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Lula prevê ‘boas notícias’ sobre tarifaço dos EUA após conversa com Trump

Presidentes discutiram taxação, sanções e cooperação no combate ao crime organizado; segundo o republicano, ‘muita coisa boa resultará da parceria recém-formada’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (03/12) que espera “boas notícias” sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, um dia depois que realizou uma conversa telefônica com seu homólogo norte-americano Donald Trump. A posição foi dada em entrevista à TV Verdes Mares, de Fortaleza, onde cumpre uma visita oficial.

“Eu conversei seriamente com o presidente Trump sobre a necessidade do fortalecimento das duas maiores democracias do Ocidente, Brasil e Estados Unidos”, disse o mandatário, acrescentando otimismo quanto ao possível fim da medida. “Não tem sentido essa taxação, e eu disse para ele que é importante rever isso”.

Em relação à possibilidade de novos anúncios sobre eliminação de produtos taxados, Lula disse que “muita coisa vai acontecer”. “Você está vendo o meu sorriso de Mona Lisa, é porque estou convencido de que vão acontecer boas novidades”, afirmou.

Na terça-feira (02/12), Lula conversou com o republicano por cerca de 40 minutos, conforme o comunicado emitido pelo Planalto, no contexto da reaproximação entre os dois países após o tarifaço anunciado em julho por Washington.

“Da mesma forma que o povo brasileiro teve uma notícia ruim quando o presidente Trump anunciou a taxação, eu acho que está perto de a gente ouvir uma notícia boa, além de tirar alguns produtos nossos da taxação, o que ele fez”, apontou.

*Opera Mundi


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Política

O Dia em que Michelle Bolsonaro Pediu que o PL Orasse por Alexandre de Moraes e o Perdoasse

O episódio ocorreu em 2 de dezembro de 2025, durante uma reunião fechada da bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo relatos de parlamentares presentes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tomou a palavra de forma inesperada e surpreendeu os presentes ao pedir que os deputados orassem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e que o perdoassem.

O momento gerou um silêncio constrangedor na sala, dado o histórico de críticas e tensões entre a família Bolsonaro e o ministro, que é relator de inquéritos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, como o suposto plano de golpe de Estado.
Contexto do Evento

Reunião da Bancada do PL: A sessão foi parte de uma agenda rotineira do partido, mas o discurso de Michelle trouxe um tom espiritual e conciliador, contrastando com o discurso político usual. Ela justificou o pedido afirmando ter sido informada de que Moraes “anda sempre com um terço na mão”, sugerindo uma possível inclinação religiosa do ministro, o que a motivou a recomendar: “Temos que orar e perdoar o Alexandre de Moraes.”

Reação dos Presentes: O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teria reagido com um comentário leve, rindo e dizendo algo como “Eu prefiro as orações que o Malafaia fez pro Alexandre na Paulista”, referindo-se a um ato evangélico anterior. Um deputado anônimo foi ouvido nos corredores comentando o espanto geral: “Quem será que fez mais mal para o Bolsonaro: o Ciro ou o Moraes?” O pedido de perdão chocou especialmente por Moraes ser visto como “inimigo absoluto” pela horda bolsonarista.

Antecedentes Espirituais de Michelle
Embora o evento de 2 de dezembro seja o mais direto ao pedido de oração e perdão coletivo, Michelle Bolsonaro tem histórico de expressões públicas de oração pelo ministro, sempre em meio a críticas às suas decisões judiciais. Esses momentos ocorreram em um contexto de “guerra espiritual”, como ela descreve as perseguições à família.

23 de novembro de 2025: Em um vídeo divulgado durante um evento do PL Mulher no Ceará (no dia em que Jair Bolsonaro foi preso preventivamente por ordem de Moraes), Michelle orou explicitamente pelo ministro, pedindo que ele “se arrependa de todos os seus pecados” e abençoando sua família. Ela criticou a “simbologia” da data da prisão (dia 22, após multa de R$ 22 milhões ao PL) e chamou o episódio de “injustiça”.

24 de novembro de 2025: Em outra reunião da bancada do PL, Michelle chorou ao relatar o sofrimento da família, tratou o processo contra o marido como “guerra espiritual” e revelou que “tem orado pelo ministro Alexandre de Moraes”, apesar de considerar as decisões do STF “cruéis”. Nesse encontro, ela também pediu união no partido e que não se antecipasse a discussão sobre as eleições de 2026.

Esses episódios refletem a abordagem de Michelle, que, falsamente, mescla fé evangélica com política, enfatizando orações pelos “inimigos” como forma de resistência espiritual. O pedido de 2 de dezembro, no entanto, foi o mais explícito em envolver a bancada partidária no ato de perdão coletivo, o que amplificou o impacto midiático.


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Política

Com risco de derrota no Plenário, Alcolumbre cancela sabatina de Messias

Cancelamento súbito abre espaço para negociação direta entre Alcolumbre e Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu cancelar a sabatina de Jorge Messias prevista para esta quarta-feira (03), após avaliar que o governo poderia enfrentar uma derrota no plenário caso o nome do advogado‑geral da União fosse votado ainda nesta semana. A decisão desmonta o calendário que ele próprio havia anunciado e altera completamente a dinâmica da indicação.

Em comunicado oficial, Alcolumbre afirmou que ele e a presidência da CCJ haviam definido os dias 3 e 10 de dezembro para leitura de parecer, concessão de vistas, sabatina e votação da indicação. Segundo o presidente do Senado, “a definição desse calendário segue o padrão adotado em indicações anteriores e tinha como objetivo assegurar o cumprimento dessa atribuição constitucional do Senado ainda no exercício de 2025”.

O senador declarou que o Legislativo foi “surpreendido com a ausência do envio da mensagem escrita referente à indicação”, mesmo após o nome de Messias ter sido publicado no Diário Oficial da União.

Para Alcolumbre, essa ausência de comunicação formal configura uma “omissão grave e sem precedentes”, atribuída exclusivamente ao Executivo, e representa “interferência no cronograma da sabatina, prerrogativa do Poder Legislativo”. Diante disso, justificou o cancelamento para evitar “possível alegação de vício regimental no trâmite da indicação”, já que a sabatina não pode ocorrer sem o recebimento da mensagem presidencial.

Davi Alcolumbre cancela sabatina de Messias sob risco de derrota no Plenário

De acordo com Cleber Lourenço, ICL,

Messias vinha dizendo a interlocutores próximos que já havia conquistado os votos necessários para aprovação no plenário. Aliados do advogado‑geral da União avaliavam que quanto mais o processo fosse adiado, maior seria o risco para Messias, e não para Alcolumbre. A principal missão do governo — e especialmente de Messias — vinha sendo manter esses votos firmes e resistir à pressão de Alcolumbre sobre os senadores.

A expectativa no governo era de que o envio formal da indicação ao Senado acontecesse nos próximos dias. O cancelamento súbito, no entanto, reabriu o jogo político.

Messias no jogo político
Segundo membros da articulação do Senado, o movimento devolve a Alcolumbre tempo e controle sobre o processo. Com o calendário zerado, abre-se espaço para uma negociação direta entre o presidente do Senado e o presidente Lula, na tentativa de construir uma saída que impeça que a aprovação de Messias seja lida internamente como uma derrota de Alcolumbre.

O presidente da CCJ, Otto Alencar, declarou hoje que considera correta a decisão e reforçou o argumento de que o rito não poderia avançar sem a mensagem formal do Executivo. Otto afirmou ainda que, assim que o governo enviar a mensagem ao Senado, a sabatina será marcada em até 15 dias.

Já o relator da indicação, o senador Weverton (PDT), havia afirmado publicamente que Lula e Alcolumbre deveriam se reunir nesta semana para tratar do assunto e que vinha atuando como ponte entre os dois lados.

Nos bastidores, integrantes do Senado afirmam que o Planalto terá de reavaliar sua estratégia. A leitura é que Alcolumbre pretende evitar que a aprovação de Messias aconteça sob a narrativa de perda de controle da pauta. Com o cancelamento, reposiciona o processo, reorganiza o calendário e reequilibra a disputa antes de retomar a sabatina e a votação.


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Política

Nunca é tarde: STF manda PF à 13ª Vara de Curitiba atrás de dados ocultos da Lava Jato

A PF faz operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, unidade que concentrou os processos da Operação Lava Jato

Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, a Polícia Federal (PF) realiza, nesta quarta-feira (3/12), uma operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, unidade que concentrou os processos da Operação Lava Jato.

A determinação atende a reiterados pedidos do STF para que documentos relacionados a investigações anteriores à Lava Jato fossem enviados pela Justiça Federal do Paraná.

Entre os dados buscados estão informações do caso envolvendo o empresário Tony Garcia, que atuou como informante em apurações conduzidas pela vara então comandada pelo ex-juiz Sergio Moro.

À época, Garcia colaborou com investigações gravando, a pedido da Justiça Federal, autoridades com foro por prerrogativa de função, incluindo um integrante do Tribunal de Contas do Estado.

A operação tem como objetivo assegurar que o STF finalmente tenha acesso ao conjunto de documentos e registros que, segundo o tribunal, deveriam ter sido remetidos há meses para análise.

De acordo com o Metrópoles, a decisão de Toffoli se baseia em indícios de descumprimento reiterado de ordens judiciais, o que impede o avanço de apurações abertas no Supremo sobre possíveis irregularidades na condução de casos pré-Lava Jato.

]A Polícia Federal ainda não detalhou o material apreendido na ação. O Supremo Tribunal Federal também não se manifestou oficialmente até o momento.


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Política

Corda bamba: Líderes do PL detonam Michelle e defendem Ciro. “Passou do limite”

Líderes do Partido Liberal (PL) no Ceará se reuniram na Assembleia Legislativa durante um café da manhã da oposição e dispararam críticas contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após ela atacar publicamente o acordo feito pelo partido com o ex-governador Ciro Gomes.

A reunião, marcada por declarações contundentes, refletiu a insatisfação com as declarações de Michelle, que haviam gerado um grande constrangimento entre os membros do PL local. A deputada estadual Dra. Silvana (PL), uma das principais vozes da oposição, usou termos fortes ao comentar o episódio.

“O que aconteceu ali foi um estupro político que eu não posso aceitar”, afirmou, repetindo uma expressão que havia sido usada momentos antes pelo deputado Lucenildo Mota (PDT), também presente no encontro. A declaração de Silvana destacou a indignação com o comportamento de Michelle, que, segundo ela, desrespeitou as lideranças locais do PL no Ceará.

A deputada ainda acrescentou que Michelle ultrapassou “todos os limites” e “desrespeitou todas as lideranças locais, que ficaram caladas”. “Aquilo foi horrível e eu tenho certeza que isso precisa chegar até a liderança maior”, disse Silvana, indicando que a questão deveria ser levada à cúpula do partido para uma solução.

Ela defendeu que problemas internos do PL deveriam ser resolvidos dentro do próprio partido, sem causar constrangimentos públicos, como ocorreu na situação envolvendo Michelle. De acordo com o DCM, o deputado estadual Alcides Fernandes, citado por Dra. Silvana, também se manifestou sobre o caso.

Fernandes, pré-candidato ao Senado, criticou os “parlamentares desinformados” que aproveitaram as declarações de Michelle para atacar o acordo costurado entre o PL e o PSDB de Ciro Gomes. O acordo visava apoiar Ciro na eleição para o governo do Ceará, e Fernandes afirmou que os críticos não sabiam “nem o nome do governador do Ceará”, insinuando falta de conhecimento sobre a política local.

“Quem conhece o campo aqui do estado somos nós”, afirmou Alcides, que é pai do deputado federal André Fernandes, presidente do PL no Ceará. Alcides também expressou sua solidariedade a Ciro Gomes, ressaltando que muitos ataques feitos à aliança do PL com o ex-governador eram injustos.

“Cada um que veio já foi orquestrado para atacar um cara que nem ainda declarou que é candidato a governador do Estado”, disse ele, referindo-se aos ataques indiretos a Ciro, que foram motivados pelas falas de Michelle.

Alcides ainda esclareceu que, apesar das críticas, ele perdoava Michelle Bolsonaro, entendendo que as palavras dela não refletiam a postura do seu marido, Jair Bolsonaro. “Ali não era a voz dele, que é a voz da conciliação. Então, eu perdoo a Michelle por tudo que ela fez”, declarou, tentando minimizar a situação.


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Política

Tarcísio e Caiado atacam governo e usam Câmara como palanque em discussão de segurança pública

Na comissão da PEC da Segurança Pública, governadores de Goiás e São Paulo usam espaço para propagandear suas gestões

Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), participaram, nesta terça-feira (2), da comissão especial para discutir a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. Mas ao invés de apresentarem propostas para a segurança no país, os dois focaram em criticar as medidas sugeridas pelo governo e montar um palanque eleitoral.

Tarcísio usou o espaço para chamar a PEC de Cosmética. De acordo com ele, a proposta tira autonomia dos estados na gestão da segurança pública. Tarcísio também aproveitou para novamente elogiar a chacina que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro em outubro, como exemplo de uma gestão da segurança que funciona no país.

“Essa PEC é cosmética. Precisamos reduzir a interferência da União, precisamos permitir a flexibilidade dos estados. Precisamos endurecer as penas. A operação no Rio de Janeiro teve ampla aprovação popular e foi conduzida pelo Rio de Janeiro”, disse durante a comissão.

Caiado, por sua vez, reforçou a narrativa da extrema direita de que o PT é “conivente” e é “parceiro” das facções. Ele, no entanto, não apresentou provas durante a comissão.

“O PT é conivente e parceiro das facções criminosas e cria facilidade para o trabalho das facções. O governo não investe na segurança dos estados, não repassa verba e cria pena justa, que quer soltar presos. Essa é a política do PT, soltar preso”, disse.

A principal crítica do governador goiano foi feita à Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública apresentada pelo governo. O texto propõe mudanças na organização de estados e governo federal na segurança pública, especialmente na atuação da Polícia Federal nos estados. Um dos principais objetivos é articular a comunicação e as operações de segurança entre estados e o governo federal.

Palanque
Os dois governadores usaram a comissão como palanque eleitoral faltando menos de um ano para o pleito. Dezenas de policiais de diferentes forças estiveram na comissão e aplaudiam as falas de Caiado e Tarcísio.

Os dois também falaram sobre os êxitos das seguranças nos seus estados, mas sem usar da precisão. Caiado, por exemplo, disse que conseguiu transformar Goiás no estado mais seguro do Brasil. Ainda que tenha mostrado uma queda, o Atlas da Violência indica que, em 2024, o estado foi apenas o 8º com menor taxa de homicídios do Brasil.

Tarcísio também usou de pautas com grande apelo popular: o aumento das penas, o fim da audiência de custódia e sugeriu uma redução da maioridade penal. Ele agradeceu o trabalho feito pelo secretário de Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite, que foi relator do PL Antifacção na Câmara, projeto que gerou debate e disputa política entre a extrema direita e o governo.

Tarcísio e Caiado foram dois dos principais articuladores do Consórcio da Paz, grupo de governadores que buscaram dar respaldo à chacina do Rio de Janeiro e contrapor a tentativa de governo de articular as ações de

Relatório para depois
O deputado Mendonça Filho (União-PE) fez uma fala com seu parecer, mas ainda não apresentou o relatório sobre a PEC. Ele antecipou que vai pedir a criação de polícias municipais.

A proposta foi rechaçada pelos congressistas do governo. De acordo com eles, isso gera uma descentralização ainda maior da atuação contra o crime organizado e abre margem para usos políticos de uma nova força.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse estar preocupado com uma nova apropriação política da proposta, especialmente para a “blindagem” de políticos.

*BdF


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Política

Conexões explosivas: Magro, Refit, governo Tarcísio em SP e o general Ramos

Genro do general Ramos, Marcelo Cunha Filho foi segundo de Tarcísio no Ministério da Infraestrutura e ‘duplou’ com Jonathan Assunção, lobista do Grupo Fit

Marcelo Sampaio Cunha Filho, atual diretor de estratégia jurídica e regulatória da Vale para a China, sudeste asiático e Oriente Médio, mora na China desde o fim do mandato de Jair Bolsonaro na presidência da República. Ele é genro do general da reserva Luiz Eduardo Ramos e se tornou desde a última sexta-feira, 28 de novembro, a mais nova ponta solta do novelo de conexões explosivas das investigações do maior sonegador de impostos do país, o Grupo Fit, de Ricardo Magro, com os habitantes do universo paralelo do bolsonarismo com os satélites do crime.

Marcelo Sampaio, como gosta de ser chamado, é funcionário de carreira do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT). Lá, conheceu Tarcísio de Freitas, que dirigiu o órgão durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (entre 2014 e 2015). Nomeado ministro da Infraestrutura, Tarcísio colocou o jovem engenheiro (então com 36 anos) na secretaria-executiva do Ministério.

Ao mesmo tempo, o sogro de Marcelo Sampaio Cunha Filho, o “general Ramos”, assumiu a Secretaria de Governo de Bolsonaro e pediu uma indicação para cuidar “da vida” do colega Walter Braga Netto (atualmente cumprindo pena por golpe de Estado no QG do Exército no Rio de Janeiro) na Casa Civil do Palácio do Planalto.

O genro de Ramos apontou o dedo na direção de Jonathas Assunção — nome sugerido a ele pelo senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que depois sucederia ao próprio Ramos na Casa Civil. O general Luiz Eduardo Ramos, por sua vez, trocou a Secretaria de Governo pelo posto de Braga Netto quando o general ora presidiário se mudou para o Ministério da Defesa em março de 2021.

Foi Ramos quem entregou as chaves do gabinete da Casa Civil a Ciro Nogueira, e lá estava mantido Jonathas Assunção como todo-poderoso operador das emendas parlamentares. Era, então, o dono da caneta que assinava todas as nomeações políticas para a estrutura federal de governo.

A dupla assumiu o comando na pandemia
Durante a pandemia, quando tudo passou a funcionar sob contingências e os ministros de Jair Bolsonaro aproveitaram para desdenhar do coronavírus e passar a boiada de ilegalidades e atrocidades flagrantes para irem à forra contra a sociedade civil, a dupla Jonathas Assunção e Marcelo Sampaio se tornou próxima e querida do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Isso se deu porque ambos sabiam “fazer acontecer” dentro da burocracia federal para fazer valer as ideias de Guedes — mesmo as mais estapafúrdias. Assunção, que jamais deixou de demonstrar lealdade a Marcelo Sampaio, disparou no coração de Paulo Guedes quando encontrou soluções práticas para viabilizar a nomeação do comunicólogo Caio Paes de Andrade para a presidência da Petrobras em 2021 mesmo com a contestação jurídica por ausência de atributos técnicos para a função.

Em 2022, quando deixou o governo federal para ser candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas trabalhou insistentemente (e com sucesso) para deixar Marcelo Sampaio Cunha Filho em seu lugar no Ministério da Infraestrutura. Ali, o ex-técnico havia assentado relações políticas e negociais necessárias a aproximá-lo das empreiteiras estatais chinesas e das empresas norte-americanas que trabalhavam no Oriente Médio, reconstruindo a infraestrutura destruída pelos próprios militares dos EUA.

Enquanto o genro do general Ramos exercia pleno poder na Infraestrutura, o parceiro Jonathan Assunção atuava na Casa Civil com carta branca de Ciro Nogueira e intensificava seu elo com o advogado Ricardo Magro, a quem todos conheceram na época em que Eduardo Cunha era o manda-chuva da Câmara dos Deputados.

Refit

A Petrobras entrou no jogo
Na esteira da desgraça de Cunha, cassado e preso em 2016 depois de promover o impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, Magro se tornou acionista e depois dono da Refinaria Manguinhos.

O nome da refinaria, suspeita de ser usada para lavagem de dinheiro e de combustíveis ilegais, mudou para Refit e Magro já era acionista amplamente majoritário da empresa e da holding que a detinha, o Grupo Fit. Em 2021, quando o comunicólogo Caio Paes de Andrade presidia a Petrobras, Jonathan Assunção aproximou-o negocialmente de Ricardo Magro com o beneplácito de Paulo Guedes.

Por insistência de Guedes e proatividade da caneta de Jonathan Assunção o advogado Gileno Gurjão Barreto, presidente do Serpro nomeado em 2020, em plena pandemia, havia se unido ao grupo. Com longa passagem pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), órgão recursal da Receita onde integrantes do clã Bolsonaro estavam enrolados, Gurjão Barreto era voz sempre ouvida no aconselhamento de recursos em ações de sonegação — e isso sempre interessou sobremaneira ao Grupo Fit a seu controlador, Ricardo Magro. Em agosto de 2022 foram arquivados quaisquer pruridos de decência e Gileno Gurjão Barreto virou presidente do Conselho de Administração da Petrobras, de onde só saiu com a derrota de Bolsonaro nas urnas.

Àquela altura, a Receita Federal do Brasil já listava as empresas de Magro como as maiores devedoras de impostos do país, mas o Ministro da Economia de Bolsonaro fazia vistas grossas a isso e permitia que se empurrasse com a barriga a aprovação no Congresso Nacional de quaisquer projetos de lei que combatessem devedores contumazes (empresas que brincam de troca-troca e de esconde-esconde de CNPJs a fim de sonegarem impostos em todas as esferas da federação).

Encerrado o governo Jair Bolsonaro, depois do golpe de Estado dado e derrotado em 8 de janeiro de 2023, Marcelo Sampaio Cunha Filho foi para a Vale na China e Jonathan Assunção assumiu sua relação com Ricardo Magro, tornando-se executivo do Grupo Fit encarregado das conexões políticas deles como vice-presidente de relações institucionais.

Os amigos de Magro torcem pelo silêncio
Hoje, exceto Magro e o próprio Jonathan Assunção, que têm uma tecelagem inteira para desfiar de suas conexões com a sonegação fiscal, com a espionagem de altos funcionários da Receita Federal, e com os pontos de intersecção entre a “Operação Poço de Lobato”, que o investiga e às suas empresas, e a “Operação Carbono Oculto”, que investiga as conexões do PCC (o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital) com lavagem de dinheiro e falsificação e adulteração de combustíveis, todos os demais integrantes dessa network infernal montada sob o governo Jair Bolsonaro curtem suas vidas no estratégico silêncio do desconhecimento. E seguem torcendo para as conexões não aflorarem.

Luiz Eduardo Ramos foi o único general palaciano do ex-presidente que não respondeu pelas tentativas reiteradas de golpe de Estado. Ele é amigo pessoal do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com quem costumava jantar.

tarcisio

Tarcísio de Freitas é governador de São Paulo e empregou na estrutura de sua equipe Caio Paes de Andrade, secretário de Gestão e Governo Digital (por onde passam todas as licitações públicas da máquina estadual) e Gileno Gurjão Barreto, presidente da poderosa Prodesp — Empresa de Tecnologia do Governo de São Paulo. Paulo Guedes, que se empenhou na nomeação dos dois ex-assessores na equipe de Tarcísio, segue próximo de todos como conselheiro e acionista de fundos de investimentos, de um banco e do Ibmec — Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais. E Marcelo Sampaio Cunha é um dos mais relevantes “conselheiros” da administração da Vale despachando desde Pequim.

*Luis Costa Pinto/ICL


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Polícia Federal faz busca e apreensão contra ataques hackers a deputados do PL

PF faz operação contra ataques hackers a deputados favoráveis a projeto que equipara aborto a homicídio

Mandados foram cumpridos em SP e Curitiba; grupo é suspeito de derrubar sites de parlamentares que apoiam o texto.

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (2), uma operação contra uma organização criminosa acusada de realizar ataques virtuais direcionados a deputados federais que manifestaram apoio ao projeto de lei que equipara o aborto, a partir de 22 semanas de gestação, ao crime de homicídio. A ofensiva cumpre dois mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e Curitiba (PR), com apoio de autoridades internacionais por meio de cooperação jurídica.

Segundo as investigações, os ataques derrubaram ou deixaram instáveis sites institucionais dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Paulo Bilynskyj (PL-SP), prejudicando a comunicação pública e a atuação legislativa dos três. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados.

O projeto, que gerou forte reação popular no ano passado, prevê penas de 6 a 20 anos para quem realizar ou consentir aborto após a 22ª semana, inclusive em casos de estupro. A aprovação de urgência em plenário ocorreu em apenas 23 segundos, mas o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recuou diante da repercussão e determinou que o tema fosse estudado por uma comissão específica. O debate, no entanto, não avançou na atual gestão da Casa.

Pela legislação atual, o aborto é permitido no país em três situações: gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante e casos de anencefalia. Nenhuma dessas hipóteses estabelece limite de semanas para a interrupção.

*MundoBA


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Política

Moraes determina que PF faça perícia sobre estado de saúde de Augusto Heleno

Decisão responde a dúvidas sobre o diagnóstico de Alzheimer apresentado pela defesa após prisão do general no âmbito da trama golpista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal realize uma perícia médica completa para avaliar o estado de saúde do general Augusto Heleno, após o início de um impasse sobre as informações prestadas pela defesa do militar. A determinação ocorre após os advogados afirmarem que Heleno foi diagnosticado com Alzheimer, argumento utilizado em um pedido de prisão domiciliar apresentado logo após sua detenção.

Perícia da PF deverá confirmar diagnóstico de Alzheimer
O despacho do ministro determina que a avaliação seja concluída em até 15 dias, incluindo histórico médico, exames laboratoriais — como função tireoidiana e níveis de vitamina B12 —, além de análises neurológicas e neuropsicológicas. De acordo com Paulo Emílio, 247, também estão autorizados exames de imagem, como ressonância magnética e PET, bem como outros procedimentos que auxiliem na verificação da memória, de funções cognitivas e de eventuais limitações funcionais. A exigência surge após divergências nas informações prestadas pelos advogados do general.

Defesa altera informações e cita demência mista
A defesa afirmou inicialmente que Heleno, de 78 anos, era acompanhado por psiquiatras desde 2018 e havia recebido diagnóstico de Alzheimer. Após questionamentos de Moraes, os advogados corrigiram a versão, esclarecendo que a identificação da doença ocorreu apenas em 2025.

Relatórios anexados ao processo indicam que, desde dezembro de 2024, o quadro passou a ser acompanhado de forma mais rigorosa, resultando no diagnóstico de demência mista, incluindo Alzheimer em estágio inicial. Os documentos mencionam ainda histórico de transtorno depressivo e transtorno de ansiedade. Os advogados alegam que a permanência do general em regime fechado representaria risco à saúde e à vida do condenado.

PGR apoia prisão domiciliar para Augusto Heleno
Na sexta-feira (28), a Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente ao pedido de prisão domiciliar, classificando a medida como excepcional e proporcional diante da idade avançada de Heleno e da gravidade de seu quadro clínico.

Condenação e rotina do general antes da prisão
Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado e está preso desde terça-feira (25), quando o processo transitou em julgado. Ele foi levado ao Comando Militar do Planalto, onde permanece preso. Antes da prisão, o general aguardava o final do processo em liberdade e mantinha atividades físicas regulares.


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Política

Ex-ministro de Bolsonaro virou diretor de braço do Master e atuou em crédito consignado

Documentos mostram que o ex-ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, assumiu a Mettacard e o Banco Pleno, controlados pelo Master, após grupo política atuar para liberação de crédito consignado do Auxílio Brasil, usado eleitoralmente por Bolsonaro.

Documentos obtidos pela Fórum mostram que o ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Ronaldo Vieira Bento, deixou o comando de uma das principais pastas sociais do país, que impulsionou o programa eleitoreiro Auxílio Brasil, para assumir cargos estratégicos em empresas que orbitam o colapsado Banco Master, de Daniel Vorcaro, e operam no mercado de crédito consignado a servidores públicos.

Registros societários e propostas enviadas a prefeituras apontam Bento como administrador da Mettacard Administradora de Cartões e diretor do Banco Pleno S.A., instituição criada a partir do antigo Banco Voiter em uma reestruturação que separou ativos considerados saudáveis do conglomerado Master, hoje em liquidação extrajudicial pelo Banco Central, em meio à Operação Compliance Zero, que apura suspeita de fraudes bilionárias envolvendo o banco e o BRB, como já noticiado pela Fórum e outros veículos.

Ao cruzar essas informações com decisões da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o consignado do Auxílio Brasil e documentos de tribunais de contas estaduais, surge uma intrincada engrenagem financeira que mostra que o ex-ministro de Bolsonaro que ajudou a abrir o mercado de consignado sobre benefícios sociais assume, pouco tempo depois, a administração de empresas que lucram com esse modelo de endividamento.

Bento foi um dos principais articuladores do Auxílio Brasil, que foi turbinado em 2022 diante de uma iminente derrota eleitoral de Bolsonaro. A tração no programa causou um rombo de R$ 175 bilhões de um total de R$ 198 bilhões gastos acima do teto pelo ex-presidente. De acordo com a Forum, o estouro obrigou Lula a negociar com o Congresso, antes de tomar posse, a PEC da Transição para que pudesse governar o Brasil a partir de 2023.

Reportagem de Natália Portinari nesta quinta-feira (1º) no portal Uol mostra que Vorcaro e o Master estava na mira da Polícia Federal (PF) desde 2020 por um desvio de R$ 500 milhões em fundos de pensão de servidores públicos.

Segundo a reportagem, o banqueiro chegou a ser citado em relatório da PF, mas uma decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, impediu que ele fosse denunciado criminalmente.

Segundo informações da CNN, a desembargadora Maria do Carmo é amiga pessoal do clã Bolsonaro, mais próxima de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e teria sido a “madrinha” da indicação de Kássio Nunes Marques para a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF).


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