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Política

Rotina de Bolsonaro na Papudinha tem caminhada, médico todo dia e, como era de se esperar, nenhum livro lido

Relatório enviado ao STF detalha rotina monitorada pela PM, visitas restritas e assistência médica contínua ao ex-presidente

A rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde está preso, inclui caminhadas, visitas de familiares e advogados, atendimento médico diário, ajuda religiosa eventual e nenhum livro lido.

As atividades constam em um relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela Polícia Militar do Distrito Federal, a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal.

O documento aponta que Bolsonaro foi submetido à perícia da PF (Polícia Federal) no dia 20 de janeiro. Contudo, o laudo -que vai embasar decisão de Moraes sobre o pedido de domiciliar- ainda não foi anexado ao processo.

A PM monitorou a rotina do ex-presidente entre os dias 15 e 27 de janeiro e consolidou os dados ao Supremo a partir de registros administrativos e operacionais do seu Núcleo de Custódia.

Nesse período, Bolsonaro fez mais de cinco horas de caminhada -a mais curta foi de nove minutos (das 10h45 às 10h54) e a mais longa, de uma hora e quinze minutos (das 17h45 às 19h). Os dois registros são do dia 17.

O ex-presidente fez cinco sessões de fisioterapia -dias 17,19, 22, 24 e 26- e recebeu duas vezes o serviço de capelania. A assistência religiosa coube ao pastor Thiago Manzoni, deputado distrital pelo PL, nos dias 20 e 27.

Sem contar os médicos e os advogados, que têm livre acesso à Papudinha, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-vereador Carlos Bolsonaro, esposa e filho do ex-presidente, foram os únicos a visitá-lo na prisão no período.

De acordo com os registros da PM, Bolsonaro não leu livros ao longo do período -uma atividade que, pela legislação, lhe garantiria remição (abatimento) da pena de 27 anos a três meses à qual foi condenado.

A assistência médica diária na Papudinha foi feita tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal quanto pela equipe particular que acompanha o seu quadro clínico.

A PM afirma que os atendimentos consistem em avaliações de rotina, “voltadas ao monitoramento geral do estado de saúde do custodiado, abrangendo, principalmente, aferição de sinais vitais”.

Costumam ser analisados índices como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação periférica de oxigênio, “bem como avaliação clínica sumária e acompanhamento preventivo”, aponta a PM.

Bolsonaro foi transferido em 15 de janeiro da Superintendência da PF em Brasília para a Papudinha. Ele está em uma cela de 64,83 m² de área total, com banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e uma área externa.

Nesta quinta-feira (29), Bolsonaro recebeu a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em um gesto que o reaproximou do clã familiar após a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato da direita em 2026.

*ICL


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Mundo

EUA estão preparando seus aliados na Ásia para um confronto militar com China, diz relatório

Os EUA estão preparando seus aliados na Ásia para um confronto militar em larga escala com a China, diz o relatório da Fundação Roscongress EUA vs China: geografia, escala de construção e implicações estratégicas, ao qual a Sputnik teve acesso.

“Os EUA estão formando uma base logística coerente para um confronto sustentável e de longo prazo com a China na região do Indo-Pacífico”, diz o documento.

“Os preparativos dos EUA para a guerra com a China começaram em 2014–2015: em seguida, foi iniciada uma construção em grande escala de um depósito de munições em Guam, foi concluído um acordo sobre cooperação de defesa expandida com as Filipinas”, apontam os autores da pesquisa.

Ao mesmo tempo, os EUA transferiram parte de seus gastos para seus aliados, forçando-os a aumentar os gastos com defesa e efetivamente construir por conta própria um sistema de dissuasão oneroso em prol dos interesses dos EUA, aprofundando sua dependência tecnológica e operacional de Washington.

“Os EUA estão construindo propositadamente uma infraestrutura logística profundamente integrada e ramificada na Ásia, transformando os principais estaleiros dos aliados em um elemento estratégico de seu poder naval”, diz o documento.

Isso permitirá que os americanos operem de forma eficaz em todas as importantes zonas marítimas da região, dos mares do Japão (também conhecido como mar do Leste) e do Sul da China à parte leste do oceano Índico.

Um helicóptero Blackhawk UH-60 tenta pousar durante ataque simulado STX dos EUA em uma competição sobre qual seria o melhor esquadrão no Camp Humphreys em Pyeongtaek, Coreia do Sul, 4 de maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 16.12.2024

“O desenvolvimento desta rede estratégica poderia ser uma mudança da manutenção para a produção conjunta de navios de guerra, possível no caso da revisão pelos EUA da emenda Byrnes-Tollefson que proíbe a construção de cascos e componentes principais para Marinha, Corpo dos Fuzileiros Navais e Guarda Costeira dos EUA em estaleiros estrangeiros. Tal passo pode reduzir significativamente o custo e acelerar a expansão da frota dos EUA”, acreditam os especialistas.

Em paralelo com a criação de infraestrutura de reparação para navios de guerra, os EUA estão criando reservas estratégicas de combustível na região, implementando um extenso programa de modernização da infraestrutura militar da Segunda Guerra Mundial e expandindo os estoques de munições.

De acordo com os especialistas, isso cria uma situação completamente nova para a China. “A República Popular da China tem que lidar não com um Exército distante dos EUA, mas com vizinhos militarizados atrás dos quais estão as forças americanas. Esta circunstância muda o equilíbrio de poder na região”, diz o relatório.

*Sputnik


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Política

Centrão vê blefe em candidaturas do PSD ao Planalto e avalia apoio informal a Lula

Partidos avaliam que movimento de Kassab é tática de negociação e veem neutralidade como caminho para ampliar espaço político em um novo mandato de Lula

Lideranças de partidos do centrão avaliam que o lançamento de três pré-candidaturas à Presidência da República pelo PSD não passa de uma estratégia tática do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. A leitura predominante é a de que não há disposição real para sustentar esses nomes até o fim do processo eleitoral, nem para apoiar outras candidaturas da direita, como a de Flávio Bolsonaro (PL). Nesse cenário, essas legendas já discutem movimentos que possam favorecer a vitória do presidente Lula (PT) e, ao mesmo tempo, fortalecer sua posição institucional em um eventual novo governo, informa a CNN Brasil.

A avaliação foi feita por dirigentes de partidos como PP, União Brasil e Republicanos. Uma liderança graduada do grupo, ao ser questionada sobre a possibilidade de apoiar um dos três pré-candidatos apresentados pelo PSD — Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. — respondeu de forma irônica: “seria mais fácil apoiarem o Maduro”.

Para essas siglas, o próprio movimento de lançar três nomes simultaneamente indica fragilidade. A interpretação é a de que, ao final, o PSD poderá negociar a retirada das pré-candidaturas em troca de uma posição de neutralidade formal, o que, na prática, tenderia a beneficiar Lula na corrida presidencial. O entendimento é que o governo prefere enfrentar Flávio Bolsonaro no segundo turno a disputar votos com um nome competitivo do centro ou da direita tradicional.

Nesse contexto, lideranças do Centrão não enxergam o anúncio feito por Kassab como um fato consumado. Pelo contrário, avaliam que insistir nessa estratégia até o fim pode custar caro ao PSD, com o risco de redução de suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado na próxima legislatura. Além disso, haveria constrangimentos regionais, sobretudo em estados onde candidatos do PSD pretendem apoiar Lula, como no caso de Raquel Lyra, em Pernambuco.

A leitura dominante é que o plano final de Kassab seria retirar os três nomes da disputa presidencial e direcioná-los a candidaturas ao Senado, abrindo caminho para um apoio final a Lula. Diante disso, os partidos do Centrão afirmam que pretendem se antecipar a esse movimento, evitando o apoio a qualquer candidatura presidencial — tanto as associadas ao PSD quanto a de Flávio Bolsonaro, visto internamente como um nome preso à agenda bolsonarista, da qual essas legendas buscam se afastar.

Com isso, a estratégia desenhada passa pela neutralidade formal. A ideia é liberar as bancadas estaduais para apoiar livremente diferentes candidaturas, maximizando as chances de eleger mais deputados e senadores. Essa postura também se ancora na percepção de que Lula aparece hoje como favorito na disputa presidencial, avaliação compartilhada, segundo interlocutores, pelo próprio Palácio do Planalto, que defende a neutralidade do centrão.

Um alinhamento informal com Lula poderia garantir, no mínimo, a manutenção ou ampliação do espaço dessas siglas na Esplanada dos Ministérios e apoio em disputas-chave no Congresso, como as presidências da Câmara e do Senado. De acordo com Otavio Rosso, 247, a leitura predominante é a de que, na última década, o centro de gravidade do poder político no país se deslocou do Executivo para o Legislativo, tornando mais estratégico para os partidos consolidar força no Congresso do que investir em candidaturas nacionais com poucas chances de vitória.

Esse cenário, no entanto, não é visto como imutável. Lideranças do centrão admitem que a equação poderia mudar caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aceitasse disputar o Palácio do Planalto. Internamente, ele é apontado como o único nome capaz de unificar o bloco. Ainda assim, cresce entre esses partidos a convicção de que Tarcísio deve priorizar a tentativa de reeleição no estado.


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Mundo

EUA planejam ataques seletivos para provocar protestos e mudança de regime no Irã, diz Reuters

Estratégia revelada prevê alvejar segurança iraniana para criar caos interno; Teerã alerta que resposta será imediata e anuncia disposição para diálogo com ‘respeito mútuo’

Segundo fontes da Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, está considerando ataques direcionados contra líderes e forças de segurança iranianas para provocar novos protestos e criar condições para uma mudança de regime.

A discussão inclui a possibilidade de visar comandantes ou chefes de instituições que Washington considera responsáveis ​​pela violência nos recentes protestos antigovernamentais, a fim de dar aos manifestantes a confiança necessária para ocupar prédios do governo. Em todo caso, a decisão final ainda não foi tomada, disseram as fontes.

A opção de atacar os locais de mísseis balísticos iranianos e seu programa de enriquecimento nuclear também está sendo considerada.

Entretanto, um alto funcionário israelense afirmou que seu país não acredita que ataques aéreos por si só possam derrubar o governo iraniano. “É preciso enviar tropas terrestres”, disse ele, indicando que mesmo que os EUA matassem o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, o Irã “teria um novo líder para substituí-lo”.

No início de janeiro, Trump ameaçou intervir militarmente no Irã, usando a violência durante os protestos como pretexto. E embora as manifestações tenham sido controladas pouco depois, ele renovou suas ameaças, desta vez citando outros motivos e retomando as exigências relacionadas aos programas nuclear e de mísseis do Irã.

Na terça-feira (27/01), ele anunciou que uma “maravilhosa Armada” está agora a caminho do Irã, dias depois do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque terem sido enviados para o Oriente Médio, deixando o país persa ao alcance de potenciais ataques, segundo o Opera Mundi.

Na quarta-feira (28/01), o presidente dos EUA declarou que, “assim como com a Venezuela”, a frota “está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, de forma rápida e enérgica, se necessário”. No entanto, Trump expressou confiança de que Teerã se sentaria “rapidamente” à mesa de negociações para chegar a “um acordo justo, equitativo e livre de armas nucleares”.

Por sua vez, Teerã advertiu que qualquer ação militar contra o país “será considerada o início de uma guerra”, afirmando que suas Forças Armadas “estão prontas, com o dedo no gatilho, para responder imediata e decisivamente a qualquer agressão”. No entanto, expressou sua disposição de manter um “diálogo baseado no respeito e em interesses mútuos”.


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Política

Com aval de Ibaneis, BRB herda rombo bilionário de relações com Master, vê futuro em xeque e fantasma da privatização ressurgir

Estimativas apontam perdas de até R$ 5 bi; aquisições do banco privado podem ter superado 20% da carteira do BRBEstimativas apontam perdas de até R$ 5 bi; aquisições do banco privado podem ter superado 20% da carteira do BRB

O Banco de Brasília (BRB), instituição pública com mais de meio século de história, vê seu futuro em xeque após uma sequência de operações com o Banco Master – instituição privada focada em créditos e investimentos liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025 por decisão do Banco Central (BC).

O BRB foi o maior comprador de ativos do Master entre 2024 e 2025, mesmo após alertas de risco e sinais claros de que o banco privado enfrentava sérios problemas de liquidez. De acordo com o sistema IF.data do Banco Central, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, um crescimento de R$ 20 bilhões em apenas 12 meses. Deste total, ao menos R$ 12,2 bilhões são decorrentes de operações com o Banco Master. Ou seja, mais de 20% da carteira foi atrelada a papéis do banco que viria a quebrar. Trata-se de uma exposição que, segundo especialistas, compromete a solidez da instituição.

“O principal ativo de um banco é a confiança. Quando ela é corroída, nem mesmo a carteira sólida consegue sustentar sua credibilidade”, afirma o economista Pedro Faria, doutor em História pela Universidade de Cambridge. Para ele, a forma como o BRB foi utilizado para capitalizar o Master representa “o uso político de um banco público para beneficiar aliados privados, e o prejuízo fica socializado”.

Ivan Amarante, secretário de organização do ramo financeiro do Sindicato dos Bancários de Brasília, também chama atenção para o tamanho da exposição. “Foi uma operação de mais de R$ 10 bilhões com um banco que tinha R$ 5 bilhões de patrimônio líquido. É o tipo de descompasso que coloca qualquer banco em risco, veja o que foi a fraude das Americanas para o Bradesco, que é muito maior que o BRB. Aqui, o tamanho da operação beira a irresponsabilidade.”

A estimativa inicial do rombo era de R$ 2,6 bilhões. Mas, conforme revelou a Reuters, o valor pode alcançar R$ 5 bilhões, segundo depoimento à Polícia Federal (PF) do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino. O montante supera o próprio patrimônio líquido do BRB, que era de R$ 4,9 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2025, segundo dados mais recentes do Banco Central.

A crise pode comprometer o futuro do banco. O atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, já confirmou a necessidade de buscar apoio junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao próprio Governo do Distrito Federal (GDF) para cobrir o buraco. “Não é só que o BRB fez um mau negócio, ele foi usado para tentar salvar um banco privado com problemas antigos e conexões políticas fortes. Isso é muito mais grave”, avalia Faria.

O Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro através de uma holding com sede nas Ilhas Cayman, vinha sendo acompanhado pelo Banco Central desde 2024 e operava com sinais evidentes de desequilíbrio. O grupo é investigado por práticas fraudulentas envolvendo a revenda de carteiras de crédito falsas, operações com entidades de fachada e articulações com fundos e fintechs sem lastro real.

Ainda assim, documentos e depoimentos obtidos pela reportagem do Brasil de Fato mostram que a direção do BRB, sob comando de Paulo Henrique Costa, demitido por Ibaneis Rocha em novembro, seguia pressionando internamente pela continuidade das compras. Costa deixou o cargo em 19 de novembro de 2025, após ter sido afastado em 18 de novembro de 2025 por decisão judicial no âmbito da Operação Compliance Zero da PF.

Meses antes, o Banco Central vetou, em setembro de 2025, uma tentativa do BRB de investir mais dinheiro para, desta vez, adquirir não somente carteiras de crédito, mas o controle do Master. O conselho do BRB havia aprovado, em março, a compra de 58% do capital do banco privado. O veto do BC à operação foi seguido pela liquidação extrajudicial da instituição financeira privada semanas depois, escancarando fraudes e forçando o BRB a reconhecer prejuízos em larga escala.

“A gente está falando do uso de um banco público para socorrer um aliado, com decisão política clara de correr risco com dinheiro do povo”, afirma Amarante. Segundo ele, o sindicato emitiu alertas formais desde 2024 sobre o risco de exposição ao Master, mas foi ignorado. “A postura do Ibaneis e da gestão do BRB foi de pisar no acelerador, mesmo diante dos sinais de alerta”, afirma.

A combinação entre o rombo bilionário e o desgaste reputacional gera debate sobre o futuro da instituição. Em janeiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha indicou Edison Garcia para o conselho de administração do BRB. Garcia é conhecido por ter conduzido, sob o governo Ibaneis, a privatização da distribuidora de energia do Distrito Federal (CEB), e hoje ocupa cinco conselhos da empresa que arrematou a estatal, a Neoenergia.

“Estamos diante de um roteiro conhecido. Sucateia-se por dentro e depois aparece a privatização como única saída ‘responsável’”, alerta Pedro Faria.

Em nota enviada à reportagem, o banco afirma que estuda alternativas como a criação de um fundo com imóveis do GDF, empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e até capitalização direta pelos controladores. “A conta será paga com dinheiro público”, rebate Amarante.

O Banco Central e o GDF não responderam aos pedidos de posicionamento do Brasil de Fato até a publicação desta reportagem. O espaço seque aberto.

Ato mobiliza juventude em Brasília para denunciar relação do governador Ibaneis Rocha no caso Master

Como o BRB foi tragado para o centro da crise
Entre 2024 e 2025, sob o comando de Paulo Henrique Costa, o BRB passou a adquirir massivamente carteiras de crédito do Master, mesmo diante de alertas internos e da desconfiança crescente do mercado. Em depoimento à PF, Costa diz que as operações visavam diversificar a atuação do banco e que eram encaradas como uma oportunidade de crescimento pela direção.

Internamente, a pressão por novas compras era evidente. Em setembro, segundo anotações apreendidas pela PF, o presidente do BRB teria afirmado, durante reunião de diretoria, que “faz-se necessário efetuar as compras de carteiras”, sob pena de o Master quebrar. As transações se davam mesmo após a revelação da fraude da Tirreno, uma das carteiras fictícias repassadas ao BRB pelo Master.

Segundo o ex-presidente, a continuidade das compras seria necessária para tentar reverter, com a troca dos ativos adquiridos anteriormente por papeis “de melhor qualidade”, o potencial de prejuízo de transações anteriores.

“O BRB estava sendo usado para salvar um banco de um aliado político. E, depois, se descobriu que nem isso, o Master estava vendendo carteiras inexistentes”, rebate o economista Pedro Faria. “É a utilização de um banco público como instrumento de resgate privado, sob verniz técnico e com conivência institucional.”

Nesta quinta-feira (29), o ministro Dias Toffoli, relator do processo do Banco Master, retirou o sigilo da acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, que expôs contradições entre as versões. Em comum, ambos mencionam que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) sabia das negociações entre os bancos.

Ibaneis como fiador da relação com o Master e o ‘fantasma’ da privatização

Ao longo de todo o processo de aproximação entre o BRB e o Banco Master, Ibaneis Rocha não apenas esteve informado sobre as negociações, como atuou ativamente como avalista político da operação.

Em diversas declarações públicas, o governador tratou as operações como seguras e estratégicas para o fortalecimento do BRB, classificando as críticas como “movimentações políticas para desestabilizar o banco”.

Em entrevista concedida em março de 2025, Ibaneis chegou a afirmar que “os ativos do Banco Master são sólidos” e que “o BRB está fazendo uma aquisição estratégica, dentro da legalidade e com total apoio do GDF [Governo do Distrito Federal]”. Mesmo após a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, ele insistiu que “nenhuma ilegalidade foi cometida” e que “a oposição tenta criar um escândalo político onde não há”.

*BdF


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Brasil Mundo

Megavazamento de dados: Justiça inglesa recebe ação coletiva sobre dados expostos de brasileiros

Agência Pública – A Justiça da Inglaterra irá julgar um dos maiores casos de vazamento de dados da história recente do Brasil, que afetou cerca de 220 milhões de pessoas, há cinco anos. A ação coletiva busca responsabilizar a Serasa e outras duas empresas do grupo britânico Experian, que teriam expostos dados sensíveis de brasileiros.

O vazamento foi identificado em janeiro de 2021, descoberto pelo laboratório de cibersegurança da empresa de aplicativo de segurança Psafe, quando criminosos passaram a divulgar dados sensíveis dos brasileiros como CPF, RG, data de nascimento, escolaridade, CNPJs e receitas do FGTS.

Protocolada em 9 de janeiro deste ano, na Corte inglesa, a ação sustenta que esses dados sensíveis foram expostos em fóruns clandestinos, conhecidos como “deep web” e deixaram os brasileiros vulneráveis. O caso tramita exclusivamente na Inglaterra, porque duas das empresas controladoras do grupo Experian estão sediadas e operam a partir do território inglês, o que permite que sejam processadas no país.

“O Serasa faz parte do Experian Group, que é um grupo econômico internacional. Essas duas empresas matriciais, parent companies, como a gente se refere, têm uma sede na Inglaterra e [lá] conduzem seus negócios”, explica Andrew Shorts, sócio do escritório de advocacia internacional Mishcon de Reya responsável pela ação.

Shorts foi um dos idealizadores de um site que convocava as vítimas do megavazamento para que se juntassem à ação coletiva. Segundo ele, até o momento, cerca de 25 mil pessoas já manifestaram o seu interesse em integrar o caso, sendo a grande maioria composta por brasileiros.

O rito do processo é diferente do praticado no Brasil, uma vez que a petição inicial é protocolada com dados mais simples e os detalhes do caso são apresentados no decorrer do processo. Isso permite, portanto, que outras vítimas do vazamento possam se juntar à ação, mesmo que ela já tenha sido protocolada.

Embora o processo seja conduzido pela Justiça da Inglaterra, o caso também irá considerar a legislação brasileira, segundo o organizador da ação. “O direito de indenização dos autores decorre das leis brasileiras, ainda que o processo esteja sendo julgado na Inglaterra”, afirma.

“O tribunal inglês aplicará a lei brasileira porque [os direitos desrespeitados] em que se baseia a ação, existem no direito brasileiro, mas não no direito inglês. Os tribunais ingleses têm ampla experiência em julgar disputas internacionais, muitas das quais exigem a aplicação de leis estrangeiras. As normas processuais, no entanto, serão as inglesas”, explica Shorts.

O principal pedido da ação é a condenação das empresas, e o pagamento de indenização financeira aos titulares afetados. Os valores para as vítimas serão definidos pelo julgamento da corte inglesa, caso a responsabilidade do grupo Experian seja reconhecida.

Outro lado
À Agência Pública, a Serasa Experian disse que não houve invasões aos seus sistemas de dados à época e que chegou a apresentar um laudo pericial, feito por uma auditoria independente, às autoridades componentes.

O laudo foi solicitado pela reportagem, mas a Serasa não o encaminhou e declarou que não poderia informar qual organização assinou a auditoria.

A empresa de informação de crédito afirmou ainda em seu posicionamento (leia na íntegra) que não foi citada “na ação judicial referida”, porém a Pública acessou o sistema da Justiça inglesa e confirmou a presença da Serasa Experian no processo.

A nota diz que a empresa lamenta e repudia a “propagação de informações enganosas, com promessas falsas de indenizações ou compensações financeiras”. Em outro trecho, salienta que “reforça seu compromisso com a proteção de dados, a legalidade de suas práticas e a segurança das informações sob sua guarda.”

Segundo Shorts, a ação também serve de “ponto de atenção para as grandes corporações que têm esses dados, para que elas melhorem a sua segurança, porque vai doer no bolso delas e elas devem evitar esse tipo de vazamento.”


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Política

A mando de Bolsonaro, Tarcísio confirma apoio a Flavio e tentará a reeleição em SP

Ao sair da Papudinha, Tarcísico, obedediente a Bolsonaro, se declara candidato à reeleição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou nesta quinta-feira (29) que pretende disputar a reeleição ao comando do Palácio dos Bandeirantes. A declaração foi feita após uma visita a Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e ocorre no momento em que o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos no campo da direita.

No encontro, realizado na unidade prisional conhecida como “Papudinha”, Tarcísio também reiterou publicamente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Segundo o governador, a decisão de permanecer focado na política paulista não é recente e vem sendo discutida há anos com aliados. “A gente conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência. Tenho comprometimento ao estado de São Paulo. Sou grato ao estado de São Paulo”, afirmou Tarcísio a jornalistas.

A visita marcou o primeiro encontro entre Tarcísio e Jair Bolsonaro desde que Flávio Bolsonaro foi anunciado pelo pai como o nome escolhido para representar o grupo político na corrida ao Palácio do Planalto. O governador chegou a ensaiar uma candidatura presidencial, mas recuou após a pressão dos bolsonaristas.

Questionado sobre o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, o governador foi direto ao reafirmar sua posição. “Sem dúvidas, como tenho afirmado constantemente. Não tem dúvida com relação a isso”, afinal, deve obediência a Bolsonaro.

Claro, são ordens de Bolsonaro


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Política

Juro real no Brasil atinge maior nível em 20 anos e expõe abusos do BC

Com a Selic em 15%, o país atinge juro real de 10,6% e consolida a 2ª maior taxa do mundo, penalizando trabalhadores e favorecendo rentistas

A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (28), de manter a Selic em 15% pela quinta vez consecutiva elevou o juro real brasileiro a 10,6%, nível não visto desde maio de 2006. Com a inflação projetada em 4% para 2026, o país se consolida como o segundo com maior juro real entre as 40 principais economias, atrás apenas da Rússia.

O juro real, resultado da diferença entre a Selic e a inflação, é o mais alto em duas décadas. O Brasil ocupa a segunda posição global há sete meses, com variações entre 9,23% e 10,6%, superando Argentina e Turquia. Em termos nominais, aparece em quarto lugar, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (16%). Nos Estados Unidos, o índice é de 1,55%, enquanto o Japão registra -1,18%.

Desde 2006, picos acima de 10% foram raros. Durante a pandemia, os juros chegaram a ser negativos, mas o retorno ao patamar atual marca um dos períodos mais restritivos da política monetária brasileira.

Alta persistente apesar da desaceleração da inflação

Apesar da desaceleração do IPCA-15 de janeiro — que registrou 0,20% e acumulou 4,5% em 12 meses, situando-se dentro da margem de tolerância —, o Copom sinalizou que cortes ocorrerão apenas a partir de março. De acordo com o Vermelho, mesmo com indicadores revelando que a economia gira com menores índices de inflação, o comunicado do Comitê justificou a manutenção da Selic pela persistência de incertezas externas e expectativas inflacionárias acima da meta oficial de 3% (com tolerância de 1,5 ponto percentual).

O efeito da política monetária em curso drena para os títulos públicos recursos que seriam destinados a investimentos produtivos. Além disso, encarece o crédito, trava novos investimentos e sufoca o consumo das famílias devido ao endividamento, que já atinge 79,5% dos lares, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A dívida pública brasileira alcançou R$ 8,6 trilhões em 2025, com R$ 984 bilhões pagos apenas em juros (o equivalente a 7,98% do PIB), consumindo praticamente metade do Orçamento da União.

Sociedade critica a Selic a 15%

Centrais sindicais como CTB, CUT e Força Sindical apontam prejuízos severos ao emprego e ao consumo. Para Adilson Araújo, presidente da CTB, “a dívida pública se transformou no principal meio de valorização do capital operado por banqueiros, agiotas e rentistas em nosso país. O pagamento de juros a favor desta casta de parasitas consome, agora, mais do que a metade do orçamento público e configura uma brutal transferência de renda do conjunto da sociedade para os rentistas”, afirmou.

As críticas ao nível alto da Taxa Selic também encontram eco no setor produtivo. A indústria, representada pela CNI, e o setor da construção civil criticam a restrição ao crédito imobiliário, que inviabiliza investimentos e o acesso da população à moradia. O editorial do portal Vermelho reforça que a atual política monetária é antagônica aos interesses populares, blinda o rentismo e exige uma reforma profunda no sistema financeiro, visando recolocar o Banco Central sob o controle do Estado.


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Direita foge e fugirá da pauta econômica na disputa presidencial

Na disputa eleitoral para a Presidência da República, a direita fugirá da pauta econômica. Os motivos são claros, Lula faz a economia voar batendo recordes reais de crescimento. Do outro lado, a economia americana chafurda no marasmo com Trump rumo à insolvência do império.

O nome disso é alta pintura fora do quadro, o que significa que tal fato está fora do script eleitoral no Brasil desde a redemocratização.

Lula pegou o país com 34 milhões de mendigos, miseráveis, produzidos pela política nefasta de Bolsonaro e Guedes para a glória maior do classismo financeirista.

Esses dois, um, burro de carroça e, outro, a besta do balão, são o caso da nudez crua e seca do capitalismo neoliberal mais selvagem da terra.

Não é sem motivos que o baronato da agiotagem nacional usa de todas as formas possíveis, mesmo as mais caquéticas, para tentar sequestrar o Brasil, através de uma taxa de juros imunda, parelha somente com a milícia que atua criminosamente nas favelas e periferias de todo o  Brasil.

Durante muitos anos de tecnocracia neoliberal, a mídia e seus sabujos coroavam de louros a cabeça dos Ceos, coachs e outras porcarias mais do campo corporativo, que criaram histórias paralelas à do Brasil real para vender a bíblia do neoliberalismo como a própria cadeira dos reis.

A nós súditos desse helenismo contemporâneo, sempre coube o papel passivo de ter o direito máximo de balançar a cabeça em sinal de negação.

Pois bem, o que veremos agora, é basicamente inédito no Brasil, a direita fugindo dos temas econômicos, por duas questões diametralmente opostas. Se Lula e Haddad, como mostram os números, promoveram a queda do dólar, a queda da inflação, os recordes recorrentes da bolsa de valores, por uma visão humanista da economia, por outro lado, assistimos a Trump descambar para a graça natural de um império em ruínas, que tenta corrigir os números econômicos na cartilha nua e crua do fascismo.

O silêncio sobre tal tema em tal caso, ou seja, as eleições, será estratétigo para a direita, porque não terá como a direita esclarecer para o seu eleitorado por que os tecnocratas, que desdenharam da politica econômica de Haddad e Lula, agora, estão aí paralisados, alheios, sem pai e mãe, nem vizinho, em caso contrário a tudo o que pregaram a vida inteira.

É muita ironia diante dos nossos próprios olhos.


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Política

Governo Lula deve entregar mais 400 unidades odontológicas móveis

Até março, serão 800 novas unidades doadas pelo Brasil Sorridente

O governo federal projeta entregar mais 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) até o mês de março, além das 400 que já foram entregues no ano passado, informou hoje (28) o coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, que participa do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, no Expo Center Norte, na capital paulista.

“No total, vamos somar 800 novas unidades móveis até março, que serão distribuídas para todas as unidades federativas”, disse à Agência Brasil.

As unidades fazem parte do programa Brasil Sorridente, que tem como foco levar atendimento odontológico às populações que têm dificuldade de acesso ao serviço, incluindo indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e assentadas. O objetivo da ação, segundo ministério, é garantir assistência a todas as pessoas.

A iniciativa oferece tanto procedimentos de atenção primária quanto ações especializadas em tratamento endodôntico e oferta de próteses dentárias.

“O Brasil Sorridente, que é a política nacional de saúde bucal, tem o dever de levar cuidados para toda população brasileira”, afirmou.

Segundo Gomes de Lucena, a unidade móvel é um dos componentes do programa, um consultório completo em carro equipado com raio X, cadeira e equipamentos para fazer restauração, extração e procedimentos preventivos, levando a equipe de saúde bucal até aqueles territórios mais distantes como na zona rural, quilombos, assentamentos e população em situação de rua.

Em setembro do ano passado, a população da cidade de Mâncio Lima, no Acre, Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) recebeu, por exemplo, uma das unidades móveis, o que permitiu o acesso de populações ribeirinhas ao tratamento odontológico. As equipes locais construíram uma balsa e instalaram a unidade móvel nela para fazer o atendimento chegar às comunidades por meio do rio.

Congresso
Em entrevista à Agência Brasil, durante o congresso, Lucena informou que o governo federal também planeja ampliar a oferta de tratamentos que serão oferecidos por cada uma das unidades móveis, de forma que possam também realizar tratamento de canal e prótese dentária com fluxo digital, que utiliza tecnologia para restaurações mais rápidas e precisas.

“Estamos fazendo um piloto para prótese dentária com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás. Provavelmente na próxima semana estaremos lançando isso”, informou. “Com esse equipamento, a boca da pessoa é escaneada para impressão da prótese. No retorno, o paciente já sai com a prótese. Serão doados 500 kits de combo para o fluxo digital para diversos municípios do país”, disse.

Retorno do programa
As unidades móveis odontológicas foram criadas no segundo mandato do governo Lula, em 2009. No entanto, o programa foi interrompido em 2015 e retomado somente em agosto do ano passado, quando passou a receber investimentos do Novo PAC Saúde.

O professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, coordenou um censo para avaliar a ação, realizado em 267 municípios brasileiros, que receberam unidades móveis até o ano de 2017. O censo foi feito antes de o programa ser interrompido e já demonstrou que as unidades odontológicas móveis cumprem um importante papel, ampliando o acesso da população à saúde bucal. “A importância é a ampliação do acesso”, destacou o coordenador-geral.

“Em 75% das unidades que funcionam, foi unânime o relato de gestores e dentistas sobre a ampliação do acesso. Uma fala muito comum deles era que uma determinada comunidade jamais ia ver um dentista se não fosse por essas unidades móveis”, acrescentou.

*Agência Brasil


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