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A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal

I. A Canetada do Planalto contra a “Ciranda da Arrecadação”

A Medida Provisória editada nesta tarde pelo presidente Lula estabeleceu a proibição total e imediata de apostas de quota fixa, jogos online e cassinos digitais (como o “Jogo do Tigrinho”). Ao instituir o dia 6 de outubro como o prazo fatal para que todos os domínios e aplicativos de bets saiam definitivamente do ar no país, o governo federal buscou colher dois dividendos simultâneos: estancar o endividamento catastrófico das famílias de baixa renda e atingir o coração de um eleitorado (mulheres do Sudeste e evangélicos) que as pesquisas internas apontavam como o núcleo de sustentação de seu rival.

A reação de Flávio Bolsonaro foi fulminante. Gravando vídeos de campanha a apenas nove dias do primeiro turno, o senador rotulou a MP de um “estelionato eleitoral” e uma “solução fajuta”. Na narrativa do parlamentar do PL, a canetada é puramente oportunista: o governo teria criado o problema ao sancionar a regulamentação do setor em dezembro de 2023 por pura avidez arrecadatória, e agora joga com o calendário eleitoral ao emitir uma MP que caducará em quatro meses, abrindo brecha para que o “tumor” retorne com força total após a apuração dos votos.

II. O Histórico Oculto: A Distinção entre o Púlpito e a Planilha

O cruzamento do discurso inflamado de hoje com a atuação legislativa de Flávio Bolsonaro desnuda a geometria variável de seu pragmatismo. No mesmo vídeo em que acusa Lula de “ferrar a vida das pessoas”, o senador fez uma promessa cirúrgica: “Nos meus quatro anos como presidente do Brasil, não vai ter cassino online, nem Tigrinho”. O silêncio sepulcral de sua fala em relação às bets esportivas de quota fixa não é um esquecimento; é método.

Ao discursar na formatura de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o candidato foi forçado a fazer uma distinção drástica entre o pecado do azar digital e o mercado do entretenimento esportivo:

“Uma coisa é você permitir, como já é permitido no Brasil há décadas, que brasileiros, por livre e espontânea vontade, possam apostar nos jogos que são reais, no jogo de futebol. Sou contra, mas é o que está em vigor”.

A manobra do clã visa a blindar os contratos bilionários que sustentam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o ecossistema comercial do esporte. O histórico recente do senador mostra que, durante a tramitação da Lei nº 14.790 no final de 2023, a bancada da oposição não operou para banir a jogatina, mas sim para moldar as taxações de forma a favorecer as grandes plataformas de quota fixa. Flávio Bolsonaro sempre flutuou no limite da defesa do fomento de cassinos físicos e resorts sob o pretexto de “atrair turismo e investimentos estrangeiros”, mas agora, diante do colapso econômico provocado pelas bets no bolso do trabalhador, tenta equilibrar-se na corda bamba: condena o “Tigrinho” para acalmar os pastores conservadores e protege o bilionário mercado das apostas de futebol para não asfixiar o faturamento das redes de mídia e das camisas dos clubes.

III. A Gramática Eleitoral a Nove Dias do Voto

A publicação da MP hoje converteu as apostas no tema central da reta final da campanha ao Planalto, destronando parcialmente os ensaios de segurança pública e as crises de bastidores. A oposição sabe que a radicalidade do texto de Lula colocou o bolsonarismo em uma encruzilhada moral. Ao tentar jogar no colo do atual presidente a culpa pela expansão da epidemia do vício — ignorando que a liberação original das bets de quota fixa ocorreu em 2018, no governo Michel Temer, e passou em branco por quatro anos de gestão de seu próprio pai —, Flávio tenta estancar a sangria de votos de sua base.

A verdade matemática que cruza as urnas e os decretos é implacável: o candidato do PL não pode chancelar o banimento completo do futebol porque isso implodiria suas pontes com os barões da comunicação; mas também não pode defender o jogo virtual sob o risco de perder de vez as mulheres evangélicas do Sudeste que hoje sofrem os efeitos do colapso financeiro doméstico.

A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal, rezando secretamente para que o paciente continue dependente do remédio que financia o espetáculo do poder.


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Dino derruba decisão de Mendonça e libera posts sobre Nossa Senhora

Ministro do STF, Flávio Dino, mandou restabelecer publicação de Tabet e afirmou que debate sobre título de Padroeira do Brasil deve ser livre

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou neste domingo (27/9) a decisão do ministro André Mendonça, também vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

Dino também determinou que o post e outras publicações retiradas pelo mesmo motivo sejam restabelecidos. Isso porque, para o ministro, não havia certeza suficiente sobre ilegalidade que justificasse uma restrição tão ampla à liberdade de expressão.

A decisão do magistrado ocorre após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentar uma ação contra o humorista.

O caso começou após a circulação, nas redes sociais, de que grupos evangélicos ligados ao senador queriam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O assunto repercutiu em 23 e 24 de setembro.

Na noite do dia 24, Tabet publicou no X uma imagem da santa, com a frase “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Segundo Dino, o post não citava nominalmente Flávio nem familiares.

Embora a publicação não mencione a família do senador, ele entrou com representação no TSE alegando que a postagem trazia fato sabidamente inverídico, ódio racial e ligação com milícia.

O ministro André Mendonça, que acatou a ação, determinou a remoção do post de Tabet e proibiu novas postagens de mesmo teor, com multa de R$ 30 mil por descumprimento.

A ordem mirava publicações que tratassem como verdadeiro o boato de que Flávio ou sua família teriam proposto retirar o título de Padroeira, mas ressalvava críticas, sátiras e opiniões.

Decisão de Dino

Ao analisar o recurso, Dino afirmou que seria preciso presumir que “família miliciana” se referia a Flávio para justificar a remoção, o que não teria segurança, sem instrução adequada.

O ministro alegou que o debate eleitoral deve permitir exposição crítica e que até declarações eventualmente errôneas podem estar protegidas, exceto em casos como racismo e incitação à violência.

Dino destacou ainda que o próprio debate sobre a Lei nº 6.802/1980, que tornou 12 de outubro feriado nacional em homenagem à santa e a reconhece como Padroeira, pode ocorrer na eleição.

Ainda segundo o magistrado, candidatos podem se posicionar contra convicções religiosas e defender mudança na lei, mas isso não pode ser impedido de ser informado e debatido.

A decisão cita ainda o PL 2.623/2007, do então deputado Victório Galli Filho, que propunha alterar o título de Padroeira, como parte do debate público já existente.

Com isso, Dino cassou a ordem de Mendonça, mandou as plataformas restabelecerem o post e citou como fundamento a ADPF 130, que trata da proteção constitucional à liberdade de imprensa e de expressão.

*Metrópoles


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Bolsonaro abriu a porta para o Master e para as bets. Lula fechou as duas portas. Ponto final

Há uma gigantesca diferença política que merece ser lembrada sem maquiagem, mas a grande mídia faz questão de não ver e reportar, mesmo que tenha diferença cristalina entre o governo do clã Bolsonaro, do qual Flavio é um dos componentes centrais, já Lula, um velho alvo dos ataques mais vis da mídia, por representar os trabalhadores e as camadas mais pobres da população. Fato reconhecido pelos principais jornais estrangeiros, como ressaltou neste sábado (26), o Financial Times.

Enquanto o governo Bolsonaro convivia harmonicamente com o banditismo e expansão do Banco Master de Vorcaro, irmãozão de Flavio, que até agora não explicou os R$ 134 milhões que recebeu do banqueiro, Lula triturou a máquina que produziu o maior roubo do sistema financeiro brasileiro, que deveria ter um busto na Faria Lila, se o sistema financeiro fosse sério, mas não é. Por isso segue apoiando Flavio Bolsonaro.

O mesmo precisa ser dito sobre a abertura do mercado das apostas de quota fixa, das bets,  por Bolsonaro. Lula foi enfático, certeiro e recebeu o apoio de quase 80% da sociedade nas redes sociais, até porque 75% da população clamava por essa decisão.

No caso do Master, a transferência do controle do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro e sob a presidência de Roberto Campos Neto. Em 2021, a instituição passou a se chamar Banco Master. Em novembro de 2025, já no governo Lula, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, citando grave crise de liquidez e graves violações das normas do sistema financeiro.

Nas bets, a cronologia também é eloquente: a legislação de 2018, sancionada por Bolsonaro, criou a modalidade de apostas, as bets. Lula, por sua vez, em 25 de setembro de 2026, assinou uma medida provisória proibindo a oferta, a intermediação e a publicidade das bets em todo o território nacional.

Ou seja: de um lado, a expansão de um sistema que posteriormente entrou em profunda crise e um mercado de apostas que se espalhou pelo país desttroçando a vida de milhões de brasileiros e suas famílias, como revelam incontáveis histórias. De outro, medidas de contenção, fiscalização e, agora, a proibição das bets.

A comparação é direta, um governo abriu espaço; o outro decidiu fechar.

Com um detalhe: Flavio já anunciou que, se eleito, reabrirá as bets. Alguém tem dúvida de que ele fará o mesmo para reabrir o Banco Master do comparsa, Danie Vorcaro?

E é justamente essa cronologia que precisa ser colocada sobre a mesa quando se discute quem criou as condições para determinados problemas e quem tomou medidas drásticas para enfrentá-los, em favor do povo brasileiro.

Diferente disso, qualquer análise ou é de bolsonarismo malandro ou descarado, com as falas do grande mentiroso, Flavio Bolsonaro. Que fique claro, que votar nele, votará pela volta das bets e do Banco Master de Vorcaro.


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Flávio já sabe que a casa vai cair e anuncia que “balas de prata” virão à tona contra sua campanha

Em antecipação aos fatos, Flávio admite que esta semana poderá vir à tona não uma, mas várias “balas de prata” contra sua candidatura. Mas Flávio acha que engana quem?

Abre parêntese em entrevista para se vender como vítima de uma suposta perseguição judicial, certo de que não há muito mais a produzir além do seu já enfadonho cinismo, atitude que se tornou uma espécie de método diante dos escândalos que pipocam como milho de pipoca em panela quente.

O sujeito que só sabe negar, sem explicar satisfatoriamente as acusações que o cercam, tenta transformar tudo em perseguição: corrupção, relações suspeitas, denúncias envolvendo seu entorno e até a polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida. Fixa o olhar numa direção qualquer, como quem perdeu completamente o rumo, e apresenta a fuga como se fosse a única saída possível diante da sucessão de denúncias que atingem seu nome e o de seus aliados.

O fato é que essa fantasia interpretativa já não engana mais ninguém. Não cola nem com durepoxi.

E o problema de Flávio não está apenas na falta de projetos para o país ou na pobreza de seu discurso político. O que está em discussão são fatos, documentos, relações e acusações que, segundo as denúncias divulgadas, lançam luz sobre uma rede de interesses envolvendo dinheiro, poder, negócios e personagens associados a diferentes investigações.

Perguntado sobre suas viagens em avião ligado a Daniel Vorcaro, Flávio procura contestar a relação e atribuir a aeronave a terceiros. Quando questionado sobre as acusações envolvendo pessoas de seu entorno, responde recorrendo à velha fórmula da “perseguição”. É sempre a mesma saída: não explica, não apresenta documentos, não esclarece; acusa quem pergunta.

E é justamente aí que mora o problema.

Flávio parece ter se cercado de personagens sobre os quais recaem graves questionamentos e, agora, encontra-se politicamente dependente das explicações que esses vínculos exigem. A cada nova denúncia, sua margem de manobra diminui. A cada nova pergunta, o discurso da perseguição fica mais parecido com uma cortina de fumaça para evitar respostas objetivas.

O episódio dos supostos R$ 70 milhões relacionados a Vorcaro e ao projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro tornou-se emblemático. Flávio prometeu apresentar uma planilha e documentos para esclarecer a questão. O tempo passa, a campanha avança e a cobrança permanece: onde estão os documentos que ele próprio prometeu apresentar?

E, quando se olha para as notícias que dominaram a última semana, surgem sucessivamente denúncias e questionamentos envolvendo dinheiro, emendas, relações políticas, milícias e personagens ligados a investigações criminais. É uma sucessão de episódios que exige explicações, não slogans.

Como se tudo isso não bastasse, há ainda a questão das bets. Pressionado pelo debate sobre o financiamento desse mercado e pela própria posição assumida durante a campanha, Flávio promete que, se eleito, poderá reabrir espaço para a jogatina no Brasil. Uma promessa que coloca em choque seu discurso dirigido ao eleitorado religioso com uma política que pode ter consequências econômicas e sociais profundas para famílias endividadas.

É como se, a cada dia, acendesse uma vela para um lado diferente em nome de uma fé política de conveniência.

Na semana decisiva da eleição, Flávio não pode simplesmente fugir dos microfones. Precisa responder às perguntas. E, quando responde, precisa apresentar provas capazes de sustentar aquilo que afirma.

Não basta repetir que tudo é mentira. Não basta chamar tudo de perseguição. Não basta atribuir cada denúncia à disputa eleitoral.

Para onde se olha, sobretudo nas mais recentes notícias, depara-se com algum tipo de corrupção, de assoiação com milícia, com dinheiro de emendas para quem forneceu a arma a Ronnie Lessa para matar Marielle Franco.

Não basta insinuar que qualquer investigação, reportagem ou denúncia contra ele seria fruto de uma conspiração.

Quem diz a verdade precisa ter documentos, testemunhas e fatos para sustentá-la.

Por isso, quando o próprio Flávio antecipa que novas denúncias poderão surgir nesta semana, sua reação já parece estar preparada: será mentira, perseguição, armação, disputa eleitoral.

Se tudo é mentira, onde estão as provas capazes de demonstrar que ele está dizendo a verdade?

O fato é que Flavio está encurralado pelas próprias armações.


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Mídia corporativa em peso, e a peso de ouro, mergulha de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro

A mídia corporativa e o candidato que não deveria ser candidato.

Há momentos em que a cobertura eleitoral parece menos interessada em fazer perguntas a Flávio Bolsonaro do que em encontrar novas maneiras de atacar Lula.

Enquanto o candidato tenta se apresentar como alternativa para o país, questões graves continuam exigindo respostas claras: propostas concretas para governar, relações políticas controversas e explicações sobre acusações de crimes que cercam sua trajetória pública. Nada disso deveria ser tratado como detalhe — muito menos convenientemente empurrado para o rodapé do noticiário.

O problema não é a imprensa criticar Lula. É cobrar de Lula como se estivesse diante de um tribunal permanente e, diante de Flávio, baixar o volume das perguntas, pior, não perguntar, não cobrar.

Flávio não pode disputar a Presidência protegido por slogans, sobrenome e silêncio seletivo. Quem pretende comandar o Brasil precisa apresentar programa, explicar suas escolhas e responder pelos crimes dos quais é acusado.

E quanto mais a mídia tenta transformar Lula no assunto de todas as horas, mais deveria ser cobrado o candidato que quer chegar ao Planalto carregando o peso político do clã Bolsonaro.

Eleição presidencial não pode ser operação de blindagem. E jornalismo não pode virar escudo eleitoral.

Resumindo, a candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência da República é um acinte.


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Flávio Bolsonaro quer manter as bets: quando o lucro da banca vale mais que a ruína das famílias

Flávio Bolsonaro tenta vender uma distinção conveniente: deixa aberta a porta para a permanência das bets esportivas. Em outras palavras, muda-se a embalagem, mas preserva-se uma parte importante da engrenagem das apostas. Ele próprio afirmou que pretende manter as apostas esportivas de quota fixa.

E é justamente aí que o discurso precisa ser desmontado.

Porque bet não é simplesmente “diversão”, como querem fazer parecer aqueles que lucram com a indústria. Para uma parcela dos usuários, a aposta transforma-se em compulsão, dívida, mentira dentro de casa, conflito familiar, perda de renda, ansiedade, depressão e desespero. O Ministério da Fazenda informa que mais de 827 mil pessoas já estavam impedidas de apostar em razão de renegociação de dívidas e que mais de 1,2 milhão haviam solicitado autoexclusão das plataformas autorizadas.

E existe uma dimensão ainda mais dolorosa que não pode ser escondida atrás de propaganda de futebol e promessa de “controle tecnológico”: o sofrimento psíquico e o risco de comportamento suicida.

Profissionais de saúde ouvidos pela Agência Brasil relatam casos de pessoas que chegam aos serviços de saúde depois de perder tudo, com agravamento de depressão e ansiedade e, em alguns casos, com pensamentos ou tentativas de suicídio. O Ministério da Saúde também registra que o risco de morte por suicídio pode ser muito maior entre pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.

Portanto, quando um candidato à Presidência defende a permanência  desse mercado, não está discutindo apenas futebol, entretenimento ou liberdade individual. Está discutindo quanto de proteção o Estado deve oferecer a famílias que podem ser arrastadas para um ciclo de apostas, perdas e endividamento.

O mais irônico é que Flávio reconhece a existência da tragédia. Ele, cinicamente, fala em famílias endividadas e afirma ser contrário aos jogos. Mas, ao mesmo tempo, preserva justamente as apostas esportivas, que pretende colocar sob algum tipo de controle.

É a velha fórmula: proíbe-se o que ficou politicamente indefensável e preserva-se o que ainda pode ser apresentado como aceitável.

Só que uma família que perde o dinheiro do supermercado apostando em um jogo de futebol não vai encontrar consolo na explicação de que aquilo não era cassino on-line.

Uma mãe que descobre que o salário desapareceu em apostas não vai perguntar se a plataforma apostava em futebol, vôlei ou tênis.

E uma pessoa que chega ao limite do desespero por causa de dívidas de jogo não está preocupada com a semântica utilizada pelo candidato para separar “bet” de “cassino”.

O que está em jogo é muito maior que uma eleição: é o direito de milhões de famílias de terem sua renda protegida de uma indústria construída para estimular o apostador a continuar apostando.

Se Flávio Bolsonaro quer manter as bets esportivas, que diga isso claramente. Que explique aos brasileiros por que considera aceitável manter esse mercado diante do endividamento, da compulsão e do sofrimento que já estão documentados.

Porque, quando a aposta entra pela tela do celular e o dinheiro da família sai pela mesma tela, quem paga a conta não é a banca. É a família.

E quando a família perde tudo, a propaganda da bet continua. Quem ficou sem dinheiro, sem paz e, em casos extremos, sem esperança, é que fica com a conta.


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Deputado pede ao STF investigação sobre suposto lucro de Flávio Bolsonaro com bets

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir uma investigação sobre uma eventual participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em negócios envolvendo casas de apostas no Rio de Janeiro.

Lindbergh quer saber se o senador lucrava, direta ou indiretamente, com a estrutura empresarial da RioPag S/A, companhia que detinha a exclusividade na intermediação dos pagamentos das bets credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O pedido também levanta a hipótese de que a participação teria ocorrido por meio de pessoas interpostas, os chamados laranjas.

O pedido foi apresentado como um aditamento a uma notícia de fato protocolada pelo parlamentar no dia 23 de setembro. A petição original já pedia que Flávio fosse investigado e apontava a hipótese de que o advogado Willer Tomaz de Souza atuaria como interposta pessoa do senador.

Entre os fatos novos acrescentados ao STF está uma reportagem do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, em parceria com a newsletter Noites Húngaras, assinada pelos jornalistas Alice Maciel e Paulo Motoryn. A investigação jornalística revelou que Lídia Maria Figueiredo Mazelli passou de empregada do escritório de Willer Tomaz à dirigente de 14 empresas ligadas ao grupo.

O aditamento também cita a rescisão do contrato da RioPag pela Loterj e uma manifestação de Flávio Bolsonaro contra a proibição das apostas esportivas no país. Os episódios ocorreram no mesmo dia em que a reportagem sobre Lídia se tornou pública.

Vocês vão parar no tempo?', diz Flávio Bolsonaro ao ser questionado sobre 'Dark Horse' | Jornal do Comércio

Lindbergh quer identificar quem está por trás da RioPag
A RioPag mantinha contrato com a Loterj para processar, com exclusividade, depósitos, pagamentos e saques das casas de apostas credenciadas pelo estado.

O contrato nº 03/2023 foi inicialmente firmado com a Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia, posteriormente denominada RioPag. O acordo tinha valor estimado de R$ 32 milhões, vigência de cinco anos e previa o repasse à Loterj de 26,455% da receita obtida com as taxas de intermediação.

Segundo o aditamento, a licitação teve duas participantes. A Idea Maker, que havia oferecido repasse de 26% da receita, foi desclassificada por apresentar o percentual com duas casas decimais, enquanto o edital exigia três. Com isso, a então Pixs permaneceu como única concorrente habilitada.

A petição também chama atenção para a rentabilidade do negócio. Segundo o documento, as taxas cobradas chegaram a variar de 1% a 2,5% nos depósitos e de 0,5% a 1% nos saques. Em janeiro de 2024, a intermediadora teria recebido mais de R$ 30 milhões de uma única casa de apostas, enquanto o Estado arrecadou R$ 13 milhões em tributos sobre a receita líquida da mesma operadora.

Um dos pontos centrais do aditamento é descobrir quem efetivamente controlava a empresa. Segundo a petição, Willer Tomaz chegou a admitir ser cotista do fundo que controla a Capital Pretium S.A., dona da RioPag, sem revelar o nome do fundo ou de seus parceiros. Posteriormente, declarou não ser sócio, cotista ou acionista da RioPag e afirmou atuar exclusivamente como advogado da companhia.

O documento também destaca o papel de Lídia Mazelli na estrutura empresarial. Ela manteve vínculo formal de emprego com o escritório Willer Tomaz Advogados entre março de 2019 e setembro de 2020. Quatro dias depois do fim desse vínculo, já aparecia como dirigente da Jet Line Locação e Serviços Aéreos e, na mesma época, assumiu a diretoria da WT Administração de Imóveis e Bens.

Ao todo, o levantamento jornalístico identificou Lídia na direção de 14 sociedades dos setores imobiliário, de aviação, comunicação, mineração, investimentos e meios de pagamento. Entre elas estão a RioPag e sua controladora, a Capital Pretium.

Após a publicação, Lídia afirmou, em nota, ser bacharel em Administração e ter exercido efetivamente os cargos de diretora estatutária, com atos de gestão. Ela também declarou ter trabalhado em empresas de consultoria e aviação do grupo até junho deste ano.

Contrato foi rescindido pela Loterj
Outro fato levado por Lindbergh ao STF foi a rescisão do contrato da RioPag. O episódio ocorreu após uma disputa envolvendo recursos públicos que estavam sob custódia da empresa.

Segundo o documento, a nova gestão da Loterj determinou, em abril, a transferência imediata de um saldo acumulado de R$ 18,5 milhões. Após ser cobrada, a RioPag alegou que os recursos haviam sido aplicados em uma estrutura financeira de longo prazo e propôs devolvê-los de forma parcelada até 2029.

Em julho, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 20,9 milhões nas contas da companhia. Posteriormente, a RioPag transferiu R$ 16,5 milhões à Loterj e considerou a dívida quitada, enquanto a autarquia apontou a existência de saldo remanescente.

No dia 23 de setembro, a Loterj rescindiu unilateralmente o contrato. A autarquia apontou, entre as irregularidades, falta de transparência, obstáculos à fiscalização e atos de gestão financeira sobre recursos públicos sem fundamento contratual ou autorização administrativa.

A Loterj aplicou multa de R$ 4,8 milhões e determinou a devolução de mais de R$ 2,1 milhões referentes aos ganhos financeiros obtidos com os recursos retidos. De acordo com o aditamento, a cobrança total alcança R$ 9,4 milhões.

A RioPag sustenta que não houve dívida ou retenção indevida. A empresa afirma que a custódia foi determinada pela própria Loterj e que os recursos permaneceram preservados e foram rentabilizados.

Lindbergh pede quebra de sigilos
Com o aditamento, Lindbergh pede a abertura de uma investigação para apurar a eventual participação de Flávio Bolsonaro nos resultados econômicos da estrutura empresarial.

O deputado solicita que a Polícia Federal tenha prazo inicial de 60 dias para realizar uma série de diligências. Entre elas estão o afastamento dos sigilos bancário e fiscal da RioPag e da Capital Pretium, além da identificação dos cotistas e beneficiários finais do fundo que controla a companhia.

Lindbergh também pede relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), informações do Banco Central e o compartilhamento de elementos da Operação Sem Desconto.

O pedido alcança ainda a relação entre Flávio e Willer Tomaz. O documento cita viagens internacionais realizadas pelos dois e o uso, pelo senador, de imóveis e aeronaves ligados a empresas da estrutura. A petição pede acesso a registros de aeronaves, planos de voo e manifestos de passageiros para aprofundar essa linha de investigação.

Lindbergh pede ainda que sejam ouvidos Lídia Mazelli, o ex-presidente da Loterj Hazenclever Lopes Cançado e outros envolvidos nos fatos, além da apuração da regularidade da licitação e da execução do contrato com a Loterj.

A petição aponta, em tese, possíveis crimes de lavagem de dinheiro, peculato ou apropriação indébita, corrupção e ilícitos relacionados à licitação e à execução de contratos administrativos. O pedido busca apurar se a estrutura empresarial descrita no documento era utilizada para ocultar seus reais beneficiários e se Flávio Bolsonaro figurava, direta ou indiretamente, entre eles.

*Felipe Rabioglio/ICL


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Depois de incontáveis mentiras sobre seus crimes, como Flávio Bolsonaro continua candidato à Presidência da República diante de um TSE omisso?

Perdeu-se a conta das mentiras graves ditas por Flávio Bolsonaro nesta campanha. E, ainda assim, ele chega à reta final como candidato à Presidência da República, a poucos dias do primeiro turno, sem que isso tenha produzido, até aqui, uma consequência eleitoral capaz de interromper sua candidatura. A pergunta, portanto, é inevitável: para que serve o Tribunal Superior Eleitoral?

Não se trata de exigir que o TSE escolha candidatos, muito menos de substituir a vontade soberana do eleitor. Trata-se de perguntar qual é o limite institucional quando um candidato utiliza a campanha para disseminar afirmações falsas ou enganosas. O próprio TSE estabeleceu regras para combater a desinformação e afirma que a propaganda eleitoral deve respeitar normas destinadas a garantir um processo equilibrado.

E há uma diferença fundamental entre crítica política, exagero retórico e mentira factual. A democracia suporta — e precisa suportar — opiniões duras, acusações e divergências. O que não pode ser naturalizado é a ideia de que uma campanha eleitoral seja um território sem consequências para quem apresenta como fato aquilo que não consegue sustentar.

O próprio tribunal já demonstrou que pode agir. Em junho, por exemplo, determinou a remoção de conteúdos publicados contra Flávio Bolsonaro que o associavam a facções criminosas. Em setembro, também confirmou punição por propaganda eleitoral negativa impulsionada irregularmente na internet. Portanto, a Justiça Eleitoral não é uma instituição sem instrumentos.

É justamente por isso que a cobrança precisa ser feita com mais força: se existem regras, critérios e mecanismos para preservar a integridade do processo eleitoral, por que a sensação de impunidade permanece quando se acumulam mentiras graves atribuídas a um candidato presidencial?

O problema não é o TSE impedir alguém de disputar uma eleição por discordância política. O problema seria permitir que a mentira eleitoral se transforme em método, enquanto a Justiça chega sempre depois que o dano já foi produzido.

Uma eleição presidencial não pode ser uma competição em que a velocidade da mentira seja maior que a velocidade da Justiça. Quando a decisão chega depois de milhões de votos terem sido influenciados, a pergunta sobre a efetividade da fiscalização deixa de ser retórica e passa a ser institucional.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. E, a esta altura, a sociedade tem todo o direito de perguntar: qual é o limite para a desinformação numa eleição presidencial? Quem fiscaliza esse limite? E, sobretudo, quais são as consequências quando ele é ultrapassado?

Porque democracia não é apenas colocar uma urna eletrônica à disposição do eleitor. É garantir que o eleitor chegue à urna tendo recebido informação submetida às mesmas regras que valem para todos.

Se a Justiça Eleitoral não consegue responder a isso antes que o voto seja depositado, para que momento exatamente ela está guardando sua autoridade?


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Quando o escândalo chega ao quintal da velha mídia, o silêncio começa

Foi um verdadeiro festival.

Durante semanas, a velha mídia transformou o STF em uma espécie de vilão nacional de plantão. Cada decisão, cada ministro, cada conflito institucional servia de matéria-prima para manchetes alarmistas, colunas indignadas e intermináveis discussões destinadas a produzir uma conclusão política muito conveniente: era preciso desgastar o Supremo e, por tabela, criar desgaste para Lula.

O problema é que a realidade, essa inconveniente senhora que insiste em aparecer quando menos se espera, resolveu mudar o roteiro.

O espetáculo montado para atingir o STF acabou produzindo um efeito político que seus autores talvez não tivessem previsto: o desgaste passou a respingar muito mais no campo bolsonarista, especialmente em Flávio Bolsonaro.

E então veio o caso Banco Master, com as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro e as revelações sobre relações envolvendo personagens do Judiciário e pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques.

Entre os elementos divulgados está um contrato que poderia alcançar R$ 427 milhões em honorários de êxito, relacionado a ações envolvendo precatórios e interesses do Banco Master. Kassio Nunes Marques nega ter participado do contrato ou atuado em favor de Vorcaro ou do banco.

Ora, se o argumento era que o STF precisava ser vasculhado até a última vírgula quando as suspeitas serviam para atingir Lula, por que a mesma lupa não deveria permanecer sobre a mesa quando surgem fatos que envolvem personagens ligados ao universo bolsonarista?

Aí acontece o milagre editorial: o STF desaparece das manchetes.

O tribunal que ocupava horas de televisão, páginas de jornais e quilômetros de comentários passa, de repente, a parecer uma instituição quase invisível.

Convenientemente invisível.

É como se o botão de emergência da velha mídia tivesse duas posições: “escândalo quando interessa” e “silêncio quando incomoda”.

Mas jornalismo não deveria funcionar assim.

Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se não há provas, que isso seja claramente informado. Se existem documentos, que sejam publicados e contextualizados. Se existem negativas, que sejam igualmente registradas.

O que não pode existir é uma imprensa que exige transparência absoluta dos adversários e subitamente descobre a delicadeza, a cautela e o silêncio quando a investigação começa a alcançar seus aliados políticos.

E talvez seja justamente por isso que todo aquele festival contra o STF tenha produzido um resultado tão diferente do esperado.

Tentaram transformar o Supremo em problema eleitoral para Lula. No caminho, acabaram abrindo uma janela para que o eleitor enxergasse as conexões políticas e financeiras que cercam o universo bolsonarista.

Agora, o que se espera é simples: menos teatro, menos manchete seletiva e mais jornalismo.

Porque, quando a imprensa decide quem merece holofote e quem merece silêncio, o problema deixa de ser apenas aquilo que está sendo investigado.

Passa a ser também aquilo que deliberadamente deixa de ser investigado com a mesma intensidade.


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Vídeo – Flávio Bolsonaro mentiroso: “nunca entrei em avião do Vorcaro”

Registros de planos de voo e dados da Anac obtidos pela PF desmentiram mais uma vez o filho de Jair Bolsonaro

Registros de planos de voo e dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obtidos pela Polícia Federal desmentiram categoricamente uma das principais linhas de defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em declarações anteriores, o parlamentar havia afirmado enfaticamente que jamais havia utilizado bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro: “Vocês não vão me ver viajando para Londres, EUA, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro!”.

A investigação, no entanto, comprovou que a declaração do senador não condiz com a realidade.

O Voo de Fort Lauderdale
De acordo com os documentos migratórios e de tráfego aéreo, no dia 19 de janeiro de 2025, o senador, sua esposa e suas filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), com destino a Brasília.

A viagem de retorno ao Brasil foi realizada a bordo de um jato executivo de luxo, modelo Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR.

A Sociedade Oculta da Aeronave

Os registros oficiais da Anac revelam que o avião não pertencia a um único dono, mas sim a um condomínio de luxo dividido em três cotas de propriedade:

A cota operada pela empresa de Vorcaro havia sido adquirida no final de 2024, o que significa que, no momento em que Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave para trazer sua família dos Estados Unidos, o banqueiro já era coproprietário do bem.

Mudança na Linha de Defesa
Diante das evidências irrefutáveis apresentadas pela reportagem da Revista Piauí, o senador Flávio Bolsonaro abandonou o discurso de que “nunca havia entrado” no avião.

Em uma nova manifestação nas redes sociais, o parlamentar mudou a narrativa e passou a alegar desconhecimento. Flávio afirmou que, para ele, a aeronave pertencia exclusivamente ao amigo Willer Tomaz e que não tinha ciência da participação de Daniel Vorcaro no negócio.

O senador ironizou a situação em sua conta no X (antigo Twitter), tentando desviar o foco do caso: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, publicou, em referência ao fato de o ministro do STF ter utilizado o mesmo jatinho meses depois.

Por que o caso importa?
A proximidade de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro entrou no radar das autoridades após o Banco Master sofrer liquidação extrajudicial e o banqueiro se tornar alvo de operações da Polícia Federal. A mentira sobre o uso do jatinho complica a situação política do senador, que tenta afastar suspeitas de que usufruía de vantagens financeiras ou favores de empresários investigados.


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