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Pesquisa Nexus/BTG: Lula amplia vantagem para 9 pontos no 1º turno

Presidente lidera entre mulheres, nordestinos e mais pobres; Flávio Bolsonaro mantém rejeição de 50%, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira

A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança na disputa pelo primeiro turno das eleições de 2026. No cenário estimulado, o petista alcançou 42% das intenções de voto, frente a 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com esse resultado, a diferença entre os dois principais concorrentes, que era de seis pontos percentuais no levantamento anterior realizado em 13 de julho, subiu para nove pontos.

O levantamento estatístico entrevistou 2.004 eleitores por telefone entre os dias 24 e 26 de julho. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está devidamente cadastrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o registro BR-01489/2026.

Na comparação em um intervalo de 15 dias, a evolução das intenções de voto mostra que Lula cresceu de 40% para 42%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou negativamente de 34% para 33%. Os demais pré-candidatos testados mantiveram pontuações em patamares reduzidos: Ronaldo Caiado (PSD) registrou 6%, seguido por Renan Santos (Missão) com 5%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Augusto Cury (Avante) com 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) acumulando 1%.

Rejeição dos pré-candidatos

Além do cenário de intenção de voto, os dados sobre a rejeição aos nomes apresentados permanecem como um dos recortes mais relevantes do levantamento. Exatamente metade dos entrevistados, somando 50%, declarou que não votaria de jeito nenhum no senador Flávio Bolsonaro, mantendo o mesmo patamar apurado na rodada anterior da pesquisa. Por outro lado, a taxa de rejeição ao presidente Lula passou de 46% para 48%. Apesar da leve variação dentro da margem de erro, o chefe do Executivo permanece com índice de rejeição inferior ao do principal pré-candidato do bloco da extrema direita.

Leia mais: Datafolha: Lula mantém boa vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos dois turnos

Bases de sustentação e aspectos regionais

A análise dos dados por recortes sociodemográficos detalha onde se concentram os principais apoios do eleitorado. A liderança do presidente Lula é sustentada por vantagem expressiva entre o eleitorado feminino (47% a 28%), na parcela da população com renda familiar de até um salário mínimo (58% a 24%) e entre as pessoas com ensino fundamental completo ou incompleto (53% a 29%). O petista também apresenta desempenho superior no segmento de eleitores com mais de 60 anos (54% a 29%) e entre os católicos (49% a 27%).

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro apresenta melhores percentuais de preferência entre o eleitorado masculino (39% a 37%), entre cidadãos com ensino médio (39% a 35%) e, de maneira destacada, junto ao público evangélico, onde marca 50% contra 28% atribuídos a Lula.

A divisão geográfica das intenções de voto expõe o quadro de polarização regional no país. Na região Nordeste, Lula mantém larga vantagem ao somar 57% das preferências ante 24% atribuídos a Flávio Bolsonaro. No Sudeste, o presidente lidera com 41% contra 32% do senador. Já na região Sul, o parlamentar do PL aparece na frente com 47% das intenções de voto contra 31% do petista, enquanto no agrupamento Norte e Centro-Oeste o senador registra 39% frente a 33% de Lula.

Simulações para o segundo turno

Em um eventual cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa indica Lula registrando 47% das intenções de voto e o senador somando 43%. Na comparação com o levantamento de 13 de julho, quando o placar marcava 47% a 44%, Flávio caiu um ponto para baixo.

O detalhamento do segundo turno reproduz dinâmicas semelhantes às observadas no primeiro turno. Lula vence com folga entre as mulheres (54% a 36%), no Nordeste (62% a 30%) e no segmento de menor renda, onde chega a 62% contra 28% de Flávio na faixa de até um salário mínimo. Já o senador do PL lidera entre homens (50% a 41%), no Sul (57% a 36%) e entre os eleitores evangélicos (62% a 30%). Nas outras hipóteses de segundo turno testadas, Lula figura numericamente à frente de Ronaldo Caiado (45% a 43%), Romeu Zema (46% a 42%) e Renan Santos (47% a 39%).

Avaliação da gestão federal

O levantamento mensurou ainda a percepção pública sobre a atuação do governo federal. A aprovação da gestão Lula registrou 47%, enquanto a desaprovação ficou em 49%. Na avaliação qualitativa do governo, 36% dos entrevistados classificam a administração como ótima ou boa, 20% a avaliam como regular e 43% a consideram ruim ou péssima. A aprovação é mais expressiva no Nordeste e na faixa de renda de até um salário mínimo, ambas com 62%, ao passo que a desaprovação atinge seus maiores índices na região Sul, com 64%, e nas parcelas de maior poder aquisitivo.

A captação desses dados ocorreu poucos dias após o anúncio do novo tarifaço promovido pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Mesmo diante desse contexto internacional, o levantamento indica consolidação da vantagem de Lula na corrida presencial, ancorada nos segmentos populares e regionais que compõem sua base histórica de apoio. Vermelho.


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Brasil Mundo

Flavio é apoiado por Trump? Lula tem apoio de Xi Jinping

Xi Jinping reafirma apoio ao Brasil e endurece discurso contra ingerência dos EUA e destaca a soberania brasileira

A China elevou o tom em defesa do Brasil diante das recentes tensões com os Estados Unidos. Em conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e se opõe a qualquer forma de “interferência externa”, em uma declaração amplamente interpretada como um recado direto a Washington.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi destacou que a China considera o Brasil um parceiro estratégico de peso e está disposta a ampliar a coordenação política entre os dois países em temas bilaterais e multilaterais. O líder chinês também manifestou apoio ao papel brasileiro na promoção da paz e da estabilidade regional e global.

Do lado brasileiro, Lula informou que a conversa, que durou mais de uma hora, tratou do fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países, da ampliação da cooperação em áreas como inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes, além da aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China.

A manifestação de Xi ocorre em um contexto de crescente atrito entre Brasília e Washington, marcado por disputas comerciais e diplomáticas. Ao reiterar seu apoio à soberania brasileira e condenar “interferências externas”, Pequim reforça sua aproximação com o governo Lula e sinaliza disposição para aprofundar a parceria com o Brasil em um cenário internacional cada vez mais polarizado.

A disputa política brasileira passou a refletir, cada vez mais, alinhamentos internacionais. De um lado, Flávio Bolsonaro procura associar sua imagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apostando na afinidade ideológica construída pelo bolsonarismo com o movimento trumpista. De outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça a relação estratégica com a China diante das pressões dos EUA.


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Política

Lula desafia oposição: “Não tem biografia, nem proposta para o Brasil”

Lula eleva o tom e afirma que adversários “não têm tamanho nem projeto”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seus adversários políticos não apresentam densidade política nem um projeto consistente para disputar os rumos do país. Em discurso realizado neste domingo, Lula declarou que a oposição “não tem tamanho, nem biografia, nem proposta”, ao defender que o debate eleitoral deve ser centrado em realizações concretas e em projetos para o futuro do Brasil.

A declaração ocorre em um momento de intensificação da disputa política e de articulações visando as eleições de 2026. Sem citar nominalmente seus possíveis adversários, o presidente contrastou sua trajetória política com a daqueles que pretendem enfrentá-lo, ressaltando sua experiência administrativa, sua história de vida e os programas implementados durante seus governos.

Segundo Lula, o eleitorado saberá diferenciar candidatos que apresentam um projeto nacional daqueles que, em sua avaliação, se apoiam apenas em ataques, campanhas nas redes sociais ou discursos de confronto. O presidente também afirmou que o governo continuará concentrado em entregar resultados na economia, na geração de empregos, na ampliação de programas sociais e na retomada de investimentos públicos.

A fala reforça a estratégia do Palácio do Planalto de antecipar o embate político, buscando consolidar a narrativa de que o governo possui um projeto estruturado para o país, enquanto a oposição ainda enfrenta dificuldades para unificar um discurso e apresentar uma plataforma de governo capaz de mobilizar amplos setores da sociedade.

A declaração de Lula deve repercutir entre lideranças da oposição, que têm intensificado críticas ao governo e procuram construir uma alternativa competitiva para a sucessão presidencial. Ao elevar o tom do discurso, o presidente sinaliza que pretende transformar a comparação entre trajetórias, propostas e resultados de governo em um dos principais eixos da disputa política nos próximos meses.


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Brasil Mundo

Lula endurece o discurso e avisa Trump: “Não meta o dedo nas eleições brasileiras”

Lula confronta Trump e afirma que o Brasil não aceitará ingerência eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom ao responder às recentes movimentações do governo de Donald Trump relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. Em declaração firme, Lula deixou claro que o Brasil não aceitará qualquer tipo de interferência externa em suas instituições democráticas, resumindo sua posição em um recado direto: “Não venha meter o dedo nas nossas eleições.”

A manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, após notícias de que integrantes do governo norte-americano estariam articulando iniciativas para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Para o Palácio do Planalto, qualquer tentativa de influenciar o debate interno representa uma afronta à soberania nacional.

Lula afirmou que o Brasil é uma democracia consolidada, com instituições capazes de conduzir o processo eleitoral de forma independente e segura. O presidente também ressaltou que as regras eleitorais brasileiras são definidas pelas autoridades nacionais e que nenhum governo estrangeiro tem legitimidade para interferir em decisões que dizem respeito exclusivamente ao povo brasileiro.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que declarações e gestos vindos dos Estados Unidos podem alimentar narrativas de desconfiança sobre as urnas eletrônicas, tema que já provocou forte polarização política no país nos últimos anos. A avaliação é que esse tipo de discurso pode gerar instabilidade institucional e comprometer o ambiente democrático.

Ao reforçar a defesa da soberania nacional, Lula procurou enviar uma mensagem não apenas à Casa Branca, mas também à comunidade internacional: o Brasil manterá relações diplomáticas com qualquer governo estrangeiro, desde que sejam pautadas pelo respeito mútuo e pela não intervenção em assuntos internos.

A resposta do presidente também sinaliza que o governo brasileiro pretende reagir de forma contundente a qualquer tentativa de pressão externa sobre o processo eleitoral de 2026, reafirmando que a escolha dos governantes cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros.


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Política

Lula reage a apoio de Rubio a Flávio e desafia: “Venha fazer campanha no Brasil”

“Que monte um comitê”, diz Lula ao provocar Rubio após manifestação em favor de Flávio.

Lula reagiu com ironia às manifestações de apoio do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, à candidatura de Flávio Bolsonaro, afirmando que qualquer tentativa de interferência externa na política brasileira será recebida com firmeza. Durante um evento público, o presidente afirmou que Rubio tem todo o direito de expressar sua opinião, mas ressaltou que as decisões sobre o futuro do Brasil cabem exclusivamente ao povo brasileiro.

Ao comentar as declarações do chefe da diplomacia norte-americana, Lula disparou: “Se ele quiser apoiar o Flávio, que monte um comitê e venha fazer campanha”. A frase foi recebida com aplausos por apoiadores e interpretada como uma resposta direta às críticas e manifestações de integrantes do governo dos Estados Unidos favoráveis ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente aproveitou a ocasião para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. Segundo Lula, o Brasil mantém relações diplomáticas com diversos países, mas não aceita pressões ou tentativas de influência sobre suas instituições democráticas e processos eleitorais. Ele destacou que divergências políticas devem ser resolvidas internamente, por meio do voto e do debate democrático.

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, alimentadas por críticas de autoridades americanas a decisões do Judiciário brasileiro e por manifestações de apoio a lideranças da oposição. Integrantes do governo avaliam que a estratégia é transformar eventuais interferências externas em um argumento favorável ao discurso de defesa da autonomia nacional.

Aliados de Lula afirmam que a reação do presidente busca demonstrar confiança política e evitar que o tema ganhe maior relevância eleitoral. Para o Palácio do Planalto, a participação de autoridades estrangeiras no debate político brasileiro tende a produzir efeito contrário ao desejado, fortalecendo a percepção de que o país deve conduzir seus assuntos sem tutela externa.

Com a ironia dirigida a Rubio, Lula procurou transmitir a mensagem de que apoios vindos do exterior não substituem a vontade popular e que a disputa eleitoral será decidida pelos eleitores brasileiros, e não por autoridades de outros países.


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Pesquisa

Quaest: Maioria dos brasileiros acredita que Lula será reeleito, diz dado inédito

Evangélicos e eleitores independentes acreditam na reeleição de Lula. Derretimento da confiança em Flávio Bolsonaro acontece até entre eleitores que votam nele. Campanha vê riscos em novos vídeos de Michelle e em festas de Vorcaro.

Um dado inédito da última pesquisa Quaest, divulgado pelo jornalista Thomas Traumann no jorna O Globo nesta segunda-feira (20), revela que 55% dos eleitores acreditam que Lula será reeleito para seu quarto mandato em outubro. Apenas 25% apostam em uma vitória do principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Entre os chamados independentes, que não se colocam como bolsonarista ou lulista, 52% acreditam na reeleição do presidente e 14% na vitória do senador.

Segundo a pesquisa, mesmo entre evangélicos, que ainda votam majoritariamente no filho de Jair Bolsonaro, 45% afirmam que Lula será o vencedor das eleições, diante de 36% que acham que o senador vai ganhar a disputa.

Os dados comprovam ainda o derretimento da confiança entre os eleitores que se classificam como direita não bolsonarista entre abril, quando 67% acreditavam em uma vitória da oposição, e os atuais 46% que seguem achando possível a vitória de Flávio Bolsonaro, segundo a Forum.

Até mesmo os bolsonaristas estão perdendo a confiança em Flávio Bolsonaro: eram 80% e agora são 72%.

Medos
Segundo o jornalista, três caciques do PL teriam afirmado que “o risco da campanha bolsonarista é virar uma profecia autorrealizável: se a maioria acha que Flávio vai perder, ele acaba perdendo”.

Traumann aponta, então, três medos dentro da campanha de Flávio que podem abater o presidenciável do clã Bolsonaro de vez:

Um vídeo comprometedor de Flávio Bolsonaro nas festas de Daniel Vorcaro;

A investigação sobre o governo Cláudio Castro, que era comandado em grande parte pelo senador e;

Um novo vídeo de Michelle Bolsonaro, com a madrasta revelando ainda mais sobre o enteado.

Um outro temor é que Flávio Bolsonaro seja abandonado por aliados próximos, como Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), por se tornar uma pessoa tóxica, que pode ameaçar eleições consideradas praticamente ganhas dentro da ultradireita.


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Política

Lula supera em seis vezes perdas com tarifas dos Estados Unidos com abertura de mercados e exportações brasileiras

A abertura de novos mercados internacionais pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contribuído para fortalecer o comércio exterior brasileiro e reduzir a dependência de destinos tradicionais, como os Estados Unidos. Nos últimos meses, a ampliação das relações comerciais com países da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina tem garantido novas oportunidades para produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, da indústria de alimentos e do setor mineral.

Os resultados dessa estratégia já aparecem nos números do comércio exterior. De acordo com dados divulgados por órgãos do governo, o crescimento das exportações para novos mercados superou em mais de seis vezes as perdas registradas nas vendas para os Estados Unidos. O desempenho demonstra a capacidade do Brasil de diversificar seus parceiros comerciais e compensar oscilações ou barreiras impostas por mercados específicos.

A política de ampliação de acordos comerciais e missões diplomáticas tem sido uma das prioridades da atual gestão. Desde o início do mandato, Lula realizou viagens e encontros com líderes de diferentes regiões do mundo, buscando ampliar a presença dos produtos brasileiros e atrair investimentos. O esforço contou também com a atuação do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na negociação de novos protocolos sanitários e comerciais.

Especialistas avaliam que a diversificação dos destinos de exportação aumenta a segurança econômica do país, reduzindo riscos associados a disputas comerciais ou mudanças de política em parceiros específicos. Além disso, a expansão da pauta exportadora fortalece a balança comercial e contribui para a geração de emprego e renda em diversos setores da economia.

O avanço das exportações para novos mercados ocorre em um contexto de tensões comerciais internacionais e de debates sobre tarifas e barreiras impostas por algumas economias. Nesse cenário, o Brasil tem buscado ampliar sua inserção global e consolidar uma posição mais independente no comércio internacional, apostando na abertura de novas frentes de negócios e na valorização de sua produção no exterior.


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Política

O silêncio estratégico: Lula blinda agenda social contra Trump

Ao se recusar a responder sobre o tarifaço norte-americano no Rio, presidente prioriza a narrativa do SUS e calibra o tempo da reação diplomática oficial

Nas duas últimas agendas presidenciais cumpridas no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (17) — as vistorias à Carreta de Saúde da Mulher, na Fiocruz, e ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura que chamou a atenção de analistas políticos e correspondentes internacionais. Diante da forte expectativa da imprensa por uma reação contundente à confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros, Lula optou por um silêncio cirúrgico e deliberado.

Mais do que uma simples esquiva, a recusa em comentar o “tarifaço” de Donald Trump revelou uma calculada estratégia de comunicação e preservação da soberania nacional.

A recusa explícita: “Quando o Trump falar, eu falarei”

Tanto no palanque da Fiocruz quanto no auditório do INTO, Lula foi explícito ao ditar as regras do que deveria ser manchete no país. Na Fiocruz, o presidente declarou abertamente que “a notícia tem que ser o SUS, o tratamento das mulheres”, sinalizando que não permitiria que a agenda externa ofuscasse as entregas sociais de seu governo.

No INTO, o mandatário subiu o tom da assertividade e detalhou a hierarquia institucional de sua resposta. Lula pontuou que o anúncio das tarifas havia sido feito, até então, por funcionários do “segundo escalão” do governo americano. Para ele, uma resposta do chefe de Estado brasileiro exige reciprocidade de nível. “Quando o Trump falar, eu vou falar, de presidente para presidente”, disparou Lula. Com essa linha de corte, o presidente brasileiro buscou rebaixar o peso político das provocações que vinham de Washington, desinflacionando a urgência cobrada pelos repórteres.

Essa exigência de paridade serve a dois propósitos: primeiro, evita que o Brasil legitime ameaças feitas por assessores ou por meio de redes sociais, que muitas vezes são usadas como tática de pressão psicológica. Segundo, eleva o nível do debate, forçando o governo dos EUA a assumir oficialmente a responsabilidade pela medida, o que facilitará a montagem de uma resposta multilateral ou de retaliação baseada na Lei de Reciprocidade, caso a medida seja formalizada.

A guerra da verdade contra a farsa protecionista

A principal motivação analítica por trás do silêncio de Lula reside no controle da narrativa. O presidente afirmou textualmente que a sua intenção é traçar uma “guerra da verdade”. Ao não responder de imediato e com fígado, Lula evita o desgaste de uma retórica de confrontação vazia e dá espaço para que seus canais técnicos — como o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores — apresentem as defesas comerciais de forma institucional.

Lula declarou que “contra o Brasil ninguém ganha mentindo” e que pretende provar ao mundo a falta de racionalidade econômica das acusações americanas (que miram o Pix e as políticas ambientais brasileiras). Para o presidente, responder ao segundo escalão de Trump em meio a inaugurações de saúde seria validar a tentativa americana de pautar a política doméstica e desviar o foco das conquistas estruturais do SUS, como a expansão das carretas de exames e a implementação de cirurgias robóticas na rede pública.

Lula enfatizou que o Brasil é um país da paz, mas que, se provocado, estará pronto para travar uma “guerra da narrativa” e uma “guerra da verdade”. Segundo ele, o adversário “vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra”, sinalizando que a resposta brasileira será técnica, factual e calculada, e não uma reação emocional ou precipitada.

Blindagem da agenda interna e recado ao tabuleiro eleitoral

Segundo o Vermelho, outro fator crucial para a estratégia de Lula é o isolamento da crise diplomática em relação ao ambiente político interno. As duas agendas no Rio de Janeiro estavam carregadas de simbolismo eleitoral e de coordenação com as lideranças locais, como o prefeito Eduardo Cavaliere e o governador em exercício Ricardo Couto. Lula focou seus discursos na moralização do estado, no combate às milícias e na comparação do seu modelo de investimentos com o desmonte promovido pela gestão anterior.

A estratégia demonstra que o governo não permitirá que uma ameaça externa sequestre a agenda nacional. Ao insistir em pautar a visita com temas como a expansão da saúde da mulher, a cirurgia robótica no SUS e a “ressuscitação” dos hospitais federais, Lula busca blindar sua base de apoio e evitar o pânico nos mercados. Ao projetar calma e focar em entregas concretas (como a compra massiva de implantes contraceptivos e a reabertura de leitos), o presidente envia uma mensagem de resiliência: a economia e o bem-estar do povo brasileiro não podem ser reféns de chantagens comerciais.

Se cedesse à pressão e transformasse o palanque da saúde em um ringue de boxe contra Donald Trump, Lula daria munição à oposição bolsonarista — que, como denunciado pelo próprio Itamaraty, atuou como linha de frente do lobby protecionista em Washington. Ao silenciar sobre Trump e falar para o trabalhador da Baixada Fluminense e de Manguinhos, Lula esvaziou o palanque da extrema direita e mandou um recado claro ao mercado e à geopolítica: o Brasil não se curvará a pretensões desmedidas, mas escolherá as armas, o momento e o nível institucional exatos para travar suas batalhas soberanas.

Em suma, o silêncio de Lula não é omissão, mas uma tática de espera ativa. Ao recusar-se a dançar conforme a música de Washington, o presidente busca esvaziar o impacto midiático da ameaça, fortalecendo a narrativa de que o Brasil, com suas instituições sólidas e seu mercado interno robusto, está preparado para defender seus interesses com a “arma da palavra” e, se necessário, com medidas econômicas recíprocas.


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Política

Quaest: Novo tarifaço encolhe intenção de voto em Flávio entre eleitores de direita

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) aponta que o tarifaço americano reduziu a vontade de eleitores de direita, inclusive bolsonaristas, de votar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A sondagem veio a público horas depois de Washington confirmar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Quando os entrevistadores perguntaram se o tarifaço aumentava a vontade de votar em Lula, Flávio ou outro pré-candidato, 42% citaram o presidente Lula (PT), contra 39% em junho. No caso de Flávio, o índice caiu de 30% para 27%. A opção “outro” ficou em 23%, e 8% não souberam ou não responderam.

Entre eleitores independentes, a vontade de votar em Lula subiu de 26% para 33%, variação de sete pontos acima da margem de erro de quatro pontos estimada para esse recorte. Nesse mesmo grupo, a preferência por “outro” pré-candidato, considerando o tarifaço, caiu de 45% para 38%.

O recuo de Flávio também apareceu em segmentos de direita. Na direita não bolsonarista, o senador caiu de 70% para 60%, enquanto a vontade de votar em “outro” pré-candidato subiu de 19% para 29%. Entre bolsonaristas, a intenção associada ao tarifaço foi de 88% para 81%, e a escolha por “outro” nome cresceu na mesma proporção.

A Quaest também perguntou com quem os eleitores concordam mais no embate sobre a origem da medida. Na pergunta sobre a acusação de Lula de que Flávio pediu a Donald Trump sanções contra o Brasil, 51% concordaram mais com o petista, ante 47% em junho; 30% ficaram com a versão de Flávio, contra 35% no mês anterior; e 19% não souberam ou não responderam.

Em outra questão, 49% concordaram mais com Lula na avaliação de que as tarifas são retaliações ao Pix, enquanto 33% preferiram a versão de Flávio, segundo a qual a medida seria reação a declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos. Outros 10% responderam “nenhum dos dois”, e 8% não souberam ou não responderam.

O governo Lula repudiou o tarifaço e criticou os Bolsonaros, chamados de “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”. Flávio respondeu que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil”, atribuiu “atraso, incompetência e vingança” à atual gestão e chamou o adversário de “Biden brasileiro”.

Flávio discursou neste mês em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e em defesa do Pix. Em maio, o senador foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca, em agenda articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo.

A pesquisa apontou que 57% dos brasileiros não sabiam da viagem de Flávio aos Estados Unidos em defesa do Pix e contra o tarifaço. Entre os que conheciam a agenda, 58% disseram que o senador não tem força para convencer Trump e o governo americano a rever as tarifas, enquanto 34% afirmaram confiar nessa capacidade.

Seis em cada dez brasileiros, 63%, disseram acreditar que as novas tarifas impostas por Trump vão prejudicar sua vida ou a de sua família; em junho, eram 55%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 10 e 13 de julho, tem margem de erro geral de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-07181/2026. DCM.


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Política

Aliados de Flávio Bolsonaro temem desânimo e vitória esmagadora de Lula

O clima na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) é de crescente apreensão. Integrantes da coordenação política e aliados do senador avaliam que a sucessão de crises das últimas semanas comprometeu a capacidade de mobilização da militância bolsonarista e alimentou um sentimento de desânimo dentro da própria base conservadora.

A preocupação aumentou após pesquisas de opinião indicarem uma ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Segundo levantamento Quaest divulgado nesta quarta-feira (15), Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro, reforçando a percepção entre dirigentes do PL de que o cenário eleitoral se tornou significativamente mais favorável ao atual presidente.

Nos bastidores, interlocutores do senador admitem que a campanha enfrenta dificuldades para impor uma agenda positiva. Em vez de discutir propostas para o país, a candidatura tem sido marcada por sucessivos episódios de desgaste político, disputas internas e crises que desviam o foco da campanha. Entre aliados, cresce a avaliação de que falta uma estratégia capaz de reanimar o eleitorado e recuperar a confiança de setores da direita.

Outro fator que alimenta a inquietação é a percepção de isolamento político. Nas últimas semanas, partidos do chamado Centrão têm evitado anunciar apoio formal à candidatura, enquanto legendas como o Republicanos defendem manter neutralidade, aguardando a evolução do cenário eleitoral.

Além disso, restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao contato de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente Jair Bolsonaro retiraram da campanha um dos seus principais ativos políticos: a participação direta do líder histórico do bolsonarismo durante o período eleitoral.

Diante desse quadro, aliados passaram a admitir reservadamente que o maior risco deixou de ser apenas uma derrota eleitoral. O temor agora é de uma vitória de Lula por margem expressiva, resultado que enfraqueceria o campo bolsonarista, reduziria seu poder de negociação no Congresso e abriria espaço para uma reorganização da direita em torno de novas lideranças após as eleições.


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