Dogmas: “o mercado quer”, “o mercado reage”, “o mercado não gostou”. Virou entidade sagrada. Se a bolsa cai 2% porque o Lula falou de juros, manchete diz que o mercado puniu igual Deus castigando infiel.
Em suas professias, analistas de banco viram oráculo. Relatório do Itaú é tratado como escritura divina. É eresia falar em taxar dividendos ou mexer em BC independente, isso é blasfêmia.
Mercado responde com dólar subindo igual praga divina.
Fé cega: muita gente defende livre mercado sem sequer saber o que é. Só repete. O troço virou crença, não cálculo.
A religião virou mercado. O templo, empresa. Igreja que vende lote no céu, campanha no carnê, corrente da prosperidade. Pastor é CEO, fiel é cliente.
Voto freguês: bancada evangélica negocia ministério e emenda. Fé vira moeda de troca política. Datafolha mostrou que voto evangélico decide eleição e candidato vai a púlpito fazer promessa.
Concorrência: igreja disputa fiel igual mercado disputa consumidor. Marketing, gingle, show, quem dá mais milagre, leva.
Produto: bênção, unção, objeto ungido, tudo precificado. R$ 900 no “cajado de Moisés” para abrir caminho.
O Datafolha mostrou tudo isso com empate técnico entre Lula e Flavio Bolsonaro e indicou que, religião pesa mais que economia na decisão do voto de 38% do eleitorado. Ao mesmo tempo, mostrou que mercado fica volátil a cada fala sobre juros ou gasto.
Aí juntou tudo: o candidato vai na igreja para ganhar votos. O mercado reage à pesquisas. O pastor fala de economia no culto. O analista fala de “vontade de Deus” no relatório.
Resumo: quando o mercado dita a política como se fosse mandamento, e a igreja dita voto como se fosse contrato, a frase faz sentido. Um virou fé, outro virou balcão.
Sim, a grande mídia não só abença isso, ela é o próprio altar onde esse culto acontece.
Dá voz para o profeta: o pastor vira banqueiro, fala que juro alto é sacrifício necessário e o povo tem que aceitar.
Resultado prático: você liga a TV e aprende que juro é vontade divina e que Deus quer 10% dos seu salário. As “duas igrejas” se realimentam e a mídia vende ingresso da primeira fileira.
Datafolha entra em campo, solta pesquisa de empate técnico, mídia transforma em guerra santa, mercado opera em cima e igreja prega em cima.
Resumo: a mídia industrial, como a Globo, não é torre neutra de marfim. É empresa. E empresa reza na cartilha de quem paga o dízimo publicitário. Cobertura econômica vira catequese e religião vira publieditorial.
Fé e lucro se misturam, e quem não tem nenhum dos dois fica só com a conta para pagar.
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O governo Lula está desenvolvendo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, com base em uma previsão de aumento do salário mínimo para R$ 1.717. De acordo com integrantes da equipe econômica, se confirmado, o valor representará uma alta de 5,9% em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621.
O PLDO, que será divulgado na próxima quarta-feira, também trará a meta de superávit fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano. Esse projeto serve como base para a construção do orçamento federal de 2027 e orienta os parâmetros fiscais do governo.
O salário mínimo oficial, no entanto, só será definido no final de 2026, levando em consideração o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e a aplicação de um ganho real de 2,5%, conforme a regra estabelecida em 2024.
O salário mínimo é um indicador importante, não apenas para aqueles que recebem o piso como remuneração, mas também para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Sua variação afeta diretamente uma série de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do BPC/Loas, seguro-desemprego, e a contribuição previdenciária de microempreendedores individuais (MEIs).
Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) dependem do salário mínimo. Por isso, o ajuste no valor impacta de forma significativa as contas públicas, já que o piso serve de referência para a definição de vários pagamentos realizados pelo governo.
Além disso, o salário mínimo influencia as indenizações pagas pelos Juizados Especiais a quem vence ações na Justiça. A variação no valor do piso pode afetar diretamente a renda de milhões de brasileiros, especialmente em tempos de alta de preços, como ocorre com a inflação, que tem subido em função de fatores como o aumento nos preços dos combustíveis e alimentos.
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Pequim considera votação no Brasil em 2026 como um dos fatos políticos mais importantes do ano nos países em desenvolvimento
A China está preocupada com uma eventual interferência dos EUA nas eleições no Brasil e o risco de uma vitória do campo bolsonarista. O ICL Notícias conversou com diplomatas, autoridades e acadêmicos em Pequim e, de forma unânime, todos apontam para a ameaça aos seus interesses caso Flávio Bolsonaro opte por ceder às pressões de Donald Trump e se alinhar ao governo norte-americano.
A preocupação já ficou nítida nos canais diplomáticos entre os dois países, com os chineses questionando Brasília sobre cenários eleitorais e eventuais impactos.
Nos dois primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro, a relação entre China e Brasil viveu uma sequências de crises. Agora, um dos temores é de que, numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, a relação não apenas retomaria a tensão, mas que seria ampliada diante da ofensiva de Trump na América Latina.
Em toda a região, diplomatas chineses indicaram que “entendem” quando candidatos de direita atacam Pequim durante as campanhas eleitorais. Os chineses consideram que isso faz “parte do jogo” da política regional. Mas o que não irão tolerar é que, se no poder, essas autoridades usem os cargos oficiais para fustigar Pequim ou disseminar desinformação.
Seja qual for o resultado da eleição, fontes chinesas apontam que a eleição presidencial no Brasil em 2026 é um dos fatos políticos mais importantes do ano nos países em desenvolvimento, principalmente diante da “sombra” de Trump na região.
Guo Cunhai, diretor do Departamento de Estudos Sociais e Culturais do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, avalia a existência de três desafios a partir do riscos de uma intervenção dos EUA na América Latina e no Brasil.
O primeiro deles seria a pressão sobre vias estratégicas para o comércio, como o Canal do Panamá ou o porto de Santos. No caso brasileiro, o governo Trump já demonstrou insatisfação diante da relação dos chineses com as autoridades portuárias brasileiras.
Um segundo elemento da intervenção seria a conclusão de acordos entre os EUA e o Brasil no setor de minerais críticos. “Já foi debatido entendimentos que excluem a China (do mercado)”, afirmou.
Por fim, o outro risco é de que os EUA coloquem uma pressão insustentável contra qualquer aproximação do Brasil ou da América Latina no desenvolvimento de Inteligência Artificial a partir de modelos e tecnologias chinesas.
Caso haja uma mudança de governo no Brasil, porém, a China insiste que sua atitude não será a de promover uma ruptura. Fontes em Pequim insistem que tem“confiança plena na manutenção de uma relação estratégica” com o Brasil, sob um eventual governo de Flavio Bolsonaro.
Segundo Cunhai, de fato a China se transformou no maior parceiro comercial do Brasil em 2009 e, hoje, 38% das exportações do país tem o mercado chinês como destino. “A proximidade econômica não vai mudar”, insistiu. “A parceria não depende da ideologia”, afirmou, destacando os investimentos até mesmo da Tiktok no Brasil.
Para a pesquisadora Liu Si, também da Academia de Ciências, sempre houve uma intervenção dos EUA quando o assunto é a cooperação militar entre China e América Latina. Mas, ao longo de décadas, ela era “invisível”. “Hoje, ela é violenta”, afirmou.
Sun Hongbo, outro pesquisador e que também ocupou um cargo diplomático da China em Buenos Aires durante quatro anos, também destaca a existência de um “interesse estratégico” por parte da China no Brasil.
Entre latino-americanos, porém, existem dúvidas sobre até que ponto a China está disposta a ir para confrontar os EUA na região. O silêncio diante do sequestro de Nicolas Maduro e a assistência tímida em Cuba são indícios, para negociadores, que Pequim nem sempre agirá para defender seus aliados.
O objetivo único do governo de Xi Jinping é a estabilidade nacional e seu crescimento, ainda que para isso tenha de abrir mão de algum aliado pelo mundo. Se o cálculo mostrar que sair em defesa de um país latino-americano colocará em risco esse princípios, Pequim dificilmente atuará.
Neste caso, a “acomodação” é a palavra usada para descrever a relação da China diante da ofensiva de Trump.
*Jamil Chade/ICL
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Apesar dos danos materiais (infraestrutura destruída, economia mais enfraquecida e perdas de líderes), o regime e seus sobreviventes projetam força por estes motivos principais:
Sobrevivência como vitória simbólica: Para um regime que se via sob ameaça existencial, resistir a mais de um mês de ataques de duas potências nucleares (EUA e Israel) sem colapsar internamente é interpretado como um triunfo. Sobreviver à “decapitação” da liderança e manter o controle do país é visto como prova de resiliência.
Nova alavanca estratégica: o Estreito de Ormuz: Durante a guerra, o Irã demonstrou capacidade de perturbar o fluxo de petróleo global ao ameaçar/minar o estreito. Mesmo com o cessar-fogo, o Irã mantém controle parcial e impõe “restrições” (navios precisam coordenar com forças iranianas). Isso dá poder de barganha em negociações — algo que não existia antes com a mesma intensidade. Especialistas destacam que isso se tornou uma “fonte de leverage muito efetiva”.
Postura maximalista nas negociações: Em vez de se mostrar conciliatório, o Irã entra nas conversas com uma lista de demandas ambiciosas (incluindo fim de sanções, compensações e garantias contra futuros ataques). De acordo com o New York Times, líderes como Mohsen Rezaei (assessor militar) afirmam que não haverá cessar-fogo duradouro sem essas concessões. O novo líder Mojtaba Khamenei reforçou o uso do bloqueio de Ormuz como ferramenta de pressão.
Consolidação interna e endurecimento ideológico: A morte de Khamenei (pai) e de figuras mais pragmáticas pode ter fortalecido alas mais radicais. O regime manteve o controle sobre a Guarda Revolucionária (IRGC) e usou a guerra para reprimir dissidência interna. Aparecimentos públicos de líderes em manifestações pró-regime foram usados para projetar confiança.
Realidade por trás da narrativaDanificados, mas não derrotados: A capacidade militar convencional do Irã sofreu golpes graves. No entanto, a estratégia assimétrica (mísseis, drones, proxies e controle de chokepoints marítimos) permitiu que o regime “jogasse” mesmo enfraquecido.
Cessar-fogo frágil: Há relatos de violações, desacordos sobre o Líbano e ameaças de Trump de usar “força sem precedentes” se o Irã não cumprir. Israel segue atacando alvos no Líbano, o que pode complicar tudo.
Perspectivas diferentes: Do lado iraniano, a sobrevivência + nova alavanca = posição fortalecida para negociar. Do lado ocidental/israelense, o regime está mais isolado, com infraestrutura nuclear e militar degradada, mas sem o colapso esperado (o que frustrou parcialmente os objetivos iniciais de “regime change”).
Em resumo, os líderes iranianos estão “devastados” em termos de perdas humanas e materiais, mas “confiantes” porque transformaram a sobrevivência em narrativa de resistência e ganharam uma carta nova e poderosa (Ormuz). Isso os permite negociar de forma mais agressiva do que se esperava após o início da guerra.
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Relatório do Coaf classifica como atípicos repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, ao Metrópoles e cita envio imediato a empresas ligadas a Luiz Estevão
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que o Banco Master repassou R$ 27.283.800 ao Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA, empresa que controla o portal Metrópoles, entre 2024 e 2025. O documento classifica as operações como “inusitadas” e indica movimentação “incompatível com o faturamento médio mensal” da empresa.
Segundo o relatório, revelado nesta quarta-feira (9) em reportagem do jornal Estadão, parte dos valores recebidos pelo Metrópoles foi transferida de forma imediata para empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão, dono portal condenado por corrupção que chegou a ser preso. O Coaf afirma que esse padrão “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.
As comunicações que deram origem ao relatório foram feitas pela Caixa Econômica Federal, que apontou o recebimento de “valores inusitados”, além da rápida saída dos recursos após o crédito.
O documento cita transferências para empresas como Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A, todas com participação de Luiz Estevão e de suas filhas.
Em um dos trechos do alerta feito ao Coaf, a Caixa explica o motivo pelo qual considerou a movimentação atípica:
“A comunicação ao Coaf é justificada pois no período analisado foi movimentado recursos incompatíveis com o faturamento médio mensal da pessoa jurídica, identificamos o recebimento de transferências de valores inusitados, a movimentação foi caracterizada pelo recebimento de crédito com o débito imediato dos valores, há indícios de movimentação de recursos em benefício de terceiros e movimentação com pessoas expostas politicamente”.
Os dados mostram ainda que o Master foi o principal remetente de recursos ao Metrópoles em 2025, com transferências que chegaram a R$ 5,7 milhões. No segundo semestre de 2024, os repasses somaram R$ 838,8 mil. O restante foi enviado entre janeiro e outubro de 2025.
Datas dos repasses levantam suspeitas Luiz Estevão afirma que os pagamentos estão relacionados ao patrocínio do Will Bank, então ligado ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025 pelo Metrópoles, além da venda dos naming rights da competição.
A sequência dos fatos, porém, não é linear.
Os repasses começaram em janeiro de 2025, enquanto a Série D teve início apenas em 19 de abril. O acordo de transmissão entre Metrópoles e CBF só foi anunciado nos dias 2 e 3 de julho, e as primeiras partidas exibidas ocorreram na 11ª rodada, em 5 e 6 de julho.
Já a implementação dos naming rights ocorreu ainda depois: a marca do Will Bank passou a aparecer nas placas dos estádios apenas em 26 de julho, na 14ª rodada da competição.
Assim, os pagamentos começaram meses antes da efetiva exposição da marca nas transmissões e nos jogos.
Quem é Luiz Estevão Ex-senador cassado em 2000, Luiz Estevão foi condenado a 31 anos de prisão por irregularidades nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. Ele responde por crimes como corrupção ativa, peculato, estelionato e formação de quadrilha.
Começou a cumprir pena em 2016, após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar seus recursos. Em 2020, deixou a prisão e passou a cumprir pena em regime domiciliar. De acordo com a Forum, posteriormente, foi beneficiado por um indulto concedido com base no decreto de Natal assinado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Além do setor de comunicação, atua nas áreas imobiliária, de eventos e esportiva. Reportagem anterior da Fórum mostrou que ele negociou diretamente com o Will Bank o acordo de patrocínio e naming rights da Série D.
Metrópoles omitiu repasses enquanto explorava relações do Master A revelação dos repasses ocorre em meio à publicação, pelo Metrópoles, de reportagens que abordam, em tom de suspeição, pagamentos do Banco Master a políticos, autoridades e agentes públicos, além de explorar as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes do sistema político e institucional.
Ao mesmo tempo, o portal não informa ao leitor que sua própria empresa recebeu mais de R$ 27 milhões do banco.
O relatório do Coaf não apenas confirma esses repasses, como aponta que as operações foram consideradas atípicas, com movimentações fora do padrão e transferência imediata de parte dos recursos para empresas ligadas a Luiz Estevão, controlador do veículo.
Histórico recente levanta questionamentos sobre atuação editorial A atuação do Metrópoles já havia sido questionada em outro episódio recente.
Em dezembro de 2025, o portal publicou reportagem insinuando que a Polícia Federal teria apreendido carros de luxo em endereços ligados ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Reportagem da Fórum revela que documentos oficiais da PF, porém, mostram que foram apreendidos apenas documentos e computadores.
Uma matéria do DCM revelou ainda que, antes da publicação, o Metrópoles havia procurado o sindicato com uma proposta de conteúdo pago, no valor de R$ 97 mil, no formato “Expressão de Opinião”. Após a recusa, a matéria com informações incorretas foi publicada.
Advogados do Sindnapi afirmaram à Fórum que o portal atuou como “parte interessada” e criticaram a falta de apuração.
O episódio é citado porque envolve a combinação entre abordagem comercial e cobertura editorial — aspecto que volta ao centro do debate com a revelação dos repasses do Banco Master.
O que diz Luiz Estevão Luiz Estevão nega irregularidades e sustenta que os pagamentos têm origem contratual.
“O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber (…) O valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não. O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser”, declarou o empresário.
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Trump abala o próprio lema de seu governo: Make America Great Again
Ainda existe todo um processo negociador a ser realizado para que uma paz de fato seja estabelecida pelos governos de Teerã e Washington. Mas o cessar-fogo, pelo menos da forma que está sendo apresentado, revela que os EUA saem menores desse conflito.
Longe das bravatas de Donald Trump de que teria vencido a guerra, a realidade revela que a estrutura do regime iraniano continua em grande parte preservada, mesmo com o assassinato de alguns de seus principais líderes.
O mundo de Trump descobre que, sim, a geografia é um fator determinante e que, ao controlar o Estreito de Ormuz, os iranianos fizeram de refém a própria economia mundial.
Trump também sai com sua credibilidade abalada entre seus principais parceiros, insultados por seus atos e ameaças. Com anúncios de que cometeria um genocídio, Trump passa a ter até mesmo sua índole questionada por conservadores.
O presidente ainda está mais isolado do que nunca no mundo, com aliados questionando a conveniência de manter, de fato, acordos com a Casa Branca. Existem dúvidas se a OTAN ainda faz sentido, se a cooperação entre europeus e norte-americanos pode prosperar. Os países do Golfo, que acreditavam ser ilhas de estabilidade, descobriram que ter os EUA como parceiro é um passivo.
Militarmente, constata-se que, mesmo com todo o poderio bélico e um orçamento trilionário, existem limites para o que bombas podem atingir. Principalmente quando, do outro lado, existe um governo que não vê problemas em impor profundos danos à sua própria população.
Em sua estratégia global de estabelecer a “paz pela força”, Trump é, pela primeira vez, em parte freado.
Sua doutrina militar, diplomática e geopolítica está oficialmente questionada.
Desmoralizado, o presidente apaga dos chapéus de seus fieis seguidores o próprio lema de seu governo: Make America Great Again.
O que as pesquisas revelam é que alguns daqueles indivíduos que usavam os bonés já se deram conta de que foram feitos de trouxas. Bonés que, por sinal, são “Made in China”.
*Jamil Chade/ICL
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Com isenções, subvenções e linhas de crédito, governo reage à crise global para proteger os consumidores contra a alta do diesel e do gás de cozinha
A guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços dos combustíveis no mercado internacional, com reflexos no Brasil, especialmente no óleo diesel, no gás de cozinha (GLP, gás liquefeito de petróleo) e no querosene de aviação. Atento à situação, o governo federal anunciou na segunda-feira (6) um pacote de medidas para impedir que a alta dos preços prejudique os brasileiros.
De acordo com o Planalto, o plano de ação é amplo e visa atingir cadeias de fornecimento de combustíveis, alcançando também o setor aéreo.
“Em conjunto, as ações geram um novo alívio para os consumidores e os setores produtivos brasileiros, reduzindo os efeitos internos do choque de preços causado pela guerra. E fortalecem a soberania energética e a segurança do abastecimento no país, garantindo que a população brasileira continue sendo uma das menos afetadas pela crise geopolítica”, afirma o governo Lula.
Diesel
Para conter a alta no preço do óleo diesel, o governo atua com subvenções por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula.
No caso da importação de diesel rodoviário, a subvenção será de R$ 1,20 por litro, com o governo federal dividindo o valor com 25 estados que aderiram ao plano. A medida se soma à subvenção anterior de R$ 0,32/litro, o que resulta em um auxílio de R$ 1,52 por litro para o diesel importado, permitindo que as distribuidoras vendam o combustível mais barato para os postos, alcançando os consumidores. A validade será de abril a maio, ao custo de R$ 4 bilhões, com metade pago pelo governo federal e o restante pelos estados.
O mesmo acontece com o diesel nacional, com subvenção de R$ 0,80 por litro, elevando o auxílio às distribuidoras para R$ 1,12 por litro. Este modelo será arcado somente pela União ao custo estimado de R$ 3 bilhões por mês. Nas duas ações, a contrapartida é o aumento do volume vendido pelos produtores aos distribuidores.
Ainda no mesmo ramo, o governo anunciou um decreto para zerar os tributos de PIS e Cofins sobre o biodiesel. O combustível renovável compõe 15% do diesel vendido nos postos de gasolina. Assim, haverá uma economia de R$ 0,02 por litro de combustível.
Gás de cozinha
O governo também direcionou seu olhar para a segurança energética no que diz respeito ao gás de cozinha, o GLP.
A MP autorizou uma subvenção de R$ 850,00 para cada tonelada de GLP importado, o que representa cerca de R$ 11 por botijão de 13 kg. A ação visa equiparar o preço do combustível importado ao produzido no país. De acordo com o Vermelho, a estimativa é de um investimento na soberania energética de R$ 330 milhões por dois meses iniciais.
Setor aéreo
O governo ainda anunciou um decreto que zera o PIS e o Cofins sobre o combustível de aviação. A estimativa é de uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível ao custo de R$ 100 milhões por mês. Já as tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira de abril a junho serão pagas pelas companhias aéreas somente em dezembro.
Além disso, para garantir que as companhias que atuam no país sejam menos impactadas e, com isso, encareçam as passagens aéreas, o presidente assinou uma MP com duas linhas de crédito para o setor, com valor total que chega a R$ 9 bilhões.
Na primeira linha de crédito, são até R$ 2,5 bilhões por mutuário via Bndes para reestruturação financeira. Na segunda linha, será destinado R$ 1 bilhão a capital de giro de seis meses com garantia da União.
Por fim, o governo agravou as penalidades para postos e distribuidoras que se aproveitam de conflitos geopolíticos ou de calamidade para elevar preços, bem como enviou um Projeto de Lei ao Congresso para coibir preços abusivos na legislação penal, o que pode resultar em prisão de até 5 anos.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações contundentes sobre possíveis ataques à infraestrutura civil do Irã, incluindo a rede elétrica, refinarias e plantas de dessalinização.
Em postagens realizadas no dia 2 de abril de 2026 na rede social Truth Social, Trump sugeriu ações diretas contra essas instalações, intensificando as tensões entre os dois países.
Um relatório do Atlantic Council, think tank baseado nos EUA, analisou as consequências de tais medidas e apontou que os impactos militares seriam limitados, enquanto os danos humanitários atingiriam níveis catastróficos para a população iraniana.
O documento, divulgado no dia 5 de abril de 2026, detalha que ataques à infraestrutura hídrica do Irã poderiam desencadear uma crise imediata de doenças, fome e sede entre civis.
A destruição de plantas de dessalinização, por exemplo, não apenas afetaria o Irã, mas também desestabilizaria toda a região do Golfo.
Países vizinhos que dependem fortemente da dessalinização para o fornecimento de água potável enfrentariam escassez severa em questão de dias caso o conflito escalasse.
O relatório sublinha que mais de 80% da água consumida em nações como Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos provém dessas tecnologias, o que tornaria a região vulnerável a um colapso hídrico em meio a hostilidades.
O estudo argumenta ainda que atacar a infraestrutura de energia e água do Irã não traria vantagens estratégicas significativas para os Estados Unidos.
Pelo contrário, tais ações poderiam intensificar a desconfiança global em relação às políticas americanas e prolongar o conflito no Oriente Médio.
A análise aponta que a destruição de instalações civis tenderia a unir a população iraniana contra um inimigo externo, fortalecendo a resistência nacional em vez de debilitá-la.
Especialistas citados no relatório, como o analista de segurança regional Jonathan Panikoff, reforçam que o custo humano de tais ataques seria desproporcional a qualquer ganho tático.
As declarações de Trump reacendem um longo histórico de atritos entre Washington e Teerã, agravados desde a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã em 2018.
Enquanto os Estados Unidos frequentemente justificam suas ações como defesa da segurança internacional, críticos apontam para a contradição de uma política que, na prática, tem ignorado o direito internacional humanitário ao ameaçar alvos civis.
A proteção de infraestruturas essenciais, como redes de água e energia, é um princípio básico de convenções globais, frequentemente desrespeitado em conflitos envolvendo potências ocidentais, como se observa nas operações americanas no Iraque e no apoio a campanhas em Gaza.
A comunidade internacional acompanha os desdobramentos com preocupação, especialmente diante do potencial de uma escalada que poderia envolver outros atores regionais, como Israel e forças aliadas no Líbano e no Iêmen.
O relatório do Atlantic Council também destaca que a interrupção de refinarias iranianas poderia gerar um aumento abrupto nos preços globais de petróleo, afetando economias distantes do conflito.
Para mais informações sobre a análise completa, consulte o documento original no site do Atlantic Council.
Enquanto as ameaças de Trump continuam a ecoar, analistas temem que a retórica beligerante dos EUA, frequentemente mascarada como defesa da democracia, ignore as consequências devastadoras para milhões de civis.
A história recente, incluindo o apoio americano a operações que resultaram na morte de jornalistas e ativistas no Oriente Médio, expõe a contradição de um discurso que prega valores humanitários enquanto promove ações de impacto devastador.
*Sputnik Globe
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Entrevistas com Sergio Amadeu e Ergon Cugler revelam como soberania digital virou questão de segurança nacional em conflito que testa multipolaridade tecnológica
O conflito no Oriente Médio entrou em uma nova fase que transcende trincheiras e mísseis: a disputa pelo controle das infraestruturas digitais que sustentam a guerra moderna. Enquanto o Irã aprimora sua capacidade de ataque com precisão inédita, especialistas apontam para uma mudança estratégica fundamental — a adoção do sistema de navegação por satélite BeiDou, da China, em substituição ao GPS norte-americano.
Em entrevistas ao Portal Vermelho, o sociólogo Sergio Amadeu, professor da UFABC, especialista em tecnologia da informação e comunicação, e Ergon Cugler, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa, conselheiro da Presidência da República e especialista em gestão pública, analisam como a soberania digital deixou de ser tema técnico para se tornar questão de segurança nacional.
Big Tech como alvo militar legítimo
O sociólogo Sérgio Amadeu
Para Sergio Amadeu, a guerra contemporânea exige repensar o papel das corporações tecnológicas. “Enquanto cultuamos as Big Techs e colocamos dados das universidades e dos governos nessas corporações, o Irã declarou que elas são alvos militares legítimos”, afirma. A estratégia iraniana não é apenas retórica: AWS, Oracle e Microsoft foram efetivamente alvejadas por participarem, direta ou indiretamente, dos esforços de guerra de Israel e Estados Unidos.
Amadeu destaca que o Irã desenvolveu capacidades próprias — drones, mísseis, indústria de defesa — e utiliza táticas assimétricas inteligentes. “Eles utilizaram diversas armadilhas, tais como mísseis e drones sem ogivas para que fossem abatidos por armas de interceptação que custam milhões de dólares”, explica. Enquanto Washington gasta fortunas em sistemas de defesa, Teerã esgota recursos adversários com operações de baixo custo.
Da nuvem ao campo de batalha: a guerra é também digital
O especialista em gestão pública Ergon Cugler Ergon Cugler expande o assunto: “Quem acha que a guerra passa apenas por tanque de guerra e fuzil tá vivendo no século passado”. Para o pesquisador, as disputas de um mundo multipolar e supertecnológico acontecem também na “nuvem” — não a metáfora etérea, mas datacenters em subsolos globais conectados por cabos submarinos.
A dependência tecnológica tornou-se vulnerabilidade estratégica. Cugler lembra que, durante tensões comerciais, Donald Trump chegou a ventilar a ideia de retirar o acesso do Brasil ao GPS. “Teve gente que disse que era mentira, mas o fato é que a gente ficou refém de uma decisão política que Donald Trump poderia sim tomar a qualquer momento”, alerta.
BeiDou: o fim do monopólio americano?
O sistema BeiDou, lançado pela China em 2020, representa uma alternativa concreta ao GPS. Com 45 satélites — contra 24 do sistema americano —, o BeiDou oferece precisão de menos de um metro para usuários autorizados e recursos avançados de anti-interferência, como salto de frequência e autenticação de mensagens de navegação.
Segundo analistas, o Irã teria assinado um memorando de entendimento para integrar o BeiDou à sua infraestrutura militar já em 2015, acelerando a transição após a Parceria Estratégica Abrangente Sino-Iraniana de 2021. A conclusão da migração, em junho de 2025, coincidiria com o salto de precisão observado nos ataques iranianos.
Em ambientes contestados, onde sinais podem ser bloqueados ou falsificados, depender de uma única constelação é risco estratégico.
Soberania digital como moeda de poder
Para Cugler, a tecnologia em um mundo multipolar “deixa de ser apenas um ativo qualquer e se torna inclusive moeda de troca do chamado soft power”. Países que controlam infraestruturas digitais podem influenciar, coagir ou pautar comportamentos de nações dependentes.
A resposta global à hegemonia americana já está em curso: a União Europeia desenvolveu o Galileo, a Rússia mantém o Glonass, Índia e China investem em sistemas próprios. “É por isso que pra debater soberania de um país, a gente também precisa debater a chamada soberania digital”, defende Cugler. “Sem ela, se torna impossível conseguir ter qualquer horizonte possível de sair das amarras daqueles que controlam até mesmo as infraestruturas”.
O Brasil na encruzilhada tecnológica
As lições do conflito iraniano ressoam particularmente no Brasil. Enquanto o país debate regulação de plataformas e proteção de dados, a dependência de infraestruturas controladas por potências estrangeiras permanece pouco discutida como questão de segurança nacional.
Amadeu adverte que o Brasil replica vulnerabilidades que podem ser exploradas em cenários de tensão geopolítica. A presença de datacenters de corporações americanas em território nacional, sem contrapartidas de soberania ou controle público, coloca em risco não apenas dados, mas a própria capacidade de decisão autônoma do Estado.
Tecnologia é geopolítica
O uso do BeiDou pelo Irã — se confirmado — não é apenas uma manobra técnica: é um sinal de que a arquitetura tecnológica global está se fragmentando. Em um mundo onde navegação por satélite, nuvem de dados e inteligência artificial definem capacidades militares e econômicas, a soberania digital deixa de ser opção para se tornar imperativo.
Como sintetiza Cugler: “O Irã já deu o recado: não dá pra depender dos Estados Unidos, inclusive pra andar de carro no meio da rua”. Para nações que aspiram a autonomia estratégica, a mensagem é clara: desenvolver capacidades próprias e diversificar parcerias tecnológicas não é mais questão de desenvolvimento — é questão de sobrevivência.
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Em panfleto midiático no youtube, compartilhado com a Veja, coirmã ideológica e sabe-se lá mais o quê, Eduardo faz um gracejo sobre o telequete entre ele e Nikolas, mas, em pura dissimulação, apenas pede voto para Flavio aos eleitores brasileiros que moram nos EUA.
Eduardo correu da raia, não só isso, não tocou no assunto mais grave, que foi a segunda traição de Michelle que, oficialmente, apoia Carol de Toni para o Senado, já havia compartilhado o seu apoio também a Esperidião Amin em detrimento da campanha de Carluxo e, agora, faz o mesmo com Nikolas em meio à guerra entre ele e Eduardo , postando um vídeo em que Nikolas banca o carola para seus eleitores evangélicos e também é o principal reduto de apoiadores de Michelle.
Não se trata de guerra santa, mas de cálculo político e elitoral, deixando claro que, se for preciso, Michelle pisa no pesacoço do varão da família, Jair Bolsonaro, porque está se sentindo grande o suficiente para enfrentar o clã, com Bolsonaro, com tudo e, portanto, tem vida própria, coisa que os quatro filhos de Bolsonaro não têm, porque até para ir ao banheiro pedem permissão o chefe supremo do clã.
O fato é que os novos capítulos dessa família muito “unida” prometem que ela ainda vai lavar muita roupa suja em praça pública pela disputa interna por poder.
A conferir.
*Fotoarte: Metrópoles
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