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Petróleo e poder: Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

Por Bruno Fonseca – Agência Pública

Petróleo ou poder? Esses dois aspectos ficaram evidentes na fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando tentou justificar o ataque ilegal à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro durante o pronunciamento de quase uma hora feito no sábado, 3 de janeiro, na Flórida.

“Vamos reconstruir a infraestrutura de petróleo, o que vai custar bilhões de dólares. Isso será pago diretamente pelas empresas petrolíferas. Elas serão reembolsadas pelo que estiverem fazendo, mas tudo isso será pago, e vamos fazer o petróleo fluir como deveria […] Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão”, disse Trump, deixando esdruxulamente explícito o interesse dos EUA – e das empresas petrolíferas – em entrar na Venezuela.

Além de falar quase 20 vezes a palavra petróleo (oil, em inglês) Trump também sinalizou o que significa para os EUA destituir Maduro e decidir como o país deve ser governado: “A Venezuela tem muitas pessoas ruins lá dentro, muitas pessoas ruins que não deveriam liderar. Não vamos correr o risco de uma dessas pessoas assumir o lugar de Maduro […] Precisamos de países seguros ao nosso redor”, falou.

Para o economista e co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), Mark Weisbrot, essa dupla de palavras “petróleo e poder” explica o que motivou a ação ilegal dos EUA na Venezuela, mas também serve para ilustrar as visões dos dois homens que mais têm controle sobre a política externa dos EUA atualmente: o próprio Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

“Para Trump, trata-se de petróleo. Mas, para Marco Rubio, a questão é muito mais a mudança de regime […] E não se trata apenas de Cuba e Venezuela; eles querem transformar toda a região”, explica, em entrevista para a Agência Pública.

Weisbrot avalia que Rubio é um dos principais defensores do projeto de que os EUA interfiram cada vez mais em países da América Latina, sob a lógica da Doutrina “Donroe”, para destituir adversários e manter apenas os governos que sejam subservientes a Washington. Nesse plano, alvos prioritários seriam Cuba e Colômbia (cujo presidente foi ameaçado diretamente por Trump), mas Brasil e México também estão no radar – mesmo que seja improvável que os EUA atuem da mesma forma nesses países como fizeram na Venezuela.

“[Nas últimas décadas] Os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democráticos, incluindo o Brasil […] Eles não querem que nenhum país tenha poder. E isso também é verdade para [a relação dos EUA com] Lula. Eles não gostaram que Lula não se alinhasse com seu projeto geopolítico, que é um projeto de dominar todos os governos que eles possam”, analisa.

Leia a entrevista completa a seguir.

Na sua visão, qual é a motivação central por trás do ataque dos Estados Unidos? É o petróleo? A geopolítica internacional? Algum outro fator?

Para Trump, trata-se de petróleo. Ele afirmou isso repetidamente… Mas para Marco Rubio [secretário de Estado dos Estados Unidos], a questão é muito mais sobre mudança de regime: ele vê essa mudança como um passo rumo ao seu sonho de toda a vida de promover uma mudança de regime em Cuba.

Essa operação de mudança de regime na Venezuela já dura 25 anos; documentos do Departamento de Estado dos EUA de 2002 reconhecem o papel substancial dos Estados Unidos no golpe daquele ano [na época, uma tentativa fracassada de golpe tentou retirar o presidente Hugo Chávez do poder]. E isso tem muito mais a ver com poder do que com petróleo. E esses esforços de mudança de regime continuaram de forma ininterrupta até hoje.

Com as maiores reservas de petróleo do mundo, o que de fato poderia mudar para os Estados Unidos, em termos de acesso ao petróleo, caso se consolide uma mudança de regime na Venezuela?

Não acho que vá haver muito interesse imediato por parte das empresas petrolíferas americanas na Venezuela, porque a situação é instável demais, e o próprio governo Trump é muito instável no que diz respeito ao que pode fazer a seguir.

Por que os Estados Unidos não tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro, que desde o início disse que não queria um conflito?

Trump e seu enviado presidencial especial, Richard Grenell, de fato tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro; não está claro por que isso não teve sucesso, mas é possível que a pressão contínua de Rubio por uma mudança de regime e outras abordagens mais violentas façam parte da resposta.

Houve uma grande diferença entre Rubio e Trump nesse ponto. Trump estava interessado no petróleo, e Rubio queria mudança de regime. E assim, segundo relatos da imprensa, por exemplo, do New York Times – enquanto Trump oscilava entre tentar negociar um acordo petrolífero com Maduro ou tentar derrubá-lo – Rubio parecia estar, de acordo com relatos de pessoas que falaram com ele, tentando convencer Trump de que a melhor forma de obter o petróleo seria por meio de uma mudança de regime.

O quão central é para os EUA de Trump ter acesso a reservas adicionais de petróleo e gás?

Os Estados Unidos são exportadores líquidos de mais de 800 milhões de barris de petróleo por ano e, portanto, não precisam ter acesso ao petróleo venezuelano. Mas Trump não aceita que o clima global esteja, de fato, mudando como resultado dos combustíveis fósseis; por isso, por várias razões, ele busca aumentar a produção de combustíveis fósseis nos Estados Unidos.

Uma possível razão pela qual o acesso ao petróleo venezuelano poderia ser importante para Trump: é amplamente visto que Trump acumulou bilhões de dólares por ter sido presidente, um fenômeno sem precedentes nos Estados Unidos.

Assim, é concebível que Trump veja o petróleo como mais um grande investimento que poderia beneficiar a ele e à sua família.

Para além do petróleo, quão importante é para Trump afirmar influência na América Latina como parte de sua agenda geopolítica? Como a Doutrina “Donroe” e o confronto com a influência chinesa entram nessa ação?

Bem, para Rubio isso é realmente importante. E não se trata apenas de Cuba e Venezuela — ele e seus aliados na administração Trump e no Congresso querem transformar toda a região. Cuba e Venezuela são apenas parte dessa transformação.

É importante lembrar que, no século 21, em determinado momento da primeira década, a maior parte do Hemisfério Sul viveu sob governos de centro-esquerda, em sua maioria social-democratas. Alguns eram conhecidos como socialistas, mas, na prática, governaram como social-democratas.

Economicamente, os governos de centro-esquerda foram muito bem-sucedidos, reduzindo a pobreza na região de 44% para 28% entre 2002 e 2013, após 20 anos sem nenhum avanço nesse campo. Não é que o governo dos EUA fosse contra a redução da pobreza; ele simplesmente não queria tolerar a independência nacional de que os governos latino-americanos precisavam para produzir esses resultados. E isso é ainda mais verdadeiro hoje, com pessoas como Rubio e Trump no comando.

No século 21, os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democratas da América Latina, incluindo o Brasil.

Lula observou que o governo dos EUA trabalhou para ajudá-lo a ser preso em 2018, para que não pudesse concorrer à Presidência naquele ano. Eles também ajudaram e apoiaram o impeachment de Dilma. E eu poderia passar horas falando sobre todos os governos democraticamente eleitos na América Latina que os EUA tentaram derrubar apenas no século 21: incluindo o apoio a golpes de Estado que removeram presidentes na Bolívia, em Honduras e no Haiti; e que tiveram um enorme impacto negativo sobre democracias de centro-esquerda na Argentina, no Paraguai e em outros países.

Apenas algumas semanas atrás, eles inclusive interferiram na eleição hondurenha [no fim de 2025], com Trump dizendo de forma muito contundente que Honduras seria punida se o eleitorado não votasse no candidato escolhido por Trump. É claro que a administração Barack Obama também apoiou o golpe em Honduras em 2009.

Mas a Venezuela tem sido o principal alvo de mudança de regime na América Latina – e um dos principais alvos no mundo – durante a maior parte dos últimos 25 anos, com algumas exceções, como a guerra do Iraque.

E o país pagou um preço horrível por isso em termos de morte e sofrimento. As sanções dos EUA causaram a maior parte da pior depressão econômica em tempos de paz da história, na Venezuela, com dezenas de milhares de vidas perdidas apenas no primeiro ano das sanções de Trump, em 2017 e 2018; e muito mais do que isso nos anos de 2018 a 2022.

Trata-se de petróleo, mas muito mais de poder, porque a Venezuela, com 300 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, sempre será um país com influência. Em certo momento, na primeira década do século 21, ela estava fornecendo mais ajuda externa a países da América Latina do que os Estados Unidos. E é isso que o governo dos EUA não quer.

Eles não querem que nenhum país tenha o poder – sobretudo – de perseguir, especialmente em grupo, uma política externa independente dos Estados Unidos. E isso também tem sido verdadeiro na relação dos EUA com Lula. Eles não gostaram do fato de Lula não se alinhar ao projeto geopolítico deles, que é um projeto de dominação de todos os governos que conseguirem.

Trump afirmou, em uma entrevista à Fox News, que algo teria de ser feito em relação ao México, citando as atividades de grupos de tráfico de drogas. Quanta realidade você vê nessa ameaça?

Bem, Trump está ameaçando o México, não há dúvida quanto a isso; Rubio provavelmente veria Sheinbaum como um problema, porque ela é uma presidente independente e reconhece, assim como os outros governos independentes remanescentes da região, o quanto a soberania nacional é importante. Novamente, trata-se de poder.

Portanto, eles não a percebem como alguém do lado deles, mas ela tem sido cuidadosa em administrar sua relação com a administração Trump, e Rubio sabe que uma operação de mudança de regime ali seria difícil e potencialmente muito confusa. Ainda assim, eles ameaçaram realizar ações militares dentro do México, e nunca se sabe quando podem considerar útil, para seus próprios objetivos, fazer isso.


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EUA cercam Venezuela com maior poder militar já visto na América Latina

Escalada liderada por Donald Trump supera intervenções históricas e coloca a região diante do maior cerco militar norte-americano desde a Guerra Fria

O segundo semestre de 2025 entrou para a história como o período da maior mobilização militar dos Estados Unidos contra um país latino-americano – desde a crise dos mísseis de Cuba em 1962. Sob o comando do presidente Donald Trump, Washington concentrou no Caribe e no entorno da Venezuela um aparato bélico que supera, em poder de fogo e alcance estratégico, intervenções como as invasões de Granada e da Nicarágua nos anos 1980.

Porta-aviões, destróieres lançadores de mísseis, submarinos nucleares, caças de última geração e milhares de militares passaram a operar na região, em uma demonstração de força que rompe com o padrão histórico de pressões diplomáticas e sanções econômicas. Várias ilhas caribenhas hospedam esse aparato militar, que demonstra o tamanho do empenho e receio de Donald Trump em repetir os fracassos do Vietnã ou da invasão da Baía dos Porcos em Cuba.

Aumentando o risco de possíveis ataques contra a Venezuela, o presidente dos EUA declarou o espaço aéreo do país como “totalmente fechado”, sem dar maiores detalhes sobre o anúncio. Ao menos cinco aeronaves, incluindo caças Boeing EA-18G Growler e F/A-18E Super Hornet, sobrevoaram a região sem entrar no espaço aéreo de Caracas.

Mirando novamente o setor petrolífero da Venezuela, país detentor das maiores reservas do combustível fóssil ao redor do mundo, Trump anunciou nesta terça (16), um novo bloqueio marítimo, que busca impedir a entrada ou saída de navios sancionados pelos EUA na Venezuela. Segundo o Vermelho, um dia depois (17), um novo ataque “cinético letal” contra uma embarcação acrescentou mais vítimas às quase 100 pessoas já mortas desde setembro.

De sanções a ameaça militar aberta

A ofensiva ganhou intensidade após a posse de Nicolás Maduro para um novo mandato, em janeiro, contestado por Washington, apesar de todo o protocolo característico de uma democracia eleitoral. Trump classificou o presidente venezuelano como chefe de um suposto cartel de drogas e, na sequência, ampliou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à sua captura.

Na prática, a mudança criou precedentes para operações militares dos EUA em outros países, sob a justificativa de combater o terrorismo — como já aconteceu em países como o Afeganistão, Síria e Líbia, países que continuam desgovernados sob controle de facções em conflito, um risco calculado para a Venezuela.

O discurso rapidamente se traduziu em ações concretas. Desde agosto, os EUA iniciaram ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico sob a alegação de combate ao narcotráfico, sem apresentação pública de provas. Em paralelo, retomaram sanções duras contra o setor petrolífero venezuelano, principal fonte de receitas do país.

A lógica do “narcoterrorismo”

O ponto de inflexão foi a adoção oficial, pelo governo Trump, de uma doutrina que classifica organizações ligadas ao tráfico de drogas como “terroristas internacionais”. A mudança abriu brechas legais para o uso direto da força militar fora do território norte-americano, replicando métodos aplicados anteriormente nos países do Oriente Médio mencionados.

Ao associar o governo Maduro ao chamado “narcoterrorismo”, Washington passou a justificar bloqueios navais, apreensão de petroleiros e bombardeios seletivos como parte de uma suposta guerra global ao terrorismo.

Bloqueio naval e cerco ao petróleo

Em dezembro, Trump anunciou um bloqueio marítimo contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela, além de declarar o país “completamente cercado pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. A medida elevou drasticamente o risco de confronto direto entre forças norte-americanas e venezuelanas.

Como resposta, Caracas passou a escoltar seus navios com a Marinha nacional e denunciou os EUA no Conselho de Segurança da ONU por violação do direito internacional e prática de “pirataria naval”. Enquanto Caracas chegou a arrecadar mais de 100 bilhões de dólares (R$ 552 bilhões) por ano com petróleo, hoje o valor fica em cerca de 20 bilhões de dólares (R$110 bilhões). Embora tenha a maior reserva do combustível, a produção venezuelana represente cerca de 1% da produção global.

Segundo o presidente republicano, a Venezuela está atualmente “cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. Por isso, o cerco contra o país só deve ser encerrado quando o “petróleo, terra ou quaisquer outros ativos” norte-americanos forem devolvidos. Até o momento, contudo, a administração Trump ainda não deixou claro sobre bens dos EUA que teriam sido apropriados pelo governo Maduro.

Reações internacionais e risco regional

A mobilização norte-americana provocou reações imediatas. Rússia e China declararam apoio à Venezuela e alertaram para consequências imprevisíveis. Além dos aliados, a ONU e os governos do México e da Alemanha também se pronunciaram na quarta-feira. A ONU pediu desescalada, enquanto países do Caribe demonstraram preocupação com a transformação da região, historicamente declarada “zona de paz”, em um novo palco de confrontação militar.

Especialistas alertam que a presença simultânea de grandes frotas navais em águas estreitas aumenta o risco de incidentes que podem servir de estopim para um conflito aberto.

Autoridades do Caribe, que dependem de parcerias de segurança com os EUA para combater o tráfico de armas e drogas, expressaram preocupação de que os ataques possam prejudicar suas economias e o turismo, embora admitam nos bastidores que pouco podem fazer para impedi-los.

O ponto mais próximo de Trinidad Tobago fica a apenas 11 km da costa da Venezuela, e seu governo está hospedando fuzileiros navais dos EUA, permitindo a instalação de um sistema de radar em um de seus aeroportos e participando de exercícios militares conjuntos com forças americanas. O primeiro ataque relatado em setembro deixou 11 mortos na costa de Trinidad. “As Forças Armadas dos EUA deveriam matá-los a todos violentamente,” diz a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, embora a violência em seu país seja alimentada por armas contrabandeadas dos EUA, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O presidente dominicano Luis Abinader também autorizou as Forças Armadas dos EUA a operarem em áreas restritas de seu país. Aeronaves militares dos EUA podem reabastecer e transportar equipamentos e pessoal técnico, disse ele em uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na capital dominicana no mês passado. “Dominicanos, nosso país enfrenta uma ameaça real, uma ameaça que não reconhece fronteiras, que não distingue bandeiras, que destrói famílias e que vem tentando usar nosso território como rota há décadas”, declarou.

Porto Rico é um território ocupado pelos EUA, não uma nação independente. Foi usado durante toda a Guerra Fria para apoiar ações militares dos EUA na América Central e do Sul, e voltou à ativa nas últimas semanas com intensa movimentação militar.

Washington abordou Granada para solicitar a instalação temporária de equipamentos de radar e pessoal técnico associado em um aeroporto internacional. O pedido causa polêmica no país que já foi invadido pelos EUA em outubro de 1983, após o assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop, um revolucionário socialista. O aeroporto batizado com o nome do líder assassinado, seria o local da instalação do radar dos EUA.

Mais grave que Granada e Nicarágua

Mesmo nos momentos mais tensos da Guerra Fria, como a invasão de Granada ou o apoio armado dos EUA contra a Nicarágua sandinista, Washington não concentrou tamanho poder de fogo de forma tão explícita e prolongada no entorno de um único país latino-americano.

Agora, com ataques letais, bloqueios navais e ameaças públicas de guerra, a ofensiva contra a Venezuela marca um novo patamar de intervenção, recolocando a América Latina no centro da estratégia militar global dos Estados Unidos — e reacendendo memórias históricas de um continente repetidamente tratado como zona de influência e não como região soberana.


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Casa Branca anuncia ‘Operação Lança do Sul’ contra narcotráfico na América Latina

Nicolás Maduro alerta para riscos de invasão norte-americana na Venezuela; anúncio ocorre após chegada do maior porta-aviões do mundo na região

O governo Trump anunciou nesta quinta-feira (13/11) a “Operação Lança Sul” alegando o combate ao narcotráfico na América Latina. A ofensiva ocorre em meio à escalada militar do país no Caribe e a chegada do maior porta-aviões do mundo na região.

A operação será realizada a partir do Comando Sul das Forças Armadas, que gerencia as ações militares dos Estados Unidos em 31 países da América do Sul, América Central e Caribe.

Sem revelar detalhes, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, publicou na plataforma X, que o objetivo é “defender o território [dos EUA], retirar narcoterroristas do Hemisfério e proteger o país das drogas que estão matando” a população.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro acusou Washington de tentar depô-lo para instalar um governo subordinado aos Estados Unidos, visando controlar os recursos naturais do país.

Ele se reuniu com jovens venezuelanos e denunciou a “campanha de pressão política, militar e psicológica” liderada pela Casa Branca e pela Agência Central de Inteligência (CIA) para justificar uma intervenção no país.

‘Escravo de gringo?’
Maduro afirmou que os EUA “ameaçam a Venezuela com uma invasão” e perguntou aos jovens venezuelanos: “quem quer ser escravo gringo? Quem quer que a Venezuela se torne uma colônia?”. Ele também defendeu que a juventude fortaleça os “comitês territoriais” e avance no “mapa dos sonhos” das comunidades, exaltando o papel do poder popular em seu governo.

Nesta quarta-feira (12/11), o líder venezuelano denunciou que os Estados Unidos e a CIA estão realizando “uma campanha” para desacreditar seu governo e “justificar qualquer coisa” contra a nação bolivariana.

No início de outubro, Trump admitiu ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas em território venezuelano, algo que Caracas descreveu como parte de uma estratégia de agressão. “A CIA conspira contra nós há décadas”, disse Maduro, evocando casos de ingerência desde os tempos de Hugo Chávez.

*Opera Mundi


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Milei: o sicário do imperialismo estadunidense na América Latina

Javier Milei se posiciona hoje como o governante mais nocivo para os povos latino-americanos em toda a nossa história, principalmente se conseguir cumprir a missão que lhe foi confiada.

Em novembro do ano passado, a revista The Economist deu início a uma operação propagandística com o objetivo de apresentar Javier Milei ao mundo – em especial aos latinos e sul-americanos – como um herói do povo argentino. Foram uma entrevista especial, um artigo de opinião do punho do presidente argentino e três podcasts em seu site louvando o “milagre econômico” causado por sua terapia neoliberal.

Pouco depois, a publicação dos banqueiros britânicos inseriu a Argentina no top 5 de “países do ano”, entre os que supostamente mais melhoraram. “Pode ganhar nosso prêmio pela reforma econômica” – anunciou a revista –, que “deu resultado: a inflação e os custos dos empréstimos caíram, e a economia começou a crescer novamente no terceiro semestre”.

Pobreza, desemprego, carestia
Mas a revista não disse nada sobre o aumento assombroso da pobreza, da miséria e da fome. Em seis meses de governo Milei, 53% dos argentinos já eram considerados pobres (o pior índice em mais de 20 anos). Para fins de comparação, em meados de 2022 esse índice era de 36,5% e em meados de 2023 era de 40%. Dois terços dos menores de 14 anos são pobres, enquanto 18% da população vive hoje na indigência.

Os aposentados na pobreza passaram de 17,2% para 30,8% nos primeiros seis meses de gestão Milei, de acordo com pesquisadores acadêmicos – que afirmam ainda que a pobreza afeta até mesmo os trabalhadores plenamente empregados, em 38%. Antes os aposentados e os empregados formais “gozavam de certo tipo de proteção diante da pobreza”, dizem os pesquisadores. “Agora estão vendo piorar suas condições de vida e se veem atingidos pela pobreza.”

Todos os dias, centenas de argentinos enfrentam filas enormes para cruzar a fronteira com o Brasil para poder comprar produtos básicos à metade do preço. “Somos de classe média e sempre vivemos bem, mas agora ficou complicado”, disse uma senhora à reportagem do canal C5N, nos limites com Foz do Iguaçu. “Na Argentina está impossível, não dá nem para comprar bife”, afirmou um homem. As pessoas vêm ao Brasil comprar frutas, verduras, frango, carne bovina e até mesmo arroz e feijão. “Um quilo de arroz na Argentina vale o mesmo que três quilos de arroz no Brasil”, declarou outra mulher. Quando o repórter perguntou desde quando ela enfrenta essa situação, seu marido respondeu: “desde que Milei entrou.”

Trata-se de uma política de terra arrasada. Segundo o INDEC, o índice de produção industrial manufatureira é negativo e caiu mais de 10% entre janeiro e novembro de 2024 comparado com o mesmo período de 2023. A área da construção teve uma redução ainda mais assustadora: 23,6% em um ano, enquanto o setor metalúrgico diminuiu 12% entre meados de 2023 e meados de 2024 – com uma queda de 17% na produção de maquinário e outros 17% na fundição. Em um evento com industriais, o governador de Buenos Aires, Axel Kiciloff, disse que a capacidade instalada da indústria “está na metade”.

Submissão ao imperialismo
Milei está entregando a economia argentina para o capital estrangeiro – particularmente o imperialismo. Na semana passada, ele privatizou a Impsa, uma das mais importantes companhias do país, com quase 700 funcionários que participam em projetos-chave nos setores hidrelétrico, nuclear, petrolífero, gasífero e eólico. Quem comprou a empresa foi a estadunidense ARC Energy, de propriedade de financiadores da campanha de Donald Trump.

O novo ocupante da Casa Branca, por sua parte, é um defensor do protecionismo da indústria norte-americana e quer os Estados Unidos “grandes novamente”. Milei também tem se mostrado um protetor das empresas dos EUA e que quer ver os EUA tão grandes que ocupem a Argentina, ao que parece. Outro exemplo é a concessão da Hidrovía Paraná-Paraguay, administrada em conjunto por uma empresa belga e outra argentina até 2021, quando passou para as mãos do Estado. Milei abriu uma nova concessão no final do ano e retirou a possibilidade dos chineses vencerem a licitação (sendo os favoritos para tal) ao impedir que ela fique em mãos de empresas estatais. A rota é responsável por 80% das exportações da Argentina e um ativo geopolítico estratégico para os Estados Unidos, que já está bem posicionado naquela zona através da DEA – e também no Ushuaia, graças ao estabelecimento de uma “base naval conjunta” anunciada por Milei após reunião com o Comando Sul dos EUA na Patagônia em abril.

*Arte: diodotus / DeviantArt

*Diálogos do Sul

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Mundo

A geopolítica na América Latina e os ataques contra a Venezuela

O resultado das eleições presidenciais na Venezuela, reelegendo o presidente Nicolás Maduro (PSUV), movimentou todo o aparato da mídia burguesa internacional. A narrativa de que as eleições foram fraudadas é reproduzida a todo instante nos meios de comunicação alinhados com o neoliberalismo e a política externa dos Estados Unidos.

O ataque ao processo democrático da Venezuela não é fortuito, ele é parte da estratégia imperialista dos EUA para dominar politicamente e militarmente o território latino-americano. Segundo dados da própria CIA, a agência de inteligência dos EUA, a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo. A tentativa de intervencionismo no processo político, tem como objetivo desestabilizar o governo Maduro e obter o controle geopolítico das reservas de petróleo por representantes presidenciais alinhados a política privatista, neoliberal e submissa aos interesses dos EUA.

A política adotada pelo governo Maduro segue as diretrizes do programa da Revolução Bolivariana, iniciada por Hugo Chávez, em 1999, que rompe com a doutrina neoliberal, nacionaliza as reservas e a produção de petróleo. E distribui a riqueza gerada por meio de políticas públicas, elevando a dignidade do povo venezuelano com a ampliação e garantia de direitos. Além disso, a Revolução Bolivariana é marcada por uma forte atuação política internacional, de forma solidária, que aposta na integração das nações latino-americanas e no rompimento da submissão à política externa norte americana.

EUA tem interesse no petróleo do país
As contestações da oposição aos resultados eleitorais sempre ocorreram na Venezuela, desde as vitórias de Chavez. Porém, nunca conseguiram apresentar provas que atestassem uma possível irregularidade. E, ao contrário do que diz a oposição, centenas de observadores internacionais do processo eleitoral atestam que há plena segurança, transparência e respeito à legislação venezuelana.

Golpe lá e cá

No Brasil, também temos tido contestações daqueles candidatos neoliberais derrotados nas urnas. Em 2014, Aécio Neves reivindicou recontagem dos votos, o que abriu um clima para o golpe em 2016 contra Dilma Roussef. Em 2022, Bolsonaro não aceitou o resultado eleitoral e tentou um processo golpista, tendo como marco o atentado em 8 de janeiro de 2023.

Todos esses ataques à democracia tiveram a mídia burguesa como principal articuladora. A ação orquestrada para deslegitimar a vontade popular do povo venezuelano é mais um golpe conduzido pela política imperialista dos EUA. A solidariedade e defesa da revolução bolivariana é um dever, nestes tempos, daqueles que defendem uma América Latina mais justa e soberana.

*Brasil de Fato

*Charge: Nando Motta

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Política

Lula e o Santos-Guarujá: como vai funcionar o primeiro túnel submerso da América Latina

O empreendimento prevê uma ciclovia, passagem para pedestres e três faixas de rolamento por sentido, sendo uma adaptável ao VLT; tempo de travessia entre as cidades deve diminuir 50 minutos.

Esperado há pelo menos 100 anos, o túnel que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá vai sair das pranchetas para virar realidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) divulgaram nesta sexta-feira (2) a parceria para a execução das obras do primeiro túnel imerso da América Latina, diz O Globo.

Serão três faixas de rolamento por sentido, além de uma ciclovia e passagem para pedestres — Foto: Divulgação

O projeto prevê a ligação seca entre Santos e Guarujá, com extensão total de 1,5 km, por meio de um túnel imerso de 870 metros, que passará por baixo do canal que abriga o porto mais movimentado do Brasil. Serão três faixas de rolamento por sentido, sendo uma adaptável para receber o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de uma ciclovia e passagem para pedestres.

Via para pedestres será compartilhada com a ciclovia — Foto: Divulgação

O desafio para construir o túnel submerso é grande: serão seis módulos pré-moldados com concreto armado, a uma profundidade mínima de 21 metros. Eles serão construídos em uma doca seca e transportados por flutuação até o local onde o leito do canal será preparado. Assim, os módulos serão imersos, encaixados e fixados para concluir a estrutura, sem interromper o tráfego de navios no canal.

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Justiça

Anulação de provas da Odebrecht por Toffoli atingirá casos nos EUA e América Latina

Toffoli estendeu anulação de provas da Odebrecht a ex-controlador-geral do Equador acusado de lavagem de dinheiro nos EUA.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão que deve impactar um caso aberto na Justiça dos Estados Unidos contra um ex-integrante do governo equatoriano.

Em despacho sigiloso, ao qual a coluna teve acesso, Toffoli estendeu a Carlos Pólit, ex-controlador-geral do Equador suspeito de receber propinas da empreiteira, a anulação das provas apresentadas no acordo de leniência da Odebrecht. Ele responde a uma acusação por lavagem de dinheiro nos EUA envolvendo a empreiteira e já foi condenado no Equador.

Toffoli já aplicou o mesmo entendimento em favor de estrangeiros processados também no Peru e no Panamá. No Brasil, o ministro vinha derrubando as provas da leniência da Odebrecht em diversos processos, caso a caso, e em setembro ordenou uma anulação ampla, geral e irrestrita desse material.

Esse histórico indica a possibilidade de que outros alvos de ações abertas a partir das delações da Odebrecht em outros países também venham a ser beneficiados. Os delatores da empreiteira citaram crimes de corrupção no Brasil e outros 11 países.

O material anulado como prova contra Carlos Pólit, assim como nos outros casos, inclui os sistemas Drousys e MyWebDay B, usados pelo “departamento de operações estruturadas” da empreiteira para registrar e gerir pagamentos ilícitos a políticos e autoridades. O equatoriano Pólit foi implicado na delação de José Conceição dos Santos, ex-diretor da Odebrecht no Equador, que lhe atribuiu recebimento de propinas entre 2010 e 2015.

 

 

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Vivaldo Barbosa: O mundo pede Lula já

O povo brasileiro se recuperou, se recompôs e está escrevendo um dos momentos mais bonitos da nossa história. Reassumiu sua condição cívica e patriótica, retomou seu veio ético.

Diante das tensões que pairam sobre todos e das ameaças que lançam, dos últimos dias para cá muitos estão pensando e procurando decidir isto já, o quanto antes, para retomar a paz e a tranquilidade.

E há outras razões.

O mundo está vivendo situação de guerra, delicada e perigosa. Surgiu a OTAN como aliança militar a querer tudo controlar, em estreita ligação com os interesses do Império. Em vez de aliança para produção de alimentos contra a fome, em defesa da saúde da humanidade, moradia, trabalho, surge aliança para produção de armamentos, para a guerra.

O conflito entre Rússia e Ucrânia, lamentável em todos os sentidos, pois o mundo deseja viver em paz, assume um momento delicado, perigoso. Até ameaças nucleares ressurgem. Nesta hora delicada do mundo, o Brasil não pode ser guiado pela mediocridade, incompetência, sem compreensão dos acontecimentos, sem liderança de respeito. É preciso o Brasil ter liderança definida o quanto antes para entrar nesse diálogo.

Por outro lado, é crescente a articulação dos interesses dos países do outro lado do mundo, nas regiões de Ásia e Eurásia, como acabamos de acompanhar nos encontros de Vladivostoki e na cidade histórica de Samarcanda, no Uzbequistão, em que dezenas de nações discutiram seus destinos e interesse face à situação atual do Império e da OTAN. E o Brasil, desinteressado, sem compreender seu papel e sem defender nossos interesses, de tudo está fora, governado pela mediocridade.

O Brasil é importante no mundo, não pose fugir do seu papel, tem o dever de procurar entender o que acontece e atuar na sua dimensão. Ainda mais agora, com governos na América Latina de natureza popular e que estão a procurar definir seus interesses, o Brasil tem muito a ver na articulação com todos.

Todos nós sabemos, o mundo todo sabe o papel que Lula tem para um posicionamento digno e construtivo no mundo que vive esta complexidade. Sabemos do papel de Lula na América Latina, na nossa relação com a África, em nosso diálogo histórico com o Ocidente e com esses blocos que estão a se definir diante das condições atuais.

Por isso, o povo brasileiro, já recomposto e já se vendo como Nação de respeito, está fazendo seu segundo movimento importante e belo diante da história: nós estamos colocando Lula no mundo. Sabemos o que isto significará para a humanidade.

E tem que ser agora, é pra já. No dia 2 de outubro. Todo o Brasil e o mundo ao saber que Lula é o novo líder do Brasil, um alívio geral vai perpassar na mente e corações de todos. Melhor, ainda, Lula vai começar a falar ao povo brasileiro e ao mundo. Um valor mais elevado se levantará.

Lula agora, prá já!

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Economia

Brasil de Bolsonaro tem o pior crescimento da América da América Latina, atrás até do Haiti

Cepal: Brasil de Guedes & Bolsonaro será o lanterninha do crescimento na AL em 2022. Vai crescer menos que o Haiti: 0,4% X 0,6%. Uma virtuosa combinação de investimento público mínimo, c retorno máximo para o acionista.

Salário médio?  Há 26 meses sem ganho real.

  • CEPAL prevê que Brasil terá a pior taxa de crescimento da América Latina em 2022:
  • Panama: 6.3%
  • Venezuela: 5%
  • Colombia: 4.8%
  • Guatemala: 4.2%
  • Uruguay: 3.9%
  • Bolivia: 3.5%
  • Cuba: 3.4%
  • Argentina: 3%
  • Peru: 2.5%
    Mexico: 1.7%
  • Chile: 1.5%
  • Haiti: 0.6%
  • Brasil: 0.4%
    https://cepal.org/sites/default/

Imagem

*Com Forum21

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Política

New York Times: EUA terão dificuldades para dominar América Latina após vitória de Lula

O New York Times, porta-voz de interesses imperialistas, escreveu nesta terça-feira (4) que a guinada da América Latina à esquerda deve “minar” a influência regional dos Estados Unidos, favorecendo o seu maior rival geopolítico, a China.

As vitórias de Gabriel Boric (Chile) e Xiomara Castro (Honduras), e o favoritismo de Gustavo Petro (Colômbia) e de Lula (Brasil), que recebeu amplo destaque na matéria, devem ainda prejudicar o isolamento promovido pelos EUA sobre regimes considerados “autoritários”, como Venezuela, Nicarágua e Cuba.

A publicação cita exclusivamente analistas de universidades estrangeiras: “Os ganhos da esquerda podem impulsionar a China e minar os Estados Unidos enquanto competem por influência regional, dizem os analistas, com uma nova safra de líderes latino-americanos que estão desesperados por desenvolvimento econômico e mais abertos à estratégia global de Pequim de oferecer empréstimos e investimentos em infraestrutura. A mudança também pode tornar mais difícil para os Estados Unidos continuar a isolar regimes autoritários de esquerda na Venezuela, Nicarágua e Cuba”.

*Com informações do 247

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