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Vereador diz que ONG ligada ao filme Dark Horse atuava como ‘laranja’ de recursos

Segundo Nabil Bonduki, contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP pode ter alimentado estrutura política ligada ao bolsonarismo

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou ao ICL Notícias que a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, teria funcionado como uma “espécie de organização laranja” dentro do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi‑Fi em comunidades da capital.

Segundo Bonduki, a principal suspeita é de que a entidade tenha servido como intermediária para distribuição de recursos públicos a terceiros, sem possuir capacidade técnica real para executar o serviço contratado. O vereador afirma que a estrutura do contrato, somada à ausência de concorrência e à cadeia de subcontratações, levanta suspeitas graves sobre o modelo adotado pela gestão Ricardo Nunes.

Durante a entrevista, Bonduki também disse que parte dos pontos declarados como instalados não existiam nos endereços informados e que, em alguns casos, havia concentração de equipamentos a poucos metros de distância entre si. Segundo ele, a Prefeitura realizou pagamentos antecipados antes da efetiva prestação dos serviços.

O parlamentar também defendeu uma investigação mais ampla envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central para rastrear o destino final dos recursos públicos. Para ele, o caso pode revelar um modelo de financiamento político sustentado por contratos públicos e pulverização de recursos por meio de organizações da sociedade civil.

Bonduki ainda afirmou que o chamamento público teria sido estruturado de maneira que empresas privadas do setor não pudessem participar diretamente da contratação. Segundo ele, o formato adotado acabou restringindo a disputa a organizações da sociedade civil (OSCs), o que favoreceu a entidade contratada.

Entrevista
ICL Notícias — Quando o senhor começou a analisar esse contrato, qual foi o primeiro elemento que fez soar o alerta de que poderia existir algo muito fora do normal?

Nabil Bonduki — “Em primeiro lugar, o fato de se fazer um chamamento público para uma organização da sociedade civil num tema que normalmente não é o tema que este tipo de organização trabalha. Em geral, as OSCs trabalham com temas mais ligados à área social, assistência social, cultura, meio ambiente. No caso, era um contrato de tecnologia, onde normalmente quem atua são empresas privadas e tem muitas qualificadas para esse tipo de função, inclusive empresas que já tinham trabalhado com a própria Prefeitura em gestões anteriores.”

“Em segundo lugar, só apareceu uma organização. Essa foi a única OSC que apresentou proposta e nem ela mesma tinha expertise ou capacidade técnica para executar esse serviço.”

ICL Notícias — Na sua avaliação, é cabível que uma entidade vença um contrato público de R$ 108 milhões alegando capacidade técnica para executar o serviço e, depois de receber os recursos, terceirize praticamente toda a operação para empresas privadas?

Nabil Bonduki — “Essa organização funciona como uma espécie de organização laranja. Ela funciona simplesmente para receber recursos, distribuir esses recursos para outras organizações e apenas uma parte vai para prestação de serviço, que inclusive não existe comprovação que tenha sido feita de maneira correta e completa.”

“Embora seja responsável pelo contrato, ela não tem condição de executá‑lo. E a execução é feita por terceiros, por valores muito inferiores àqueles que ela recebeu.”

“Essas empresas não participaram diretamente porque o chamamento público foi destinado exclusivamente para organizações da sociedade civil. Essa foi a jogada. Se outras empresas pudessem participar, certamente elas teriam entrado e poderiam ganhar tanto por preço quanto por qualificação.”

“Essa intermediação não respeita o interesse público e não deveria ter sido feita.”

ICL Notícias — O senhor encontrou indícios de que a Prefeitura flexibilizou exigências técnicas ou ignorou alertas internos para viabilizar esse contrato?

Nabil Bonduki — “Com toda certeza a Prefeitura flexibilizou exigências porque contratou uma organização que não tinha nenhuma experiência nesse tema. O normal seria a Prefeitura cancelar esse chamamento e mudar o procedimento.”

“Não fazia sentido fazer um chamamento público para OSCs num tema de tecnologia onde normalmente atuam empresas privadas especializadas.”

“Também havia vários adiantamentos anteriores que antecipavam pagamentos em relação aos serviços não prestados.”

ICL Notícias — O senhor verificou problemas na execução do projeto?

Nabil Bonduki — “De fato existem pontos instalados, mas nós verificamos alguns endereços e não havia ponto nenhum. Também havia situações contraditórias, mudança de endereço e casos de três pontos colocados numa distância de dez ou quinze metros uns dos outros, o que obviamente não faz sentido.”

“Então houve situações em que se declarou que tinha sido instalado e não existia.”

ICL Notícias — O senhor acredita que esse caso pode revelar uma estrutura política maior financiada com recursos públicos?

Nabil Bonduki — “Uma das questões principais que precisa ser investigada são as fontes de financiamento do bolsonarismo e da extrema direita. É óbvio que, para manter essa estrutura, são necessários muitos recursos.”

“Esse contrato foi uma identificação que nós conseguimos mostrar de um contrato suspeito da Prefeitura de São Paulo com o financiamento dessa estrutura bolsonarista. E provavelmente existem coisas semelhantes em outros níveis de governo e até em outros órgãos da própria Prefeitura.”

“É uma máquina que está sendo alimentada por recursos públicos. Podem ser emendas também. Muito provavelmente existem esquemas semelhantes funcionando em vários lugares.”

“Talvez merecesse um encaminhamento para o Ministério Público Federal (MPF) e, a partir daí, buscar a colaboração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal (PF), do Banco Central e de outros órgãos federais que possam rastrear o dinheiro.”

“É preciso quebrar o sigilo bancário dos atores envolvidos para entender para onde esses recursos foram.”

ICL Notícias — O senhor acredita que houve uso eleitoral ou político dessa estrutura nas periferias?

Nabil Bonduki — “Eu não acredito que tenha sido diretamente uma ferramenta política nas periferias porque o Ricardo Nunes fez muitas outras obras maiores nesse período. Mas o que pode ter acontecido é outra coisa.”

“Um dos repasses foi para uma entidade chamada Periferia Conectada. Foram R$ 12 milhões. E essa organização é ligada a uma pessoa bastante suspeita e que certamente tem algum tipo de relação com o crime organizado em favelas.”

“O que pode ter acontecido é, por exemplo, repassar recursos para essa entidade e isso acabar ajudando campanhas politicamente. Eu não saberia dizer se isso teve uma relação direta com a eleição.”

ICL Notícias — O senhor vê resistência da Prefeitura em abrir informações sobre esse contrato?

Nabil Bonduki — “Estranhamente, esse contrato está aberto no site da Prefeitura. Muitos outros contratos acabam entrando em sigilo quando começam a ser questionados, mas esse não.”

“Então eu não vejo exatamente resistência da Prefeitura nesse caso específico. O problema é que não existe transparência sobre o que aconteceu depois que o dinheiro saiu da OSC para as subcontratadas.”

“Os contratos entre a organização e as empresas são bastante precários e não há detalhamento adequado sobre os serviços efetivamente prestados. A partir dali o rastreamento do dinheiro fica muito mais difícil.”

O ICL Notícias pediu esclarecimentos ao Instituto Conhecer Brasil através de e-mail e também tentou via ligação telefônica. O número informado no site da ONG está fora de serviço e até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

*Cleber Lourenço]


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PF apura emenda de Flávio para ONG suspeita de integrar esquema de desvios de irmãos Brazão

A Polícia Federal (PF) investiga uma emenda parlamentar de R$ 199 mil enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em novembro de 2023 para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma ONG sediada na Zona Oeste do Rio de Janeiro (bairro Taquara, área de influência dos Brazão).

Os irmãos Brazão (Chiquinho e Domingos) foram condenados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Eles são investigados por um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares via ONGs, incluindo a “Contato” (ou CPASC) e entidades ligadas.

A PF apura se esse repasse específico integrou o esquema comandado pelo grupo dos Brazão. A transferência ocorreu cerca de um mês após o gabinete de Flávio ser procurado por um assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ.

Intermediário: Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe” (policial militar da reserva, ex-assessor ligado aos Brazão e também condenado no caso Marielle). Ele teria intermediado o envio da emenda.

Sobre a ONG (Ifop): O Ifop recebeu a emenda para o projeto “Jogadores do Futuro” (futebol/inclusão social). TVTNews.

A mesma ONG também recebeu recursos de Chiquinho Brazão (R$ 1,5 milhão para outro projeto) e já apareceu em apurações anteriores da PF relacionadas aos Brazão.

Há investigações paralelas (incluindo da CGU e relatórios anteriores do UOL) sobre possíveis irregularidades em prestações de contas dessa e de outras ONGs cariocas ligadas ao grupo (superfaturamento, entrega incompleta de materiais etc.), mas isso não é exclusivo dessa emenda.


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Política

PF faz operação e associa Cláudio Castro à fraude de R$ 52 bilhões de Ricardo Magro

Operação Sem Refino investiga ocultação patrimonial no setor de combustíveis; dono da Refit tem nova prisão decretada e entra na lista da Interpol

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, uma nova e contundente fase das investigações sobre crimes financeiros e corrupção no setor de combustíveis. A ofensiva, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou em mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e na decretação de uma nova prisão preventiva contra o empresário Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit. A operação marca um recorde histórico com o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros.

A ação de hoje é um desdobramento direto da Operação Poço de Lobato, realizada em 27 de novembro do ano passado, que já havia identificado o conglomerado como o maior devedor contumaz do país. Naquela ocasião, a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) buscavam recuperar R$ 26 bilhões em tributos sonegados. Com o avanço das apurações, a PF identificou que a estrutura de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial era mais vasta do que se supunha, envolvendo agora indícios de conivência de agentes públicos, o que motivou as medidas contra Castro em sua residência na Barra da Tijuca.

Novo mandado e histórico jurídico

Para Ricardo Magro, a decisão desta sexta-feira representa o segundo mandado de prisão federal em sua trajetória, mas por fatos distintos. O primeiro pedido de prisão ocorreu há dez anos, em 24 de junho de 2016, no âmbito da Operação Recomeço, que investigava desvios nos fundos de pensão Postalis e Petros. Na época, Magro entregou-se à PF após retornar de Miami. Desta vez, o mandado expedido pelo STF é de natureza preventiva e fundamenta a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol, uma vez que o empresário reside atualmente nos Estados Unidos.

O governo brasileiro já sinalizou que buscará a extradição de Magro. O tema foi tratado em diálogos recentes entre os presidentes Lula e Donald Trump, no contexto de cooperação internacional contra o crime organizado.

A defesa do ex-governador Cláudio Castro, por sua vez, declarou que ainda aguarda o acesso integral aos autos para se manifestar sobre as buscas realizadas nesta manhã.

O esquema do combustível importado

No centro da investigação está um sofisticado mecanismo de sonegação fiscal estruturado em torno da importação de combustíveis. Segundo fontes da Polícia Federal e da Receita Federal, o esquema utilizava empresas de fachada e “noteiras” para simular operações comerciais e ocultar o real beneficiário das cargas que chegavam aos portos brasileiros. De acordo com o Vermelho, o grupo aproveitava brechas regulatórias e liminares judiciais para internalizar derivados de petróleo sem o recolhimento integral de impostos como o ICMS e as contribuições federais.

A engenharia financeira permitia que o combustível importado fosse comercializado a preços predatórios, asfixiando a concorrência legal e gerando um passivo tributário bilionário que nunca era quitado. Para garantir a impunidade, o conglomerado utilizava uma rede de testas de ferro e empresas em paraísos fiscais, o que a PF classifica como “evasão de recursos e dissimulação de bens”. A Operação Sem Refino busca agora cortar o fluxo financeiro que sustenta essa rede, suspendendo as atividades econômicas de todas as empresas ligadas ao grupo.

Encerramento e registros

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em sigilo para identificar outros possíveis beneficiários do esquema. Foram mobilizados mais de uma centena de agentes para o cumprimento das ordens judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.


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Política

Bolsorcaro: PF suspeita que dinheiro de Vorcaro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

PF investiga se parte dos R$ 61 milhões ligados a Daniel Vorcaro, destinados ao filme Dark Horse, foi usada para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

Esses recursos teriam sido transferidos a um fundo sediado no Texas, nos EUA, por uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações. O objetivo era bancar o filme “Dark Horse” (que significa “azarão”), que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Há a suspeita de que esse fundo seja suspeito de ser controlado por aliados de Eduardo. A linha investigativa da PF foi divulgada inicialmente pelo site G1 e confirmada pela Folha de S.Paulo.

De acordo com José Marques e Julia Chaib, ICL, a PF pretende entender se os recursos – que teriam sido enviados a pedido do dono do Banco Master – foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte desse dinheiro serviu para custear a vida de Eduardo no país.

A reportagem tentou contato com Eduardo nesta quinta-feira (14), mas não obteve resposta.

Na quarta (13), o site The Intercept Brasil revelou que o pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Flávio e Eduardo são filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção que trata da vida do ex-presidente, e um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos do ex-banqueiro.
O senador confirmou ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou Flávio. No comunicado, ele disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou Flávio, dizendo, ainda, ser a favor da CPI do Master.

No entanto, a Go Up Entertainment, pordutora do filme negou no ter recebido repasses de verba do ex-banqueiro para o projeto, assim como o produtor-executivo e ex-deputado federal Mário Frias.
Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) em uma ação sob acusação do crime de coação no curso do processo de forma continuada.

A acusação diz que ele buscou sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras com o objetivo de atrapalhar o andamento do julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista.

A denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) foi apresentada em 21 de setembro, após a condenação de Bolsonaro no caso da trama golpista. O documento cita declarações públicas de Eduardo, entrevistas e postagens em que ele expõe sua atuação na imposição de sanções. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por unanimidade.

No ano passado, Eduardo chamou a acusação de fajuta e disse que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, é “lacaio de [Alexandre de] Moraes”. A defesa também argumenta que não houve violência ou grave ameaça no episódio.


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Polícia Federal faz buscas em casa de Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro

Os crimes do Banco Master de Vorcaro e o clã Bolsonaro rimam como um enredo de hábitos dos patrões.

Na verdade, aquilo não era um governo, era um porão de garçons que serviam aos maiores pilantras do país, fingindo honestidade. Só um bolsonarista piadiata para dizer que, no governo Bolsonaro, não havia corrupção, só rachadão e esquemão..

Mas sabe como é, como o bolsonarismo pode sobreviver diante da verdade? A arma de guerra dessa gente é a mentira, o cinismo, a desfaçatez. Pois, na história do Brasil, não há presidente mais corrupto do que Jair Messias Bolsonaro, que já como deputado, deixou como legado, Fabrício Queiroz para o promogênito do clã, Flavio Bolsonaro, o 01 da patifaria miliciana que, juntos, formaram o esquema de peculado, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Quando Bolsonaro passou o bastão para o filho e assumiu a Presidência da República, Ciro Nogueira fez o papel de Queiroz na Casa Civil e, como ninguém é de ferro, o esquema do BolsoMaster não poderia ficar fora da barbada.

Isso já nem escandaliza ninguém tal a disfaçatez dessa gente, que faz questão de mostrar seus ganhos numa espécie de banditismo ostentação. É só ver as mansões milionárias do clã, compradas com cacau em espécie, saído de sua fábrica de chocolate.

É imóvel pra todo lado, tudo pago em dinheiro vivo. Ciro Nogieria é apenas um que operou em favor do Master de Vorcaro e a Operação Compliance chegou em seu cangote, porque o ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro recebia entre R$ 300 a R$ 500 mil de mesada pelos serviços prestados a um dos chefes do cartel da igreja Lagoinha.

Certamente a Polícia Feceral nem precisou investigar tanto, e olha que Vorcaro ainda nem piou em delação, O preço da fatura será bem mais alto quando o galo cantar.

Uma coisa é certa, Ciro Nogueira era um dos, senão o principal ponto que ligava os mundos de Bolsonaro como presidente e, Vorcaro, como dono do Master, daí as buscas e apreensão da Polícia Federal contra Ciro Nogueira.

O clube dos abutrea da nação, o golpista, genocida, junto com Ciro Nogueira, fez da Presidência da República um parque de diversões.


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Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, é acusado de estupro; entenda, em detalhes, a denúncia de Lindbergh e Soraya

Deputado do PL de Alagoas e relator da CPMI do INSS é acusado de ter abusado de menina de 13 anos; ele nega acusações

Os parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentaram uma notícia-crime à Polícia Federal contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), solicitando a abertura de investigação sob sigilo.

O documento, protocolado em 27 de março de 2026, descreve acusações de estupro de vulnerável. Gaspar nega todas as acusações.

O que diz a denúncia
De acordo com a peça enviada à Polícia Federal (íntegra), os parlamentares afirmam ter recebido informações acompanhadas de documentos e registros de conversas que indicariam a prática de estupro de vulnerável. O caso envolve uma menina que teria 13 anos à época dos fatos.

Segundo o relato, a violência teria resultado em uma gravidez e no nascimento de uma criança. O documento aponta ainda que, devido à idade da vítima, ela não teria sido registrada formalmente como mãe, sendo a avó indicada no registro civil.

Acusação de pagamento por silêncio
Além da acusação principal, a notícia-crime também levanta a hipótese de tentativa de ocultação do caso. Segundo a Forum, os parlamentares relatam a existência de conversas e intermediações que sugerem o pagamento de valores para impedir que o crime fosse levado às autoridades.

Entre os valores mencionados estão cerca de R$ 70 mil já pagos e negociações que poderiam chegar a R$ 400 mil, com o objetivo de garantir silêncio e evitar a responsabilização penal.

Crimes apontados
O documento pede apuração de dois crimes principais:

  • Estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, que trata de relações com menores de 14 anos — independentemente de consentimento;
  • Fraude processual, por possíveis tentativas de dificultar investigações e ocultar provas.
  • Os parlamentares destacam que mudanças recentes na legislação reforçam que não há relativização possível nesses casos, mesmo diante de alegações de consentimento ou relação afetiva.

Pedido de sigilo e proteção
O documento também solicita que o caso tramite sob sigilo absoluto. O objetivo é proteger a identidade da vítima, da criança e de possíveis testemunhas.

Eles também pedem que a Polícia Federal avalie a inclusão dos envolvidos em programas de proteção, diante do risco de intimidação e da possível existência de pagamentos para silenciamento.

Próximos passos
A notícia-crime não implica culpa. O que ela faz é provocar o Estado a investigar. Caberá agora à Polícia Federal decidir sobre a abertura formal de inquérito, coleta de provas — incluindo dados digitais e financeiros — e eventual encaminhamento ao Ministério Público.

O que diz a defesa de Gaspar
Em nota, o deputado Alfredo Gaspar negou as acusações e afirmou que irá levar os parlamentares responsáveis pela notícia-crime ao Conselho de Ética.

Ao longo de toda a minha vida pública, construí uma trajetória limpa, honrada e dentro da lei. Sempre atuei com firmeza no combate ao crime e jamais me afastei dos princípios que norteiam minha conduta. As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade.

Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras. Adotarei todas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores dessas acusações, inclusive no âmbito do Conselho de Ética. Estou indo na Polícia Legislativa prestar uma notícia crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa. Seguirei firme, com serenidade e responsabilidade, cumprindo meu dever com a verdade e com o povo brasileiro. O Brasil merece respeito, e não será enganado por ataques desesperados.


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Política

“Sicário”, parceiro de Vorcaro, morre em Belo Horizonte

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão estava sob custódia na Superintendência Regional da PF quando atentou contra a própria vida

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e preso na Operação Compliance Zero, morreu na noite desta quarta-feira (4) em Belo Horizonte (MG). Ele estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal no estado quando atentou contra a própria vida.

Fontes da Polícia Federal informaram que o investigado apresentou morte encefálica após o ocorrido. Mourão era um dos presos na operação conduzida pela corporação, segundo o DCM.

De acordo com informações divulgadas pela PF, o preso foi socorrido por policiais federais que estavam no local no momento da ocorrência. Ele recebeu procedimentos de reanimação ainda na sede da instituição.

Superintendência Regional da Polícia Federal

Em seguida, o investigado foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João XXIII, localizado no centro de Belo Horizonte. A unidade hospitalar realizou o atendimento médico após a chegada do paciente.

A Polícia Federal informou que o caso foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo relacionado à operação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a corporação, todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do ocorrido serão encaminhados às autoridades competentes. A PF também informou que abrirá procedimento para apurar as circunstâncias do fato.


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PF determina que Eduardo Bolsonaro reassuma cargo de escrivão da corporação

DO informa ainda que “a ausência injustificada poderá ensejar a adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis”.

A Polícia Federal determinou que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reassuma as funções de escrivão da corporação. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perdeu o cargo de parlamentar no final de dezembro por excesso de faltas na Câmara.

O ato ordenando que Eduardo retome as atividades na delegação da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ) foi publicado no “Diário Oficial” da União desta sexta-feira (2), assinado pelo diretor de gestão de pessoas da PF substituto, Licinio Nunes de Moraes Netto.

A publicação informa ainda que “a ausência injustificada poderá ensejar a adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis”.

O filho de Bolsonaro assumiu seu primeiro mandato de deputado federal em 2015. Eduardo foi cassado por decisão da Mesa Diretora da Câmara em 18 de dezembro, no mesmo dia em que o órgão decretou a perda do mandato de Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Repubilcanos-PB), Eduardo ultrapassou essa marca.

Em setembro, Motta chegou a barrar uma manobra do PL para driblar as faltas de Eduardo. O deputado foi indicado líder da minoria, já que os líderes não precisam justificar suas ausências, mas a designação não foi aceita pelo presidente da Casa.

Eduardo viajou para os EUA em março, de onde comandou uma campanha para que o presidente americano, Donald Trump, determinasse punições a autoridades brasileiras, além de ter articulado o tarifaço contra produtos brasileiros, com o objetivo de livrar o pai da prisão.

Ele diz que viajou ao exterior por sofrer perseguição no Brasil. Por causa da sua atuação no exterior, Eduardo se tornou réu no STF sob acusação de coação.

Apesar do esforço do filho, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista e está preso na sede da PF em Brasília.

Além do mais, os EUA retiraram as sanções da Lei Magnitsky aplicadas contra o ministro Alexandre de Moraes, o que também enfraqueceu a posição política do deputado.

*ICL


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Relação com locadoras, por si só, não explica dinheiro suspeito de deputados do PL

Indícios de enriquecimento ilícito juntados à investigação e as evidências de lavagem denotam a existência de crime. Mas de onde vem o dinheiro?

A Polícia Federal encontrou R$ 430 mil “esquecidos” no armário de um flat do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL, um homem pobre de marré, a julgar pela declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral três anos atrás.

Os funcionários dos gabinetes, mesmo os de salário mais modesto, movimentaram uma montanha de dinheiro – R$ 28 milhões, segundo a Polícia Federal.

Há diálogos, captados não se sabe de que forma, em que o parlamentar diz que vai “pagar por fora” despesas que não são completamente descritas. Repare: “pagar por fora”.

Carlos Jordy, segundo o próprio irmão, é um homem de vida complicada, com um passado comprometedor. Entre tantas coisas pesadas, há a acusação de ter se valido da assinatura de um morto para liberar emendas no valor de quase R$ 5 milhões para uma ONG fluminense para lá de suspeita chamada Instituto Realizando o Futuro.

Tudo muito, muito suspeito mesmo – ainda mais porque o assunto diz respeito a parlamentares moralistas que usam a corrupção dos outros como arma retórica – a da esquerda –, mas fazem vistas grossas para o roubo de joias, raspadinhas e o suborno na compra de vacinas.

Quando a Polícia Federal bateu na porta da casa de ambos, buscava elementos para provar que os deputados do PL tinham negócios com uma pequena locadora de fachada, a Harue Locação de Veículos Ltda, que supostamente lavava dinheiro de corrupção emitindo notas fiscais sem prestar os serviços.

Os dados da relação entre Sóstenes, Jordy e a Harue são públicos e podem ser facilmente perscrutados nas páginas de transparência da Câmara Federal. E foi a partir dessa relação comercial que a operação Galho Fraco foi deflagrada.

Ocorre que, observados com lupa, os números registrados na contabilidade da Câmara não amparam nem minimamente as suspeitas que levaram o ministro Flávio Dino a autorizar a busca e apreensão – muito menos a pretendida prisão de Sóstenes Cavalcante, que foi negada pelo ministro.

Com o auxílio de alguns scripts python (uma linguagem de computador), levantei todos os dados das duas locações. Meu objetivo era entender como os espertalhões bolsonaristas enganaram os mecanismos de fiscalização da Câmara para se locupletar com verba de representação tomada de volta de falsos fornecedores.

Mas o que os números nas planilhas mostraram é que, pelo menos no que toca à regularidade das diversas transações visando a locação de veículos de representação, não parece haver absolutamente nada de anormal, salvo uma formalidade fiscal ou outra.

Foi o que disseram os dois deputados – e ninguém acreditou. Nem mesmo eu, que tratei de logo fazer um post irado reproduzindo o clamor e a indignação que tomaram conta do País.

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O que dizem os números
Embora a Polícia Federal considere apenas o período entre 2020 e 2024, minha prospecção abrangeu um período muito maior – os últimos dez anos. Sóstenes Cavalcante alugou carros da empresa entre dezembro de 2017 e abril de 2023. Nesse período, a Câmara pagou à locadora um total de R$ 337.613,00, valor maior do que o apontado pela PF em seu relatório por causa da extensão da análise no tempo.

Foram realizados 87 pagamentos, sendo o menor de R$ 2.213,00 e o maior, de R$ 4 mil. A média mensal foi de R$ 3.975,73. São valores compatíveis com o mercado de locação ou assinatura de veículos.

Carlos Jordy foi cliente da empresa entre março de 2019 e abril de 2023. Nesse período a Harue recebeu da Câmara R$ 281,4 mil em 68 pagamentos mensais. O valor médio foi de R$ 4,2 mil por mês – nada exorbitante se comparado com o que o mercado cobra de empresas e particulares para o mesmo tipo de serviço.

Isso me faz questionar: valeria mesmo a pena e o risco de reunir uma dúzia de cúmplices para dividir um bereré de quatro mil reais por mês?

A soma dos pagamentos reembolsados aos dois deputados alcança R$ 619.013,00. Anote esse número.

O que a PF disse a Flávio Dino
A Polícia Federal investigou a movimentação financeira dos funcionários dos dois parlamentares. Ao pedir autorização para a busca e apreensão da sexta-feira 19/12, informou que localizou um tráfico de dinheiro sem origem que chegava à casa de dezenas de milhões. E “mandou a brava” para Flávio Dino com os seguintes argumentos:

  • O assessor do PL Adailton Oliveira dos Santos teria, segundo o levantamento da PF, recebido em suas contas bancárias R$ 11.491.410,77 em créditos, dinheiro sem origem nem destinatários claros.
  • Uma parte desse dinheiro, R$ 2.789.526,93, foi remetida a “beneficiários não identificados, sob a rubrica “NOME NÃO IDENTIFICADO””.
  • Na conta de Florenice Santana entraram R$ 3.932.991,67. Uma parte desse dinheiro, R$ 599.379,90, foi transferida para “beneficiários não identificados, sob a rubrica “NOME NÃO IDENTIFICADO””.
  • Itamar de Souza Santana, assessor de Carlos Jordy, recebeu em sua conta-corrente R$ 5.907.578,17. Alguém que não foi identificado recebeu uma parte dessa bolada – R$ 640.020,00.

Segundo a Polícia Federal, “o volume e a natureza das transações revelam incompatibilidade com a capacidade econômica ostensiva de ITAMAR DE SOUZA SANTANA, impondo aprofundamento da análise”.

O sobrenome Santana aparece repetidas vezes na peça, o que fez com que as autoridades policiais passassem a suspeitar que essa família também tem as feições de uma organização criminosa.

Ressalte-se aqui que muitos nomes aparecem na investigação sem que seus papéis e funções no esquema sejam minimamente descritos. Ao final da leitura da peça, fica a sensação de que os nomes foram sendo jogados no balaio de imprecisões para impressionar – e impressionam mesmo.

Valdir Cesar Torres, por exemplo, teria sido o autor de ao menos duas transferências vultosas para os Santana, no valor de R$ 130 mil. A Polícia não sabe, ou ao menos não descreve, quem vem a ser e o que fazia Valdir no contexto da organização criminosa. E isso se repete com vários outros nomes que aparecem na petição ao STF.

Andrea de Figueiredo Desiderati, que também surge sem categorização, recebeu R$ 6.602.061,14 em créditos e debitou R$ 6.690.329,17 “com identificação de recursos oriundos da Câmara dos Deputados”. Mas a investigação não explica quem é nem o que fazia essa pessoa no contexto das transações suspeitas.

A petição encaminhada a Flávio Dino enumera três motivos para desconfiar dessa gente: “incompatibilidade dos valores movimentados com os rendimentos lícitos dos envolvidos; fracionamento de saques e depósitos em quantias não superiores ao valor de R$ 9.999,00; e identificação dos principais remetentes e destinatários dos recursos como sendo servidores comissionados da Câmara dos Deputados, vinculados aos gabinetes dos parlamentares federais SÓSTENES CAVALCANTE e CARLOS JORDY”.

Foi um achado grave e importante, provavelmente feito a partir de registros do COAF. O problema é que não existe um elo claro entre a dinheirama que irrigou as contas dos funcionários de Sóstenes e Jordy e os negócios da locadora Harue.

Contra a locadora, a PF argumenta que ela tentou dissimular os indícios de uma suposta atividade criminosa mudando seu nome de fantasia três vezes: passou de MOBILE RENT CAR para Alfa Auto Car Locação de Veículos Ltda, e posteriormente para Harue.

O relatório da PF não declara, mas o CNPJ da empresa permaneceu o mesmo – daí a possibilidade de rastrear com facilidade todas as transações entre ela e a Câmara Federal.

Outro argumento dos investigadores para apontar a empresa como uma espelunca de fachada foi a descoberta de que ela não funciona mais no local que aparece em seus registros cartoriais: “em diligência in loco, a equipe policial constatou que a empresa não funciona mais em seu domicílio, o que permite concluir a dissolução irregular da empresa (SIC)”, afirma a petição.

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Ministro Flávio Dino. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Mas qual o link entre essa locadora e a lavagem de dinheiro?
Na petição ao Ministro Flávio Dino, a PF afirma, mas sem estabelecer uma conexão imediata, que “dissolvida irregularmente, a referida sociedade empresária continua a receber pagamentos feitos pelos parlamentares Deputado Federal CARLOS JORDY (licenciado) e Deputado Federal SÓSTENES CAVALCANTE (em exercício), os quais são reembolsados como despesas pagas com cota parlamentar, relativa a locação ou fretamento”

Ocorre que há uma disparidade enorme entre os valores efetivamente pagos à Locadora Harue e o volume de dinheiro que circulou pelas contas dos assessores dos dois parlamentares.

O valor total pago pela Câmara, como vimos anteriormente, foi de pouco mais de R$ 619 mil (aquele número que eu pedi pra você lembrar), contra uma movimentação suspeita de R$ 28 milhões – quase 45 vezes maior. Nem mesmo contando em dobro entradas e saídas a contabilidade mágica da Harue consegue explicar a dinheirama que circulou pelos gabinetes – tampouco autoriza a suposição de que o esquema criminoso se baseava nessa relação.

Por outro lado, os indícios de enriquecimento ilícito juntados à investigação e as evidências de lavagem de dinheiro denotam a existência de fatos criminosos – ou avalizam a suspeita de que algo muito estranho está transformando modestos servidores em prósperos aristocratas.

De onde vem o dinheiro?
Eis aí uma pergunta que permanece sem resposta. Na cobertura feita pela imprensa, todos os caminhos levaram à suposição de que a locadora é a porta de entrada da lavanderia de Jordy e Sóstenes. Mas olhando com atenção os números, eles não nos dizem nada disso.

Alguns dos argumentos alinhavados pela PF não passam de ilações Por exemplo, a versão propalada de que o tamanho da empresa, pequeno diante da grandiosidade dos concorrentes, é mais um indício de que ela é parte de uma perigosa organização criminosa.

O relatório da PF afirma que, pelo tamanho da frota, “verifica-se uma discrepância, haja vista a Harue ter somente 5 veículos em sua frota,[quando] por outro lado, as empresas no Rio de Janeiro RJ têm sempre frota superior a 20 veículos”.

Ser pequeno, no entanto, não implica ser criminoso.

Os recibos dos pagamentos reembolsados pela Câmara demonstram que de fato essa locadora teve poucos clientes no período analisado – supostamente em função da frota diminuta. Ao contrário de empresas como a Pantanal Veículos Ltda, que aluga ou alugou carros para 277 deputados nos dez anos analisados por mim, a Harue atendeu apenas 10 parlamentares de sete partidos diferentes, do PL ao PT, com preços na mesma faixa.

Já foram clientes dela Danilo Forte, Dr Flávio, Marco Tebaldi, Max Beltrão, Omar Bertoldi, Vermelho, Waldenor Pereira e Wolney Queiroz. A PF não buscou elementos para incriminar nenhum deles por lavagem de dinheiro.

Outros indícios
A busca e apreensão autorizada pelo ministro Flávio Dino conseguiu recolher elementos que podem ajudar a entender de onde vem o dinheiro dos funcionários dos dois parlamentares.

Um dos mais importantes foi a descoberta de quase R$ 500 mil no armário do flat de Sóstenes Cavalcante. O achado trouxe imediatamente à memória a Operação Lunus, que em 2002 matou a candidatura de Roseana Sarney à presidência da República, e a Tesouro Perdido, que em 2017 botou na cadeia o então superpoderoso Geddel Vieira Lima, encerrando sua carreira política.

Dinheiro encontrado com Geddel Vieira Lima, em 2002

Sóstenes disse que vendeu um apartamento e esqueceu de depositar o dinheiro, como se fosse normal alguém ficar com essa quantidade de cédulas em casa sem se lembrar delas. Ainda mais um sujeito que deve ter alguma dificuldade para pagar os boletos, visto que na última eleição declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de menos de R$ 5 mil.

Diante da alegação, a pergunta é inevitável: como alguém que não tinha nada há 3 anos pode ter comprado um apartamento que revendeu agora por um valor quase 80 vezes maior?

Políticos gostam de dinheiro e costumam dar desculpas esfarrapadas para explicar o inexplicável quando são pegos com a boca na botija. Foi o caso de Sóstenes Cavalcante, que, ou mentiu ao declarar à Justiça Eleitoral que era pobre de marré, ou mente agora para dizer que não é tão rico quanto parece.

Encaminhei o texto desta matéria aos implicados e pedi para ouví-los e contestarem o que quiserem. Assim que eu tiver as respostas, o texto será editado para contemplá-las.

As planilhas podem ser consultadas na íntegra no nosso site. Para acessá-las, basta clicar aqui.

*Fabio Pannunzio/ICL


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Como funciona e as principais provas do esquema de desvio de cota de parlamentares do PL, segundo a PF

A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de desvio de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar, envolvendo os deputados federais Sóstenes Cavalcante (líder do PL na Câmara) e Carlos Jordy (ambos do PL-RJ).

A operação mais recente, chamada Galho Fraco, deflagrada em 19 de dezembro de 2025, é um desdobramento da Operação Rent a Car (de dezembro de 2024), que inicialmente mirou assessores.

Como funciona o esquema, segundo a PF
Os deputados contratavam serviços de locação de veículos (como da empresa Harue Locação de Veículos, considerada de fachada, com frota mínima e dissolvida irregularmente, mas que continuou recebendo pagamentos).

Esses contratos eram pagos com a cota parlamentar (verba pública reembolsada pela Câmara para despesas do mandato, como aluguel de carros).

Os serviços seriam simulados ou inexistentes, permitindo o desvio de recursos para benefício próprio dos envolvidos.

Assessores comissionados (como Adailton Oliveira dos Santos e Itamar de Souza Santana) atuavam como intermediários, dando aparência de legalidade e facilitando a devolução ou redirecionamento do dinheiro.

Para ocultar o dinheiro desviado, usavam a técnica de “smurfing” (saques e depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil para evitar alertas do sistema financeiro) e lavagem via empresas de fachada.

Os crimes apurados incluem peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com atuação coordenada entre parlamentares, servidores e particulares.

Principais provas apontadas pela PF

  • Mensagens de celulares apreendidos na Operação Rent a Car, indicando conluio entre assessores e possível envolvimento direto dos deputados.
  • Depoimentos de assessores e quebras de sigilo bancário/telemático, revelando transações suspeitas.
  • Movimentações financeiras incompatíveis: assessores e ligados movimentaram cerca de R$ 28,6 milhões (em alguns relatos até R$ 27-28 mi) em poucos anos, sem justificativa com suas rendas declaradas.
  • Pagamentos contínuos a empresas de fachada (ex.: Harue recebeu R$ 214 mil de Jordy e R$ 192 mil de Sóstenes entre 2020-2024 via cota).
  • Apreensão de R$ 430 mil em dinheiro vivo no apartamento de Sóstenes Cavalcante em Brasília (escondido em saco de lixo), durante buscas da Operação Galho Fraco.
  • Indícios de despesas “inexistentes ou irregulares” custeadas com a cota, confirmados por análise de documentos e fluxos financeiros.

Os deputados negam irregularidades: Sóstenes alega que o dinheiro apreendido vem de venda de imóvel e classifica a investigação como perseguição política; Jordy diz que os contratos eram legítimos para aluguel de veículos e que não fiscaliza frotas internas de empresas. A investigação continua, autorizada pelo STF (ministro Flávio Dino), com quebras de sigilo e compartilhamento de dados com a Receita Federal.


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