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Instituto de Mendonça recebeu R$ 5 milhões de ex-parceiro de negócios de Vorcaro

O Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL. O repasse integrou um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, modalidade que permite à credora transformar o valor em participação societária ou cobrar a devolução do dinheiro.

O contrato previa R$ 5,9 milhões em repasses, mas o Iter interrompeu a operação e iniciou a devolução dos recursos em janeiro de 2026. No mês seguinte, Mendonça se tornou relator das investigações sobre o Banco Master após sorteio no STF. O instituto afirmou que decidiu antecipar o vencimento da dívida porque já tinha sustentabilidade financeira.

Em nota, o Iter informou que fixou a taxa Selic para a devolução e já pagou cerca de 5,3% do total devido. De acordo com o DCM, a entidade disse que depositou todos os recursos em sua conta de pessoa jurídica e os aplicou exclusivamente na estruturação e nas atividades institucionais.

A negociação envolveu o presidente do Iter e ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, além de Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, representantes da Cedro. O instituto declarou que Mendonça e Kallas não discutiram os termos da operação. O ministro deixou a entidade no início de setembro, e o Iter afirmou que ele atuava apenas como docente no âmbito acadêmico, sem receber dividendos ou participação nos resultados.

Relações empresariais de Lucas Kallas com negócios ligados a Vorcaro

Kallas foi sócio em empresas que também tiveram investimentos de grupos de Vorcaro. A Cedro detinha 8% da companhia de biotecnologia Biomm no fim de 2023; em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada ao banqueiro e Nelson Tanure, comprou ações da empresa. Kallas também investiu na Latache Capital e adquiriu 33% da gestora em 2025.

A Cedro alegou que Vorcaro não manteve qualquer vínculo societário ou empresarial com seus negócios ou controladas. A holding declarou que investimentos de fundos e instituições financeiras em companhias abertas não configuram sociedade comercial e afirmou que deixou a Biomm e a Latache em abril de 2026 para concentrar investimentos na mineração.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele e Kallas viajaram a Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023, para discutir negócios no setor petroleiro.

Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master, e a Cedro não figura nos inquéritos do caso.

A Polícia Federal indiciou Kallas em junho por suspeitas de irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A defesa afirmou que os fatos já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça e declarou que o empresário deixou definitivamente o negócio investigado em 2017.

Mendonça também confirmou um encontro com Vorcaro no Iter, em março de 2025, e disse que trataram de créditos de precatórios; no julgamento do tema, o STF decidiu por unanimidade contra a posição defendida pelo banqueiro.


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Vídeo – Lula: “Flávio está nervosinho porque vai aparecer falcatrua com Vorcaro”

A declaração de Lula coloca ainda mais pressão sobre um caso que já se transformou em um dos pontos mais sensíveis da campanha presidencial. Segundo o presidente, Flávio Bolsonaro estaria “nervosinho” porque o conteúdo relacionado a Daniel Vorcaro ainda pode revelar novos detalhes sobre a relação entre o candidato e o ex-banqueiro.

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está “nervosinho” porque devem aparecer “falcatruas” em sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.

Lula citou churrasco, bebidas, mulheres e R$ 130 milhões que Flávio pediu a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Ele está nervosinho porque vai aparecer toda a falcatrua dele com o Vorcaro”, disse o presidente.

“Eu não sou precipitado, eu estou indignado. A sociedade brasileira não merece isso. Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir”, prosseguiu.

O presidente também cobrou uma reforma política e no Judiciário: “A política está apodrecida. Eu voltei 15 anos depois e a política está bem pior do que estava naquele tempo. Se a gente não reformar isso, eu não sei o que vai acontecer com esse país”. DCM.


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Se gritar pega…: Centrão entra em alerta vermelho com os vazamentos do Master após lista de Ciro Nogueira

O caso Banco Master deixou de ser apenas um problema para Daniel Vorcaro e passou a provocar pânico político no coração do Centrão. A apreensão aumentou depois que uma lista encontrada na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido e uma das principais lideranças do bloco, trouxe nomes de parlamentares acompanhados de números que ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.

O problema, para o Centrão, é que a história não termina na lista. A Polícia Federal investiga as relações de Ciro Nogueira com Vorcaro, incluindo viagens e despesas pagas pelo banqueiro. Ao mesmo tempo, nomes de outros caciques do Congresso aparecem no radar das apurações.

É aí que o sinal amarelo virou alerta vermelho.

O que mais assusta os parlamentares não é necessariamente aquilo que já veio a público, mas aquilo que ainda pode aparecer. Com a disputa entre ministros do STF contaminando o caso e novas informações sendo reveladas, lideranças do Centrão passaram a temer uma sequência de vazamentos capaz de atingir deputados e senadores em plena campanha eleitoral.

E há uma razão objetiva para o nervosismo: parte significativa do material relacionado ao Master ainda permanece sob sigilo. A própria retirada parcial dos segredos judiciais expôs apenas uma parcela da investigação. Entre os conteúdos mantidos sob reserva estão justamente apurações envolvendo relações de Vorcaro com políticos e figuras importantes do mundo político.

Ou seja: o que apareceu pode ser apenas a ponta do iceberg.

A reação já começou. O deputado Elmar Nascimento, cujo primeiro nome aparece na lista apreendida na residência de Ciro, defendeu uma CPI para investigar vazamentos da PF. O movimento revela o tamanho da preocupação: antes mesmo de o conteúdo completo das investigações vir à tona, parte do Congresso já procura discutir o mensageiro.

Mas há uma pergunta inevitável: por que tanto medo se não há nada a esconder?

Essa é a questão que o caso Master coloca diante do Congresso.

O episódio também desmonta a tentativa de tratar o escândalo como uma disputa restrita ao Supremo. O Master já alcançou o Legislativo, envolve grandes operadores políticos e ameaça produzir consequências eleitorais. Segundo relatos de lideranças do Centrão, o receio é que novas revelações atinjam campanhas e candidaturas antes de outubro.

O detalhe mais explosivo é que a investigação não está parada. A cada nova apreensão, mensagem, documento ou cruzamento de dados, o mapa das relações de Vorcaro com o poder pode ficar maior.

E é justamente isso que tira o sono do Centrão.

Porque uma coisa é administrar uma crise quando se conhece o tamanho do incêndio. Outra, muito diferente, é estar diante de uma investigação em que ninguém sabe qual será o próximo nome a aparecer.

No caso Master, portanto, a pergunta deixou de ser apenas quem conhecia Vorcaro.

A pergunta agora é: quem mais aparece nas listas, mensagens, pagamentos, viagens e documentos que ainda não vieram a público?

É por isso que o Centrão entrou em alerta vermelho.

E, quando político começa a pedir explicações sobre vazamentos antes mesmo de conhecer todo o conteúdo que pode ser vazado, é sinal de que o medo já chegou ao andar de cima.


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Zanin ordena que PF entregue uma cópia do celular de Vorcaro após Mendonça se negar a entregar

O celular de Vorcaro virou o novo campo de batalha

A determinação de Cristiano Zanin para que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete uma cópia do celular de Daniel Vorcaro, depois da oposição de André Mendonça à remessa do material, transforma o caso Master em algo ainda mais explosivo: a disputa deixou de ser apenas sobre documentos e passou a ser também sobre quem terá acesso às informações capazes de esclarecer as relações que orbitam o banqueiro.

E aqui está o ponto que não pode ser tratado como mero detalhe burocrático. Quando um ministro do STF se opõe ao envio de uma prova e outro determina que ela seja entregue diretamente ao seu gabinete, a pergunta inevitável é: o que há nesse celular que tornou sua posse e seu conteúdo tão sensíveis?

Celular de banqueiro investigado não é agenda telefônica. Pode conter mensagens, áudios, contatos, documentos, conversas e registros capazes de reconstruir uma teia de relações que, até agora, aparece cercada de zonas de sombra. Por isso, qualquer movimento para retardar, restringir ou controlar o acesso a esse material naturalmente desperta enorme interesse público.

A decisão de Zanin recoloca a prova no centro do processo. E, sobretudo, expõe uma situação politicamente incômoda para quem vinha tentando transformar o caso em uma sucessão de episódios isolados.

Não são episódios isolados. É um quebra-cabeça.

Vorcaro está no centro de uma investigação que já alcançou diferentes personagens e instituições. Quanto mais peças aparecem, mais difícil fica sustentar que determinadas conexões possam ser empurradas para debaixo do tapete.

A partir de agora, o conteúdo desse celular ganha peso ainda maior. Porque, se há alguma coisa que a experiência recente ensina, é que mensagens e registros eletrônicos frequentemente contam uma história muito diferente daquela apresentada nos discursos públicos.

E é justamente por isso que o celular de Vorcaro virou uma espécie de caixa-preta do caso Master.

Se existe alguma informação relevante ali, ela precisa ser examinada com rigor, transparência e dentro das regras processuais. Sem blindagem seletiva. Sem atalhos. Sem transformar prova em patrimônio de gabinete.

Porque, no fim das contas, não é o celular de Vorcaro que está em julgamento. São as relações que podem estar escondidas dentro dele.


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Vídeo: Haddad alerta, numa eventual vitória de Flavio, Vorcaro é solto na hora

Veja esta fala fundamental de Haddad no caso de vitória de Flavio Bolsonaro:


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Entende agora por que o patrimônio de Nikolas cresceu 10.000%?

A pergunta que precisa ser feita é simples — e incômoda: como alguém que declarou apenas R$ 36,8 mil em patrimônio em 2022 passou a declarar quase R$ 3,9 milhões quatro anos depois?

Os números oficiais não são opinião, nem narrativa de adversários. Estão na declaração apresentada à Justiça Eleitoral: um salto de 10.488,92% no patrimônio declarado de Nikolas Ferreira entre 2022 e 2026.

Nikolas afirma que o crescimento decorre de atividades privadas, investimentos e da aquisição financiada de um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,2 milhões. Segundo sua explicação, ainda havia aproximadamente R$ 1,7 milhão de saldo devedor no financiamento.

Mas é justamente aí que a história deixa de ser apenas uma questão contábil e passa a exigir transparência política.

Porque, paralelamente à explosão patrimonial, vieram à tona informações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nikolas admitiu contatos com Vorcaro e confirmou ter utilizado avião relacionado ao banqueiro durante a campanha de 2022. Também veio a público um áudio no qual o deputado pede ajuda a Vorcaro para tratar de um ativo minerário relacionado a um amigo e ex-assessor.

Isso, por si só, não prova que o crescimento patrimonial tenha qualquer relação ilícita com Vorcaro — e seria irresponsável afirmar isso sem provas. Mas torna ainda mais legítima a pergunta que precisa ser respondida publicamente: de onde veio, exatamente, cada parcela dessa multiplicação patrimonial?

A política brasileira está cansada de discursos sobre moralidade seletiva. Quem sobe ao palanque para fiscalizar os outros precisa aceitar que sua própria trajetória financeira seja submetida à mesma lupa.

E há uma ironia impossível de ignorar: enquanto Nikolas constrói sua imagem pública em torno do discurso contra privilégios e contra a corrupção, seu patrimônio declarado dá um salto extraordinário justamente no período em que ele também amplia sua influência política e empresarial.

Não se trata de condenar alguém por enriquecer. Trata-se de perguntar como enriqueceu.

Se tudo é legal, declarado e justificável, a resposta deveria ser simples, documental e transparente.

Porque, diante de um salto de mais de dez mil por cento, não basta dizer que “não há nada errado em prosperar”.

O eleitor tem o direito de saber como essa prosperidade aconteceu.


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Todos os caminhos de Vorcaro levam a Bolsonaro

Há histórias que, de tão cheias de coincidências, deixam de parecer coincidência. O caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master é uma delas. À medida que surgem novos documentos, mensagens, movimentações financeiras e conexões políticas, o mapa vai ficando cada vez mais incômodo — e, nele, o nome Bolsonaro aparece com uma frequência que exige explicações.

Não estamos falando de uma fotografia isolada, de um encontro casual ou de uma relação protocolar. O que precisa ser esclarecido é a extensão de uma rede de contatos que aproxima Vorcaro de personagens do universo bolsonarista e envolve valores que não podem ser tratados como meros detalhes contábeis.

É dinheiro. É poder. É influência. E, sobretudo, são relações que precisam ser explicadas.

A velha fórmula da política brasileira — fingir que não existe problema enquanto se espera que o escândalo desapareça do noticiário — não pode prevalecer. Se há operações financeiras, encontros, mensagens ou intermediações envolvendo pessoas ligadas à família Bolsonaro, e o próprio Flavio Bolsonaro, tudo precisa ser colocado sob a luz do dia.

E há uma pergunta que não pode ser abafada: por que tantos fios dessa trama parecem convergir para o mesmo grupo político?

É evidente que proximidade, por si só, não prova crime. Mas também é evidente que proximidade recorrente, dinheiro e influência política formam uma combinação que não pode ser simplesmente ignorada. Cabe às autoridades investigar, aos envolvidos explicar e à imprensa acompanhar sem proteger ninguém.

O mais preocupante seria assistir novamente ao velho espetáculo da seletividade: quando o personagem investigado pertence ao campo adversário, qualquer indício vira manchete; quando as conexões chegam ao entorno bolsonarista, surgem imediatamente eufemismos, justificativas e uma impressionante disposição para relativizar.

Não é assim que uma democracia funciona.

Se existe uma trilha financeira, que se siga o dinheiro. Se existem mensagens, que sejam examinadas. Se existem encontros, que se descubra o que foi tratado. Se existem beneficiários, que sejam identificados. E se não houver irregularidade alguma, que os próprios investigados sejam os primeiros a exigir que tudo seja esclarecido.

Porque o que está em jogo não é apenas a reputação de Vorcaro ou de qualquer integrante da família Bolsonaro. É a capacidade das instituições brasileiras de investigar relações entre dinheiro, bancos e poder político sem escolher previamente quem merece ser protegido.

No fim, a pergunta continua de pé — e ficará cada vez mais difícil silenciá-la:

quantos caminhos ainda precisarão ser percorridos até que se descubra onde, exatamente, termina Vorcaro e começa a família Bolsonaro?


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Em áudio, desta vez é Nikolas, que chama Vorcaro de ‘lindão’ e pede liberação de ativo de minério

Deputado federal bolsonarista intermediou conversa entre seu ex-assessor e banqueiro do Master

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. No áudio, enviado no dia 30 de março de 2025, ao qual a coluna teve acesso com exclusividade, Nikolas chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.

No áudio, Nikolas diz: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”

Nikolas envia o áudio e Vorcaro responde minutos depois com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”.

No dia seguinte, 1 de abril de 2025, Nikolas avisa que Thiago estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro responde um dia depois dizendo: “Deixa comigo”.

Pelo conjunto de mensagens, não é possível saber se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas. No áudio enviado ao banqueiro, Nikolas também fez questão de se desculpar com Vorcaro por postagens que haviam gerado críticas do dono do Master a ele em abril de 2024 quando o deputado criticou um evento financiado pelo banco em Londres e que contou com a presença de ministros do STJ, STF e TSE.

Na mensagem de áudio, Nikolas também reiterou o arrependimento a Vorcaro: “Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”

A coluna enviou cinco perguntas para Thiago Faria e Nikolas. Faria disse que Nikolas está em campanha e não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse. “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria, em um áudio enviado para a coluna.

Assessor de Nikolas envolvido na Operação Rejeito
Faria teve seu nome exposto por envolvimento com empresas e investigados que foram presos na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, alguns meses depois da troca de mensagens.

A PF prendeu 22 pessoas preventivamente em meio a uma investigação de um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo uma reportagem do jornal O Estado de Minas, Thiago Rodrigues de Faria atuou como intermediário, por meio de um contrato de confiabilidade, de uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF nessa operação. Uma delas é a Gmais Ambiental. Pelo trabalho do assessor de Nikolas, os verdadeiros donos não teriam os nomes publicizados.

De acordo com os investigadores, a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia tinha um contrato, assinado em janeiro de 2025 com a Gmais, e receberia 25% do lucro total, estimado entre de US$ 30 e US$ 45 milhões, caso a autorização para que uma área pudesse voltar a minerar e uma lavra fosse vendida.

No inquérito da PF, está descrito: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”, diz um trecho do inquérito.

Esse contrato entre a Gmais e a empresa do assessor de Nikolas também tinha como sócia a mineração Topázio Imperial, que detém os direitos minerários de uma lavra onde está localizada uma das barragens de maior risco de Minas Gerais, a barragem Água Fria, considerada um dos sete barramentos com maior risco de rompimento no Brasil. Na época, estava sem operação por ação do MPF.

Ainda de acordo com a PF, o grupo queria vender a lavra da Topázio para exploração. No entanto, era necessário liberar a empresa, detentora dos direitos minerários de lavra em Ouro Preto, no Distrito de Rodrigo Silva.

*Reportagem de Juliana Dal Piva no ICL


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Luis Nassif: Como investigar os contratos de André Mendonça

O escândalo do Master envolveu entidades públicas e contratos privados. Até agora, os contratos privados são mantidos escondidos

Até agora, os únicos negócios públicos do ITER – o Instituto criado por André Mendonça após se tornar Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) – são os contratos com entidades públicas. Isso porque há obrigatoriedade de publicação no Diário Oficial da União.

Até agora há R$ 11,4 milhões em contratos públicos acumulados. Mas e os contratos privados? O escândalo do Master envolveu entidades públicas, que depositaram no Master, e contratos privados. Até agora, os contratos privados são mantidos escondidos a sete chaves.

Vamos a uma pequena investigação, tomando por base a sequência de notas fiscais para entidades públicas.

Pista 1 – o encontro de Daniel Vorcaro com André Mendonça, na sede do ITER em São Paulo, foi no dia 14 de março de 2025. A cronologia é bastante precisa: no dia 13 de março, o deputado Cezinha de Madureira avisou Vorcaro da reunião marcada para às 17h do dia seguinte. Em 14 de março, às 16h37, Vorcaro informou que estava a caminho; às 16h43, Cezinha respondeu que o ministro já o esperava. Às 18h40, Vorcaro avisou seu motorista que estava saindo do endereço.

Pista 2 – no dia 11 de março o ITER emitiu a NFS-2 no 189. No dia 14 de março, emitiu a NFS-2 226. Em apenas três dias foram emitidas até 37 notas para clientes privados, englobando o dia em que Vorcaro visitou o ITER. Podem ser notas de matrículas individuais, podem ser pacotes de matrículas de empresas.

Para que não pairem dúvidas sobre sua idoneidade, faria bem André Mendonça em abrir as contas do ITER, especialmente dos clientes das 37 notas emitidas.

*Luis Nassif/GGN


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Urgente: Coaf revela novo repasse de R$ 8,6 milhões de Vorcaro para Flávio Bolsonaro

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro acaba de ganhar um novo capítulo — e ele é particularmente incômodo para o candidato à Presidência. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista piauí, registra um novo repasse de US$ 1.666.667, ou seja, R$ 8,6 milhões, para o fundo americano Havengate Development Fund, responsável por administrar recursos destinados à produção de Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A transferência ocorreu em 16 de setembro de 2025.

O detalhe explosivo é a data. Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que o último pagamento de Vorcaro ocorrera em maio de 2025. O documento do Coaf mostra, porém, que o dinheiro continuou circulando quatro meses depois.

E há algo ainda mais significativo: o novo pagamento aconteceu apenas oito dias depois de Flávio cobrar Vorcaro por parcelas atrasadas. Ou seja, a documentação conhecida agora reforça a existência de uma relação financeira que se prolongou muito além do período admitido publicamente pelo senador.

Com esse novo repasse, o total enviado por Vorcaro para o projeto saltou de aproximadamente US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época.

A dimensão política do episódio é impossível de ignorar. Flávio não aparece simplesmente como alguém que tomou conhecimento de um financiamento feito por terceiros. As mensagens já reveladas mostram sua participação nas cobranças relacionadas aos pagamentos. Agora, o relatório do Coaf acrescenta uma peça documental decisiva ao quebra-cabeça: havia um novo desembolso depois da data que ele próprio apresentou como o encerramento dos pagamentos.

E a explicação oferecida por sua assessoria, segundo a piauí, é igualmente reveladora: em vez de esclarecer a discrepância entre a declaração do senador e o relatório do Coaf, a assessoria transferiu a responsabilidade para a produtora do filme.

O problema, portanto, deixou de ser apenas o tamanho do dinheiro envolvido. É a falta de transparência sobre a origem, o destino, a cronologia e os responsáveis pelos milhões de dólares que cercam Dark Horse.

Flávio Bolsonaro prometeu transparência, mas os fatos continuam produzindo novas perguntas. E cada novo documento torna mais difícil sustentar a narrativa de que se tratava de uma operação simples, encerrada em maio de 2025 e sem maiores mistérios.

O Coaf acaba de colocar mais uma peça sobre a mesa. US$ 1,666 milhão que, segundo a própria versão de Flávio, não deveriam mais estar sendo repassados — mas foram. Agora cabe ao candidato explicar por que sua versão não coincide com os registros financeiros.

E, sobretudo, explicar quantos milhões ainda faltam aparecer nessa história.


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