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Em abalo global, Trump retira EUA de 66 organizações internacionais

Exclusão afeta agências e pactos que lidam com direitos humanos, clima, violência contra mulheres e racismo

O governo de Donald Trump anunciou a retirada dos EUA de 66 organismos internacionais, incluindo 31 agências da ONU que lidam com racismo, violência contra mulher, clima, direitos humanos e democracia.

A lista prevê, entre outros, o fim da participação americana nos seguintes órgãos:

  • Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, vencedor do Nobel da Paz,
  • Comissão de Direito Internacional
  • Fórum Permanente sobre Afrodescendentes
  • UNCTAD – a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
  • Fundo das Nações Unidas para a Democracia
  • Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
  • Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos
  • Fundo de População das Nações Unidas
  • Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas e dezenas de outros.

O gesto representa o maior abalo ao sistema multilateral desde sua criação, em 1945. Naquele momento, ato que foi patrocinado e orquestrado pelo próprio governo americano.
No início de seu mandato, Trump havia cortado o repasse para os organismos relacionados com a ONU, alertando que iria avaliar a conveniência de se manter ou não nesses pactos.

Agora, a decisão foi a de se retirar de 66 iniciativas, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece as negociações climáticas internacionais.

A a decisão inclui agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em clima, direitos humanos e uma agenda considerada como “woke”.

Segundo Washington, elas promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA”.

“O governo Trump considerou essas instituições redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, dispendiosas, mal geridas, capturadas pelos interesses de atores que promovem suas próprias agendas contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral de nossa nação”, disse o Departamento de Estado em um comunicado.

“Essas retiradas encerrarão o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades dos EUA, ou que abordam questões importantes de forma ineficiente ou ineficaz, de modo que o dinheiro do contribuinte americano seja melhor alocado de outras maneiras para apoiar as missões relevantes”, disse a Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, Trump buscou cortar o financiamento dos EUA para a ONU, deixou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, rompeu com a agência de ajuda humanitária palestina UNRWA e deixou a UNESCO, OMS e o Acordo de Paris.

A ruptura ainda ocorre num momento em que Trump viola o direito internacional, confiscando barcos em águas internacionais, atacando países estrangeiros, sequestrando um presidente, rompendo acordos comerciais e chantageando líderes pelo mundo.

Veja a lista de todas as entidades afetadas pela saída dos EUA:

i) Pacto para Energia Livre de Carbono 24/7;

(ii) Conselho do Plano Colombo;

(iii) Comissão para a Cooperação Ambiental;

(iv) A Educação Não Pode Esperar;

(v) Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas;

(vi) Fórum dos Laboratórios Nacionais Europeus de Pesquisa Rodoviária;

(vii) Coligação Liberdade Online;

(viii) Fundo Global para o Envolvimento e a Resiliência da Comunidade;

(ix) Fórum Global de Contraterrorismo;

(x) Fórum Global sobre Especialização em Cibersegurança;

(xi) Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento;

(xii) Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais;

(xiii) Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável;

(xiv) Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas;

(xv) Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;

(xvi) Centro Internacional de Estudos para a Preservação e Restauração de Bens Culturais;

(xvii) Comitê Consultivo Internacional do Algodão;

(xviii) Organização Internacional de Direito do Desenvolvimento;

(xix) Fórum Internacional de Energia;

(xx) Federação Internacional de Conselhos de Artes e Agências de Cultura;

(xxi) Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral;

(xxii) Instituto Internacional para a Justiça e o Estado de Direito;

(xxiii) Grupo Internacional de Estudos sobre Chumbo e Zinco;

(xxiv) Agência Internacional de Energias Renováveis;

(xxv) Aliança Solar Internacional;

(xxvi) Organização Internacional de Madeiras Tropicais;

(xxvii) União Internacional para a Conservação da Natureza;

(xxviii) Instituto Pan-Americano de Geografia e História;

(xxix) Parceria para a Cooperação Atlântica;

(xxx) Acordo de Cooperação Regional para o Combate à Pirataria e ao Roubo Armado contra Navios na Ásia;

(xxxi) Conselho de Cooperação Regional;

(xxxii) Rede de Políticas de Energias Renováveis ​​para o Século XXI;

(xxxiii) Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia;

(xxxiv) Secretariado do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico; e

(xxxv) Comissão de Veneza do Conselho da Europa.

Na Organizações das Nações Unidas:
(i) Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais;

(ii) Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) – Comissão Econômica para a África;

(iii) ECOSOC – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe;

(iv) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico;

(v) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental;

(vi) Comissão de Direito Internacional;

(vii) Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais;

(viii) Centro de Comércio Internacional;

(ix) Gabinete do Conselheiro Especial para a África;

(x) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças em Conflitos Armados;

(xi) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos;

(xii) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças;

(xiii) Comissão de Consolidação da Paz;

(xiv) Fundo para a Consolidação da Paz;

(xv) Fórum Permanente sobre Afrodescendentes;

(xvi) Aliança das Civilizações das Nações Unidas;

(xvii) Programa Colaborativo das Nações Unidas para a Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;

(xviii) Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento;

(xix) Fundo das Nações Unidas para a Democracia;

(xx) UN Energy;

(xxi) Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres;

(xxii) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima;

(xxiii) Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos;

(xxiv) Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa;

(xxv) UN Oceans;

(xxvi) Fundo de População das Nações Unidas;

(xxvii) Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas;

(xxviii) Conselho de Chefes Executivos do Sistema das Nações Unidas para a Coordenação;

(xxix) Escola de Formação de Pessoal do Sistema das Nações Unidas;

(xxx) UN Water

(xxxi) Universidade das Nações Unidas.

*Jamil Chade/ICL


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Trump e o marketing do absurdo para abafar seus escândalos macabros

Trump criou um pé de vento carregado de espetáculos para não ser devorado politicamente pelos próprios crimes diante da opinião pública.

Daí a busca por uma técnica de frenesi coletivo de seus eleitores e apoiadores mundo afora, inclusive no Brasil. A fonte, já se conhece, Steve Bannon, campaheiro de farsa de Trump e que foi a cabeça do bolsonarismo enquanto Bolsonaro era presidente quando deu fim à vida de mais de 700 mil brasileiros e, de lambuja, devolveu o Brasil ao mapa da fome, tratando 34 milhões de brasileiros como lixo humano, tendo que viver, quando muito, na fila do osso.

Esse é o marketing do absurdo de Trump que coloca o mundo de ponta-cabeça para seus súditos o adorarem. Então, faz tudo que dá na venta de seu guru do marketing.

É fundamental chocar para forjar fatos da forma mais infeliz e desarvorada, omo foi o sequestro de Maduro e esposa, transmitido ao vivo e a cores para o mundo todo.

O caso de Trump de envolvimento com pedofilia, cada vez mais está sendo exposto, na medida em que as investigações avançam e o calor aumenta para o seu lado.

Mas não é só isso, a derrocada da economia norte-americana para a vida dos cidadãos também é outro péssimo termômetro para Trump, que se colocou como a voz do dinheiro que resolveria todos os problemas financeiros da população com suas tarifas do fim do mundo.

N averdade, o dinheiro não veio, ao contrário, o norte-americano hoje tem que gastar muito mais para sobreviver ao caos provocado pelo chefe de Estado.

Na realidade, Trump não soube produzir nada além de uma extensa quantia de lambanças que custam caro aos cidadãos do seu país, porque as tarifas não passaram de vertigem.

Por outro lado, arregala os olhos da população aquilo que está sendo vazado sobre a sujeira envolvendo Trump e outros figurões da política e do mundo dos bilionários sobre uma rede de pedofilia sobre a qual simplesmente ele não abre a boca para comentar.

Por isso Trump precisou criar um circo para se vender como venerado para a irmandade, na base do tanque de guerra, dos helicópteros e da artilharia pesada contra a segurnaça de Maduro, mas também no assassinado a sangue frio da população civil da Venezuela.

É difícil dizer o que lhe reserva depois da invasão de seu “quintal”.

Tudo isso que Trump espetacularizou será capaz de turvar os escândalos de pedofilia e o fracasso das tarifas?


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Trump com a cabeça a prêmio?

Trump, em discurso profético para seus aliados no Congresso, avisa que, se os republicanos perderem para os democratas as próximas eleições lwgislativas, seu impeachment estará garantido. Esse é o espírito dos democratas.

Trump cobrava unidade para colocar seus planos em ação, porque, sem o apoio dos próprios republicanos, a criatura amargará uma degola em tempo recorde.

Por isso a ansiedade de Trump em lançar uma campanha avisando o apetite que os democratas estão de secar suas políticas e, consequentemente, fazer sua caveira diante do povo norte-americano.

Os dois polos políticos nos EUA seguem rachados, praticamente meio a meio.

Trump não é exatamente uma estrela para o país, o modo como age, as medidas que tomou sobre as tarifas, piorando a vida do cidadão médio, mas sobretudo dos pobres daquele país, coloca seu mandato em gravitação no mundo político e abre um flanco no jogo com movimentos que podem se sobrepor sua meta.

Ou seja, independente da interpretação que Trump faz sobre seu futuro, ele sente a serpente cada vez mais perto do seu pé. Não cabe nesse momento veleidade poética, o que ele cobra dos republicanos é que eles entrem pesado nesse jogo ao estilo, bola para o mato que o jogo é de campeonato, e que, do pescoço para cima, tudo é canela.


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Sem ter combinado com os russos, Trump começa a ver os sonhados investimentos no petróleo da Venezuela fazer água

O clima de insegurança para os investidores que têm que casar pesadamente em infraestrutura na Venezuela, hoje, totalmente precária, é banho de água fria nos palavrórios de Trump.

Ninguém quer colocar o seu na reta e casar dinheiro bom em bases podres.

A realidade, diante das teorias megalomaníacas de Trump, trava os planos dos Estados Unidos na Venezuela.

Quem está assistindo a essa espécie de déja vu e entende do riscado, acha que, no mínimo é tiro no pé colocar centavo para extrair petróleo na Venezuela.

A própria política norte-americana de bloqueio econômico sucateou a infraestrutura petrolífera no país. Diante de um quadro desse, o diabo é muito mais feio do que o pintado por Trump, pois assusta e afasta os supostos investidores sonhados pela Casa Branca, que têm medo de uma expropriação que lhes custe o olho da cara.

Muitos economistas sérios, dentro dos próprios EUA, colocam em xeque essa tática, sobretudo no momento em que sobra oferta de petróleo no mercado mundial..

Para muitos, investir nesse oceano de incertezas, é risco de barrigada, porque a palavra mágica “petróleo”, além de não ser tão mágica assim no momento, ainda falta concretude.

Na verdade, o que se diz é que, em Whasington, a ficha caiu, diferentemente de outras intervenções em países produtores de petróleo, o plano de Trump para a Venezuela reúne uma gigantesca montanha de obstáculos que vão muito além da política de pilhagem dos EUA.

Não é somente a infraestrutura que se apresenta como entrave, maquinários, pontes antigas, ou seja, totalmente obsoletos, tornam o subsolo venezuelano algo bem mais complexo e custoso para qualquer desafio logístico nesse momento.

Sem falar do próprio regime chavista, que se mantém no poder sem hora ou prvisão, mesmo longínqua, de troca de comando no país. Como se diz por aí, ao contrário do que foi “pensado”, de perto, tudo tem defeito, sobretudo, o ouro negro venezuelano.

Por ora, fica a máxima, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.


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Ninguém sabe qual será o próximo passo de Trump na Venezuela, muito menos ele

O que Trump disse ontem, esquece, hoje já está fora de moda.

Seguindo o padrão de suas tarifas, o balofo se perde na própria língua. Ele deve se inspirar nos napoleões de hospício. Sórdido, burro, é um lambão clássico, daquelas falas esculpidas do mais alto grau de estupidez.

O resultado é singular, porque o que ele disse ontem contrasta com aquilo que ele diz hoje e com o que dirá amanhã. No caso dele, é só uma troca de sardas e pés de galinha.

Sequestra o presidente da Venezuela e esposa e impossa sua vice desqualificando a líder da oposição venezuelana, dizendo que ela não tem graça, não tem voto, não tem popularidade, não tem p… nenhuma.

Esse é Trump, que mantém um romance com seu espelho 24 horas por dia, fazendo o governo dos EUA parecer uma lavanderia de roupa suja.

Com Trump é assim, não tem frescura, a merda que disse ontem se contrapõe ao que dirá hoje. E assim, a de hoje, amanhã vira verruga e a primeira fita que ele encontrar, enfeita um novo pavão.

O golpe que ele bolou para a Venezuela, dizem alguns analistas, foi urdido por muito muito tempo. Mas essa extrema dubiedade logo após o malfeito mostra que essa espécie de criatura vive dividida entre duas personalidades descadeiradas por sua própria falta de capacidade de gestão e de viver na base do improviso espetaculoso.

Tem que ser muito submisso a esse maluco de pedra para aturar suas marmeladas diárias.

Uma coisa é certa, o tal plano mirabolante que ele tramou, é uma escola de trapalhões que parece entrar num beco sem saída logo à frente, na segunda página da história.

Como o sujeito não preparou uma desculpa minimamente decente, tem que inventar um lero-lero a cada 5 minutos para justificar a corda o pescoço de Maduro.

Foi esse imbróglio que ele criou nesse tempo todo de plano de tomada de poder na Venezuela?

Trump vive de frase de efeito, festejando hoje o que expurgará amanhã. Fogueteia o alcance de uma glória e 1 hora depois expurga .

O fato é que, se Trump não sabe o que ele de fato quer, e isso está claro, ceifando todo e qualquer raciocínio lógico, só os tolos tentam reorganizar o discurso para “explicar esse animal”.


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Política

Com suas platitudes modorrentas, GloboNews segue tratando Maduro como ditador e Trump como vingador

A GloboNews, a seu modo, está passando pano para o ataque dos EUA na Venezuela, que resultou no sequestro de Maduro e sua esposa.

Nem o número de vítimas civis fatais, dentro de casa, pelo Exército dos EUA, aqueles comentaristas, que passam o dia todo comentando platitudes sonolentas, ousam falar.

É muito bromato na massa para apresenar uma embalagem com conteúdo vazio aos velhos moldes de manipulação dos Marinho. O máximo que chegam é falar de an passam que Trump descumpriu leis e acordos internacionais, mas o tratam como um vilão boa praça, amigo da garotada, com uma aura de vilania café com leite, sendo apresentado como presidente dos Estados Unidos, enquanto o agredido e sequestrado Nicolás Maduro é diuturnamente tratado como um ditador que oprime seu povo.

Isso segue uma cartilha padrão pró-imperialista, marca inconfudível do império Globo, parceiro de décadas e propagandista oficial dos EUA no Brasil, sem falar que a Globo é a principal responsável pela representação da indústria norte-americana de cultura de massa e fomentadora do pior nicho cultural importado daquele país.

Não espere ouvir nada além de comentários sem qualquer importância no debate nacional sobre os atos do Exército norte-americcano e as consequências para a Venezuela e toda a América Latina.

A Rede Globo de Televisão nasseu com essa missão, a de ser a máquina de propaganda do império no Brasil.

Os comentaristas não podem deformar tanto os fatos, mas fazem pior, omitem informações como se fatos graves não tivessem acontecido na Venezuela a mando de Trump.

É um troço pavoroso. Com uma crítica meia boca a Trump e um martelete tilintando que o grande vilão da história é o próprio Maduro.

É inacreditável alguém se sujeitar a cumprir esse papel em nome da manutenção do emprego, mas essa é a condição sine qua non para fazer parte do colunismo da GloboNews.


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Mundo

Petróleo e poder: Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

Por Bruno Fonseca – Agência Pública

Petróleo ou poder? Esses dois aspectos ficaram evidentes na fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando tentou justificar o ataque ilegal à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro durante o pronunciamento de quase uma hora feito no sábado, 3 de janeiro, na Flórida.

“Vamos reconstruir a infraestrutura de petróleo, o que vai custar bilhões de dólares. Isso será pago diretamente pelas empresas petrolíferas. Elas serão reembolsadas pelo que estiverem fazendo, mas tudo isso será pago, e vamos fazer o petróleo fluir como deveria […] Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão”, disse Trump, deixando esdruxulamente explícito o interesse dos EUA – e das empresas petrolíferas – em entrar na Venezuela.

Além de falar quase 20 vezes a palavra petróleo (oil, em inglês) Trump também sinalizou o que significa para os EUA destituir Maduro e decidir como o país deve ser governado: “A Venezuela tem muitas pessoas ruins lá dentro, muitas pessoas ruins que não deveriam liderar. Não vamos correr o risco de uma dessas pessoas assumir o lugar de Maduro […] Precisamos de países seguros ao nosso redor”, falou.

Para o economista e co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), Mark Weisbrot, essa dupla de palavras “petróleo e poder” explica o que motivou a ação ilegal dos EUA na Venezuela, mas também serve para ilustrar as visões dos dois homens que mais têm controle sobre a política externa dos EUA atualmente: o próprio Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

“Para Trump, trata-se de petróleo. Mas, para Marco Rubio, a questão é muito mais a mudança de regime […] E não se trata apenas de Cuba e Venezuela; eles querem transformar toda a região”, explica, em entrevista para a Agência Pública.

Weisbrot avalia que Rubio é um dos principais defensores do projeto de que os EUA interfiram cada vez mais em países da América Latina, sob a lógica da Doutrina “Donroe”, para destituir adversários e manter apenas os governos que sejam subservientes a Washington. Nesse plano, alvos prioritários seriam Cuba e Colômbia (cujo presidente foi ameaçado diretamente por Trump), mas Brasil e México também estão no radar – mesmo que seja improvável que os EUA atuem da mesma forma nesses países como fizeram na Venezuela.

“[Nas últimas décadas] Os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democráticos, incluindo o Brasil […] Eles não querem que nenhum país tenha poder. E isso também é verdade para [a relação dos EUA com] Lula. Eles não gostaram que Lula não se alinhasse com seu projeto geopolítico, que é um projeto de dominar todos os governos que eles possam”, analisa.

Leia a entrevista completa a seguir.

Na sua visão, qual é a motivação central por trás do ataque dos Estados Unidos? É o petróleo? A geopolítica internacional? Algum outro fator?

Para Trump, trata-se de petróleo. Ele afirmou isso repetidamente… Mas para Marco Rubio [secretário de Estado dos Estados Unidos], a questão é muito mais sobre mudança de regime: ele vê essa mudança como um passo rumo ao seu sonho de toda a vida de promover uma mudança de regime em Cuba.

Essa operação de mudança de regime na Venezuela já dura 25 anos; documentos do Departamento de Estado dos EUA de 2002 reconhecem o papel substancial dos Estados Unidos no golpe daquele ano [na época, uma tentativa fracassada de golpe tentou retirar o presidente Hugo Chávez do poder]. E isso tem muito mais a ver com poder do que com petróleo. E esses esforços de mudança de regime continuaram de forma ininterrupta até hoje.

Com as maiores reservas de petróleo do mundo, o que de fato poderia mudar para os Estados Unidos, em termos de acesso ao petróleo, caso se consolide uma mudança de regime na Venezuela?

Não acho que vá haver muito interesse imediato por parte das empresas petrolíferas americanas na Venezuela, porque a situação é instável demais, e o próprio governo Trump é muito instável no que diz respeito ao que pode fazer a seguir.

Por que os Estados Unidos não tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro, que desde o início disse que não queria um conflito?

Trump e seu enviado presidencial especial, Richard Grenell, de fato tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro; não está claro por que isso não teve sucesso, mas é possível que a pressão contínua de Rubio por uma mudança de regime e outras abordagens mais violentas façam parte da resposta.

Houve uma grande diferença entre Rubio e Trump nesse ponto. Trump estava interessado no petróleo, e Rubio queria mudança de regime. E assim, segundo relatos da imprensa, por exemplo, do New York Times – enquanto Trump oscilava entre tentar negociar um acordo petrolífero com Maduro ou tentar derrubá-lo – Rubio parecia estar, de acordo com relatos de pessoas que falaram com ele, tentando convencer Trump de que a melhor forma de obter o petróleo seria por meio de uma mudança de regime.

O quão central é para os EUA de Trump ter acesso a reservas adicionais de petróleo e gás?

Os Estados Unidos são exportadores líquidos de mais de 800 milhões de barris de petróleo por ano e, portanto, não precisam ter acesso ao petróleo venezuelano. Mas Trump não aceita que o clima global esteja, de fato, mudando como resultado dos combustíveis fósseis; por isso, por várias razões, ele busca aumentar a produção de combustíveis fósseis nos Estados Unidos.

Uma possível razão pela qual o acesso ao petróleo venezuelano poderia ser importante para Trump: é amplamente visto que Trump acumulou bilhões de dólares por ter sido presidente, um fenômeno sem precedentes nos Estados Unidos.

Assim, é concebível que Trump veja o petróleo como mais um grande investimento que poderia beneficiar a ele e à sua família.

Para além do petróleo, quão importante é para Trump afirmar influência na América Latina como parte de sua agenda geopolítica? Como a Doutrina “Donroe” e o confronto com a influência chinesa entram nessa ação?

Bem, para Rubio isso é realmente importante. E não se trata apenas de Cuba e Venezuela — ele e seus aliados na administração Trump e no Congresso querem transformar toda a região. Cuba e Venezuela são apenas parte dessa transformação.

É importante lembrar que, no século 21, em determinado momento da primeira década, a maior parte do Hemisfério Sul viveu sob governos de centro-esquerda, em sua maioria social-democratas. Alguns eram conhecidos como socialistas, mas, na prática, governaram como social-democratas.

Economicamente, os governos de centro-esquerda foram muito bem-sucedidos, reduzindo a pobreza na região de 44% para 28% entre 2002 e 2013, após 20 anos sem nenhum avanço nesse campo. Não é que o governo dos EUA fosse contra a redução da pobreza; ele simplesmente não queria tolerar a independência nacional de que os governos latino-americanos precisavam para produzir esses resultados. E isso é ainda mais verdadeiro hoje, com pessoas como Rubio e Trump no comando.

No século 21, os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democratas da América Latina, incluindo o Brasil.

Lula observou que o governo dos EUA trabalhou para ajudá-lo a ser preso em 2018, para que não pudesse concorrer à Presidência naquele ano. Eles também ajudaram e apoiaram o impeachment de Dilma. E eu poderia passar horas falando sobre todos os governos democraticamente eleitos na América Latina que os EUA tentaram derrubar apenas no século 21: incluindo o apoio a golpes de Estado que removeram presidentes na Bolívia, em Honduras e no Haiti; e que tiveram um enorme impacto negativo sobre democracias de centro-esquerda na Argentina, no Paraguai e em outros países.

Apenas algumas semanas atrás, eles inclusive interferiram na eleição hondurenha [no fim de 2025], com Trump dizendo de forma muito contundente que Honduras seria punida se o eleitorado não votasse no candidato escolhido por Trump. É claro que a administração Barack Obama também apoiou o golpe em Honduras em 2009.

Mas a Venezuela tem sido o principal alvo de mudança de regime na América Latina – e um dos principais alvos no mundo – durante a maior parte dos últimos 25 anos, com algumas exceções, como a guerra do Iraque.

E o país pagou um preço horrível por isso em termos de morte e sofrimento. As sanções dos EUA causaram a maior parte da pior depressão econômica em tempos de paz da história, na Venezuela, com dezenas de milhares de vidas perdidas apenas no primeiro ano das sanções de Trump, em 2017 e 2018; e muito mais do que isso nos anos de 2018 a 2022.

Trata-se de petróleo, mas muito mais de poder, porque a Venezuela, com 300 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, sempre será um país com influência. Em certo momento, na primeira década do século 21, ela estava fornecendo mais ajuda externa a países da América Latina do que os Estados Unidos. E é isso que o governo dos EUA não quer.

Eles não querem que nenhum país tenha o poder – sobretudo – de perseguir, especialmente em grupo, uma política externa independente dos Estados Unidos. E isso também tem sido verdadeiro na relação dos EUA com Lula. Eles não gostaram do fato de Lula não se alinhar ao projeto geopolítico deles, que é um projeto de dominação de todos os governos que conseguirem.

Trump afirmou, em uma entrevista à Fox News, que algo teria de ser feito em relação ao México, citando as atividades de grupos de tráfico de drogas. Quanta realidade você vê nessa ameaça?

Bem, Trump está ameaçando o México, não há dúvida quanto a isso; Rubio provavelmente veria Sheinbaum como um problema, porque ela é uma presidente independente e reconhece, assim como os outros governos independentes remanescentes da região, o quanto a soberania nacional é importante. Novamente, trata-se de poder.

Portanto, eles não a percebem como alguém do lado deles, mas ela tem sido cuidadosa em administrar sua relação com a administração Trump, e Rubio sabe que uma operação de mudança de regime ali seria difícil e potencialmente muito confusa. Ainda assim, eles ameaçaram realizar ações militares dentro do México, e nunca se sabe quando podem considerar útil, para seus próprios objetivos, fazer isso.


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Após ataque na Venezuela, Trump ameaça ações em outros países

A bordo do Air Force One, presidente dos EUA citou considerar operações contra Colômbia, México e Irã; mencionando ‘fragilidade’ de Cuba e anexação na Groenlândia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou neste domingo (04/01) o leque de suas ameaças contra a soberania dos países, no dia seguinte à operação militar na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.

Em conversas com jornalistas a bordo do Air Force One, ele disse considerar operações contra a Colômbia, México e Irã; mencionou a anexação da Groelândia e disse que em Cuba, não precisaria de ações, porque a Ilha já estaria fragilizada.

Ao ser questionado se sua administração poderia realizar uma ação semelhante à da Venezuela contra a Colômbia, Trump respondeu de forma direta: “parece bom para mim.” Ele acusou o presidente Gustavo Petro de envolvimento com o narcotráfico e disse que a Colômbia estaria sendo “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la para os Estados Unidos.”

Em seguida, reforçou o tom de ameaça: “ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Trump também afirmou que o país abriga “fábricas de cocaína e fábricas de cocaína”, em referência às rotas de tráfico que cruzam o território colombiano.

O presidente colombiano Gustavo Petro respondeu às ameaças. Em sua conta no X, escreveu: “pare de me difamar, Sr. Trump”, ressaltando que em mais de meio século de vida política não existe nenhum registro que o vincule ao tráfico de drogas.

Petro afirmou trata-se de uma ameaça inaceitável e afirmou que “não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta pela paz do povo colombiano.” Ele também descreveu a captura de Maduro como um sequestro e classificou a operação dos Estados Unidos como “aberrante.”

México e Cuba
As ameaças de Trump também incluíram o México e Cuba. Ele disse que as drogas estavam “entrando em massa” pelo México e que “vamos ter que fazer algo”, alegando que os cartéis mexicanos eram “muito fortes.”

Sobre Cuba, o presidente norte-americano sugeriu que não seria necessária uma intervenção militar direta porque a Ilha estaria fragilizada. “Não acho que precisamos de nenhuma ação”, disse. “Parece que está acontecendo.” E acrescentou: “não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda. Eles receberam toda a renda da Venezuela, do petróleo venezuelano.”

As declarações reforçaram comentários feitos mais cedo pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que, ao ser questionado se Cuba seria o próximo alvo do governo, afirmou: “o governo cubano é um enorme problema” e, pressionado, acrescentou: “eles estão em grandes apuros, sim.”

Irã
Em relação ao Irã, em meio a protestos internos no país, o presidente norte-americano disse: “se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que vão ser muito atingidos pelos Estados Unidos.”

Durante uma conferência de imprensa nesta segunda-feira (05/01), o porta-voz iraniano do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, condenou o ataque norte-americano contra a Venezuela. Ele declarou que o Irã “não está ligado a indivíduos, mas a princípios”, e afirmou que “o sequestro do presidente de um país não é motivo de orgulho nem é legal”.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Governo Lula teme que método de Trump na Venezuela se alastre pelo continente

Planalto acredita que Trump apostará em um pacto com Delcy Rodriguez. O presidente americano alertou que, se ela não atender a seus interesses, vai sofrer também uma ação

O governo Lula considera que a captura de Nicolás Maduro de Caracas neste sábado pode ser uma indicação por parte do governo de Donald Trump sobre como ele pretende agir no hemisfério Ocidental nos próximos anos.

A análise faz parte das considerações do Palácio do Planalto e será transformada em alertas que, nos próximos dias, serão levados tanto para o Conselho de Segurança da ONU como para conversas bilaterais que devem se proliferar ao longo da semana entre Lula e outros chefes de estado.

Violando as leis internacionais, a ONU e mesmo a Constituição americana, Trump agiu para derrubar um presidente e colocar, no lugar, um acordo que permita que permita que os interesses dos EUA sejam blindados.

O governo brasileiro, segundo fontes de alto de escalão, acredita que a Casa Branca irá apostar, num primeiro momento, por uma relação com Delcy Rodrigues, até então a vice-presidente. Também fica estabelecido um acordo para preservar o restante da estrutura chavista no poder. Trata-se, na visão do Planalto, de uma sinalização de que Trump temia a abertura de uma crise interna e, eventualmente, uma guerra civil.

Pelo acordo, fica impossibilitada a existência de um vácuo de poder. Em nome dessa estabilidade frágil, o governo brasileiro interpreta que Trump abriu mão de dar qualquer tipo de apoio para Maria Corina Machado, a líder da oposição. Na coletiva de imprensa no sábado, o presidente americano rejeitou a ideia de que a vencedora do prêmio Nobel da Paz assuma a presidência, alegando que ela “não tem apoio” na Venezuela.

Trump ameaça Delcy
Trump, neste domingo, de fato confirmou a existência de um entendimento com a nova presidente. Mas alertou que, se ela não seguir as orientações dos EUA, sofrerá um ataque ainda mais intenso que Maduro.

Segundo ele, Delcy vai pagar “um preço muito alto se não fizer o que é certo”. E ainda emendou: “provavelmente maior que Nicolás Maduro”. As declarações foram dadas à revista americana The Atlantic.

O ICL Notícias apurou que o governo brasileiro ainda tenta entender e colher informações sobre como vai funcionar o acordo entre Trump e Delcy. Também existem dúvidas sobre como o restante do chavismo vai se comportar e o que receberá em troca, para aceitar o pacto.

Para membros do governo brasileiro, um sinal importante foi o alerta de Trump de que poderia realizar uma segunda onda de ataques contra Caracas. Membros do governo Lula interpretaram isso como um alerta: ou o pacto permite que se tenha acesso aos recursos naturais – principalmente o petróleo, ou novas ações deveriam ser esperadas.

Também chamou a atenção da cúpula do governo Lula a ausência completa de referências à democracia ou direitos humanos na Venezuela, um discurso que os EUA vinham usando para colocar pressão.

Para o governo Lula, porém, a ação militar de Trump vai “muito além da Venezuela”. E esse é o ponto central do debate e da construção da posição brasileira sobre a ofensiva americana.

Exitosa, a ofensiva pode fortalecer a ideia de que o método de uma intimidação militar terá resultados na região, sempre que os interesses americanos forem ameaçados. “Pode se transformar em uma metodologia”, alertou um experiente negociador.

O cenário é de que um argumento pode ser forjado contra um governo e, partir disso, uma ação militar seja implementada para derrubar um líder que não atenda aos interesses.

O temor, portanto, é de que a região veja uma reprodução em série desse processo: pressão, chantagem por acesso a recursos ou áreas estratégicas e, em caso negativo, operações para derrubar ou enfraquecer governos.

Brasília destaca que parte dessa pressão já havia ocorrido no começo de 2025 com o Panamá. Sob a ameaça americana, o governo centro-americano abriu mão de seus acordos com a China e Trump abandonou a ideia de um discurso militar.

A Venezuela exigiu algo extra. Mas a questão é como os demais governos da região vão se comportar a partir de agora. Ou adotam uma postura “dócil” com Trump ou podem estar ameaçados.

Especial preocupação é o caso da Colômbia, onde Gustavo Petro já é alvo de sanções e Trump alertou que ele poderia ser o próximo.

No caso cubano, a ausência de recursos naturais é um elemento que pode tirar a ilha das prioridades da Casa Branca. Mas derrubar a estrutura castristas poderia ser uma “vitória simbólica” de Trump para sua base mais radical de extrema direita, inclusive latino-americana.

No caso brasileiro, o Planalto admite que existirá um uso eleitoral por parte do bolsonarismo da prisão de Maduro. A estratégia é a de manter um distanciamento em relação às atitudes do governo venezuelano e insistir no fato de que o Brasil criticou o comportamento de Maduro nas eleições e que jamais chancelou o resultado do pleito.

*Jamil Chade/Uol


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“Insanidade”: Deputado democrata diz que Trump está surtando

Não existe plano futuro da Venezuela, diz

deputado democrata Seth Moulton, de Massachusetts, ex-fuzileiro naval e integrante do Comitê das Forças Armadas da Câmara, resumiu em duas frases a entrevista de ontem de Donald Trump: “A gente vai parar [pra pensar] por um segundo? Isso é insano”.

Moulton referiu-se ao fato de que Trump, perguntado agora sobre quem governa a Venezuela, apontou para o grupo que estava atrás de si: o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hesgeth, o diretor da CIA John Ratcliffe, o sub-chefe da Casa Civil Stephen Miller e o general Dan Caine, que comanda o Estado Maior das Forças Armadas.

Nenhum deles tem qualquer experiência administrativa em tocar um país caribenho de 34 milhões que, aliás, ainda tem um governo e instituições funcionando.

Improviso total
Moulton referiu-se aos diferentes argumentos de Trump para cercar e agora sequestrar o presidente da Venezuela e esposa:

Não teve plano algum. Trump mentiu desde o início. Primeiro disse que não faria troca de regime. É o que ele está tentando fazer. Ele disse que era uma guerra sobre drogas, mas o fluxo de drogas vai continuar. Ele disse que era sobre fentanil, mas o fentanil não vem da Venezuela. Ele disse que era sobre cocaína, mas a cocaína da Venezuela vai para a Europa.

Moulton confirmou que recebeu um briefing de Marco Rubio, mas que o secretário de Estado mentiu o tempo todo, dizendo que não haveria troca de regime, nem invasão terrestre.

Ontem, na entrevista coletiva, Trump disse que se o governo da Venezuela não se render ou cair, ele não vê nenhum problema em despachar soldados para uma guerra em solo.

O deputado concluiu:

Talvez seja sobre petróleo, estão tentando roubar o petróleo [da Venezuela], mas não temos certeza porque nada do que Trump diz é verdade.

Na entrevista de ontem Trump também repetiu três mentiras que usou

como justificativa para o ataque: que Maduro comanda um cartel de traficantes; que a Venezuela abriu presídios, asilos e hospitais psiquiátricos para enviar os ocupantes aos Estados Unidos; que o governo em Caracas tenha relação com o Bonde de Aragua, uma facção local.


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