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Cedae abortou saque de R$ 44 milhões no Master; diretor se reuniu com Vorcaro após colapso

Funcionários da Cedae ligados ao ex-governador Cláudio Castro abortaram o resgate de R$ 44 milhões investidos no Banco Master em maio de 2025, quando notícias sobre a situação crítica do conglomerado de Daniel Vorcaro ganharam corpo. Após o colapso da instituição financeira, um diretor indicado por Castro ainda teve um encontro presencial com o banqueiro, mostra investigação interna da estatal a que o ICL Notícias teve acesso.

Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, vinha ignorando alertas de colegiados internos da estatal para reduzir o valor investido no Master, que passava de R$ 200 milhões, desde julho de 2024. Antes de assumir o cargo na estatal, em novembro de 2022, ele havia ocupado o cargo estratégico de assessor-chefe do gabinete de Castro, entre junho e setembro de 2022.

Em 28 de maio de 2025, o gerente financeiro da empresa Rodrigo Borges Mendes, chegou a expedir uma ordem ao Banco Master para o resgate imediato de R$ 44.779.327,32. A determinação foi cancelada 1 hora e meia depois por ordem de Mauro Luis Rodrigues Marques, assessor direto de Santos na DFI. O relatório da Comissão de Ética da Cedae afirma que não foi identificada até hoje “justificativa formal registrada nos autos para a reversão da operação”.

“O Gerente Rodrigo Borges assumiu em entrevista que cancelou um resgate de R$ 44 milhões do Banco Master cumprindo ordens do assessor Mauro sem saber o motivo”, destaca a investigação.

A Cedae só iniciaria os trâmites para de fato recuperar o direito investido em setembro de 2025, após o Banco Central (BC) negar a compra do banco de Vorcaro pelo BRB.

Mesmo diante da iminente quebra do banco, Santos –apoiado pelo então presidente da Cedae, Aguinaldo Ballon, outra indicação direta do núcleo duro do governo Castro– aceitou que a devolução do dinheiro da Cedae fosse feita pelo Master em prestações mensais de R$ 20 milhões – o que faria com que a estatal demorasse cerca de 1 ano para recuperar tudo que tinha investido.

O derretimento do Master veio depois do acordo de parcelamento, em outubro de 2025: o rating do banco despencou para CC na classificação da Fitch, o que representa, na prática, risco iminente de calote. O saldo que a Cedae ainda tinha a receber era de R$ 220.486.968,53.

O Master não pagou os valores prometidos em outubro e novembro. Ainda assim, Antonio Carlos dos Santos tentou negociar. Ele se reuniu diretamente com Daniel Vorcaro em 10 de novembro. Mesmo diante do colapso do banco, o objetivo não era pressionar o banqueiro a devolver imediatamente o dinheiro da Cedae. Segundo o relatório da Comissão de Ética, Santos queria “tentar alterar o contrato e exigir a ‘vinculação de garantias reais’”.

Contudo, “as garantias reais não chegaram a ser consolidadas a tempo”, destaca o documento.

Investimento após jantar de Castro com Vorcaro
Como o ICL Notícias revelou neste sábado (30), Santos iniciou informalmente as tratativas para o investimento de R$ 200 milhões no Banco Master em maio de 2023, uma semana após o governador Cláudio Castro ter um jantar de R$ 60 mil pago por Daniel Vorcaro em Nova York.

O jantar de luxo de Castro com o banqueiro ocorreu no dia 11 de maio de 2023, quando ambos participavam de eventos nos Estados Unidos.

TSE marca para 2 de junho julgamento de recurso de Claudio Castro –  CartaCapital

Seis dias depois, em 17 de maio de 2023, Santos e seus assessores diretos receberam um representante do Banco Master na sede da Cedae, no Centro do Rio de Janeiro, para uma reunião. O encontro marcou o início da negociação para o aporte no conglomerado de Vorcaro, mesmo contrariando as regras internas da companhia naquele momento.

Ao mesmo tempo que mantinha encontros com a cúpula do Master, Santos iniciou uma revisão.

*Igor Mello/ICL


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Política

Em Nova York, Cláudio Castro foi com Vorcaro a degustação de uísque que custou US$ 1 milhão

O ex-governador do Rio de Janeiro foi alvo de busca e apreensão pela PF nesta semana

O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, foi flagrado em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro participando de uma degustação de uísque que custou US$ 1 milhão. A informação foi divulgada pela Globonews e confirmada pela coluna que apurou ainda que o episódio se deu em uma viagem para Nova York, em 14 maio de 2024.

Em 15 de maio de 2024, Castro, então governador do Rio,e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, (Goiás) participaram do “Summit Valor Econômico Brazil-USA”, evento do jornal Valor Econômico — empresa do Grupo Globo — patrocinado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Maste, no hotel Plaza, Quinta Avenida, Nova York. Na mesma data, o Rioprevidência injetou R$ 80 milhões no Master exatamente no mesmo dia em que Castro e Vorcaro dividiram espaço em um evento público.

A coluna apurou que entre os presentes estariam três deputados federais e um ex-ministro de Jair Bolsonaro. Além disso, cada um dos presentes ao jantar no no The Carnegie Club, em Manhattan, puderam levar de presente uma garrafa de uísque selecionado.

Castro foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira (26), em uma operação que investiga aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro.

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integra a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo investimentos feitos pelo fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, as investigações apontam aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos e letras financeiras ligados ao Banco Master entre 2023 e 2024. Parte dos aportes teria sido realizada em letras financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), modalidade considerada de maior risco.

A operação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro deste ano, quando a PF identificou movimentações consideradas suspeitas de aproximadamente R$ 970 milhões entre o Rioprevidência e o Banco Master.

*ICL


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Política

Conversas de Flávio com Vorcaro começaram no maior ciclo de aportes do Rio

Decisão do STF aponta alinhamento político para liberar investimentos bilionários do RioPrevidência no Banco Master

As primeiras conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ocorreram justamente no período em que o governo do Rio de Janeiro ampliava os aportes bilionários do RioPrevidência ao Banco Master, segundo cronologia reconstruída pela reportagem a partir da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

A decisão mostra que o RioPrevidência realizou R$ 970 milhões em aportes em Letras Financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados a fundos ligados ao mesmo grupo financeiro.

Segundo a Polícia Federal, os investimentos ocorreram em meio à “crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez”, cenário que teria tornado “essencial” a captação de recursos de regimes próprios de previdência social.

Foi nesse período que Flávio Bolsonaro passou a se aproximar de Vorcaro. O próprio senador afirmou nas redes sociais que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, durante as tratativas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao universo político bolsonarista.

A declaração ganha relevância porque, segundo a decisão de André Mendonça, dezembro de 2024 marcou o início de uma nova fase de aportes bilionários em fundos ligados ao Banco Master.

Cláudio Castro e Daniel Vorcaro tinham "vínculo próximo", diz PF | CNN  Brasil

PF aponta alinhamento político
A cronologia ganhou peso após a decisão revelar que a Polícia Federal identificou mensagens indicando que determinados aportes do RioPrevidência dependiam de “alinhamento político” com o então governador do Rio, Cláudio Castro.

“A tese investigativa sustenta que a motivação central dessas decisões não residiria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em relação pessoal e indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de mando sobre o RPPS”, escreveu o ministro.

Cláudio Castro é correligionário de Flávio Bolsonaro e um dos principais aliados políticos do senador no Rio de Janeiro. Os dois mantêm proximidade desde o governo Jair Bolsonaro e atuaram juntos em diversas articulações eleitorais no estado.

A investigação sustenta que o avanço dos investimentos foi acompanhado por mudanças estratégicas dentro do RioPrevidência.

Segundo a decisão, dirigentes nomeados para a autarquia passaram a atuar em “desconformidade com a política de investimentos” do fundo, permitindo o credenciamento célere do Banco Master, aplicações sem análise técnica estruturada, ausência de comparação com alternativas de mercado, falhas na avaliação de risco e descumprimento de parâmetros regulatórios.

A decisão também descreve uma relação próxima entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro.

“Portanto, segundo a representação, a atuação do ex-Governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, segundo a decisão.

Segundo a PF, as mudanças dentro do RioPrevidência ocorreram pouco antes do início dos investimentos.

A investigação afirma que gestores passaram a tomar decisões contrárias à política conservadora até então adotada pela autarquia. A PF sustenta que o grupo abriu caminho para aplicações sem estudos técnicos estruturados e sem justificativas formais consideradas idôneas.

Ao validar os fundamentos apresentados pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, André Mendonça afirmou que os elementos reunidos pela investigação “superam largamente a mera conjectura”.

De acordo com Cleber Lourenço, ICL, o ministro também escreveu haver “elevada probabilidade” de existência de um “amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do RioPrevidência”.


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Política

Tiro de misericórdia

Para muitos, a candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência da República foi reduzida a um meme depois da gargalhada coletiva ouvida em Brasília, como se fosse um gigantesco panelaço.

Enquanto Flavio foi aos EUA, numa busca desesperada por um apoio qualquer de Trump, mesmo num bilhetinho do tipo, não posso lhe atender, mas apoio você.

Valdemar da Costa Neto, presidente do partido de Flavio, entregou sua cabeça na bandeja com um tiro de misericórdia na testa em plena GloboNews, ao vivo e a cores, para o rigojizo dos que sempre souberam que esse engodo é um corrupto mentiroso desde que foi funcionário fantasma como “primeiro emprego”

Para quem não sabe, o filho mais velho de Jair Bolsonaro cursava faculdade e fazia estágio no Rio de Janeiro, mas ocupava emprego público em Brasília, no gabinete do PPB, partido pelo qual o pai era deputado.

A entrevista do presidente do PL, no programa Estúdio i, de Andreia Sadi, além de produzir um número sem fim de gargalhadas nas redes, gerou uma gigantesca crise política dentro do universo de apoio a Flavio ao desmentir, categoricamente, a versão do senador miliciano sobre o escândalo que envolve o rachadinha e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos bastidores, o episódio foi classificado como um verdadeiro tiro de misericórdia na narrativa de defesa do primogênito do Jair.

O tal papo de que Flavio teria ido à casa de Vorcaro, já caneludo eletrônico, pôr um ponto final e encerrar a relação, após descobrir as investigações e prisão domiciliar do agiota, foi praticamete estraçalhada por Valdemar da Costa Neto.

De cara, Andreia Sadi perguntou se Flavio foi mesmo à casa de Vorcaro cobrar o restante do dinheiro prometido, Valdemar foi suscinto, grosso, e disparou, “sim, ué. Fazer o quê?”.

O impacto na crise política que Flavio já vive, foi a de quem levou um soco que o nocauteou como remédio para seu enrolo, que produz quedas relevantes nas pesquisas após revelação do seu áudio a Vorcaro.

O fato é que Valdemar fez um estrago político ainda maior na imagem de Flavio, colocando em xeque, inclusive, a própria candidatura do infeliz e, a partir de então, não se fala de outra coisa no país que não seja esse quadro cômico de Valdemar na GloboNewss.

Um troço desse não tem volta. Não há como reverter uma fratura dessa dimensão em que Flavio se encontra com credibilidade zero, após ter sido desmentido publicamente pelo presidente do seu partido. Assim, Flavio perde qualquer sustentação na opinião pública e o isolamento político e eleitoral, que já ocorria com a queda nas pesquisas, rachou ainda mais sua já espatifada campanha.


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Política

Vídeo comédia: Valdemar da Costa Neto entrega Flavio, ‘foi visitar Vorcaro para receber o resto da grana’

Valdemar da Costa Neto, em mais uma crise de sincericídio, foi um colírio para quem quer ver Flavio Bolsonaro na cadeia.

Na GloboNews, perguntado por Andreia Sadi sobre a visita de Flavio a Vorcaro, o especialista no assunto, Valdemar, não precisou de muito tempo para entregar a rapadura e, de pronto emprego, tirou da cartola um elefante e o colocou na cristaleira de Flavio.

Na verdade, Valdemar utilizou algumas opções na base do mais do mesmo, confirmando um quadro contínuo de corrupção e lavagem de dinheiro que foi aplicado por Flavio, utilizando como biombo o tal filme do azarão.

A entrevista virou mesmo o assunto do dia por causa do sincericídio de Valdemar. O contraste entre o esforço de Flavio Bolsonaro para parecer sério e a sinceridade de Valdemar na GloboNews, foi o que mais gerou piadas e memes nas redes.

Confira o vídeo comédia:

https://www.tiktok.com/@g1/video/7643925535264935186?is_from_webapp=1&sender_device=pc


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Pesquisa

Datafolha: Lula tem 9% de vantagem sobre Flávio após crise com Vorcaro

A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta (22), mostra que o presidente Lula ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. No cenário de primeiro turno, o petista aparece com 40% das intenções de voto, enquanto o rival registra 31%.

No levantamento anterior, divulgado uma semana antes, a diferença era de três pontos, com 38% para o petista e 35% para o senador. A mudança também foi registrada na simulação de segundo turno.

Segundo turno

O empate de 45% verificado na pesquisa passada deu lugar a uma vantagem de quatro pontos para Lula, que agora soma 47% contra 43% de Flávio. O levantamento foi realizado após mais de uma semana de repercussão do caso.

Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do caso. Entre aqueles que ouviram falar do episódio, o mesmo percentual considera que Flávio agiu de forma inadequada. O senador inicialmente classificou a informação como falsa, mas depois admitiu ter solicitado recursos para a produção do longa-metragem sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Apesar do recuo, Flávio segue isolado na segunda posição da disputa presidencial. Atrás dele aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Romeu Zema (Novo), com 3%; Renan Santos (Missão), com 3%, e Samara Martins (UP), também com 3%. Os demais nomes testados aparecem com índices entre 1% e 2% das intenções de voto.

Nos cenários de segundo turno, Lula mantém vantagem sobre os demais adversários avaliados. Contra Caiado, o presidente alcança 48%, enquanto o ex-governador goiano registra 39%. No confronto com Zema, Lula também marca 48%, diante de 39% do mineiro. DCM.

A pesquisa voltou a testar o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após cinco meses. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, ela aparece com 43%, enquanto o presidente tem 48%.

Já no primeiro turno, Michelle registra 22%, abaixo dos 31% obtidos por Flávio, embora permaneça à frente dos demais concorrentes.


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Política

Envolvimento da família Bolsonaro com Vorcaro escancara a engrenagem da corrupção no Brasil

O escândalo do Banco Master revela como os ultra-ricos e a extrema direita se associam para moldar a política, mostrando que a raiz da corrupção no Brasil está fincada no sistema capitalista.

A revelação recente do Intercept Brasil de que Daniel Vorcaro e sua fortuna estavam por trás do filme “Dark Horse”, produzido pela família Bolsonaro para contar, de maneira bastante enviesada, a história do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro, causou um alvoroço no Brasil. Flávio Bolsonaro, que horas antes havia dito ser mentira, tentou moldar a narrativa, fingindo se tratar de mero apelo a um financiador privado qualquer para a realização de um projeto familiar.

Mas uma mensagem que diz “irmão, estou e estarei contigo sempre” não é trocada em simples transações financeiras. Essa nova etapa do escândalo Bolsomaster demonstra quão promíscua é a relação entre os ultra-ricos brasileiros e a extrema direita que insiste em roubar o povo, enquanto prega que Deus e o Brasil estão acima de todos.

A direita deturpa seu histórico de corrupção
Uma das vitórias políticas da direita brasileira foi a inserção no senso comum de que a esquerda rouba e é corrupta. É fato que há escândalos de corrupção também por representantes políticos de esquerda, desde a corrupção mais leviana de um parlamentar que se apropria de fundos públicos para si próprio, até esquemas mais elaborados de troca de favores e resolução de conflitos políticos através de liberação orçamentária. Mas a blindagem que a direita construiu para si não passa de uma narrativa cada vez mais frágil que esconde o quão enraizada está a corrupção no seu meio.

Um mito histórico e uma confusão sobre a base da corrupção são bem explorados pela direita para manipular a opinião pública. O primeiro se trata de uma ilusão de que durante o regime ditatorial militar iniciado com o golpe de 1964 não havia corrupção. Popularmente, propagam que os militares eram (ou ainda são) moralmente idôneos, incapazes de roubar, e que seu único interesse sempre foi zelar por ordem e progresso no Brasil.

Os próprios ditadores brasileiros investiram nesse ufanismo – como é praxe de ditadores fascistas que se escondem atrás do ultranacionalismo e ideias abstratas de unidade nacional – e representantes da direita conservadora e autoritária se munem desses sentimentos para eliminar dúvidas e questionamentos sobre seus afazeres.

Não se pode indagar sobre os interesses dos autoritários, já que tudo que fazem seria em nome do estado-nação. Qualquer visão contrária seria sinônimo de traição. Mas o que chamam de patriotismo, nacionalismo e amor ao Brasil sempre foi seletivo, voltado aos interesses de grupos específicos, tanto que não deveria causar estranhamento a obsessão dos mesmos com os Estados Unidos e o imperialismo.

É característica histórica do ufanista autoritário de estados pós-coloniais rogar por golpes e intervenções estrangeiras, crendo que uma força maior lhe concederá autoridade absoluta para moldar toda uma nação de acordo com os interesses financeiros e políticos de seus grupos. É um nacionalismo excludente que manipula a ideia de povo para, ao fim, governar apenas com uma elite de escolhidos e iguais.

Seu projeto depende de explorar e oprimir para se sustentar e é por isso que odeiam tanto os movimentos indígenas, negros, feministas e LGBT. Juntos, eles demonstram a complexidade de experiências de exclusão e violência entre as classes subalternas. É também por isso que odeiam propostas para a redução da jornada de trabalho. Mais tempo livre para o trabalhador é também mais tempo para se organizar e para se formar politicamente. Aumenta o risco de que o trabalhador brasileiro aprenda, por exemplo, que a ditadura militar foi um período altamente corrupto de nossa breve história como nação.

O negacionismo da corrupção na ditadura se dá por várias razões, mas uma delas seria de que vários militares morreram pobres, então como seriam corruptos? Essa visão simplista e completamente falsa é levantada por figuras como o senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, buscando esconder o quanto práticas ilegais e relações duvidosas entre os gestores do estado e grande burguesia faziam parte do cotidiano da ditadura.

A documentação histórica demonstra que o aumento do aparato estatal antidemocrático também abriu espaço para o pagamento de propinas e esquemas de favorecimento a empresários nos grandes projetos e operações do regime.

Relações espúrias entre o público e o privado
O apagamento do histórico de corrupção da direita e de regimes autoritários também serve ao falso diagnóstico da origem da corrupção. É muito fácil atribuí-la a um problema moral e mais ainda ao suposto tamanho gigantesco do estado. Neoliberais argumentam convenientemente que a esquerda prefere um estado gigantesco para facilitar a apropriação de recursos, mas, como a teoria é uma coisa e a prática é outra, a maioria dos neoliberais gostam do estado, desde que seja reduzido à sua função de facilitar o lucro e a concentração de renda.

Mecanismos de investigação e transparência democrática são rechaçados, frequentemente atribuindo métodos de participação social a “populismo” (palavra empregada de maneira esvaziada). Estado de bem estar social? Estado bem gerido para suprir necessidades do povo? Estado que garante justiça fiscal? Nada disso é bem-vindo para a direita, seja ela neoliberal ou desenvolvimentista.

O que sobra é o aparato do estado gerido ao lado da iniciativa privada, que nos empurra à privatização, mesmo quando diz fazê-la em nome do “desenvolvimento” – como já elaborei anteriormente nesta coluna. Se há imposto, que empresários possam se apropriar do seu uso para investimentos em setores que eles pretendem explorar. Ademais, em nome de uma visão torta de segurança pública, defendem a presença do estado nas periferias e espaços populares, pois estado bom é aquele que reprime e controla a população, nunca combatendo o crime na sua raiz, pois precisa do medo para justificar seu autoritarismo.

*Sabrina Fernandes/Intercept Brasil


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Política

Flávio Bolsonaro teve reembolso de viagem a SP um dia após Vorcaro ser liberado da prisão

O ICL Notícias perguntou ao senador se o contribuinte arcou com as despesas de um encontro privado com um banqueiro acusado de lavagem de dinheiro

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ressarcido com dinheiro público por viagem feita a São Paulo no dia 29 de novembro, um dia após Daniel Vorcaro voltar para casa após sua primeira prisão do controlador do Banco Master. O parlamentar pediu reembolso ao Senado de duas passagens que comprou para se deslocar de Brasília à capital paulista. As informações constam no Portal da Transparência do Senado. Flávio Bolsonaro admitiu ontem que visitou Vorcaro em sua casa “logo após” o banqueiro passar a usar tornozeleira eletrônica, o que aconteceu no dia 28 de novembro.

Segundo informação do site G1, o encontro com o banqueiro ocorreu no mesmo dia da viagem do presidenciável do PL a São Paulo.

No final da manhã de 29 de novembro do ano passado, o senador embarcou em um voo da Latam marcado para sair às 11h40 de Brasília para o aeroporto de Congonhas. O custo total da passagem foi de R$ 2.216,77. Ele pegou o voo de Congonhas para a capital federal, na noite da mesma data, desta vez um voo operado pela Azul, no valor R$ 413,22.

O banqueiro havia tido sua prisão revogada na noite do dia anterior, 28 de novembro de 2025, por uma decisão da desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Solange Salgado da Silva.

Dias depois, o senador comprou novas passagens de ida e volta entre Brasília e São Paulo e foi reembolsado pela Casa Legislativa. No dia 1º de dezembro, ele pegou um voo da Latam, marcado para sair às 12h30. Retornou à capital federal, na manhã do dia seguinte, em um voo operado pela mesma companhia aérea. O custo total foi de R$ 2.919,29.

O senador volta a viajar para São Paulo, no dia 4 de dezembro de 2025. De novo, com passagens reembolsadas pelo Senado no valor de R$ 5.787,29. Ele voltou no dia seguinte. Os voos foram operados pela Latam. Ainda do dia 15 daquele mês, Flávio Bolsonaro viajou para São Paulo mais uma vez e foi reembolsado em R$ 2.314,77.

O ICL Notícias perguntou ao senador Flávio Bolsonaro se o contribuinte arcou com as despesas de locomoção de um encontro de caráter privado com um banqueiro acusado de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, além de táticas de intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes.

A reportagem perguntou também ao senador em quais datas ele visitou Daniel Vorcaro. Caso responda, esse texto será atualizado.

A visita de Vorcaro foi revelada pelo colunista do Metrópoles Igor Gadelha e aconteceu na residência do banqueiro em São Paulo, quando o banqueiro deixou a carceragem da Polícia Federal.

A cota de voos e passagens aéreas dos senadores está inclusa na CEAPS (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar). Além de uma verba mensal de até R$ 15 mil para despesas, o benefício também inclui o valor da verba de transporte aéreo dos senadores tem valor variável para cada unidade da federação.

A relação íntima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi revelado pelo site Intercept Brasil. O senador pediu ao banqueiro que se comprometesse a repassar R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história da eleição de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Ao menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, de acordo com informações do Intercept

Em pronunciamento feito ao lado de senadores e deputados, nesta terça-feira (19), Flávio Bolsonaro admitiu que visitou Vorcaro. “Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”, afirmou.

O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso novamente em 4 de março de 2026. Desta vez, por ordem do ministro do STF André Mendonça, que alegou “risco concreto de interferência nas investigações”. Ele negocia um acordo de delação premiada.

*ICL


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Flavio: Fui encontrar com a tornozeleira em sua casa e me deparei com Vorcaro

O contato pessoal de Flavio com Vorcaro é uma imaginação doida. Não fui lá para conhecê-lo, fui me encontrar com a tornozeleira.

Por isso, digo e repito, a denúncia de que fui me encontrar com Vorcaro em sua casa, caiu no vazio. A iniciativa de visitar a tornozeleira foi minha e não comentei com ninguém do meu partido. Isso virou publicação no Metrópoles e se espalhou por todas as redes para atrapalhar minha vida.

Sigo afirmando que não tenho qualquer relação com Vorcaro, daí a minha serenidade, porque as acusações contra mim são muito frágeis.

Com mais essa onda contra mim, dá para imaginar como estou sendo perseguido.

Amanhã farão nova exploração de minha imagem. Mas repito, fui dar um fraterno abraço na minha amiga tornozeleira que protegia Vorcaro. Não fosse por ela, nós não nos encontraríamos tet a tet.

Um dia, todos saberão da verdade e virá à baila qual foi meu assunto naquela casa com a tornozeleira de Vorcaro.


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Flávio Bolsonaro admite que visitou Vorcaro após sua primeira prisão

Senador teria visitado banqueiro em SP no fim de 2025 após primeira prisão pela PF, segundo apuração do Metrópoles

O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por Flávio nesta terça-feira (19).

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (19), o senador admitiu a reunião e afirmou que o encontro ocorreu quando Vorcaro já estava sob uso de tornozeleira eletrônica, com o objetivo de “botar um ponto final na questão” relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o site, o encontro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo depois que o ex-banqueiro foi liberado da prisão por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que determinou restrições como o uso de tornozeleira eletrônica.

Na esteira do caso “Dark Horse”, Flávio se reuniu com as bancadas do PL na Câmara e no Senado para dar explicações sobre o escândalo e tratar de outros posicionamentos do grupo.

Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na última sexta (15), o senador disse que poderia vazar informação sobre “algum encontro” entre ele e Vorcaro.

“Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou em entrevista à CNN Brasil.

Na ocasião, ele disse que se encontrou pessoalmente “poucas vezes” com Vorcaro, todas para tratar da produção, e que o dono do Master ainda não era investigado.

O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Segundo investigadores, ele tentava fugir do Brasil para evitar ser preso peloas fraudes no caso. A defesa do ex-banqueiro nega.

No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central.

Dez dias depois da primeira prisão, Vorcaro foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi detido novamente.

*Carolina Linhares e Isadora Albernaz/ICL


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