Peixe, o miliciano que circulava entre os Brazão e o caso Marielle, recebeu uma porta aberta no gabinete de Flávio Bolsonaro para a liberação de R$ 200 mil em emenda parlamentar. E não estamos falando de qualquer personagem. Robson Calixto, o “Peixe”, foi condenado pelo STF por integrar a organização criminosa ligada aos irmãos Brazão e aparece no relatório da Polícia Federal como responsável por intermediar a entrega da arma utilizada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
E a história fica ainda mais incômoda quando se olha para a sequência dos fatos. A PF encontrou mensagens nas quais Peixe tratava diretamente com uma assessora de Flávio Bolsonaro sobre a liberação dos recursos. A verba, de R$ 199.999,79, acabou destinada a um instituto localizado justamente em território de forte influência política dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes do assassinato.
Não é necessário inventar conexões para perceber que há uma cadeia de relações que precisa ser rigorosamente explicada: um miliciano condenado no caso Marielle, os irmãos Brazão apontados pela Justiça como mandantes, um pedido de recursos públicos e o gabinete de um candidato à Presidência no centro da negociação.
Flávio Bolsonaro afirma que a destinação da emenda seguiu a legislação e critérios técnicos. Mas isso não encerra as perguntas levantadas pela investigação sobre a intermediação do dinheiro, os interlocutores e o destino efetivo dos recursos.
E é justamente aí que entra a ironia: diante de uma sucessão tão extraordinária de personagens, encontros, relações e dinheiro público, talvez alguém ainda queira nos convencer de que tudo isso aconteceu por acaso.
Peixe no caso Marielle. Brazão no comando político da região. Emenda de R$ 200 mil articulada com o miliciano. E Flávio Bolsonaro no outro extremo da linha.
Mas claro: tudo não passa de mera coincidência.
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Na esteira das novas relevações sobre a conexão do candidato à Presidência com o crime organizado, episódio brutal foi relembrado, gerando revolta e repúdio
A recente denúncia apresentada pelo ex-deputado Marcelo Freixo, revelando a atuação direta de Flávio Bolsonaro na defesa jurídica para adiar o júri popular do policial militar Bruno Delaroli, acusado do assassinato com tiro de fuzil da pequena Ana Clara Machado, de 5 anos, em 2021, trouxe novamente ao centro do debate público o histórico de conivência e cumplicidade do clã com agentes do crime organizado. A revelação funcionou como estopim para que a opinião pública resgatasse um rastro persistente de episódios em que o hoje pré-candidato à Presidência utilizou seu capital político para blindar e legitimar a violência cometida por grupos milicianos no Rio de Janeiro.
Entre os fatos mais chocantes que compõem essa trajetória de afronta ao Judiciário e à sociedade, destaca-se um episódio brutal ocorrido em 2015, no Batalhão Especial Prisional (BEP), na capital fluminense, quando uma magistrada no exercício de suas funções foi covardemente espancada por detentos milicianos sob o endosso público do então parlamentar da Alerj.
Ataque no BEP e a inversão da culpa por Flávio Bolsonaro Em outubro de 2015, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio de Janeiro, realizava uma inspeção surpresa no Batalhão Especial Prisional, localizado em Benfica, Zona Norte carioca. A visita tinha como objetivo apurar graves denúncias de que policiais militares custodiados, muitos deles integrantes de milícias e esquadrões da morte, desfrutavam de regalias ilegais, como celas especiais equipadas com aparelhos de ar-condicionado, eletrodomésticos, bebidas alcoólicas e livre circulação.
Ao constatar as irregularidades e tentar apreender materiais proibidos, a magistrada foi sumariamente cercada por um grupo de PMs amotinados. Em uma cena estarrecedora de quebra da ordem constitucional, a juíza foi empurrada, agredida fisicamente, teve seus óculos quebrados e a blusa rasgada pelos detentos dentro da própria unidade prisional do Estado.
Enquanto entidades da magistratura, juristas e a sociedade civil reagiam com perplexidade ao ato de barbaridade, Flávio Bolsonaro usou a tribuna da Alerj e suas redes para reverter a narrativa, atacando a magistrada e justificando o crime cometido pelos custodiados. Em vez de repudiar a agressão contra uma autoridade do Judiciário em pleno cumprimento do dever, o político acusou a juíza de ter “provocado” os milicianos.
“A juíza se dirigiu de forma desrespeitosa a alguns policiais, chamando de vagabundos e milicianos. […] Acabou sendo expulsa lá de dentro por policiais que se revoltaram”, declarou Flávio à época, naturalizando a surra levada pela juíza e tratando criminosos encarcerados, que ele chamou de “policiais”, como vítimas de uma suposta provocação. Ao rotular o cumprimento da fiscalização como desrespeito, Flávio chancelou a violência de agentes do crime organizado contra a própria estrutura da Justiça.
Uma rotina de hostilidade contra magistradas e compadrio com milicianos A postura adotada no caso de Daniela Barbosa não foi uma reação isolada, mas parte de uma estratégia contínua de intimidação contra magistrados que ousaram enfrentar o avanço das milícias no Estado. Anos antes, em 2011, Flávio já havia protagonizado um dos episódios mais sombrios da política fluminense ao relativizar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros por policiais corruptos em Niterói. Na ocasião, o parlamentar culpou a própria magistrada morta pela tragédia, publicando que a forma como ela “humilhava” esse milicianos e que assim teria contribuído para que ela acumulasse “muitos inimigos”.
Esses ataques repetidos a mulheres magistradas desenham uma linha de continuidade clara: a defesa sistemática de uma estrutura paralela de poder. Ao longo de mais de duas décadas de vida pública, o nome de Flávio Bolsonaro acumula uma sucessão ininterrupta de notícias, investigações e registros oficiais que demonstram seus laços com a criminalidade organizada.
Seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi marcado pela concessão de homenagens e honrarias a lideranças paramilitares, como a Medalha Tiradentes concedida ao chefe da milícia “Escritório do Crime”, o matador de aluguel Adriano da Nóbrega, além da contratação de parentes diretos de milicianos para cargos comissionados em seu gabinete político. Cada novo fato revelado apenas confirma que a proximidade com o paramilitarismo nunca foi casual, mas uma escolha consciente de atuação política.
Flávio Bolsonaro defendeu assassino de criança de 5 anos, denuncia Marcelo Freixo A retomada desses episódios ocorre no exato momento em que novas denúncias revelam que a atuação de Flávio Bolsonaro na órbita do crime de colarinho corporativo e militar segue hígida. Conforme denunciou o ex-deputado Marcelo Freixo, o pré-candidato atuou diretamente na estratégia jurídica para adiar o julgamento do PM Bruno Delaroli. De acordo com a Forum, o agente é acusado pelo homicídio da pequena Ana Clara Machado, de apenas 5 anos, atingida no peito por um tiro de fuzil em 2021 enquanto brincava na porta de casa ao lado do irmão de 2 anos. O caso, que transcorre há anos sem o devido desfecho nos tribunais, explicita como o amparo a acusados de crimes brutais permanece sendo uma constante na atuação do clã.
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Relatório revela que intermediário cobrou a liberação de recursos para filme dos Bolsonaro e para o Santos
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação sobre o Banco Master indicam que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr., pressionaram o banqueiro Daniel Vorcaro por liberação de recursos em fevereiro de 2025.
Os diálogos foram revelados pela revista Carta Capital a partir de relatório da corporação e mostram o publicitário e lobista Thiago Miranda relatando a Vorcaro que recebia cobranças de ambas as partes.
Em conversa enviada em 11 de fevereiro de 2025, Miranda solicitou auxílio ao banqueiro para destravar pendências relativas ao financiamento do filme “Dark Horse” e a uma negociação comercial com o Santos Futebol Clube. Na sequência da mensagem, o intermediário escreveu: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”. Diante do relato, Vorcaro respondeu chamando o publicitário para conversar.
As cobranças registradas no relatório policial envolvem duas frentes distintas de negociação. A primeira diz respeito ao financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, obra fictícia voltada à trajetória política do ex-presidente preso Jair Bolsonaro (PL), que recebeu repasses de Vorcaro que somaram R$ 61 milhões.
A segunda frente tratava de uma proposta de R$ 15 milhões pelo uso da marca do Banco Master em três espaços do uniforme do Santos Futebol Clube, com a intermediação de Neymar Pai.
De acordo com a PF, Thiago Miranda atuava como elo entre o dono do Banco Master e os interessados em ambos os projetos. Dias antes do relato sobre as cobranças, em 3 de fevereiro de 2025, o lobista informou a Vorcaro que organizava uma reunião na residência do banqueiro com a presença de Neymar Pai e representantes do atleta.
A investigação ressalva que o material apreendido não permite concluir se houve reunião presencial de Neymar Jr. ou de seu pai com Daniel Vorcaro, nem confirma se os acordos foram fechados nos termos negociados.
Procurada pela reportagem da Carta Capital, a assessoria da empresa NR Sports, responsável pela gestão da imagem do jogador, não enviou resposta até a publicação das informações.
*BdF
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Peixe, ligado aos irmãos Brazão, teria procurado gabinete por verba para projeto na Taquara
Uma assessora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou, em 2023, da liberação de emendas parlamentares enviadas pelo senador com o miliciano Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, que foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).
O montante de R$ 199 mil foi enviado por Flávio a um projeto de futebol do Ifop (Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), no Rio. A entidade fica localizada no bairro Taquara, uma área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e do conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) Domingos Brazão –condenados como mandantes da morte de Marielle.
A Polícia Federal vê indícios de desvios de recursos no envio dos repasses. As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em diálogos obtidos pela PF entre Calixto e a assessora de Flávio, Maria de Fátima Bezerra Castro. A Folha de S.Paulo também teve acesso às conversas.
Em nota, a assessoria de Flávio, atualmente candidato à Presidência pelo PL, disse que os repasses foram feitos dentro da lei e seguiram critérios técnicos do Ministério do Esporte.
“A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”, afirma.
Os irmãos Brazão foram condenados, cada um, a 76 anos e 3 meses de prisão pelo STF em fevereiro por terem sido os mandantes da morte de Marielle e chefiarem de uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo.
A reportagem entrou em contato com o advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, por mensagem e por ligação nesta segunda-feira (21), mas não houve resposta. Cleber Lopes, que representa Chiquinho, disse que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão no caso Marille informou que não cuida desse tema relacionado a emendas. O espaço segue aberto para os demais citados.
Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, a 9 anos de prisão por envolvimento no assassinato de Marielle Franco (Foto: Reprodução)
Conversas Nos diálogos, coletados de um celular de Calixto em março de 2024, quando ele foi alvo de busca e apreensão no caso Marielle, o miliciano afirma ao contato salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue [sic] nos ajudar”.
A assessora do candidato do PL pede que ele mande um email ou um ofício com a solicitação, o que é feito por Calixto. Ela, então, pergunta quando o miliciano iria a Brasília. “Vou em Novembro, será que consegue nos ajudar com alguma coisa?”, respondeu.
Os diálogos entre eles se estenderam até março de 2024, com cobranças de Calixto por “notícias boas” e um pedido para que Flávio Bolsonaro não esquecesse o Ifop. “Vê se o senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto”, diz ele em uma conversa de novembro. “Pode deixar”, afirma a assessora. Dias depois, Mária de Fátima declara que ligaria para Calixto.
“Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”, escreveu o miliciano em 22 de março de 2024.
Além da negociação envolvendo as mensagens, os registros mostram a funcionária do senador pedindo ingressos para um desfile na Sapucaí. “Joinha!!! Já estou te perturbando rsrsrs será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no camarote Arpoador?”, enviou a assessora de Flávio a Calixto.
A solicitação foi classificada pelos investigadores como vantagem indevida.
Em outra troca de mensagens, de outubro de 2023, Maria de Fátima convida o assessor de Chiquinho Brazão para ir a uma cerimônia de entrega de coletes para a Polícia Militar do Rio e cobrar pessoalmente Flávio pela liberação dos recursos. “Leva o deputado”, diz ela a Calixto.
Em julho, a PF deflagrou uma operação sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas por Chiquinho Brazão a ONGs no Rio, para apurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação, diz a polícia, identificou que parte dos recursos provenientes de emendas parlamentares federais destinados a entidades sem fins lucrativos, que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal, teria sido desviada mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores.
*Por Isadora Albernaz, José Marques e Raquel Lopes/ICL
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Existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem. (Milton Santos.
Abra um parêntese para lembrar que os maiores beneficiários do Bolsa Família são crianças e suas mães.
Dito isso, a histórica desigualdade brasileira, através da direita, sempre produziu a fome e a miséria das camadas mais pobres da população.
É aí que reside a gigantesca diferença entre a esquerda e a direita no Brasil, entre Lula e Flavio Bolsonaro. Por isso tanto Flavio quanto a mídia reagiram tão mal ao aumento de R$ 90 dado por Lula ao programa Bolsa Família.
É um ataque que expõe, sem maquiagem, a brutalidade da desigualdade social. De um lado, milhões de pessoas lutando diariamente pelo básico: comida na mesa, moradia, trabalho e dignidade. Do outro, uma minoria que acumula riquezas, patrimônio e privilégios e que, diante de qualquer avanço social, enxerga não uma conquista coletiva, mas uma ameaça aos próprios privilégios.
O problema nunca foi a existência de pobres que reivindicam direitos. O problema, para quem concentra riqueza, é quando os pobres deixam de aceitar a pobreza como destino.
É por isso que a desigualdade não se sustenta apenas pela concentração de renda. Ela também precisa do medo, da desinformação e da tentativa permanente de convencer os de baixo de que seus adversários estão entre os próprios pobres.
Quando a maioria percebe que riqueza e dignidade não precisam ser privilégios de poucos, o discurso muda. A pergunta deixa de ser “por que alguns têm tanto?” e passa a ser “por que tantos têm tão pouco?”
E é justamente essa pergunta que as sociedades profundamente desiguais mais temem.
Em última análise, essa é a linha divisória que define campos tão antagônicos. De um lado, Lula com autoridade de quem viveue sofreu coma fome e a miséria, do outro, Flavio Bolsonaro e mídia defendendo as camadas privilegiadas do Brasil. Daí a histeria dessa gente contra o aumento do Bolsa Família.
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A menos de 15 dias da eleição, o candidato à Presidência da República, Flavio Bolsonaro, não mostra documentos que prometeu há 120 dias dos mais de R$ 70 milhões que recebeu de Vorcaro. A mídia amiga não cobra, agindo como seu sicário.
Flávio Bolsonaro e os 120 dias de silêncio: onde estão os documentos prometidos?
A menos de 15 dias da eleição, o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, continua diante de uma pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: onde estão os documentos que prometeu apresentar para esclarecer os mais de R$ 70 milhões que teria recebido de Daniel Vorcaro?
Há 120 dias, a promessa foi feita. O tempo passou, a campanha avançou, mas a sociedade precisa saber se os documentos foram efetivamente apresentados, a quem foram entregues e se esclarecem integralmente as suspeitas levantadas.
E é justamente nesse ponto que o comportamento de parte da mídia precisa ser questionado.
A blindagem midiática que desafia o interesse público
Quando o objetivo é atacar Lula, qualquer suspeita é transformada em manchete, plantão televisivo e intermináveis debates., até mesmo um aumento de R$ 90 ao Bolsona Família, que atende majoritariamente crianças e mulheres, a mídia soma vozes com Flavio Bolsonaro para tentar soldar uma imagem negativa do presidente Lula e ajudar o adversário a não responder a pergunta que o país todo faz: “aonde está o dinheiro, o gato comeu e ninguém viu, o gato sumiu”. Mas quando o assunto envolve um candidato, que é um membro do clã miliciano dos Bolsonaro e suas conexões, os barões da mídia são capazes de cochilar ao som do clamor popular.
Por que essa diferença de tratamento? Quem fiscaliza o candidato que pretende governar o país? Candidado que está em segundo lugar nas pesquisas, co risco de vencer a eleição sem dar qualquer explicação à população.
Por isso todos nós temos o dever de, diuturnamente, cobrar o destino desse monumento de dinheiro que Vorcaro passou para Flavio e que, sem justificar o motivo, mas sobretudo, sem mostrar de forma objetiva e documentada, aonde foi para tamanha fortuna. Porque, se Flavio simplesmente segue concorrendo à Presidência da República sem ser incomodado pela grande mídia, que tem o dever para com a sociedade de cobrar respostas concretas de Flavio, não o faz, utilizando a dissimulação com outros assuntos para abafar o escândalo, não resta dúvida, o maior escracho da mídia em conluio com um bandido que concorre à presidência.
Nunca antes na história política do Brasil se viu um escracho desse nível da mídia com a direita.
É diante dessas informações que um um jornalismo sério se torna indispensável, do contrário, só serve como militância para Flavio Bolsonaro.
Se a mídia se apresenta como fiscalizadora do poder, não pode escolher quando investigar e quando silenciar. Não pode exigir transparência de adversários políticos e, ao mesmo tempo, tratar com tolerância as dúvidas que atingem um candidato que disputa a Presidência da República, o cargo mais altto do país.
A imprensa não pode funcionar como escudo eleitoral de ninguém.
O eleitor tem direito a respostas, documentos e esclarecimentos verificáveis. E a obrigação de cobrá-los não desaparece porque o candidato pertence ao campo político que determinados veículos preferem apoiar.
A poucos dias da eleição, a pergunta permanece: Flávio Bolsonaro vai apresentar os documentos prometidos ou continuará contando com o silêncio de sua mídia amiga?
A democracia exige transparência. E transparência não se faz com promessas, discursos ou propaganda: faz-se com provas, documentos e prestação de contas.
Esse tipo de comportamento que Flavio pretende ter caso vença a eleição?
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Se os indicadores da economia, o aumento recorde de investimentos no país, o aumento exponencial de empregos com carteira assinada e a consequente queda, também recorde, do desemprego, a queda da inflação, sobretudo dos alimentos, entre outros índices extremamente relevantes para os brasileiros no governo Lula, impedem que o papado midiático ataque a governança do presidente, a mídia tentou, de forma estabanada, associar sua imagem a qualquer coisa supostamente negativa, como foi o caso da campanha implacável contra Lulinha, que deu com os burros n’água e sequer fez arranhão no presidente.
O clero midiático, ainda na tentativa de bancar o criativo, quis não só associar Lula a Alexandre de Moraes, mesmo que não tenha nada provado contra o ministro, como também não conseguiu. Assim como tentou com o senador Jaques Wagner e, mais uma vez, fracassou.
Isso não significa que, de alguma maneira, o furdunço numa instituição como o STF não atinja, de certa forma, a imagem do Executivo, até porque a Presidência da República, sendo o maior cargo, carrega essa aura.
É nítido que a tentativa de blindar quem blinda Flavio Bolsonaro, ou seja, André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, detonados por Flavio Dino e Gilmar Mendes, era o objetivo mais açodado da escória do jornalismo nativo.
Contudo, as pesquisas mostraram que Lula não teve qualquer perda eleitoral e, se Flavio teve crescimento, foi sobre um rescaldo de Augusto Cury, que sofreu uma queda abrupta na intenção de voto, e os três diabos menores, Caiado, Zema e Renan, tanto que Lula cresceu de 1 a 2 pontos.
Mais que isso: percebendo a manobra suja da grande mídia contra Lula, a militância de esquerda ficou muito mais ativa, o que certamente refletirá nas próximas pesquisas, mesmo que não seja de estalão, mas o resultado virá nas urnas.
Não se afirma aqui que Lula dará um passeio, pois, no Brasil, há um caldo reacionário que odeia justamente os benefícios sociais que caracterizam os governos de Lula, e não foi diferente no seu terceiro mandato. Mas, ainda assim, há uma direita que não é selvagem como o bolsonarismo, que aplaude quem devolveu o Brasil ao mapa da fome, como Bolsonaro, responsável por mais de 700 mil mortes por covid e que reúne o próprio inferno no entorno de si, como é o caso de Flavio Bolsonaro, o herdeiro bolsonarista.
O jogo está aberto e, quem sabe, pode até ser definido já no primeiro turno, como apontaram os votos válidos da pesquisa espontânea da CNT/MDA.
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Por trás das telas de cinema e dos discursos de moralidade, a Polícia Federal e o Coaf desenterraram uma das engrenagens mais agressivas de troca de favores da história recente do Rio de Janeiro. Não se trata de palpite: os relatórios financeiros desenham uma linha reta que liga o dinheiro da aposentadoria do servidor público fluminense diretamente às contas de um filme biográfico de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
O roteiro do golpe é cirúrgico. De um lado, órgãos públicos do Estado do Rio de Janeiro — controlados por aliados políticos da família Bolsonaro — injetaram mais de R$ 1 bilhão em fundos e ativos geridos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Autarquias como o Rioprevidência e a Cedae viraram autênticos caixas eletrônicos para a instituição financeira.
Enquanto o dinheiro público entrava pela porta da frente do banco, o senador Flávio Bolsonaro operava nos bastidores. Mensagens interceptadas pela PF revelam o “filho zero um” cobrando Vorcaro agressivamente por parcelas de um patrocínio milionário. O objetivo? Financiar a cinebiografia Dark Horse, feita para exaltar seu pai.
Das tratativas que miravam R$ 134 milhões (US$ 24 milhões), o Coaf rastreou que pelo menos R$ 61 milhões cruzaram a fronteira. O dinheiro carimbado pelo banco de Vorcaro abasteceu o fundo Havengate, no Texas, sob os olhos atentos de Eduardo Bolsonaro. Flávio cobrava os repasses do filme com a urgência de quem sabia que o tempo estava acabando.
E acabou. Enquanto os milhões evaporavam para a produção cinematográfica no exterior, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, deixando um rombo estimado em R$ 12 bilhões e lesando mais de 800 mil clientes. Daniel Vorcaro foi preso. Os fundos de pensão do Rio ficaram com o prejuízo de papéis que hoje valem poeira.
A defesa de Flávio Bolsonaro se apressa em dizer que a captação para o filme foi uma “operação estritamente privada” e chama a investigação de perseguição política. Uma desculpa que esbarra na matemática dos fatos. O que a PF e o STF investigam agora não é uma coincidência cósmica, mas sim o crime de lavagem de dinheiro e corrupção: o bilhão público que entrou no banco foi a moeda de troca para os 61 milhões que saíram para o filme?
O pagador de impostos do Rio de Janeiro pagou o ingresso mais caro da história do cinema mundial para assistir a um filme que nunca quis ver. E o preço foi o futuro da sua própria previdência.
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Se há uma coisa que o escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro deixou evidente é que as relações entre o poder político, o dinheiro e os interesses privados precisam ser investigadas com rigor, sem privilégios e sem proteção institucional.
A conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, quando examinada à luz dos documentos, movimentações financeiras e possíveis interesses cruzados, levanta questões que não podem ser varridas para debaixo do tapete. Mas é fundamental distinguir relações documentadas, suspeitas investigadas e responsabilidades criminais comprovadas — cada uma exige evidências próprias.
A investigação que coloca o discurso à prova
Relatórios divulgados pela Polícia Federal apontam que Flávio Bolsonaro atuou como interlocutor direto de Daniel Vorcaro nas negociações de financiamento do filme Dark Horse. O senador é investigado por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio nega irregularidades.
Isso não autoriza afirmar, neste momento, que os dois sejam comprovadamente sócios de uma organização criminosa ou que tenham cometido conjuntamente os crimes mencionados. Mas torna legítima a cobrança pública por transparência, esclarecimentos e responsabilização, caso as provas confirmem ilícitos.
O ponto central é que nenhuma candidatura, sobrenome político ou influência institucional pode substituir a investigação independente.
Se os recursos de Vorcaro financiaram interesses políticos, se houve desvio de dinheiro ou se agentes públicos atuaram para favorecer negócios privados, tudo precisa ser esclarecido. E, se houver provas de crimes, os responsáveis devem responder perante a Justiça, independentemente de sua posição política.
O Brasil não precisa de versões cuidadosamente embaladas para proteger poderosos. Precisa de documentos, perícias, investigação e verdade.
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Há momentos em que o jornalismo deixa de ser apenas jornalismo e passa a revelar quais interesses e quais projetos de sociedade estão em disputa. Quando o debate sobre o Bolsa Família é reduzido a uma crítica ao aumento de R$ 90 destinado aos beneficiários mais pobres, a pergunta que se impõe é: por que a renda de quem está na base da pirâmide incomoda tanto?
O Bolsa Família não é um privilégio. É uma política pública voltada à redução da pobreza e à garantia de condições mínimas de sobrevivência para milhões de brasileiros. Transformar um reajuste destinado aos mais vulneráveis em motivo de ataque político exige uma discussão séria sobre prioridades, desigualdade e o papel do Estado.
O discurso da austeridade seletiva
O reajuste anunciado pelo governo Lula eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, uma correção de 15,04% baseada na inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. O governo afirma que a medida busca preservar o poder de compra das famílias. Serviços e Informações do Brasil
É legítimo questionar o momento do reajuste, seus impactos fiscais e eventuais efeitos eleitorais. O que não pode acontecer é transformar a população pobre em alvo de uma disputa política na qual seus direitos são tratados como moeda de troca.
Flávio Bolsonaro classificou o reajuste como uma ação de desespero e questionou sua finalidade eleitoral. Ao mesmo tempo, o aumento realizado pelo governo Bolsonaro em 2022, que elevou o benefício de R$ 400 para R$ 600, também é parte do histórico desse debate.
A discussão precisa ser coerente: o critério para avaliar políticas sociais deve ser o impacto sobre a população, a legalidade, o financiamento e os resultados — não a conveniência eleitoral de quem está no governo.
E, quando veículos de comunicação criticam medidas de transferência de renda, vale examinar concretamente o conteúdo da cobertura: quais argumentos são apresentados, quais fontes são ouvidas e se existe tratamento equivalente para políticas de diferentes governos.
Seja como for, o caso é sério, porque mostra como operam as classes economicamente dominantes no Brasil, classificadas como direita, unsem-se e se protegem para um único propósito, manter o próprio monumento que sempre fez do Estado moradia paa seus próprios interesses.
O Grupo Globo é o próprio busto de uma lavra de gerações dos Marinho que se confunde com a história da desigualdade social desse país.
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