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Apelo a Trump: Articulação de Flávio para encontro com Trump acende alerta na ABIN e no Itamaraty

Governo monitora risco de ingerência externa nas eleições de 2026; Itamaraty vê tentativa de abafar caso Master

A articulação de Flávio Bolsonaro para tentar uma agenda com Donald Trump nos Estados Unidos passou a ser acompanhada com preocupação por setores da inteligência e da diplomacia brasileira. Segundo apuração do ICL Notícias, servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e integrantes do Itamaraty avaliam que, dependendo do formato e do protocolo adotado pela Casa Branca, um eventual encontro poderia ser interpretado como gesto de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

A preocupação ganhou força após a Reuters informar que Flávio Bolsonaro busca uma reunião com Donald Trump em Washington na próxima semana. Segundo a agência internacional, duas fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que o senador brasileiro tenta construir uma agenda com o presidente norte-americano em meio à crise política provocada pelas revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse.

No Palácio do Planalto, membros da articulação política do governo afirmam que a orientação é acompanhar com atenção os movimentos do bolsonarismo junto ao governo norte-americano, principalmente a atuação do secretário de Estado Marco Rubio, considerado por integrantes do governo como um aliado político da extrema direita brasileira.

Reservadamente, integrantes do governo avaliam que o tema deixou de ser apenas uma movimentação de pré-campanha e passou a envolver preocupações relacionadas à soberania institucional e à influência internacional sobre o ambiente político brasileiro.

No círculo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o risco de uma ingerência na eleição brasileira jamais foi descartado, mesmo com os encontros entre o brasileiro e Trump.

No Itamaraty, a possibilidade de um encontro é interpretada como uma manobra para abafar a crise instaurada na campanha bolsonarista, depois do vazamento de áudios entre Flávio e Daniel Vorcaro.

Diplomatas ouvidos pela reportagem afirmam que o ponto mais delicado não seria necessariamente a reunião em si, mas a forma como ela poderia ocorrer. A avaliação é que, dependendo do protocolo adotado pela Casa Branca, do nível de formalidade da agenda e da eventual utilização política do encontro, o gesto poderia ser interpretado como uma tentativa de ingerência no processo eleitoral brasileiro.

Entre os pontos que geram preocupação estão uma eventual fotografia oficial na Casa Branca, manifestações públicas de apoio político, tratamento institucional diferenciado ou qualquer gesto que possa ser interpretado como chancela eleitoral internacional.

A leitura dentro da diplomacia brasileira é que encontros entre lideranças estrangeiras e pré-candidatos fazem parte do jogo político internacional. O problema, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, surge quando essas agendas passam a ser utilizadas como instrumento de pressão política interna ou como mecanismo de influência sobre a disputa eleitoral de outro país.

Nos bastidores da ABIN, o episódio também dialoga diretamente com alertas já formalizados pela própria agência. Em relatório público divulgado no fim do ano passado, a inteligência brasileira apontou a interferência externa como um dos riscos ao processo democrático e eleitoral brasileiro.

O documento menciona ameaças relacionadas à influência internacional sobre o debate público, campanhas coordenadas de desinformação, uso político de redes digitais e tentativas de desestabilização institucional.

Segundo servidores da agência ouvidos reservadamente pela reportagem, a movimentação envolvendo Flávio Bolsonaro passou a ser vista como tema de atenção justamente por ocorrer em um cenário já considerado sensível pela inteligência brasileira.

Mesmo enfrentando limitações orçamentárias e redução de recursos, integrantes da ABIN afirmam que os desdobramentos da articulação precisarão ser acompanhados para avaliar se haverá algum impacto concreto sobre o ambiente político e democrático brasileiro.

A preocupação não envolve apenas a realização da reunião, mas principalmente os possíveis efeitos políticos e simbólicos que ela pode produzir em meio à disputa presidencial de 2026.

Durante conversa com jornalistas nesta quinta-feira (21), Flávio Bolsonaro negou que tenha solicitado uma reunião com Trump. Questionado sobre o tema, o senador afirmou em inglês que “ninguém pediu nada” e disse que questionamentos sobre a agenda deveriam ser feitos diretamente à Casa Branca.

Até o momento, o governo norte-americano não confirmou oficialmente o encontro.

*Jamil Chade e Cleber Lourenço


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Política

Está enrolado: marqueteiro abandona campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência

Marcello Lopes alegou que precisa focar em sua empresa, mas saída ocorre em meio a duras críticas internas após o vazamento da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro

crise gerada pelas revelações da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez a sua primeira vítima na pré-campanha à Presidência da República. O publicitário Marcello Lopes, o “Marcellão”, amigo pessoal do parlamentar, deixou a coordenação de comunicação da equipe nesta quarta-feira (20).

O movimento ocorre no momento em que o bolsonarismo tenta apagar o incêndio causado pelo vazamento de áudios em que Flávio cobra repasses milionários do ex-banqueiro. Oficialmente, Marcellão divulgou uma nota afirmando que a decisão partiu dele próprio para focar em sua agência, a “Cálix Propaganda”. Nos bastidores, no entanto, a realidade é outra.

Marcello Lopes foi alvo de um intenso processo de “fritura” e críticas internas pela forma como a campanha reagiu às reportagens do The Intercept Brasil. Parte do entorno do senador reclamou da demora na resposta e das pontas soltas na narrativa para explicar o pedido de R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, ficção inspirada na vida de Jair Bolsonaro.

Em seu perfil no X (ex-Twitter), o ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações e chefe da Secretaria de Comunicação Social no governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, saiu em defesa de Marcellão.

“Eu não tolero injustiças: O Marcelão é ótimo, alma boa. Foi sabotado pela política. Ele não caiu, pediu para sair. A política não entende nada de comunicação e nem deveria se meter. Ele é a pessoa certa para a função. Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio”, disse o advogado. “Estou tentando fazer o Marcelão reconsiderar e caso não tenha êxito, vou sugerir alguém da confiança do Marcelo, que já teve contato com o grupo até o momento. Os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa NÃO servem. Meu celular derrete nesse momento para que nenhum desses nomes seja sequer considerado.”

Flávio Bolsonaro e contenção de danos
Para tentar reduzir os danos e reestruturar a equipe, Flávio Bolsonaro aproveitou uma viagem a São Paulo para avançar na contratação do publicitário Eduardo Fischer como novo marqueteiro.

Em paralelo, o senador iniciou uma turnê para tentar tirar o foco do escândalo, marcando reuniões com as bancadas do PL no Congresso Nacional e com agentes do mercado financeiro.

Apesar da gravidade das denúncias, a equipe de Flávio tenta demonstrar otimismo com base em supostas pesquisas internas (trackings). Segundo aliados, os levantamentos indicam que, embora a maioria dos eleitores considere um erro o pedido de patrocínio ao banqueiro investigado, há uma percepção de que o senador não obteve vantagem financeira direta, diz a Folha de S.Paulo.

A cúpula do PL tem atuado para blindar o pré-candidato e afastar rumores de que ele poderia ser rifado da disputa presidencial. Aliados garantem que a bancada mantém o apoio e que não haverá substituição de nome.


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Política

Ricardo Nunes bancou despesas de R$ 3,5 milhões em feira gospel para produtora de “Dark Horse”

A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL). O evento ocorreu entre 12 e 15 de junho do ano passado, no Expo Center Norte.

O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.

A feira foi organizada pela Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina, que também se apresenta como “presidente” da Connect Faith. Ela ainda comanda o Instituto Conhecer Brasil, ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de wi-fi na cidade e passou a ser investigada pela Polícia Civil.

Segundo a apuração, os gastos não constavam no Diário Oficial e só podiam ser encontrados em pastas zipadas dentro do portal de processos da prefeitura, o que dificultava a localização por buscas de palavras-chave. A planilha de “custo final” da feira mostra que a gestão municipal bancou despesas de pessoal, infraestrutura e materiais.

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução
Entre os itens pagos estão seguranças, limpeza, produtores, palco, som, painéis de LED, camisetas, café, lanche, água mineral e até locação de ônibus e vans. A MM Quarter, empresa no centro do escândalo da SPTuris, recebeu R$ 183,5 mil para fornecer produtores, recepcionistas e carregadores por seis diárias, embora o evento tenha durado quatro dias.

A Connect Faith cobrou ingressos para shows e palestras e vendeu cotas para patrocinadores e expositores. O modelo usado pela prefeitura é classificado como “apoio”, mecanismo pelo qual secretarias repassam recursos à SPTuris para bancar serviços de eventos escolhidos sem a mesma transparência exigida em patrocínios.

Veja os gastos da SPTuris com o evento:

Ao contrário do patrocínio, que exige solicitação formal, documentação, contrapartidas e prestação de contas, o “apoio” não registra publicamente quem pediu os recursos nem quem aprovou a despesa, segundo o DCM.

No caso da Connect Faith, só após investigações do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público a Secretaria Municipal de Turismo passou a informar alguns solicitantes. Para a feira, aparece a “Academia Nacional de Cultura”.

Ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Turismo informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação. O apoio do Município ao The Connect Faith foi concedido com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas entre os dias 12 e 15 de junho de 2025. Por fim, a administração repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Prefeitura de São Paulo reitera que a obra não recebeu recursos municipais”.


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Política

Vergonha: Liberada a compra de votos?

O Congresso Nacional se prepara para derrubar um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e liberar doações de bens, dinheiro e benefícios durante a campanha eleitoral de 2026 A votação está prevista para esta quinta-feira (21), enquanto a Marcha dos Prefeitos acontece em Brasília e reúne diversos prefeitos do país.

A proposta, defendida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que define as regras do Orçamento da União e abre caminho para a transferência de recursos, cestas básicas, tratores, ambulâncias e outros bens mesmo nos três meses anteriores à eleição, período em que a legislação eleitoral restringe esse tipo de repasse, conhecido como “defeso eleitoral”.

Na prática, a proposta flexibiliza as regras e permite que governos mantenham transferências a municípios e entidades durante a campanha eleitoral, desde que exista alguma contrapartida, como cessão de terreno, participação financeira ou compromisso de uso público dos recursos. A mudança alcança até mesmo o pagamento de projetos bancados com emendas parlamentares.

O trecho da proposta estabelece que a distribuição de recursos e bens públicos não será considerada violação das restrições impostas pelo período eleitoral, quando a legislação normalmente impede esse tipo de repasse nos três meses que antecedem a votação. Um mecanismo semelhante já havia sido utilizado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022.

Embora o governo Lula tenha apoiado a aprovação do texto no Congresso, o presidente vetou o trecho sob argumento de inconstitucionalidade e por tratar de tema eleitoral fora do escopo da LDO. Ainda assim, o Palácio do Planalto liberou parlamentares da base para apoiar a derrubada do veto.

A articulação acontece paralela à liberação de emendas parlamentares em ano eleitoral. Segundo dados do governo, R$ 25,9 bilhões já foram autorizados em 2026, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos.

Parlamentares também articulam derrubar outro veto que permite a municípios com até 65 mil habitantes e em situação de inadimplência continuarem recebendo transferências e emendas federais.

As medidas autorizam o envio de recursos federais para obras e manutenção de estradas estaduais e municipais, além de investimentos em hidrovias locais, flexibilizando limitações para que a União financie ações fora de sua responsabilidade direta.

*ICL


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Política

Vereador diz que ONG ligada ao filme Dark Horse atuava como ‘laranja’ de recursos

Segundo Nabil Bonduki, contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP pode ter alimentado estrutura política ligada ao bolsonarismo

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou ao ICL Notícias que a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, teria funcionado como uma “espécie de organização laranja” dentro do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi‑Fi em comunidades da capital.

Segundo Bonduki, a principal suspeita é de que a entidade tenha servido como intermediária para distribuição de recursos públicos a terceiros, sem possuir capacidade técnica real para executar o serviço contratado. O vereador afirma que a estrutura do contrato, somada à ausência de concorrência e à cadeia de subcontratações, levanta suspeitas graves sobre o modelo adotado pela gestão Ricardo Nunes.

Durante a entrevista, Bonduki também disse que parte dos pontos declarados como instalados não existiam nos endereços informados e que, em alguns casos, havia concentração de equipamentos a poucos metros de distância entre si. Segundo ele, a Prefeitura realizou pagamentos antecipados antes da efetiva prestação dos serviços.

O parlamentar também defendeu uma investigação mais ampla envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central para rastrear o destino final dos recursos públicos. Para ele, o caso pode revelar um modelo de financiamento político sustentado por contratos públicos e pulverização de recursos por meio de organizações da sociedade civil.

Bonduki ainda afirmou que o chamamento público teria sido estruturado de maneira que empresas privadas do setor não pudessem participar diretamente da contratação. Segundo ele, o formato adotado acabou restringindo a disputa a organizações da sociedade civil (OSCs), o que favoreceu a entidade contratada.

Entrevista
ICL Notícias — Quando o senhor começou a analisar esse contrato, qual foi o primeiro elemento que fez soar o alerta de que poderia existir algo muito fora do normal?

Nabil Bonduki — “Em primeiro lugar, o fato de se fazer um chamamento público para uma organização da sociedade civil num tema que normalmente não é o tema que este tipo de organização trabalha. Em geral, as OSCs trabalham com temas mais ligados à área social, assistência social, cultura, meio ambiente. No caso, era um contrato de tecnologia, onde normalmente quem atua são empresas privadas e tem muitas qualificadas para esse tipo de função, inclusive empresas que já tinham trabalhado com a própria Prefeitura em gestões anteriores.”

“Em segundo lugar, só apareceu uma organização. Essa foi a única OSC que apresentou proposta e nem ela mesma tinha expertise ou capacidade técnica para executar esse serviço.”

ICL Notícias — Na sua avaliação, é cabível que uma entidade vença um contrato público de R$ 108 milhões alegando capacidade técnica para executar o serviço e, depois de receber os recursos, terceirize praticamente toda a operação para empresas privadas?

Nabil Bonduki — “Essa organização funciona como uma espécie de organização laranja. Ela funciona simplesmente para receber recursos, distribuir esses recursos para outras organizações e apenas uma parte vai para prestação de serviço, que inclusive não existe comprovação que tenha sido feita de maneira correta e completa.”

“Embora seja responsável pelo contrato, ela não tem condição de executá‑lo. E a execução é feita por terceiros, por valores muito inferiores àqueles que ela recebeu.”

“Essas empresas não participaram diretamente porque o chamamento público foi destinado exclusivamente para organizações da sociedade civil. Essa foi a jogada. Se outras empresas pudessem participar, certamente elas teriam entrado e poderiam ganhar tanto por preço quanto por qualificação.”

“Essa intermediação não respeita o interesse público e não deveria ter sido feita.”

ICL Notícias — O senhor encontrou indícios de que a Prefeitura flexibilizou exigências técnicas ou ignorou alertas internos para viabilizar esse contrato?

Nabil Bonduki — “Com toda certeza a Prefeitura flexibilizou exigências porque contratou uma organização que não tinha nenhuma experiência nesse tema. O normal seria a Prefeitura cancelar esse chamamento e mudar o procedimento.”

“Não fazia sentido fazer um chamamento público para OSCs num tema de tecnologia onde normalmente atuam empresas privadas especializadas.”

“Também havia vários adiantamentos anteriores que antecipavam pagamentos em relação aos serviços não prestados.”

ICL Notícias — O senhor verificou problemas na execução do projeto?

Nabil Bonduki — “De fato existem pontos instalados, mas nós verificamos alguns endereços e não havia ponto nenhum. Também havia situações contraditórias, mudança de endereço e casos de três pontos colocados numa distância de dez ou quinze metros uns dos outros, o que obviamente não faz sentido.”

“Então houve situações em que se declarou que tinha sido instalado e não existia.”

ICL Notícias — O senhor acredita que esse caso pode revelar uma estrutura política maior financiada com recursos públicos?

Nabil Bonduki — “Uma das questões principais que precisa ser investigada são as fontes de financiamento do bolsonarismo e da extrema direita. É óbvio que, para manter essa estrutura, são necessários muitos recursos.”

“Esse contrato foi uma identificação que nós conseguimos mostrar de um contrato suspeito da Prefeitura de São Paulo com o financiamento dessa estrutura bolsonarista. E provavelmente existem coisas semelhantes em outros níveis de governo e até em outros órgãos da própria Prefeitura.”

“É uma máquina que está sendo alimentada por recursos públicos. Podem ser emendas também. Muito provavelmente existem esquemas semelhantes funcionando em vários lugares.”

“Talvez merecesse um encaminhamento para o Ministério Público Federal (MPF) e, a partir daí, buscar a colaboração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal (PF), do Banco Central e de outros órgãos federais que possam rastrear o dinheiro.”

“É preciso quebrar o sigilo bancário dos atores envolvidos para entender para onde esses recursos foram.”

ICL Notícias — O senhor acredita que houve uso eleitoral ou político dessa estrutura nas periferias?

Nabil Bonduki — “Eu não acredito que tenha sido diretamente uma ferramenta política nas periferias porque o Ricardo Nunes fez muitas outras obras maiores nesse período. Mas o que pode ter acontecido é outra coisa.”

“Um dos repasses foi para uma entidade chamada Periferia Conectada. Foram R$ 12 milhões. E essa organização é ligada a uma pessoa bastante suspeita e que certamente tem algum tipo de relação com o crime organizado em favelas.”

“O que pode ter acontecido é, por exemplo, repassar recursos para essa entidade e isso acabar ajudando campanhas politicamente. Eu não saberia dizer se isso teve uma relação direta com a eleição.”

ICL Notícias — O senhor vê resistência da Prefeitura em abrir informações sobre esse contrato?

Nabil Bonduki — “Estranhamente, esse contrato está aberto no site da Prefeitura. Muitos outros contratos acabam entrando em sigilo quando começam a ser questionados, mas esse não.”

“Então eu não vejo exatamente resistência da Prefeitura nesse caso específico. O problema é que não existe transparência sobre o que aconteceu depois que o dinheiro saiu da OSC para as subcontratadas.”

“Os contratos entre a organização e as empresas são bastante precários e não há detalhamento adequado sobre os serviços efetivamente prestados. A partir dali o rastreamento do dinheiro fica muito mais difícil.”

O ICL Notícias pediu esclarecimentos ao Instituto Conhecer Brasil através de e-mail e também tentou via ligação telefônica. O número informado no site da ONG está fora de serviço e até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

*Cleber Lourenço]


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Política

PF apura emenda de Flávio para ONG suspeita de integrar esquema de desvios de irmãos Brazão

A Polícia Federal (PF) investiga uma emenda parlamentar de R$ 199 mil enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em novembro de 2023 para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma ONG sediada na Zona Oeste do Rio de Janeiro (bairro Taquara, área de influência dos Brazão).

Os irmãos Brazão (Chiquinho e Domingos) foram condenados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Eles são investigados por um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares via ONGs, incluindo a “Contato” (ou CPASC) e entidades ligadas.

A PF apura se esse repasse específico integrou o esquema comandado pelo grupo dos Brazão. A transferência ocorreu cerca de um mês após o gabinete de Flávio ser procurado por um assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ.

Intermediário: Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe” (policial militar da reserva, ex-assessor ligado aos Brazão e também condenado no caso Marielle). Ele teria intermediado o envio da emenda.

Sobre a ONG (Ifop): O Ifop recebeu a emenda para o projeto “Jogadores do Futuro” (futebol/inclusão social). TVTNews.

A mesma ONG também recebeu recursos de Chiquinho Brazão (R$ 1,5 milhão para outro projeto) e já apareceu em apurações anteriores da PF relacionadas aos Brazão.

Há investigações paralelas (incluindo da CGU e relatórios anteriores do UOL) sobre possíveis irregularidades em prestações de contas dessa e de outras ONGs cariocas ligadas ao grupo (superfaturamento, entrega incompleta de materiais etc.), mas isso não é exclusivo dessa emenda.


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Política

Flávio Bolsonaro teve reembolso de viagem a SP um dia após Vorcaro ser liberado da prisão

O ICL Notícias perguntou ao senador se o contribuinte arcou com as despesas de um encontro privado com um banqueiro acusado de lavagem de dinheiro

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ressarcido com dinheiro público por viagem feita a São Paulo no dia 29 de novembro, um dia após Daniel Vorcaro voltar para casa após sua primeira prisão do controlador do Banco Master. O parlamentar pediu reembolso ao Senado de duas passagens que comprou para se deslocar de Brasília à capital paulista. As informações constam no Portal da Transparência do Senado. Flávio Bolsonaro admitiu ontem que visitou Vorcaro em sua casa “logo após” o banqueiro passar a usar tornozeleira eletrônica, o que aconteceu no dia 28 de novembro.

Segundo informação do site G1, o encontro com o banqueiro ocorreu no mesmo dia da viagem do presidenciável do PL a São Paulo.

No final da manhã de 29 de novembro do ano passado, o senador embarcou em um voo da Latam marcado para sair às 11h40 de Brasília para o aeroporto de Congonhas. O custo total da passagem foi de R$ 2.216,77. Ele pegou o voo de Congonhas para a capital federal, na noite da mesma data, desta vez um voo operado pela Azul, no valor R$ 413,22.

O banqueiro havia tido sua prisão revogada na noite do dia anterior, 28 de novembro de 2025, por uma decisão da desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Solange Salgado da Silva.

Dias depois, o senador comprou novas passagens de ida e volta entre Brasília e São Paulo e foi reembolsado pela Casa Legislativa. No dia 1º de dezembro, ele pegou um voo da Latam, marcado para sair às 12h30. Retornou à capital federal, na manhã do dia seguinte, em um voo operado pela mesma companhia aérea. O custo total foi de R$ 2.919,29.

O senador volta a viajar para São Paulo, no dia 4 de dezembro de 2025. De novo, com passagens reembolsadas pelo Senado no valor de R$ 5.787,29. Ele voltou no dia seguinte. Os voos foram operados pela Latam. Ainda do dia 15 daquele mês, Flávio Bolsonaro viajou para São Paulo mais uma vez e foi reembolsado em R$ 2.314,77.

O ICL Notícias perguntou ao senador Flávio Bolsonaro se o contribuinte arcou com as despesas de locomoção de um encontro de caráter privado com um banqueiro acusado de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, além de táticas de intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes.

A reportagem perguntou também ao senador em quais datas ele visitou Daniel Vorcaro. Caso responda, esse texto será atualizado.

A visita de Vorcaro foi revelada pelo colunista do Metrópoles Igor Gadelha e aconteceu na residência do banqueiro em São Paulo, quando o banqueiro deixou a carceragem da Polícia Federal.

A cota de voos e passagens aéreas dos senadores está inclusa na CEAPS (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar). Além de uma verba mensal de até R$ 15 mil para despesas, o benefício também inclui o valor da verba de transporte aéreo dos senadores tem valor variável para cada unidade da federação.

A relação íntima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi revelado pelo site Intercept Brasil. O senador pediu ao banqueiro que se comprometesse a repassar R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história da eleição de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Ao menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, de acordo com informações do Intercept

Em pronunciamento feito ao lado de senadores e deputados, nesta terça-feira (19), Flávio Bolsonaro admitiu que visitou Vorcaro. “Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”, afirmou.

O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso novamente em 4 de março de 2026. Desta vez, por ordem do ministro do STF André Mendonça, que alegou “risco concreto de interferência nas investigações”. Ele negocia um acordo de delação premiada.

*ICL


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Pesquisa

Pesquisa Vox Brasil: Lula dispara e deixa o azarão para trás

Pesquisa mostra queda de 5,7% nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro após escândalo com Daniel Vorcaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pela Vox Brasil.

De acordo com os dados, Lula soma 46,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38,1%. A pesquisa foi realizada após a divulgação do caso envolvendo um áudio em que o senador negocia recursos com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O episódio veio a público em 13 de maio, em reportagem do Intercept Brasil. Na conversa, datada do início de 2025, Flávio Bolsonaro trata do pagamento de US$ 24 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a Vox Brasil, a diferença entre os dois candidatos aumentou após a repercussão do caso. O levantamento indica que Flávio perdeu 5,7 pontos percentuais desde a revelação do áudio, enquanto Lula avançou 6,6 pontos no mesmo período.

A pesquisa da Vox é a segunda de alcance nacional a apontar impacto negativo do episódio sobre a pré-candidatura do senador. Na terça-feira (19), levantamento da AtlasIntel também mostrou desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro entre os eleitores.

A pesquisa ouviu 2.100 pessoas em todo o país entre os dias 17 e 19 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02416/2026 e, segundo a Vox Brasil, foi financiado com recursos próprios ao custo de R$ 50 mil.

Lula tem 46,6% e Flávio Bolsonaro 38,1% no 2º turno

Veja:


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PL estipula prazo para decidir candidatura de Flávio Bolsonaro após visita a Vorcaro

Pressionado pelo PL a explicar sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu que visitou o banqueiro após sua prisão, no fim do ano passado. A revelação aumentou a crise interna em torno da pré-candidatura do filho de Jair Bolsonaro à Presidência e levou parte da cúpula do partido a considerar um prazo de 10 a 15 dias para reavaliar se ele terá condições de seguir na disputa, segundo o Globo.

Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo quando recebeu a visita de Flávio. O senador já havia sido exposto em áudios nos quais cobra parcelas atrasadas ligadas ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente. Segundo o Intercept Brasil, o banqueiro autorizou o repasse de R$ 61 milhões ao filme, transação investigada pela Polícia Federal.

Ao comentar o encontro, Flávio confirmou a ida até Vorcaro. “Fui, sim, até o encontro dele (Vorcaro). Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele”, disse.

Em seguida, afirmou que a visita tinha como objetivo encerrar a negociação sobre o longa: “Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”.

https://twitter.com/i/status/2056773438405271810

Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a candidatura de Flávio pode se tornar “inviabilizada” se surgirem fatos que contrariem a versão de que a relação com Vorcaro se limitou ao financiamento do filme.

A revelação da visita se somou a outras turbulências, como o incômodo de uma ala do partido com a escolha de um ex-policial civil para chefiar a comunicação e o desgaste com o Centrão após operação que mirou Ciro Nogueira (PP-PI).

Flávio passou os últimos dias em reuniões reservadas com Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho. Depois, reuniu cerca de 70 deputados e senadores do PL em Brasília, pediu desculpas por não ter explicado antes detalhes da relação com Vorcaro e repetiu que “não há mais nada” além da negociação sobre o filme.

No partido, porém, parlamentares cobraram garantias de que não haverá novas revelações. Caso a candidatura não se sustente, Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) aparecem entre as opções discutidas internamente. Marinho, no entanto, defendeu o senador: “Não existe nenhuma chance de Flávio ser substituído”.


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‘Flávio Bolsonaro se enrolou na própria mentira’, diz advogado e cientista político

Jorge Folena avalia que candidatura do bolsonarista seguirá, mas com muitas dificuldades porque perdeu a credibilidade

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) indica impacto das revelações sobre as relações do Banco Master na candidatura de Flávio Boslonaro (PL). O senador teve queda de seis pontos percentuais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como vitorioso no primeiro e segundo turno.

O petista aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador do PL. Na pesquisa anterior, realizada em abril, Flávio tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.

Para o advogado e cientista político Jorge Folena, os recentes resultados mostram o impacto das revelações do envolvimento do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro. O especialista destaca também que a jogada de ficar voltando atrás nas declarações também acaba prejudicando a imagem dele. “A queda é consequência do envolvimento dele e de sua família com um criminoso, que é o Daniel Vorcaro. E isso produziu um efeito grande porque ele mentiu. Mentiu para os repórteres quando foi indagado e depois teve que reconhecer que a voz era dele. Ou seja, um mentiroso. Depois ele foi dizer que o dinheiro do Vorcaro era privado, que o negócio dele não era pedir dinheiro da Lei Rouanet. Só que é um dinheiro fraudado. O Vorcaro gerou um prejuízo a milhares de correntistas, aposentados e pensionistas, e eu diria que até à Receita Federal. O dinheiro é público proveniente de fraudes. Flávio Bolsonaro se enrolou na própria mentira”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A família Bolsonaro vai tentar sustentar a candidatura de Flávio, porque eles não têm opção e ele expressa a representação do fascismo brasileiro. “A candidatura está chamuscada. Vai ter apoio? Vai. Mas daqueles que são adeptos do fascismo brasileiro. Com mentira e sem proposta, porque vamos lembrar que, até o momento, Flávio não apresentou o que pretende fazer caso vença a presidência. As pessoas vão votar nele por uma opção fascista”, avalia Folena.

O cientista político também destaca um dado que considera importante: o fato de que 95% das pessoas tomaram contato com a reportagem jornalística que trouxe a revelação do envolvimento de Flávio e Vorcaro. “Mesmo com as dificuldades que os meios de comunicação tradicional impõem para proteger Flávio Bolsonaro não puderam esconder, até porque o próprio Flávio admitiu. E que bom que as pessoas puderam ter contato para formar juízo”, afirma.

*BdF


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