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Governo Lula anuncia medidas para conter alta dos combustíveis

Pacote mira diesel, gás de cozinha e setor aéreo para conter alta dos preços

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um conjunto de medidas com o objetivo de frear o aumento dos combustíveis provocado pela alta do preço do petróleo no mercado internacional. As ações incluem medida provisória, projeto de lei e decretos voltados principalmente ao diesel, ao gás de cozinha (GLP) e ao querosene de aviação (QAV), além do reforço na fiscalização do setor.

O conjunto de medidas prevê subsídios, isenções de impostos e linhas de crédito para reduzir os custos e evitar que a alta internacional do petróleo pressione ainda mais os preços no Brasil. A estratégia do governo é garantir o abastecimento e minimizar os impactos para consumidores e empresas.

Medidas para o diesel
No caso do diesel, o governo anunciou uma nova subvenção para produtores nacionais, que será somada ao benefício já existente de R$ 0,32 por litro. O novo subsídio será de R$ 0,80 por litro, com custo estimado em R$ 3 bilhões por mês e duração inicial de dois meses, podendo ser prorrogado.

Em troca, os produtores terão que ampliar o volume vendido aos distribuidores e garantir que o desconto chegue ao consumidor final. A medida deve impactar diretamente a Petrobras, principal produtora do combustível no país.

Além disso, será criado um programa conjunto com os estados que prevê subsídio adicional de R$ 1,20 por litro, com custos divididos entre União e governos estaduais. A proposta do Ministério da Fazenda é que a medida fique em vigor até 31 de maio, com custo total estimado em R$ 4 bilhões.

Também foi anunciado um decreto que zera os tributos federais PIS e Cofins sobre o biodiesel, reduzindo o custo do combustível renovável que compõe cerca de 15% do diesel vendido nos postos.

Resistência de distribuidoras
O programa de subsídios enfrenta resistência de grandes distribuidoras, como Vibra, Ipiranga e Raízen, que ainda não aderiram à iniciativa. As empresas alegam preocupação com os limites de preços definidos pelo governo, que podem não cobrir os custos de importação diante da alta do petróleo no mercado internacional.

Por outro lado, Petrobras, Refinaria de Mataripe (Acelen) e outras distribuidoras regionais já demonstraram adesão ao programa. O parque de refino da Petrobras e da Acelen responde por cerca de 70% da produção de diesel no país, enquanto os 30% restantes dependem de importação.

O governo avalia ajustes nos preços máximos para ampliar a adesão das empresas e garantir que o subsídio tenha efeito prático no mercado.

Subsídio ao gás de cozinha
Outra medida importante é a subvenção ao gás de cozinha importado. O governo vai conceder um subsídio de R$ 850 por tonelada de GLP, com custo total estimado em R$ 330 milhões.

Com isso, o gás importado deverá ser vendido pelo mesmo preço do produto nacional. A medida terá duração inicial de dois meses, com possibilidade de prorrogação.

Apoio ao setor aéreo
Para o setor aéreo, o pacote prevê linhas de crédito e redução de impostos sobre o querosene de aviação.

Entre as medidas estão:

  • linha de crédito de até R$ 2,5 bilhões por empresa com recursos do FNAC, voltada à reestruturação financeira
  • nova linha de capital de giro de R$ 1 bilhão com garantia da União
  • isenção de PIS e Cofins sobre o QAV, reduzindo o custo do combustível
  • adiamento do pagamento das tarifas de navegação aérea para dezembro

As ações vêm após o aumento de 55% no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras no início de abril, que elevou a pressão sobre as companhias aéreas.

Reforço na fiscalização
O governo também anunciou medidas para intensificar a fiscalização do setor. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderá interditar postos e estabelecimentos que pratiquem aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, empresários que descumprirem as regras poderão sofrer punições mais severas, inclusive responsabilização individual por abusos.


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Mundo

Vídeo: Trump diz que amanhã “todo o Irã” pode ser “destruído” e que iranianos querem ser bombardeados

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas ameaças contra o Irã ao afirmar que o “país inteiro” pode ser destruído em uma única noite, com a possibilidade de isso acontecer já nesta terça-feira (7).

A ameaça foi feita durante uma coletiva de imprensa, após ele ter dado mais um ultimato ao governo iraniano relacionado ao Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. Trump declarou que “o país pode ser destruído em uma noite, e essa noite pode ser amanhã”.

Trump já havia dado vários prazos ao Irã sobre o estreito, e dessa vez, foi mais direto e agressivo. “Toda a infraestrutura do Irã pode ser destruída rapidamente. Não há nada que eles possam fazer sobre isso. Eles não têm antiáereo, seus radares foram destruídos. Podemos simplesmente acabar com tudo. Eles não têm chance. Podemos fazer isso de forma rápida”, afirmou.

“Eu dei o prazo para o Irã até amanhã. Se não reabrirem o estreito, vamos fazer o que for necessário. E isso pode incluir ataques a todas as suas usinas de energia, pontes, tudo o que seja necessário. O Irã já perdeu. Eles só não sabem ainda”.

Essas ameaças não se limitaram à guerra em curso, mas também incluíram uma série de declarações criminosas. “Os iranianos querem ouvir bombas. Eles querem ouvir as bombas porque eles querem ser livres. Eles ficam irritados quando não ouvem os bombardeios. É isso que eles querem, e vamos dar isso a eles”, disse Trump. DCM.

“Eles não se importam com mais um ataque. Eles querem ser livres e eles sabem que nós somos os únicos que podemos dar isso a eles”.

Em relação à situação do estreito de Ormuz, Trump pressionou o Irã a ceder, alegando que a situação poderia piorar caso o governo iraniano não ceda às exigências de reabertura da via marítima, essencial para o transporte de petróleo. “Se o Irã não abrir o estreito, eles estarão em grande apuros. Pode ser o fim para eles”, completou o presidente dos EUA, sem dar mais detalhes sobre os próximos passos dos EUA caso o Irã não atenda à pressão.

Além disso, Trump também fez referências à recente ofensiva israelense contra o Irã, destacando a importância de ações contundentes. “Os ataques de Israel são apenas o começo. Se o Irã não ceder, os Estados Unidos farão o que for necessário para garantir a paz. Não vamos tolerar mais ameaças ou ações contra nossos aliados. Se o Irã não recuar, vamos destruir suas capacidades militares”, declarou.

O presidente também se referiu ao resgate de pilotos americanos que caíram no Irã, dizendo: “Já fizemos isso várias vezes. O Irã já sabe o que pode acontecer quando tentam atacar nossos homens e mulheres no campo de batalha. Eles sabem que a resposta dos Estados Unidos será devastadora”.

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Mundo

Petróleo dispara com ameaça de Trump ao Irã, expondo risco global criado pela escalada militar

A nova escalada na guerra contra o Irã já produz efeitos diretos na economia global. Após Donald Trump prometer intensificar os ataques, o preço do petróleo registrou um salto expressivo, evidenciando o impacto imediato das decisões militares dos Estados Unidos sobre o mercado internacional.

De acordo com dados divulgados por agências internacionais, o barril do petróleo americano (WTI) disparou 11,4%, chegando a US$ 111,54, enquanto o Brent atingiu US$ 109,03, com forte alta no mesmo movimento .

Mercado reage ao risco — não à economia real

A alta não está ligada a crescimento econômico ou aumento de demanda.

Ela reflete medo de desabastecimento global, provocado diretamente pelas falas de Trump, que indicou novos ataques ao Irã sem apresentar qualquer plano concreto de estabilização da região .

Investidores passaram a precificar:mrisco de ampliação da guerra, interrupção do fluxo de petróleo e bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz

Esse último ponto é central: a região responde por uma fatia estratégica do abastecimento energético global.

Guerra já impacta preços e pressiona economias

O efeito dominó já começou.

Além da alta diária superior a 11%, o petróleo acumula valorização de até 18% na semana, segundo dados de mercado .

Esse movimento tende a provocar: aumento nos combustíveis, pressão inflacionária global e encarecimento do transporte e da produção

Ou seja, a guerra deixa de ser regional e passa a atingir diretamente o bolso da população no mundo inteiro.

Escalada militar alimenta instabilidade

A disparada ocorre em um contexto de intensificação do conflito.

Relatórios recentes indicam que o Irã já respondeu às ofensivas e mantém capacidade de reação, enquanto os EUA ampliam ameaças sem conseguir estabilizar o cenário, segundo o Cafezinho.

Na prática, cria-se um ciclo perigoso: ameaça → reação → mais ameaça

O mercado reage a cada nova escalada

Energia vira arma geopolítica

O petróleo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma commodity.

Ele se transforma em instrumento de pressão geopolítica.

O bloqueio de rotas estratégicas e o risco de ataques a infraestrutura energética ampliam o poder de barganha do Irã e expõem a vulnerabilidade do sistema global — altamente dependente dessas regiões.

O custo da guerra vai além do campo militar

O salto no preço do petróleo escancara uma realidade: decisões militares têm impacto econômico imediato e global.

E, neste caso, a escalada promovida pelos Estados Unidos não apenas intensifica o conflito, mas também amplia a instabilidade nos mercados.

Um conflito que ninguém controla — mas todos pagam

A disparada do petróleo mostra que a guerra já saiu do controle estratégico e entrou no campo do impacto sistêmico.

Não há previsibilidade, não há estabilidade e não há garantia de solução rápida

No fim, o que se vê é um cenário onde a escalada militar produz efeitos concretos:

**inflação, crise energética e pressão sobre economias — enquanto o conflito segue sem desfecho claro.**


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Mundo

“Oriente Médio vai queimar”: Presidente do Parlamento do Irã alerta Trump

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o republicano ameaçar novamente o Irã. Em uma postagem no X neste domingo, 5 de abril, Ghalibaf disse: “Suas ações insensatas estão arrastando os Estados Unidos para um verdadeiro INFERNO para cada uma das famílias, e toda a nossa região vai queimar porque você insiste em seguir as ordens de Netanyahu”, referindo-se ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

A declaração de Ghalibaf surge após Trump novamente exigir a reabertura do Estreito de Ormuz, importante passagem naval que foi fechada pelo regime iraniano em resposta a bombardeios realizados pelos EUA e Israel. Trump, em uma série de mensagens, usou um palavrão para reforçar suas exigências: “Abram o maldito Estreito, seus bastardos malucos, ou vocês vão viver no inferno – ESPEREM PARA VER. Louvado seja Alá”, disse Trump.

Além disso, Trump fez comentários sobre o resgate de dois pilotos de um caça americano abatido no Irã, chamando a operação de “milagrosa”. Um dos pilotos resgatados está gravemente ferido, segundo informações fornecidas pelo republicano. A troca de acusações entre os líderes de ambos os países aumenta a tensão na região, especialmente devido às disputas sobre o controle do Estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo.

Em resposta à retórica de Trump, Ghalibaf reiterou que “a única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e encerrar este jogo perigoso”. O líder iraniano destacou que a postura de Trump não apenas coloca os Estados Unidos em risco, mas também ameaça a estabilidade de todo o Oriente Médio, uma região já fragilizada por conflitos constantes e pela disputa pelo controle de recursos vitais.

A mensagem de Ghalibaf reflete a crescente frustração do Irã com as ações dos EUA, que, segundo o líder iraniano, são alimentadas por interesses externos, como os de Israel. De acordo com o DCM, enquanto a crise continua a se intensificar, a comunidade internacional observa com cautela os próximos passos dos dois países, que estão cada vez mais próximos de um confronto direto.

O governo iraniano tem intensificado ações militares na região do estreito de Ormuz, enquanto os EUA prometem aumentar as sanções e ações se a passagem não for reaberto até terça-feira, dia 7 de abril.

 

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Política

Após pedido do Master, gestão Bolsonaro fez mudanças no INSS que permitiram fraude, diz jornal

Criação de normas específicas para cartão consigando de benefício favoreceu operações do Credcesta

Mudanças nas regras do crédito consignado feitas pelo INSS durante o governo Jair Bolsonaro favoreceram a expansão de um produto financeiro do Banco Master. Documentos indicam que uma das alterações foi publicada apenas 16 dias após o banco solicitar autorização para operar o chamado cartão consignado de benefício. As informações são de Vinicius Sassine, da Folha de S. Paulo.

A medida abriu caminho para o crescimento do Credcesta, produto levado ao banco pelo empresário Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio de Daniel Vorcaro. O cartão combina crédito consignado com serviços adicionais, como descontos em farmácias e assistência funeral, e se tornou peça central nas operações da instituição entre 2022 e 2025.

Criado inicialmente para servidores públicos, o Credcesta passou a alcançar aposentados e pensionistas após a edição de normas específicas pelo INSS. Dados do órgão mostram um crescimento acelerado: os contratos saltaram de cerca de 105 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

A primeira mudança normativa ocorreu em março de 2022, permitindo o uso do cartão consignado de benefício, mas sem detalhar sua operação. Em junho do mesmo ano, após solicitação formal do Banco Master, o INSS publicou uma nova instrução normativa com regras mais específicas, viabilizando na prática o funcionamento do produto.

O aditivo que incluiu o Credcesta no acordo de cooperação com o INSS foi firmado em julho de 2022. A partir daí, o banco foi o primeiro a explorar o novo modelo, ampliando rapidamente sua atuação.

Investigações posteriores levantaram suspeitas sobre a legalidade dessas operações. A atual gestão do INSS aponta irregularidades no modelo, incluindo a possibilidade de cobrança de juros sobre juros e falhas na formalização dos contratos. Por esse motivo, o acordo com o Banco Master não foi renovado.

Em paralelo, a Polícia Federal investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo as apurações, o ex-presidente do INSS, José Carlos Oliveira — que posteriormente adotou o nome Ahmed Mohamad Oliveira — teria atuado de forma estratégica no esquema.

A defesa de Vorcaro afirma que o banco seguiu todas as normas estabelecidas pelo INSS. Já o instituto não respondeu aos questionamentos recentes sobre o caso, e a defesa do ex-gestor não foi localizada.

*ICL


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Mundo

Trump dá 48 horas para Irã aceitar acordo e ameaça com ‘inferno’

Donald Trump, presidente dos EUA, alerta que o “tempo está se esgotando” para que os iranianos aceitem um acordo e alerta que, caso isso não ocorra, Teerã enfrentará o “inferno”.

O recado foi publicado neste sábado nas redes sociais do republicano e num momento crítico para os EUA.

Trump afirmou:

“Lembram quando dei ao Irã dez dias para FAZER UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMIZ? O tempo está se esgotando. 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles. Glória a DEUS! Presidente DONALD J. TRUMP.”

A referência religiosa também passou a fazer parte da narrativa da Casa Branca nos últimos dias, o que levou o Vaticano a alertar que “Deus não escuta” orações para ir a uma guerra.

De fato, em 27 de março e depois de várias modificações em seu ultimato, Trump anunciou que suspenderia qualquer ataque a usinas de energia iranianas por 10 dias a partir daquela data.

Nos bastidores e por meio de diplomatas paquistaneses, o governo norte-americano apresentou um projeto de cessar-fogo, com 15 condições. Nenhuma delas envolvia o fim do regime iraniano.

Teerã rejeitou a proposta, alertando que as exigências eram “excessivas”. Em contrapartida, uma nova oferta foi apresentada pelos iranianos, incluindo um compromisso por parte dos EUA de que não voltariam a assassinar os líderes do regime em Teerã.

ICE contra parentes de autoridades iranianas
Instantes depois do alerta de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que o ICE — a polícia de imigração — havia detido parentes de autoridades iranianas.

“Na noite passada, a sobrinha e a sobrinha-neta do falecido major-general Qasem Soleimani, da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, foram presas por agentes federais após o secretário de Estado Marco Rubio ter revogado seu status de residentes permanentes legais”, anunciou o governo.

“Hamideh Soleimani Afshar e sua filha estão agora sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE)”, disse. “Conforme identificado por reportagens da imprensa e por seus próprios comentários nas redes sociais, Soleimani Afshar é uma defensora declarada do regime totalitário e terrorista do Irã”, alegou.

De acordo com Rubio, enquanto vivia nos Estados Unidos, “ela promoveu propaganda do regime iraniano, celebrou ataques contra soldados e instalações militares americanas no Oriente Médio, elogiou o novo Líder Supremo iraniano, denunciou os Estados Unidos como o “Grande Satã” e expressou seu apoio inabalável à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, uma organização considerada terrorista”.

“Afshar Soleimani disseminou essa propaganda para o regime terrorista do Irã enquanto desfrutava de um estilo de vida luxuoso em Los Angeles, como atestam suas frequentes postagens em sua conta do Instagram, recentemente excluída”, disse.

Além da revogação do status de residente permanente legal de Hamideh Soleimani Afshar e de sua filha, o marido de Afshar também foi proibido de entrar nos Estados Unidos.

No início deste mês, Rubio também revogou o status legal de Fatemeh Ardeshir-Larijani, filha do ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, e de seu marido, Seyed Kalantar Motamedi. Tanto Ardeshir-Larijani quanto Motamedi não estão mais nos Estados Unidos e estão proibidos de entrar no país no futuro.

“O governo Trump não permitirá que nosso país se torne um lar para estrangeiros que apoiam regimes terroristas antiamericanos”, completou.

Momento de crise
O ultimato está sendo dado num momento de crise para os EUA. Nesta semana, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George, e outros dois generais, em meio à guerra com o Irã.

Para completar, dois aviões americanos foram derrubados pelos iranianos, que destacam a eficiência de seus novos sistemas de defesa aérea.

Um dos pilotos foi socorrido. Mas há uma intensa busca por um segundo militar que estaria a bordo. Um dos temores dos americanos é de que, se capturado, esse soldado poderia se transformar em um troféu para o regime iraniano e ser usado como moeda de troca.

O Irã alega ter abatido dois aviões de guerra americanos — um F-15E e um A-10 Warthog. Para o porta-voz da chancelaria iraniana, Ebrahim Zolfaghari, o fato é uma “humilhação” para os EUA e Israel. A derrubada desmente a tese de Trump de que os americanos teriam praticamente “dizimado” o poder militar iraniano. Para Teerã, suas forças ainda “alcançarão o controle total do espaço aéreo do país”.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

China passa EUA na aprovação global em diferença histórica

Pesquisa mostra que aprovação global à China cresce para 36% enquanto a dos EUA cai para 31% em 2025, ampliando distância histórica entre as potências

A aprovação global à China superou a dos Estados Unidos e atingiu seu maior distanciamento histórico, segundo levantamento recente da Gallup, que mostra crescimento da avaliação positiva de Pequim para 36% em 2025, enquanto a de Washington recuou para 31%. Os dados refletem mudanças na percepção internacional sobre as lideranças das duas potências e foram obtidos a partir de entrevistas em mais de 130 países, segundo a CNN Brasil.

A pesquisa da empresa americana de análise e consultoria Gallup, publicada na sexta-feira (3), revela uma inversão significativa na tendência histórica de aprovação global. Enquanto a China registrou avanço de quatro pontos percentuais em relação a 2024, quando tinha 32%, os Estados Unidos sofreram queda acentuada de oito pontos, partindo de 39% no ano anterior.

A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois países representa a maior já registrada desde o início da série histórica, em 2005. Esse cenário reforça a consolidação de uma mudança gradual na percepção global sobre as lideranças internacionais.

O levantamento também comparou outros países. A Alemanha aparece com a maior aprovação mediana em 2025, com 48%, enquanto a Rússia registra 26%, mantendo-se abaixo tanto da China quanto dos Estados Unidos.

A queda da aprovação americana coincide com a mudança política interna nos Estados Unidos, marcada pela transição do governo do democrata Joe Biden para o republicano Donald Trump. A pesquisa aponta que momentos anteriores de liderança chinesa sobre os EUA ocorreram em 2008, durante a crise financeira global, e entre 2017 e 2018, nos primeiros anos do mandato anterior de Trump.

A Alemanha foi o país onde a imagem dos Estados Unidos sofreu a maior retração, com queda de 39 pontos percentuais. Reduções superiores a dez pontos também foram observadas em diversos países europeus, com exceção do Leste Europeu, além do Canadá.

Em contrapartida, a popularidade americana apresentou crescimento em alguns locais, com destaque para Israel, onde houve aumento de 13 pontos percentuais. Países como Kosovo, Israel, Polônia, Albânia e Filipinas demonstram maior alinhamento com Washington.

Já Rússia, Paquistão, Tunísia, Singapura e Hong Kong tendem a avaliar de forma mais favorável a liderança chinesa em comparação à norte-americana, indicando uma divisão geopolítica nas percepções globais sobre as duas potências.

*BdF


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Política

Como a Lava Jato e as privatizações de Bolsonaro afastaram o Brasil da autossuficiência em diesel

Guerra no Irã expôs dependência externa do país, agravada por corte de investimentos e venda de refinarias

A guerra no Irã e a disparada do preço do petróleo no mercado internacional voltaram a expor uma fragilidade estrutural do setor de combustíveis no Brasil. Entre 27 de fevereiro e 31 de março, refinarias privatizadas no governo Jair Bolsonaro elevaram o preço do diesel muito acima da Petrobras. Na Bahia, a Refinaria de Mataripe passou a vender o combustível 64% acima da estatal. No Amazonas, a Refinaria da Amazônia (REAM) chegou a um valor 76% superior.

O impacto imediato no preço ao consumidor ajuda a explicar por que o diesel voltou a protagonizar o debate energético no país, com ameaças de uma nova greve de caminhoneiros, um programa de subvenção e promessas da presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, de tornar o país autossuficiente na produção do combustível em 5 anos.

Diferentemente da gasolina e do gás de cozinha, o diesel segue sendo o principal ponto de vulnerabilidade do abastecimento nacional. Embora o Brasil tenha alcançado a autossuficiência em petróleo, ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome — proporção confirmada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao defender a recomposição da capacidade de refino nacional.

Essa dependência não tende a desaparecer tão cedo, segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo o documento publicado no ano passado, portanto, antes das últimas declarações de Chambriard, mesmo com novos investimentos em refino, o Brasil seguirá sendo um importador líquido de diesel ao longo da próxima década. A projeção é que, em 2035, as importações líquidas do combustível cheguem a 52 mil metros cúbicos por dia, o equivalente a aproximadamente 25% da demanda nacional.

No mesmo documento, a EPE projeta que o país poderá se tornar autossuficiente em gasolina no médio prazo e superavitário em GLP, o gás de cozinha, a partir do fim desta década. O diesel, portanto, não é apenas mais um item da conta dos combustíveis, mas o elo mais frágil de uma cadeia que impacta diretamente transportes, alimentos, inflação e custo de vida.

Para pesquisadores do setor e dirigentes petroleiros ouvidos pelo Brasil de Fato, essa vulnerabilidade não é resultado apenas de oscilações geopolíticas recentes. Ela foi construída ao longo dos últimos anos, com a interrupção de projetos de expansão do refino, a adoção do Preço de Paridade de Importação (PPI), a abertura do mercado para importadores e a venda de refinarias e outros ativos estratégicos da Petrobras.

A justificativa para o atual momento de fragilidade passa por uma linha do tempo que cruza Lava Jato, mudança na política energética, decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e privatizações levadas adiante nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Do projeto de autossuficiência ao aumento da dependência
Embora o Brasil tenha alcançado a autossuficiência em petróleo com a expansão da produção no pré-sal, não conseguiu converter essa posição em autossuficiência na produção de combustíveis, especialmente no diesel.

Segundo o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, o Brasil produz hoje quase 4 milhões de barris de óleo equivalente por dia e exporta cerca de 1,6 milhão de barris diários, com 80% da produção oriunda do pré-sal. Ainda assim, segue importando cerca de um quarto do diesel consumido internamente.

Essa contradição, segundo pesquisadores e dirigentes do setor, se explica pela interrupção de um projeto de expansão do refino que poderia ter reduzido de forma estrutural a dependência externa do país. No Plano de Negócios e Gestão 2014-2018, a Petrobras projetava ampliar sua capacidade de processamento, substituir importações de derivados e se tornar exportadora líquida a partir de 2016. A carteira incluía duplicar a capacidade da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), a implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a construção das refinarias Premium I e II, no Maranhão e no Ceará.

“Se esse planejamento estratégico tivesse sido colocado em prática, nós teríamos hoje a autossuficiência na produção de combustíveis”, argumenta Bacelar.

Para o economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), se o plano tivesse sido mantido, o Brasil poderia ter transformado sua autossuficiência em petróleo em autossuficiência em combustíveis. O diesel, porém, ficou para trás justamente no momento em que a expansão do refino foi freada. “A conta está sendo paga agora. A gente poderia ser autossuficiente em combustíveis e não estaria passando por isso”, diz.

A ruptura começa a ganhar forma entre 2014 e 2016, em um contexto de queda do preço do petróleo, avanço da Lava Jato, crise política e mudança na estratégia da Petrobras. Para o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Mahatma Ramos, foi nesse período que se interrompeu um projeto nacional ancorado na segurança e na soberania energética. “A gente tem essa dependência hoje muito pela interrupção de um projeto nacional de desenvolvimento ancorado na segurança e soberania energética”, afirma.

Lava Jato, corte de investimentos e mudança de rota
Em junho de 2015, a Petrobras reduziu em 37% os investimentos previstos para os anos seguintes e anunciou um amplo programa de venda de ativos. Na prática, isso significou frear o projeto de expansão do refino. As refinarias Premium I e II foram abandonadas, o Comperj foi redimensionado e a ampliação da Refinaria Abreu e Lima ficou para depois.

O avanço da Operação Lava Jato coincidiu com a paralisação de grandes obras da Petrobras e com o enfraquecimento de setores industriais ligados ao petróleo. Para Mahatma Ramos, a operação não atingiu apenas a estatal, mas uma cadeia produtiva inteira. “O que a gente observou com a Lava Jato foi um desmonte, por exemplo, da indústria naval no Brasil”, afirma.

Foi nesse ambiente que a Petrobras passou a deixar em segundo plano o projeto que buscava ampliar a produção nacional de combustíveis. A empresa seguia aumentando a extração de petróleo com o pré-sal, mas se afastava do objetivo de reduzir a dependência externa de diesel e outros derivados.

“A Lava Jato permitiu esse cavalo de pau de uma empresa que investia para uma empresa que apenas desinvestiu”, completa o economista Eric Gil Dantas.

PPI, Cade e a abertura do mercado
A mudança de rumo não ficou restrita ao corte de investimentos. Em 2016, já no governo Michel Temer, a Petrobras adotou o Preço de Paridade de Importação (PPI), política que passou a alinhar os preços dos combustíveis aos preços internacionais do petróleo em dólar, além de variáveis como frete e seguro. A justificativa era abrir espaço no mercado brasileiro para novos agentes no mercado e reduzir o risco de desabastecimento.

Para Eric Gil Dantas, a promessa de que a concorrência derrubaria os preços nunca fez sentido no caso do refino. “O mercado de combustíveis é muito mais complexo do que esse blá-blá-blá liberal de que, com mais agentes, os preços cairiam”, afirma. Segundo ele, refinarias são estruturas pensadas para abastecer mercados regionais e não operam em lógica de concorrência direta, como se uma pudesse simplesmente surgir ao lado da outra para disputar consumidores.

A nova política de preços criou as condições para que importadores passassem a disputar espaço com a Petrobras e pressionassem por mudanças mais profundas no setor. Foi nesse contexto que a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), criada em 2017, recorreu ao Cade para enfraquecer o poder de precificação da estatal e abrir caminho para a venda de refinarias. “O Cade foi um mecanismo utilizado pela Abicom e pelo Paulo Guedes para forçar, entre aspas, a privatização dessas refinarias”, afirma, fazendo referência aos esforços privatistas do governo de Jair Bolsonaro.

O acordo firmado entre Petrobras e o Cade em 2019, governo Bolsonaro, previa a venda de oito refinarias. À época, a estatal detinha cerca de 98% da capacidade nacional de refino, e o Cade defendia que a alienação dos ativos estimularia a concorrência regional. Na prática, porém, o que se viu foi a formação de monopólios privados em mercados já estruturados em bases territoriais.

“Quando se privatizou, você criou monopólios privados naquelas regiões”, resume Dantas. Na Bahia, a Refinaria Landulpho Alves, rebatizada de Mataripe, passou ao controle do grupo Mubadala. No Amazonas, a Reman virou REAM sob comando da Atem. Em vez de mais competição, o país passou a conviver com refinarias privadas mais expostas ao mercado internacional e menos dispostas a amortecer choques de preço.

“Essas refinarias que faziam parte da holding da Petrobras foram transformadas em empresas subsidiárias e posteriormente vendidas sem aprovação do Congresso”, afirma. Na avaliação do pesquisador, foi assim que a estatal começou a ser “desmanchada por partes”.

Esse processo também abriu espaço para a explosão das tradings importadoras de combustíveis. Segundo Deyvid Bacelar, antes do golpe de 2016, havia cerca de 70 empresas desse tipo operando no país. No governo Bolsonaro, esse número chegou a quase 600. A nova configuração consolidou um mercado mais dependente de importações, mais sensível à volatilidade externa e menos controlado pela Petrobras.

No mesmo período, a Petrobras se desfez de ativos considerados estratégicos para o abastecimento, como a BR Distribuidora, a Liquigás e parte relevante da infraestrutura de transporte de gás. Para Mahatma Ramos, o efeito combinado dessas decisões foi ampliar a vulnerabilidade do país a oscilações externas e reduzir a capacidade do Estado de coordenar a cadeia de combustíveis do poço ao consumidor.

Em vez de uma empresa integrada, o país passou a ter uma cadeia mais fragmentada, mais dependente do setor privado e mais exposta às decisões do mercado internacional. “Você cria um mercado mais dependente do exterior e mais exposto às oscilações internacionais”, resume Bacelar.

Retomada do refino tenta reduzir a dependência de diesel
Foi esse processo de desinvestimento, privatização e fragmentação da cadeia de combustíveis que aprofundou o déficit brasileiro no refino de diesel. Enquanto ampliava a produção de petróleo, o Brasil reduzia ou adiava investimentos em capacidade de processamento, vendia ativos estratégicos e abria mais espaço para importações. Segundo especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, o resultado foi um descompasso que ainda marca o setor: o país exporta óleo cru em grande escala, mas segue sem refinar internamente todo o diesel de que precisa.

A reação a esse quadro começou a ganhar forma no terceiro governo Lula. A Petrobras retomou investimentos no parque de refino, elevou o fator de utilização das refinarias e voltou a apostar em obras que haviam sido deixadas para trás, como a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o desenvolvimento do Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A estatal também vem modernizando unidades já em operação para ampliar a produção de diesel de baixo teor de enxofre.

A mudança de rumo aparece também no discurso da direção da empresa. Nesta semana, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a companhia estuda perseguir a autossuficiência em diesel nos próximos cinco anos, justamente para reduzir a exposição do país a choques geopolíticos. Dias depois, Lula afirmou ter interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia, sob o argumento de que a unidade produz menos do que poderia e precisa voltar a ter papel mais relevante no abastecimento nacional. Ele também já manifestou o mesmo em relação à Ream, no Amazonas.

Para Deyvid Bacelar, a reconstrução exigirá mais do que retomar obras pontuais. “Você desmonta um sistema ao longo de anos e não consegue reconstruir isso de uma hora para outra.”

Entre segurança energética e transição, o país disputa seu futuro
A tentativa de recuperar a capacidade de refino ocorre em meio a outra disputa estratégica: a da transição energética. Para Mahatma Ramos, o Brasil não perdeu a condição de liderança relativa nesse debate, porque já tem uma matriz elétrica mais limpa do que a maior parte do mundo e acumulou experiência em biocombustíveis e outras rotas de baixo carbono. O problema, segundo ele, é que a transição não avança em linha reta nem substitui, no curto prazo, a necessidade de garantir abastecimento e segurança energética.

A alta recente do petróleo ajuda a explicar esse impasse. De um lado, encarece combustíveis, pressiona a economia e reforça a urgência de alternativas menos dependentes dos fósseis. De outro, aumenta a rentabilidade do próprio setor petrolífero e estimula novos investimentos em exploração, produção e refino. “O que a gente vai observar nas próximas décadas é um avanço paralelo dessas duas geopolíticas”, diz Ramos, referindo-se à permanência do petróleo como ativo estratégico e ao crescimento das energias renováveis.

*BdF


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Política

Caso Master: ex-chefe do BRB deu aval para financiar mansão de Flávio Bolsonaro

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco, investigado por rombo bilionário no caso Master, aprovou contrato milionário do imóvel onde mora o senador

A queda de Paulo Henrique Costa da presidência do Banco de Brasília (BRB), em novembro de 2025, encerrou um dos ciclos mais controversos da instituição. Indicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) em 2019, Costa atravessou o governo de Jair Bolsonaro como um aliado estratégico, mas sucumbiu à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Investigado por fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, o ex-executivo deixa um rastro de prejuízos ao erário e a digital no financiamento que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, adquirir uma mansão cinematográfica na capital federal.

O aval para o “herdeiro” e as taxas de ocasião

Em 2021, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul. A mansão, de 2.400 m², foi financiada com taxas nominais entre 3,65% e 3,71% ao ano (mais IPCA) — valores que, na época, eram impraticáveis para o cidadão comum sem conexões políticas.

Embora o banco tenha classificado a operação como “taxa de mercado”, o financiamento exigiu o aval direto da diretoria colegiada presidida por Costa. Apadrinhado por Ibaneis Rocha, Costa chegou a ser cogitado para a vice-presidência do Banco do Brasil — ideia abortada para evitar que o escândalo da mansão respingasse na vitrine do governo federal.

O “operador” e a sombra das rachadinhas

A origem dos recursos para a manutenção desse patrimônio remete ao papel de Fabrício Queiroz. Policial militar reformado e amigo de Jair Bolsonaro desde a década de 1980, quando serviram juntos na Vila Militar, Queiroz tornou-se o braço direito da família. O ex-assessor é apontado pelo Ministério Público como o “operador financeiro” de um esquema de peculato (a rachadinha) no antigo gabinete de Flávio na Alerj. Queiroz coordenava a coleta de salários de assessores e gerava um fluxo de dinheiro vivo que, segundo os promotores, servia para pagar despesas pessoais da família e irrigar transações imobiliárias.

Segundo as investigações do Ministério Público, o esquema funcionava através de um ciclo de valorização artificial: Flávio adquiria imóveis por valores subfaturados na escritura, pagando a “diferença” por fora com o dinheiro vivo arrecadado por Queiroz, para depois revendê-los pelo preço real de mercado. De acordo com o Vermelho, os investigadores acreditam que essa manobra permitiu que, entre 2010 e 2017, o senador registrasse um lucro oficial de cerca de R$ 3 milhões em 19 salas e apartamentos, “limpando” o dinheiro da rachadinha dos funcionários da Alerj sob a aparência de ganho imobiliário. Atualmente, Queiroz ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública em Saquarema (RJ), nomeado em janeiro de 2025 pela prefeita Lucimar Vidal (PL), mantendo-se abrigado em uma prefeitura controlada pelo partido do clã.

Quitação antecipada: seis parcelas atípicas

Em julho de 2024, após o STF consolidar as decisões que anularam as provas do caso das rachadinhas por questões processuais (o que não significa inocência, mas incapacidade técnica de usar os dados bancários), Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento.

Candidato a delator premiado

A demissão de Costa em 2025 decorre da descoberta de que o BRB adquiriu carteiras de crédito consignado do Banco Master sem lastro real, gerando um rombo bilionário. O cenário se agrava com a Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis. Os investigadores analisam se fundos ligados ao Master e à Reag Investimentos foram usados para escoar capital ilícito através do banco gerido por Costa.

Paulo Henrique Costa vive hoje o isolamento dos investigados. O BRB, sob nova gestão, cobra dele R$ 978 mil em empréstimos pessoais. Assim como Daniel Vorcaro, do Banco Master, Costa agora busca fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. O temor nos bastidores do PL e do centrão é que, para salvar a própria pele, o ex-presidente do BRB detalhe como a máquina do banco público foi moldada para servir aos interesses privados de aliados do clã bolsonarista.


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