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Brasil Mídia

Brasil recebe aviões russos para 1º encontro em mais de uma década

Reunião da Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil – Rússia nesta semana será a 1ª desde 2015; Governo Lula quer aprofundar relação comercial e científica com Moscou

ela primeira vez em onze anos, Brasil e Rússia realizam uma reunião da alta cúpula de seus governos para aprofundar as relações em setores considerados como estratégicos. No próximo dia 5, o primeiro-ministro da Rússia e oito ministros de estado estarão na capital do país para encontros com o governo Lula.

A reunião ocorre num momento em que o Brasil tenta ampliar suas relações com outros parceiros pelo mundo, diante da ofensiva de Donald Trump tanto na América Latina como na redefinição da ordem mundial.

A dimensão da aproximação exigiu que o Kremlin enviasse ao Brasil várias aeronaves oficiais. A primeira desembarcou na quinta-feira, gerando especulações por parte da imprensa. O ICL Notícias apurou que o jato trazia limusines blindadas que serão usadas pela delegação russa durante os encontros com o Brasil. Outro avião deve chegar ainda neste domingo e o restante nos próximos dias.

Em todos os casos, os jatos têm feito um trajeto para evitar o território europeu, temendo algum tipo de sanções ou confiscos, casos tenham de realizar um pouso forçado.

A última reunião da Comissão de Alto Nível ocorreu em 2015. Em 2024, uma comissão de cooperação chegou a se encontrar em Moscou. Mas as delegações eram compostas apenas por vice-ministros. Agora, além do chefe de governo, a comitiva russa ainda conta com chefes de agências governamentais e empresários.

O presidente Vladimir Putin, alvo de um mandado internacional de prisão pelo Tribunal Penal Internacional, não tem saído da Rússia para países que fazem parte da corte. Mas, desde que assumiu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido ligações telefônicas com o Kremlin e chegou a visitar Moscou.

A última conversa ocorreu em meados de janeiro. Agora, o encontro em Brasília será copresidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

Na pauta, Brasil e Rússia vão buscar formas para ampliar o comércio, a cooperação científica e tecnológica.

Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países foi de US$ 10,9 bilhões. Em 2024, a corrente de comércio chegou a ser de US$ 12 bilhões e a Rússia se transformou no oitavo maior parceiro do país. Mas com quase US$ 11 bilhões de vendas russas ao mercado brasileiro, principalmente fertilizantes e diesel.

Trump tem feito pressão sobre países que importam combustível da Rússia, alegando que estariam alimentando a capacidade de o Kremlin financiar sua própria guerra. A acusação também é direcionada contra a Europa que, ao longo dos últimos anos, continuou a importar gás russo.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Trump irá propor acordo para ter acesso às terras raras no Brasil e parceiros

Proposta será examinada pelo governo Lula, mas Palácio quer evitar se comprometer com um pacto que seja visto como instrumento para isolar a China

O governo de Donald Trump irá apresentar, nesta quarta-feira, um pacto para cerca de 20 países, com o objetivo de tentar isolar a China no comércio e fornecimento global de terras raras e assegurar para a economia americana um abastecimento desses minérios estratégicos. O ICL Notícias obteve o rascunho do acordo e que será também submetido ao governo Lula.

A reportagem apurou que a delegação brasileira, que estará presente ao encontro em Washington, não assumirá qualquer compromisso de imediato e encaminhará a proposta da aliança para o Itamaraty, Palácio do Planalto e outros ministérios.

O Brasil quer evitar fazer parte de uma iniciativa que posicione o país num dos eixos da disputa do poder no mundo.

Além dos EUA, farão parte do encontro os governos europeus, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Índia e outros.

Entre os pontos centrais do pacto está a criação de um sistema de controle de preços, a garantia de que barreiras não serão estabelecidas e que um acesso seja estabelecido às reservas do país que aceite o entendimento com a Casa Branca.

Segundo o pacto:

Os Participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

Há ainda o compromisso de que haja um licenciamento acelerado das zonas de exploração:

Os Participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

Um dos trechos ainda revela o compromisso dos governos “parceiros” em mapear suas reservas e fornecer os dados aos EUA.

“Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos”, afirma o acordo.

O governo brasileiro admite que, durante o encontro entre Lula e Trump em março na Casa Branca, o tema será colocado sobre a mesa pelos EUA. O Brasil já indicou que está disposto a dialogar. Mas não quer que esse tema seja usado como barganha para a retirada de tarifas contra produtos brasileiros que o Itamaraty consideram que são injustificadas.

Além disso, o Brasil quer garantias de que haja um fluxo de investimentos no país para evitar que a economia nacional seja apenas fornecedora de matéria-prima para a produção de alta tecnologia dos EUA.

Leia o texto completo do rascunho do acordo, circulado entre diplomatas:

Para garantir o abastecimento na mineração e processamento de minerais críticos e terras raras

Considerando que os minerais críticos são essenciais para a produção de tecnologias avançadas;

Considerando que os Estados Unidos da América (os “Estados Unidos” ou “EUA”) e [País X](coletivamente, os “Participantes”) pretendem apoiar o fornecimento de minerais críticos brutos e processados cruciais para as indústrias comerciais e de defesa de ambos os países;

Considerando que os Participantes planejam alcançar esse objetivo por meio do uso de instrumentos de política econômica e investimentos coordenados para acelerar o desenvolvimento de mercados diversificados, líquidos e justos para minerais críticos;

Considerando que o objetivo dos Participantes é auxiliar ambos os países a alcançar resiliência e segurança das cadeias de suprimento de minerais críticos, incluindo mineração, separação e processamento;

Considerando que os Participantes pretendem capitalizar suas respectivas operações domésticas existentes de mineração e processamento de minerais críticos, bem como a nova capacidade a ser desenvolvida.

Portanto, os Participantes chegaram ao seguinte entendimento sobre uma política comum estrutura para a mineração e o processamento de minerais críticos.

Seção I

Minerais Críticos

1. Garantia de Abastecimento:

Os Participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

2. Investimento em Mineração e Processamento:

Os Participantes comprometem-se a mobilizar o apoio dos setores público e privado, incluindo despesas de capital e operacionais por meio de garantias, empréstimos, investimentos em ações, finalização de contratos de fornecimento, seguros ou facilitação regulatória.

a. Seleção de Projetos: Os Participantes pretendem identificar conjuntamente projetos de interesse para preencher lacunas nas cadeias de suprimentos prioritárias. Financiamento: Dentro de seis meses a partir da data deste Acordo-Quadro, os Participantes pretendem tomar medidas para fornecer financiamento significativo a projetos localizados em cada país, com expectativa de gerar produtos finais para entrega a compradores nos Estados Unidos e [País X].

c. Apoio ao Investimento: Os Participantes pretendem trabalhar em conjunto para desenvolver mecanismos novos ou personalizados para fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos e terras raras.

3. Licenciamento: Os Participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

4. Mecanismos de Preços: Os Participantes pretendem trabalhar para proteger seus respectivos mercados nacionais de minerais críticos e terras raras de políticas não mercantis e práticas comerciais desleais.

Isso inclui a adoção de sistemas baseados em padrões que permitam o livre comércio dentro de uma estrutura de preços, como preços mínimos ou medidas similares. Os Participantes também pretendem colaborar com parceiros internacionais para desenvolver uma estrutura global para abordar os desafios de precificação associados.

5. Venda de Ativos: Os Participantes comprometem-se a desenvolver ou fortalecer as autoridades e ferramentas diplomáticas para analisar e impedir a venda de ativos de minerais críticos e terras raras por motivos de segurança nacional.

6. Sucata e Reciclagem: Os Participantes comprometem-se a investir em tecnologia de reciclagem de minerais e a trabalhar em conjunto para garantir a gestão de sucata de minerais críticos e terras raras para apoiar a diversificação da cadeia de suprimentos.

7. Cooperação com Terceiros: Os Participantes pretendem colaborar com terceiros, conforme apropriado, para garantir a segurança da cadeia de suprimentos e utilizar os mecanismos de engajamento existentes.

8. Mapeamento Geológico: Os Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos.

Seção II

Disposições Gerais

1. Análise Pós-Projeto: Espera-se que as autoridades competentes dos Participantes realizem a análise e implementação pós-projeto. O conteúdo específico da análise pós-projeto deve ser desenvolvido entre os Participantes, de acordo com suas respectivas leis nacionais. Reuniões: Os Participantes pretendem se reunir, virtualmente ou presencialmente, mediante solicitação por escrito do outro Participante, dentro de 10 dias após o recebimento da solicitação.

3. Descontinuação: Qualquer Participante poderá descontinuar sua participação neste Quadro mediante notificação por escrito ao outro Participante. Na ausência de notificação em contrário, qualquer descontinuação entrará em vigor no trigésimo dia após a data de recebimento da notificação por escrito.

4. Caráter Não Vinculativo: Este Quadro estabelece uma política e um plano de ação programático que não constituem ou criam direitos ou obrigações sob a lei nacional ou internacional, não dão origem a qualquer processo legal e não constituem ou criam quaisquer obrigações juridicamente vinculativas ou executáveis, expressas ou implícitas.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

EUA mapeiam minérios raros no Brasil e costuram aliança contra China

Reunião convocada por Trump com cerca de 20 aliados tem objetivo de isolar a China e criar sistema internacional de preços. Brasil ainda não confirmou presença

O governo de Donald Trump nos EUA convocou alguns dos seus principais aliados e economistas de peso para uma reunião sobre terras raras em Washington com o objetivo de construir uma aliança contra a China. O Brasil ainda não confirmou sua participação, ainda que tenha sido convidado. Enquanto isso, a diplomacia americana se lança na identificação das reservas de minérios estratégicos em território nacional.

Nesta quarta-feira, cerca de 20 países estarão na Casa Branca em um encontro que será liderado pelo chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio. O objetivo é anunciar a criação de um mecanismo que estabeleça um preço mínimo de importação para o comércio de terras raras, assim como deixar as portas abertas para legitimar a imposição eventual de tarifas.

Com isso, a medida tende a proteger as refinarias e extrativistas de minerais de terras raras, coordenando os maiores importadores.

Diante da histórica queda de preços praticada pelos produtores chineses, o acesso às terras raras tem sido uma área de crescente preocupação desde que a China impôs, no ano passado, um regime de licenciamento de exportação que ameaçava cortar o acesso a esses minerais.

Com o sistema de um preço mínimo, a aliança costurada pelos EUA espera pressionar a China e impedir que ela determine o preço global dos minérios considerados como estratégicos.

Entre os convidados para a reunião estão os países do G7, além de Coreia do Sul, Austrália, índia e outros grandes mercados.

Fontes diplomáticas indicaram que houve uma intenção dos EUA de chamar o Brasil. Mas o chanceler Mauro Vieira teria outros compromissos nesta semana e não poderá estar. O governo Lula ainda consulta com os americanos de que forma a participação brasileira poderia ocorrer. Não se descarta que a Argentina, porém, possa fazer parte.

Membros do Departamento de Estado norte-americano relatam ainda que estão tendo dificuldades para ter acesso aos tomadores de decisão, principalmente no Ministério de Minas e Energia, para consolidar uma agenda sobre o tema de terras raras.

O governo Trump, porém, não irá aguardar o Palácio do Planalto para buscar parcerias. Segundo o ICL Notícias apurou, contatos estão sendo feitos entre diplomatas americanos e governos estaduais, como o de Minas Gerais e Goiás.

A busca por um mapeamento de onde existiriam reservas importantes e atores que poderiam estabelecer um diálogo também foi iniciada.

O trabalho de identificação não ocorre por acaso. Entre novembro e dezembro, o governo Trump estabeleceu que o setor de terras raras deveria ser tratado como estratégico para sua defesa nacional. Em documentos, a Casa Branca ainda instruiu a CIA a mapear na América Latina onde estariam as reservas de recursos naturais que poderiam ser vitais para os EUA nas próximas décadas.

No Palácio do Planalto, a expectativa do governo Lula é de que o tema de terras raras entre na agenda bilateral do encontro entre os dois líderes, em março em Washington. Mas será um assunto que será incluído pelo lado americano.

A estratégia do Brasil, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin já revelou a interlocutores, é a de deixar esse setor estratégico para o final de uma negociação entre Lula e Trump.

Brasília sabe que tem um trunfo nas mãos e entende o interesse dos EUA em buscar alternativas ao fornecimento de minérios críticos da China. Mas não quer trocar esse acesso por uma normalização da relação, principalmente por conta de uma crise que foi “inventada” pela Casa Branca para, agora, obter benefícios.

A retirada de tarifas contra produtos brasileiros ou sanções precisa ocorrer, na avaliação do governo, dentro de uma barganha que não envolva entregar “as joias da coroa”, no caso as reservas de terras raras.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Cultura

Caetano Veloso e Maria Bethânia vencem Grammy de álbum global

Disco ao vivo dos irmãos baianos supera artistas da África, Índia e EUA

Caetano Veloso e Maria Bethânia conquistaram, neste domingo (1º), o Grammy de Melhor Álbum de Música Global com o registro ao vivo “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo”, consagrando um encontro histórico de dois dos maiores nomes da música brasileira. Os artistas não compareceram à cerimônia, realizada nos Estados Unidos, e o prêmio foi recebido em nome dos brasileiros pela cantora e apresentadora Dee Dee Bridgewater.

O álbum brasileiro superou produções de diferentes tradições musicais e regiões do mundo. Disputavam a categoria “Sounds of Kumbha”, de Siddhant Bhatia; “No Sign of Weakness”, de Burna Boy; “Eclairer le monde – Light the World”, de Youssou N’Dour; “Mind Explosion – 50th Anniversary Tour Live”, do grupo Shakti; e “Chapter III: We Return To Light”, de Anoushka Shankar com Alam Khan e Sarathy Korwar, diz o 247.

A vitória tem peso histórico sobretudo para Maria Bethânia. Trata-se da primeira estatueta da artista no Grammy e de um marco para a música popular brasileira: ela se torna a primeira intérprete de MPB a vencer a premiação, frequentemente comparada ao Oscar da música. Mesmo antes do resultado, a simples indicação do álbum já colocava Bethânia em posição singular entre grandes cantoras de sua geração, como Elis Regina e Gal Costa, que nunca chegaram a ser indicadas ao prêmio.

O reconhecimento internacional ganha ainda mais simbolismo por ocorrer no ano em que Bethânia completa 80 anos, em 18 de junho de 2026, funcionando como uma consagração adicional a uma trajetória marcada por rigor artístico e longevidade.

Para Caetano Veloso, o Grammy reforça um prestígio já consolidado. O compositor e cantor havia vencido a mesma categoria em 2000, então chamada de Melhor Álbum de World Music, com “Livro” (1997), e voltou a ser premiado em 2001 como produtor de “João Voz e Violão”, de João Gilberto. Outros nomes centrais da MPB contemporânea, como Gilberto Gil e Milton Nascimento, também já foram laureados nessa categoria, o que situa a conquista dos irmãos dentro de uma tradição brasileira reconhecida pela academia internacional.


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Brasil Música

Quem é Jean-Luc Brunel, o elo entre o caso Epstein e o Brasil

A principal ponte do caso do bilionário, encontrado morto numa cela em 2019, com o Brasil, é o francês Jean-Luc Brunel, que foi agente de modelos e era considerado “braço direito” de Epstein

Embora o escândalo de tráfico sexual envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein seja investigado nos Estados Unidos, as investigações do Departamento de Justiça e os desdobramentos sobre o caso mostram diversas conexões internacionais do esquema, incluindo o Brasil.

A principal ponte do caso do bilionário, encontrado morto numa cela em 2019, com o Brasil, é o francês Jean-Luc Brunel, que foi agente de modelos e era considerado “braço direito” de Epstein. Brunel – acusado de estupro, agressão sexual e assédio sexual – esteve no Brasil em abril de 2019 para recrutar novas modelos e levá-las aos Estados Unidos.

O ex-agente era fundador da agência de modelos MC2 que tinha sede em Miami e contava com a ajuda financeira de Epstein. Na época, a MEGA Model Brasília publicou uma foto com uma legenda de agradecimento pela visita do empresário. “Jean-Luc Brunel esteve aqui hoje para um casting para levar os nossos modelos para Nova York”, escreveu a publicação.

Procurada, a MEGA Model informou que Jean-Luc Brunel fez apenas uma visita breve e sem agendamento prévio à antiga sede da agência, localizada em um shopping em Brasília. Segundo a empresa, o encontro durou cerca de 15 minutos. A agência afirmou ainda que desconhecia o seu histórico e garantiu que nenhuma modelo foi recrutada ou abordada durante a visita.

Ainda em 2019, uma reportagem do The Guardian expôs uma série de denúncias que acusavam Brunel de trazer adolescentes, vindas de outros países com visto de modelos, para os Estados Unidos com o objetivo de exploração sexual. De acordo com o Correio Braziliense, outras três mulheres disseram ao jornal que foram sexualmente agredidas pelo ex-agenciador nos anos 1980 e 1990.

Brunel foi encontrado morto em uma cela em Paris, na França, em 2022. Ele estava detido desde dezembro de 2020, quando foi acusado de estupro contra jovens menores de idade.

Essa não é a única conexão do escândalo com o Brasil. No fim do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou público outros documentos que também mencionavam essa possível ligação. Entre os arquivos está um depoimento do FBI, a polícia federal americana, que reúne informações relacionadas ao caso Epstein.

Segundo a BBC News Brasil, o documento com anotações escritas à mão cita um “grande grupo brasileiro”, sem detalhar quem seriam os integrantes e a participação dessas pessoas no esquema. Grande parte das informações, no entanto, aparece tarjada, o que limita a compreensão completa do conteúdo e de eventuais conexões citadas nos arquivos.

Na sexta-feira, dia 30, o Departamento de Justiça dos EUA liberou para o acesso público um total de três milhões de páginas de arquivos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos relativos ao caso Epstein.

Essa é a maior quantidade de informações liberadas pelo governo americano sobre o caso. Uma lei do Congresso dos EUA, sancionada pelo presidente Donald Trump, determinava a publicidade de todos os documentos até 19 de dezembro, mas a medida só foi cumprida agora.

A análise dos documentos ainda está em curso, e novas informações podem vir à tona à medida que o conteúdo for examinado.


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Brasil Mundo

Ministério da Saúde emite alerta sobre o Vírus Nipah no Brasil

O Ministério da Saúde do Brasil emitiu um alerta informativo sobre o vírus Nipah em janeiro de 2026, em resposta a um surto recente na Índia (especificamente no estado de Bengala Ocidental).

O comunicado oficial, publicado no site do Ministério da Saúde (gov.br/saude), explica que o risco para o Brasil é baixo e que o vírus não ameaça a população brasileira no momento. Não há registros de casos no país, nem evidências de disseminação internacional significativa.

Contexto do surto

Dois casos confirmados na Índia (entre profissionais de saúde), com mais de 100 pessoas em quarentena por contato.

O vírus Nipah é zoonótico (transmite-se principalmente de animais para humanos), com reservatório principal em morcegos frugívoros (frutíferos), que não são nativos do Brasil.

Pode causar sintomas graves como febre, dor de cabeça, vômitos, infecções respiratórias agudas e encefalite (inflamação cerebral), com taxa de letalidade entre 40% e 75%.
Não existe vacina nem tratamento específico aprovado; o manejo é de suporte.

Por que o risco é baixo no Brasil?

Ausência do hospedeiro natural (morcegos Pteropus) nas Américas.
Sem evidência de transmissão sustentada fora do Sudeste Asiático.
O Ministério mantém vigilância contínua para patógenos de alta periculosidade, em parceria com Fiocruz, Instituto Evandro Chagas e OPAS/OMS.

A OMS também classifica o risco global como baixo, sem restrições de viagens ou comércio recomendadas.

O alerta é preventivo e de monitoramento, alinhado à posição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que descarta possibilidade de pandemia atual. As autoridades continuam acompanhando a situação.
Se você quiser mais detalhes sobre sintomas, transmissão ou fontes oficiais, posso aprofundar!


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Brasil Mundo

Megavazamento de dados: Justiça inglesa recebe ação coletiva sobre dados expostos de brasileiros

Agência Pública – A Justiça da Inglaterra irá julgar um dos maiores casos de vazamento de dados da história recente do Brasil, que afetou cerca de 220 milhões de pessoas, há cinco anos. A ação coletiva busca responsabilizar a Serasa e outras duas empresas do grupo britânico Experian, que teriam expostos dados sensíveis de brasileiros.

O vazamento foi identificado em janeiro de 2021, descoberto pelo laboratório de cibersegurança da empresa de aplicativo de segurança Psafe, quando criminosos passaram a divulgar dados sensíveis dos brasileiros como CPF, RG, data de nascimento, escolaridade, CNPJs e receitas do FGTS.

Protocolada em 9 de janeiro deste ano, na Corte inglesa, a ação sustenta que esses dados sensíveis foram expostos em fóruns clandestinos, conhecidos como “deep web” e deixaram os brasileiros vulneráveis. O caso tramita exclusivamente na Inglaterra, porque duas das empresas controladoras do grupo Experian estão sediadas e operam a partir do território inglês, o que permite que sejam processadas no país.

“O Serasa faz parte do Experian Group, que é um grupo econômico internacional. Essas duas empresas matriciais, parent companies, como a gente se refere, têm uma sede na Inglaterra e [lá] conduzem seus negócios”, explica Andrew Shorts, sócio do escritório de advocacia internacional Mishcon de Reya responsável pela ação.

Shorts foi um dos idealizadores de um site que convocava as vítimas do megavazamento para que se juntassem à ação coletiva. Segundo ele, até o momento, cerca de 25 mil pessoas já manifestaram o seu interesse em integrar o caso, sendo a grande maioria composta por brasileiros.

O rito do processo é diferente do praticado no Brasil, uma vez que a petição inicial é protocolada com dados mais simples e os detalhes do caso são apresentados no decorrer do processo. Isso permite, portanto, que outras vítimas do vazamento possam se juntar à ação, mesmo que ela já tenha sido protocolada.

Embora o processo seja conduzido pela Justiça da Inglaterra, o caso também irá considerar a legislação brasileira, segundo o organizador da ação. “O direito de indenização dos autores decorre das leis brasileiras, ainda que o processo esteja sendo julgado na Inglaterra”, afirma.

“O tribunal inglês aplicará a lei brasileira porque [os direitos desrespeitados] em que se baseia a ação, existem no direito brasileiro, mas não no direito inglês. Os tribunais ingleses têm ampla experiência em julgar disputas internacionais, muitas das quais exigem a aplicação de leis estrangeiras. As normas processuais, no entanto, serão as inglesas”, explica Shorts.

O principal pedido da ação é a condenação das empresas, e o pagamento de indenização financeira aos titulares afetados. Os valores para as vítimas serão definidos pelo julgamento da corte inglesa, caso a responsabilidade do grupo Experian seja reconhecida.

Outro lado
À Agência Pública, a Serasa Experian disse que não houve invasões aos seus sistemas de dados à época e que chegou a apresentar um laudo pericial, feito por uma auditoria independente, às autoridades componentes.

O laudo foi solicitado pela reportagem, mas a Serasa não o encaminhou e declarou que não poderia informar qual organização assinou a auditoria.

A empresa de informação de crédito afirmou ainda em seu posicionamento (leia na íntegra) que não foi citada “na ação judicial referida”, porém a Pública acessou o sistema da Justiça inglesa e confirmou a presença da Serasa Experian no processo.

A nota diz que a empresa lamenta e repudia a “propagação de informações enganosas, com promessas falsas de indenizações ou compensações financeiras”. Em outro trecho, salienta que “reforça seu compromisso com a proteção de dados, a legalidade de suas práticas e a segurança das informações sob sua guarda.”

Segundo Shorts, a ação também serve de “ponto de atenção para as grandes corporações que têm esses dados, para que elas melhorem a sua segurança, porque vai doer no bolso delas e elas devem evitar esse tipo de vazamento.”


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Brasil Economia

Indústria de máquinas agrícolas do Brasil aumenta vendas em 7,4% para R$ 66,75 bilhões

Segundo a Abimaq, o faturamento com as vendas no mercado interno também aumentou

(Reuters) – A receita líquida total do setor de máquinas e implementos agrícolas no Brasil alcançou R$66,75 bilhões em 2025, alta de 7,4% sobre 2024, com produtores embalados por safras recordes de soja e milho, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados nesta quarta-feira (28).

O faturamento com as vendas no mercado interno, que responde pela maior parte da receita, somou R$ 57,6 bilhões em 2025, aumento de 6,7% sobre 2024.

“Depois de dois anos de queda, teve crescimento interessante… Viemos de um quadro climático e preços ruins, o que impactou negativamente os investimentos… (mas) o ano de 2025 foi de clima bastante favorável, com crescimento de safra, e viabilizou ganhos de investimentos”, afirmou a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, a jornalistas.

Para 2026, ela prevê que o setor seguirá crescendo, mas em menor intensidade, com expectativa de avanço de mais de 3% na receita.

Em 2025, as exportações da indústria de máquinas agrícolas avançaram 12,2% no ano, totalizando US$1,63 bilhão.

As vendas totais de tratores e colheitadeiras pelo setor no país no ano passado somaram 61.064 unidades, crescimento de 14,1% ante 2024, mesmo com a desaceleração observada em dezembro, quando as vendas caíram 15,6% em relação ao mesmo mês de 2024, totalizando 4.098 máquinas.

Tratores responderam pela maior parte do volume. As vendas no mercado interno atingiram 52.124 unidades em 2025, expansão de 16,5% ante 2024, apesar da queda de 18,1% na comparação de dezembro contra o mesmo mês do ano anterior.

No caso das colheitadeiras, as vendas internas cresceram 5,2% no ano, para 3.410 unidades, embora dezembro tenha registrado queda de 13,7% sobre o mesmo mês de 2024.


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Mal-estar se instala na Copa de 2026 nos EUA e cresce debate sobre boicote

Em encontros reservados, europeus começam a debater possibilidade de uma resposta diante da ofensiva de Trump pela Groenlândia.

O mal-estar está instalado. O desmonte da democracia por parte de Donald Trump e seus ataques contra aliados e adversários desencadearam uma reação de questionamentos sobre a Copa de 2026, nos EUA, México e Canadá.

Na semana passada, os chefes de 20 federações de futebol da Europa se reuniram de forma discreta na Hungria. Na agenda estava a crescente preocupação diante do desejo de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

A pergunta que tiveram de tratar era óbvia: como o futebol reagiria diante de uma crise política ou militar com a Europa?

O que era apenas tratado em salas reservadas eclodiu quando Oke Gottlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, afirmou que havia “chegado a hora” de falar de boicote.

Não se descarta, por exemplo, que jogadores ou federações avaliem possibilidades de promover algum tipo de protesto. Dos 104 jogos da Copa do Mundo, 78 serão realizados nos EUA.

“Se Trump cumprir os anúncios e ameaças relacionados à Groenlândia e iniciar uma guerra comercial com a UE, é difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, disse o parlamentar de direita, Roderich Kiesewetter.

De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, 47% dos entrevistados na Alemanha disseram que seriam favoráveis a um boicote caso os EUA anexem a Groenlândia. 35% recusaram a ideia de um protesto, enquanto 18% afirmaram não ter posição.

Em 2022, a Alemanha já liderou uma ação contra o governo do Catar e acabou ameaçada pela Fifa. O motivo era uma braçadeira que os jogadores levariam durante as partidas, promovendo a diversidade e a inclusão.

Em vez disso, a FIFA antecipou sua própria campanha “Não à Discriminação”. Em protesto, os jogadores da Alemanha cobriram a boca durante a foto oficial da equipe antes da estreia na Copa do Mundo contra o Japão “para transmitir a mensagem de que a Fifa está silenciando”.

A constatação dos dirigentes, porém, é que tomar tal decisão exigirá uma coragem política que talvez hoje não exista. Ao mesmo tempo, europeus e africanos admitem que lhes custaria muito saber que estarão fazendo parte da transformação de uma Copa do Mundo em um palco ao líder com traços autoritários.

Entre diplomatas e cartolas, a acusação é de que a Copa, uma vez mais, revela uma profunda hipocrisia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o resultado foi sua expulsão de dezenas de eventos.

Em fevereiro de 2022, a Fifa e a Uefa emitiram o seguinte comunicado:

“A Fifa e a Uefa decidiram em conjunto que todas as equipes russas, sejam seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso.”

Nos últimos meses, os EUA atacaram a Venezuela, Irã e Nigéria, além de ameaçar dezena de países e exigir a entrega de um território europeu. Se não bastasse, aplicou sanções contra europeus e latino-americanos. Trump ainda fez repetidas ofensas contra países mais pobres e até questionou a inteligência da população da Somália.

Não por acaso, o ex-treinador do Senegal, Gana, Camarões e de diversas seleções africanas, o francês Claude Le Roy, afirmou que não via motivo para evitar o debate sobre um boicote, diante da forma pela qual Trump se refere aos africanos.

Outro movimento vem sendo identificado entre torcedores, com abaixo-assinados contra a Copa surgindo em alguns países europeus. Ainda assim, cartolas ouvidos pelo ICL Notícias admitem que esses movimentos precisam ter um respaldo das instituições.

Numa tentativa de mostrar que o mal-estar não existe, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se apressou em anunciar em Davos, na semana passada, que mais de 500 milhões de ingressos já tinham sido solicitados.

Antecedentes
Para dirigentes europeus, são os líderes que precisam assumir suas responsabilidades. O histórico, porém, é citado como algo a não ser esquecido.

Em 1936, enquanto Hitler erguia sua máquina de morte e implementava a base do que seria o Holocausto, dirigentes esportivos e políticos em todo o mundo optaram por fechar os olhos aos abusos e fazer parte da Olimpíada em Berlim.

Um ano antes, meio milhão de americanos assinaram petições exigindo uma sede alternativa para os Jogo. Vários jornais, incluindo o New York Times, registraram objeções à participação dos EUA.

Líderes religiosos, reitores de universidades e sindicalistas criaram nos EUA o Comitê para o Jogo Limpo nos Esportes com o objetivo explícito de impedir que o país enviasse seus atletas de elite a Berlim. “Todos os americanos de bom senso e amantes do bom esporte devem se opor à nossa participação”, dizia um de seus panfletos, “porque o governo nazista está planejando deliberadamente usar os Jogos Olímpicos para promover seu prestígio político e glorificar suas políticas”.

Hitler sabia que os Jogos Olímpicos lhe proporcionariam uma oportunidade única para promover o “Reich de Mil Anos” que idealizava.

Os documentos das diferentes diplomacias não deixavam dúvidas de que todos sabiam o que estava em jogo. Sir Eric Phipps, embaixador britânico em Berlim, escreveu um telegrama para o Ministério das Relações Exteriores em 7 de novembro de 1935 o seguinte recado:

“O Chanceler (Hitler) está demonstrando um enorme interesse pelos Jogos Olímpicos. Na verdade, ele está começando a considerar as questões políticas sob a perspectiva de seu efeito sobre os Jogos. O governo alemão está simplesmente apavorado com a possibilidade de a pressão judaica induzir o governo dos Estados Unidos a retirar sua equipe e, assim, arruinar o festival, cujo valor material e propagandístico, em sua opinião, dificilmente pode ser exagerado.”

Aqueles que insistiram em ir ao evento sabiam da repressão contra os judeus e mesmo a diplomacia dos EUA sugeriu implementar o boicote.

“Caso os Jogos não sejam realizados em Berlim”, escreveu George Messersmith, cônsul-geral dos Estados Unidos em Berlim, a seus superiores no Departamento de Estado, “seria um dos golpes mais sérios que o prestígio nacional-socialista poderia sofrer em uma Alemanha em despertar e uma das maneiras mais eficazes que o mundo exterior tem de mostrar à juventude alemã sua opinião sobre a doutrina nacional-socialista.”

Para ele, era “inconcebível que o comitê olímpico americano mantivesse sua posição de que o esporte na Alemanha é apolítico, que não há discriminação”. “Outras nações estão olhando para os Estados Unidos antes de agirem, esperando por liderança; os alemães estão adiando o aumento da opressão econômica contra os judeus até que os jogos terminem. Os Estados Unidos deveriam impedir que seus atletas fossem usados por outro governo como instrumento político”, completou.

Mas o movimento nos EUA pelo boicote acabou fracassando, enterrando a pressão em outros países do mundo. Um voto na Associação de Atletas Amadores terminou com uma margem mínima de vantagem a quem defendia ir aos Jogos. De forma hipócrita, dirigentes dos EUA e de diversos países consideravam que deixar de ir ao principal evento do COI significaria o fim de suas carreiras no movimento olímpico.

O evento de Hitler acabaria tendo o maior número de delegações jamais visto até então. E o resto da história todos nós conhecemos.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil

Lula critica Trump, denuncia plano para Gaza e sinaliza contra o ‘Conselho da Paz’

Em discurso no 14º Encontro Nacional do MST, presidente brasileiro rechaça política externa dos EUA, repudia sequestro de Nicolás Maduro e defende soberania dos países latino-americanos

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (23/01) da cerimônia de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocasião em que fez um discurso com ênfase nos conflitos internacionais vigentes na atualidade e no papel do Brasil diante desse cenário.

Em um dos trechos mais importantes do pronunciamento, Lula criticou a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “criar uma nova ONU”, em referência ao “Conselho da Paz”, promovido pelo líder norte-americano.

“O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, está prevalecendo a lei do mais forte, a Carta da ONU está sendo rasgada, e em vez de a gente corrigir a ONU, que é algo que a gente reivindica desde o meu primeiro mandato, em 2003, com a reforma da ONU, com a entrada de novos países como o Brasil, o México, os países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta para criar uma nova ONU, e que ele sozinho seja o dono da ONU”, comentou o presidente.

Lula também disse que tem conversado nos últimos dias com diferentes presidentes e primeiros-ministros, mencionando Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia), Viktor Orbán (Hungria), Claudia Sheinbaum (México), para “tentar ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão e evitar que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”.

Em seguida, o mandatário enfatizou que “o Brasil não tem preferência de relação. O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, com Cuba, com a China, com a Índia, com a Rússia… o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém querer mandar da gente”.

Na mesma linha, Lula afirmou ser “um homem da paz”, e que “não quero guerra armada com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, não quero nem com Uruguai ou com a Bolívia. Eu quero fazer a guerra com o poder do convencimento, com o argumento, mostrando que a democracia é imbatível”.

Questão palestina
No discurso, Lula também falou sobre o cenário atual na Faixa de Gaza. “Vocês viram a fotografia do que eles (Estados Unidos) vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que agora vamos recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu? E as pessoas pobres que estão lá? Vão morar onde?”, questionou.

“Em vez disso, poderiam chamar o Brasil: ‘ô Lula, vem aqui, ensine a gente como é que reconstrói Gaza para pobre. Poderiam fazer o Minha Casa Minha Vida e colocar o povo pobre para morar decentemente, como a gente coloca aqui no Brasil”, acrescentou o presidente brasileiro.

*Opera Mundi


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