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PF monitorou fim da data de permanência legal de Ramagem nos EUA para ação de prisão

PF fez trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que acompanhou os dados de Ramagem nos EUA

A coluna de Juliana Dal Piva, no ICL, apurou que a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos ocorreu após um trabalho de meses da Polícia Federal desde que Ramagem fugiu em setembro. Um dos pontos centrais para que a ação se desdobrasse nesta segunda-feira foi verificar quando vencia o período de permanência legal do ex-deputado nos EUA com o visto B1B2, o visto de turismo e negócios utilizado por ele para entrar na Flórida.

Além disso, a PF fez um trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que estava atuando nos EUA e acompanhando os dados de Ramagem. Ele foi preso nesta segunda-feira (13) por agentes do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, na Flórida, onde permanecia desde que deixou o Brasil em 2025.

O ex-diretor-geral da Abin teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, após ser condenado no processo da trama golpista em 11 de setembro.

Após fugir do Brasil, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou nos EUA no dia 11 de setembro, o que demonstra que ele decidiu deixar o país antes mesmo de ser condenado. A PF já apura o caso desde o início de outubro.

Além disso, investigadores já identificaram que Ramagem iniciou sua fuga em Brasília a partir de um voo para Boa Vista, em Roraima, no dia 9 de setembro. O trajeto entre Boa Vista e a Guiana foi feito via terrestre. Nos dias seguintes, tanto ele como a mulher, Rebeca, passaram a postar imagens juntos para disfarçar o paradeiro do deputado. Por isso, antes dela viajar aos EUA, Rebeca foi alvo de busca pessoal e teve celulares apreendidos no aeroporto.

Em nota, a Câmara informou que não foi autorizada missão oficial no exterior para o deputado Ramagem, tampouco houve comunicação à presidência da Casa de afastamento do parlamentar do território nacional.

A Casa também declarou que o deputado apresentou atestados médicos nos períodos de 9 de setembro a 8 de outubro; e de 13 de outubro a 12 de dezembro. Ramagem integrava o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, ao lado de outras sete pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão e o ministro Alexandre de Moraes também determinou esta semana a perda de mandato parlamentar de Alexandre Ramagem.

A esposa do deputado, Rebeca Ramagem, chegou a publicar, no domingo (23), nas redes sociais, que a família viajou para Miami por “proteção”, alegando enfrentar “perseguição política desumana”.


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Brasil Mundo

O ex-deputado bolsonarista, Alexandre Ramagem, tomou um peguei do ICE de Trump nos EUA

Alexandre Ramagem, preso pelo ICE, como é sabido, entrou nos EUA com documentos falsos e com a ajuda de garimpeiro.

Uma família ligada ao garimpo, certamente, ilegal, armou a fuga do bolsonarista que permanecia em Miami.

Na verdade, esse é o segundo bolsonarista laçado e encarcerado pela polícia em quatro dias.

Bastou o sujeito entrar na lista da Interpol, que o serviço de imigração de Trump o abocanhou.

Ramagem, bolsonarista de carteirinha, foi condenado a 16 anos pelo STF por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado democrático de direito, trama golpista e organzação criminosa.

Ou seja, aquele todo poderoso ex-delegado da PF, ex-diretor da Abin e ex-deputado do PL, foi preso neste 13 de abril, nos EUA, terra sagrada para os bolsonaristas raiz.

Ao invés de se entregar, o sujeito fugiu do Brasil à francesa pela fronteira de Roraima com a Guiana, usando passaporte diplomático e foi parar nos EUA. Ele já estava com mandado de prisão no Brasil.

O ICE o prendeu por questão de imigração, por irregularidade. Agora, ele deve estar em algum centro de detenção do ICE, e a justiça brasileira tentará acelerar sua extradição.

Os bolsonaristas estão p… da vida com mais essa prisão de golpista que, segundo eles, Ramagem havia pedido asilo e dará ruim para os EUA se o país entregá-lo para a justiça brasileira.

Os petistas estão se refestelando nos memes, mostrando Ramagem como um vira-lata sendo chutado por Trump.

Seja como for, a maré anda tosca para a direita brasileira. Se antes, andava de lado como caranguejo, esse episódio com Ramagem, que simboliza a própria imagem do pai de Flavio Bolsonaro, somado à derrota de Trump para o Irã e da extrema direita com Órban na Hungria, a extrema direita brejeira vai pe4rdendo o chão aqui na terrinha.

É muito ídolo indo para o saco ao mesmo tempo. Não há fanatismo possível´para tamanho revés.


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Mundo

Trump disse que outros países o ajudariam a bloquear o Irã, até agora ninguém se manifestou

No domingo (12 de abril de 2026), após o fracasso das negociações de paz com o Irã em Islamabad, Trump anunciou que a Marinha dos EUA iniciaria um bloqueio naval no Estreito de Ormuz (e em portos iranianos). Ele afirmou que outros países ajudariam os EUA nessa operação, dizendo coisas como “numerosos países vão nos ajudar” e mencionando que o Reino Unido e “alguns outros” enviariam navios varredores de minas.

Até agora, a resposta dos aliados tem sido fria ou negativa: Reino Unido (primeiro-ministro Keir Starmer): Declarou explicitamente que não apoia o bloqueio dos portos iranianos.

Vários aliados da OTAN e outros (como Alemanha, Espanha, Itália, Austrália, Coreia do Sul e Japão) já haviam recusado pedidos anteriores de Trump para enviar navios de guerra ou ajudar a “policiar” o estreito, citando que “não é nossa guerra” ou falta de objetivos claros.
aljazeera.com

Até o momento (13 de abril), não há confirmações públicas de países se juntando ao bloqueio anunciado por Trump. Muitos estão cautelosos com o risco de escalada, impacto nos preços do petróleo e possível confronto direto.

Trump tem pressionado aliados há semanas para formar uma coalizão no Estreito de Ormuz (que transporta cerca de 20% do petróleo mundial), mas a resposta tem sido morna. Ele já criticou a OTAN por isso e chegou a sugerir punições para quem não ajudar.

O Irã fechou ou dificultou o estreito em resposta a ataques anteriores dos EUA e Israel. Trump agora quer impedir que o Irã lucre com “pedágios” ou óleo, mas o bloqueio unilateral dos EUA pode aumentar ainda mais os preços globais de energia e criar tensões diplomáticas (inclusive com China, grande compradora de petróleo iraniano).

Resumindo, Trump disse que teria ajuda, mas até agora ninguém se manifestou publicamente a favor do novo bloqueio. Os aliados parecem preferir evitar se envolver diretamente nessa escalada.

A conferir os próximos capítulos.


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Política

Datafolha mostra que o bolsonarismo faliu

A era Bolsonaro acabou e bolsonaristas estão órfãos

O Datafolha escancarou o problema da direita, tem voto, mas não tem nome. Pode ser Flavio, Caiado ou Zema, todos têm percentuais idênticos no segundo turno. Todos são postes sem luz e batem no memso teto no segundo turno contra Lula.

A direita tem eleitor, mas não tem candudato.

O primogênito do genocida não empolga ninguém, nem mercado, nem evangélicos, nem o pasto.

Na verdade, está cada vez mais imaginável ver o apoio decisico de pastores a Flavio, Zema e Caiado, os três são uma espécie de esvazia templo, espanta evangélicos. Por isso a direita está em pânico.

O fato é que Bolsonaro concentrou em si a própira imagem da direita. Inelegível e preso, a direita não tem plano B que emplogue, tanto faz ser Ze Mané, Joaquim miliciano ou Tião escravocrata, essa turma não dá caldo, mesmo que o banqueiro financie suas campanhas, o retorno não vem sem um nome de peso.

A direita está na mesma situação de um jogador quebrado ou suspenso, o resto do time não sabe jogar, que fará fazer gol.

A tendência é ver o desespero pela anistia de Bolsonaro se agigantar, porque o Datafolha tem três candidatos para enfrentar Lula, mas não tem nenhum que repre4esente qualquer via, que fará a terceira.

Não dá tempo do  Jornal Nacional fabricar candidto, eles próprios se engessaram, por isso a direita está surtada a ponto de Flavio, em vídeo, reviver a tragédia da fome no goveno de seu pai, chamando a população de idiota, acusando Lula daquela tragédia que aconten durante todo o governo do seu pai.

Ou seja, é barba, cabelo e bigode às avessas. Os três candidatos da direita não formam um nome.

Sem Bolsonro, o bolsonarismo derreteu e o bolsonarista está igual a v-lata que cai do caminhão de mudança e segue acompanhando qualquer um que lhe faça festinha, mas que não empolga, menos ainda alimenta esperança de vitória pela própria sobrevivência da direita.


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Mundo

Chineses sobre Trump: ‘Cães ladram por medo’

Pequim vê agressividade do governo americano no mundo como sinal de decadência, mas enfrenta seus próprios dilemas estruturais e sabe que EUA não cederá lugar sem disputa

O Vento e Sol disputavam quem era o mais poderoso e um eterno debate precisa acabar. Foi estabelecido, assim, que uma competição seria oficialmente realizada para colocar fim ao impasse. O critério era simples: quem conseguisse retirar a roupas dos seres humanos seria declarado como o mais forte.

O Vento foi o primeiro. Soprou de forma violenta, causando caos e destruição. Soprou e soprou. Apesar da agressividade e de seu impacto indiscutível, apenas conseguiu arrancar partes das roupas das pessoas.

Chegou a vez do Sol, que teve apenas de existir para iniciar sua participação na competição. Naquele dia, seu calor irradiado foi suficiente para que todos optassem por se despir. Estava decretado o vencedor.

Percorrendo a China nos últimos dias, foi assim que observadores me explicaram o cenário quando questionei como viam a disputa entre eles e os EUA pela hegemonia no século 21. A ordem entre os chineses é a de buscar ter influência sem repetir a atitude de violência dos “ventos americanos”.

Oficialmente, o governo em Pequim insiste que não quer imitar o modelo de europeus e americanos dos últimos 300 anos, como hegemonias globais. Seja por meio de colônias ou por uma ingerência constante em assuntos domésticos de países, incluindo o assassinato de líderes estrangeiros e golpes de estado.

Mas, fora das conversas oficiais, a constatação é de que todos sabem que o eixo do poder no mundo está rapidamente migrando para a Ásia e que, no novo modelo de influência internacional, a longevidade do poder chinês pelo mundo vai depender da capacidade de construi-la por vias mais sofisticadas que a das invasões e pilhagens.

Também admitem que, cada vez mais, a diplomacia chinesa está adotando uma nova postura, mais ousada e subindo a voz, sempre que for necessário. Por enquanto, pelo menos de forma pública, os ataques públicos por parte de Pequim tem se limitado às potências Ocidentais, com denúncias por parte dos chineses de violações de direitos humanos nos EUA, Canadá e Europa.

Mas mesmo essa atitude apenas passou a ser tomada quando Pequim se deu conta que está, finalmente, em condições de exigir um lugar de absoluto destaque na mesa das potências que definirão as regras do século 21.

Os EUA também sabem disso. Ao assumir o Departamento de Estado, Marco Rubio disse que a China é o maior desafio existencial dos norte-americanos em sua história. Nem a URSS representou tal desafio, mesmo no auge da Guerra Fria. Para Washington, em dez anos, Pequim terá as condições econômicas, políticas e de infraestrutura para decidir o que os EUA podem ou não podem ter acesso no mundo.

A China, de fato, deu uma demonstração dessa ameaça que podem representar quando, em resposta às tarifas dos EUA, Xi Jinping anunciou a proibição de exportação de minérios críticos, um abalo para a indústria de ponta e de defesa americana.

De fato, o próprio Departamento de Estado considera que Pequim poderá ter a capacidade de gerar um desabastecimento global em poucos anos se decidir vetar as vendas de insumos no setor farmacêutico ou de tecnologia.

Parar a China, antes que seja tarde demais
No governo Trump, a ordem é a de criar um cenário internacional no qual seria colocado fim à ideia de uma decadência inevitável dos EUA e uma ascensão imparável da China. Para a Casa Branca, isso precisa ser feito “imediatamente”, antes que seja tarde demais.

Para isso, a escolha foi por gerar uma profunda ruptura na ordem internacional e, portanto, nessa lógica. A estratégia é a de garantir que os EUA reduzam ao máximo sua dependência em relação ao abastecimento chinês, criar acordos para garantir acesso a recursos naturais fundamentais para tecnologia e ao setor militar.

Outro pilar da contra-ofensiva é a de impedir a instalação da China como ator estratégico no que Washington considera como “suas fronteiras”. Ou seja, em todo o continente latino-americano.

Cortar o abastecimento de petróleo para a China também é outra dimensão fundamental da reposta dos EUA à ascensão chinesa. É nesse contexto que Pequim considera que Trump agiu na Venezuela e no Irã.

Um quarto pilar seria ainda estabelecer um arco de aliados que possam “cercar” a China. Isso inclui parcerias com Índia e o Sudeste Asiático.

O problema, segundo os chineses, é que a estratégia usada pelos EUA significará, de forma imediata, a introdução do caos no cenário internacional.

Para Pequim, o governo norte-americano dificilmente atingirá seus objetivos por esse caminho. O primeiro motivo seria o impacto que tal ruptura teria para a própria economia dos EUA, debilitando o dólar e a credibilidade americana como parceiro confiável.

A avaliação é ainda de que, apenas com chantagens, bombas e ameaças, alianças estabelecidas serão frágeis. “São acordos feitos com armas na cabeça. Não planos de mútuo desenvolvimento. Não são alianças, são capitulações”, avaliou uma observadora na China.

De fato, pesquisas mostram uma profunda queda de popularidade internacional dos EUA e da crença do mundo sobre a legitimidade da liderança americana. Segundo um levantamento realizado pela Gallup em 130 países, apenas 31% dos entrevistados ainda considera os EUA como capaz de agir como líder mundial. A China, pela primeira vez, aparece com uma certa distância nesse retrato global. Mas, ainda assim, com apenas 36% de popularidade. Usando a analogia da lenda que me foi contada, o Sol também pode queimar.

Os limites e vulnerabilidades da China
Para os autores do levantamento, isso revela que nem americanos e nem chineses conseguem hoje romper um cenário de desconfiança. De fato, a China tem seus limites. Seu crescimento continua dependente das exportações, por mais que a taxa do mercado internacional tenha sido reduzida no peso da atividade industrial do país.

Ela também continua dependente do consumo de petróleo, ainda que busque alternativas tecnológicas. Basta uma visita à China National Petroleum Company, com seus milhares de funcionários e sua sede imponente, para entender que a história do desenvolvimento chinês está profundamente ligado ao seu abastecimento de energia.

Os profundos problemas de violações de direitos humanos também ainda são passivos que podem ser instrumentalizados pelo Ocidente para fustigar a China no palco global.

A escolha da China, na esperança de dar uma resposta, é se apressa para se apresentar como o vetor de estabilidade global e o parceiro confiável, que aposta no direito internacional.

Por enquanto, porém, a realidade é que o mundo vive um furacão, convencido de que sua violência será capaz de garantir sua influência. “Serão anos de turbulência”, constata um observador em Pequim. Após uma pousa, ele emendou. “Mas não podemos nos esquecer que cães ladram por medo”, completou, entre a fumaça de sua sopa e sua paciência milenar.

*Jamil Chade/Uol


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Mundo

EUA escalam tensão no Golfo e ampliam risco de guerra regional

Ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz expõe contradições de Donald Trump e reforça a desconfiança do Irã diante de uma estratégia considerada agressiva e unilateral

Após o fracasso das negociações de cessar-fogo realizadas em Islamabad, no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana iniciará o bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Trump afirmou que a medida entra em vigor “com efeito imediato”.

A declaração de Donald Trump sobre um possível bloqueio do Estreito de Ormuz representa um salto qualitativo na crise. Trata-se de uma medida que, além de carecer de respaldo no direito internacional, implicaria na interrupção de uma das rotas energéticas mais importantes do planeta — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Ao propor impedir a circulação de navios, Washington assume uma postura de coerção global, afetando não apenas o Irã, mas toda a economia internacional. A medida, na prática, configura uma forma de bloqueio econômico com potencial de desencadear confronto direto.

Contradições na narrativa dos EUA

O discurso norte-americano revela inconsistências evidentes. Ao mesmo tempo em que afirma buscar a “liberdade de navegação”, o governo dos EUA propõe justamente restringi-la. A retórica de combate a uma suposta “extorsão iraniana” contrasta com a própria iniciativa de controle militar de uma via internacional.

Além disso, a insistência no tema nuclear aparece dissociada das negociações concretas. Embora Washington aponte o programa iraniano como foco central, suas ações recentes priorizam pressão militar e econômica, deslocando o eixo diplomático.

China, Rússia e a disputa pela multipolaridade

A ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz não é uma medida isolada, mas parte de uma ofensiva para reconfigurar o mapa de poder no Golfo Pérsico. Ao tentar impedir que o Irã “pedagie” ou condicione o trânsito de embarcações, os EUA buscam, na verdade, garantir que nenhuma potência rival — especialmente China e Rússia — possa usar a rota como instrumento de influência geopolítica.

A presença da China e da Rússia no Oriente Médio tem crescido de forma consistente. Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano e firmou acordos de cooperação de 25 anos com Teerã, incluindo investimentos em infraestrutura e energia. Segundo o Vermelho, Moscou, por sua vez, mantém parcerias militares e tecnológicas com o Irã, além de coordenar posições em fóruns como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai.

Irã reforça soberania e desconfiança

Do lado iraniano, a resposta é marcada pela reafirmação da soberania e pela rejeição a qualquer ingerência externa. Autoridades como Mohammad Bagher Ghalibaf destacaram que a confiança nos Estados Unidos foi definitivamente rompida após sucessivas tentativas frustradas de negociação, segu ndo o Vermelho.

Teerã sustenta que o controle do estreito é uma questão estratégica nacional e rejeita propostas de administração conjunta com potências estrangeiras. A posição iraniana se ancora no argumento de defesa territorial e no histórico de intervenções externas na região.

Apoio internacional e rearranjo geopolítico

A crise também acelera movimentos no tabuleiro internacional. O contato entre Vladimir Putin e o presidente iraniano sinaliza um estreitamento de relações, com Moscou defendendo um cessar-fogo sob termos mais próximos aos interesses de Teerã.

A alegação de que o Irã não teria legitimidade para controlar ou condicionar o fluxo de navios no Estreito de Ormuz ignora elementos fundamentais do direito internacional:

Esse alinhamento indica que a escalada promovida pelos EUA pode fortalecer blocos alternativos, aprofundando divisões geopolíticas e reduzindo o espaço para soluções multilaterais.

Legitimidade do Irã: soberania, defesa e direito internacional

  • Soberania territorial: O Estreito de Ormuz é formado por águas territoriais e zonas econômicas exclusivas do Irã e de Omã.
  • Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), Estados costeiros exercem soberania sobre suas águas territoriais, podendo regular a passagem de embarcações, desde que respeitado o direito de passagem inocente.
  • Medida defensiva legítima: O fechamento do estreito pelo Irã foi uma resposta a mais de 40 dias de ataques militares dos EUA e Israel, que incluíram bombardeios a infraestrutura civil, assassinato de autoridades e tentativa de desestabilização do regime. Trata-se, portanto, de medida de autodefesa perante agressão armada, amparada pelo Artigo 51 da Carta da ONU.
  • Ilegalidade do bloqueio estadunidense: Ao contrário da ação iraniana, o bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA ao Irã viola frontalmente o direito internacional. Sanções unilaterais com efeito extraterritorial, ameaças de uso da força e interceptação de navios em águas internacionais configuram atos de agressão, não de legítima defesa.
  • Proporcionalidade e seletividade: O Irã não interditou indiscriminadamente o estreito, mas condicionou a passagem ao pagamento de “pedágios” ou ao respeito a regras de segurança — prática comum em rotas marítimas sob jurisdição nacional. Já os EUA anunciam interceptar “todas as embarcações que tenham pago pedágio ao Irã”, criminalizando atos legítimos de comércio e navegação.

Resistência soberana contra cerco imperialista

A disputa pelo Estreito de Ormuz não é, portanto, uma questão técnica de liberdade de navegação, mas um capítulo central da luta pela reconfiguração da ordem mundial. De um lado, o imperialismo estadunidense, em declínio relativo, recorre à força militar e ao controle de rotas energéticas para conter rivais e manter hegemonia. De outro, o Irã — aliado estratégico de China e Rússia — exerce seu direito soberano de defender seu território e seus interesses nacionais.

A legitimidade da ação iraniana reside precisamente nisso: não se trata de “extorsão”, como alega Trump, mas de resistência legítima a um cerco ilegal. Enquanto os EUA ameaçam bloquear uma rota vital para o comércio global, o Irã reafirma que a soberania sobre suas águas não é negociável sob coerção.

Risco de guerra ampliada

A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz não apenas intensifica a crise atual, mas eleva o risco de um conflito de maiores proporções. Ao optar por medidas de força em detrimento da diplomacia, Washington contribui para um cenário de instabilidade prolongada.

Nesse contexto, a postura iraniana — centrada na defesa de sua autonomia e na resistência à pressão externa — ganha respaldo entre países que veem na ação dos EUA uma repetição de padrões intervencionistas. O impasse, longe de se resolver, aponta para uma escalada cujas consequências podem ultrapassar a região do Golfo.


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Política

Para criticar Lula, Flávio Bolsonaro usa vídeo de pessoas catando comida, mas no governo do pai

Vídeo exibe cenas de pessoas recolhendo alimentos de um caminhão de lixo, originalmente divulgadas em 2021

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou neste domingo (12) um vídeo nas redes sociais em que critica o governo Lula e afirma haver um cenário de agravamento da crise econômica no país. Na gravação, ele menciona o endividamento das famílias brasileiras e o aumento do custo de vida, argumentando que muitos cidadãos enfrentam dificuldades para arcar com despesas básicas.

Durante o vídeo, são exibidas cenas de pessoas recolhendo alimentos de um caminhão de lixo, apresentadas como exemplo da situação atual. No entanto, as imagens não são recentes.

As cenas foram originalmente divulgadas em outubro de 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em reportagem que mostrava o aumento da fome no país à época.

A utilização do material fora de contexto gerou críticas nas redes sociais. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o conteúdo divulgado pelo senador é enganoso e acusou a publicação de disseminar desinformação.

Além disso, Flávio Bolsonaro também atribuiu ao atual governo a responsabilidade pelas altas taxas de juros no Brasil, relacionando o cenário econômico às políticas fiscais adotadas.

Especialistas, no entanto, apontam que a taxa básica de juros (Selic) é definida pelo Banco Central, que possui autonomia para tomar decisões com base em diversos indicadores econômicos.

Abaixo, veja o vídeo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em outubro de 2021. “Em mais um retrato do agravamento da fome no Brasil, imagens de pessoas em busca de comida em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE) viralizaram nas redes sociais”, diz o post.

*ICL


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Política

Tarcísio tenta esconder, mas Lula faz novas entregas para a saúde e educação de SP

Presidente Lula destinou R$ 41 milhões ao Instituto do Coração e inaugurou a unidade Tamanduatehy da Universidade Federal do ABC e a sede do Instituto Federal de Sorocaba

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), além de não comparecer a inaugurações de interesse da população paulista apenas por serem realizadas pelo governo do presidente Lula, também tem omitido informações relevantes sobre os investimentos da União no estado.

Nesta sexta-feira (10), por exemplo, Tarcísio não esteve nos anúncios de investimentos e nas inaugurações para a saúde e educação do estado realizadas por Lula. Não se trata de uma disputa de egos, mas sim de pensar na responsabilidade pública e no zelo pelo bem comum com espírito republicano, que o presidente sempre insiste em fomentar.

Investimentos federais em ações para a saúde em SP

Para se ter uma ideia, o governo federal destinou nesta sexta-feira, por uma portaria assinada pelo presidente Lula e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, R$ 41 milhões ao Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM-USP). O valor tem como finalidade o fortalecimento dos serviços de saúde pública no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Planalto, este é o maior investimento já liberado pelo Ministério da Saúde (MS) ao instituto. No entanto, o evento não “mereceu” a representação estadual, oportunidade em que foi inaugurado o Centro de Ensino, Simulação e Inovação (Cesin).

O novo centro amplia em 15% a área total construída do InCor, com cinco andares e oito salas de simulação em cenários reais, sendo concebido para integrar ciência e tecnologia na formação de novos profissionais.

Durante o ato, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente do Conselho Diretor do InCor, Dr. Roberto Kalil Filho, o presidente Lula sancionou o Projeto de Lei (126/2025) que institui o Marco Regulatório da Vacina e dos Medicamentos de Alto Custo contra o Câncer. Já Alexandre Padilha assinou outras três ações fundamentais de aprimoramento para a saúde:

Acordo de Cooperação Técnica do Ministério da Saúde com o Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde da Universidade Estadual da Paraíba para transferência de tecnologia e capacitação de profissionais do SUS;

Termo de adesão do InCor ao programa Mais Médicos Especialistas;
Convênio do MS com o Incor para implantação do Núcleo de Telessaúde e inovação no SUS, no valor de R$ 9 milhões.

Após estar no InCor pela manhã, Lula foi a Santo André, no ABC paulista. Novamente, sem sinal de representantes estaduais, outra fundamental obra foi inaugurada: a unidade Tamanduatehy da Universidade Federal do ABC, no campus Santo André.

O governo federal investiu R$ 155,7 milhões na unidade, em benefício de 3 mil alunos com 402 novas vagas nas áreas de Ciências Naturais e Exatas, de Ciência de Dados, de Biotecnologia e Pedagogia.

“Custa dinheiro? Custa! Mas quanto custa não fazer? A pergunta que temos que fazer é a seguinte: quanto custa não fazer e quanto custa o atraso de um país? É fácil a gente compreender que não existe modelo de país desenvolvido no mundo sem antes ter investimento em educação. É a partir da educação que a gente consegue fazer com que o país cresça”, afirmou Lula durante o ato.

Por sua vez, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, assinou a ordem de serviço para o início das obras da passarela que irá interligar a nova unidade à sede do campus. O investimento é de R$ 15 milhões e faz parte do Novo PAC. Também foi assinada uma ordem de R$ 8 milhões para aquisição de equipamentos para o local.

Na sequência do evento, Lula foi para o interior paulista e inaugurou a sede própria do campus Sorocaba (SP) do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). São mais de 20,6 milhões em investimentos. De acordo com o Vermelho, no local são ofertados 13 cursos de educação profissional e tecnológica com cerca de 1.872 matrículas.

A cerimônia ainda contou com a ordem para um investimento de R$ 8 milhões para a construção de restaurante estudantil, biblioteca, auditório e quadra poliesportiva no campus. O Planalto indica que já foram investidos R$ 557 milhões pelo Novo PAC em melhorias de unidades em funcionamento e para novos campi do Instituto Federal de São Paulo.

Obras em SP bancadas pelo governo Lula

A tentativa de esconder as obras do governo federal em São Paulo já foi motivo de queixa de Lula. Em recente agenda em Araraquara, no interior de São Paulo, o presidente reclamou da falta de reconhecimento por parte do governador do estado.

Conforme o presidente, Tarcísio deveria indicar o que cabe ao governo federal e deu como exemplo moradias do programa Casa Paulista, em que a União coloca R$ 155 mil, pelo Minha Casa, Minha Vida, e o estado R$ 20 mil: “Era só falar isso e depois pode falar mal de mim à vontade, não tem problema nenhum”, disse.

Na ocasião, Lula destacou que o povo de São Paulo é “induzido por um pouco de arrogância de alguns” a achar que não existe pobreza nos seus limites, porém revela que o estado é o que mais recebe recursos do Bolsa Família por conta da imensa periferia da região metropolitana.

Voltando ao tema da falta de reconhecimento, o presidente ressaltou que as grandes obras estaduais têm muito dinheiro e financiamento federal, ao citar o túnel Santos-Guarujá.

“Metade é do governo federal. Nós não estamos fazendo um favor, é obrigação do governo federal. Eu só queria que o governo estadual reconhecesse”, reafirmou Lula.


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Política

Investigação aponta propina de R$ 4 milhões a ex-gestor do BC na gestão Campos Neto

Relatório do Banco Central aponta pagamentos milionários a Belline Santana e amplia cerco ao entorno de Daniel Vorcaro

Relatório interno do Banco Central (BC) aponta que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, simulou dois contratos que somaram R$ 4 milhões para ocultar o recebimento de propina no caso Banco Master. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (10).

Segundo a apuração, os contratos foram firmados com a Varajo Consultoria, empresa de Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de Daniel Vorcaro, dono do banco. A sindicância concluiu que os documentos serviram para dar aparência legal aos pagamentos.

Em um dos contratos, Belline recebeu R$ 2 milhões por um estudo de 50 páginas sobre educação financeira. O relatório afirma que o material não tinha produção autoral relevante e não justificava o valor. Para os procuradores do BC, era “pouco crível” o pagamento milionário por esse tipo de conteúdo.

Belline chefiou a supervisão bancária entre 2019 e janeiro de 2026, atravessando a gestão Roberto Campos Neto e o início da gestão Gabriel Galípolo. Ele deixou o cargo em meio à investigação interna aberta pelo Banco Central sobre o caso Master.

As conclusões da sindicância se somam ao que a PF já havia apontado em março. Segundo investigação revelada por Estadão e Times Brasil/CNBC, Belline e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza atuavam como “consultores informais” de Vorcaro dentro do BC, com troca de mensagens, orientação sobre documentos e indícios de repasses regulares.

Contexto
O caso se soma a outras frentes de apuração sobre o Master. Documentos enviados pela Receita Federal ao Senado mostram que o banco declarou mais de R$ 543 milhões em pagamentos a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025, como mostrou a Folha de S.Paulo.

A lista inclui bancas ligadas a Viviane Barci de Moraes, Walfrido Warde, familiares de Ricardo Lewandowski e ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Em outra frente, também vieram a público pagamentos a Michel Temer e à empresa de Fabio Wajngarten, além de repasses ao grupo Metrópoles, ligado ao ex-senador Luiz Estevão, que teria recebido R$ 27,2 milhões

Também nesta sexta-feira (10), o ex-presidente Michel Temer confirmou que foi contratado pelo Master para prestar consultoria e atuar em uma mediação antes da liquidação da instituição. Segundo ele, houve pagamento de honorários, mas o contrato foi encerrado sem resultado, em entrevista à CNN Brasil.

Procurada pela Folha, a defesa de Leonardo Palhares afirmou que o caso está sob análise do Judiciário e que a empresa colabora com a investigação. A defesa de Vorcaro disse, em manifestação anterior, que o empresário coopera com a apuração. O BC informou que afastou os dois servidores e abriu procedimentos correcionais.

A defesa de Belline Santana não foi localizada nas reportagens citadas por esta matéria.

*BdF


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