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Mídia em pânico com a possibilidade da vitória de Lula no primeiro turno porque isso mata seus negócios

Lula vencendo no primeiro turno, de estalão, morre a narrativa de “polarização”.

O que hoje a mídia vende, é: país dividivo, disputa acirrada, qualquer coisa pode acontecer.

Se Lula vence no primeiro turno, a percepção passa a ser outra, o país decidiu, não está dividido, acabou a novela.

Sem o segundo turno, as especulações que dão notícias nos jornalões, perdem esse filão. Não tem capa da Veja com Lula e Flavio se encarando. Não tem Roda Viva com Flavio repetindo a mesma baba de quiabo, não tem mais nada. São mais 4 anos de governo Lula e fim de papo.

A mídia vive um pesadelo, pois Lula está muito próximo, ou melhor, cada vez mais próximo de uma vitória já no primeiro turno. Uma arrancada mínima de menos de 2%, pode dar o troféu de quarto mandato a Lula.

Resumo da ópera: a mídia parece viv um velório atecipado, pedindo pelo amor de Deus para alguém tirar esses 2% de Lula.

Zema abriu a boca para cumprir esse papel e perdeu 2% dele mesmo.

Claro que a mídia lancará um solgan em prol do segundo turno para tentar embarreirar a vitória de Lula no primeiro tempo e mandará coisas do tipo, segundo turno é pedagógico para o eleitor, o que traduz, precisamos de mais 30 dias de Flavio Bolsonaro no JN para vender anúncio.

Democracia se fortalece no confronto de ideias. Primeiro turno abrevia esse processo, e por aí vai.

Ou seja, o manual da manchete desesperada já está na praça.


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De traidor e judas de Bolsonaro a aliado de Flavio

Bolsonaro chamou Sergio Moro de traidor, mentiroso, traíra sem caráter e coisas do tipo várias vezes entre 2020 e 2022 e Flávio, por sua vez, reforçou o coro. Isso aconteceu principalmente depois que Moro saiu do Ministério da Justiça em abril de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger familiares como no caso das “rachadinhas” do Flávio e indicações para PF. Bolsonaro rebateu chamando a versão de Moro de “mentira deslavada” e disse que o ex-juiz queria o cargo para se projetar politicamente, inclusive cogitando uma vaga no STF.

  • Moro era o símbolo da Lava Jato e, numa armação com Bolsonaro, prendeu Lula pavimentando o caminho de Bolsonaro para a presidência em 2018.
  • No governo Bolsonaro, a relação dos dois azedou rápido: Moro alegou falta de “carta branca” para o suposto combate à corrupção e interferência política. Bolsonaro negou e acusou Moro de ingratidão e ambição pessoal e por descobrir sua traição.
  • A PF investigou as acusações de Moro e, em 2022, concluiu alegando não ter provas de interferência ilegal por parte de Bolsonaro — o que ele usou para reforçar o “Moro é traíra e mentiroso”.

Bolsonaro e Moro se atacaram mutuamente com termos pesados porque viraram rivais políticos. Moro flertou com candidatura contra Bolsonaro em 2022. Isso não prova automaticamente que um ou outro seja podre, mas os dois, além de provar que a briga foi feia e que ambos jogam pesado no lamaçal da política de direita no Brasil.

Em 2026, por se tratar de política e de mau-caratismo, a história deu uma volta, Moro se aproximou novamente dos Bolsonaros, filiou-se ao PL (partido de Bolsonaro) e virou pré-candidato a governador por Paraná.

De traidor e Judas para aliado por conveniência eleitoral. Política não tem amizade eterna, só interesses momentâneos.

Um não confia no outro, e o outro não confia no um.


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Flavio Bolsonaro que deu medalha de Tiradentes ao patrão da milícia de Rio das Pedras, diz que exterminará a milícia

Flávio Bolsonaro entregou a Medalha Tiradentes ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, mesmo ele estando preso e acusado de homicídio, sendo depois identificado como um dos líderes de uma milícia e do “Escritório do Crime”.

A família Bolsonaro, que já havia homenageado Adriano anteriormente, visitou-o na prisão. Além disso, a mãe e a ex-esposa dele trabalharam no gabinete de Flávio, o que levou a acusações de rachadinhas e vínculos com milícias.

Ultimamente, Flávio tem bufado medidas rigorosas contra o crime, embora seus críticos apontem contradições em seu histórico de apoios a policiais acusados de ligação com milícias. Ele afirma que suas homenagens eram destinadas àqueles que lutavam contra o tráfico e nega qualquer envolvimento com milícias.

O fato é que o rompante eleitoral de Flavio, soa como anedota pelo histórico da família.

É tradição no clã, ou melhor, o clã Bolsonaro se confunde com a milícia carioca e o sujeito, aos berros, balançando os braços freneticamente, diz que vai detonar violentamente os “vagabundos” do tráfico e da milícia, o que tem credibilidade zero, até para alimentar o fanatismo dos bolsonaristas mais debilóides.

A única coisa que fica clara nessa epopeia de valentia de Flavio, é que algo se moveu na disputa eleitoral contra ele para abandonar o figurino moderado e abraçar a retórica agressiva e violenta do pai, deixando claro que o Flavio fofo não encheu os olhos do bolsonarismo como um todo, muito menos o respaldou para ser de fato o queridinho da Faria Lima.

Grosso modo, Flavio vestiu a farda da milícia, prometendo combater o tráfico e a milícia e, junto com a fala ronca e fuça, apostando na pauta da segurança a la Claudio Castro para, ao fim e ao cabo, promover chacinas de pretos e pobres nas favelas e periferias do Brasil.


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Política

Imprensa trata Flávio Bolsonaro como se ele não representasse risco à democracia

Ele tem os mesmos objetivos do pai, sempre apoiou todos os gestos extremos do ex-presidente, defende abertamente a intervenção do governo Trump

A imprensa brasileira sofre de uma doença que parece incurável: o “isentismo”. É a tentativa de parecer isenta mesmo diante de grupos e personagens que representam óbvia ameaça ao Estado Democrático de Direito.

Foi assim que Jair Bolsonaro e seus asseclas cresceram na campanha de 2018. Primeiro foram tratados como azarões anedóticos e depois aceitos como players comuns do jogo democrático. Estava na cara que não eram nada disso. Desde o início, o bolsonarismo mostrou as garras, cóm fake news, ofensas, ameaças aos adversários, agressões, exaltação à ditadura, desrespeito às instituições.

Bolsonaro nunca foi homem de meias palavras e em momento nenhum escondeu sua brutalidade, seu jeitão golpista. No máximo, repetia querer manter-se “dentro das quatro linhas da Constituição”, mesmo quando já estava bem longe delas.

Apesar disso, a maioria dos jornais, sites e emissoras preferiu dispensar a ele tratamento protocolar.

Até meados do mandato de Bolsonaro tinha editor que recomendava a seus jornalistas que não o classificassem como alguém de extrema direita. Apesar de todas as invencionices que o presidente despejava diariamente no cercadinho, demorou para que os veículos usassem em relação a ele o adjetivo “mentiroso”.

Deu no que deu: Bolsonaro teve espaço para liberar armas, bagunçar a educação, autorizar a devastação do meio ambiente, fazer campanha contra o processo eleitoral brasileiro, esculhambar a política externa, entupir a máquina pública de parasitas ideológicos, propiciar a morte de centenas de milhares de pessoas na pandemia e, como fecho de ouro, consumar a esperada tentativa de golpe de Estado, felizmente fracassada.

Nesse momento, justiça seja feita, a grande imprensa mudou de tom e foi fundamental para a derrota do golpismo.

Passado o susto, no entanto, o “isentismo” voltou.

Vários aliados na tentativa de derrubar a democracia recuperaram espaço na mídia. Estão por toda parte, usando a imprensa para atacar o governo e dar opiniões sobre o Brasil, como se quisessem o bem dos brasileiros.

É algo como imaginar Marcola, o chefão do PCC, dar entrevista com recomendações sobre Segurança Pública.

Um desses golpistas que recuperou prestígio na mídia é Flávio Bolsonaro, o senador pré-candidato da extrema direita à Presidência da República. O filho 01 de Bolsonaro é tratado nas manchetes como postulante comum ao Planalto, sem ressalvas.

O noticiário mostra as estratégias eleitorais de Flávio, a montagem de sua equipe de campanha, as críticas que faz a Lula, o esforço para se mostrar como “moderado”, o desempenho nas pesquisas, as dancinhas constrangedoras que arrisca em cima dos palanques, Brasil afora (clara campanha antecipada, nas barbas do TSE).

O noticiário só não destaca o principal: Flávio Bolsonaro é tão golpista quanto o pai.

Tem os mesmos objetivos, sempre apoiou todos os gestos extremos do ex-presidente e dos irmãos, defende abertamente a intervenção do governo Trump no Brasil (como reiterou em recente visita aos Estados Unidos), louva ditadores, ataca as instituições.

Alguém tem dúvida disso?

A grande diferença é que não propaga seus ideais autoritários aos gritos e palavrões, como fazia o pai. Nesse sentido, é mais palatável — e por isso mais perigoso.

Pode-se argumentar que é da lógica jornalística ouvir todos os grupos políticos, até mesmo os golpistas. Isso pode ser verdadeiro, desde que imprensa não abra mão do senso crítico. E é o que está ocorrendo: o candidato bolsonarista tem se beneficiado do “isentismo” da mídia para passar-se por democrata.

Quando todos acordarem — inclusive a imprensa –, mais uma vez poderá ser tarde demais. Assim como Trump 2 tem sido mais devastador para os Estados Unidos e para o mundo, Bolsonaro 2 será bem mais perigoso para o Brasil.

Que tal usar a lógica das embalagens de cigarro, aquelas que alertam para os riscos do fumo para a saúde? A cada aparição do candidato extremista deveria ser exibida uma imagem dos vândalos do 8 de Janeiro, com a mensagem: “Cuidado, bolsonarismo faz mal à democracia brasileira”.

Na falta desse recurso, o simples exercício do senso crítico no jornalismo já seria uma boa notícia.

*Chico Alves/ICL


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Política

Vídeo: Daniela Lima tratora Romeu Zema

Está aí um quadro que entrará para os anais da história política do Brasil.

O falso Nerso da Capitinga foi desancado impiedosamente por Daniela Lima.

A jornalista materializou as mentiras do gabola arrogante, mostrando que o sujeito é um blefe de pai e mãe.

Sem luz própria para produzir um mínimo de empatia com o eleitor, Zema roncou uma gestão que nunca teve em seu governo em Minas Gerais.

Daniela Lima não perdoou, não quis bancar a requintada e foi direto na jugular do falastrão, dando uma linda lição de como se trata um mentiroso, um impostor que aposta na cascata política e foi depenado sem dó nem piedade pela brilhante jornalista.

Veja:


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Política

Flavio quer privatizar o SUS para seus amigos e patrocinadores

Vendo a retórica puída da extrema direita se desfazer no ar, com interesse zero da sociedade, Flavio decorou um pavão para privatizar o SUS.

Isso mesmo, a direita nunca teve, não tem e jamais terá projeto de país, mas sempre teve e terá projeto contra o país.

Não é preciso ir muito longe, é só pegar os números trágicos do governo do papai de 2019 a 2022, para saber do que estamos falando, quando o Brasil foi submetido a um projeto de terra arrasada, devolvido ao mapa da fome com a produção de 34 milhões de miseráveis, enquanto a agiotagem nacional, com a privatização do BC, batia recorrentes recordes de lucro. Desemprego em massa, inflação nas alturas e um custo social generalizado para dar retorno ao grande capital que bancou a campanha milionária e fraudulenta de Bolsonaro em 2018.

Flavio quer, literalmente, inequivocadamente, acabar com a saúde pública no Brasil, entregando a sorte dos brasileiros nas mãos do setor privado, uma cópia fiel do sistema norte-americano, que tem no custo da saúde a maior tragáedia da população dos EUA.

Não importa o nome que ele quer enfeitar essa pilhagem do setor privado.

Ou seja, não tem nada de misterioso nessa purpurina discursiva que não seja a morte da saúde pública no Brasil para atender grupos econômicos poderosos no Brasil e fora dele, que terão como resultado a materialização da tragédia humanitária, porque, com 80% da população pobre, por conta dos baixos salários do setor privado, o cuidado com a saúde dos brasileiros será extinto.


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Política

Com 3% de intenção de votos, Zema vira o novo grandão da mídia industrial

Quem vê a fala de Zema e não está acompanhando os números das pesquisas, imagina que governador de Minas Gerais, é um outsider, é menos que um nanico político, ronca grosso para ninguém. O sujeito é um provinciano esteriotipado e, por isso mesmo, um teco-teco sem motor e sem qualquer função concrta na vida nacional

Quem não sabe disso, acha que o jeca de plantão está de fato grandão nas pesquisas. Mas, assim como Caiado, da chamada terceira via.

Zema é um blefe que vale 3%. Esse papo de que é gestor técnico de direita, não convence ninguém.

Se o ataque ao Bolsa Famíla em plena Faria Lima para agradar os ricos, está longe, bem longe da realidade do Vale do Jequitinhonha.

Isso revela que Zema não é um gestor, não é um líder, apenas um blefe. Os trocados que tem no bolso, 3%, para bancar uma briga com o STF, não paga um pingado na birosca do Chico Bento.

O camarada não tem poder de voto nenhum, não representa ninguém, não tem eleitor para encher uma kombi. A única coisa que tem é um uai falsificado, já que um playboy jeca que faz um esteriótipo de mineiro para parecer um caipira de cigarro de palha.

O problema é que a Faria Lima só banca quem dá lucro, e 3% dá prejuízo.

Zema é uma mentira até como caipira, um pão de queijo de padaria paulista, por isso tomou um tranco do prefeito de Teófilo Otoni, Fabio Marinho (PL) quando atacou o Bolsa Família, porque lá no Vale do Mucuri, o Bolsa Família faz uma enorme diferença na venda, na farmácia, no posto. Lá ninguém fala uai com sotaque do Itaim Bibi.

Zema é um borralho que tenta sobreviver decalcando discurso do editorial do Globo para ganhar um farolzinho de bicicleta.

Resumo da ópera

Como é um caipira de laboratório e CNPJ, ninguém acredita na mineirice desse mineiro de mentirinha.

Ou seja, com 3% da intenção de votos, Zema, que também ataca os nordestinos mais miseráveis, tem uma candidatura para a presidência da República que já nasce morta.

Zema não passa de um Cleitinho piorado, daí seu resultado pífio nas pesquisas.


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Política

Discurso de direita cansou e não tem plano B

O discurso da direita brasileira (especialmente o bolsonarista mais raiz) parece ter entrado em fadiga em 2026. Muita gente no campo conservador e até moderado reclama que virou repetição: “Lula roubou”, “STF ditadura”, “marxismo cultural”, “família em perigo”, anticorrupção moralista… mas sem conseguir atualizar ou entregar resultados palpáveis que convençam além da bolha. Ciro Nogueira (PP) já alertou abertamente: sem Bolsonaro como candidato viável, a direita não tem Plano B claro para 2026.

E a realidade confirma: Flávio Bolsonaro tem alta rejeição e discurso radical que afasta o centro e o Centrão.

Por que o discurso “cansou”?

Falta de renovação: O antipetismo puro e o “guerra cultural” funcionaram em 2018 como reação ao PT desgastado, mas depois de anos de polarização extrema, prisões, inelegibilidades e crises internas (incluindo a prisão de Bolsonaro em alguns cenários), virou eco de si mesmo. Eleitores cansados querem propostas concretas de economia, segurança, educação e redução de burocracia — não só “contra a esquerda”.

E isso, definitivamente, a direita não tem. O seu discurso está com prazo de validade vencido. as 72 horas também dançaram. Rebatizar Flavio, Caiado e Zema cmo terceira via, nem na cachola sonhadora de Elio Gaspari.

Para piorar, o relator da CPI do crime organizado, o senador bolsolavajatista, Alessandro Vieira, que propôs o indiciamento de Gilmar Mendes, Moraes, Toffoli e do PGR, Paulo Gonet, deu bolor e acav=bou a lambança caindo no colo da direita, enquesnto o camarada não para de apanhar por conta da relatpria vexatória.

A variedade de lambanças da direita, a começlar por Flavio, que não para de mentir dando diploma de imbecil ao eleitor, é uma técnica tosca que foi extinta pelo próprio corpo social. Está morta, defunta putrefata.

Não será a troca de etiqueta ou uma nova embalagem que farão o cenário mudar.]

O cheiro de podre exala e não há lacre nivo que maquie esse odor.

A pergunta é, a direita insistitrá no discurso de viúva de Bolsonaro? Não né.

Defenderá Deus, pát5ria, família e liberdade? Não ne.

Cintinuarão a atacar o Bolsa Família, as cotas para negros, os nordestinos?

Não, nada disso, porque isso não dá mais liga, menos ain da a troca de adesivos, bandeira dos EUA, boné do MAGA ou a fotografia do Trump derrotado na guerra cont5ra o Irã.

Creio que a direita já deve ter percebido queo eleitor não sofre de amnésia.

Flávio sumirá das entrevistas, das aparições públicas, deixando dois jecas, Zema e Caiado, falando sozinhos para um eleitor que não tem a menor paciência de aturar almas penadas que sobraram dos cacos da direita nacional.


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Política

Exército transferiu R$ 39 milhões ao Banco Master em consignados, aponta relatório

O Exército credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva e repassou R$ 39 milhões à instituição em pouco mais de um ano. O valor corresponde aos descontos realizados diretamente nos contracheques dos militares para pagamento de crédito concedido pelo banco.

Os dados constam em um relatório de inteligência financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, que foi encerrada na semana anterior sem aprovação de relatório final.

O relatório aponta duas possíveis irregularidades relacionadas ao destino dos recursos. Uma delas envolve o recebimento dos repasses com débito imediato dos valores pelo banco, o que pode indicar movimentações consideradas suspeitas.

A outra hipótese mencionada trata da concentração dos recursos em uma mesma titularidade. Segundo o RIF, esse tipo de operação dificulta a identificação de outros beneficiários das transferências realizadas.

O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em 18 de novembro do ano passado. Após a medida, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato de credenciamento no dia 24 do mesmo mês.

Em nota, o Exército afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos. “Os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas.”

A Força declarou ainda que atua apenas como intermediária nas operações. “O Comando do Exército, via Centro de Pagamento, atua apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e realizando o repasse mensal à entidade consignatária [Master].”

O banco foi credenciado após participação em edital público e apresentação de requisitos legais e financeiros. A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem na terça-feira (14).


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A relação entre a privatização da Sabesp pelo governo Tarcísio e o Banco Master

Conflitos de interesse nos leilões que entregaram o controle das estatais paulistas ligam o governador a Nelson Tanure

A doação milionária de campanha feita por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022 não é o único elo entre a instituição financeira e o governador bolsonarista.

As privatizações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), com direito a foto da martelada, e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ambas em 2024, estão ligadas à figura de Nelson Tanure, sócio oculto do Banco Master e chamado de “comandante” por Vorcaro, segundo as apurações da Polícia Federal. Tanure é investigado hoje pelo Banco Central (BC), Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF).

Dois anos após a vitória de Tarcísio, que contou com R$ 2 milhões de doação de Zettel, as empresas Emae e Sabesp passaram a ser foco das atenções de executivos e do mercado financeiro visando sua posse. Foi neste período, no início de 2024, que ocorreu a constituição do Fundo Phoenix, um fundo sustentado por meio de ações da empresa Ambipar, uma multinacional brasileira líder em gestão ambiental e resposta a emergências, cujo presidente do conselho era Carlos Piani, hoje presidente da Sabesp.

O Fundo Phoenix tem Nelson Tanure como beneficiário final e era gerido pela Trustee DTVM, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários ligada ao Banco Master.

Fundo Phoenix, de Tanure, no leilão da Emae
Em abril de 2024, o recém-criado Fundo Phoenix venceu o leilão da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) por R$ 1,04 bilhão. A empresa é responsável pelo controle da elevação da água do Rio Pinheiros, entre outras gestões hídricas, além da geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas no interior do estado.

A garantia (lastro) do Fundo Phoenix para a Emae eram as ações da Ambipar, que sofreram uma valorização repentina de mais de 700% entre abril e outubro de 2024. Para a equipe técnica da CVM, fundos ligados ao Master e à Tanure agiram com a Ambipar para inflar artificialmente o valor de mercado da companhia.

Com o capital levantado por meio de debêntures e empréstimo da XP, o Fundo Phoenix realizou o pagamento à Emae. Já o dinheiro que a Emae tinha em caixa foi usado para comprar debêntures da Light (outra empresa do mesmo grupo econômico) e investir em CDBs do Banco Master, direcionando o capital da empresa recém-adquirida para beneficiar as instituições que financiaram a própria compra da companhia.

Master e Equatorial de olho na Sabesp
Em junho de 2024, buscando recursos para comprar a Sabesp, Nelson Tanure e membros do Banco Master buscaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para articular um empréstimo. Nas reuniões, conforme reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, estavam presentes: Tanure, Reinaldo Hossepian, diretor do Banco Master, e a então assessora da área de fusões e aquisições do Banco, Karla Maciel.

Maciel liderou a área de fusões e aquisições do Banco Master durante o período de negociações da venda da Emae. Poucos meses depois, em outubro, ela tornou-se CEO da empresa, onde ficou até dezembro de 2025, quando o caso Master começa a tomar as manchetes dos jornais. Enquanto geriu a Emae, Maciel facilitou a compra de dívidas da Light.

Em julho de 2024, foi anunciada a posse de 15% das ações majoritárias da Sabesp pela Equatorial Energia, que venceu o processo de desestatização da Sabesp como única concorrente. Na época, Carlos Piani era presidente do conselho da Equatorial.

Carlos Piani, presidente da Sabesp | Crédito: Divulgação/Sabesp

O processo de desestatização da Sabesp, concluído em julho de 2024, levantou suspeitas devido ao valor da venda. A empresa, que possuía lucros na ordem de R$ 56,2 bilhões, teve a venda de 15% das ações (R$ 6,9 bilhões), o que possibilitou o controle estratégico da companhia. No total, foram captados aproximadamente R$ 15 bilhões. A baixa competitividade também chamou atenção, com a Equatorial sendo a única concorrente, enquanto grandes empresas globais do setor permaneceram ausentes da disputa. Em 13 de fevereiro de 2026, as ações da Sabesp atingiram o patamar de R$ 152,50, uma valorização de aproximadamente 127% sobre o preço de venda da desestatização.

Antes conselheira do governo, depois, da Equatorial
Nesse processo, destaca-se a figura de Karla Bertocco. Ela presidiu o Conselho de Administração da Sabesp poucos meses antes de integrar o conselho também da única interessada em comprar a companhia, a Equatorial, gerando assim um possível conflito de interesses.

Além disso, ela foi subsecretária de Parcerias e Inovação do Governo de São Paulo entre 2015 e 2018, presidente da Sabesp até 2018, diretora do BNDES até 2019 e, até dezembro de 2023, ocupava um cargo no conselho da Equatorial. Atualmente, Bertocco atua na Orizon Valorização de Resíduos.

Em julho de 2024, a federação PT-PCdoB-PV na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) encaminhou representação ao Ministério Público (MP-SP) solicitando a apuração de conflito de interesse e dano ao interesse público na participação de Bertocco no conselho de ambas as companhias.

A representação, assinada pelo deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), contestou as alegações do governo do Estado e da Sabesp sobre a atuação da executiva. Segundo o documento, atas de reuniões do Conselho Diretor do Programa de Desestatização (CDPED) e do Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas (CGPPP) realizadas a partir de setembro de 2023 mostram que a executiva participava ativamente dessas reuniões, nas quais foram deliberadas matérias críticas relacionadas ao processo de privatização.

A federação também alegou que a Sabesp contratou uma empresa para prestar serviços de assessoria financeira especializada sob a supervisão do Conselho de Administração, do qual a executiva fazia parte.

Poucos meses depois, Carlos Piani deixou o conselho da Ambipar e da Equatorial para assumir a presidência da Sabesp. Ele é considerado peça-chave para executar a recompra da Emae pela Sabesp a partir de um fundo que ele mesmo estruturou, permitindo assim que a Sabesp exerça o controle de todos os mananciais da Região Metropolitana de São Paulo e do fluxo dos rios Pinheiros e Tietê.

Com Tanure, Emae compra papéis do Master
Em janeiro de 2025, com Nelson Tanure na presidência do Conselho de Administração da Emae, a empresa comprou R$ 160 milhões em CDBs (Certificado de Depósito Bancário, um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos) do Letsbank, banco também ligado ao conglomerado do Banco Master.

Diante disso, em maio, a CVM suspeitou que a valorização da Ambipar pudesse ter sido feita de forma artificial para beneficiar a compra da Emae por Tanure. O documento da CVM não citou Piani, apenas o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi. A investigação afirmou que “se tratava da criação de valor nesse ativo [Ambipar] para que pudesse ser empregado de forma mais eficiente em uma operação estratégica subsequente e de grande porte, a aquisição da Emae”, beneficiando Tanure.

Em outubro de 2025, Tanure não pagou o empréstimo com a XP Investimentos que havia lhe permitido comprar a Emae. O banco então executa a dívida e assume o controle da Emae.

Sob a gestão de Carlos Piani, a Sabesp (agora privatizada) comprou a Emae do Fundo Phoenix. A reportagem tentou contato com a CVM, mas não obteve retorno para saber o desfecho e encaminhamentos da investigação.

(Arte: Brasil de Fato)

Suspeitas na Justiça
No início de abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou duas ações que pediam a suspensão do processo de privatização da Sabesp. Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1180, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), a Rede Sustentabilidade, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) questionavam a Lei municipal 18.107/2024, que autoriza firmar contratos de prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, além do contrato de concessão com a Sabesp e do cronograma de privatização da estatal.

Já na ADPF 1182, o PT contestava a Lei estadual 17.853/2023, que autoriza o Poder Executivo a realizar a desestatização da Sabesp, com alienação de participação societária. José Faggian, atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema-SP) e funcionário da Sabesp há 25 anos, avalia o processo de privatização da Sabesp como “uma situação muito suspeita”.

“Então a gente vê que o Tarcísio recebeu doações bastante vultuosas do grupo do Banco Master e, em sequência, a gente tem a privatização da Sabesp, da Emae e recursos da Emae que acabam sendo direcionados para o Banco Master. É claro, é nítido que existe uma ligação por trás disso, mas infelizmente existe uma blindagem do governo do Estado”, critica.

Pedido de investigação ao MP
As perguntas sobre o conhecimento prévio do governo de São Paulo sobre a manipulação das ações da Ambipar, a falta de fiscalização da Comissão Especial de Contratação no leilão da Emae, o desenho do leilão da Sabesp com aparente falta de concorrência, assim como o preço de venda das ações da Sabesp abaixo do valor de mercado e a recompra da Emae pela Sabesp podem indicar lesão ao tesouro público. Essas questões foram levantadas pelo deputado estadual Antonio Donato (PT-SP), em uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo (MPSP), em março deste ano.

De acordo com o documento, isso ocorreria se comprovado que houve perda patrimonial para o Estado devido a decisões tomadas com dolo ou culpa grave, como a venda de ativos por preço inferior ao de mercado, ou a aquisição de ativos inflacionados.

Também pode demonstrar que houve violação aos princípios da administração pública se comprovado um suposto conflito de interesses como o de Carlos Piani e Karla Bertocco e a possível influência de doações de campanha de Fabiano Zettel ao governador Tarcísio de Freitas. O pedido de investigação ainda está sendo analisado pelo Ministério Público e, até o momento, não houve andamentos.

O que dizem as empresas
À reportagem, a Sabesp disse que a aquisição da Emae ”foi uma operação aprovada pelo Conselho de Administração, passando pelo escrutínio do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], que verificou aspectos concorrenciais, e da Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], que avaliou a capacidade técnica, idoneidade financeira, regularidade jurídica e fiscal da Sabesp”.

Sobre Carlos Piani, a companhia alegou que jamais houve qualquer relação com o fundo Phoenix. A companhia ressaltou que Piani atuou como presidente do Conselho de Administração da Ambipar até setembro de 2024, renunciando ao cargo antes de assumir a presidência da Sabesp em outubro de 2024.

A Sabesp disse ainda que não existe qualquer relação entre Piani e a estruturação do fundo Phoenix, ou a valorização das ações mencionadas pela reportagem. “Questões relativas à valorização e desvalorização de ações são de competência exclusiva da CVM, que realiza as apurações necessárias. Tanto a Sabesp quanto o seu diretor-presidente não tinham conexão com a Emae até 2025, quando a Sabesp celebrou o acordo de aquisição.”

Sobre os supostos conflitos de interesse apontados na atuação de Karla Bertocco, a empresa apontou que “não houve qualquer conflito de interesse no passado ou riscos de conflitos futuros”.

Em nota, a Emae disse apenas que “todas as informações acerca de operações financeiras e recursos em caixa podem ser verificadas nas Demonstrações Financeiras, auditadas por auditorias independentes e divulgadas trimestralmente ao mercado, além de estarem disponíveis na CVM, na B3, bem como no site de Relações com Investidores da Emae”.

A empresa não explicou como justifica a atuação simultânea de Karla Bertocco no Conselho de Administração da Sabesp e no conselho da Equatorial, diante das alegações de conflito de interesses.

O que diz o governo de São Paulo
A Secretaria de Parcerias em Investimentos afirmou que os processos de desestatização da Sabesp e da Emae foram conduzidos com rigor técnico, transparência e ampla participação institucional, seguindo todas as etapas previstas no Programa de Parcerias em Investimentos (PPI-SP).

No caso da Sabesp, o processo foi estruturado com base em estudos técnicos e submetido a consulta pública e audiências, com quase “mil contribuições da sociedade”, disse a pasta.

No caso da Emae, o leilão realizado na B3 também seguiu todos os procedimentos legais, relata a secretaria. “Resultou em proposta vencedora com valor 33,68% acima do preço mínimo estabelecido em edital, refletindo a atratividade e a competitividade do processo. A operação foi concluída após aprovação dos órgãos reguladores competentes, como Aneel e Cade, e seguiu integralmente os ritos legais e institucionais aplicáveis.”

Por fim, questões relacionadas ao mercado de capitais e à atuação de agentes privados são de competência dos órgãos reguladores responsáveis como a CVM, que possui autonomia para conduzir eventuais apurações, salientou a pasta. “O Governo de São Paulo reforça seu compromisso com a lisura dos processos, a atração de investimentos e a melhoria dos serviços públicos, com foco em resultados concretos para a população.”

O Brasil de Fato procurou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), bem como a defesa de Nelson Tanure, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

*BdF


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