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Dark Horse: Decisão de Dino dá ‘xeque-mate’ em Mendonça no STF

Decisão permite à PF acessar material apreendido na investigação sobre a produtora do filme.

Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, criou uma ponte entre duas investigações que, até agora, corriam separadamente — e colocar nas mãos da Polícia Federal e do ministro André Mendonça alguns dos documentos mais importantes para desvendar o caminho do dinheiro do Dark Horse.

No último dia 21, Dino autorizou a PF a acessar o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação que atingiu Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro. O compartilhamento havia sido solicitado pela própria PF. A investigação é diferente daquela relatada por Mendonça, que apura os milhões negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para financiar o projeto. Mas as duas têm um ponto óbvio de encontro: a produtora e o dinheiro que passou por ela.

A coincidência da data é especialmente interessante. No mesmo 21 de agosto em que Dino assinou sua decisão, publiquei na minha newsletter e depois revelei no ICL uma entrevista com o perito responsável pelo laudo usado pela Go Up para sustentar a regularidade das contas do filme. E o que ele me contou ajuda a dimensionar o potencial da decisão de Dino.

O perito admitiu uma série de limitações no trabalho. Disse que não verificou se os valores pagos pela produção estavam de acordo com os preços de mercado e que não sabe o que os fornecedores fizeram com o dinheiro depois de recebê-lo. Ou seja: o laudo pode demonstrar contabilmente que determinado valor saiu de um lugar e chegou a outro, mas não responde sozinho à pergunta mais importante da investigação: qual foi o destino final do dinheiro?

Ao mesmo tempo, porém, ele revelou algo fundamental: as notas fiscais existem e estão em seu poder. Disse ainda que a Polícia Federal determinou a apresentação de comprovantes relacionados aos gastos. É aí que a decisão de Dino pode se transformar numa espécie de tacada de mestre investigativa.

O inquérito sob sua relatoria não é o principal processo sobre os milhões de Vorcaro. Mas, ao permitir que a PF acesse o material obtido pela Polícia Civil, Dino abre caminho para que documentos financeiros, computadores, celulares e registros relacionados à Go Up sejam cruzados com a investigação que realmente alcança a negociação entre Flávio e o dono do Banco Master.

E essa segunda investigação está com André Mendonça. É justamente a frente que mais preocupa a campanha de Flávio, diante da suspeita investigada de que recursos destinados ao fundo usado para financiar o projeto captado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, possam ter bancado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Isso torna ainda mais curiosa a estratégia adotada agora pelo candidato. Segundo uma reportagem d’O Globo, a orientação do QG de Flávio é parar de responder sobre o Dark Horse, transferir as explicações para a produtora e para as autoridades e tentar deslocar o debate eleitoral para as suspeitas envolvendo Lulinha. Em maio, Flávio havia prometido apresentar uma prestação de contas em 30 dias. Agora diz que viu as contas, mas que não é ele quem precisa apresentá-las.

A estratégia pode até funcionar eleitoralmente. Investigativamente, porém, acontece num momento ruim. Porque a produtora para a qual Flávio agora manda as perguntas é justamente aquela cujo material apreendido Dino acaba de colocar ao alcance da Polícia Federal.

E as notas fiscais que Flávio não apresentou publicamente podem estar entre os documentos capazes de responder às perguntas que continuam abertas: quem efetivamente recebeu os milhões do Dark Horse, por quais serviços e, sobretudo, onde esse dinheiro terminou.

Dino abriu a porta. Agora resta saber se André Mendonça vai atravessá-la.

*Paulo Motoryn/ICL


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Dino mexe as placas tectônicas do Dark Horse

A movimentação de Flávio Dino tem potencial para mexer nas placas tectônicas de uma engrenagem política que vinha tentando se consolidar nos bastidores. Ao colocar o peso institucional do STF em determinadas frentes e avançar sobre áreas sensíveis, Dino altera o terreno onde alguns personagens imaginavam poder caminhar sem maiores obstáculos.

O efeito é especialmente forte porque o chamado Dark Horse depende, por definição, de zonas de sombra, acordos silenciosos e movimentos que não aparecem imediatamente no radar público. Quando Dino desloca essas peças, o que parecia estável começa a tremer.

Não se trata apenas de mais uma decisão ou de mais um capítulo da disputa política. É uma mudança de ambiente. E, quando o ambiente muda, estratégias cuidadosamente montadas podem perder valor em questão de horas.

Para quem apostava na acomodação, o recado é incômodo: Dino está mexendo no tabuleiro antes que os jogadores consigam sequer entender completamente as novas regras. As placas tectônicas se movem lentamente — mas, quando finalmente se deslocam, ninguém consegue fingir que nada aconteceu.

E é justamente aí que está o perigo para o Dark Horse: o que parecia uma corrida previsível pode estar entrando numa fase completamente diferente, na qual as velhas proteções, os velhos cálculos e as velhas certezas deixam de funcionar.

Fato é que, Flávio Dino deu um sacode bonito nas placas tectônicas do Dark Horse e Flávio Bolsonaro sentiu o tranco, porque, por essa o cínico não esperava.


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Ninguém sentiu a falta de Zema no debate da Band

O debate da Band terminou e uma pergunta ficou no ar: alguém percebeu que o candidato banana, Romeu Zema, não estava lá?

A resposta parece ser um sonoro “não”.

Zema fez tanta falta no debate quanto guarda-chuva em dia de sol. Sua ausência foi tão discreta que, se alguém tivesse anunciado no meio do programa que ele estava participando por videoconferência, provavelmente ninguém teria perguntado onde estava a tela.

Enquanto os candidatos trocavam farpas, propostas e ataques, o ex-governador mineiro conseguiu protagonizar uma façanha rara na política: não participar de um debate e, ainda assim, não deixar saudade nenhuma.

Foi praticamente o equivalente político daquela cadeira vazia numa reunião que ninguém usa.

A Band conseguiu reunir candidatos, câmeras, mediadores, tensão e promessas. Só não conseguiu reunir uma coisa: alguém perguntando “mas cadê o Zema?”

No fim, sua ausência acabou sendo mais comentada justamente porque ninguém pareceu sentir falta.

Zema talvez tenha descoberto uma nova modalidade eleitoral: o candidato invisível — aquele que consegue perder espaço até quando não está disputando espaço.

Se o objetivo era chamar atenção pela ausência, funcionou. Se era fazer falta, aí foi outro debate.

“Eu sou um merda
Um Zé mané, um zero a esquerda
Se eu não for
Ninguém vai sentir a perda”


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Brasil aproveita erros de Trump e da família Bolsonaro e encosta nos EUA no agronegócio

O que Donald Trump pretendia transformar em instrumento de pressão contra o Brasil começa a produzir um efeito bastante diferente no comércio internacional: o país está ocupando espaços que os Estados Unidos vêm perdendo no agronegócio e já se aproxima de superar os norte-americanos em valor de exportações do setor.

Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas 14% acima do resultado de cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil saltou 68%, chegando a US$ 169 bilhões. A distância, que no início do século era enorme a favor dos americanos, praticamente desapareceu.

A explicação não está apenas na extraordinária capacidade produtiva brasileira. A política comercial de Trump também abriu portas para os concorrentes. Ao transformar a China e outros parceiros tradicionais em adversários comerciais, Washington perdeu mercados estratégicos justamente para países capazes de oferecer produtos competitivos — e o Brasil estava pronto para ocupar esses espaços.

Na Ásia, o movimento é particularmente revelador. Entre 2022 e 2025, as exportações agropecuárias dos EUA para a região caíram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. No mercado chinês, a retração americana foi ainda mais expressiva: as vendas dos EUA diminuíram 49% em cinco anos, enquanto as brasileiras avançaram 8%.

É a velha ironia da geopolítica: ao tentar usar tarifas para proteger o produtor americano, Trump acabou estimulando compradores internacionais a procurar fornecedores alternativos. E o Brasil apareceu como uma alternativa natural.

A soja é um dos exemplos mais emblemáticos. Os Estados Unidos continuam fortes no milho, mas perderam espaço justamente em uma das commodities que historicamente sustentaram sua balança agrícola. Nas carnes, o avanço brasileiro também é significativo. O Brasil ampliou sua presença internacional enquanto os americanos enfrentam um rebanho bovino no menor nível em décadas e passaram, paradoxalmente, a depender mais de carne importada.

O desempenho brasileiro não é apenas uma reação circunstancial ao tarifaço. As exportações do agronegócio atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, impulsionadas principalmente por carnes, soja e algodão. A China sozinha respondeu por US$ 30,5 bilhões, 35,1% do total, com crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.

E há outro dado que desmonta a ideia de que o Brasil estaria excessivamente dependente dos Estados Unidos: no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras de produtos do agronegócio para os EUA caíram 25,1%, mas a China, a União Europeia e outros mercados absorveram boa parte da expansão brasileira.

Isso significa que a diversificação virou uma espécie de seguro contra o protecionismo de Trump. Quanto mais Washington fecha portas, mais Brasília procura — e encontra — compradores em outras partes do planeta.

O resultado é uma transformação importante no equilíbrio do agronegócio mundial. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência agrícola incontestável, mas já não podem contar com a mesma vantagem de décadas atrás. O Brasil dispõe de território, produtividade, capacidade de expansão, diversidade de produtos e uma posição privilegiada no comércio com a Ásia.

Trump queria utilizar o tamanho do mercado americano como arma. O problema é que o mundo mudou — e o Brasil também.

Hoje, quando Washington ergue barreiras, Pequim abre espaço. Quando os americanos perdem competitividade, os brasileiros avançam. Quando Trump transforma parceiros em adversários, produtores brasileiros encontram novos clientes.

O mais revelador, portanto, é que a política de confronto dos Estados Unidos pode estar acelerando exatamente aquilo que pretendia evitar: a consolidação do Brasil como um dos grandes fornecedores estratégicos de alimentos do planeta e como concorrente cada vez mais direto da agricultura americana.

A disputa pelo agronegócio mundial, ao que tudo indica, está mudando de mãos — e o Brasil chega a essa disputa muito mais forte do que estava no início do século.


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A audiência que desmontou o espetáculo: entrevista de Lula na Record supera em mais de duas vezes o debate da Band

A noite de domingo deixou um recado que a televisão e os estrategistas eleitorais deveriam levar a sério: o público não comprou o debate presidencial da Band. Enquanto a emissora transmitia um confronto esvaziado, sem Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, a entrevista de Lula à Record, exibida praticamente no mesmo horário, alcançava mais que o dobro da audiência.

Na medição em tempo real das 20h57, na Grande São Paulo, a Record registrava 4,28 pontos, contra apenas 2,06 pontos da Band — uma diferença de 108%.

E há uma ironia ainda maior nesse resultado. O debate foi vendido como um dos grandes momentos da largada da corrida presidencial, mas acabou transformado em uma espécie de palco de segunda linha. Com a ausência dos principais candidatos, sobraram três concorrentes — Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos — tentando ocupar um espaço que deveria ser disputado pelos nomes que efetivamente estão no centro da eleição.

Enquanto isso, Lula estava na Record falando diretamente com o eleitor. E a resposta veio na forma mais objetiva possível: a audiência.

O dado é especialmente significativo porque demonstra que não basta colocar câmeras, púlpitos e candidatos em um estúdio e chamar aquilo de grande debate presidencial. O eleitor decide onde quer prestar atenção. E, naquela noite, preferiu acompanhar Lula a assistir a um confronto sem os dois candidatos que polarizam a disputa.

Nas redes sociais, a entrevista também ganhou enorme repercussão, ampliando seu alcance muito além da televisão. Lula conseguiu transformar uma ausência no debate em uma oportunidade de comunicação direta, enquanto a Band acabou transmitindo um programa que, pela audiência registrada, despertou pouco interesse do público.

O resultado expõe uma realidade incômoda: o debate pode ter sido importante para os candidatos que participaram, mas não conseguiu se impor como o grande acontecimento eleitoral da noite.

A audiência fez a comparação por conta própria. De um lado, um debate esvaziado. Do outro, Lula falando ao eleitor. E, pelo menos naquele confronto de audiência, o eleitor escolheu claramente onde queria estar, com Lula


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A cortina de fumaça da mídia para proteger Flávio Bolsonaro

O cerco começa a se fechar sobre Flávio Bolsonaro — e, curiosamente, quanto mais avançam as questões que envolvem o candidato, mais determinados setores da mídia parecem interessados em deslocar o foco para Lulinha. Não se trata de negar a necessidade de investigação sobre o filho de Lula: qualquer suspeita deve ser apurada, com provas, contraditório e direito de defesa. O problema está em outra coisa: na tentativa deliberada de construir uma equivalência política entre situações que não são equivalentes.

A própria conjuntura ajuda a entender o movimento. Flávio enfrenta questionamentos relacionados ao caso Dark Horse e aos recursos recebidos de Daniel Vorcaro, enquanto Lulinha é alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. São fatos que devem ser investigados individualmente, sem proteção para ninguém. Mas transformar isso automaticamente em uma espécie de “empate moral” é justamente a velha fórmula da mídia de sempre: colocar duas histórias lado a lado, atribuir-lhes pesos semelhantes e deixar ao leitor a impressão de que “todos são iguais”.

É nesse ponto que a coluna de Carlos Andreazza, no Estadão, torna-se emblemática. O expediente é conhecido: quando um personagem politicamente incômodo está sob pressão, cria-se uma simetria artificial com alguém do outro campo. A comparação passa então a funcionar como uma cortina de fumaça. O debate deixa de ser sobre o que Flávio precisa explicar e passa a ser sobre o que Lulinha também precisa explicar.

É uma operação retórica extremamente conveniente.

E ela se encaixa perfeitamente na sentença de Merval Pereira, em O Globo, de que o resultado da eleição estaria nas mãos do STF e da PF. A frase, além de revelar o enorme protagonismo que o baronato midiático atribui às instituições de investigação e Justiça no processo eleitoral, também ajuda a estabelecer o enquadramento: a eleição passa a ser apresentada como uma disputa determinada por inquéritos, decisões judiciais e vazamentos — e não pelo julgamento dos eleitores sobre os candidatos, suas trajetórias e, sobretudo, suas responsabilidades.

Não é difícil compreender a mensagem política por trás desse enquadramento.

Se a eleição será decidida pelo que STF e PF fizerem, então é preciso nivelar previamente os personagens que podem ser atingidos pelas investigações. Flávio aparece de um lado; Lulinha, do outro. Um caso puxa o outro. Uma manchete responde à outra. Uma denúncia vira argumento para relativizar a seguinte. E, assim, a velha tese do “dois lados” volta a funcionar como uma espécie de máquina de lavar reputações.

O problema é que jornalismo não é contabilidade de escândalos.

Não existe obrigação jornalística de encontrar um escândalo para cada escândalo. Não é porque há investigação contra Lulinha que qualquer questionamento envolvendo Flávio Bolsonaro perde importância. Tampouco é porque Flávio enfrenta problemas que as suspeitas contra Lulinha devam ser ignoradas. Cada caso tem de ser examinado pelos seus fatos, provas, personagens e consequências.

O que causa estranheza é a insistência em transformar essa necessária distinção em uma falsa equivalência.

E há uma pergunta incômoda que deveria ser feita: por que, justamente quando aumentam as atenções sobre Flávio, a discussão sobre Lulinha passa a ocupar tanto espaço?

O próprio Flávio já percebeu a utilidade eleitoral dessa estratégia e passou a explorar publicamente o caso Lulinha enquanto tenta declarar o episódio Dark Horse “página virada”. A coincidência entre a estratégia do candidato e o enquadramento de parte da mídia merece, no mínimo, ser observada com lupa.

Até porque os fatos não desaparecem porque surgiu uma nova manchete.

Flávio pode falar em “página virada”. Pode apontar para Lulinha. Pode tentar transformar o adversário em espelho de suas próprias dificuldades. Mas isso não responde às perguntas que permanecem sobre o caso Dark Horse. E, sobretudo, não elimina a obrigação da imprensa de continuar cobrando explicações.

A comparação entre Flávio Bolsonaro e Lulinha, portanto, não é apenas uma questão de estilo jornalístico. Quando usada para atribuir pesos iguais a situações distintas, ela produz um efeito político concreto: dilui a responsabilidade de quem está sob pressão e transforma investigação em instrumento de compensação narrativa.

É a velha carcomida fórmula do “mas e o outro lado?”.

Só que democracia não funciona assim.

Se há suspeitas contra Lulinha, que sejam investigadas até o fim. Se houver crimes, que haja responsabilização. Mas, pelo mesmo princípio, se há questões envolvendo Flávio Bolsonaro, elas também precisam ser investigadas e cobradas até o fim — sem que Lulinha seja transformado em cortina de fumaça toda vez que o holofote ameaça iluminar o candidato da direita.

No fim, talvez o mais revelador não seja apenas aquilo que a mídia noticia.

É aquilo que ela escolhe colocar ao lado do que noticia — e, principalmente, aquilo que deixa de perguntar quando o assunto é Flávio Bolsonaro.


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O debate na Band teve a emoção de um jogo entre lanternas da Série B

O debate na Band despertou exatamente o mesmo nível de interesse de um jogo entre os dois últimos colocados da Série B numa noite de segunda-feira: pouca gente assistindo, quase ninguém comentando e uma parcela considerável do público perguntando se já estava na hora de começar a novela.

A expectativa até existia. Afinal, era debate eleitoral, candidatos frente a frente, promessas, ataques, réplicas e tréplicas. Mas, na prática, a sensação foi mais ou menos a de quem compra ingresso para uma final e descobre, na porta do estádio, que era treino coletivo.

Faltou aquela faísca capaz de fazer o eleitor largar o celular, a televisão e até o jantar para acompanhar cada minuto. Em vez de provocar discussões acaloradas no dia seguinte, o debate parecia disputar audiência com o ventilador, a geladeira e o próprio sono do telespectador.

Nas redes sociais, então, o cenário foi quase uma competição para ver quem conseguia resumir o evento em menos palavras. Teve gente comentando, claro. Mas também teve gente que só descobriu que o debate havia terminado porque apareceu a propaganda seguinte.

E não é pouca coisa: em plena corrida eleitoral, quando cada candidato deveria estar lutando para transformar segundos de televisão em votos, o debate conseguiu produzir uma espécie rara de efeito: ninguém parecia desesperado para saber quem ganhou.

Se política é emoção, estratégia e capacidade de mobilizar o eleitor, o debate da Band ficou devendo nos três quesitos. Foi menos “grande confronto eleitoral” e mais “amistoso de pré-temporada com portões fechados”.

No fim, a comparação com um jogo entre lanternas da Série B talvez ainda seja generosa. No futebol, pelo menos, sempre existe a possibilidade de sair um gol aos 47 do segundo tempo. No debate, o grande suspense parecia ser outro: quem seria o primeiro a desistir e mudar de canal.


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