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Brasil Mundo

Brasil rejeita proposta dos EUA em terras raras e quer evitar ser fornecedor de matéria prima

Governo Lula aposta em um pacto bilateral, considera que são os americanos que precisam de minérios e exige investimentos em processamento

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não irá aceitar a proposta dos EUA no setor de terras raras para a criação de uma reserva de mercado aos americanos. A avaliação é de que o projeto submetido nesta semana limita a autonomia do país na administração e destino dos minérios e perpetua uma assimetria no setor considerado como estratégico.

Nesta semana, o governo Trump apresentou a cerca de 50 países a ideia do lançamento de uma aliança para conter o peso da China no setor de terras raras e criar um mercado preferencial entre fornecedores e o mercado americano.

O ICL Notícias revelou com exclusividade o rascunho da proposta apresentada por Washington e que foi enviada ao Brasil.

Em resumo, a Casa Branca queria um compromisso dos governos para que as reservas no Brasil e em outros locais sejam preservadas para o consumo dos EUA.

Um segundo aspecto é a garantia de que esses países, inclusive o Brasil, não privilegiem o comércio com a China.

A Argentina aceitou, assim como outros 13 países. Mas, para o governo brasileiro, tal proposta “não faz sentido”. O que Brasília quer saber é o que os EUA têm a oferecer e insiste que “não está desesperado”.

O governo considera que é o Brasil que tem os minerais cobiçados pelos EUA e que quer evitar uma relação assimétrica na qual o país se limitaria a ser um vendedor de matéria prima.

Para o Palácio do Planalto, a aposta é que o setor de minérios será tão estratégico que os investidores vão buscar um equilíbrio para também atender às demandas do país onde estão as reservas.

Entre os pontos centrais do pacto está a criação de um sistema de controle de preços, a garantia de que barreiras não serão estabelecidas e que um acesso seja estabelecido às reservas do país que aceite o entendimento com a Casa Branca.

Segundo o pacto:

Os Participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

Há ainda o compromisso de que haja um licenciamento acelerado das zonas de exploração:

Os Participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

Um dos trechos ainda revela o compromisso dos governos “parceiros” em mapear suas reservas e fornecer os dados aos EUA.

“Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos”, afirma o acordo.

Opção bilateral
O governo brasileiro admite que, durante o encontro entre Lula e Trump em março na Casa Branca, o tema será colocado sobre a mesa pelos EUA. O Brasil já indicou que está disposto a dialogar. Mas desde que não seja nessas bases. O governo ainda não quer que esse tema seja usado como barganha para a retirada de tarifas contra produtos brasileiros que o Itamaraty consideram que são injustificadas.

Além disso, o Brasil quer garantias de que haja um fluxo de investimentos no país para evitar que a economia nacional seja apenas fornecedora de matéria-prima para a produção de alta tecnologia dos EUA.

Sem a possibilidade de aceitar o pacote apresentado nesta semana, o Itamaraty quer apostar num acordo bilateral.

Nesse aspecto, a ideia é a de criar uma situação na qual os americanos poderiam investir, processar e comprar os frutos do processamento. E não apenas levar os minérios e, depois, revender ao Brasil tecnologia.

O Brasil ainda quer manter seu direito de colocar barreiras para impedir a exportação de minérios.

No acordo comercial entre o Mercosul e a UE, por exemplo, o bloco sul-americano se reservou o direito de impor taxas para evitar o fluxo para fora do país, caso considere necessário e estratégico para a política industrial.

Acordo com Índia
Enquanto negocia com os EUA, o governo brasileiro costura um acordo no setor de terras raras com a Índia. O pacto pode ser assinado durante a visita do presidente Lula ao país asiático, na próxima semana.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mídia

Brasil recebe aviões russos para 1º encontro em mais de uma década

Reunião da Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil – Rússia nesta semana será a 1ª desde 2015; Governo Lula quer aprofundar relação comercial e científica com Moscou

ela primeira vez em onze anos, Brasil e Rússia realizam uma reunião da alta cúpula de seus governos para aprofundar as relações em setores considerados como estratégicos. No próximo dia 5, o primeiro-ministro da Rússia e oito ministros de estado estarão na capital do país para encontros com o governo Lula.

A reunião ocorre num momento em que o Brasil tenta ampliar suas relações com outros parceiros pelo mundo, diante da ofensiva de Donald Trump tanto na América Latina como na redefinição da ordem mundial.

A dimensão da aproximação exigiu que o Kremlin enviasse ao Brasil várias aeronaves oficiais. A primeira desembarcou na quinta-feira, gerando especulações por parte da imprensa. O ICL Notícias apurou que o jato trazia limusines blindadas que serão usadas pela delegação russa durante os encontros com o Brasil. Outro avião deve chegar ainda neste domingo e o restante nos próximos dias.

Em todos os casos, os jatos têm feito um trajeto para evitar o território europeu, temendo algum tipo de sanções ou confiscos, casos tenham de realizar um pouso forçado.

A última reunião da Comissão de Alto Nível ocorreu em 2015. Em 2024, uma comissão de cooperação chegou a se encontrar em Moscou. Mas as delegações eram compostas apenas por vice-ministros. Agora, além do chefe de governo, a comitiva russa ainda conta com chefes de agências governamentais e empresários.

O presidente Vladimir Putin, alvo de um mandado internacional de prisão pelo Tribunal Penal Internacional, não tem saído da Rússia para países que fazem parte da corte. Mas, desde que assumiu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido ligações telefônicas com o Kremlin e chegou a visitar Moscou.

A última conversa ocorreu em meados de janeiro. Agora, o encontro em Brasília será copresidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

Na pauta, Brasil e Rússia vão buscar formas para ampliar o comércio, a cooperação científica e tecnológica.

Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países foi de US$ 10,9 bilhões. Em 2024, a corrente de comércio chegou a ser de US$ 12 bilhões e a Rússia se transformou no oitavo maior parceiro do país. Mas com quase US$ 11 bilhões de vendas russas ao mercado brasileiro, principalmente fertilizantes e diesel.

Trump tem feito pressão sobre países que importam combustível da Rússia, alegando que estariam alimentando a capacidade de o Kremlin financiar sua própria guerra. A acusação também é direcionada contra a Europa que, ao longo dos últimos anos, continuou a importar gás russo.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Trump irá propor acordo para ter acesso às terras raras no Brasil e parceiros

Proposta será examinada pelo governo Lula, mas Palácio quer evitar se comprometer com um pacto que seja visto como instrumento para isolar a China

O governo de Donald Trump irá apresentar, nesta quarta-feira, um pacto para cerca de 20 países, com o objetivo de tentar isolar a China no comércio e fornecimento global de terras raras e assegurar para a economia americana um abastecimento desses minérios estratégicos. O ICL Notícias obteve o rascunho do acordo e que será também submetido ao governo Lula.

A reportagem apurou que a delegação brasileira, que estará presente ao encontro em Washington, não assumirá qualquer compromisso de imediato e encaminhará a proposta da aliança para o Itamaraty, Palácio do Planalto e outros ministérios.

O Brasil quer evitar fazer parte de uma iniciativa que posicione o país num dos eixos da disputa do poder no mundo.

Além dos EUA, farão parte do encontro os governos europeus, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Índia e outros.

Entre os pontos centrais do pacto está a criação de um sistema de controle de preços, a garantia de que barreiras não serão estabelecidas e que um acesso seja estabelecido às reservas do país que aceite o entendimento com a Casa Branca.

Segundo o pacto:

Os Participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

Há ainda o compromisso de que haja um licenciamento acelerado das zonas de exploração:

Os Participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

Um dos trechos ainda revela o compromisso dos governos “parceiros” em mapear suas reservas e fornecer os dados aos EUA.

“Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos”, afirma o acordo.

O governo brasileiro admite que, durante o encontro entre Lula e Trump em março na Casa Branca, o tema será colocado sobre a mesa pelos EUA. O Brasil já indicou que está disposto a dialogar. Mas não quer que esse tema seja usado como barganha para a retirada de tarifas contra produtos brasileiros que o Itamaraty consideram que são injustificadas.

Além disso, o Brasil quer garantias de que haja um fluxo de investimentos no país para evitar que a economia nacional seja apenas fornecedora de matéria-prima para a produção de alta tecnologia dos EUA.

Leia o texto completo do rascunho do acordo, circulado entre diplomatas:

Para garantir o abastecimento na mineração e processamento de minerais críticos e terras raras

Considerando que os minerais críticos são essenciais para a produção de tecnologias avançadas;

Considerando que os Estados Unidos da América (os “Estados Unidos” ou “EUA”) e [País X](coletivamente, os “Participantes”) pretendem apoiar o fornecimento de minerais críticos brutos e processados cruciais para as indústrias comerciais e de defesa de ambos os países;

Considerando que os Participantes planejam alcançar esse objetivo por meio do uso de instrumentos de política econômica e investimentos coordenados para acelerar o desenvolvimento de mercados diversificados, líquidos e justos para minerais críticos;

Considerando que o objetivo dos Participantes é auxiliar ambos os países a alcançar resiliência e segurança das cadeias de suprimento de minerais críticos, incluindo mineração, separação e processamento;

Considerando que os Participantes pretendem capitalizar suas respectivas operações domésticas existentes de mineração e processamento de minerais críticos, bem como a nova capacidade a ser desenvolvida.

Portanto, os Participantes chegaram ao seguinte entendimento sobre uma política comum estrutura para a mineração e o processamento de minerais críticos.

Seção I

Minerais Críticos

1. Garantia de Abastecimento:

Os Participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

2. Investimento em Mineração e Processamento:

Os Participantes comprometem-se a mobilizar o apoio dos setores público e privado, incluindo despesas de capital e operacionais por meio de garantias, empréstimos, investimentos em ações, finalização de contratos de fornecimento, seguros ou facilitação regulatória.

a. Seleção de Projetos: Os Participantes pretendem identificar conjuntamente projetos de interesse para preencher lacunas nas cadeias de suprimentos prioritárias. Financiamento: Dentro de seis meses a partir da data deste Acordo-Quadro, os Participantes pretendem tomar medidas para fornecer financiamento significativo a projetos localizados em cada país, com expectativa de gerar produtos finais para entrega a compradores nos Estados Unidos e [País X].

c. Apoio ao Investimento: Os Participantes pretendem trabalhar em conjunto para desenvolver mecanismos novos ou personalizados para fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos e terras raras.

3. Licenciamento: Os Participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

4. Mecanismos de Preços: Os Participantes pretendem trabalhar para proteger seus respectivos mercados nacionais de minerais críticos e terras raras de políticas não mercantis e práticas comerciais desleais.

Isso inclui a adoção de sistemas baseados em padrões que permitam o livre comércio dentro de uma estrutura de preços, como preços mínimos ou medidas similares. Os Participantes também pretendem colaborar com parceiros internacionais para desenvolver uma estrutura global para abordar os desafios de precificação associados.

5. Venda de Ativos: Os Participantes comprometem-se a desenvolver ou fortalecer as autoridades e ferramentas diplomáticas para analisar e impedir a venda de ativos de minerais críticos e terras raras por motivos de segurança nacional.

6. Sucata e Reciclagem: Os Participantes comprometem-se a investir em tecnologia de reciclagem de minerais e a trabalhar em conjunto para garantir a gestão de sucata de minerais críticos e terras raras para apoiar a diversificação da cadeia de suprimentos.

7. Cooperação com Terceiros: Os Participantes pretendem colaborar com terceiros, conforme apropriado, para garantir a segurança da cadeia de suprimentos e utilizar os mecanismos de engajamento existentes.

8. Mapeamento Geológico: Os Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos.

Seção II

Disposições Gerais

1. Análise Pós-Projeto: Espera-se que as autoridades competentes dos Participantes realizem a análise e implementação pós-projeto. O conteúdo específico da análise pós-projeto deve ser desenvolvido entre os Participantes, de acordo com suas respectivas leis nacionais. Reuniões: Os Participantes pretendem se reunir, virtualmente ou presencialmente, mediante solicitação por escrito do outro Participante, dentro de 10 dias após o recebimento da solicitação.

3. Descontinuação: Qualquer Participante poderá descontinuar sua participação neste Quadro mediante notificação por escrito ao outro Participante. Na ausência de notificação em contrário, qualquer descontinuação entrará em vigor no trigésimo dia após a data de recebimento da notificação por escrito.

4. Caráter Não Vinculativo: Este Quadro estabelece uma política e um plano de ação programático que não constituem ou criam direitos ou obrigações sob a lei nacional ou internacional, não dão origem a qualquer processo legal e não constituem ou criam quaisquer obrigações juridicamente vinculativas ou executáveis, expressas ou implícitas.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

EUA mapeiam minérios raros no Brasil e costuram aliança contra China

Reunião convocada por Trump com cerca de 20 aliados tem objetivo de isolar a China e criar sistema internacional de preços. Brasil ainda não confirmou presença

O governo de Donald Trump nos EUA convocou alguns dos seus principais aliados e economistas de peso para uma reunião sobre terras raras em Washington com o objetivo de construir uma aliança contra a China. O Brasil ainda não confirmou sua participação, ainda que tenha sido convidado. Enquanto isso, a diplomacia americana se lança na identificação das reservas de minérios estratégicos em território nacional.

Nesta quarta-feira, cerca de 20 países estarão na Casa Branca em um encontro que será liderado pelo chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio. O objetivo é anunciar a criação de um mecanismo que estabeleça um preço mínimo de importação para o comércio de terras raras, assim como deixar as portas abertas para legitimar a imposição eventual de tarifas.

Com isso, a medida tende a proteger as refinarias e extrativistas de minerais de terras raras, coordenando os maiores importadores.

Diante da histórica queda de preços praticada pelos produtores chineses, o acesso às terras raras tem sido uma área de crescente preocupação desde que a China impôs, no ano passado, um regime de licenciamento de exportação que ameaçava cortar o acesso a esses minerais.

Com o sistema de um preço mínimo, a aliança costurada pelos EUA espera pressionar a China e impedir que ela determine o preço global dos minérios considerados como estratégicos.

Entre os convidados para a reunião estão os países do G7, além de Coreia do Sul, Austrália, índia e outros grandes mercados.

Fontes diplomáticas indicaram que houve uma intenção dos EUA de chamar o Brasil. Mas o chanceler Mauro Vieira teria outros compromissos nesta semana e não poderá estar. O governo Lula ainda consulta com os americanos de que forma a participação brasileira poderia ocorrer. Não se descarta que a Argentina, porém, possa fazer parte.

Membros do Departamento de Estado norte-americano relatam ainda que estão tendo dificuldades para ter acesso aos tomadores de decisão, principalmente no Ministério de Minas e Energia, para consolidar uma agenda sobre o tema de terras raras.

O governo Trump, porém, não irá aguardar o Palácio do Planalto para buscar parcerias. Segundo o ICL Notícias apurou, contatos estão sendo feitos entre diplomatas americanos e governos estaduais, como o de Minas Gerais e Goiás.

A busca por um mapeamento de onde existiriam reservas importantes e atores que poderiam estabelecer um diálogo também foi iniciada.

O trabalho de identificação não ocorre por acaso. Entre novembro e dezembro, o governo Trump estabeleceu que o setor de terras raras deveria ser tratado como estratégico para sua defesa nacional. Em documentos, a Casa Branca ainda instruiu a CIA a mapear na América Latina onde estariam as reservas de recursos naturais que poderiam ser vitais para os EUA nas próximas décadas.

No Palácio do Planalto, a expectativa do governo Lula é de que o tema de terras raras entre na agenda bilateral do encontro entre os dois líderes, em março em Washington. Mas será um assunto que será incluído pelo lado americano.

A estratégia do Brasil, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin já revelou a interlocutores, é a de deixar esse setor estratégico para o final de uma negociação entre Lula e Trump.

Brasília sabe que tem um trunfo nas mãos e entende o interesse dos EUA em buscar alternativas ao fornecimento de minérios críticos da China. Mas não quer trocar esse acesso por uma normalização da relação, principalmente por conta de uma crise que foi “inventada” pela Casa Branca para, agora, obter benefícios.

A retirada de tarifas contra produtos brasileiros ou sanções precisa ocorrer, na avaliação do governo, dentro de uma barganha que não envolva entregar “as joias da coroa”, no caso as reservas de terras raras.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Trump impõe taxa sobre quem exportar ao Irã; Brasil pode ser afetado

Medida é a primeira sinalização de que a Casa Branca irá escalar a pressão contra Teerã por conta dos protestos. Brasil vendeu mais de US$ 3 bi ao mercado iraniano e pode ser prejudicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos de todos os países que tenham algum tipo de comércio com o Irã. O Brasil, portanto, pode ser um dos afetados pelas novas tarifas.

Em 2024, o mercado iraniano consumiu mais de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros e se tornou o quinto maior destino das vendas nacionais no Oriente Médio.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”, afirmou o presidente dos EUA.

A medida faz parte de uma escalada contra o regime em Teerã, diante dos protestos que ganham dimensões inéditas nos últimos dias. O objetivo é isolar o país, romper alianças que ainda possam existir entre os iranianos e parceiros comerciais, criar uma escassez no país e a falta de abastecimento, principalmente de itens essenciais.

Trump também espera cortar o governo iraniano de qualquer tipo de abastecimento de suprimentos que possa permitir que o regime seja viável economicamente.

Trump chegou a dizer que poderia usar força militar e também indicou que os iranianos estariam dispostos a negociar. Mas o gesto desta segunda-feira sinaliza que a Casa Branca decidiu iniciar uma ofensiva.

A medida, ainda que afete o Brasil, tem um impacto bem maior para outros parceiros como a China e Índia. O Irã ainda faz parte do Brics, depois que o bloco passou por uma expansão há dois anos.

No caso das exportações brasileiras, elas estão essencialmente concentradas no setor agrícola e representam 1% do comércio do país com o mundo.

Em 2025, as exportações de milho do Brasil ao mundo atingiram 41,59 milhões de toneladas, crescimento de 9,9% e com receita de US$ 8,6 bilhões. O Irã liderou as compras, seguido por Egito e Vietnã.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Brasil prevê ‘jogo pesado’ da extrema direita dos EUA para impedir reeleição de Lula

Governo tentará construir agenda positiva com Trump e estabilizar Venezuela para neutralizar atores mais radicais

2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.

A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.

No governo, há um consenso de que a extrema direita dos EUA irá “jogar pesado” para tentar impedir a reeleição de Lula em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.

A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.

O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e não apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.

Já membros do alto escalão do PT admitem que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com as violações cometidos pelo chavismo.

As dificuldades dos aliados de Jair Bolsonaro, porém, podem ser importantes. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado está fora de jogo por enquanto e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.

Entre diplomatas brasileiros e americanos, a esperança é de que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas nos últimos meses.

Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do próprio governo Trump e que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.

A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela, como já ficou demonstrado em discursos na ONU e na OEA. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.

O Planalto ainda vai continuar a insistir para que não haja um segundo ataque contra a Venezuela e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.

Em diálogos dentro da Venezuela e nos países que fazem parte da região, Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.

*Jamil Chade/Uol


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Brasil Mundo

Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de pacientes na Venezuela

Mobilização contou com doações de hospitais universitários e filantrópicos que atendem o SUS

Um avião venezuelano chegará ao Aeroporto de Guarulhos (SP) na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, para recolher 40 toneladas de insumos médicos que garantirão a hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. Medicamentos, soluções fisiológicas, entre outros insumos, foram reunidos pelo Governo do Brasil com o apoio de hospitais universitários federais públicos e hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização é coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Ao todo, 300 toneladas de produtos foram reunidos para ajudar os venezuelanos que precisam do tratamento.

“Fazemos isso porque existe o que nós chamamos de solidariedade sanitária. As saúdes têm que estar trabalhando sempre juntas, ainda mais quando a gente fala de um país vizinho. Se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise na Venezuela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha Governo do Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de 16 mil pacientes na Venezuela

“E também por gratidão, porque eu nunca esqueço o dia em que a Venezuela mandou mais de 135 mil metros cúbicos de oxigênio para salvar o nosso povo de Manaus durante a Covid-19”, completou o ministro. Padilha ainda atestou que as doações não afetam em nada o tratamento de cerca de 170 mil brasileiros que fazem hemodiálise pelo SUS.

O Governo do Brasil também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Foram mobilizadas equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.

A Operação Acolhida foi totalmente assumida

pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária no país. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, 40 profissionais permanentes fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.

O Saúde nas Fronteiras conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.

*Agência Gov


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Brasil

Abin alertou sobre neonazismo: a ameaça de ‘maior potencial de crescimento’ no Brasil

Num mapeamento dos riscos de violência e extremismo no Brasil, Abin alertou sobre potencial de expansão de grupos ultranacionalistas

Os movimentos neonazistas representaram a ameaça de “maior potencial de crescimento” no Brasil entre 2019 e 2020.

A informação faz parte de documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Desde meados de dezembro e pelas próximas semanas, o ICL Notícias traz com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.

Num relatórios sobre os riscos do terrorismo e dos atos de violência no Brasil e no mundo, de 6 de abril de 2020, a Abin traçou um mapa das diferentes correntes extremistas no país e seu potencial de representar um risco para segurança pública.

Naquele ano, a Abin alertava para o fato de que “ataques perpetrados por indivíduos ou grupos inspirados por ideologias extremistas, não necessariamente de caráter islâmico, vêm ganhando espaço no Brasil, como se verificou no massacre de Suzano, em 13 mar. 2019, e nas ameaças da célula ecoextremista Sociedade Secreta Silvestre (SSS) a autoridades públicas brasileiras em 2019”.

“Adeptos desses movimentos compartilham uma visão radicalizada de mundo e defendem o uso da violência como meio de promoção de seus ideais”, alertou.

Ainda que o risco fosse identificado em outros grupos ideológicos também, a Abin era explícita ao mencionar a ameaça da extrema direita.

“Com relação ao ultranacionalismo e ao neonazismo, esses movimentos se fortaleceram em 2019, com o aumento de ataques em diversos países do mundo”, disse. “No âmbito internacional, o crescimento dos grupos ultranacionalistas tem como principal motivação o aumento da imigração no continente europeu. Esses grupos são contrários ao que acreditam ser uma “islamização da Europa” e respondem a essa “ameaça” com ataques violentos”, explicou.

De acordo com a agência, o crescimento mundial do neonazismo estava influenciando a reorganização de grupos no Brasil, como o Crew 38 e Hammerskin Nation, o Misanthropic Division e o Combat 18/Blood & Honour/Aryan Strikeforce.

“Recentemente, houve aumento de ataques pontuais contra indivíduos que não se enquadram no estereótipo defendido por esses grupos. Desde a realização das operações policiais Azov e Hateless, em 2016 e 2017. respectivamente, os neonazistas brasileiros adotaram medidas de segurança para dificultar as ações policiais e de Inteligência”, constatou a Abin.

100 membros ativos em 2020 defendendo “revolução armada”
A agência, naquele momento, tentava ainda decifrar qual seria o tamanho da ala mais violenta do grupo. “A Nova Resistência, representante da ideologia da Quarta Teoria Política, é movimento favorável aos valores tradicionais e à religiosidade e contrário ao liberalismo em todas as suas formas. Surgiu no Brasil, em 2014, e expandiu-se pelo território nacional tenda constituído células em vinte unidades da federação”, alertou. “Haveria, ao menos, uma centena de membros ativos promovendo ações de propaganda no país. O grupo defende a revolução armada como resistência popular legitima”, destacou a agência.

“Além da Nova Resistência, grupos de ideologia integralista têm ressurgido no país e demonstram tendencia a radicalização, como constatado a partir do ataque promovido a sede da produtora do humorístico “Porta dos Fundos”, em dezembro de 2019”, disse.

“Há indícios de que membros de grupos integralistas possuam vínculos com a Nova Resistência, que comentou o ataque em suas redes sociais como “inevitável”, afirmou a Abin.

Intolerância religiosa
O informe também aponta como a intolerância religiosa de matiz não islâmica havia aumentado em 2019. “O uso de violência ou ameaça de violência tornou-se mais frequente, com emprego de armas de fogo, como fuzis e metralhadoras. Em alguns estados brasileiros, grupos criminosos organizados têm se envolvido em atos de intolerância religiosa com proibição de práticas de religiões de matriz africana territórios. Os eventos de intolerância religiosa são subnotificados, o que dificulta o monitoramento, análise e enfrentamento da ameaça”, afirmou.

Já naquele momento, a Abin destaca como a radicalização extremista violenta em ascensão no Brasil estava acontecendo nos fóruns da Internet e na deepweb. “Jovens, em sua maioria do sexo masculino, com histórico de problemas familiares, psiquiátricos e rejeição, encontram em grupos online um local de propagação de discursos radicais e de incentivo ao cometimento de massacres”, disse.

“Em 2019, os ataques à escola Raul Brasil, em Suzano/SP, representam o crescimento desse fenômeno. Após o atentado, ameaças de atos semelhantes espalharam-se pelos estados da federação. Em quase todos os estados, até o momento, foram relatados cerca de 80 incidentes. A maior parte deles restringiu-se a ameaças, os demais foram pequenas ações solucionadas pelas forças de segurança locais”, alertou.

Na web, a Abin havia identificado “uma mistura de ódio a gays, negros, mulheres e minorias em geral, apologia ao nazismo e à cultura dos “celibatários involuntários” (incels), símbolos do El, uso de roupas pretas e manifestações contrárias ao marxismo ou à esquerda”.

Projeção
A Abin não disfarçava a preocupação com o aumento da violência no país. “Em 2020, é provável que atos de extremismo violento, baseados em ideologias difusas, aumentem no Brasil. Com o crescimento do fenômeno em nível internacional, a tendência é que novos grupos, movimentos e ideologias surjam no Brasil por espelhamento”, disse.

“Com relação ao anarquismo insurrecional, é provável que permaneça representando baixo nivel de ameaça, restringindo-se a atos pontuais e manifestações em ambiente virtual. No que concerne ao ecoextremismo, a tendência é de fortalecimento do movimento com a criação de novas células na América Latina e na Europa”, disse.

Mas o alerta principal vai para o movimento de extrema direita. “A mesma tendência verifica-se nos grupos ultranacionalistas e neonazistas, sendo essas as correntes que apresentam maior potencial de crescimento e fortalecimento”, completou.

Ecoterrorismo
Um trecho do informe é ainda focado na ameaça do ecoterrorismo e às ameaças feitas contra o governo de Jair Bolsonaro.

“No Brasil, o expoente do ecoextremismo é a célula Sociedade Secreta Silvestre (SSS)”, disse.

“Já publicou onze comunicados, nos quais reivindicaram ataques com artefatos explosivos ou ameaças a autoridades públicas. Os fatos apontam para uma célula local, detentora de rede de apoiadores resilientes. Seus integrantes demonstram capacidade efetiva para empregar medidas de antivigilância”, apontou.

“Em 2019, a célula brasileira representou uma das principais ameaças no Brasil. Em
janeiro de 2019, três suspeitos foram detidos em Alto Paraíso/GO, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Departamento de Polícia Federal (DPF). após tentativa de ataque, em dezembro de 2018, contra o Santuário Arquidiocesano Menino Jesus, em Brazlândia/DF, e ameaças contra o presidente eleito, Jair Bolsonaro, e os então futuros ministros, Ricardo Salles e Damares Alves”, disse.

“Em abril de 2019, a célula reivindicou o incêndio de duas viaturas no posto da Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). na Floresta Nacional (Flona) de Brasília. A célula também fez novas ameaças aos ministros Ricardo Salles e Damares Alves. inclusive com ameaça de emprego de toxina biológica letal, e ameaçou de morte eventuais visitantes que realizem ecoturismo na Flona, principalmente, nos finais de semana”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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Governo Lula vê risco de interferência de Trump na eleição brasileira de 2026

Avaliação interna aponta que ações recentes dos EUA na América Latina podem se repetir no Brasil e influenciar o cenário eleitoral

247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a relação institucional com Washington não elimina o risco de uma eventual interferência externa no processo eleitoral brasileiro de 2026. Integrantes do Palácio do Planalto consideram que, mesmo diante de gestos recentes de distensão, os Estados Unidos podem adotar estratégias semelhantes às observadas em eleições de outros países da América Latina.

A análise foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, que ouviu um alto funcionário do governo brasileiro. Segundo essa avaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter feito apenas um recuo tático ao retirar parte das tarifas sobre produtos brasileiros e suspender sanções baseadas na Lei Magnitsky, após a tentativa frustrada de impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No entendimento do governo brasileiro, a preocupação se baseia em precedentes recentes. Na eleição legislativa da Argentina, Trump condicionou a liberação de um pacote de ajuda financeira de US$ 20 bilhões a um bom desempenho eleitoral do partido do presidente Javier Milei. Já em Honduras, durante o pleito presidencial, Trump apoiou publicamente o candidato da ultradireita, Nasry “Tito” Asfura.

Nesse contexto, a presidente hondurenha, Xiomara Castro, afirmou que houve um “golpe eleitoral” motivado pela “interferência do presidente dos Estados Unidos”. Antes da votação, Trump declarou que a candidata governista, Rixi Moncada, era comunista e que sua eventual vitória entregaria o país à Venezuela.

Às vésperas da eleição em Honduras, Trump concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura, que havia sido condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Passado quase um mês do pleito, o país ainda não tem um resultado oficial. Asfura lidera por margem estreita sobre o conservador Salvador Nasralla, enquanto uma apuração especial segue em andamento.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA revogou um visto e cassou outro de duas autoridades eleitorais hondurenhas ligadas ao partido de Xiomara Castro, sob a alegação de que estariam interferindo na apuração dos votos. Para o governo brasileiro, esse conjunto de ações reforça a necessidade de criar mecanismos de proteção contra possíveis interferências externas.

Entre essas medidas, autoridades citam a adoção de “vacinas”, como a ampliação da cooperação bilateral com os Estados Unidos no combate ao crime transnacional, anunciada recentemente. Segundo o 247, integrantes do governo disseram que essa estratégia também teve caráter preventivo para bloquear tentativas de grupos bolsonaristas de solicitar uma intervenção americana no Brasil sob o argumento do combate ao crime organizado.

O Planalto avalia que a agenda internacional terá um peso inédito na disputa presidencial de 2026. A percepção interna é de que Trump deve apoiar abertamente o candidato da direita brasileira, alinhado ideologicamente ao atual governo dos Estados Unidos.


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Política

Mulheres Vivas: Brasil se levanta contra a barbárie do feminicídio

Em meio ao avanço da violência de gênero, movimentos feministas convocam atos nacionais neste domingo (7) para exigir proteção, justiça e ação imediata do poder público; confira agenda

O Brasil ultrapassou, ainda em 2025, a marca de mil feminicídios — quatro mulheres assassinadas por dia — e a resposta veio das ruas. Diante de uma violência que não é acidental, mas estrutural, alimentada pelo machismo, pela impunidade e pelo desmonte de políticas públicas, movimentos feministas como a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Levante Mulheres Vivas, entre outros, convocam atos em todo o país no próximo domingo (7). De acordo com o Vermelho, a mobilização pretende transformar indignação em ação coletiva e pressionar o Estado a cumprir seu papel de proteger a vida das mulheres.

A convocação ganha força após crimes que expuseram, mais uma vez, a brutalidade do patriarcado que rege as relações sociais no país. O assassinato de Catarina Karsten, em Florianópolis (SC), o ataque no Cefet Maracanã, no Rio de Janeiro, que tirou a vida de Allane Pedrotti e Layse Costa Pinheiro, e a violência extrema contra Tainara Souza Santos, arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê (SP), tornaram impossível ignorar a urgência de uma resposta nacional.

“O feminicídio é uma emergência nacional, e só a luta coletiva pode virar esse cenário. No próximo ato da Mobilização Nacional contra o Feminicídio, milhares de vozes vão ocupar as ruas em todo o país para exigir políticas públicas eficazes, justiça, proteção e respeito às nossas vidas.”, afirmou a UBM nas redes sociais.

Parlamentares também reforçam que não se trata apenas de reagir a casos isolados, mas de enfrentar um sistema que legitima a violência. Para deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a hora é de mobilização massiva. “O Brasil inteiro se levanta para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência que tiram das mulheres o direito de viver com liberdade, respeito e segurança. […] Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!”, afirmou.

Alice Portugal (PCdoB-BA) destacou que o avanço da violência revela falhas do Estado: “Todos os dias mulheres são mortas no Brasil. Essa escalada […] evidencia a insuficiência das medidas de prevenção. As mulheres têm o direito de viver!”

Para Sâmia Bonfim (Psol-SP), a mobilização de rua é fundamental para romper com o ciclo de violência:
“Nós vamos tomar as ruas para dizer um basta à violência contra as mulheres. […] Nós não suportamos mais.” Em Brasília, o chamado foi reforçado pela deputada Érika Kokay (PT-DF). “Traga sua voz, sua força, sua revolta. Por nós, pelas que vieram antes e pelas que precisam viver”, afirmou.

Lula anuncia ‘movimento dos homens’

O presidente Lula (PT) reforçou que o enfrentamento à violência exige compromisso político e mudança cultural, inclusive entre os homens. “O vagabundo que bate em mulher não precisa votar no Lula para presidente”, afirmou, criticando explicitamente a complacência social com agressores.

Durante cerimônia em Fortaleza, ‘anunciou que pretende liderar uma mobilização masculina pelo fim da violência de gênero. “Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos de idade, vou liderar o movimento dos homens que prestam nesse País, para defender as mulheres brasileiras. Não só as nossas, mas as mães deles, as filhas, as noras, todas”. Para ele, é preciso reconhecer a responsabilidade masculina: “A luta contra o feminicídio tem que ser nossa. Nós somos a parte violenta da sociedade”.

Violência estrutural e omissão social

Os dados mostram que a violência é sistêmica. A Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher (DataSenado, 2025) indica que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica neste ano. Em 40% desses casos, havia testemunhas adultas presentes que não prestaram qualquer ajuda — um retrato da naturalização da violência e da cumplicidade social que mantém o ciclo de agressões.

Os atos também terão intervenções artísticas, leitura de manifestos e homenagens às vítimas, reforçando que lutar por políticas públicas é também honrar cada vida interrompida pela violência de gênero. Entre as principais reivindicações nacionais estão delegacias da mulher 24h, casas-abrigo, medidas protetivas ágeis, proteção às crianças, autonomia emergencial para mulheres em risco, paridade no poder público e enfrentamento da violência digital.

A mobilização se espalha por todas as regiões do país — do Masp à Torre de TV, de Belém a Porto Alegre — afirmando que o Brasil não aceitará mais que mulheres sigam morrendo enquanto o Estado se omite.

Confira a agenda nacional do atos Levante Mulheres Vivas

  • Região Sudeste – 07/12 (domingo)
    São Paulo
  • Araraquara/SP – Praça Santa Cruz – 9h
  • Bauru/SP – Delegacia da PF – 9h30
  • Botucatu/SP – Praça da Pinacoteca – 10h
  • Campinas/SP – Estação Cultura – 9h
  • Ilhabela/SP – Praça Elvira Estoraci – 16h
  • Ribeirão Preto/SP – mais informações em breve
  • São Paulo/SP – MASP (Vão Livre) – 14h
  • Santos/SP – Praça das Bandeiras – 10h
  • São José dos Campos/SP – Largo São Benedito – 15h
  • São José do Rio Preto/SP – Praça Rui Barbosa – 9h
  • Sorocaba/SP – Parque das Águas – 10h
  • Ubatuba/SP – Pista de Skate – 11
  • Minas Gerais
  • Belo Horizonte/MG – Praça Raul Soares – 11h
  • Cambuquira/MG – Praça da Biblioteca – 10h
  • Cataguases/MG – Praça Santa Rita – 10h
  • Divinópolis/MG – Praça do Planalto – 8h30
  • Juiz de Fora/MG – Escadaria da Câmara – 15h
  • Perdões/MG – Praça da Matriz – 14h
  • Poços de Caldas/MG – Parque da Zona Sul – 15h
  • Pouso Alegre/MG – Praça Senador José Bento – 11h
  • Sete Lagoas/MG – Lagoa Boa Vista – 10h
  • Santa Rita do Sapucaí/MG – Pracinha da Câmara – 10h
  • São João del Rei/MG – Sinal da Leite de Castro com Frei Cândido – 14h
  • Tiradentes/MG – Largo do Rosário – 17h
  • Uberaba/MG – Concha – 14h
  • Uberlândia/MG – Av. Monsenhor Eduardo, esquina com Rua
  • Buriti Alegre – 10h

 

  • Rio de Janeiro
  • Rio de Janeiro – Copacabana (Posto 5) – 14h
  • Espírito Santo
    Vitória – Praia de Camburi – 15h
  • Região Nordeste – 07/12 (domingo)
  • São Luís/MA – Praça Igreja do Carmo – 9h
  • Parnaíba/PI – Parnaíba Shopping – 16h
  • Teresina/PI – Praça Pedro II – 17h
  • Fortaleza/CE – Estátua Iracema Guardiã – 16h
  • Natal/RN – Mercado da Redinha – 9h
  • Maceió/AL – Praça Sete Coqueiros – 15h
  • Recife/PE – Rua da Aurora, Ginásio Pernambucano – 14h
  • Vitória da Conquista/BA – Feirinha do Bairro Brasil – 9h
  • Arraial d’Ajuda/BA – Praça do Santiago – 9h
  • Aracaju/SE – Arcos da Orla – 8h30
  • João Pessoa/PB – Busto de Tamandaré – 15h

Salvador/BA – 14/12 (sábado)

  • Barra (Cristo ao Farol) – 10h
  • Região Centro-Oeste
    06/12 (sábado)
  • Cuiabá/MS – Praça Santos Dumont – 14h

07/12 (domingo)

  • Brasília e Entorno/DF – Feira da Torre de TV – 10h
  • Campo Grande/MS – Av. Afonso Pena – 9h
  • Paranaíba/MS – Feira da Praça da República – 8h
  • Goiânia/GO – Praça Universitária – 15h

Região Sul 06/12 (sábado)

  • Porto Alegre/RS – Praça da Matriz – 17h
  • Joinville/SC – Praça da Bailarina – 14h

07/12 (domingo)

  • Florianópolis/SC – Cabeceira da Ponte Hercílio Luz – 13h
  • Chapecó/SC – Praça Coronel Bertaso – 14h
  • Garopaba/SC – Café Mormaii – 9h
  • Itajaí/SC – Praça da Beira Rio – 14h
  • Curitiba/PR – Praça João Cândido (Largo da Ordem) – 10h

13/12 (sábado)

  • Santa Maria/RS – Praça Saldanha Marinho – 9h

Região Norte
06/12 (sábado)

  • Belém/PA – Boulevard Gastronomia – 8h

07/12 (domingo)

  • Marabá/PA – Praça da Marabá Pioneira – 18h
  • Manaus/AM – Praça do Congresso – 17h
  • Boa Vista/RR – Tribuna em frente à ALE-RR – 16h30
  • Palmas/TO – Feira do Bosque – 17h
  • Parintins/AM – Catedral (Centro) – 16h30

10/12 (quarta-feira)

  • Santarém/PA – Praça Tiradentes – 17h30

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