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Descoberto porque Bolsonaro quer eleição com cédula de papel: ele foi beneficiado por fraude em 1994

O episódio, noticiado pelo Jornal do Brasil em 17 de novembro de 1994, foi lembrado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG)

Um dos maiores críticos das urnas eletrônicas e defensor da volta de cédulas de papel nas eleições, Jair Bolsonaro já figurou como beneficiário de fraude no uso cédulas de papel.

O episódio ocorreu nas eleições gerais de 1994. Como mostra reportagem de 17 de novembro de 1994, do Jornal do Brasil, um dos principais periódicos brasileiros naquela época, a eleição do Rio, como em todo o país, usava cédulas de papel. Na 24ª Zona Eleitoral, o juiz Nélson Carvalhal identificou cédulas falsas. Elas beneficiavam um então candidato a deputado federal pelo PPR, Jair Bolsonaro.

O episódio foi lembrado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). “Quase 27 anos depois, Bolsonaro não se cansa de pôr em cheque a lisura das urnas eletrônicas. Há 10 meses, afirmou ter provas de fraude no pleito de 2018 e que as apresentaria ‘em breve’. Ficou na promessa, pois até agora, nada das tais ‘provas'”, disse Correia.

“A tática levada a cabo por Bolsonaro serve ao propósito de, em caso de derrota em 2022, ter uma saída que una seus apoiadores – e, quem sabe, tentar algo parecido com o que Donald Trump tentou nos Estados Unidos, felizmente sem sucesso até agora: melar o processo democrático do país”, acrescentou Correia.

https://www.slideshare.net/LeonardoAttuch2/nome-de-jair-bolsonaro-aparece-como-beneficirio-de-fraude-com-cdulas-de-papel-em-1994?ref=https://www.brasil247.com/brasil/candidato-a-deputado-jair-bolsonaro-estava-entre-beneficiados-de-fraude-com-cedulas-de-papel-nas-eleicoes-de-1994-l0qls6xe

*Com informações do 247

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Depois da saída da Ford, Wolkswagen abre Plano de Demissão Voluntária em Taubaté

A Volkswagen abre nesta segunda-feira (11) um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para a fábrica de Taubaté (SP). A adesão pode ser feita até sexta-feira (15).

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, o PDV tem como foco trabalhadores com doença ocupacional, de áreas desterceirizadas ou que tiveram os contratos temporariamente suspensos (layoff). A medida feita em maio de 2020 impactou 1,3 mil funcionários.

Para funcionários com doenças ocupacionais, o benefício varia conforme quantidade de anos trabalhados. Já nas demais categorias, o pacote de benefício oferecido pode chegar a 20 salários.

O PDV faz parte de um acordo aprovado pelos funcionários depois que a empresa anunciou que demitiria 35% da mão de obra no Brasil pelos impactos da pandemia.

Sindicato e empresa não informaram qual a expectativa de adesão da empresa. A unidade da Volkswagen em Taubaté tem cerca de três mil trabalhadores.

Procurada pelo G1, a Volkswagen informou que não vai comentar sobre a abertura do PDV.

Já o sindicato destacou que o PDV faz parte de um acordo que garantiu estabilidade de cinco anos nos empregos e o descongelamento de investimentos na Volks.

Medidas

Durante a pandemia, a empresa adotou redução de jornada e layoff. Em abril, cerca de 1,8 mil funcionários trabalharam com redução de 30% da jornada nos meses de maio, junho e julho.

Em maio, anunciou layoff para 1,3 mil trabalhadores. Ainda com as duas medidas vigentes, em agosto, os sindicatos que representam trabalhadores anunciaram que a empresa havia proposta para cortar em 35% o número de funcionários. O número representaria cerca de 5 mil dos 14,7 mil trabalhadores das fábricas em São Bernardo do Campo, Taubaté, São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR).

À época, a Volks havia dito em notas oficiais que negociava com os sindicatos “medidas de flexibilização e revisão dos acordos coletivos vigentes para adequação ao nível atual de produção, com foco na sustentabilidade de suas operações no cenário econômico atual, muito impactado pela pandemia do novo coronavírus”.

Após o anúncio de possível corte, os funcionários aprovaram novos acordos coletivos que previam PDV, novo layoff e redução do piso salarial para 2021.

*Com informações do G1

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General Etchegoyen, que conspirou para derrubar Dilma, agora tergiversa sobre risco de ruptura

“Nunca os militares se manifestaram para corrigir para lá ou para cá”.

Esta assertiva patética e risível foi feita pelo general da reserva Sérgio Etchegoyen ao jornal Valor Econômico em entrevista [8/1/2021].

Este general não é nenhum desinformado ou alienado. E, menos ainda, alguém alheio à acidentada história do Brasil no último século. Ele sabe, mais que ninguém, o quanto seu avô, seu pai, seu tio, seu último comandante [Villas Bôas] e ele mesmo conspiraram e intervieram para “corrigir” o país.

Sérgio Etchegoyen legou da família a tradição da intromissão antiprofissional dos militares na política brasileira pelo menos desde a 2ª metade dos anos 1920.

Seu avô Alcides, então 1º tenente, atuou na conspiração para derrubar Washington Luís, impedir a posse do eleito Júlio Prestes e instalar Getúlio Vargas na presidência. Duas décadas depois, em 1955, e já como general, vovô Alcides conspirou para impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart como presidente e vice eleitos.

Em 1964, o pai dele – Leo Etchegoyen – e seu tio Cyro Etchegoyen participaram do golpe que derrubou Jango. Em recompensa, ocuparam postos relevantes na ditadura.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o coronel Paulo Malhães apontou o tio Cyro Etchegoyen como responsável pela Casa da Morte – um conhecido centro macabro e de tortura do Exército em Petrópolis/RJ.

O próprio Sérgio Etchegoyen, honrando tal tradição familiar, conspirou para derrubar a presidente Dilma. Como se lê no livro de um dos ideólogos golpistas do MDB, Denis Rosenfield, mesmo ele sendo Chefe do Estado-Maior do Exército nomeado pela presidente Dilma, o traidor acompanhou o então comandante do Exército, general Villas Bôas, outro traidor também nomeado pela presidente Dilma, em encontros secretos com o também traidor e conspirador vice-presidente Temer. Tais encontros começaram 1 ano antes do golpe.

Não por coincidência, em 12 de maio de 2016, no mesmíssimo dia em que o Senado afastou Dilma da presidência na farsa do impeachment, Sérgio Etchegoyen entrou para a reserva no Exército e, simultaneamente, assumiu como ministro do Gabinete de Segurança Institucional [GSI] do governo usurpador.

No GSI, Etchegoyen empoderou as Forças Armadas, recompôs as áreas de informação, controle e inteligência do Estado desde a perspectiva militar e iniciou o processo de colonização e aparelhamento do Estado por militares, que hoje se traduz em quase 10 mil postos civis de trabalho e comando do setor público ocupados por militares.

Na entrevista ao Valor, Sérgio Etchegoyen ainda tergiversou defendendo Bolsonaro e responsabilizando ministros do STF por atentados à Constituição: “Qual a atitude efetiva do Bolsonaro, em termos de desapreço à Constituição Federal, comparável a de alguns ministros do STF que não se constrangeram em agredir a gramática para dar sustentação à esdrúxula tese de apoio à reeleição, na mesma legislatura, dos presidentes das duas Casas do Congresso?”, desafiou o general.

É claro que Etchegoyen tem razão quanto à absurda discussão, pelo STF, da reeleição das presidências do Congresso. Mas, se tivesse mínimo apego à verdade, ele reconheceria que Bolsonaro já cometeu vários atentados à Constituição e ameaçou o fechamento do Congresso e do STF inclusive em frente ao Quartel General do Exército e na rampa do Planalto – com o agravante de estar acompanhado nesta escalada golpista por militares da ativa e da reserva.

Etchegoyen outra vez tergiversou ao analisar os riscos do Bolsonaro promover em 2022 o mesmo que Trump no Capitólio. E ele outra vez defendeu Bolsonaro e desdenhou da ameaça de ruptura como mera “retórica oposicionista” [“narrativa”]: “Dizer agora que a invasão do Capitólio é uma prévia do que pode acontecer aqui é antecipar o reforço a uma narrativa que hoje se opõe incondicionalmente ao governo Bolsonaro, é torcer pra isso acontecer, é trabalhar contra o país”, disse ele.

Etchegoyen sabe que se o país não estivesse sob um regime de exceção com tutela militar, Bolsonaro sequer poderia ter concorrido, quanto menos eleito presidente. E ele também sabe que é graças a este garrote jurídico-militar sobre as instituições e poderes de Estado que Bolsonaro ainda não foi removido do cargo e preso.

Mas o general pensa que todo mundo é otário, e então tergiversa à vontade. Não é o caso de classificá-lo como um hipócrita ou cínico, mas sim de lembrar que Etchegoyen age assim porque tem uma mente militar adestrada para dissimular, confundir, executar operações psicológicas e promover táticas diversionistas para estontear os adversários e enganar os inimigos no campo de batalha.

E, ao final da guerra, quando se percebe a realidade concreta, que é antagônica à paisagem bucólica pintada por ele com sua fala dissimulada, aí já é tarde demais.

Não é prudente, portanto, confiar-se nas palavras dele. Afinal, como confiar num general com currículo de conspirador como Sérgio Etchegoyen, que em pleno 2021 ainda sustenta que “Nunca os militares se manifestaram para corrigir para lá ou para cá”?

*Jeferson Miola/247

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Não existe vacina para curar a tara que Cantanhêde tem pelo PT

O ataque da jornalista Eliane Cantanhêde ao PT é como o de uma serpente traiçoeira.

Do nada, a caninana enfia o PT em seus artigos ou comentários.

Lógico, sempre associando o PT a algo negativo.

Nesta terça (12), na GloboNews, a cobra deu seu bote em Olívio Dutra ao compará-lo a Bolsonaro.

Numa comparação esdrúxula, Cantanhêde disse que Bolsonaro se comportou como o PT, com Olívio Dutra, na disputa pela instalação de uma fábrica da Ford no Rio Grande do Sul.

Na sua coluna, no Estadão, a última romântica do tucanistão, ela propôs que a justiça passasse por cima dos crimes de Moro contra Lula para Bolsonaro não vencer a eleição em 2022.

Esse antipetismo obsessivo de Cantanhêde é doentio, pior, não tem vacina nem remédio para curá-lo.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Um dia após a Ford abandonar o Brasil, Macron pede para a Europa abandonar a soja brasileira

Como para Bolsonaro tragédia econômica pouca, é bobagem, depois de ver a Mercedes, no mês passado, a Ford nesse mês picarem a mula do Brasil, além de outras montadoras estrangeiras inclinadas a pegarem a mesma rota, Emmanuel Macron faz pesado discurso contra o monstro amazônico, dizendo que é urgente que a Europa abandone as relações comerciais com o Brasil na compra da soja para salvar o planeta através do salvamento da Amazônia.

Como já foi dito aqui no Blog, Bolsonaro é considerado hoje no mundo um sujeito tóxico, mas principalmente contagioso do qual todos os chefes de Estado devem manter distância.

O fato é que Macron pisou no principal calo de Bolsonaro, que não é de agora, tem olho gordo tanto na Amazônia quanto no Pantanal.

E aqui não se fala do gado de Bolsonaro, para quem ele poderia converter a floresta em um gigantesco pasto para os sócios de carteirinha do gabinete do ódio, mas da exploração do garimpo ilegal, da madeira e de uma série de riquezas que envolvem subsolo dessa região.

Macron não deu meia volta, na verdade, somou voz com Biden, que já na disputa presidencial colocou Bolsonaro diante do mundo como um monstro predador que, em nome da salvação do planeta, deveria ser abatido.

Por isso, o governo Biden já anuncia abertamente que combaterá os Bolsonaros do planeta. Isso foi dito por Gregory Meeks, novo presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA.

Em vídeo postado nas redes sociais, Macron defendeu que a Europa tenha coerência com suas políticas ambientais em meio ao evento One Planet Summit” que acontece em Paris.

“Continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia”, disse Macron.

Mas a fala mais contundente de Macron, que é um tiro de canhão em Bolsonaro, foi essa:

“Nós precisamos de soja brasileira para viver? Então, nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”.

Isso foi dito no evento que contou com a presença de trinta chefes de Estados, empresários e representantes de ONGs que participavam das discussões junto com o Secretário Geral da ONU, o presidente do Banco Mundial, a presidente da Comissão Europeia, a chanceler Angela Merkel e o chefe do governo britânico Boris Johnson.

Em outras palavras, Bolsonaro está isolando o Brasil de vez do mundo civilizado, como era previsto, já que nada avança contra ele e seu clã aqui no Brasil. O país inteiro vai pagar essa fatura.

Obs. Macron, que já queria fritar Bolsonaro anteriormente, contemporizou suas críticas e ações sob pressão de Trump, agora, além da queda do fracassado Trump, Macron, corretamente, sentiu-se turbinado na parceria com Biden para detonar de vez o imbecil.

*Da redação

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Por que Bolsonaro pode sofrer uma ‘tempestade perfeita’ na política e na economia em 2021

Matéria publicada em 22 de dezembro de 2020 na BBC News – Por André Shalders

Quando o calendário virar de 2020 para 2021, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá de lidar com uma conjunção de problemas em várias frentes: na economia, na política interna e na relação com os outros países.

A série de fatores negativos pode ser lida como uma espécie de “tempestade perfeita”, um período que testará a resiliência da gestão de Bolsonaro, segundo especialistas de várias áreas.

Nas relações internacionais, o governo do capitão reformado do Exército sofrerá um abalo com a chegada ao poder do democrata Joe Biden, que assumirá como o 46º presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro. Bolsonaro foi um dos últimos líderes mundiais a reconhecer a vitória eleitoral do futuro mandatário americano.

Na economia, Bolsonaro terá de lidar com o fim do auxílio emergencial e dos demais programas de socorro financeiro criados durante a pandemia do novo coronavírus — e com os efeitos da interrupção dos pagamentos sobre sua popularidade.

Segundo projeção de um sociólogo ouvido pela BBC News Brasil, cerca de um terço da população brasileira estaria hoje vivendo abaixo da linha da pobreza definida pelo Banco Mundial (R$ 434 por pessoa por mês), se não fosse pelo auxílio.

No xadrez político em Brasília, o presidente enfrentará um período de incertezas: Câmara e Senado definirão no dia 1º de fevereiro seus presidentes para os próximos dois anos, o que obrigará Bolsonaro a fazer novas concessões e acordos para tentar emplacar aliados no comando das duas casas legislativas.

Para complicar, o Congresso entrará 2021 sem a Lei Orçamentária Anual (LOA) do ano que vem aprovada, o que limitará a capacidade de gastos do governo ao mínimo, pelo menos nos primeiros meses.

Finalmente, há a pandemia do novo coronavírus: no fim de 2020, o país voltou a registrar um novo aumento no número de casos e de mortes, depois de meses de declínio. Segundo pesquisadores que acompanham os números da pandemia, a situação configura uma segunda onda do vírus, que voltará a tensionar os serviços de saúde e pode comprometer a retomada da economia.

“A verdade é que todo presidente, da metade para a frente do governo, o cenário começa a mudar. Aquela lua-de-mel (do começo do mandato) já passou, e as articulações (para a eleição seguinte) começam a ser feitas. A gente sabe também que o ambiente político é muito guiado pela circunstância econômica. Então, se a gente enfrentar uma crise econômica mais forte (…), pode ser que ele enfrente bem mais dificuldades”, diz o cientista político Bruno Carazza.

“Bolsonaro vai ser realmente testado no ano que vem (2021). Este ano (2020) foi um ano atípico, em que ele não conviveu com restrições fiscais (graças ao ‘orçamento de guerra’ aprovado pelo Congresso), e 2019 foi o ano do início do governo, quando ele tinha a popularidade da eleição a favor dele e conseguiu aprovar a reforma da previdência. Então, ele navegou bem em 2019, e 2020 foi um ano super atípico. Agora, ele vai ser realmente testado em 2021”, disse Carazza, que é professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.

A seguir, a BBC News Brasil detalha cada uma dessas fontes de tensão para o ocupante do Planalto.

No dia 20 de janeiro, o democrata Joe Biden tomará posse como o 46º presidente dos Estados Unidos.

Para o governo brasileiro, esse cenário está longe de ser o ideal. Jair Bolsonaro e seus filhos nunca esconderam que tinham lado na disputa presidencial americana: o lado do atual presidente, o republicano Donald Trump, derrotado nas urnas.

Bolsonaro foi o último líder de um país do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, a reconhecer a vitória de Biden.

Além disso, o presidente brasileiro chegou a dizer, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição dos EUA.

Segundo telegramas diplomáticos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro recebeu do embaixador brasileiro em Washington, Nestor Forster, análises baseadas em notícias falsas — o material enviado por Washington questionava a lisura do pleito.

Enquanto a maioria dos chefes de Estado e de governo parabenizou o democrata em 7 de novembro, quando a contabilização de votos permitiu que se projetasse sua vitória, Bolsonaro aguardou até 15 de dezembro, depois que o resultado foi confirmado pelo Colégio Eleitoral.

Ao reconhecer a vitória de Biden, Bolsonaro disse que estará “pronto a trabalhar com o novo governo e dar continuidade à construção de uma aliança Brasil-EUA”.

Fernanda Magnotta é coordenadora do curso de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Segundo ela, o Brasil sempre viu os Estados Unidos como um parceiro prioritário — o que é novo, no governo Bolsonaro, é o alinhamento “ideológico” a Donald Trump.

“O que a gente vê no governo Bolsonaro até agora é mais que um alinhamento automático desses que a gente já conhecia. O que a gente assistiu foi um alinhamento ideológico. Só que não é um alinhamento ideológico com os Estados Unidos, é um alinhamento ideológico com o ‘trumpismo’, em particular”, diz ela.

“O risco de estabelecer uma política de governo, e não de Estado, é que os governos vão e vêm. E na medida em que os governos vão, a gente se torna vulnerável”, diz ela.

Segundo Magnotta, o governo brasileiro enfrentará dificuldades de três tipos num governo Biden.

O primeiro é de agenda: o próximo mandatário norte-americano estará focado em temas domésticos, como o enfrentamento à pandemia de covid-19.

“Isso já é ruim para o Brasil, porque, querendo ou não, o país vai estar no final da fila para apresentar suas credenciais e suas demandas para o governo americano. Não vai ser visto como um parceiro que merece atenção imediata”, diz ela.

Depois, há a divergência em termos de valores: Biden foi eleito defendendo pontos de vista opostos aos de Bolsonaro e de Donald Trump em várias áreas — inclusive na chamada “agenda de costumes”.

“Então, quando uma nova narrativa chega à Casa Branca, e a narrativa anterior é incompatível, vai haver a necessidade do governo brasileiro de tomar medidas para se desvencilhar da narrativa anterior. Se não fizer, vai sofrer as consequências do isolamento”, diz Magnotta.

Por fim, há a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos: o Brasil é um país agroexportador, cuja imagem na área ambiental se tornou muito ruim nos últimos anos. Se não agir para mudar esta percepção, pode acabar sendo escanteado pela administração Biden, que elegeu o meio ambiente como uma de suas prioridades.

“Caso o governo brasileiro não tome as medidas para lidar com isto com uma certa celeridade, pode acabar se tornando ‘útil’ para os Estados Unidos, em certa medida, escolher o Brasil como uma espécie de mau exemplo a ser combatido”, diz ela.

Nos últimos meses, a equipe econômica do governo apresentou várias ideias para financiar a chamada “Renda Cidadã”, um programa cujo objetivo era substituir e ampliar o atual Bolsa Família, de modo a amenizar o choque provocado pelo fim do auxílio emergencial.

Foram várias as sugestões do time de Paulo Guedes para conseguir dinheiro: uma nova CPMF, o congelamento do valor das aposentadorias e até o uso do dinheiro de emendas parlamentares. Mas, ao fim, estas ideias fracassaram, e o Bolsa Família deve continuar como está.

Junto com o auxílio emergencial, que chegou a atingir mais de 66,2 milhões de brasileiros, também devem acabar em janeiro outras iniciativas criadas para minimizar a destruição econômica provocada pelo vírus.

Um deles é o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permitiu às empresas reduzir a jornada de trabalho e os salários dos funcionários, que passaram a ser complementados por recursos públicos. Sem a medida, há a expectativa de mais demissões.

Além disso, linhas de crédito criadas para auxiliar as empresas durante a pandemia também devem se encerrar neste fim de 2020.

O sociólogo Rogério Barbosa, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), afirma que, sem o auxílio emergencial, quase um terço da população brasileira pode cair abaixo da linha da pobreza definida pelo Banco Mundial, de R$ 434 por pessoa por mês.

Sem o benefício, a pobreza teria chegado a 35% dos brasileiros já em maio de 2020, no auge das medidas de restrição contra o novo coronavírus, acrescenta o pesquisador, que se concentrou em estudar os efeitos da pandemia sobre a pobreza no Brasil nos últimos meses. Ao longo do ano de 2020, porém, o índice foi diminuindo, graças às pessoas que voltaram a trabalhar.

“O problema é que isso tem um teto. Quando os negócios fecham, eles acumulam dívidas, eles acumulam uma série de custos, e não conseguem simplesmente abrir depois. Você vai ter custos com contador; custos com fornecedores (…). Negócios pequenos que fecham não reabrem imediatamente depois que a economia puder funcionar, depois da vacina.”

“O fim da calamidade pública, nominalmente, não vai ser o fim da calamidade econômica”, afirma o sociólogo, que é também pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da Universidade de São Paulo (USP).

“Em julho (de 2020), 7% da população vivia exclusivamente de auxílio emergencial. São 14 milhões de pessoas. São pessoas que não têm emprego, não tem nada.”

“O risco disso é muito grande. Tem um risco de curto prazo, que é a pobreza absoluta, pessoas morrendo de fome. Isso pode gerar uma fratura social importante, uma crise de legitimidade do sistema político. A pressão social sobre a política pode aumentar, em momentos assim”, afirma.

Em Brasília, incertezas na relação com o Congresso

Um terceiro foco de tensão para Bolsonaro em 2021 é a relação com o Congresso.

No dia 1º de fevereiro, Câmara e Senado elegerão seus presidentes para os próximos dois anos — e, desde o fim das eleições municipais, esta é a principal disputa de poder em Brasília.

Para Bolsonaro, é vital conseguir emplacar um aliado no comando das duas casas do Legislativo, especialmente da Câmara. Além de decidir quais projetos serão pautados, é o presidente da Casa Baixa que decide sobre aceitar ou não um pedido de impeachment — atualmente, há quase 60 demandas do tipo aguardando na fila.

No momento, a eleição mais tensa, do ponto de vista do governo, é justamente a do comando da Câmara: o deputado Arthur Lira (PP-AL) é o postulante apoiado pelo Planalto. Ele deve concorrer contra o nome a ser escolhido pelo grupo do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o atual presidente da Câmara.

No começo de dezembro, Lira lançou sua candidatura à presidência com o apoio de cinco partidos do Centrão: PP, PL, PSD, Solidariedade e Avante. As legendas somam 135 nomes.

Já o grupo reunido em torno de Rodrigo Maia conseguiu atrair os partidos de oposição e soma hoje 11 siglas: DEM, MDB, PSL, PSDB, Cidadania, PV, PT, PSB, PCdoB, Rede e PDT. São 281 deputados nestes partidos.

Apesar disso, os apoios das legendas raramente se traduzem diretamente em votos, porque o escrutínio é secreto. Além disso, o grupo de Rodrigo Maia ainda não escolheu um candidato, e a demora favorece o Arthur Lira.

Para tentar ganhar apoios para o deputado do PP alagoano, o Planalto tem negociado com os parlamentares.

Recentemente, o governo liberou R$ 1,9 bilhão para obras de infraestrutura a serem indicadas pelos deputados; e em Brasília já se fala na realização de uma reforma administrativa para liberar espaços para políticos que venham a apoiar Arthur Lira.

Um dos parlamentares a ser acomodados é o atual vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), que deixou o grupo de Maia para apoiar o candidato do Planalto.

Finalmente, quando o calendário virar de 2020 para 2021, Bolsonaro precisará da boa vontade dos congressistas para votar duas medidas extremamente importantes, que não foram apreciadas este ano.

A primeira é a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021. Sem a aprovação do Orçamento, o governo seguirá funcionando à base dos chamados Duodécimos — o que impede gastos novos ou investimentos.

A segunda medida a ser aprovada é a chamada PEC Emergencial, uma proposta que traz mecanismos para tentar controlar a trajetória da dívida pública, impedindo que o governo fure o chamado teto de gastos.

*BBC News

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Vídeo: A saída da Ford do Brasil é só a primeira das tempestades perfeitas que cairão na cabeça de Bolsonaro

A saída da Ford do Brasil é somente um aperitivo do que vem pela frente. E vem aí a tempestade perfeita, com muitas trombas d’água que cairão na cabeça de Bolsonaro e, consequentemente, nas nossas cabeças, já que somos as principais vítimas de um país sem governo e a caminho do precipício. É pra isso que deram o golpe numa mulher honrada, honesta? Não dá para descrever o caos nos espera.

Assista:

*Da redação

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Vídeo: Luis Roberto Barroso entrevistou FHC. Foi o encontro do ego com a vaidade

Foi o encontro do ego com a vaidade, regado a uma gigantesca hipocrisia moralista.

Vaidade latente, ego levado ao último grau e muitos, mas muitos gases verborrágicos na rasgação de seda, com falsos elogios e um desprezo absoluto pela sinceridade.

Podem até me acusar de falta do que fazer para perder tempo assistindo a um troço desses. Mas tapei o nariz e encarei a parada.

A determinação de Barroso em tentar fabricar um personagem místico do boquirroto tucano, foi coisa para os fortes, porque não deve ser fácil fingir que leva FHC a sério.

Mas Barroso, o entrevistador, persistia com a cena para conseguir o que  desejava, ecoar sua vaidade no ego de FHC.

E não é que Barroso provou que a determinação é a chave do sucesso!

No final da entrevista com valor histórico para o nada, Barroso sacou aquele monte de inutilidades publicadas em livros por FHC, e recebeu como retribuição ensaiada FHC mostrando no vídeo que tinha os livros de Barroso. Lógico, nenhum dos dois teve saco para ler a bobajada que o outro escreveu.

Mas a pessoa, cega de vaidade, expõe sua pior ferida, o ego como o grande guia dos tolos.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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A saída da Ford e Mercedes do país prova que não se dá golpe numa presidenta e prende o melhor presidente da história impunemente

Agradeçam ao herói Moro e seus picaretas da força-tarefa da Lava Jato pela saída da Ford e da Mercedes do Brasil.

Moro, se não é um candidato viável, ele pode se orgulhar de, além de levar à falência as maiores empresas brasileiras gerando milhões de desempregados, colocou no poder Temer e Bolsonaro, responsáveis pelo estado de coisas em que o Brasil vive.

Detalhe: dois comprovadíssimos corruptos absolutamente impunes.

Mas não para aí. A Ford anunciou sua saída do Brasil avisando que o país hoje, não tem segurança jurídica.

Como teria se a Lava Jato atropelou a constituição, as instituições, a partir a histeria punitivista criada pelos cocô-boys de Curitiba comandados pelo juiz bombril. Aquele mesmo que investigava, acusava, julgava e condenava quem ele considerava inimigo político.

É desse filão de aspectos que foi feito o desmonte do país, seja empresarial, seja jurídico.

Resumindo, não se dá golpe numa presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos e se prende, sem provas, o melhor presidente da história do Brasil, impunemente.

Outro detalhe fundamental para entender tudo isso: Argentina fez a maior quarentena do mundo, taxará grandes fortunas, mas a Ford segue pra lá. Agora, a Argentina vai exportar carros para o Brasil.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Uma fábrica como a Ford, com mais de 100 anos no Brasil, não fecharia se a economia mostrasse um mínimo de vigor

Uma coisa é o governo militar de Bolsonaro, junto com Maia, anunciar as reformas, assim como o governo Temer, que impulsionariam a economia brasileira e, consequentemente, gerariam milhões de empregos.

Mas fora do conto de fadas neoliberal e suas asas de anjos protetores, o brasileiro foi esbofeteado mais uma vez pela mesma laia de sempre.

O discurso do governo Bolsonaro é o de que tudo dependia de uma torcida a favor, pois, tendo fé que a economia aconteceria, o jiló se transformaria em pêssego a partir das atitudes e ações que o suposto mercado daria emprego e renda para todos os brasileiros.

É o que todos querem, é o que todos sonham, mas a vida dos brasileiros está cada dia mais imprevisível, justamente porque os trabalhadores, perdendo empregos e direitos, a raiz dos problemas brasileiros, seu mundo seria não um capítulo por dia, mas uma história, dependendo da atividade de muitos, é preciso matar um leão à unha por hora.

Um troço desse presta? Alguém vai dar crédito para um trabalhador precarizado? Alguém vai conseguir vender numa escala razoável sem crédito para seus consumidores?

O Brasil está se transformando numa massa falida, o que já denunciava a bolsa de valores com a compra de empresas nacionais na bacia das almas por grupos internacionais, porque o mercado funciona assim, quando um país sangra é que o oportunista investe para acabar de matar a empresa e, na frente, vendê-la ganhando duas ou três vezes mais para quem tem o chamado olhos de águia.

O caso da Ford não é outra coisa, senão o resultado de uma economia de pinguela. E o que vem a ser isso? Uma economia que depende de algo extremamente frágil, duvidoso que exige sacrifícios humanos sobrenaturais para, no final das contas, aquilo que a mídia chama de “novo empreendedor” não conseguir somar em um mês de trabalho sacrificante sequer 80% do miserável salário mínimo.

O Brasil volta à era de FHC, com o mesmo pensamento neoliberal e o mesmo resultado, fazendo com que o Véio da Havan, um comerciante de bugigangas da China, vire a grande referência de empresário brasileiro. E, lógico, além de milhões de portinhas que vendem bugiganguinhas e eletrônicos, vê-se explodir em bairros a oferta ambulante do vendedor de ovos, de vassouras, de queijos, de pães e outras quinquilharias. Pelo estado do automóvel utilizado pelos vendedores, dá para se ter a medida da vida sacrificante que estão levando e o retorno nenhum que têm.

Isso é de fato o resultado de uma economia, a vida como ela é para milhões e milhões de brasileiros trabalhadores que, na época de Lula e Dilma, viram, durante 13 anos, sua mão de obra ser valorizada com um salário que tinha o maior poder de compra da história e o desemprego com as menores taxas da história do país. Agora, estão aí perambulando para cima e para baixo, desesperados, sabendo como começa o dia, mas não como termina, se terão um qualquer para colocar o feijão com arroz no prato dos seus filhos.

Trocando em miúdos, aquele deus mercado dará, prometido pelo crescimento em V de Paulo Guedes, não deu, prometeu e não entregou a encomenda.

A saída da Ford, praticamente, um mês depois do fechamento da fábrica da Mercedes, prova que o Brasil caminha a passos largos para voltar à era do país do R$ 1,99 que marcou os oito anos do neoliberalismo de FH decalcado por Bolsonaro, Guedes e Maia.

O resto é conversa fiada para fazer dos brasileiros bucha de canhão para o sistema financeiro.

Para quem ainda não entendeu, vai um português claro, o Brasil, depois do golpe em Dilma, entrou em liquidação. Esse era o plano da Lava Jato, de parte do STF, dos militares, de Temer, Guedes, Maia e Bolsonaro. Ou seja, fala-se aqui de ratos que tomaram de assalto o país para destruí-lo em nome de interesses internacionais, sobretudo dos EUA.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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