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Protestos em massa defendem imigrantes e desafiam Trump nos Estados Unidos

James Greem – A Pública Ataques do presidente contra trabalhadores indocumentados encontram resistência em todo o país

O assassinato de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em 7 de janeiro no estado do Minnesota, deu ainda mais impulso a um movimento nacional que protesta contra as prisões inconstitucionais de imigrantes indocumentados e cidadãos americanos pelo governo de Donald Trump. E essa revolta mira um dos pilares que levou Trump à cadeira de presidente.

Duas questões contribuíram significativamente para a vitória eleitoral de Trump em 2024. O primeiro foi o estado precário da economia dos EUA, com inflação crescente e uma preocupação generalizada com a acessibilidade a necessidades básicas do consumidor, como alimentação, moradia e assistência médica. O segundo, foi o apelo de Trump para deportar cerca de 15 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Em 2026, Trump perdeu apoio público significativo em ambas as frentes. Uma pesquisa recente da CNN constatou que 58% dos entrevistados consideram o primeiro ano do mandato de Trump um fracasso, com 55% declarando que as condições econômicas pioraram desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025. Outros 9% acreditam que o presidente não fez o suficiente para reduzir os preços de bens essenciais. Isso inclui metade dos republicanos entrevistados, que afirmam que Trump precisa fazer mais para lidar com a questão da inflação e da acessibilidade.

As pesquisas que medem a opinião dos eleitores sobre as políticas de imigração da Casa Branca são ainda piores. Em uma pesquisa recente da Axios, 57% dos entrevistados desaprovam a maneira como o ICE está aplicando as leis de imigração, enquanto apenas 40% aprovam as ações do governo.

Um dos mentores por trás das impopulares políticas de imigração de Trump é Stephen Miller, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca para políticas e segurança interna. Miller dirigiu a militarização da aplicação das leis de imigração por meio do envio de agentes federais mascarados, muitas vezes operando em veículos descaracterizados, para as principais cidades que votaram em prefeitos democratas nas eleições recentes.

Eles têm sido apoiados por outras agências federais, juntamente com reforço e apoio logístico da Guarda Nacional, para cumprir uma cota imposta por Miller de deportar um milhão de trabalhadores indocumentados por ano. Para atingir esse objetivo, o governo realizou uma campanha de perfilamento racial, percorrendo áreas urbanas, abordando pessoas não brancas nas ruas e exigindo que elas comprovassem sua cidadania americana.

A maioria dos detidos é deportada rapidamente, sem o devido processo legal, seja para seu país de origem ou para um terceiro país que tenha concordado em receber milhares de pessoas expulsas em troca de generosos subsídios financeiros fornecidos pelo governo Trump.

Para implementar essa política draconiana, a maioria republicana no Congresso dos EUA autorizou 170 bilhões de dólares para o Departamento de Segurança Interna em julho de 2025. O governo reduziu os requisitos de contratação e forneceu treinamento deliberadamente inadequado sobre como deter e prender trabalhadores indocumentados, para atender à necessidade de empregar novos agentes do ICE. Isso resultou em milhares de reclamações sobre a violação das proteções constitucionais para os indocumentados e a prisão ilegal de cidadãos americanos nessas operações de busca e apreensão urbana.

Os números são expressivos: desde janeiro de 2025, 270 mil pessoas foram presas na fronteira, enquanto o governo Trump deportou outras 230 mil que estavam detidas dentro do país. Esse número é superior ao total de deportações realizadas durante os quatro anos do governo Biden, mas ainda está muito aquém da meta de deportar um milhão de pessoas por ano.

Em todo o país, pessoas responderam à política de Trump organizando esforços populares para proteger imigrantes vulneráveis de agentes do ICE. Quando agentes do governo chegam a um bairro, cidadãos americanos e residentes legais usam apitos para alertar os imigrantes sobre o perigo iminente de prisão, permitindo que muitos fujam ou se escondam. Ao mesmo tempo, os vizinhos cercam os veículos do governo para bloquear as prisões e gritar “vergonha” para os agentes que estão detendo aqueles que são pegos nessas operações.

Esse foi o cenário que levou o agente do ICE, Jonathan Ross, a disparar três tiros contra o carro de Renne Good enquanto ela e seu parceiro protestavam pacificamente contra a prisão de trabalhadores indocumentados. Quase imediatamente após o assassinato, Kristi Noem, diretora do Departamento de Segurança Interna, anunciou que Good havia tentado atropelar Ross com seu carro e era uma simpatizante de esquerda envolvida em atividades “terroristas”. As alegações de Noem contradizem as imagens de vídeo, que mostram Good desviando seu carro do agente do ICE que, mesmo assim, atirou nela à queima-roupa.

O vice-presidente J.D. Vance também se manifestou sobre o incidente, alegando que os agentes do ICE tinham imunidade absoluta contra qualquer processo por ações que realizassem “no cumprimento do dever”, embora advogados constitucionalistas refutem essa alegação.

Reforçando a acusação de que Good era um terrorista, o Departamento de Justiça se recusou a permitir que autoridades policiais locais da cidade de Minneapolis ou do estado de Minnesota participassem da investigação federal sobre a morte de Good, levando muitos a concluir que o governo Trump considerará que Ross agiu corretamente.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça autorizou investigações contra Becky Good, esposa de Renee Good, por suas supostas ligações com grupos de esquerda que tentam interferir na aplicação das leis de imigração do governo. Como resultado, um grupo de procuradores federais de Minnesota renunciou aos seus cargos por se opor à realização da investigação.

O governo Trump também anunciou que está investigando o prefeito de Minneapolis, Jacob Fray, e o governador de Minnesota, Tim Walz, que foi o candidato a vice-presidente de Kamala Harris nas eleições de 2024, por supostamente obstruírem a Justiça ao criticarem as operações do ICE em seu estado.

Ambos os políticos democratas fizeram declarações contundentes condenando as ações do governo Trump, mas pediram aos seus residentes que protestassem pacificamente e evitassem interferir nas detenções do ICE. Especialistas jurídicos argumentam que Fray e Walz estavam exercendo seu direito constitucional à liberdade de expressão; e, como nunca estiveram fisicamente presentes em nenhum protesto que tenha envolvido confrontos com agentes do ICE, não podem ser responsabilizados pelas ações dos manifestantes.

Muitos observadores consideram que o envio de milhares de agentes do ICE para Minnesota foi um ato de retaliação contra um estado que votou contra Trump nas últimas três eleições.

A xenofobia sem escrúpulos de Trump
Minnesota também abriga 90 mil refugiados somalis, que fugiram da guerra civil em seu país de origem no início da década de 1990. Aproximadamente 95% dos que vivem em Minnesota são cidadãos americanos. E eles têm sido um alvo predileto do governo Trump.

O presidente dos EUA não escondeu seu desprezo por africanos e pessoas de ascendência africana do Caribe, que vieram para os Estados Unidos em busca de asilo político ou para melhorar sua situação econômica. Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump fez alegações falsas durante um debate presidencial com Kamala Harris de que refugiados haitianos que viviam em Ohio e trabalhavam legalmente em indústrias locais e no setor de serviços estavam roubando e comendo gatos e cachorros de moradores.

Embora essas alegações tenham sido rapidamente desacreditadas, os apoiadores de Trump continuaram a acreditar nessas declarações. O próprio Trump não teve escrúpulos em repetir essas mentiras nos últimos dias da corrida presidencial. Ele já havia se referido a nações africanas e caribenhas como “países de merda” em uma reunião a portas fechadas na Casa Branca.

Quando jornalistas investigativos relataram no ano passado que membros da comunidade somali em Minnesota haviam fraudado o governo em milhões de dólares em fundos de assistência social, Trump usou a notícia para justificar o envio de 2,000 agentes do ICE ao estado para supostamente investigar o esquema.

No entanto, em vez de enviar especialistas em contabilidade e fraude administrativa, os agentes do ICE começaram a aterrorizar sistematicamente Minneapolis, onde vive a maioria dos somalis.

Homens mascarados com uniformes e equipamentos de combate do exército entraram nas casas das pessoas sem mandados de busca legais. Eles procuravam pais indocumentados nas escolas quando estes buscavam seus filhos. Os agentes do ICE usaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra manifestantes e pessoas que filmavam as ações dos agentes do ICE.

A resistência ao ICE
Postagens na internet mostrando a violência contínua de funcionários do Departamento de Segurança Interna contribuíram para a indignação pública contra a política de Trump em todo o país. Vídeos no Instagram documentando abusos semelhantes da Califórnia a Nova York também alimentaram atos de solidariedade com imigrantes visados ​​em todo o país, não apenas em grandes metrópoles, mas também em pequenas cidades e comunidades rurais.

O que é especialmente notável nesses gestos é a composição multiétnica e racial daqueles que monitoram as ações do ICE, apoiam seus vizinhos sem cidadania e protestam nas ruas. Embora haja uma longa tradição de racismo e xenofobia contra imigrantes nos Estados Unidos, que remonta a meados do século 19 e se reflete no apoio político que Trump mobilizou desde que anunciou sua primeira candidatura à presidência em 2015, essa defesa de residentes indocumentados e trabalhadores é notável e politicamente significativa.

Em resposta às mobilizações em curso contra as ações do ICE em Minnesota, na semana passada Trump ameaçou usar a Lei da Insurreição, que lhe permitiria enviar forças armadas dos EUA para Minnesota para conter uma suposta rebelião. No entanto, a reação às suas políticas tem sido tão forte e as imagens de violência estatal nas redes sociais tão chocantes que, por enquanto, Trump recuou dessa ameaça. Mesmo assim, dado o estilo volátil de tomada de decisões do presidente, ele pode mudar de ideia a qualquer momento.

Quando analistas políticos estudaram os resultados das eleições de 2024, notaram que Trump parecia ter conquistado apoio entre homens negros, latinos e jovens. No entanto, todos esses ganhos aparentemente foram anulados desde janeiro de 2025.

Parece que muitos afro-americanos que apoiaram Trump em 2024 se revoltaram com suas políticas que eliminam proteções de direitos civis e benefícios de assistência social para negros. Muitos eleitores latinos têm dificuldade em apoiar o perfilamento racial que visa pessoas de cor e as trata com violência ao tentar detê-las. Jovens em todo o país parecem estar revoltados com as políticas de imigração desumanas do governo.

Trump está em apuros. A má gestão da economia, as políticas duras contra imigrantes trabalhadores, sua prática contínua de inventar estatísticas e mentir para o público americano, e o caos constante originado da Casa Branca — desde ameaças de conquistar a Groenlândia até a apreensão do petróleo venezuelano — tornaram o presidente dos EUA politicamente vulnerável.

Embora os ataques contra imigrantes possam desviar a atenção da inflação crescente ou da falha do governo em divulgar os Arquivos Epstein, conforme exigido por uma lei do Congresso, Trump parece ter perdido o seu apoio além de sua base leal. Apesar de sua agressividade e ameaças extravagantes em casa e no exterior, as medidas anti-imigração de Trump parecem um ato desesperado de alguém na defensiva.

Tudo isso é um mau presságio para os republicanos, que, neste momento, parecem prestes a perder o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado nas próximas eleições legislativas de 3 de novembro. As políticas internas e externas de Trump também podem condenar à derrota qualquer candidatura republicana à presidência em 2028.

*Matéria publicada exclusivamente pela A Pública


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Pentágono quer ‘restaurar a supremacia militar’ sobre a América Latina

Em documento, Departamento da Guerra diz que interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental estão “ameaçados” e que não irá tolerar acesso de outras potências à região.

O governo de Donald Trump fala abertamente em retomar a “supremacia militar” sobre a América Latina e alerta que a defesa dos EUA inclui o controle sobre todo o hemisfério. A mensagem faz parte da estratégia de defesa nacional divulgada pelo Departamento da Guerra na última sexta-feira.

Num documento de cerca de 30 páginas, o Pentágono traça as linhas do poder militar dos EUA e indica que a ameaça chinesa não será combatida em choques diretos entre as duas superpotências, mas na ideia de “contenção”.

Um dos pontos centrais, porém, é a garantia do controle sobre as Américas.

“Defenderemos ativa e destemidamente os interesses da América em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a terrenos estratégicos, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. Forneceremos ao Presidente Trump opções militares confiáveis ​​para usar contra narcoterroristas onde quer que estejam”, indicou.

Segundo o documento, o governo irá se envolver “de boa fé com nossos vizinhos, do Canadá aos nossos parceiros na América Central e do Sul, mas garantiremos que eles respeitem e façam sua parte para defender nossos interesses comuns. E onde não o fizerem, estaremos prontos para tomar medidas focadas e decisivas que promovam concretamente os interesses dos EUA”, disse.

“Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as forças armadas americanas estão prontas para aplicá-lo com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação ABSOLUTE RESOLVE”, afirmou, numa alusão à operação de sequestro de Nicolás Maduro.

De acordo com o plano, a Operação Lança do Sul demonstra que Trump está “extremamente empenhado em impedir que narcoterroristas contrabandeiem narcóticos letais para o nosso país”.

“O presidente também está empenhado em levar os narcoterroristas à justiça. Nicolás Maduro, por exemplo, pensava que poderia envenenar americanos impunemente. A Operação Resolução Absoluta o ensinou o contrário — e todos os narcoterroristas deveriam tomar nota”, alertou.

Ameaça
A avaliação é de que “os interesses americanos também estão ameaçados em todo o Hemisfério Ocidental”.

“Já no século XIX, nossos antecessores reconheceram que os Estados Unidos deveriam assumir um papel mais poderoso e de liderança nos assuntos hemisféricos para salvaguardar a segurança econômica e nacional de nossa nação”, disse.

“Foi essa percepção que deu origem à Doutrina Monroe e ao subsequente Corolário Roosevelt. Mas a sabedoria dessa abordagem se perdeu, pois tomamos nossa posição dominante como garantida, mesmo quando ela começou a se dissipar”, alertou. “Como resultado, vimos a influência de adversários crescer da Groenlândia, no Ártico, ao Golfo da América, ao Canal do Panamá e a locais mais ao sul. Isso não apenas ameaça o acesso dos EUA a terrenos-chave em todo o hemisfério, mas também torna as Américas menos estáveis ​​e seguras, prejudicando os interesses dos EUA e de nossos parceiros regionais”, constatou.

Segundo a estratégia, o Departamento de Guerra “priorizará essa defesa, inclusive defendendo os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental”.

A estratégia na região consiste em três vertentes:

 

► Garantir a segurança de nossas fronteiras. A segurança das fronteiras é segurança nacional. O Departamento de Guerra priorizará, portanto, os esforços para selar nossas fronteiras, repelir formas de invasão e deportar imigrantes ilegais em coordenação com o Departamento de Segurança Interna.

► Combater o narcoterrorismo no hemisfério. Mesmo enquanto o Departamento trabalha para garantir as fronteiras dos Estados Unidos, reconhecemos que as ameaças a essas fronteiras também devem ser abordadas em outras regiões do hemisfério. Portanto, ajudaremos a desenvolver a capacidade dos parceiros de enfraquecer organizações narcoterroristas nas Américas e os apoiaremos nesse processo, mantendo também nossa capacidade de tomar medidas decisivas unilateralmente. Mas se nossos parceiros não puderem ou não quiserem fazer sua parte, estaremos preparados para agir decisivamente por conta própria, como a Força Conjunta demonstrou na Operação ABSOLUTE RESOLVE.

► Garantir a segurança de terrenos estratégicos no hemisfério ocidental. Conforme estabelecido na Estratégia de Segurança Nacional (NSS), os Estados Unidos não mais cederão acesso ou influência sobre territórios estratégicos no Hemisfério Ocidental. O Departamento de Guerra, portanto, fornecerá ao Presidente opções viáveis ​​para garantir o acesso militar e comercial dos EUA a territórios estratégicos do Ártico à América do Sul, especialmente a Groenlândia, o Golfo da América e o Canal do Panamá. Garantiremos que a Doutrina Monroe seja respeitada em nossa época.

A conclusão é explícita:

“Após anos de negligência, o Departamento de Guerra restaurará a supremacia militar americana no Hemisfério Ocidental. Usaremos essa supremacia para proteger nossa pátria e nosso acesso a territórios estratégicos em toda a região. Também impediremos que adversários posicionem forças ou outras capacidades ameaçadoras em nosso hemisfério. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe – uma restauração sensata e eficaz do poder e das prerrogativas americanas neste hemisfério, em consonância com os interesses dos americanos”.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Vídeo: Agentes do ICE matam homem durante protesto em Minneapolis, nos EUA

ONU pede investigação sobre abusos de polícia de imigração dos EUA

Um homem baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) morreu neste sábado (24) em Minneapolis, após ser levado ao hospital. Segundo autoridades locais, a vítima tinha 37 anos, morava na cidade e seria cidadão norte-americano. O caso ocorre em meio a protestos contra operações federais de imigração no estado de Minnesota.

O governador Tim Walz classificou o episódio como “atroz” e afirmou ter cobrado da Casa Branca o fim imediato das ações federais no estado.

“Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”, escreveu o governador nas redes sociais.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o homem estava armado com uma pistola semiautomática e dois carregadores e teria reagido de forma violenta durante uma “operação direcionada” para localizar um imigrante em situação irregular. Segundo o órgão, um agente atirou após temer pela própria vida.

Vídeos não confirmados que circulam nas redes sociais mostram agentes com coletes identificados como “Polícia” imobilizando uma pessoa no chão antes dos disparos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, informou que o caso foi comunicado à corporação por volta das 9h (horário local) e que a vítima possuía, ao que tudo indica, porte legal de arma, permitido pela legislação do estado.

Autoridades democratas e o prefeito da cidade, Jacob Frey, criticaram duramente a operação federal. Minneapolis vive clima de tensão desde o início do mês, quando outra ação do ICE resultou na morte de Renee Good, cidadã estadunidense de 37 anos, episódio que também provocou protestos e investigações em andamento.

Em postagens nas redes sociais, o presidente Donald Trump responsabilizou os policiais locais pelo tiroteio, elogiou agentes do ICE como “patriotas” e acusou o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis de provocarem uma “insurreição”. Trump também compartilhou uma foto de uma arma atribuída ao homem morto e, em seguida, alegou que as autoridades estaduais estariam encobrindo os fatos para enganar o governo federal.

Nações Unidas
O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que o governo do presidente Donald Trump seja investigado por possíveis violações de direitos humanos no tratamento dado a imigrantes e refugiados. Segundo ele, políticas migratórias recentes têm resultado em “abusos rotineiros”, prisões arbitrárias e práticas que estariam “destruindo famílias”.

Em comunicado emitido na sexta-feira (23), Türk afirmou estar “estarrecido” com o que classificou como detenções violentas e ilegais realizadas por autoridades norte-americanas, muitas vezes baseadas apenas na suspeita de que indivíduos sejam imigrantes sem documentação. De acordo com o alto comissário, operações de fiscalização têm ocorrido em locais sensíveis, como hospitais, igrejas, escolas, tribunais e residências.

“Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, frequentemente apenas sob a mera suspeita de serem migrantes indocumentados”, declarou.

Ele também criticou o que chamou de representação “desumanizante” de migrantes e refugiados que, segundo a ONU, aumenta a exposição desse grupo à hostilidade xenofóbica e a abusos.

Um dos casos citados ocorreu na terça-feira (20), em Minneapolis, quando um menino de cinco anos foi detido junto com o pai por agentes de imigração. Segundo autoridades educacionais locais, a criança teria sido usada como “isca” para tentar localizar outros imigrantes em uma residência. Ambos foram levados para um centro de detenção no Texas, de acordo com o advogado da família.

Força desproporcional
Türk também manifestou preocupação com o uso do que considera força desnecessária ou desproporcional durante as operações. Ele ressaltou que, segundo o direito internacional, o uso intencional de força letal só é permitido como último recurso, quando há ameaça iminente à vida.

As ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) se intensificaram nos últimos meses e mobilizaram milhares de agentes federais para operações em grandes cidades. Minneapolis vive uma onda crescente de protestos desde a morte de Renee Good, baleada por um agente de imigração em janeiro, episódio que gerou protestos e críticas de autoridades locais.

*Agência Brasil

 


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Brasil

Lula critica Trump, denuncia plano para Gaza e sinaliza contra o ‘Conselho da Paz’

Em discurso no 14º Encontro Nacional do MST, presidente brasileiro rechaça política externa dos EUA, repudia sequestro de Nicolás Maduro e defende soberania dos países latino-americanos

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (23/01) da cerimônia de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocasião em que fez um discurso com ênfase nos conflitos internacionais vigentes na atualidade e no papel do Brasil diante desse cenário.

Em um dos trechos mais importantes do pronunciamento, Lula criticou a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “criar uma nova ONU”, em referência ao “Conselho da Paz”, promovido pelo líder norte-americano.

“O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, está prevalecendo a lei do mais forte, a Carta da ONU está sendo rasgada, e em vez de a gente corrigir a ONU, que é algo que a gente reivindica desde o meu primeiro mandato, em 2003, com a reforma da ONU, com a entrada de novos países como o Brasil, o México, os países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta para criar uma nova ONU, e que ele sozinho seja o dono da ONU”, comentou o presidente.

Lula também disse que tem conversado nos últimos dias com diferentes presidentes e primeiros-ministros, mencionando Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia), Viktor Orbán (Hungria), Claudia Sheinbaum (México), para “tentar ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão e evitar que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”.

Em seguida, o mandatário enfatizou que “o Brasil não tem preferência de relação. O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, com Cuba, com a China, com a Índia, com a Rússia… o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém querer mandar da gente”.

Na mesma linha, Lula afirmou ser “um homem da paz”, e que “não quero guerra armada com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, não quero nem com Uruguai ou com a Bolívia. Eu quero fazer a guerra com o poder do convencimento, com o argumento, mostrando que a democracia é imbatível”.

Questão palestina
No discurso, Lula também falou sobre o cenário atual na Faixa de Gaza. “Vocês viram a fotografia do que eles (Estados Unidos) vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que agora vamos recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu? E as pessoas pobres que estão lá? Vão morar onde?”, questionou.

“Em vez disso, poderiam chamar o Brasil: ‘ô Lula, vem aqui, ensine a gente como é que reconstrói Gaza para pobre. Poderiam fazer o Minha Casa Minha Vida e colocar o povo pobre para morar decentemente, como a gente coloca aqui no Brasil”, acrescentou o presidente brasileiro.

*Opera Mundi


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Política

Vídeo: TromPetista toca berrante em caminhada de Nikolas: “Gado solto na pista”

Fabiano Leitão foi visto entre Cristalina e Luziânia tocando trompete e berrante em direção aos apoiadores de Nikolas Ferreira

Músico conhecido por protestos contra Bolsonaro apareceu no trajeto da marcha liderada pelo deputado do PL e compartilhou o ato nas redes sociais –

Conhecido pelos protestos em atos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Fabiano Leitão, mais conhecido como TromPetista, apareceu na caminhada de Minas Gerais a Brasília promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Entre Cristalina e Luziânia, em Goiás, o músico, que se intitula “militante do PT”, é visto no alto de um morro tocando o instrumento na direção da estrada.

O momento foi compartilhado no perfil do Instagram do trompetista. “Cuidado. Tem gado solto na pista”, escreveu como legenda. A publicação conta com mais de 108 mil visualizações no Instagram. Fabiano aparece tocando um berrante na direção dos apoiadores do deputado, interpretando Marcha, soldado no trompete em seguida.

Veículos que passam pela rodovia buzinaram a favor do petista, cumprimentando-se com uma celebração ao presidente do Brasil. “É Lula!”, gritam.

Desde segunda-feira (19/1), Nikolas promove a “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, percurso de 240 km, de Paracatu (MG) até a capital. Segundo o parlamentar, a mobilização ocorre em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de pessoas condenadas em decorrência dos atos de 8 de janeiro de 2023. Correio Braziliense.


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Vorcaro delata Ibaneis Rocha sobre venda do Master; oposição pede impeachment

Segundo Vorcaro, as tratativas com o governador ocorreram de forma institucional e contaram com a presença de outras pessoas

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que conversou em mais de uma ocasião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).

A declaração foi prestada em depoimento no dia 30 de dezembro do ano passado, no âmbito de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco estatal.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Segundo Vorcaro, as tratativas com o governador ocorreram de forma institucional e contaram com a presença de outras pessoas. O ex-banqueiro também relatou que já recebeu Ibaneis em sua residência e que, em outras ocasiões, esteve na casa do governador.

Após a divulgação do conteúdo do depoimento, os partidos PSB e Cidadania anunciaram que irão apresentar, de forma conjunta, um pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSOL informou que também pretende protocolar um pedido de afastamento do governador.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ibaneis Rocha não se manifestou sobre o assunto.

No depoimento, Vorcaro respondeu a questionamentos da delegada da Polícia Federal Janaina Palazzo, do Ministério Público Federal e também a perguntas formuladas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. De acordo com o ICL, ao todo, foram feitas ao menos 80 perguntas, em uma oitiva que durou quase três horas.

O processo tramita sob sigilo. Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas à investigação sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro passaram a depender de autorização do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

As investigações indicam que, antes mesmo da formalização da venda, o Banco Master teria forjado e negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado com o BRB. Desse total, R$ 6,7 bilhões corresponderiam a contratos falsos, enquanto R$ 5,5 bilhões se referem a prêmios — valor atribuído à suposta carteira, acrescido de um bônus.

O escândalo envolvendo o Banco Master culminou na liquidação da instituição, anunciada em 18 de novembro.


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Economia

Ibovespa renova recorde e supera 175 mil pontos com capital externo

O alívio nas tensões globais provocados por recuos do presidente Donald Trump voltaram a beneficiar o mercado financeiro. A bolsa de valores acumulou o terceiro recorde consecutivo e superou a marca de 175 mil pontos. O dólar fechou abaixo de R$ 5,30 pela primeira vez desde novembro.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta quinta-feira (22) aos 175.589 pontos, com alta de 2,2%. No melhor momento do pregão, às 12h39, chegou a subir 3,27% e a aproximar-se dos 178 mil pontos.

O avanço foi sustentado principalmente por ações de bancos, com grande peso no índice, em um movimento que reflete a realocação global de recursos em direção a mercados emergentes. O volume de negociações voltou a ser expressivo, somando R$ 44,1 bilhões, bem acima da média diária de cerca de R$ 30 bilhões em 2026.

Dados da B3 reforçam o papel do investidor estrangeiro na alta recente. Em janeiro, até o dia 20, o saldo de capital externo na bolsa brasileira foi positivo em quase R$ 8,8 bilhões. Com o resultado desta quinta, o Ibovespa acumula alta de 6,55% na semana e cerca de 9% no ano, caminhando para o melhor desempenho semanal desde outubro de 2022.

Câmbio
No mercado de câmbio, o dia também foi marcado pela euforia. O dólar comercial fechou a quinta vendido a R$ 5,284, com recuo de R$ 0,036 (-0,67%). A cotação operou em estabilidade durante a manhã, mas despencou à tarde, até fechar próxima das mínimas do dia.

A moeda estadunidense está no menor valor desde 11 de novembro, quando estava a R$ 5,27. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,73%.

O cenário internacional sustentou o mercado financeiro nesta quinta. As bolsas globais reagiram positivamente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de ameaças de tarifas comerciais contra países europeus, em meio às negociações envolvendo a Groenlândia. Em Wall Street, o índice S&P 500 subiu 0,55%

*Agência Brasil


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Sistema do CNJ é alvo de fraude com mandados falsos contra Lula e Moraes

A informação foi divulgada oficialmente pelo próprio Conselho Nacional de Justiça, que detalhou o ocorrido após identificar irregularidades

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta quinta-feira (22) que houve uma nova tentativa de manipulação de dados em seu sistema, envolvendo registros associados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada oficialmente pelo próprio CNJ, que detalhou o ocorrido após identificar a irregularidade registrada na última terça-feira (20).

De acordo com o CNJ, a ação não resultou na emissão de mandados de prisão, mas consistiu na alteração indevida de informações vinculadas a um mandado judicial já existente. O órgão esclareceu que o episódio foi rapidamente detectado e corrigido, sem qualquer comprometimento da segurança das plataformas institucionais.

Em nota, o CNJ informou que houve uma “substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras”. O Conselho ressaltou ainda que “a alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas” e garantiu que “o incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos”.

O órgão também afirmou que, após a apuração técnica inicial, não foi constatada invasão ou violação estrutural de seus sistemas. “Não foi constatada a violação ou o comprometimento dos sistemas do CNJ”, informou o Conselho, reforçando que os mecanismos de controle permitiram a rápida contenção do problema.

Antecedentes e condenações no STF
O episódio ocorre em um contexto recente de ataques e tentativas de adulteração de sistemas do Judiciário. Em maio de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto por crimes relacionados à invasão de sistemas do CNJ e à falsificação de documentos oficiais.

Ambos foram condenados na Ação Penal 2428 pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. A pena imposta a Carla Zambelli foi de 10 anos de prisão em regime inicial fechado, além de multa equivalente a dois mil salários mínimos.

A ex-parlamentar fugiu para a Itália. Ela está presa em Roma desde junho de 2025. A defesa de Carla Zambelli informou que solicitará a substituição do colegiado responsável por analisar o pedido de extradição apresentado pelo Brasil à Justiça do país europeu. De acordo com o 247, a iniciativa ocorre após novo adiamento da decisão, agora prevista para fevereiro, no processo que tramita na Itália.

Já Walter Delgatti Neto recebeu pena de oito anos e três meses de prisão do STF, também em regime inicial fechado, acompanhada de multa de 480 salários mínimos.

Além das penas criminais, os dois foram condenados ao pagamento de indenização no valor de R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos. Conforme prevê a legislação eleitoral, ambos se tornaram inelegíveis desde a condenação até o término de um período de oito anos após o cumprimento integral da pena.

No caso de Carla Zambelli, o STF também determinou a perda do mandato parlamentar, uma vez que a condenação em regime fechado ultrapassa o limite constitucional de 120 dias de ausência em sessões legislativas. A declaração formal da perda do mandato cabe à Câmara dos Deputados.

O CNJ informou que seguirá monitorando seus sistemas e reforçando protocolos de segurança para evitar novas tentativas de manipulação de dados judiciais, mantendo a integridade das informações e o funcionamento regular do Judiciário.


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Política

Reajuste piso professores: governo Lula anuncia aumento do piso salarial em 5,4%

Com a MP, o piso do magistério terá ganho real a cada ano

O presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciam, nesta quarta-feira (21/1), o reajuste no piso dos professores. O reajuste será enviado ao Congresso Nacional por meio da MP do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica.

Reajuste piso professores em 2026 será de 5,4%
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira, 21 de janeiro, uma Medida Provisória que trata da atualização do cálculo do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.

Para 2026, o piso será atualizado em 5,4%. Passará de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, válido para a rede pública de todo o país, com jornada de 40 horas semanais

O texto define que o piso será atualizado a partir da soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da receita real, com base no INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), realizada nos cinco anos anteriores ao ano da atualização.

Também é previsto que o percentual estabelecido nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior, apurada pelo INPC.

A partir desse cálculo, o piso do magistério terá ganho real a cada ano. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a medida pretende adequar a Lei nº 11.738/2008 – Lei do Piso – às mudanças introduzidas pela Emenda Constitucional nº 108, que instituiu o novo Fundeb.

A nova fórmula prevê que o piso salarial nacional mantenha, no mínimo, o poder de compra e busque o ganho salarial real, em consonância com a meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece a valorização dos profissionais do magistério das redes públicas de educação básica.

Qual será o reajuste dos professores?
Para 2026, o piso será atualizado em 5,4%. Passará de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, válido para a rede pública de todo o país, com jornada de 40 horas semanais. O percentual representa um ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo INPC de 2025, que foi de 3,9%.

O piso salarial é o valor mínimo que professores devem ganhar em todo o Brasil. A atualização do piso será publicada em portaria assinada pelo Ministro de Estado da Educação, Camilo Santana, e foi calculada com base nos novos critérios previstos na medida provisória.

As remunerações dos profissionais da educação básica são pagas pelas redes de ensino de estados e municípios, a partir de recursos do Fundeb, bem como de complementações da União. Cada estado da federação precisará oficializar o valor por meio de norma própria.

O ministro Camilo Santana já havia adiantado que o governo do Brasil preparava uma Medida Provisória para mudar as regras do reajuste ao magistério. Pelas regras atuais, os professores só receberiam 0,37% e, para aumentar o ganho real, é necessário uma nova MP.

*TVTNews


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Mundo

Sem Brasil e potências europeias, Trump funda seu ‘Conselho da Paz’ e critica ONU

Evento em Davos ocorre depois que Reino Unido e França informaram que não irão aderir por enquanto ao projeto. Ato se transformou em palanque de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fundou nesta quinta-feira, em Davos, o que ele passou a chamar de Conselho da Paz. O órgão que rivaliza com a ONU teria a missão de lidar com as principais crises mundiais, ainda que o mandato e os detalhes do organismo não tenham sido esclarecidos.

Num palco com o símbolo da nova organização, repetindo os ramos cruzados no emblema das Nações Unidas, o protocolo sugeria que estava sendo criada uma entidade para consolidar o poder de Trump no mundo. Não por acaso, em todo o pano de fundo, era o brasão dos EUA que estava ao lado do termo “Conselho da Paz”.

O evento começou quando Trump foi chamado ao palco como autoridade máxima da nova iniciativa. O americano justificou que ele foi “convidado” a ser o líder do projeto, ainda que não tenha explicado quem o convidou.

Os demais líderes eram meros coadjuvantes, sentados em silêncio ao lado do americano, que fazia um longo monólogo sobre seus feitos.

Até mesmo a entrada em vigor do acordo foi feito a partir de uma manipulação. Pelo tratado, a assinatura de três países era suficiente para que a organização passasse a existir. Trump, então, chamou Bahrein e Marrocos para a mesa central do palco, assinou e seus assessores anunciaram que o novo organismo internacional estava criado.

Um por um, os demais líderes foram chamados para assinar o ato de fundação. Todos em silêncio.

Além de Trump, apenas mais três pessoas tomaram a palavra: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leaviit, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, e o secretário de Estado, Marco Rubio. “Isso aqui é resultado do sonho do presidente Trump”, disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Rubio ainda criticou entidades onde “nada acontece” e sinalizou que o destino de Gaza pode ser o destino de “outras parte dos mundo”.

Alfinetadas contra a ONU
“Vamos trabalhar com todos, inclusive com a ONU”, prometeu Trump, que repetiu seu mantra que teria encerrado sozinho oito guerras. Em certo momento, ele admitiu que “nem sabia” que algumas daquelas guerras estavam ocorrendo.

Mas usou o evento para repetir suas críticas contra a instituição. “A ONU tem um enorme potencial e acho que combinação desse Conselho com eles pode ser positiva”, disse. No acordo, porém, o novo organismo tem o compromisso de apenas informar a cada seis meses o que está fazendo às Nações Unidas.

Se o Conselho é da paz, o discurso foi desenhado para insistir no poder militar dos EUA e no êxito dos ataques de seu governo contra inimigos. “Somos o maior poder militar do mundo”, disse.

Ele ainda garantiu que Gaza será desmilitarizada e que será “reconstruída lindamente”. O evento ainda anunciou a “desradicalização” do local, livre mercado e segurança. Um dos pontos de fronteira entre Gaza e o Egito serão abertos a partir da semana que vem.

Nova fase contra narcotráfico latino-americano
O discurso de criação ainda sugeriu que o governo americano poderá lançar uma nova ofensiva contra grupos do crime organizado na América Latina, desta vez por terra.

Para Trump, a parte “mais difícil” era por mar. “Agora será mais fácil”, disse. Ele sinalizou que estava esperando “resolver” a situação política na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro para, agora, ampliar sua atuação.

Esvaziado
Trump, que convidou 59 líderes pelo mundo ao novo organismo, esperava transformar o ato na confirmação de seu poder. Pelas regras do Conselho, o presidente americano será a autoridade máxima da nova entidade e o único a poder vetar decisões. A adesão de um país para ser membro permanente depende de apenas dois critérios: depositar US$ 1 bilhão e ser convidado pelo presidente dos EUA.

A resposta gelada por parte de algumas das principais potências esvaziou o encontro em Davos. Ao lado de Trump estavam apenas seus aliados mais submissos, entre eles a Argentina, Paraguai, Marrocos, Armênia, Hungria e Israel.

Também farão parte os governos da Arábia Saudita, Paquistão, Catar, Kosovo, Indonésia, Uzbequistão, Mongólia, Turquia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão e Vietnã.

O governo brasileiro não mandou nenhum representante ao evento e ainda examina a proposta. Mas há uma forte pressão por parte de assessores do Palácio do Planalto para que o Brasil não aceite o convite.

Governos como o do Reino Unido, França, Eslovênia, Irlanda, Holanda e Noruega rejeitaram a iniciativa, por enquanto. Itália e Alemanha optaram por uma cautela, não se comprometendo com qualquer adesão.

Um dos principais temores é de que o projeto represente um abalo mortal para a já combalida ONU.

Já Vladimir Putin sugeriu que poderia considerar o projeto. Mas disse que estava disposto a pagar US$ 1 bilhão, caso os ativos russos confiscados nos EUA desde a invasão da Ucrânia sejam descongelados. O Kremlin, assim, coloca a administração Trump em uma encruzilhada.

Trump parecia não se importar com os fatos e o esvaziamento do projeto. “Teremos paz no mundo”, disse.

*Jamil Chade/ICL

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