Ex-diretor da PRF tentou embarcar para El Salvador com passaporte irregular e será entregue ao Brasil
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso nesta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar em um voo com destino a El Salvador. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele havia rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina e deixado o Brasil sem autorização judicial.
A informação foi divulgada pelo Blog da jornalista Andreia Sadi, no portal G1, que apurou que, após o rompimento do equipamento de monitoramento, as autoridades brasileiras acionaram alertas nas fronteiras e comunicaram a adidância policial no Paraguai para acompanhar o caso.
De acordo com a Polícia Federal (PF), Silvinei cruzou a fronteira utilizando um passaporte paraguaio original, porém incompatível com sua identidade. Ao tentar sair da área restrita do aeroporto, ele foi abordado pelas autoridades locais, que confirmaram a irregularidade e efetuaram a prisão.
Após a detenção, Silvinei Vasques foi identificado oficialmente e colocado à disposição do Ministério Público do Paraguai. A expectativa é de que ele seja expulso do país e entregue às autoridades brasileiras para o cumprimento das determinações judiciais em vigor.
O ex-diretor da PRF foi condenado pelo STF ao pagamento de uma multa equivalente a 24 salários que recebia à época, valor que supera meio milhão de reais. O caso segue em atualização pelas autoridades brasileiras e paraguaias.
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Abin monitorou ações de lideranças indígenas, alertando para riscos para exportadores do agro brasileiro e ameaça de conflito
Líderes indígenas foram monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto o Palácio do Planalto desmontava a Funai, fustigava grupos autóctones e prometia que não iria demarcar novas terras. Uma das entidades acompanhadas de perto pela Abin era a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), liderada naquele momento por Sonia Guajajara, hoje a ministra dos Povos Indígenas do governo Lula.
A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Desde meados de dezembro e pelas próximas semanas, o ICL Notícias traz com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.
Um dos focos do trabalho da agência ao longo dos anos de Bolsonaro foi a questão indígena e seu impacto doméstico e internacional. Num relatório de 11 abril de 2019, por exemplo, a Abin trazia um detalhado acompanhamento dos atos que estavam sendo organizados pelos indígenas brasileiros em protesto contra Bolsonaro. O foco era Acampamento Terra Livre (ATL). “A tendência é de que os militantes indígenas manifestem suas reivindicações de forma enérgica devido aos recentes posicionamentos do Governo Federal para as políticas indigenistas, com probabilidade de confronto entre os participantes da marcha e integrantes das forças de segurança pública”, disse o informe. “Também é alta a probabilidade de ocupação de prédios públicos na região da Esplanada dos Ministérios”, alertou.
O relatório trazia até mesmo um mapa e fotos do projeto de instalação do acampamento no perímetro da Esplanada dos Ministérios.
Outro destaque da Abin se referia aos trabalhos das lideranças indígenas para conseguir arrecadar recursos para o ato. “Dos RS 50 mil almejados pela APIB para auxiliar no custeio do acampamento, foram arrecadados R$ 12,3 mil- 24,5% do total”, apontou o informe.
O que ainda chamava a atenção da Abin era o fato de o convite para doações estar sendo realizado em diversos idiomas, como inglês, espanhol e francês, numa tentativa de atrair parceiros estrangeiros. “Em edições anteriores, a APIB conseguiu atingir a meta de arrecadação no ambiente virtual. Em 2017, coletou R$ 45 mil; já em 2018, a arrecadação virtual totalizou aproximadamente R$ 20 mil”, disse.
De acordo com o informe, a expectativa era de que o ato contasse com 6 mil participantes. Mas a Abin estimava que o número seria bem inferior.
O risco de um confronto era outro ponto do relatório de inteligência. “Nos últimos anos, foram registradas ocorrências de enfrentamento de militantes da marcha com integrantes dos órgãos de segurança pública, além de tentativa de depredação de patrimônio público e privado. Em 2014 e 2017, houve tentativas de invasão ao edificio-sede do Congresso Nacional. A tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) precisou ser acionada e indígenas atiraram flechas contra os militares. Em 2014, policiais militares ficaram feridos em decorrência de enfrentamentos”, disse.
“Apesar de não terem sido detectadas quaisquer incitações para atos de violência no ambiente virtual, os movimentos sociais indígenas estão articulados e insatisfeitos com a atual gestão do Govero Federal e a atuação do Poder Legislativo no encaminhamento de suas demandas”, admitiu.
A agência explicava que, desde a edição da Medida Provisória nº 870/2019, movimentos indigenistas alegavam ter havido um “esvaziamento das atribuições da Fundação Nacional do Indio (Funai) no processo de demarcação de territórios”. “Como forma de protesto, promoveram de 17 a 31 jan. 2019 ocupações de sedes de órgãos públicos e bloqueios de rodovias em localidades do País. No período de 25 a 29 mar. 2019, realizaram a “Semana de Mobilização Nacional em Defesa da Saúde Indígena”, em oposição à tentativa do Governo Federal de municipalizar o atendimento à saúde indígena”.
“Houve ocupações de prédios públicos – a exemplo de unidades do Ministério da Saúde – bem como interdições temporárias de vias públicas e rodovias em onze estados”, disse.
“Haja vista que os movimentos sociais indígenas estão articulados e mobilizados, os manifestantes presentes ao 15- ATL tendem a defender de forma enérgica suas reivindicações junto às autoridades constituídas, o que eleva a probabilidade de ocorrência, durante a marcha do evento na Esplanada dos Ministérios, de confrontos entre manifestantes e membros dos órgãos de segurança pública, bem como de tentativas de depredação de patrimônio”, alertou.
“Nesse caso, seriam alvos potenciais para ações dos manifestantes as sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde e Advocacia-Geral da União”, previa.
Ministra denuncia tentativa de criminalizar lideranças indígenas Naquele ano, a diretora-executiva da Apib, Sonia Guajajara, alertou: “Estamos assistindo a um genocídio legislativo”.
Procurada nesta semana, a atual ministra afirmou ao ICL Notícias que, embora o monitoramento feito pela ABIN às lideranças indígena não fosse uma novidade, ele se intensificou entre 2019 a 2022, justamente com Bolsonaro no poder.
“Isso se intensificou muito para monitorar ações, protestos, manifestos e até nos acusar de lesa pátria”, disse a ministra.
Ao ficar sabendo do conteúdo dos relatórios publicados pelo ICL, a ministra ainda destacou como um dos resultados a “tentativa de criminalização individual de lideranças, incluindo eu mesma que estava à frente da APIB”. “Sempre achei inaceitável”, completou.
Ação no exterior: alerta para risco de prejuízo aos exportadores Aquele não seria o único ato de monitoramento da Abin em relação à entidade liderada pela atual ministra dos Povos Indígenas. Em 17 maio de 2019, num outro informe, a agência alertou para o fato de que ambientalistas europeus lançaram um manifesto defendendo regras mais rígidas a serem impostas pela União Europeia às agroexportações brasileiras. “A principal preocupação dos ambientalistas estrangeiros é o desmatamento para o cultivo de soja, criação de gado e exploração de minério de ferro, principalmente no bioma amazônico”, disse.
A questão, porém, é que a iniciativa contava como o apoio da Apib. “Em 26 abr. 2019, foi publicado na Revista Science manifesto assinado por mais de 600 pesquisadores e pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que representa cerca de 300 comunidades indígenas brasileiras, defendendo que a União Europeia (UE) não compre bens agrícolas brasileiros que tenham sido produzidos em terras recém-desmatadas”, destacou.
“Exigem ainda a observância do direito de consulta prévia às populações indígenas afetadas por políticas públicas, o qual é garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, explicou.
O manifesto recebeu apoio de deputados e candidatos ao Parlamento Europeu, com destaque para o da vice-presidente daquela instituição, Heidi Hautala. Ela fazia parte dos Verdes, grupo político com pauta ambientalista, composto naquele momento por 52 eurodeputados (deputados do Parlamento Europeu) de 18 nacionalidades.
No manifesto, demanda-se à UE que, no acordo comercial com o Brasil, seja exigida a observância de três condições: a) o respeito à Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, b) o refinamento de mecanismos de certificação de origem para rastrear commodities associadas ao desmatamento e a violações dos direitos dos indígenas e c) consulta e consentimento prévio das populações indígenas para definir critérios sociais e ambientais para o comércio de commodities.
“A maior preocupação é o desmatamento para o cultivo de soja, criação de gado e exploração de minério de ferro, principalmente no bioma amazônico. Esses três produtos representaram cerca de 22% do valor exportado pelo Brasil para a UE entre janeiro e abril 2019”, explicou.
Para a Abin, a ofensiva contra as exportações brasileiras poderia ter um impacto negativo. A publicação do manifesto e outras iniciativas teria “o potencial de prejudicar as agroexportações brasileiras”.
Risco de conflito Na agência indígena, a Abin também alertou ao Palácio do Planalto em outro informe sobre o risco de violência no campo. E 4 de abril de 2019, a agência explicava o impacto de uma decisão da a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, dias antes, havia negado mandados de segurança em que produtores rurais da Bahia demandavam a suspensão do processo administrativo de revisão da demarcação da Terra Indígena (TI) de Barra Velha. localizada no extremo sul do estado. “Com a decisão, o colegiado revogou liminares concedidas em 2013 pelo relator anterior das ações, que haviam suspendido o processo de reconhecimento da ampliação da área indígena”, explicou.
Para a agência, a decisão “contribui para o aumento da tensão existente entre a comunidade indígena e os produtores rurais da região, ainda que não tenha havido registro de violência nos últimos anos”.
“Observa-se, no momento, incremento nas iniciativas de articulação por parte de lideranças indígenas e rurais nos planos estadual e federal”, advertiu.
“Do ponto de vista da dinâmica do conflito, a relativa estabilidade observada desde 2013 decorreu, em larga medida, do congelamento do litígio no plano judicial. Com a perspectiva de retomada do processo, desdobramentos judiciais e administrativos subsequentes tendem a impactar significativamente a expectativa dos atores do contencioso, principalmente porque inexiste grupo de trabalho – ou estrutura politico-administrativa intersetorial equivalente – investido de capacidade política para mediar a construção de termos de acordo entre as partes”, completou.
Histórico de espionagem Para a Apib, o monitoramento da agência de inteligência não é uma novidade. Em 2020, noventa organizações da sociedade civil e 72 parlamentares enviaram uma carta à secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, Patricia Espinosa, cobrando providências sobre a presença de agentes da Abin espionando ambientalistas, diplomatas e congressistas na COP25, a conferência do clima de Madri.
A informação sobre a atuação da agência havia sido revelada, naquele ano, pelo jornal O Estado de S.Paulo, que destacou como quatro arapongas foram enviados para a COP para monitorar atividades de ambientalistas, em especial o chamado Brazil Climate Action Hub, organizado por ONGs brasileiras. Questionado, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin era subordinada, admitiu que mandou os agentes para espionar “maus brasileiros”.
Na carta enviada pela Apib e por dezenas de outras instituições em 29 de outubro de 2020, as lideranças afirmam terem ficado “indignadas ao descobrir por meio da imprensa que o governo do Brasil designou quatro agentes secretos para monitorar tanto as atividades da sociedade civil, quanto os próprios delegados do Brasil, durante a COP25 em Madri”.
“A decisão de uma Estado de espionar os delegados por qualquer motivo é extremamente preocupante. Viola a segurança dos delegados dentro das instalações da ONU, causando enorme constrangimento. Compromete a privacidade, o pensamento e o discurso da liberdade, e a imunidade consagrada na própria Carta das Nações Unidas”, alertaram.
Como foram obtidos os documentos O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.
A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.
Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.
Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.
Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.
Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.
Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.
*Jamil Chade/ICL
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Banqueiro e expoente da Faria Lima está por trás do denuncismo contra o ministro do STF, que agora se torna alvo de setores da imprensa
guerra da Faria Lima está agitando a mídia brasileira nos últimos dias e foi parar no Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes virou alvo de inúmeras acusações a partir de apurações com base no “ouvi dizer”. Xandão teria, segundo uma primeira matéria da blogueira de O Globo Malu Gaspar, pressionado Gabriel Galípolo para que não interviesse no Banco Master. Antes disso, a mesma colunista já tinha publicado a cópia de um contrato do banco com a esposa do ministro no valor de R$ 3,2 milhões por mês.
O contrato de fato é considerado por advogados com quem o blog conversou fora dos padrões do mercado.
E aí começa toda a saga que vai chegar em André Esteves e no seu BTG. O banco Master, de Daniel Vorcaro, concorria com o BTG no mercado de aplicações e estava pagando taxas absurdas, de até 140% do CDI.
Com isso ampliava seu número de correntistas e fazia o BTG perder. André Esteves passou então a pressionar o Banco Central e a Fazenda para que o Master sofresse intervenção. Havia, de fato, algo muito suspeito e perigoso naquelas operações. Foi quando Vorcaro, em 2024, contratou o escritório de Viviane Barci, a esposa de Alexandre de Moraes.
André Esteves passa a ver então os dedos de Xandão na sua disputa contra o Master. E começa a operar na surdina a disseminação dos tais boatos da Faria Lima contra o ministro.
O Master sofre a intervenção do Banco Central e em tese tudo estaria resolvido. Mas não.
André Esteves começa a achar que Alexandre de Moraes iria se vingar dele. É aí que entra a divulgação do contrato do banco de Vorcaro no blog de O Globo. Como o ataque não teria surtido o efeito desejado, veio a tal pressão a Galipolo na sequência.
Em resumo, não existe nada de republicano nessa caça a Xandão patrocinada pelo PIG, como dizia Paulo Henrique Amorim. Alguns veículos e influencers progressistas acabaram aderindo também, por ingenuidade ou porque têm a mesma fonte do mercado.
Os próximos rounds devem ser sangrentos. O andar de cima decidiu rifar Alexandre de Moraes, como fez com Eduardo Cunha depois do impeachment de Dilma. É preciso saber se ele está preparado para essa guerra ou se acabou se locupletando e ficará isolado. Mas depois disso, se Moraes sair da frente a caravana da “moralidade” provavelmente vai para cima de Flávio Dino, por conta do orçamento secreto, e de Lula. Que segundo matérias com base em ouvi dizer, sabia de tudo. O mesmo método da Lava Jato e do Mensalão está em curso no jornalismo desses dias.
*Renato Rovai/Forum
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Seria tão simples se Moro, como cansou de ser deafiado por Reinaldo Azevedo a apresentar provas dos crimes supostamente cometidos por Lula, o fizesse, Merval Pereira não precisaria inverter a ordem constitucinal, dizendo que Lula não provou sua inocência, ramerrão ridículo, patético.
A verdade é que esses abençoados cretinos, que acham que podem dirigir esse país graças ao monopólio midiático, julgam-se eficientes para garantir, a qualquer custo, os desejos do mercado, acreditando que todos os brasileiros abaixarão a cabeça diante das histórias que acabam sendo opostas à verdade.
Malu Gaspar, que faz política travestida de jornalismo, deseenvolve um lero-lero, como é regra nas pátrias dos Sardenbergs, impondo fantasias e falsos fatos, inventando personagens fictícios para fixar o pensamento único, independente do fato ter ou não acontecido.
Todos sabem que a mídia brasileira nunca teve e jamais terá qualquer grandeza, vive tentando dar o tiro de misericórdia em quem ela julga naquele momento ser inimigo e, sem qualqur refinamento parte para a botinada.
Seria tão mais simples se, ao invés de destilar desnconfiança ou acusações falsas, estabelecer como regra a prova de suas acusações. Mas não, querem destruir todo o capital político acumulado por Moraes, matando sua imagem para redefinr a disputa de 2026.
Nesse momento, a Globo é o berço da campanha contra Alexandre de Moraes, mesmo com suas acusações precárias, a intenção, no final das contas, é chegar na jugular de Lula. Neste caso, Moraes é tão somente um passaporte para isso.
Mas a moça criou uma versão infantil dos fatos que se tornou infantil até mesmo para crianças. Pretendendo fugir da necessidade do óbvio, que é apresentar as provas, ela se lambuzou das expressões catastróficas contra Moraes e, para ver se, no total entre sua fala e suas expeculações, consegue formar um fato.
Até aqui, de comprometedora, só a ccredibilidade da Globo e da própria jornalista, Malu Gaspar.
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Bolsonaristas garantem os cliques buscados pela mídia através do zap
O espantoso nas recentes acusações de O Globo, Estadão e Folha ao ministro Alexandre de Moraes não é apenas que elas são TODAS, sem exceção, baseadas em fontes anônimas e suposições.
Num caso tão grave como este, em que um ministro do STF é acusado de fazer lobby por um banco que tinha um contrato de serviços com o escritório de sua esposa advogada — algo potencialmente escandaloso — a ausência de provas factuais e a negativa dos dois lados sob acusação — Gabriel Galípolo e Alexandre de Moraes — levaram a mídia corporativa a requentar velhos métodos.
“Moraes precisa provar que acusações não são verdade”, escreveu há dois dias O Globo, reproduzindo um conhecido método da Lava Jato.
Espalhar uma ilação e em seguida cobrar do acusado que ele “prove” que as noticias são falsas.
Não há, ainda, nenhuma prova factual de ligação telefônica entre Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo para tratar do caso do Master, mas o Estadão publicou:
Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo num dia para tratar da venda do Banco Master ao BRB.
O texto, assinado por Eliane Cantanhêde e David Friedlander, é baseado em relatos de terceiras pessoas, um verdadeiro disse-me-disse:
Pessoas do meio jurídico e do mercado financeiro que ouviram relatos, inclusive, de um dos envolvidos.
Mônica Bérgamo reproduziu a fofoca na Band:
O interesse do Moraes pelo Banco Master já circulava em Brasília havia alguns meses. Muitas fontes dizem que Galípolo chegou a informar Lula e que a informação se espalhou até para banqueiros de SP. O problema disso tudo começa com o contrato de R$129 milhões de Viviane com o Master.
Nenhuma fonte identificada e o que começou como algo que “circulava” em Brasília tornou-se, na fala de Bérgamo, “informação”.
Banqueiro é uma das fontes? Uma das fontes de Malu Gaspar, pelo que ela própria disse ao explicar a denúncia, teria sido o próprio dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que se dizia perseguido por outros banqueiros.
Essa era uma análise em Brasília nessa época. Eu cheguei a ouvir do próprio Vorcaro isso, que os banqueiros não queriam um novo entrante no mercado, um concorrente e por isso, então, ele era muito combatido.
Como se sabe, a jornalista baseou sua denúncia em “seis fontes” anônimas.
Somando Monica Bérgamo, Eliane Cantanhêde, David Friedlander e Malu Gaspar, não há uma única pessoa falando em on, ou seja, revelando sua identidade.
É um caso gravíssimo de jornalismo declaratório em off.
Curiosamente, nenhum deles enfatizou que o banco Master foi liquidado em 18 de novembro, ou seja, se houve lobby nem o Banco Central, muito menos o governo Lula, participaram de alguma patranha.
“Poderosos se protegem, e corrupção se alastra”, escreveu a Folha de S. Paulo em editorial de capa, sem mencionar que recentes ações da Polícia Federal acertaram em cheio o nexo entre a Faria Lima e o crime organizado, enquanto o ministro Flávio Dino mandou investigar a corrupção envolvida com as emendas no Congresso.
A Folha concentrou fogo nominalmente no ocupante do Planalto, ao dizer que “quadrilhas se aboletaram no INSS para saquear aposentados sob as barbas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, enterrando a origem do escândalo.
“Que não haja complacência com petistas e cupinchas de Lula pelo fato de amigos do presidente comandarem a Polícia Federal e vestirem togas no Supremo”, escreveu o jornal.
A importância da memória É preciso relembrar aqui a manchete da Folha de S. Paulo de 6 de junho de 2005, ano pré-eleitoral:
PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson.
Estava criada a ideia do mensalão, que caiu na boca do povo mas nunca se provou: as investigações jamais determinaram que o PT comprou votos no Congresso por 30 mil mensais, até porque as matérias votadas pelo governo Lula eram do gosto de parlamentares conservadores.
Tudo baseado numa entrevista de uma parte interessada em “se vingar do PT”.
Houve, sim, dinheiro de caixa dois para apoiar a campanha eleitoral de aliados, prática amplamente utilizada à época, como se viu na lista (verdadeira) de Furnas, operada pelo PDSB.
Mas, não foi só: em 5 de abril de 2009, de novo ano-pré-eleitoral, a Folha publicou na capa uma ficha falsa da candidata Dilma Rousseff.
Vinte dias depois, escondeu o resultado de sua própria investigação, admitindo o erro de ter publicado na:
Primeira Página que a origem da ficha era o “arquivo [do] Dops”. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada — bem como não pode ser descartada.
Ora, se a autenticidade da ficha não poderia ser assegurada, por que publicá-la?
À época, a presidenta Dilma Rousseff escreveu uma carta desmoralizando a Folha. Trechos:
Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim”.
O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de “factóide”, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu.
O mais grave é que o jornal Folha de São Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.
Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília.
Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.
Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009.
Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de São Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro.
Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.
Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”. Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha?
Nem é preciso dizer que a Folha não publicou a carta de Dilma.
Estamos, de novo, em ano pré-eleitoral.
*Luiz Carlos Azenha
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Gonet pediu a suspensão da audiência com o argumento de que seria prematuro realizar a acareação neste momento
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter uma acareação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) para 30 de dezembro, às 14h. Toffoli negou um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para suspender por tempo indeterminado a audiência.
Gonet pediu a suspensão da audiência com o argumento de que seria prematuro realizar a acareação nesse momento e que ainda não haveria contradições a serem esclarecidas neste momento. Ao negar o pedido, Toffoli afirmou que já existem informações divergentes nos autos do inquérito.
Na audiência, Vorcaro, Aquino e Costa terão que dar esclarecimentos sobre o processo de venda do Master para o BRB e sua rejeição pelo BC. A decisão de Toffoli em marcar a acareação foi feita sem um pedido anterior de investigadores, como a Polícia Federal.
A acareação teria o objetivo de esclarecer eventuais divergências entre os três núcleos da operação: Vorcaro, que perseguia a venda do Master; a cúpula do BRB, que estava prestes a confirmar uma operação sob suspeita; e o BC, que tinha o papel de verificar a integridade do negócio. Toffoli quer esclarecer em que momento foram descobertas as suspeitas de fraude, quem tomou conhecimento delas e quais providências foram tomadas ou deixaram de ser tomadas.
Um dos focos do processo será avaliar a atuação da cúpula do BRB diante dos indícios de fraudes que foram levantados ao longo da negociação, incluindo alertas emitidos pelo próprio Banco Central. Outra frente será identificar as medidas tomadas pelo BC na fiscalização do mercado de títulos bancários e estabelecer eventuais responsáveis por falhas.
Assim que a acareação terminar, no dia 30, Toffoli pode determinar novas medidas.
No último dia 15, o ministro do STF determinou a realização, em até 30 dias, de oitivas de investigados e de dirigentes do BC para a retomada do caso Master. As diligências e medidas relacionadas à investigação contra Vorcaro e o banco privado são avaliadas por Toffoli desde 3 de dezembro. Um dia antes, o ministro impôs sigilo elevado a um pedido apresentado pela defesa do banqueiro, feito no fim de novembro, para levar as investigações sobre o empresário ao tribunal.
Master e BRB O Conselho de Administração do BRB aprovou a compra de 58% do Master em março deste ano, mas a operação acabou barrada pelo Banco Central em setembro. Segundo a PF, antes da operação, o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB. O repasse das carteiras acendeu o alerta no Banco Central.
Segundo as investigações da PF e do MPF, antes da formalização do negócio, o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB. O Banco Central decretou no dia 18 de novembro a liquidação do Banco Master. Na noite anterior, a Polícia Federal prendeu seu controlador, Daniel Vorcaro, quando ele se preparava para embarcar num voo para o exterior.
O banqueiro deixou o centro de detenção em Guarulhos no dia 29 de novembro, quando a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), concedeu liminar em habeas corpus determinando sua soltura. Desde então, ele segue monitorado com o uso de tornozeleira eletrônica.
*ICL
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Em pronunciamento de Natal, o presidente destacou as conquistas dos três anos de seu terceiro mandato
Em mensagem de Natal, o presidente Lula fez um balanço do ano e afirmou que o Brasil encerra 2025 como um período “histórico”, marcado por avanços sociais, melhora da economia e fortalecimento da soberania nacional. No pronunciamento, ele prometeu transformar em realidade uma das principais demandas do mundo do trabalho: o fim da escala 6×1 sem redução de salário, além de destacar ações do governo contra o crime organizado e anunciar um esforço nacional para combater a violência contra a mulher.
O pronunciamento, publicado no canal oficial do presidente no YouTube, reúne uma retrospectiva de programas sociais, medidas econômicas e iniciativas na área de segurança pública, com Lula defendendo que, apesar das dificuldades, o “povo brasileiro sai como grande vencedor” em 2025.
Saída do mapa da fome e retomada de políticas sociais Entre os principais pontos do discurso, Lula destacou a saída do Brasil do mapa da fome, lembrando que o país havia alcançado esse resultado em 2014, mas “andou para trás” nos anos seguintes. Segundo ele, ao assumir, o governo encontrou “33 milhões de pessoas passando fome” e atribuiu a reversão desse cenário à retomada de políticas públicas.
“Saímos do mapa da fome”, declarou Lula, mencionando a retomada do Bolsa Família, o apoio à agricultura familiar, a valorização do salário mínimo, investimentos em geração de empregos e ações voltadas para a alimentação nas escolas.
O presidente também citou programas voltados diretamente para famílias e juventude, ressaltando que “a família é a base da nossa sociedade” e que as famílias “conquistaram muito neste ano que chega ao fim”. Ele apontou ações que, segundo o governo, vêm reduzindo o tempo de espera por serviços de saúde e ampliando a permanência de jovens na escola.
Isenção do imposto de renda até R$ 5 mil e “dinheiro extra” nas famílias Lula afirmou ainda que outra “grande vitória” do ano foi o “fim do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês”, medida que, segundo ele, terá impacto direto na renda disponível da população já a partir de janeiro.
“Para milhões de brasileiras e brasileiros, o último dia do ano também será o último dia com imposto de renda descontado no salário”, disse o presidente. Ele sustentou que a isenção significará “dinheiro extra”, capaz de aliviar contas, estimular o consumo e “aquecer ainda mais a economia”, gerando efeitos positivos para todo o país.
PAC, obras e indicadores econômicos No bloco dedicado à economia e infraestrutura, Lula afirmou que “obra é o que não falta” no Brasil e que o novo PAC está presente em todos os estados, levando “trabalho e desenvolvimento”.
Segundo ele, o país termina o ano com “a menor taxa de desemprego da história”, com recordes de emprego com carteira assinada, renda média no maior patamar já registrado e inflação acumulada em quatro anos “menor de todos os tempos”. Lula também declarou que os avanços resultaram nos “menores índices de pobreza e desigualdade da história” e que “só neste ano” dois milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família por terem melhorado de renda.
Combate ao crime organizado e ofensiva contra a violência contra a mulher Na área de segurança pública, Lula reconheceu que crime e violência seguem como grandes desafios. Ainda assim, afirmou que o país avançou no enfrentamento às facções e celebrou uma atuação mais incisiva do Estado.
“A Polícia Federal comandou a maior operação já feita contra o crime organizado”, afirmou, acrescentando que o combate às facções “chegou pela primeira vez ao andar de cima” e que “nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de ir adiante”.
Lula também usou o pronunciamento para anunciar uma mobilização nacional contra a violência de gênero. 247. “Um povo tão gentil e capaz de produzir coisas tão belas não pode aceitar a violência contra a mulher”, disse. Em seguida, prometeu liderar um esforço envolvendo ministérios, instituições e a sociedade, e fez um apelo direto aos homens: “Nós que somos homens devemos fazer um compromisso de alma. Em nome de tudo que é mais sagrado, seja um aliado”.
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O alvo do ministro seria um grande banco brasileiro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes estaria reagindo com forte indignação às denúncias publicadas por O Globo e repercutidas em outros veículos, como o Estado de S. Paulo, sobre seus supostos contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e, sobretudo, sobre a relação contratual entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua família. Segundo fontes próximas ao gabinete do ministro, Moraes estaria com “sede de vingança” e prepararia uma resposta rápida e direta contra um banqueiro que ele enxergaria como a origem dos relatos e vazamentos que alimentaram as reportagens.
De acordo com esses interlocutores, o que mais teria irritado o ministro não seria apenas a narrativa de que ele teria pressionado o Banco Central — versão que ele nega —, mas o fato de as publicações terem atingido sua esposa, Viviane Barci, e seus três filhos, sócios do escritório contratado pelo Banco Master por R$ 3,6 milhões por mês, durante três anos, o que totalizaria cerca de R$ 129 milhões. Esse valor e a estrutura do contrato foram relatados por diferentes veículos nas últimas semanas.
Ainda segundo as mesmas fontes, Moraes consideraria que a exposição pública de Viviane e dos filhos teria ultrapassado qualquer limite, transformando-se num ataque pessoal e familiar, com claro objetivo de constranger e desgastar sua atuação institucional. A reação do ministro, afirmam, seria marcada pela convicção de que há um movimento articulado para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal.
Nota oficial: Moraes nega ligações, nega pressão e nega atuação do escritório na operação O ministro já reagiu publicamente por meio de uma Nota à Imprensa, na qual afirma que realizou apenas duas reuniões com o presidente do Banco Central — ambas em seu gabinete — para tratar exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky, utilizada pelos Estados Unidos como instrumento de sanções econômicas. Na nota, Moraes sustenta que “em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”.
O ministro vai além e nega de forma taxativa a existência de telefonemas: “inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto”. Também afirma que jamais esteve no Banco Central e que o escritório de sua esposa não atuou na operação perante a instituição.
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O presidente Lula (PT) orientou o assessor especial Celso Amorim a evitar deslocamentos longos neste período de fim de ano. A recomendação, segundo relatos de auxiliares, está ligada à avaliação do governo de que a escalada de tensão entre Venezuela e Estados Unidos pode, em um cenário extremo, evoluir para uma ação militar em terra, conforme informações do colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles.
De acordo com interlocutores, Lula justificou a cautela ao afirmar: “Precisamos estar preparados para caso o pior aconteça”. Diante desse diagnóstico, equipes do alto escalão do Itamaraty e do Palácio do Planalto atuarão em regime de revezamento durante o período festivo, enquanto assessores diretos do presidente permanecerão de prontidão.
Tentativa de mediação com os Estados Unidos Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema em conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A tentativa foi recolocar a Venezuela no centro das discussões e reforçar o pleito para que o Brasil atue como intermediador diplomático. O governo Trump, no entanto, demonstrou resistência à proposta.
A preocupação do Planalto aumentou após a intensificação de exercícios militares na região e de declarações públicas mais duras de autoridades norte-americanas contra o regime de Nicolás Maduro. De acordo com o DCM, na avaliação do governo brasileiro, qualquer movimento mais agressivo teria impacto direto sobre a estabilidade regional, com efeitos colaterais imediatos na fronteira norte do Brasil.
Tradicionalmente, o Brasil busca se posicionar como ator moderador em crises sul-americanas, apostando no diálogo e na preservação de canais institucionais. Essa linha tem orientado a leitura do Planalto diante do atual cenário de tensão envolvendo Caracas e Washington.
Operações militares e reação venezuelana Desde setembro, os Estados Unidos ampliaram operações no Caribe e no Pacífico Oriental contra embarcações que, segundo Washington, estariam ligadas ao narcotráfico. Essas ações já resultaram na morte de mais de 100 pessoas, incluindo pescadores locais.
Em resposta, o governo venezuelano classificou o contexto como uma “campanha de agressão”, apontando os efeitos combinados das sanções e das operações militares no país.
A escalada ganhou novo capítulo em 16 de dezembro, quando Trump anunciou um bloqueio formal a petroleiros que operam em rotas relacionadas à Venezuela, em uma medida voltada a aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
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Avaliação interna aponta que ações recentes dos EUA na América Latina podem se repetir no Brasil e influenciar o cenário eleitoral
247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a relação institucional com Washington não elimina o risco de uma eventual interferência externa no processo eleitoral brasileiro de 2026. Integrantes do Palácio do Planalto consideram que, mesmo diante de gestos recentes de distensão, os Estados Unidos podem adotar estratégias semelhantes às observadas em eleições de outros países da América Latina.
A análise foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, que ouviu um alto funcionário do governo brasileiro. Segundo essa avaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter feito apenas um recuo tático ao retirar parte das tarifas sobre produtos brasileiros e suspender sanções baseadas na Lei Magnitsky, após a tentativa frustrada de impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entendimento do governo brasileiro, a preocupação se baseia em precedentes recentes. Na eleição legislativa da Argentina, Trump condicionou a liberação de um pacote de ajuda financeira de US$ 20 bilhões a um bom desempenho eleitoral do partido do presidente Javier Milei. Já em Honduras, durante o pleito presidencial, Trump apoiou publicamente o candidato da ultradireita, Nasry “Tito” Asfura.
Nesse contexto, a presidente hondurenha, Xiomara Castro, afirmou que houve um “golpe eleitoral” motivado pela “interferência do presidente dos Estados Unidos”. Antes da votação, Trump declarou que a candidata governista, Rixi Moncada, era comunista e que sua eventual vitória entregaria o país à Venezuela.
Às vésperas da eleição em Honduras, Trump concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura, que havia sido condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Passado quase um mês do pleito, o país ainda não tem um resultado oficial. Asfura lidera por margem estreita sobre o conservador Salvador Nasralla, enquanto uma apuração especial segue em andamento.
Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA revogou um visto e cassou outro de duas autoridades eleitorais hondurenhas ligadas ao partido de Xiomara Castro, sob a alegação de que estariam interferindo na apuração dos votos. Para o governo brasileiro, esse conjunto de ações reforça a necessidade de criar mecanismos de proteção contra possíveis interferências externas.
Entre essas medidas, autoridades citam a adoção de “vacinas”, como a ampliação da cooperação bilateral com os Estados Unidos no combate ao crime transnacional, anunciada recentemente. Segundo o 247, integrantes do governo disseram que essa estratégia também teve caráter preventivo para bloquear tentativas de grupos bolsonaristas de solicitar uma intervenção americana no Brasil sob o argumento do combate ao crime organizado.
O Planalto avalia que a agenda internacional terá um peso inédito na disputa presidencial de 2026. A percepção interna é de que Trump deve apoiar abertamente o candidato da direita brasileira, alinhado ideologicamente ao atual governo dos Estados Unidos.
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