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Moraes pede parecer da PGR sobre incluir Jair e Flavio em inquérito

Pedido ocorre após revelação de relação entre Flávio e Vorcaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (26), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Moraes deu prazo de cinco dias para a PGR opinar. Eduardo Bolsonaro é investigado por coação e tentativa de interferência no julgamento do pai por tentativa de golpe de Estado.

O pedido para ampliar os alvos da investigação foi feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele solicitou uma apuração específica para investigar a hipótese de que valores destinados ao filme sobre a vida de Jair Bolsonaro teriam sido desviados para financiar uma campanha internacional de sanções, restrições de vistos, imposição de tarifas e coação contra autoridades brasileiras.

O parlamentar solicita ainda apuração de eventual lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.

O pedido vem após reportagem do portal The Intercept Brasil mostrar mensagens de áudio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, enviadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, pedindo-lhe dinheiro para pagar parte dos custos de produção da cinebiografia de seu pai. De acordo com o portal, o banqueiro teria acordado destinar R$134 milhões à produção, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados. Antes da reportagem, Flávio dizia não ter relações com o banqueiro, que está preso por ter liderado a maior fraude contra o sistema financeiro.

Com o vazamento dos áudios, o senador passou a admitir o contato com Vorcaro, alegando que se aproximou do banqueiro em 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e antes de a Polícia Federal (PF) e o Poder Judiciário reunirem provas contra o banqueiro. Depois, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ainda que se reuniu com Vorcaro após o dono do Banco Master ter sido preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero.

Eduardo Bolsonaro seria o responsável por administrar os valores repassados pelo banqueiro.

Hoje, Flávio e Eduardo Bolsonaro, acompanhados do blogueiro Paulo Figueiredo, se reuniram com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, e divulgaram foto do encontro nas redes sociais.

*Agência Brasil


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Política

Conversas de Flávio com Vorcaro começaram no maior ciclo de aportes do Rio

Decisão do STF aponta alinhamento político para liberar investimentos bilionários do RioPrevidência no Banco Master

As primeiras conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ocorreram justamente no período em que o governo do Rio de Janeiro ampliava os aportes bilionários do RioPrevidência ao Banco Master, segundo cronologia reconstruída pela reportagem a partir da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

A decisão mostra que o RioPrevidência realizou R$ 970 milhões em aportes em Letras Financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados a fundos ligados ao mesmo grupo financeiro.

Segundo a Polícia Federal, os investimentos ocorreram em meio à “crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez”, cenário que teria tornado “essencial” a captação de recursos de regimes próprios de previdência social.

Foi nesse período que Flávio Bolsonaro passou a se aproximar de Vorcaro. O próprio senador afirmou nas redes sociais que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, durante as tratativas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao universo político bolsonarista.

A declaração ganha relevância porque, segundo a decisão de André Mendonça, dezembro de 2024 marcou o início de uma nova fase de aportes bilionários em fundos ligados ao Banco Master.

Cláudio Castro e Daniel Vorcaro tinham "vínculo próximo", diz PF | CNN  Brasil

PF aponta alinhamento político
A cronologia ganhou peso após a decisão revelar que a Polícia Federal identificou mensagens indicando que determinados aportes do RioPrevidência dependiam de “alinhamento político” com o então governador do Rio, Cláudio Castro.

“A tese investigativa sustenta que a motivação central dessas decisões não residiria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em relação pessoal e indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de mando sobre o RPPS”, escreveu o ministro.

Cláudio Castro é correligionário de Flávio Bolsonaro e um dos principais aliados políticos do senador no Rio de Janeiro. Os dois mantêm proximidade desde o governo Jair Bolsonaro e atuaram juntos em diversas articulações eleitorais no estado.

A investigação sustenta que o avanço dos investimentos foi acompanhado por mudanças estratégicas dentro do RioPrevidência.

Segundo a decisão, dirigentes nomeados para a autarquia passaram a atuar em “desconformidade com a política de investimentos” do fundo, permitindo o credenciamento célere do Banco Master, aplicações sem análise técnica estruturada, ausência de comparação com alternativas de mercado, falhas na avaliação de risco e descumprimento de parâmetros regulatórios.

A decisão também descreve uma relação próxima entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro.

“Portanto, segundo a representação, a atuação do ex-Governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, segundo a decisão.

Segundo a PF, as mudanças dentro do RioPrevidência ocorreram pouco antes do início dos investimentos.

A investigação afirma que gestores passaram a tomar decisões contrárias à política conservadora até então adotada pela autarquia. A PF sustenta que o grupo abriu caminho para aplicações sem estudos técnicos estruturados e sem justificativas formais consideradas idôneas.

Ao validar os fundamentos apresentados pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, André Mendonça afirmou que os elementos reunidos pela investigação “superam largamente a mera conjectura”.

De acordo com Cleber Lourenço, ICL, o ministro também escreveu haver “elevada probabilidade” de existência de um “amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do RioPrevidência”.


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Brasil Política

Bolsa Família faz Brasil alcançar o maior IDH da história, diz ONU

Apesar do diagnóstico de Luciano Huck, que disse que o Bolsa Família é “ineficiente” e “não gera nenhum tipo de estímulo” para os beneficiários, o programa teve um papel importante para que o Brasil alcançasse o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de sua história. O resultado foi divulgado nesta terça (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da ONU responsável pelo estudo.

Pela primeira vez, o país atingiu a faixa de desenvolvimento humano muito alto. O IDH brasileiro passou de 0,744, registrado em 2012, para 0,805 em 2024. Entre os três componentes que formam o indicador (saúde, educação e renda), o segundo foi o que apresentou o maior avanço no período analisado.

O indicador educacional saltou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, deixando de ser o pior componente do índice e tornando-se o segundo melhor resultado nacional. Para a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, parte desse avanço está diretamente ligada às políticas públicas implementadas nas últimas décadas.

“Eu vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira, que começou fortemente no início do século 21, e que começa a produzir efeitos, dez anos depois. É aí que há essa observação dos indicadores de educação que avançam”, afirmou a pesquisadora, que participou da elaboração do relatório.

Segundo Barbosa, as regras do Bolsa Família que condicionam o recebimento do benefício à matrícula e à frequência escolar das crianças e adolescentes estão entre os fatores centrais para a melhora dos indicadores.

Atualmente, beneficiários de 4 a 6 anos incompletos precisam manter frequência mínima de 60%, enquanto aqueles entre 6 e 18 anos incompletos devem atingir ao menos 75%.

A análise do PNUD mostrou que os maiores avanços educacionais ocorreram justamente entre as faixas de renda mais baixas da população. “Quando a gente desagrega os dados por décimo de renda, ou seja, os 10% mais pobres, depois os 20% mais pobres, [onde há maior] importância desses programas: nesses décimos de renda é onde você vê a melhoria dos indicadores de educação, nesse período”, explicou.

Para a economista, o programa contribui para afastar crianças e adolescentes do trabalho precoce e garantir sua permanência na escola. “É o programa Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do mundo do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também de, estar na escola, porque senão esse programa é interrompido”, apontou.

*DCM


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Política

Tiro de misericórdia

Para muitos, a candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência da República foi reduzida a um meme depois da gargalhada coletiva ouvida em Brasília, como se fosse um gigantesco panelaço.

Enquanto Flavio foi aos EUA, numa busca desesperada por um apoio qualquer de Trump, mesmo num bilhetinho do tipo, não posso lhe atender, mas apoio você.

Valdemar da Costa Neto, presidente do partido de Flavio, entregou sua cabeça na bandeja com um tiro de misericórdia na testa em plena GloboNews, ao vivo e a cores, para o rigojizo dos que sempre souberam que esse engodo é um corrupto mentiroso desde que foi funcionário fantasma como “primeiro emprego”

Para quem não sabe, o filho mais velho de Jair Bolsonaro cursava faculdade e fazia estágio no Rio de Janeiro, mas ocupava emprego público em Brasília, no gabinete do PPB, partido pelo qual o pai era deputado.

A entrevista do presidente do PL, no programa Estúdio i, de Andreia Sadi, além de produzir um número sem fim de gargalhadas nas redes, gerou uma gigantesca crise política dentro do universo de apoio a Flavio ao desmentir, categoricamente, a versão do senador miliciano sobre o escândalo que envolve o rachadinha e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos bastidores, o episódio foi classificado como um verdadeiro tiro de misericórdia na narrativa de defesa do primogênito do Jair.

O tal papo de que Flavio teria ido à casa de Vorcaro, já caneludo eletrônico, pôr um ponto final e encerrar a relação, após descobrir as investigações e prisão domiciliar do agiota, foi praticamete estraçalhada por Valdemar da Costa Neto.

De cara, Andreia Sadi perguntou se Flavio foi mesmo à casa de Vorcaro cobrar o restante do dinheiro prometido, Valdemar foi suscinto, grosso, e disparou, “sim, ué. Fazer o quê?”.

O impacto na crise política que Flavio já vive, foi a de quem levou um soco que o nocauteou como remédio para seu enrolo, que produz quedas relevantes nas pesquisas após revelação do seu áudio a Vorcaro.

O fato é que Valdemar fez um estrago político ainda maior na imagem de Flavio, colocando em xeque, inclusive, a própria candidatura do infeliz e, a partir de então, não se fala de outra coisa no país que não seja esse quadro cômico de Valdemar na GloboNewss.

Um troço desse não tem volta. Não há como reverter uma fratura dessa dimensão em que Flavio se encontra com credibilidade zero, após ter sido desmentido publicamente pelo presidente do seu partido. Assim, Flavio perde qualquer sustentação na opinião pública e o isolamento político e eleitoral, que já ocorria com a queda nas pesquisas, rachou ainda mais sua já espatifada campanha.


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Política

Sob o governo Bolsonaro, endividamento das famílias explodiu, aponta Dieese

Estudo mostra que escolhas da gestão bolsonarista, agravadas pela pandemia, levaram a um salto recorde de famílias endividadas entre 2019 e 2022

O Brasil saiu do governo Jair Bolsonaro (PL) mais desigual, mais vulnerável e dramaticamente mais endividado. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio (Peic-CNC), analisados pelo Dieese, mostram que a deterioração ocorreu sobretudo entre 2019 e 2022.

O estudo contraria a narrativa de recuperação econômica acelerada após a pandemia. Em vez de retomada, o País viveu a expansão de um modelo em que o crédito caro virou instrumento de sobrevivência.

Segundo a Peic-CNC, o percentual de famílias endividadas saltou de 58,9% em dezembro de 2018 para 78% em dezembro de 2022, um aumento recorde de 19,1 pontos percentuais em apenas quatro anos. Nenhum outro governo da série histórica produziu avanço tão intenso e rápido.

No terceiro ano do governo Lula, por exemplo, o crescimento do endividamento foi inferior a três pontos percentuais. A atual gestão lançou programas voltados diretamente à renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil, criado em 2023, e o Novo Desenrola, anunciado neste mês.

Quando a dívida virou política econômica

A explosão do endividamento durante o governo Bolsonaro foi resultado de uma “tempestade perfeita”, formada pela combinação de pandemia, perda de renda, inflação elevada, precarização do trabalho e expansão do crédito caro. Em 2020, a Covid-19 paralisou economias no mundo inteiro. Parte do choque econômico foi global e atingiu todos os países.

Mas, no caso brasileiro, a confluência entre inflação persistente, juros elevados e recuperação baseada em informalidade ampliou os efeitos sobre as famílias. Enquanto alguns países ampliaram proteção social e sustentação da renda, o Brasil entrou na crise já fragilizado por desemprego elevado, informalidade crescente e baixo dinamismo econômico.

Sob pressão do Congresso e dos movimentos sociais, Bolsonaro lançou o auxílio emergencial de R$ 600. A medida teve papel importante na redução temporária da pobreza. Só que bancos e financeiras, ávidos por lucros, aproveitaram o cenário de fragilidade social para ampliar rapidamente a oferta de consignado, cartão de crédito e empréstimos pessoais para uma população cuja renda seguia extremamente instável.

A expansão agressiva do crédito, somada à posterior redução da proteção social, ajudou a empurrar uma parcela crescente das famílias para ciclos permanentes de endividamento. Quando inflação e desemprego ainda pressionavam os mais pobres, o auxílio emergencial foi gradualmente reduzido – para R$ 300 e, depois, para R$ 200. Muitas famílias passaram a contratar uma dívida para pagar outra.

O crédito substituiu o salário

As regressões no mercado de trabalho – que pioraram após a reforma trabalhista, de 2017, e a reforma da Previdência, em 2019 – aprofundaram a instabilidade. Grande parte dos empregos criados era informal, precária ou de baixa remuneração. A condução econômica do período, em plena crise sanitária, contribuiu para consolidar uma recuperação baseada na “uberização” do trabalho.

A informalidade empurrou trabalhadores para uma rotina sem carteira assinada, sem estabilidade e com renda oscilando mês a mês. Sem acesso a linhas mais baratas de crédito, esse contingente passou a depender do rotativo do cartão e de financeiras com juros abusivos. Qualquer imprevisto, como uma doença ou um aluguel atrasado, podia se transformar em dívida impagável.

Ao mesmo tempo, o custo de vida disparava. A inflação de 2021 atingiu 10,06%, a maior desde 2015. O índice pressionou os itens mais consumidos pelas famílias de renda baixa, como alimentos, combustíveis, gás de cozinha e energia elétrica. Mesmo trabalhadores empregados passaram a não conseguir fechar as contas no fim do mês.

O crédito deixou de financiar consumo extraordinário e passou a bancar supermercado, aluguel, remédios e despesas básicas. Era a armadilha clássica do superendividamento: famílias pegavam empréstimos para pagar parcelas anteriores e, pouco depois, precisavam de novos empréstimos para cobrir juros acumulados.

A armadilha dos juros

O problema foi agravado pelo choque de juros iniciado em 2021. Sob comando de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, o Banco Central promoveu um dos ciclos de alta da Selic mais agressivos da história recente. A taxa básica saltou de 2% ao ano, em março de 2021, para 13,75% em agosto de 2022.

A escalada dos juros encareceu brutalmente o crédito ao consumidor. Entre 2020 e 2022, os juros médios cobrados das famílias passaram de 41,5% para 52,1% ao ano. No crédito rotativo do cartão, algumas modalidades ultrapassavam 400% anuais. O Brasil já operava uma das estruturas bancárias mais caras do mundo. Com inflação elevada e alta acelerada da Selic, o endividamento virou uma bomba-relógio social.

Outro fenômeno importante foi a financeirização crescente da vida cotidiana. Bancos digitais, fintechs e plataformas online ampliaram enormemente a oferta de empréstimos rápidos e fáceis, muitas vezes acompanhados de pouca transparência sobre juros efetivos.

Nos últimos anos de Bolsonaro no poder, sobreveio um elemento adicional: o avanço das apostas online. As “bets” passaram a capturar parcela importante da renda popular, especialmente entre jovens e trabalhadores precarizados. Essas apostas venderam a ilusão de renda extra num ambiente já marcado por sufoco financeiro.

Enquanto isso, o discurso oficial seguia baseado em indicadores macroeconômicos isolados para sustentar a ideia de prosperidade. Mas crédito abundante, combinado com juros abusivos e inflação elevada, produziu dependência financeira.

Legado invisível

O estudo do Dieese ajuda a pôr o debate em bases concretas. O endividamento não explodiu porque os brasileiros “gastaram demais”. A dívida cresceu porque o salário deixou de sustentar padrões mínimos de vida.

Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro administrou a crise social da pandemia por meio de transferências temporárias e expansão do crédito, mas sem reconstruir emprego estável, política salarial consistente ou proteção social duradoura. O resultado foi uma economia sustentada artificialmente pelo endividamento das famílias.

Nem a recuperação parcial do emprego foi suficiente para aliviar o peso de parcelas, renegociações e juros sobre juros. Em setembro de 2022, a um mês das eleições presidenciais que deram a vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80,3% das famílias com renda de até dez salários mínimos estavam endividadas.

De acordo com o Dieese, este é um dos principais legados sociais do bolsonarismo: a consolidação de um modelo em que o crédito caro compensava temporariamente a perda de renda – até que a conta chegasse. Foi um ciclo em que os brasileiros não enriqueceram, não empreenderam e não ascenderam socialmente. Segundo o Vermelho, apenas aprenderam a sobreviver parcelando o presente enquanto o futuro chegava cobrado em juros.


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O bolsonarista, Cláudio Castro, é alvo da PF por aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master

Estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no RJ e no DF por ordem de André Mendonça (STF)

A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (26) uma operação que tem como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no âmbito de uma investigação sobre investimentos bilionários do estado em fundos ligados ao Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e inclui o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

Segundo a PF, durante a gestão de Castro, cerca de R$ 3 bilhões teriam sido direcionados ao conglomerado financeiro controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Os recursos saíram principalmente do Rioprevidência — fundo responsável pelos pagamentos de aposentados e pensionistas do estado — e da Cedae, companhia estadual de abastecimento de água.

O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, informou que acompanharia as buscas realizadas na residência do ex-governador, na Barra da Tijuca.

O caso também repercute na Assembleia Legislativa do Rio. Neste mês, o deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, anunciou ter conseguido assinaturas para instalar uma CPI na Alerj com o objetivo de investigar os investimentos do estado no Banco Master. A comissão, porém, ainda não foi oficialmente instalada.

Dados apresentados pelos parlamentares apontam que o Rioprevidência aplicou aproximadamente R$ 1 bilhão diretamente no banco, além de cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição. Parte desses aportes, segundo os deputados, ocorreu mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que havia recomendado a suspensão de novos investimentos no banco.

A Cedae também realizou aplicações financeiras no Banco Master, em valores que somam aproximadamente R$ 200 milhões.

*ICL


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O inacreditável discurso de Caiado em defesa da pilantragem de Flavio com o objetivo de derrubar o PT

Aquele Caiado, que diz combater o crime, que, com ele, criminoso não tem refresco, esquece.

Depois dos escândalos consecutivos de Flavio, Banco Master e Vorcaro, mostrando que não há separação entre esses três ponteiros da corrupção nacional, Caiado foi taxativo e disse, categoricamente, que isso é uma questão secundária. Por isso seguirá fechado com Flavio Bolsonaro, capítulo a capítulo, de uma desastrosa cruzada da direita chucra contra Lula.

Imagino como um cara que quer ser presidente da República, consegue criar uma campanha tão demolidora para si. Claro, ele deve imaginar que haverá uma reviravolta que faça com que Flavio tenha um programa capaz de fazer cortina de fumaça em todos os seus crimes, mesmo que, no ponto mais cômico da entrevista do presidente do maior partido de oposição do país, Valdemar da Costa Neto, na GloboNews hoje, tnha encenado Flavio cobrando dinheiro de um banqueiro em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

O sotaque e o jeito com que ele interpretou o diálogo de Flavio com Vorvcaro, foi cômico, “vai me pagar o restante? Dá para pagar ou não dá?”, o que gerou gargalhadas instantâneas nos bastidores de Brasília.

É para isso tudo que Caiado está fazendo cara de paisagem, segundo o próprio, e em rede nacional. Na sua resposta lógica, o recado de Caiado é simples, ninguém do clã Bolsonaro vale o que o gato enterra, mas Flavio é nosso, compõe a república dos herdeiros, candidatos milionários que sempre viveram às custas do Estado ou de seus pais.

O ódio aos tabalhadores que Caiado exala, consegue ser maior até mesmo do que o de Lula. O bom de toda essa história é que, há quase quatro décadas, Caiado mantém os mesmos 3% nas pesquisas para a Presidência da República. Isso não é pouca coisa.

A fala de Caiado de que o escândalo de Flavio Bolsonaro é “secundário” diante da necessidade de vencer o PT, mostra como as elites políticas operam. No fim, as denúncias de corrupção ou os vexames éticos são relevados em nome da manutenção do poder do próprio grupo.


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Vídeo comédia: Valdemar da Costa Neto entrega Flavio, ‘foi visitar Vorcaro para receber o resto da grana’

Valdemar da Costa Neto, em mais uma crise de sincericídio, foi um colírio para quem quer ver Flavio Bolsonaro na cadeia.

Na GloboNews, perguntado por Andreia Sadi sobre a visita de Flavio a Vorcaro, o especialista no assunto, Valdemar, não precisou de muito tempo para entregar a rapadura e, de pronto emprego, tirou da cartola um elefante e o colocou na cristaleira de Flavio.

Na verdade, Valdemar utilizou algumas opções na base do mais do mesmo, confirmando um quadro contínuo de corrupção e lavagem de dinheiro que foi aplicado por Flavio, utilizando como biombo o tal filme do azarão.

A entrevista virou mesmo o assunto do dia por causa do sincericídio de Valdemar. O contraste entre o esforço de Flavio Bolsonaro para parecer sério e a sinceridade de Valdemar na GloboNews, foi o que mais gerou piadas e memes nas redes.

Confira o vídeo comédia:

@g1

Blog da Andréia Sadi – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, justificou a visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro à casa de Daniel Vorcaro, após a prisão domiciliar do banqueiro, como uma tentativa de obter o restante do dinheiro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. 💬​ “Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, afirmou Valdemar em entrevista ao Estúdio i, nesta segunda-feira (25). O presidente do PL também considerou normal a visita do senador ao banqueiro. “Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. O que o Flávio fez é a coisa mais natural do mundo”, disse. Na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que se reuniu com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a primeira prisão do banqueiro, no fim de 2025, para “botar um ponto final na questão” do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Saiba mais no link do artigo. #g1 #valdemardacostaneto #fláviobolsonaro #pl #danielvorcaro #jairbolsonaro #bancomaster #g1política #andreiasadi #notícias

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Lembrem a Luciano Huck que, até a chegada de Lula ao poder em 2002, morriam por dia 300 crianças em decorrência da fome

Em decorrência da avalanche de críticas que vem sofrendo por uma fala ultraconservadora, que está na boca de todos os candidatos de direita à Presidência da República, contra o Bolsa Família, ou seja, um simples prato de comida na mesa dos brasileiros, Luciano Huck usa a velha tática ridícula do “tiraram a minha fala de contexto”.

É a velha história, o hábito faz o monge.

Herdeiro de família rica, jamais viveu algo perto da penúria, da fome e da miséria absoluta, Luciano Huck é a figura de uma casta de herdeiros que assumiram um protagonismo na direita brasilira em defesa dos “costumes”.

Sua justificativa tosca limita-se ao mesmo ramerrão reacionário de que R$ 600 de ajuda de custo de um programa social do governo, como o Bolsa Família, produz indolentes.

Se pegar ao pé da letra, foi exatamente isso que, em pleno Clube da Hebraica, na campanha de 2018, Bolsonaro disse o mesmo dos negros quilombolas e dos índios sobre indolência, mesmo um sujeito que nunca trabalhou na vida e que sempre viveu das tetas do Estado, assim como educou os filhos para o mesmo fim, pois também nunca trabalharam na vida e já nasceram com a boca nas tetas do Estado onde permanecem até hoje.

Na verdade, o ato falho do bilionário, Luciano Huck, que não vê problema em fazer propaganda para as Bets, apenas reforçou o disurso dos candidatos de direita à Presidência da República.

Imaginar que, até a chegada de Lula ao governo em 2002, 300 crianças morriam por dia de inúmeras doenças em decorrência da fome, ou seja, 9 mil crinças ao mês, num país que se orgulha de ser um celeiro alimentar do mndo, em pleno 2026, um sujeito que sempre viveu deitado em berço esplêndido, passa e muito de qualqurr conceito de sarcasmo.

Essa lógica cultural que as classes economicamente dominantes carregam na alma, tatuada como símbolo escravagista, segue os mesmos passos da nata oligárquica do século XIX.

Um sujeito que, certamente, encara a abolição dos negros escravizados no Brasil com o mesmo olhar da aristocracia cafeeira, deixa claro que não é um prato de comida que faz qualquer mal ao país e aos brasileiros pobres, mas a mesquinhez chucra, sem qualquer polimento. sem qualquer carapaça midiática, como a que sua língua de trapo lhe traiu, sim, é que é a grande chaga moral, social, econômica e humanitária desse país, que sempre produziu a miséria e a fome como forma de domínio institucional e poder sobre a imensa maior parte do povo brasileiro.


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Política

O vácuo na corrida eleitoral provocado pelo recuo dos apoiadores de Flavio

Desgastado pela relação com o dono do Master, senador perde fôlego em pesquisas, mas Caiado, Zema e Michelle não conseguem herdar o espólio político da crise

A nova pesquisa Datafolha mostrou mais do que a queda de Flávio Bolsonaro após o caso Daniel Vorcaro. Ela revelou um vácuo político na direita brasileira. O senador caiu de 35% para 31% no primeiro turno e viu Lula ampliar a vantagem de três para nove pontos no cenário estimulado. No segundo turno, o empate técnico de 45% virou desvantagem de quatro pontos: 47% a 43% para o petista. O dado mais sensível para o bolsonarismo, porém, não está apenas na perda de votos, mas na incapacidade dos adversários de capturar esse desgaste. Lula cresce apenas dois pontos no primeiro turno, enquanto Flávio perde quatro.

A diferença ajuda a explicar o movimento detectado nos bastidores por analistas políticos: parte do eleitor conservador demonstra desconforto com a conexão entre o “01” e o banqueiro Daniel Vorcaro, mas ainda não encontrou um nome capaz de representar simultaneamente a oposição frontal ao PT, identidade ideológica e viabilidade eleitoral. Nem Romeu Zema (Novo) nem Ronaldo Caiado (PSD) conseguiram transformar o desgaste do senador em crescimento consistente. Michelle Bolsonaro, embora preserve desempenho competitivo, também estaciona em 43% no segundo turno.

“Parte da direita foi pega de surpresa e ficou decepcionada com Flávio, especialmente pela visita a Vorcaro após a soltura. Na minha visão, as pesquisas vão começar a avaliar o sentimento dos eleitorado, que ainda está digerindo esse desgaste. Essa mesma decepção também criou uma desconfiança entre as outras candidaturas da direita sobre o que ainda pode ser revelado. Por isso, ainda não consigo ver Flávio fora do segundo turno, principalmente pela estrutura e capilaridade do PL em todo o país”, afirmou o cientista político Horácio Lessa, da Liberty Consultoria.

A crise Dark Horse
Os números do próprio Datafolha reforçam essa leitura. Flávio passou a liderar a rejeição nacional, subindo de 43% para 46%, enquanto Lula oscilou de 47% para 45%. Ainda assim, o presidente continua distante de uma zona confortável para quem disputa a reeleição.

A pesquisa sugere que a crise Dark Horse atingiu o núcleo mais moderado e pragmático da candidatura bolsonarista, especialmente setores de centro, mercado e eleitores menos ideológicos. Contudo, o cenário não provocou migração automática para o lulismo nem para os adversários do campo conservador. Por enquanto, o eleitorado que rejeita Lula e se decepcionou com Flávio parece apenas aguardando alguém que consiga encarnar, ao mesmo tempo, conservadorismo, antagonismo ao PT e menor desgaste pessoal. E esse personagem, ao menos até agora, ainda não apareceu no tabuleiro de 2026.

*Caio Barbieri/PlatoBR


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