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Pesquisa Genial/Quaest: Lula venceria todos os adversários se a eleição fosse hoje

Gusttavo Lima é o candidato da oposição que se sairia melhor na disputa com o petista, segundo o levantamento.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (3) mostra que o presidente Lula venceria todos os seus adversários se a eleição presidencial fosse hoje. Em todos os cenários possíveis de primeiro e segundo turno o petista sairia vitorioso.

A pesquisa é parte do levantamento divulgado na semana passada e que mostrou a reprovação do governo Lula maior do que aprovação pela primeira vez. Também inclui os nomes do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e do cantor sertanejo Gusttavo Lima (sem partido).

Os entrevistados foram confrontados com quatro cenários para o primeiro turno e seis para o segundo. No primeiro turno, a pesquisa listou oito candidatos: Lula, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Gusttavo Lima, o influenciador Pablo Marçal (PRTB), Eduardo Bolsonaro, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União).

Lula tem entre 28% (cenário sem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas) e 33% (sem Tarcísio, Marçal e Eduardo Bolsonaro). Tarcísio tem 13% das intenções de voto, seguido por Gusttavo Lima, com 12% a 18%. No segundo turno, a lista de candidatos exclui Ciro Gomes.

Contra Lula, melhor desempenho é de Gusttavo Lima
Lula tem mais de 40% das intenções de voto em todos os cenários. Gusttavo Lima é o candidato da oposição que se sairia melhor. Ele teria 35% dos votos, contra 41% do presidente, uma diferença de 6 pontos percentuais. Contra Eduardo Bolsonaro e Pablo Marçal, Lula abriria 10 pontos de vantagem (44% a 34%) e contra Tarcísio, 9 pontos (43% a 34%).

O índice de indecisos varia de 19% a 25%. Na pesquisa espontânea, 78% declaram-se indecisos. Apenas três nomes foram citados: Lula, que aparece com 9% das intenções de voto, empatado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Gusttavo Lima tem 1%, mesmo percentual de “outros”.

A pesquisa submeteu 12 nomes aos entrevistados para avaliar o grau de conhecimento, o potencial de voto e a rejeição de cada um deles. Além dos que compuseram a lista de candidatos, aparecem ali o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

As maiores rejeições são de Haddad (56% o conhecem e não votariam nele) e de Eduardo Bolsonaro (54%). Lula é conhecido e apoiado por 47%, índice muito próximo dos 49% que dizem conhecê-lo e não votar nele. O ex-presidente Bolsonaro tem rejeição maior, de 53% e 41% de intenção de voto.

Gusttavo Lima é rejeitado por 50% e apoiado por 29%, enquanto 21% dizem não conhecê-lo – empate dentro da margem de erro com Michelle. A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 23 de janeiro, e ouviu presencialmente 4.500 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 1 ponto percentual.

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Mundo

Deu no New York Times: Tarifas de Trump ameaçam perturbar a ordem econômica global

Tarifas de Trump ameaçam perturbar a ordem econômica global.

Invocar a segurança nacional para desfazer acordos comerciais pode embaralhar o sistema de comércio internacional em favor da China.

No Panamá, Rubio intensifica confronto sobre o canal

O secretário de Estado Marco Rubio disse ao líder do país que os EUA poderiam tomar medidas não especificadas para “proteger seus direitos”, de acordo com o Departamento de Estado.

Ações na Ásia afundam enquanto mercados globais se preparam para as consequências das tarifas de Trump.

Abacates, Tomates e Carros: Tarifas Podem Aumentar Preços para Consumidores dos EUA.

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Economia

Bitcoin cai 7% e Ethereum desaba 20% com aversão ao risco após tarifas de Trump

Uma queda nas criptomoedas pesou muito sobre alguns dos ativos digitais mais especulativos no domingo à noite nos EUA, um sinal de que os investidores reduzirão o risco quando os mercados abrirem na segunda-feira após as novas tarifas impostas por Donald Trump.

O Bitcoin caiu cerca de 7% nas negociações de domingo na comparação com a mesma cotação de 24 horas antes, na casa dos US$ 94 mil, e o Ethereum, a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, caía cerca de 20%, enquanto a venda nas chamadas moedas alternativas foi mais aguda, abaixo dos US$ 2.500.

O Dogecoin, que inclui Elon Musk como patrocinador, caiu cerca de 25% durante a sessão, a US$ 0,23, cerca de 50% abaixo da máxima atingida em 8 de dezembro, após a vitória eleitoral de Trump ter estimulado uma alta dos ativos digitais. XRP, Cardano, Avalanche e Chainlink, todas altcoins, caíam mais de 20% cada

Os movimentos oferecem um sinal claro de que as tarifas anunciadas por Trump no fim de semana vão abalar os mercados financeiros na segunda-feira. O presidente impôs uma taxa de 25% sobre produtos do Canadá e México e uma tarifa de 10% sobre produtos chineses, de acordo com uma autoridade dos EUA, ameaçando derrubar o comércio global e dar início a uma nova guerra comercial.

“A guerra tarifária de Trump está impactando todo o mercado”, disse Caroline Bowler, CEO da BTC Markets. “Preocupações sobre guerras comerciais e estagflação, desencadeando recessões, estão se espalhando pelas altcoins e pelo Bitcoin.”

A pressão de venda arrastou o Bitcoin para cerca de US$ 94 mil. A criptomoeda disparou nos últimos meses, enquanto os entusiastas de criptomoedas se preparam para um ambiente regulatório benigno sob

Trump e até mesmo a possibilidade de o presidente criar uma reserva de Bitcoin.

Embora muitos acreditem que o bitcoin seja uma proteção contra a inflação e a incerteza a longo prazo, ele é negociado como um ativo de risco a curto prazo — e provavelmente responderá negativamente a qualquer incerteza em torno da guerra comercial desencadeada pelas tarifas de Trump.

Os investidores estão observando US$ 90.000 como o principal nível de suporte no bitcoin, e alguns alertaram sobre um recuo ainda mais profundo em direção a US$ 80.000 caso a criptomoeda caia significativamente abaixo de seu suporte.

O bitcoin está por volta de 16% abaixo de seu recorde de 20 de janeiro de US$ 109.350,72. Investidores e traders experientes em criptomoedas se acostumaram ao longo dos anos a correções de cerca de 30% durante os mercados em alta.

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Brasil

Segundo maior frigorífico do país lucra na Bolsa com lavagem de gado e desmatamento ilegal

Minerva usa recursos do Fiagro e de Certificados de Recebíveis para bancar fornecedores que compram de desmatadores.

Margeado pelas últimas castanheiras que sobreviveram ao desmatamento, o trecho da estrada de terra da RO-370 foi recentemente terraplanado para a chegada do asfalto. A Transboiadeira recebeu máquinas frenéticas antes da temporada de chuvas amazônicas, em outubro de 2024, quando passamos por ela para acessar as fazendas que são o último destino de parte do dinheiro arrecadado pelo Fiagro, o Fundo de Investimento das Cadeias Produtivas Agroindustriais.

Outros dois apelidos do caminho, “estrada do boi” e “estrada do progresso”, reforçam a principal atividade econômica do Cone Sul rondoniense, ao lado da soja. Várias propriedades nesta região criam, recriam e engordam gado para os frigoríficos da Minerva Foods, segunda maior processadora de carnes do Brasil.

Segundo investigação inédita do Joio, a empresa recebeu crédito de ao menos R$ 10,8 bilhões por meio de títulos de dívida do mercado de capitais desde dezembro de 2019, os chamados Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que foram incorporados a vários Fiagro. .

A investigação aponta que ao menos 11 fundos de investimento do agro incluíram, entre seus ativos, três CRA da Minerva, oferecidos a investidores na Bolsa de Valores do Brasil (B3):.

AAZQ11 e AZQA11, da AZ Quest Investimentos;
BBGO11, do BB Asset Management, gestora de ativos do Banco do Brasil;
CPTR11, da Capitania Investimentos;
CRAA11, da Sparta Fundos de Investimento; I
AAG11, do Inter Asset;
JGPX11; da JPG Asset Management;
KNCA11, da Kinea Investimentos, do grupo Itaú;
VCRA11, da Vectis Gestão;
XPAG11 e XPCA11, da XP Investimentos.
O dinheiro de um dos CRA, o CORP Minerva VI, foi usado para reembolsar a empresa pelos gastos com o pagamento de fornecedores de gado num período de dois anos antes do encerramento da oferta. Parte destes fornecedores possuem histórico de desmatamento e participam de redes de lavagem de gado ilegal, conforme revela levantamento do Centro para Análise de Crimes Climáticos (CCCA, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos projetada para apoiar e ampliar a ação climática em todo o mundo, feito a pedido do Joio.

 Foto: Fernando Martinho/O Joio e O Trigo

Entre os fornecedores da Minerva vinculados aos CRA figuram pecuaristas que possuem embargos do Ibama por desmatamento não autorizado e que são partes interessadas em impedir a demarcação de terra indígena Tanaru, conhecida por ter sido o refúgio do “Índio do Buraco”. Em vez da demarcação definitiva da área, os fazendeiros sugerem a criação de um “memorial” em uma parte restrita dos mais de oito mil hectares, de forma que o restante seja entregue para eles.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) também fornece gado à empresa. Além de “limpar a ficha” de fornecedores que praticam desmatamento, Bagattoli é autor do Projeto de Lei (PL) 3334/2023, que propõe reduzir de 80% para 50% as áreas de Reserva Legal em propriedades privadas no bioma amazônico, o que beneficiaria a todos os pecuaristas desta região – inclusive ele.

Ainda, herdeiros do fundador da Minerva Foods recebem diretamente pagamentos com recursos da Bolsa. Suas fazendas nesta região de Rondônia são um núcleo concentrador de gado de outras propriedades que não estão livres de irregularidades socioambientais.

Os recursos para comprar gado com origem do desmatamento são possíveis por meio do sistema de securitização de dívidas baseado na avenida Faria Lima, no centro financeiro do Brasil, em São Paulo. Escritórios de securitização são responsáveis por estruturar títulos de dívida para empresas, cooperativas ou produtores rurais que queiram financiar suas atividades comerciais sem passar pelo escrutínio de bancos tradicionais.

A Virgo, antiga Isec e responsável por todas as emissões de títulos da Minerva, também emitiu CRA para a gaúcha Vinícola Salton, flagrada com trabalho análogo à escravidão em 2023. No ano seguinte, a securitizadora adiantou R$ 100 milhões para a empresa com a emissão do título de dívida.

Investir nesses títulos e fundos é bastante simples. Até pouco tempo, apenas investidores de alto poder aquisitivo tinham condições de arcar com altas taxas administrativas para fazer negócios na B3, no balcão, por telefone ou em pregões.

Com o avanço das plataformas digitais, a difusão de informações sobre investimentos nas redes sociais e a facilidade de cadastro em aplicativos de corretoras de valores, usando apenas o CPF, qualquer cidadão pode investir no agro e, por vezes, no desmatamento.

As emissões de títulos da Minerva têm prazos de vencimento para os próximos dez anos, até 2034. Isso significa que a empresa tem até uma década para pagar a remuneração acordada com investidores e devolver o valor principal emprestado, seja parcelado ou à vista na data de vencimento.

Para distribuir esses títulos entre investidores, os coordenadores líderes das emissões definem estratégias de alcance dos clientes. Quanto maior o banco de investimento, mais chances têm os fundos e os títulos de decolar no mercado.

Metade dos oito CRA emitidos para a Minerva foram distribuídos pelo BTG Pactual. Ao mesmo tempo em que emplaca, no mercado de capitais, produtos que financiam o desmatamento, o banco também sugere a Amazônia como destino de “paraíso natural” para seus clientes nas redes sociais.

Além do Banco BTG Pactual, a XP Investimentos e o BB Banco de Investimentos, do Banco do Brasil, também figuram como coordenadores líderes de emissões da Minerva.

Os fornecedores da Minerva Foods estão listados nos Termos de Securitização de CRA, documento obrigatório para a emissão dos títulos. O Joio cruzou estas informações com dados públicos de desmatamento. Em nota, a empresa informou que “considerando o fornecimento direto, não foram identificados passivos ambientais ou comercialização irregular” a partir das fazendas identificadas pela reportagem. A empresa também declarou não rastrear seus fornecedores indiretos, meta que deve atingir somente em 2030.

Irmãos na Bolsa

O “CRA Minerva IV” – a 179ª emissão de CRAs pela Virgo – foi lançado ao mercado em setembro de 2023 para arrecadar R$ 2 bilhões. Investidores receberam a oferta para comprar debêntures no valor de R$ 1 mil cada uma. Com a venda de duas milhões de debêntures, a Minerva teve sucesso no lançamento do título.

Uma vez flutuando no mercado, o CRA foi incorporado como ativo de sete Fiagros. O Fiagro é uma espécie de “pacote” em que vários ativos do agronegócio – como imóveis, direitos creditórios e outros títulos – são reunidos e oferecidos em cotas a milhares de investidores –, sendo cada cota um “pedaço” do pacote. Ao adquirir cotas de Fiagro, o investidor aplica em todos os ativos escolhidos pelo gestor do fundo. No caso destes fundos, a aplicação ocorreu em vários CRA, entre eles o da Minerva.

No mercado financeiro, os títulos de dívida da Minerva são considerados por gestoras de fundos como um ativo “high-grade”, ou seja, de alto grau de confiança.

“Enxergamos como sólidos tanto o business da empresa quanto sua posição de caixa, e é uma empresa que pretendemos seguir investindo”, afirma a gestora AZ Quest no relatório gerencial do Fiagro AZ Quest Sole (AAZQ11), de maio de 2024.

Por meio de títulos de dívida e fundos de investimento do agro, herdeiros da Minerva lucram duas vezes.

A primeira, pela injeção de capital na empresa para alavancar a compra de matéria-prima que servirá ao processamento e à exportação de carne e, consequentemente, na valorização da empresa na Bolsa, isto é, elevando o preço de suas ações.

A segunda, pelos pagamentos que, individualmente, parte dos acionistas, que também são pecuaristas, recebem por fornecer gado diretamente à empresa da família.

Esse é o caso dos quatro irmãos Vilela de Queiroz: Ismael, Ibar, Izonel e Edivar. Juntos, eles receberam, entre fevereiro de 2022 e setembro de 2023, R$ 30,9 milhões pelo fornecimento de gado para as unidades frigoríficas da Minerva.

Os irmãos são sócios da VDQ Holdings S.A., empresa da família que detém 22,3% das ações da Minerva Foods. Outros membros da família, como Isabel Cristina de Alcantara Queiroz, Alexandre Vicentini de Queiroz, Rafael Vicentini de Queiroz e Frederico Alcântara de Queiroz, receberam juntos a quantia de R$ 8,7 milhões no mesmo período.

Os valores somados entre irmãos e outros sócios correspondem a 2% da destinação de recursos do CRA da Minerva.

*ICL

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Economia

Máfia do café ataca o que chama de Café Fake

O tal Café Fake, de fake nada tem. É um produto como outro qualquer que tem personalidade e sabor próprios. Isso não é fake.

Mas como esse produto começa a incomodar a máfia do café, essa camorra paratatá diz que a intenção do suposto café fake é uma evidente tentativa de burlar o mundo cafeeiro.

Pó para bebida sabor café chama a atenção nas redes sociais e ganha apelido de ‘cafake’. Internautas compararam item a compostos lácteos que têm ganhado espaço nas prateleiras do supermercados com inflação dos alimentos. O produto é vendido a R$ 14,99 500gr.

O pó com sabor café, que pode ser produzido a partir de cascas, palha, folhas, paus ou qualquer parte da planta exceto a semente do café.
Isso é fraude?

Se for, o Whey Protein, feito do soro do leite que era jogado fora, também é fraude.

Acho que essa milícia, que comandou o aumento repentino e abusivo do café, está com medo do pó sabor café, virar febre como ocorre com o Whey, já que o preço desse produto é infinitamente menor.

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Política

Gilmar Mendes: “Lula tem feito um excelente governo, trouxe Brasil à normalidade” e chama Bolsonaro de “caricato”

Um dos ministros mais eloquentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes afirma que Brasil voltou para o rumo da estabilidade e defende controle sobre big techs e redes sociais.

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, deu entrevista ao site Público, de Portugal. “No geral, me parece que o governo Lula tem sido extremamente positivo, e o toque decisivo é a defesa da normalidade, da institucionalidade, das relações civilizadas entre os Poderes. O Brasil voltou a um quadro de normalidade, inclusive no cenário internacional”, diz.

Gilmar destaca ainda que os imigrantes, especialmente nas economias mais desenvolvidas, têm sido transformados em bodes expiatórios pelo populismo de direita. Ele defende a necessidade de maior controle sobre as big techs e as redes sociais. Além disso, reconhece que os crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil devem ser julgados, um tema que ganhou destaque com o filme “Ainda Estou Aqui”, que recebeu três indicações ao Oscar.

Alguns trechos:

Como o senhor viu essa questão dos brasileiros deportados dos Estados Unidos chegarem algemados, acorrentados, ao Brasil?

Tem um pouco desta fantasia americana, de justiça e ordem. Já faz algum tempo, um piloto de stock car, se não me engano brasileiro, foi acusado nos Estados Unidos de ter problema com o Fisco. E veio lá uma ordem e, em pouco tempo, ele estava algemado e acorrentado. No momento seguinte, descobriu-se que ele não tinha nada a dever e se retirou [Em 2009, Hélio Castroneves foi absolvido pelo júri de todas as acusações de sonegação fiscal, no Tribunal em Miami. O piloto, dono de uma mansão em Coral Gable, era acusado junto com sua irmã Katiucia e seu advogado americano Allan Miller de ter montado um esquema para fraudar o fisco em US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 12 milhões) entre 1999 e 2004, quando competia pela Penske Team]. Isso não faz o menor sentido. Talvez algum cuidado se tivesse que ter, diante de tanta gente dentro de uma aeronave, mas não se tratava disto (ter criminosos). Então, me parece que acabam ocorrendo esses exageros, talvez para efeito de demonstração. Por isso, inclusive, o Governo brasileiro emitiu protestos em relação a isso. É claro que quem está ilegal num dado país, suporta a possibilidade de deportação. Em princípio, isto ocorre em todos os lugares. (…)

Como o senhor vê esse movimento da extrema-direita liderado por Trump? Qual o impacto que isso pode ter no Brasil?

Eu não atribuiria este movimento necessariamente ao Trump ou a sua liderança. É muito cedo para prognosticar como isso vai se desenvolver. Toda hora nós estamos a ver anúncios de medidas (nos Estados Unidos) e também a sua desautorização. Então, é preciso ter muito cuidado para que a gente separe o ruído do sinal. Mas, de qualquer forma, não podemos menosprezar toda a evolução que se tem tido nesse campo. O próprio movimento que ocorreu nos Estados Unidos, o 6 de janeiro (invasão do Capitólio), que foi um fato absolutamente inédito. Ninguém imaginava, com a tradição democrática americana, que aquilo pudesse ocorrer. Mas antes já tínhamos movimentos assemelhados na própria Europa do leste, com Hungria, Polônia, problemas sérios de desinstitucionalização, na Turquia também. Agora, na Itália, embora com um viés moderado, na Áustria. Há sinais de descontentamento que carrearam para este campo. A Alemanha, com a Alternativa para a Alemanha (AfD). São dados preocupantes, que mostram uma grande insatisfação. No caso alemão, é até uma curiosidade que o crescimento do populismo se deu fortemente no território da antiga Alemanha Oriental (que era comunista).

Para o Brasil, qual é o impacto do populismo de direita?

No geral, me parece que o Governo Lula tem sido extremamente positivo, e o toque decisivo é a defesa da normalidade, da institucionalidade, das relações civilizadas entre os Poderes. O Brasil voltou a um quadro de normalidade, inclusive no cenário internacional.

Nós tivemos uma situação meio caricatural disto com o governo Bolsonaro. O que me parece é que, ao longo dos anos de democracia, começados em 1985, depois consolidados em 1988, nós conseguimos ter governos de perfil centrista. Aqui, acolá, com um viés um pouco de centro-esquerda ou de centro-direita, mas dentro de um perfil moderado. Isto ocorreu com Fernando Henrique (Cardoso), que fez uma aliança à direita com os partidos representativos, PFL, MDB, pessoas de centro, liberais clássicos, mas ele também defendendo o Estado social que já está na Constituição. Esses dias, um professor de Manchester me falava que o Brasil é um país singular, porque buscou realizar um Estado social sem ter passado por nenhuma guerra. É diferente dos Estados europeus, em que o Estado social, de alguma forma, advém desta situação.

Mas veio o desgaste que tivemos com a sucessão de governos do PT. Diante dos problemas, das crises, pensou-se, talvez, que a resposta pudesse estar num certo populismo, que, inicialmente, se traduziu num populismo judicial, do Ministério Público que alimentou a ascensão de Bolsonaro ao poder, com a eliminação praticamente de todas as lideranças políticas mais expressivas, de alguma forma atingidas por todo o processo da Lava-Jato. É um pouco isto que permitiu a ascensão de Bolsonaro, que nós não saberíamos prever, um ano antes, que iria ocorrer. E isto vira um pouco também a caricatura desse movimento no mundo, é o antivax, é o negacionismo pelo negacionismo. Mas não acredito que, mesmo as forças políticas que o apoiaram, possam ser timbradas como de extrema-direita. A gente percebe hoje um movimento no sentido forte de pessoas que não comungam do chamado esquerdista ou esquerdizante, mas que também não subscrevem as pautas agressivas da extrema-direita. Então, a mim, parece que talvez hoje o próprio Congresso se traduza numa maioria conservadora, mas não de extrema-direita. Acho até que, na verdade, os personagens que possam ser no Congresso timbrados como tais, seriam em número reduzido.

O regime semipresidencialista seria o ideal para o Brasil? O Congresso ganhou muito poder sobre o Orçamento federal, deixando o Executivo a reboque.

Nós temos discutido isso, inclusive, vocês já acompanharam, no Fórum de Lisboa, esse debate. Algo teremos que fazer em termos de reforma do sistema de Governo, porque estamos vivendo uma anomalia. Isto tem a ver um pouco com a debilitação do poder do Executivo, acentuada a partir da administração de Dilma (Rousseff). O Congresso transformou as chamadas emendas propositivas em emendas orçamentárias impositivas. Isso virou lei. Além desse passo, as emendas foram crescendo, atingindo, no último ano, alguma coisa como R$ 50 bilhões. Portanto, daquilo que sobra para investimentos, uma boa parte é feita por meio das emendas parlamentares e, talvez, muito disto se perca em projetos locais, paroquiais, sem uma visão ou uma projeção estratégica. Isso se tornou um grave problema. O Congresso delibera sem qualquer responsabilidade.

Então, se caminhássemos para um modelo parlamentarista, em que a maioria congressual governaria, e teria responsabilidade governamental, certamente isso seria positivo. Mas é claro que envolveria outras reformas. Agora, temos de resolver esse dilema. Não podemos viver esta situação a que estamos nos acostumando, de uma série de confusões de atribuições. Precisamos organizar esse maracatu e buscar uma reforma que seja razoável. Ninguém é contra, considerando a complexidade política do Brasil, que o Congresso participe, inclusive com a indicação de emendas. A questão é saber qual é o valor adequado e que isso seja completamente transparente. Nós estamos falando de verba pública, de dinheiro público, que tem que ser destinado a finalidades públicas.

Não é razoável que uma questão de alta indagação política, e uma tarefa complexa, do ponto de vista político-administrativo, se transforme daqui a pouco num caso policial. Ninguém almeja isso.

O STF, inclusive, entrou nisso, por meio das decisões do ministro Flávio Dino.

Antes disso, o processo era da relatoria da ministra Rosa Weber. Veio para o ministro Dino por sucessão. E o que o Supremo está dizendo é mais ou menos óbvio: que as emendas parlamentares têm que ser rastreáveis, transparentes, que os autores sejam identificados e que haja fiscalização da aplicação dos recursos. Criou-se uma opacidade, uma névoa em torno disto, que, na verdade, é perigosa para o próprio Congresso Nacional. Não é razoável que uma questão de alta indagação política, e uma tarefa complexa, do ponto de vista político-administrativo, se transforme daqui a pouco num caso policial. Ninguém almeja isso. (…)

A popularidade do presidente Lula está em queda. O índice de desaprovação já supera o da aprovação. Como o senhor avalia o Governo hoje?

A popularidade vai e vem. Quando muito jovem, eu integrei o governo do Fernando Henrique Cardoso. Tenho muito orgulho disso, porque era uma equipe de pessoas muito qualificadas. Entre elas, tinha Pelé (risos). O Fernando Henrique dizia que a gente pode perder a popularidade, mas não pode perder a credibilidade. Então, acho que isso é fundamental. Muitas vezes, o Governo tem que tomar medidas que são à vista das pessoas, de imediato, impopulares. Por isso, pagará com o preço da impopularidade. Não me parece que isso seja decisivo, e me parece que a grande vantagem do Governo Lula é que ele devolveu ao Brasil um senso de normalidade. As instituições voltaram a dialogar e a funcionar. E é um governo difícil, talvez, seja até um governo de aprendizado, depois da inorganicidade, da desorganização perpetrada no Governo Bolsonaro, porque é praticamente a construção de um Governo de minoria.

Diante desse fenômeno das emendas parlamentares, um parlamentar da Câmara talvez disponha por ano, de emendas impositivas para destinar para o seu reduto, alguma coisa como R$ 50 milhões. Um senador, talvez, algo em torno de R$ 80 milhões. Isso pode variar de acordo com o ranking. Ao todo, estamos falando de R$ 50 bilhões. No modelo anterior, do chamado presidencialismo de coalizão, essas verbas eram distribuídas a partir de uma regra de fidelização, de quem apoiava ou não o Governo. Agora, não. Este é um outro modelo. Portanto, o Lula está governando sobre um outro estamento institucional e político, e precisa construir maioria nesse contexto. Também não basta distribuir ministérios. No modelo anterior era a fidelização via emendas propositivas, que eram liberadas ou não pelo Governo, discricionariamente, e a distribuição de ministérios para determinadas forças políticas. Hoje, muitos ministérios são extremamente débeis e dependem inclusive das emendas dos parlamentares.

Então, é um quadro muito singular. Não obstante, reformas importantes foram aprovadas, como a tributária. Tem-se construído soluções e, nesse sentido, eu avalio o Governo como positivo. É inevitável que, agora, com a retomada dos trabalhos do Congresso, certamente haverá uma nova formação ministerial. Mas, no geral, me parece que o Governo Lula tem sido extremamente positivo, e o toque decisivo é a defesa da normalidade, da institucionalidade, das relações civilizadas entre os Poderes. O Brasil voltou a um quadro de normalidade, inclusive no cenário internacional, como se pode avaliar.

Há uma queixa geral entre os parlamentares de que o Supremo legisla e tira poder do Congresso. O STF está extrapolando seus poderes?

Eu não vejo assim. É notório que o texto da Constituição de 1988 reforçou imensamente o poder do Supremo Tribunal Federal como corte constitucional, permitindo que um partido político, com um representante, leve ao Supremo a impugnação de leis votadas pelo Congresso Nacional. Mas isso foi uma opção do constituinte, considerando que, no passado, só o procurador-geral poderia fazê-lo. Entendeu que era necessário dar essa abrangência. Eu sempre digo que o Supremo não tem uma banca ali na frente pedindo que venham causas. As causas são provocadas, normalmente, pelo próprio sistema político, pelas suas dissidências. Por outro lado, o texto constitucional valorizou muito as situações de omissões inconstitucionais, casos em que a Constituição prevê um dever de legislar, que não foi satisfeito pelo Congresso Nacional. São casos em que o Supremo acaba por fazer a intervenção.

Se quisermos ficar num exemplo recente, vamos considerar a pandemia. Nós temos um sistema de saúde, o SUS, que é altamente complexo, porque exige a integração de União, estados e municípios. É claro que a cabeça do sistema é a União, inclusive provendo a maioria dos recursos. Com um Governo negacionista na pandemia, nós tivemos problemas seríssimos, porque era um Governo que, como os senhores sabem, recomendava a ivermectina ou a cloroquina para cuidar da Covid e avaliava que 3 mil pessoas ficariam doentes e haveria a imunidade de rebanho. E não era isto. Governadores e prefeitos de grandes cidades passaram a enfrentar o problema, porque eles administravam os hospitais, e foram ao Supremo pedindo para usar medidas que a OMS (Organização Mundial de Saúde) já recomendava: isolamento social, restrição de transporte, fechamento de atividades. E o Supremo, então, autorizou estados e municípios a tomarem essas medidas. Isso colocou o tribunal numa via de colisão com o Executivo federal.

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Flavio Bolsonaro na presidência da Comissão de Segurança Pública do Senado, é piada pronta

Se pode um troço desses, o que não pode o mais perigoso bandido das penitenciárias brasileiras?

O gerente de negócios do clã Bolsonaro, Fabrício Queiroz, deve estar dando gargalhadas.

Flavio é muito competente, comprou uma cinematográfica mansão em um dos metros quadrados mais caros do Brasil, com dinheiro de uma misera birosquinha de chocolate. Gênio!

Queiroz, o multibanco do clã, vai gerenciar os fantasmas e laranjas da

Comissão de Segurança Pública do Senado?

Essa é a pergunta que vem a cabeça de qualquer brasileiro minimamente descente.

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Canadá, México e China reagem a medidas de Trump e entram na guerra comercial

em retaliação a medidas do governo dos Estados Unidos, Canadá impôs taxas de 25% a produtos estadunidenses.

Os governos do México, China e Canadá reagiram ao anúncio do presidente Donald Trump, no sábado (1) de sobretaxar produtos oriundos desses países. Os três são os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, a partir de 4 de fevereiro serão aplicadas as tarifas de 10% aos importados chineses e de 25% aos canadenses e mexicanos. Apenas o petróleo canadense terá uma taxa menor, de 10%. O governo Trump também ameaçou aumentar ainda mais as tarifas caso os países reagissem, o que não impediu duras reações.

Dessa forma, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, ativou o princípio da reciprocidade e impôs uma sobretaxa de 25% aos produtos estadunidenses, ainda no sábado. As medidas devem afetar uma grande variedade de produtos que o Canadá importa dos Estados Unidos, como a cerveja, vinho, frutas, sucos, roupas e eletrodomésticos. “Não queríamos isso, mas o Canadá está preparado”, disse Trudeau.

Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, reuniu na tarde de sábado, pouco antes do anúncio de Donald Trump, um grupo de empresários mexicanos para discutir a resposta às pré-anunciadas medidas do governo estadunidense, que qualificou como “arbitrariedade comercial”. “Não é impondo tarifas que os problemas são resolvidos, mas falando e dialogando, como fizemos nas últimas semanas com seu Departamento de Estado para abordar o fenômeno da migração”, disse Sheinbaum.

Por sua parte, o governo chinês afirmou que “deplora e se opõe firmemente” às medidas de Trump, e avalia levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

*BdF

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Empresas norte-americanas preparam-se para a inflação e receiam que os direitos aduaneiros de Trump representem um problema

As taxas de 25% sobre os produtos canadianos e mexicanos e de 10% sobre os produtos chineses entrarão em vigor na terça-feira. A energia canadiana, incluindo o petróleo, o gás natural e a eletricidade, será tributada a uma taxa inferior de 10%.

O Laboratório de Orçamento da Universidade de Yale estima que as tarifas de Trump custarão ao agregado familiar americano médio entre 1.000 e 1.200 dólares em poder de compra anual.

Gregory Daco, economista-chefe da empresa de consultoria e fiscalidade EY, calcula que as tarifas aumentariam a inflação, que estava a uma taxa anual de 2,9% em dezembro, em 0,4 pontos percentuais este ano. Daco também projecta que a economia dos EUA, que cresceu 2,8% no ano passado, cairá 1,5% este ano e 2,1% em 2026 “à medida que os custos de importação mais elevados diminuem os gastos dos consumidores e o investimento das empresas”.

A Penny Ice Creamery em Santa Cruz, Califórnia, teve de aumentar os preços dos seus gelados, incluindo os populares sabores “morango com pimenta rosa” e “chocolate com caramelo e sal marinho”, repetidamente nos últimos anos, uma vez que o aumento da inflação fez aumentar o custo dos seus fornecimentos.

Sinto-me mal por ter de estar sempre a aumentar os preços”, disse o coproprietário Zach Davis. “Estávamos à espera que a inflação baixasse, que a economia estabilizasse em 2025… Agora, com as tarifas, podemos estar de volta a essa situação”.

Segundo Davis, os direitos aduaneiros de Trump ameaçam fazer subir o custo dos frigoríficos, congeladores e misturadores, na sua maioria fabricados na China, de que necessitará se a Penny Ice Creamery avançar com os planos de aumentar as suas seis lojas. Ainda tem recordações dolorosas dos custos adicionais de equipamento que a empresa teve de absorver quando Trump impôs tarifas maciças à China durante o seu primeiro mandato.

As novas tarifas também aumentarão o preço de um produto favorito dos clientes – os granulados – que a Penny Ice Creamery importa de uma empresa em Whitby, Ontário. A aplicação de um imposto de importação de 25% a uma coisa tão pequena como essa pode prejudicar uma pequena empresa como a dele.

As margens são muito reduzidas”, afirmou. “Poder oferecer esse suplemento pode talvez gerar um lucro adicional de 10 cêntimos por colher. Se uma tarifa acabar com isso, pode ser a diferença entre ser rentável e estar no limiar da rentabilidade ou mesmo estar debaixo de água no final do ano”.

Em Asheville, na Carolina do Norte, Casey Hite, diretor executivo da Aeroflow Health, espera sofrer um golpe porque a sua empresa adquire mais de metade dos seus produtos, incluindo bombas tira leite, a fabricantes chineses, fornecendo-os a pacientes americanas através de planos de seguro. A Aeroflow Health é paga pelas seguradoras a taxas pré-negociadas, estabelecidas antes de Trump decidir sobre as suas tarifas.

Hite afirmou que o imposto sobre as importações chinesas afectaria as finanças da empresa, obrigando-a a adquirir produtos mais baratos e de menor qualidade ou a repercutir os custos mais elevados através do aumento dos prémios dos seguros de saúde. Estes custos poderão demorar dois anos a concretizar-se, mas acabarão por afetar os orçamentos dos consumidores.

“O impacto far-se-á sentir nos doentes”, afirmou Hite. “Com o tempo, os pacientes pagarão mais pelos produtos”.

Mesmo os pensos absorventes para incontinência fabricados nos EUA que a Aeroflow Health compra não estão a salvo dos impostos de importação de Trump. Podem incluir pasta de papel do Canadá, alvo de tarifas, e plásticos e embalagens da China, segundo a Aeroflow Health, que alerta para as “turbulências” das tarifas.

“Isto vai afetar o nosso negócio? Pode apostar que sim”, disse Linda Schlesinger-Wagner, proprietária da Skinnytees, uma empresa de vestuário feminino em Birmingham, Michigan, a norte de Detroit, que importa vestuário da China. Segundo ela, o imposto de 10% aumentaria os seus custos, embora planeie absorver a despesa extra em vez de a transferir para os clientes.

Não gosto do que se está a passar”, disse, referindo-se ao impacto mais amplo das tarifas. “E acho que as pessoas vão ficar verdadeiramente chocadas com os preços que vão ver nos carros, na madeira, na roupa, na comida. Isto vai ser uma confusão”.

William Reinsch, antigo responsável comercial dos EUA, atualmente no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, afirmou que muitas empresas se abasteceram de bens importados com antecedência para evitar as tarifas. Poderão utilizar os seus stocks acumulados durante semanas ou alguns meses, atrasando o sofrimento dos seus clientes.

George Carrillo, CEO do Hispanic Construction Council, um grupo de defesa da indústria, disse que as empresas de construção têm acumulado materiais em antecipação às acções de Trump, mas preocupa-se com a possibilidade de a inflação disparar dentro de três a seis meses.

“Assim que o inventário começar a ficar baixo, vamos começar a sentir os efeitos”, disse Carillo numa entrevista telefónica no sábado, antes do anúncio. “Os promotores imobiliários e os empreiteiros gerais têm de acompanhar o ritmo e vão começar a comprar mais produtos, a um preço mais elevado.”

Tudo isto será exacerbado por uma repressão emergente da imigração que já está a assustar a mão de obra da indústria da construção, disse ele.

“A imposição de tarifas e a instabilidade da mão de obra vão provocar grandes atrasos nos projectos. Vai provocar um aumento dos preços devido à falta de disponibilidade”, disse Carrillo.

Depois, há as indústrias que não se podem dar ao luxo de fazer reservas, incluindo os supermercados, cujos produtos agrícolas se vão estragar. Por isso, o impacto dos direitos aduaneiros vai aparecer nas prateleiras das mercearias dentro de dias.

Não se armazenam abacates”, disse Reinsch. “Não se armazenam flores de corte. Não se armazenam bananas”.

No centro de comércio de tomate de Nogales, Arizona, o vendedor de produtos Rod Sbragia, que seguiu o seu pai no negócio há quase quatro décadas, preocupa-se com o facto de as taxas de importação obrigarem algumas empresas de distribuição a fechar o negócio e “serem prejudiciais para o consumidor americano, para as escolhas que têm no supermercado”.

Sbragia votou em Trump nas últimas três eleições e diz-se um “republicano convicto”. O presidente, segundo ele, não deve ter sido devidamente aconselhado sobre o assunto.

Quando estamos preocupados com os custos para os consumidores, com as pressões inflacionistas e com a saúde geral da nossa população”, perguntou, “porque é que vamos dificultar o acesso a frutas e legumes frescos?”

Os agricultores americanos também são susceptíveis de serem apanhados na luta comercial de Trump com o Canadá, a China e o México. Os apoiantes do presidente na América rural são um alvo tentador para as tarifas de retaliação. Foi o que aconteceu no primeiro mandato de Trump, quando outros países, nomeadamente a China, reagiram aos direitos aduaneiros do presidente com as suas próprias taxas sobre produtos como a soja e a carne de porco. Em resposta, Trump gastou milhares de milhões em dinheiro dos contribuintes para os compensar pela perda de vendas e pela descida dos preços.

Muitos agricultores estão agora a contar com o presidente para os proteger de represálias.

“A administração Trump forneceu uma rede de segurança”, disse o antigo produtor de tabaco Lee Wicker, vice-diretor da Associação de Produtores da Carolina do Norte, um grupo de 700 explorações agrícolas que legalmente traz trabalhadores temporários estrangeiros para trabalhar nos campos através de um programa federal de vistos. Muitos dos agricultores da associação “confiam que ele vai cuidar de todos os que forem prejudicados pelas tarifas, e isso é realmente tudo o que podemos pedir”. Estadão.

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Novo presidente do Senado, Alcolumbre admite que anistia ‘não vai pacificar o país’

Alcolumbre explica que “discutir o assunto não quer dizer que está apoiando o tema”.

Eleito neste sábado (1º) como novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) comentou o projeto que pretende anistiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quandos sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram depredadas. A pauta é uma das principais bandeiras da extrema direita no Congresso Nacional.

Alcolumbre disse que a Casa precisa priorizar pautas que promovam a pacificação do país. Mas em entrevista à Globo News, ele concordou com o jornalista Octávio Guedes e disse que esse não é o caso do PL da Anistia.

“Esse assunto não vai pacificar o Brasil. Se continuarmos revisitando assuntos que trazem a discórdia em vez da concórdia, a gente vai passar nos corredores e ver senadores de diferentes partidos agredindo uns aos outros. E quando um senador agride um ao outro por causa de uma única agenda, ele não está interessado na agenda do brasileiro”, disse.

Para ele, a prioridade do brasileiro, neste momento, é o combate à pobreza e essa deve ser a principal pauta do parlamento. Também voltou a afirmar que a agenda vitoriosa nas urnas em 2022 foi a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Espero ter a coragem de dizer àqueles que insistem em trazer uma pauta que não é a agenda do parlamento para o debate principal. Ela pode existir, ela vai existir, nós não vamos tirar o direito de ela existir. Mas ela não é a prioridade do Brasil e do Parlamento brasileiro”.

8/1: NÃO ESQUECEREMOS Sobem os créditos, mas 'Ainda estou aqui' segue em Brasília

Oposição colocou na mesa PL da Anistia
Nas negociações para apoiar Alcolumbre na eleição, os oposicionistas colocaram na mesa o PL da Anistia. O senador se comprometeu a não impedir a discussão da proposta. No entanto, ele nega que tenha tratado do tema quando esteve reunido com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que poderia ser um dos principais beneficiados pela anistia.

“Na minha conversa com Bolsonaro, tratamos de liberdade partidária. Nunca houve imposição de uma agenda. Nem do PL, nem do PT. O que houve é o desejo de parte do Senado e da Câmara de debater a anistia. E nós não podemos nos furtar de debater qualquer assunto. Discutir o assunto não quer dizer que está apoiando o tema”.

A bancada do PL pretende cobrar Alcolumbre, após a eleição, para garantir a tramitação do projeto de lei, ainda em discussão na Câmara dos Deputados, e também de uma segunda proposição que beneficiaria figuras com direitos políticos cassados por relação com as invasões aos prédios públicos naquela data.

O intuito da articulação é pavimentar a aprovação de uma proposta para derrubar a condenação de Bolsonaro à inelegibilidade e facilitar que ele concorra na próxima eleição. Com ICL.