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Economia

Mercado reduz para 4,05% expectativas da inflação para 2026

Demais índices do Boletim Focus permanecem estáveis

O mercado financeiro reviu para baixo as expectativas de inflação para o ano de 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Banco Central (BC), o ano fechará com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,05%.

Na semana passada, este índice, que serve de referência para a inflação oficial do país, estava em 4,06%. E há quatro semanas em 4,10%.

Para os anos subsequentes (2027 e 2028) as projeções são as mesmas há dez semanas, em 3,80% e 3,50%, respectivamente.

Meta de inflação
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a inflação medida em dezembro teve alta de 0,33%, ante ao 0,18% registrado no mês anterior. Com isso, o IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro da meta do governo.

Segundo o IBGE, com exceção do grupo habitação, que registrou queda de 0,33%, os demais grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em dezembro.

A maior variação (0,74%) e o maior impacto (0,15 p.p.) vieram dos transportes, seguido, em termos de impacto, por saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,52% e 0,07 p.p.

PIB
Os demais índices do Boletim Focus divulgado hoje se mantiveram estáveis em relação às semanas anteriores.

No caso do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil), o mercado projeta que a economia do país crescerá 1,80% em 2026 – percentual que vem sendo projetado há cinco semanas consecutivas, e o mesmo projetado para 2027.

Para 2028, as expectativas são de que o PIB feche o ano com um crescimento de 2%.

Câmbio
Com relação ao câmbio, as projeções do mercado permanecem estáveis há 13 semanas consecutivos, com uma expectativa de que o dólar feche 2026 cotado a R$ 5,50 – o mesmo valor projetado para 2027.

Para 2028, as expectativas são de que a moeda estadunidense termine o ano cotada a R$ 5,52.

Selic
A taxa básica de juros (Selic) deverá ser reduzida dos atuais 15% para 12,25% até o final de 2026, segundo o mercado financeiro; e para 10,50% em 2027. Para o ano subsequente (2028), as expectativas são de que ela caia ainda mais, para 9,88%.

A Selic, atualmente, está em seu maior nível desde julho de 2006, quando registrou 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024.

A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Variações da Selic
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

*Agência Brasil


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Mundo

Trump impõe taxa sobre quem exportar ao Irã; Brasil pode ser afetado

Medida é a primeira sinalização de que a Casa Branca irá escalar a pressão contra Teerã por conta dos protestos. Brasil vendeu mais de US$ 3 bi ao mercado iraniano e pode ser prejudicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos de todos os países que tenham algum tipo de comércio com o Irã. O Brasil, portanto, pode ser um dos afetados pelas novas tarifas.

Em 2024, o mercado iraniano consumiu mais de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros e se tornou o quinto maior destino das vendas nacionais no Oriente Médio.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”, afirmou o presidente dos EUA.

A medida faz parte de uma escalada contra o regime em Teerã, diante dos protestos que ganham dimensões inéditas nos últimos dias. O objetivo é isolar o país, romper alianças que ainda possam existir entre os iranianos e parceiros comerciais, criar uma escassez no país e a falta de abastecimento, principalmente de itens essenciais.

Trump também espera cortar o governo iraniano de qualquer tipo de abastecimento de suprimentos que possa permitir que o regime seja viável economicamente.

Trump chegou a dizer que poderia usar força militar e também indicou que os iranianos estariam dispostos a negociar. Mas o gesto desta segunda-feira sinaliza que a Casa Branca decidiu iniciar uma ofensiva.

A medida, ainda que afete o Brasil, tem um impacto bem maior para outros parceiros como a China e Índia. O Irã ainda faz parte do Brics, depois que o bloco passou por uma expansão há dois anos.

No caso das exportações brasileiras, elas estão essencialmente concentradas no setor agrícola e representam 1% do comércio do país com o mundo.

Em 2025, as exportações de milho do Brasil ao mundo atingiram 41,59 milhões de toneladas, crescimento de 9,9% e com receita de US$ 8,6 bilhões. O Irã liderou as compras, seguido por Egito e Vietnã.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Protesto em frente à prisão do Brooklyn exige libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores

Manifestantes exigem que poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente

Manifestantes se reuniram neste domingo (11) em frente ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, onde o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, passam a nona noite após serem sequestrados em 3 de janeiro durante a incursão militar em Caracas pelo governo dos Estados Unidos, e exigiram sua libertação.

Nesse dia, os manifestantes se reuniram para expressar seu apoio ao presidente venezuelano e à sua esposa, e pediram a libertação imediata de ambos, segundo reportagem do correspondente da teleSUR, Henry Camelo, nos Estados Unidos.

Eles reiteraram que se trata de um sequestro e que precisam sair o mais rápido possível. Os Estados Unidos não podem continuar usando desculpas como as que usaram para invadir a Venezuela e tentar se apoderar de recursos naturais, petróleo e minerais, que é, na verdade, seu verdadeiro objetivo.

Camelo explicou que os manifestantes estiveram presentes continuamente ao longo desta semana, apesar das baixas temperaturas.

“Eles vêm com suas faixas, vêm com seus cânticos e demonstram seu apoio ao presidente Maduro. Há várias pessoas se manifestando aqui, que não estão apenas insatisfeitas com essa situação, mas com tudo o que o governo Donald Trump está fazendo, as ameaças que está fazendo a outros países da região, como Colômbia, Cuba e México”, afirmou o jornalista.

Eles também exigem que os poderes excessivos de Donald Trump para exercer pressão militar na região sejam imediatamente interrompidos.

*BdF

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Cultura Política

VÍDEO – Wagner Moura detona governo Bolsonaro após vencer Globo de Ouro: “Período obscuro”

Wagner Moura conquistou o prêmio de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026 por “O Agente Secreto”, durante a cerimônia realizada no domingo (11), e aproveitou para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ditadura militar.

“Precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura é ainda uma ferida aberta no Brasil. Aconteceu há apenas 50 anos. Entre 2018 e 2022, tivemos um presidente de extrema-direita que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, afirmou o ator, ainda na premiação, em conversa com a imprensa.

“Acho que a cultura e a democracia andam juntas, e no Brasil temos, finalmente, depois de um período obscuro, uma democracia na qual podemos respirar e um governo que entende que a cultura é importante para o desenvolvimento de um país. Democracia, cultura e filmes, eles coexistem, não vivem um sem o outro”, concluiu, com o troféu de melhor ator na mão.

Ele também ressaltou o simbolismo de sua atuação em “O Agente Secreto”. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis.”

Em português, enviou uma mensagem ao público brasileiro: “E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira.”

Dupla vitória histórica do cinema brasileiro
A premiação marcou a segunda vitória consecutiva do Brasil no Globo de Ouro na categoria de atuação em drama — no ano anterior, Fernanda Torres levou o troféu de melhor atriz.

Além do reconhecimento a Wagner Moura, O Agente Secreto venceu como melhor filme em língua não inglesa, repetindo um feito que o país não alcançava desde Central do Brasil, há 27 anos.

Com dois prêmios na mesma edição, o Brasil alcançou um marco inédito em sua trajetória na premiação, consolidando um momento histórico para o cinema nacional. DCM.


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Política

Emendas consomem até 80% da verba dos ministérios e ampliam papel central do Congresso

As emendas indicadas por deputados e senadores consumiram até 78,9% da verba discricionária de ministérios do governo Lula (PT) em 2025. Trata-se de uma fatia do Orçamento que não está engessada pelo pagamento da folha salarial, entre outras obrigações, e é aplicada no custeio de políticas públicas e nos investimentos em obras e compras de equipamentos.

O maior percentual foi registrado no Ministério do Turismo, pasta comandada por indicados do Centrão desde o começo do terceiro mandato de Lula. Em seguida, o Ministério do Esporte, também chefiado por um nome do mesmo grupo político, teve 65,2% da verba discricionária empenhada no ano passado para atender às emendas parlamentares.

Outras três pastas tiveram cerca de 40% dos recursos livres drenados por emendas, incluindo o Ministério da Saúde.

O órgão comandado por Alexandre Padilha (PT) é o que executa o maior volume de emendas. Em 2025, de cerca de R$ 47,3 bilhões empenhados, mais de R$ 25,7 bilhões foram executados na Saúde. A verba geralmente é repassada para secretarias locais custearem hospitais e ambulatórios.

As emendas empenhadas em 2025 representam cerca de 21,9% do orçamento discricionário do poder Executivo, maior percentual já registrado. Em 2015, as indicações drenaram cerca de 2,5% dessa verba.

O recurso nas mãos dos parlamentares para 2026 pode subir, pois o Orçamento aprovado em dezembro pelo Congresso prevê mais de R$ 61 bilhões em emendas. O presidente Lula ainda terá de decidir se aprova ou veta o valor.

Procurado, o Ministério do Turismo não se manifestou sobre ser a pasta com maior percentual do orçamento controlado pelo Congresso. As indicações ao órgão incluem R$ 30 milhões para apoio ao Carnaval da Bahia, além de obras de revitalização de pontos turísticos e convênios para realização de eventos.

Já o Ministério do Esporte disse que as emendas parlamentares são uma das ferramentas que permitem “tornar reais as metas de transformar a prática esportiva em uma atividade cotidiana”. “São utilizadas respeitando rigorosamente os critérios estabelecidos em lei, atendendo a todos, indistintamente”, disse.

Em 2024, os ministérios sob maior domínio das emendas foram Esporte (74% da verba discricionária) e Turismo (69% definido por parlamentares).

Em julho, a Polícia Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União) deflagraram uma operação para investigar o desvio de recursos públicos das indicações parlamentares destinados à realização de eventos de esportes digitais.

O ministério comandado por André Fufuca (PP-MA) afirmou que tem atuado em “absoluta sintonia” com órgãos de controle para dar efetividade e transparência à aplicação dos recursos. No caso do Esporte, a verba das emendas é direcionada para projetos sociais que promovem aulas de futebol, além de obras para construção de ginásios, entre outras atividades.

Neste ano, o pagamento de parte das emendas ainda será obrigatório antes do período eleitoral. As indicações, porém, estarão novamente no centro dos debates sobre transparência e uso dos recursos públicos.

Além da existência de inquéritos da Polícia Federal sobre as verbas, ainda há uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que questiona sua impositividade. O ministro Flávio Dino, que é relator da ação, disse no começo de dezembro ter concluído a instrução do caso e que pedirá espaço na pauta do Supremo para julgamento pelo plenário.

No mesmo evento, Dino afirmou que o tema “é um debate fundamental em um país presidencialista”, que “diz respeito à separação de Poderes, freios e contrapesos, vértice do sistema político”. “É um debate essencial e de índole constitucional. É um debate jurídico, não é um debate político”, afirmou.

Além de determinar mudanças em regras de transparência dos repasses, Dino tem autorizado operações policiais, como a realizada em dezembro e que teve como alvo Mariângela Fialek, a Tuca, assessora ligada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem defendido as indicações parlamentares. “Nós não temos compromisso com quem não trabalha correto com emenda. Mas eu tenho também a plena certeza de que a larga maioria dos representantes que estão na Câmara dos Deputados, os senhores deputados e deputadas federais, trabalha corretamente”, afirmou Motta em dezembro.

Desde 2015, parlamentares promoveram profundas mudanças, inclusive na Constituição, para ampliar o controle e volume das emendas. Hoje, são impositivas as indicações individuais e das bancadas estaduais.

O avanço do Congresso sobre o Orçamento se escancarou a partir de 2020, quando houve um salto de R$ 18,3 bilhões para R$ 48,5 bilhões em emendas empenhadas, considerando valores atualizados pela inflação. De acordo com o ICL, a alta foi puxada pela chamada emenda do relator, que o STF declararia inconstitucional em 2022.

Durante a última campanha para presidente, Lula se referiu à distribuição de verba com baixa transparência como “o maior esquema de corrupção da atualidade”, “orçamento secreto” e “bolsolão”.

No começo de dezembro, o presidente voltou a criticar o volume de verba definida pelo Congresso. “Acho que o fato de o Congresso Nacional sequestrar 50% do Orçamento da União é um grave erro histórico”, declarou.


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Mundo

Miguel Díaz-Canel: Cuba está pronta para se defender até a “última gota de sangue” diante de ameaças dos EUA

Trump disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou neste domingo que seu país está sob ataque dos Estados Unidos há 66 anos e está pronto para se defender até a última gota de sangue.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança.

“Cuba não está atacando, está sob ataque dos EUA há 66 anos. Não representa ameaça alguma. Está se preparando para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o líder cubano na rede social X.


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Política

“No shape”: Fotos e vídeo de Lula musculoso em praia do Rio viralizam nas redes sociais

Imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicadas no Instagram viralizaram e chamaram a atenção de usuários nas redes sociais, se tornando uma brincadeira entre usuários mostrando o presidente “no shape”. Nos registros, Lula aparece caminhando em uma praia, sem camisa, exibindo um físico que gerou repercussão pela idade do presidente, que tem 80 anos – com brincadeiras do público, realizando montagens dele “bombado”.

As fotos foram feitas na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, e publicadas pela primeira-dama Janja. Na legenda, ela escreveu: “Relembrando os dias em que recarregamos as energias na Restinga da Marambaia, esse lugar tão especial do nosso Rio de Janeiro. Entramos em 2026 com toda a força, e temos muito trabalho pela frente. Com disposição, diálogo e Brasil no coração, seguiremos juntos, cuidando do nosso país!”.

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Mundo

Sob ofensiva dos EUA, Petro propõe confederação de estados autônomos na América Latina

Presidente colombiano voltou a propor integração nos moldes de Simón Bolívar, em momento de agressões de Trump na região

O presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a propor a união de vários países latino-americanos para a formação da Grã-Colômbia, revivendo a ideia de Simón Bolívar. Em sua conta no X, nesse sábado (10), Petro publicou um mapa com a indicação da região e escreveu: “Proponho, por voto constituinte da população, a construção de uma confederação de nações autônomas”.

O bloco incluiria países como Venezuela, Equador, Panamá, além de partes do Peru, da Costa Rica e da Guiana. “Teríamos políticas comuns sobre assuntos propostos pelo povo. Sem dúvida, isso incluiria uma política comercial focada na industrialização e no cumprimento de nosso papel geográfico como centro do mundo e da América Latina”, disse o mandatário colombiano.

A confederação, na proposta de Petro, teria um parlamento da Grã-Colômbia, um tribunal de Justiça e um conselho governante, semelhantes aos da União Europeia ou dos Estados Unidos. “Teríamos também potencial para o turismo e a conectividade global”, acrescentou.

Diálogo com EUA
O presidente colombiano confirmou que irá a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à CBS News, no sábado (10), Petro disse que o motivo da viagem aos Estados Unidos era “para impedir uma guerra mundial”.

Ele disse ainda que concorda com a política antidrogas de Trump desde que seja baseada no respeito à soberania nacional. A declaração foi feita em postagem nas redes sociais e divulgada pela imprensa colombiana.

“Estou de acordo com ela, com base no respeito à soberania nacional”, disse Petro, destacando que é preciso “duplicar ou triplicar” a luta contra as organizações de narcotráfico, atingindo líderes, finanças e promovendo a apreensão maciça de mercadorias ilícitas.

A visita, segundo informou Trump na sexta-feira (9), deve ocorrer na primeira semana de fevereiro. “Tenho certeza de que [a visita] será muito boa para a Colômbia e para os Estados Unidos, mas a cocaína e outras drogas devem ser impedidas de entrar nos Estados Unidos”, escreveu o presidente estadunidense na plataforma Truth Social.

Aparando as arestas
Em meio à escalada retórica de Washington contra Bogotá, Gustavo Petro e Donald Trump mantiveram uma conversa por cerca de uma hora por telefone na quarta-feira (7).

O tensionamento entre os dois países não é uma novidade, mas escalou desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e os bombardeios realizados em Caracas, no sábado (3), quando Petro saiu em defesa da Venezuela.

No dia seguinte ao ataque, Trump disse que não descartava realizar uma ação nos mesmo moldes contra a Colômbia. “Me soa bem”, afirmou, ao ser perguntado por jornalistas sobre a possibilidade. Na ocasião, ele também atacou diretamente o presidente Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos.”

*BdF


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Mundo

Global Times investiga: como os EUA mantêm há 200 anos uma engrenagem de poder sobre a América Latina

Reportagem especial aponta três eixos de intervenção que atravessam do século 19 ao governo do presidente Donald Trump

A América Latina volta a viver, no início de 2026, um episódio que remete às advertências mais antigas de sua história política. “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a atormentar a América Latina com miséria em nome da liberdade”, escreveu Simón Bolívar em uma carta de 1829. Quase dois séculos depois, o temor descrito pelo líder venezuelano reaparece com força diante da notícia de que militares dos EUA realizaram um ataque contra a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para território americano, onde ambos passaram por um primeiro julgamento.

A avaliação é apresentada em reportagem especial do Global Times, que trata o caso como mais do que um evento isolado: seria a continuação lógica de uma doutrina de poder inaugurada em 1823 e reatualizada em versões contemporâneas. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, o episódio se insere numa tradição marcada por três grandes vetores — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — que sustentariam, há 200 anos, a lógica do chamado “quintal” latino-americano.

A reportagem integra a segunda parte de uma série em que o Global Times afirma “decodificar” a Doutrina Monroe e expor “esquemas intervencionistas” dos EUA em múltiplos campos. O texto cita uma sucessão de episódios “sangrentos” para ilustrar o que descreve como o funcionamento dos três eixos de interferência na região, da ocupação militar direta ao uso de sanções e mecanismos de influência política.

Eixo 1: hegemonia geopolítica e militarização
O Global Times afirma que o sequestro do presidente venezuelano gerou críticas severas em uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, inclusive por países parceiros de Washington. Dentro dos EUA, segundo a reportagem, haveria mobilização de protestos contra a ação, citando o relato da revista Newsweek de que “protestos anti-guerra estão planejados em mais de 100 cidades”.

Na leitura dos especialistas citados, o episódio seria apenas o capítulo mais recente de uma política de imposição geoestratégica sustentada por declarações de segurança, presença militar permanente e estruturas institucionais exclusivas que bloqueiam alternativas regionais. A reportagem lembra que a Doutrina Monroe — sintetizada na frase “América para os americanos” — foi anunciada pelo então presidente James Monroe, em 1823, como justificativa teórica para interferir no continente.

O texto aponta que essa lógica teria ganhado nova formulação no documento de segurança nacional do governo do presidente Donald Trump, publicado em 2025. Segundo o Global Times, a estratégia teria designado explicitamente a América Latina como esfera de influência de Washington, posição tratada por veículos e think tanks como “Doutrina Monroe 2.0”, e descrita como uma ameaça “crua” e “sem desculpas” à soberania regional.

A sustentação material desse eixo, de acordo com a reportagem, é a presença militar. O texto cita a agência Xinhua para afirmar que os EUA mantêm cerca de 76 bases militares distribuídas pela América Latina. Essa infraestrutura, argumenta a matéria, cria as condições para intervenções diretas, muitas vezes apoiadas em pretextos.

Como exemplo, o Global Times menciona a invasão do Panamá em dezembro de 1989, quando Washington lançou a “Operação Justa Causa”, supostamente como iniciativa antidrogas, com o envio de cerca de 27 mil soldados, segundo registros históricos do Exército dos EUA. A reportagem afirma que a mesma justificativa de “combate ao narcotráfico” teria sido usada, ao menos formalmente, para o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Maduro.

O professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, é citado como voz crítica a essa mudança de paradigma. “O ataque à Venezuela em 3 de janeiro não deixa dúvidas: os EUA não se comportam mais como a democracia pacífica que afirmam ser”, disse ele, conforme entrevista anterior mencionada pelo Global Times. Carvalho acrescenta: “Hoje, a hegemonia americana é sustentada não pelas instituições multilaterais que antes defendia, mas pela projeção de força bruta.”

Eixo 2: pilhagem econômica e controle de recursos
Ao abordar a dimensão econômica, a reportagem resgata um diagnóstico clássico do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina. “O subdesenvolvimento da América Latina deriva do desenvolvimento de outros e continua a alimentá-lo”, escreveu Galeano. Para o Global Times, a frase segue atual porque a região permanece presa a um modelo que favorece a extração de recursos, o controle de cadeias produtivas e o domínio de infraestrutura estratégica.

A matéria também menciona o papel histórico de grandes empresas na estrutura econômica regional. Como exemplo, cita estudos do History Labs da Universidade de Maryland para afirmar que, na década de 1930, a United Fruit Company teria controlado 42% das terras na Guatemala, além de deter isenções fiscais e dominar não apenas a produção de bananas, mas também sistemas de telefonia e telégrafo.

No campo comercial, a reportagem aponta que acordos de livre comércio foram desenhados para favorecer empresas americanas e produzir ganhos assimétricos. E acrescenta um instrumento recorrente: sanções econômicas contra governos que resistem à agenda de Washington. O Global Times cita dados do Tricontinental Institute for Social Research segundo os quais, em sete anos, as sanções dos EUA teriam devastado a indústria de petróleo da Venezuela, levando o país a perder receitas equivalentes a 231% do PIB entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024.

O pesquisador Sun Yanfeng, dos Institutos Chineses de Relações Internacionais Contemporâneas, resume o efeito desse mecanismo segundo a reportagem: ao criar estruturas econômicas distorcidas, enfraquecer a capacidade industrial e impor acordos desiguais ou sanções, os EUA conseguiriam controlar o padrão industrial e a estrutura comercial da região.

Eixo 3: infiltração ideológica e engenharia política
A terceira dimensão apontada pela reportagem é a infiltração ideológica, descrita como instrumento “flexível” para garantir a esfera de influência americana. O Global Times afirma que o documento de segurança nacional do governo Trump reafirma a estratégia do “America First”, apresentada como continuidade da visão da América Latina como “quintal”.

Segundo o texto, por décadas Washington usou slogans como “promoção da democracia” e “proteção dos direitos humanos” para interferir em processos políticos latino-americanos, financiando organizações e forças alinhadas, influenciando tendências sociais e atuando em disputas eleitorais por meio de apoio financeiro, manipulação de opinião pública e engenharia institucional.

A reportagem menciona a National Endowment for Democracy (NED) como exemplo de organização acusada de financiar grupos de oposição e entidades da “sociedade civil” em países como Venezuela e Cuba. O texto cita o jornalista Stephen Kinzer, ex-repórter do The New York Times, que teria publicado em 2021 artigos no site da New York Review of Books apontando que a NED colabora com a CIA e a USAID para apoiar forças insurgentes e promover mudanças de regime em governos que Washington rejeita. A matéria ressalta que, segundo esses artigos, membros iniciais do conselho da NED incluíam defensores de intervenções e ex-senadores entusiastas de mudanças de regime em Cuba e Nicarágua.

A reportagem também menciona a Bolívia, afirmando que os EUA teriam instigado uma “revolução colorida” por meio da NED e outras organizações, levando o então presidente Evo Morales a renunciar e se exilar. O Global Times diz que, entre 2013 e 2018, NED e USAID teriam canalizado, por diferentes meios, US$ 70 milhões para a oposição boliviana, citando um documento do Ministério das Relações Exteriores da China divulgado em 2022.

Um padrão que atravessa séculos e aprofunda instabilidade
Para o Global Times, a soma dos três eixos — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — não cria desenvolvimento nem estabilidade, mas intensifica conflitos internos, fragiliza instituições e produz ciclos de instabilidade. A reportagem atribui à professora Xu Yanran, da Universidade Renmin da China, a interpretação de que a intervenção americana é “autointeressada” e não mutuamente benéfica, e que as tragédias acumuladas explicam por que o envolvimento dos EUA “só piora as coisas”.

Ao final, o texto afirma que cresce na região um movimento de afirmação soberana. Segundo Xu, aumentam as vozes pela unidade regional, pelo fortalecimento interno e pela oposição à interferência externa. A especialista sustenta que mais países percebem que a dependência de potências externas não gera prosperidade, e que o caminho mais seguro seria aprofundar integração, cooperação e autonomia, como resposta a dois séculos de pressões.

Com o sequestro do presidente venezuelano e a escalada militar descrita pela reportagem, a América Latina entra em 2026 com um lembrete brutal de que a frase de Bolívar, escrita em 1829, continua assombrando o continente — e, na leitura do Global Times, ajuda a explicar por que a Doutrina Monroe permanece como uma das engrenagens centrais de conflito, disputa e resistência na região.

O texto sustenta que essa pilhagem aparece, sobretudo, na disputa por energia e recursos naturais, e menciona o que chama de “imperialismo alimentar”. A reportagem cita entrevista do economista americano Michael Hudson ao site The Grayzone, na qual ele afirma que os EUA, ao influenciar o Banco Mundial, teriam direcionado empréstimos para estimular culturas de exportação voltadas ao mercado americano, em vez de apoiar a soberania alimentar de países como Chile e Venezuela. Hudson diz que, com isso, “os países se tornaram cada vez mais dependentes dos EUA para alimentos”.

Outro ponto central é o controle de infraestrutura de transporte, com destaque para o Canal do Panamá. O Global Times menciona que, em 1903, tropas americanas desembarcaram no país e estimularam a separação do Panamá da Colômbia. Quinze dias depois da independência panamenha, segundo o texto, Washington teria imposto um tratado desigual — o Hay–Bunau-Varilla — que concedeu aos EUA o direito de construir o canal e controlá-lo permanentemente. A reportagem lembra que um novo acordo, assinado em 1977, determinou a devolução do canal em 31 de dezembro de 1999, mas afirma que, no início de 2025, o governo Trump teria voltado a ameaçar retomar o controle do canal, citando a CNN: “ou algo muito poderoso acontecerá”. 247.


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Economia Política

2025 tem menor inflação acumulada dos últimos sete anos

Considerado a inflação oficial do Brasil, o IPCA ficou em 4,26% no ano passado, índice abaixo da meta, que é de 4,5%. Maior desaceleração ocorreu no grupo alimentos e bebidas

O ano de 2025 teve a menor inflação acumulada desde 2018 e fechou abaixo da meta (4,5%), ficando em 4,26%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE. Em dezembro, foi de 0,33%, igualmente o menor índice obtido para o mesmo mês desde 2018. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9).

Considerado a inflação oficial do Brasil, o IPCA também é menor em relação a 2024, quando ficou em 4,83%. Em 2018, registrou 3,75% e no mês de dezembro daquele ano, 0,15%.

O patamar alcançado em 2025 “é o quinto menor resultado da série desde o plano Real, ou seja, nos últimos 31 anos. Antes dele, temos 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%)”, destaca Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.

Alimentação e bebidas desaceleram

Grupo de maior peso no IPCA, alimentação e bebidas desacelerou, ficando em 2,95% — em 2024, foi de 7,69%. A principal influência para esse resultado se deu no subgrupo “alimentação no domicílio”, que teve uma queda bastante acentuada, passando de 8,23% para 1,43%.

Segundo o IBGE, por seis meses consecutivos (junho a novembro), a alimentação no domicílio registrou variação negativa, acumulando queda de 2,69%. “Os alimentos para consumo no domicílio apresentaram queda ao longo do ano, em razão de maior oferta”, explica Gonçalves.

O setor que mais influenciou a inflação no ano passado foi o de habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79% em 2025, registrando o maior impacto (1,02 ponto percentual) no acumulado do ano. A principal razão foi a tarifa de energia elétrica, cujos reajustes variaram de -2,16% a 21,95%.

Na sequência, as maiores variações vieram de educação (6,22% e 0,37 p.p.), Despesas pessoais (5,87% e 0,60 p.p.) e Saúde e cuidados pessoais (5,59% e 0,75 p.p.). Os quatro grupos juntos responderam por, aproximadamente, 64% do resultado do ano.

Leia também: Governo projeta superávit na balança comercial de até US$ 90 bilhões em 2026

Artigos de residência ficou com -0,28% de variação e -0,01p.p. de impacto; Vestuário, com 4,99% e 0,23 p.p.; Transportes, com 3,07% e 0,63 p.p.; e Comunicação, com 0,77% e 0,03 p.p.

No caso do agregado especial de serviços, o IPCA foi de 4,78% em 2024 para 6% em 2025, e o de preços monitorados (administrados pelo governo) saiu de 4,66% para 5,28%.

INPC

Focado na inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2025 ficou em 3,9%, 0,87 p.p. abaixo dos 4,77% registrados em 2024, com os produtos alimentícios registrando alta de 2,63%, enquanto os não alimentícios variaram 4,32%.

Considerando o mês de dezembro, o índice teve alta de 0,21% e ficou 0,18 p.p. acima do resultado observado em novembro (0,03%), mas menor do que o aferido em dezembro de 2024, quando ficou em 0,48%.


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