geral da Justiça Militar (PGJM), atualmente sob o comando do procurador-geral Clauro Roberto de Bortolli. A PGJM não tem investigado crimes militares ligados à trama golpista, aguardando o resultado dos julgamentos no STF – como já destacado pela reportagem anteriormente.

À Pública, a PGJM disse que “toma ciência das condenações dos oficiais por notificações dos tribunais ou mesmo pelas próprias Forças”, sendo um “pressuposto constitucional dessa medida a existência de condenação a pena privativa de liberdade superior a dois anos transitada em julgado”.

A PGJM afirmou também que toda representação de indignidade deve ser instaurada em menos de seis anos após o trânsito em julgado. Caso contrário, o processo de exclusão do oficial das Forças Armadas perde a validade, segundo decisão do próprio STM em 2021.

Tribunal de honra
Por outro lado, se houver militares condenados a penas inferiores a dois anos, serão abertos Conselhos de Justificação para avaliar sua expulsão das Forças Armadas. Regulamentados desde 1972, os conselhos são uma espécie de “tribunal de honra e corte moral”, como define o ministro do STM Péricles Aurélio Lima de Queiroz.

Os comandantes das Forças às quais os condenados pertencem são responsáveis por nomear os Conselhos de Justificação, que são formados por três militares de patente superior à de quem está sendo julgado.

No caso de generais da ativa, a lei ordena que devem ser nomeados outros oficiais-generais, “da ativa ou na inatividade, mais antigos” que aquele sob julgamento.

Já nos casos de oficiais “da reserva remunerada ou reformado”, como o general da reserva Augusto Heleno, o ex-presidente e capitão da reserva Jair Bolsonaro e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, ao menos “um dos membros do Conselho de Justificação também pode ser da reserva” da respectiva Força.

Ou seja: nos casos em que as penas forem menores que dois anos de prisão, caberá ao general Tomás Miné Paiva, na condição de atual comandante, nomear os membros de Conselhos de Justificação para analisar os casos de militares do Exército. No caso do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, se ele for condenado a uma pena menor que dois anos, sua expulsão deve ser analisada por um conselho nomeado pelo atual comandante da Força, o almirante Marcos Sampaio Olsen.

Julgamento no STF em andamento 
A 1ª Turma do STF formada por cinco ministros do colegiado — Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino — vão analisar os argumentos preliminares das defesas sobre o recebimento da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) para decidir se há indícios de crime para justificar o início de uma ação penal contra 33 pessoas — 24 são oficiais da ativa e da reserva do Exército e da Marinha foram denunciados pela PGR.

A denúncia envolve os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, liderança de organização criminosa armada; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, essas duas últimas relacionadas à invasão de Brasília em 8 de janeiro. Ela é baseada na investigação da Polícia Federal (PF) que apontou uma trama golpista envolvendo o ex-presidente e militares após a vitória de Lula nas eleições de 2022.

 

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Militares, lelé e da cuca, vão à manifestação apoiar um militar expulso do exército por ato terrorista

Os cavalos de Figueiredo estão lá em Copacabana apoiando um sujeito que recebeu a maior desonra militar que um recruta zero terrorista pode receber.

O cara espalhou bomba pelos quartéis onde diz ter servido.

Bolsonaro foi preso e sumariamente expulso das Forças Armadas por práticas criminosas contra a própria instituição.

Sem falar que foi terminantemente proibido de colocar os pés em qualquer unidade militar por sua traição e toxicidade.

Por aí se vê o nível de indigência dos militares que apoiam o delinquente.

Os Napoleões de sanatório, e suas “honras” são a parte tragicômica dessa micareta fascista.

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Política

Gasto per capita com a previdência dos militares supera em 18 vezes o custo dos aposentados do INSS

Despesas com o sistema militar chegam a R$ 162 mil por beneficiário, contrastando com valores muito inferiores no INSS.

A previdência no Brasil enfrenta um déficit significativo, tanto no setor público quanto no privado, obrigando o governo federal a complementar os benefícios para garantir o pagamento das aposentadorias e pensões. Essa situação se agrava ao se analisar o sistema de previdência dos militares, cujo gasto per capita é alarmante.

Em 2024, o custo médio por beneficiário do regime previdenciário das Forças Armadas atingiu a cifra de R$ 162.481. Em comparação, o governo destinou apenas R$ 8.702 para cada aposentado e pensionista do INSS, que abrange trabalhadores do setor privado. Para os servidores civis federais, o valor é de R$ 75.497, cerca de metade do gasto com os militares.

O déficit do sistema de previdência militar é alarmante. Em 2024, a diferença entre receitas e despesas no sistema foi de R$ 50,88 bilhões, para 313 mil militares inativos e pensionistas. O regime dos servidores civis, que atende um número maior de beneficiários (737 mil), teve um déficit de R$ 55,68 bilhões. Já o INSS, com uma base de 34,1 milhões de aposentados e pensionistas, apresentou um rombo de R$ 297,39 bilhões.

TCU diz que é urgente ajustar previdência dos militares

O Tribunal de Contas da União (TCU) sinalizou a urgência de ajustes no sistema previdenciário militar, dada a discrepância entre as contribuições e as despesas. Em resposta, o governo apresentou uma proposta de reforma ao Congresso, visando economizar R$ 2 bilhões anualmente. Entretanto, especialistas avaliam que as mudanças propostas são superficiais e não atacam a questão de forma estrutural.

De 2008 a 2024, os gastos com a previdência dos militares quase triplicaram, subindo de R$ 20,8 bilhões para R$ 63 bilhões, refletindo um aumento de 27,3% em termos reais, mesmo após a correção pela inflação. Embora a Reforma da Previdência de 2019 tenha estabelecido regras mais rígidas para a maioria dos trabalhadores, os militares continuaram a desfrutar de privilégios, como aumentos salariais após a reforma.

Idade mínima para transferência à reserva é uma das propostas

Dentre as propostas apresentadas, destaca-se a criação de uma idade mínima de 55 anos para a transferência à reserva, que é inferior à média de 57 a 60 anos observada em países da União Europeia. Outras mudanças incluem a padronização da contribuição para assistência médica, mas sem mexer na pensão vitalícia das filhas de militares, segundo O Globo.

A tramitação da proposta enfrenta resistência, especialmente da chamada bancada da bala, que defende os interesses das forças de segurança. A análise do ex-secretário de Previdência Leonardo Rolim e do pesquisador da Fipe/USP Paulo Tafner ressalta a necessidade de reformas mais abrangentes, considerando a questão da contribuição patronal, ausente no sistema dos militares.

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Militares tentam dar golpe de Estado na Bolívia

Militares fecharam a Praça Murillo, epicentro político de La Paz. População começa a se mobilizar com slogans em defesa da democracia.

(Prensa Latina) – Militares golpistas tentam tomar a Casa Grande do Povo (sede governamental da Bolívia), enquanto a segurança presidencial tenta impedir a ação.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, denunciou nesta quarta-feira (26) movimentos irregulares de membros do Exército, diante da presença incomum de militares que fecharam a Praça Murillo, epicentro político de La Paz.

“Denunciamos mobilizações irregulares de algumas unidades do Exército Boliviano. A democracia deve ser respeitada”, escreveu o dignitário em sua conta no X (antigoTwitter).

O canal estatal Bolivia Tv mostrou como a Polícia Militar, com escudos antidistúrbios, impedia o trânsito livre de pessoas e usava gases contra os civis que tentavam se aproximar da Casa Grande do Povo.

Anteriormente, o ex-presidente Evo Morales denunciou nesta quarta-feira um suposto “aquartelamento” das Forças Armadas.

“Há uma hora, comandantes de divisões instruem comandantes de regimentos a retornarem imediatamente aos seus quartéis para aguardarem novas disposições (aquartelamento).

“Isso levanta muitas suspeitas sobre o movimento militar na Bolívia”, escreveu em sua conta no X.

A população começa a se mobilizar para a Praça Murillo com slogans em defesa da democracia.

A ministra da Presidência, María Nela Prada, denunciou no canal estatal que as tropas ocuparam todas as esquinas da Casa Grande do Povo, da Chancelaria e da Assembleia Legislativa.

Ela indicou que, aparentemente, essa é a resposta do general Juan José Zúñiga após sua destituição nesta quarta-feira por emitir declarações deliberadas no sentido político, o que constitui uma quebra da ordem constitucional.

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Israel acumula fracassos estratégicos e militares em Gaza, afirma NYT

Jornal novaiorquino enfatiza que além de não libertar reféns nem ‘destruir o Hamas’, como prometido, Tel Aviv gerou discórdia com aliados ao planejar invadir Rafah.

“Israel não alcançou seus principais objetivos na guerra”, nos quais, segundo a nação, consistem na libertação de reféns e na “destruição total do Hamas”. É o que diz uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times, em 22 de abril.

Segundo o veículo norte-americano, foram mais de seis meses de um conflito custoso no qual Tel Aviv ficou à mercê de seus aliados próximos, enquanto gerou tensões globais decorrentes do alto número de palestinos massacrados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), da fome instalada em Gaza e dos assassinatos a funcionários humanitários que auxiliavam as vítimas da guerra na região.

Dados apontados pela matéria indicam que as baixas militares de Israel começaram a aumentar, com cerca de 260 mortos e mais de 1.500 feridos desde que a nação intensificou suas operações no território palestino, em 7 de outubro de 2023.

As autoridades de Tel Aviv afirmam que cerca de 133 israelenses permanecem reféns em Gaza. No entanto, as negociações para garantir um acordo que possibilite o retorno de pelo menos alguns deles em troca do cessar-fogo e da libertação de prisioneiros palestinos, exigido pelo Hamas, seguem num impasse.

Em um contexto em que as forças israelenses relatam um aumento no número de baixas do grupo de resistência palestino, sem nenhum soldado de seu exército sendo morto desde 6 de abril, e as crescentes ameaças do premiê Benjamin Netanyahu para invadir Rafah, considerado o “último abrigo humanitário” dos palestinos, o The New York Times questiona: “quem governará Gaza e fornecerá sua segurança se os combates acabarem?”

Para a pergunta, autoridades norte-americanas e israelenses, membros do Hamas e palestinos no enclave foram ouvidos pela reportagem.

Douglas London, oficial aposentado da CIA que trabalhou 34 anos na agência, responde que “por mais danos que Israel possa ter infligido ao Hamas, o grupo ainda tem capacidade, resiliência, financiamento e uma longa fila de pessoas esperando para se integrar ao grupo”.

Tel Aviv crê que quatro batalhões do Hamas estão baseados na cidade de Rafah, e que milhares de outros combatentes se refugiaram na região, em meio a um milhão de civis palestinos. E para as IDF, esses batalhões devem ser desmantelados por meio de uma incursão terrestre.

A orientação israelense para que os palestinos se “desloquem a áreas mais seguras” entra em contradição, segundo Washington, uma vez que grande parte do enclave já está inabitável em decorrência dos seis meses de ataques.

“É um momento oportuno para Israel fazer a transição para uma nova fase [da guerra], focada em operações de contraterrorismo muito precisas, particularmente dada a situação de 1,2 a 1,3 milhão de palestinos, todos agrupados dentro de Rafah e seus arredores”, disse o tenente-general Mark C. Schwartz, comandante aposentado de Operações Especiais dos Estados Unidos, que coordenou a segurança norte-americana para Israel e para a Autoridade Palestina.

*Opera Mundi

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Mundo

Militares da Ucrânia dizem que foram ‘abandonados’ na linha de frente

Em mais um relato divulgado pela mídia ocidental, um soldado ucraniano disse à BBC que grande parte dos militares que seguem na linha de frente acredita que foi “abandonado” por seu comando.

A operação militar especial russa na Ucrânia acontece desde fevereiro de 2022 e, apesar da injeção de bilhões em recursos por países da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos ao governo de

Volodimir Zelensky, poucos avanços foram registrados e ainda há várias denúncias de desvio de dinheiro.

O soldado que não teve o nome revelado descreveu a situação em Kherson. Segundo ele, muitas vezes os militares usam o próprio dinheiro para comprar kits de sobrevivência na linha de frente, como agasalhos e combustível para os geradores de energia. “Agora que as geadas estão chegando, as coisas só vão piorar. A situação real está sendo abafada, então ninguém vai mudar nada”, declarou.

De acordo com o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, só na contraofensiva dos últimos seis meses, as Forças Armadas da Ucrânia perderam pelo menos 125 mil militares.

Já Zelensky disse na última semana, em discurso televisivo, que o reforço nessas áreas de combate eram uma prioridade fundamental.

A declaração aconteceu após intensas denúncias de militares ucranianos sobre o abandono do próprio governo.

“Ninguém sabe [quais são] os objetivos. Muitos acreditam que o comando simplesmente nos abandonou. A galera acredita que nossa presença teve mais significado político do que militar”, disse o soldado.

*Sputnik

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Investigação

PF avança contra Braga Netto após ver atuação suspeita de militares em contratos

A Polícia Federal avançou nas últimas semanas e abriu novas frentes na apuração que mira a gestão de Braga Netto no GIF (Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro). Os desdobramentos ocorrem após os investigadores mapearem a atuação de militares da reserva na intermediação de contratações milionárias.

Informações coletadas pela PF indicam que as suspeitas de irregularidades em contratos assinados pela gestão de Braga Netto extrapolam o caso da compra de coletes balísticos alvo da operação Perfídia, que investiga o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), diz a Folha.

Os investigadores ainda analisam R$ 1,2 bilhão em contratações e cruzam os dados com informações das quebras de sigilo e materiais apreendidos na operação, mas já encontraram indícios de irregularidades em contratos de R$ 17,5 milhões para compra de blindados que sequer foram utilizados pela intervenção e ficaram com o Exército.

Um novo inquérito deve ser instaurado sobre o caso. Por um lado, os desdobramentos da apuração devem colocar ainda mais pressão sob a possível candidatura de Braga Netto à Prefeitura do Rio pelo PL. Por outro, apontam para desvios envolvendo militares no Rio, quando o governo Lula (PT) estuda novamente o uso das Forças Armadas na segurança do estado.

O general Braga Netto disse que os contratos da intervenção seguiram trâmites legais.

Ele foi nomeado interventor pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Depois, virou ministro do governo Bolsonaro e foi vice na chapa de reeleição do ex-presidente —que acabou derrotada.

Durante a intervenção, os militares compraram 16 blindados Lince K2 de uma empresa ligada ao Ministério da Defesa da Itália. Eles nunca foram utilizados pelas forças de segurança do Rio e acabaram enviados para o Exército após a compra.

A PF apura se houve desvio de finalidade na contratação desses blindados, uma vez que a verba de R$ 1,2 bilhão tinha como objetivo melhorar a segurança do Rio, e não equipar as Forças Armadas.

Além disso, a PF investiga se, assim como no caso dos coletes balísticos, ocorreu o mesmo modus operandi sob investigação: a participação de empresas ligadas a militares da reserva na intermediação dos negócios.

Os investigadores mapearam, por meio de conversas do celular do vendedor dos coletes, a atuação do general Paulo Assis e do coronel Robson Queiroz, ambos da reserva, em contratos do GIF e de outras áreas.

Os dois tiveram o sigilo telemático quebrados e as informações estão reforçando as investigações em andamento.