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Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

Por Alice Maciel (ICL Notícias) e Natalia Viana (Agência Pública)

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUAEduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram centrais na articulação para impor tarifas contra o Brasil e retaliações contra ministros do Supremo. Desde 2025, eles participaram de dezenas de reuniões com deputados republicanos e membros do governo dos EUA pedindo intervenções em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Em maio de 2025, três meses após se mudar para o Texas e anunciar que viveria uma espécie de “autoexílio”, Eduardo Bolsonaro comprou um carro novo. Não exatamente um modelo econômico para atravessar tempos difíceis. Ele adquiriu um GMC Acadia Elevation 2025 preto, um SUV de três fileiras de assentos, avaliado em cerca de 43,8 mil dólares nos EUA, o que equivale a aproximadamente R$ 226 mil.

Os registros de gastos associados à família Bolsonaro nos EUA mostram que, desde a mudança para o país, em fevereiro do ano passado, o padrão de vida não parece ter encolhido, nem mesmo após o STF determinar o bloqueio dos bens de Eduardo Bolsonaro e de sua esposa, Heloísa Bolsonaro, em julho de 2025. Eduardo ainda perdeu o salário que recebia como deputado federal em dezembro, quando seu mandato foi cassado por faltas, e, desde 2015, não recebe salário como escrivão da PF, de onde a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.

Ao chegar aos EUA, o ex-deputado escolheu Arlington, no Texas, onde já havia mantido uma empresa entre 2023 e 2024. A residência alugada estava longe de ter as dimensões de um refúgio improvisado. Tinha pouco mais de 300 metros quadrados, quatro quartos e quatro banheiros, com valor de mercado estimado em 707,7 mil dólares (cerca de R$ 3,6 milhões). O valor da locação anunciado em sites imobiliários, quando eles alugaram a casa, era de 4,5 mil dólares, aproximadamente R$ 23,3 mil na cotação atual.

Em maio de 2025, Jair Bolsonaro chegou a transferir R$ 2 milhões ao filho. “Botei dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, Pix”, afirmou o ex-presidente.

Dias dep

ois, Eduardo chegou a reclamar para o pai, em mensagens trocadas por Whatsapp, que estava “se fodendo” nos EUA. Ao reclamar de uma entrevista em que Jair dizia que o filho era imaturo, Eduardo reclamou que, ao jogar ele para baixo, o ex-presidente o estaria condenando a passar o “resto da vida nessa porra aqui”. “VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu.

A situação parece ter melhorado desde então. Pouco mais de um ano depois, em maio de 2026, a família trocou Arlington por um endereço ainda mais valorizado, em Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, onde a renda familiar média é de 250 mil dólares – três vezes maior do que em Arlington, por exemplo. Eduardo, a esposa e os dois filhos moram atualmente em uma casa que oferece “uma vida de resort”, conforme revelou o The Intercept Brasil.

Avaliada em 1,22 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões, a mansão foi anunciada para aluguel por aproximadamente 5,9 mil dólares (em torno de R$ 30 mil mensais), segundo anúncios imobiliários que permaneceram ativos até fevereiro deste ano. O imóvel tem 424 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.366 metros quadrados, quatro quartos e piscina, além de acesso a um clube com quadras de tênis e a uma lagoa.

Fotos da casa de Eduardo Bolsonaro

A filha mais velha do casal Bolsonaro, de cinco anos, foi matriculada numa escola cristã a cerca de 15 minutos de casa, com custo anual de 18 mil dólares (R$ 93,4 mil), conforme divulgado no site da escola.

Eduardo nega ter usado parte da verba do filme Dark Horse para custear sua vida nos EUA. O filme foi financiado com cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do Fundo Havengate. O negócio veio à tona após reportagem do Intercept Brasil. Conforme revelou o portal, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o dobro desse valor ao banqueiro, hoje preso por gestão fraudulenta e estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, organização criminosa e obstrução da Justiça.

“A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais. “No meu processo migratório, expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema”, disse.

Procurado pela reportagem, Eduardo não respondeu como financia seu padrão de vida nos Estados Unidos.

Em outras ocasiões, ele afirmou que se mantém com “renda passiva” e já disse também que recebe dinheiro por meio de cursos que ministra – os cerca de 50 mil dólares que ele disse ter investido no filme Dark Horse, por exemplo, teriam esta origem.

20 viagens em 18 meses
Chama a atenção o volume de dinheiro que Eduardo Bolsonaro vem gastando com viagens dentro e fora dos EUA. Desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado federal viajou ao menos 20 vezes, entre compromissos políticos e passeios turísticos.

Para comemorar o primeiro aniversário de Heloísa Bolsonaro após a mudança para os EUA, a família foi para a Disney em junho de 2025. Cinco meses depois, em dezembro, Eduardo Bolsonaro esteve na cidade de Park City, em Utah, destino nas montanhas conhecido internacionalmente por suas estações de esqui. A passagem ocorreu justamente no início da alta temporada de neve na região.

Já em fevereiro deste ano, Eduardo viajou para West Palm Beach, na Flórida, onde o custo diário de acomodação pode ser superior a R$ 1.000.

Durante a Copa do Mundo, ele foi a Miami assistir à partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu no dia 24 de junho. Ficou hospedado em um hotel de luxo, que cobra diárias de R$ 16 mil e chega a oferecer pacotes de experiência avaliados em um milhão de dólares, conforme revelou a Revista Fórum.

Mas a maior parte dos deslocamentos do ex-deputado desde que se mudou para os EUA está ligada à sua atuação política. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem se mobilizado para pressionar o governo norte-americano a impor sanções ao Brasil e a ministros do STF. Juntos, os dois estiveram pelo menos sete vezes em Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Paulo frequenta o resort desde 2019 e parece manter sua primeira impressão: “simplesmente lindo!”

Em meados de maio, Eduardo hospedou-se, junto com Paulo, no histórico hotel Willard Intercontinental Washington, quando se reuniram com Trump na Casa Branca. Eduardo e sua turma alugaram os quartos, que têm preço a partir de R$ 1,5 mil por noite, mas podem chegar a custar R$ 50 mil por diária. Eles chegaram a receber, no hotel, a visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no Departamento de Estado.

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

A agenda de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também cruzou as fronteiras norte-americanas, com pelo menos três viagens ao Oriente Médio.

“Pra quem surfa, sabe que isso aqui é o que há de melhor no mundo.” Com uma prancha debaixo do braço, Eduardo Bolsonaro aparece diante da maior piscina de ondas artificiais do mundo, em Abu Dhabi. No vídeo, publicado em 8 de fevereiro, ele também demonstra suas habilidades ao longo de uma sequência de manobras. As imagens foram gravadas no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat, onde uma sessão de 45 minutos para surfistas de nível intermediário e avançado custa 1,8 mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED) US$ 953 — cerca de R$ 2,5 milhões.

Eduardo Bolsonaro com prancha de surfe em Abu Dhabi

Eduardo no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat

Na ocasião, Eduardo viajava pelo Oriente Médio ao lado do irmão, o senador e então pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos como parte de sua agenda política na região. Mas, entre um compromisso e outro, as redes sociais também registraram momentos de lazer.Figueiredo, por exemplo, compartilhou avaliações de restaurantes em Dubai, como o CZN Burak Dubai, especializado em culinária turca, onde comeu um dos melhores kebabs da sua vida, além de um ensopado de camarão apimentado. “Divino”, “sobremesa perfeita” estão entre os elogios feitos à casa, cujo preço estimado por pessoa é de R$ 140 a R$ 210. Ele também visitou o Clay Dubai, na marina da cidade, onde se paga entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa. “Este lugar não é apenas LINDO, mas tudo o que comemos estava delicioso”, escreveu . Em um restaurante de comida japonesa, reclamou de ter comido um sushi de abacate com salmão por 45 dólares. “ATENÇÃO! Este lugar é uma armadilha para turistas!”, escreveu .


Procurado pela reportagem, Paulo Figueiredo dirigiu ironias e agressões contra a Agência Pública antes de afirmar “Eu me financio através das minhas empresas e não devo satisfação a ninguém”.Em intervalo de 6 meses, Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões e Cybertruck da TeslaOs registros levantados pela reportagem indicam que Paulo Figueiredo também elevou seu padrão de vida no último ano. Em novembro de 2025, conforme revelaram a Agência Pública e o ICL Notícias, o influenciador comprou por 1,2 milhão de dólares — cerca de R$ 6,1 milhões — uma mansão em Clermont, na Flórida. Para fechar o negócio, contratou um financiamento imobiliário de 1 milhão de dólares.

Fotos da casa de Paulo Figueiredo

A propriedade fica em um terreno de 17,5 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída. São dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de estar e de jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Do lado de fora, há piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e até uma casa na árvore.

Seis meses depois, em maio de 2026, Figueiredo ampliou a garagem com um Cybertruck 2026, da Tesla, montadora de Elon Musk. O veículo tem valor de mercado estimado em 83 mil dólares, o que equivale a R$ 427,9 mil. O influenciador também possui, desde 2024, uma BMW Série 6 de 2004, hoje avaliada em cerca de 9 mil dólares (aproximadamente R$ 51 mil).

Tesla Cybertruck 2026

A compra da mansão ocorreu apenas um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua empresa, a International Treasure Group, condenada à revelia. A ação contra a companhia faz parte de um processo de falência que visa recuperar transferências supostamente vinculadas ao esquema de fraude atribuído ao magnata chinês Miles Guo.

A International Treasure Group entrou no processo após receber 140 mil dólares— cerca de R$ 670 mil — por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, segundo a defesa de Figueiredo. Fundada pelo ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, a plataforma tinha Guo como financiador oculto.

A mansão em Clermont não é o único imóvel de Figueiredo na Flórida. Ele também possui uma casa em Weston, colocada à venda em junho deste ano por 1,09 milhão de dólares — cerca de R$ 5,5 milhões —, segundo sites imobiliários americanos. Desde 2016, a propriedade estava registrada em nome da Olive-Fig Tree Real Properties LLC, empresa que também pertence ao influenciador.

Em outubro de 2025, porém, o imóvel de Weston foi transferido para o nome de Figueiredo, segundo documentos do estado da Flórida. No mês seguinte, ele adquiriu a mansão de Clermont.

As movimentações contrastam com declarações feitas pelo próprio Figueiredo sobre sua situação financeira. Em 2024, quando já articulava, nos Estados Unidos, possíveis retaliações contra autoridades brasileiras, ele fez deu seu testemunho em uma audiência no Congresso norte-americano afirmando ser vítima de perseguição do STF e que estava “desempregado, sem minhas redes sociais e suas respectivas monetizações, responsável por sustentar minhas duas filhas americanas de 7 e 8 anos”.

Paulo é cidadão americano, assim como suas filhas, e usa este fato para alardear que tem sido censurado pelo STF – o que embasou diversas ações de aliados no governo e no legislativo norte-americano, como a lei “No Censors in Our shores”, proposto pela deputada republicana Maria Elvira Salazar um mês depois dela ter recebido uma doação de campanha de Paulo no maior valor possível na época (R$ 57 mil), conforme revelou a Pública.

Na Flórida, Paulo frequenta restaurantes renomados e costuma ser bastante crítico quanto à gastronomia. Frequenta estabelecimentos com estrelas Michelin, mas nem sempre sai satisfeito. Por exemplo, em abril, ele foi ao restaurante de culinária asiática fusion Nami, no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde também se paga, por pessoa, cerca de 500 reais por refeição. “Fiquei muito decepcionado, ainda mais por se tratar de um restaurante com estrela Michelin. As porções são ridiculamente pequenas, não condizendo com o preço cobrado. Pra ser sincero, este é o primeiro lugar com estrela Michelin onde definitivamente não pretendo voltar”.

Em outros restaurantes, ele reclama dos valores pagos por porções pequenas, o que ele diz ser regra em Miami, “restaurantes muito caros com comida mediana”.

Não que ele não tope pagar caro. Há cerca de um ano ele foi com a esposa ao Restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, onde pagou “quase 400 dólares” – R$ 2 mil reais – em um menu degustação para duas pessoas. “Mesmo experimentando o menu degustação, nada do que comi foi memorável e me fez querer voltar”, escreveu.


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Pesquisa

Atlas/Intel: Pesquisa mostra Lula 10 pontos à frente de Flavio Bolsonaro no 1º turno

Pesquisa AtlasIntel divulgada hoje mostra o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43,4% das intenções de voto do primeiro turno da eleição presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33,7%. Augusto Cury passou de 1,6% para 7,8%.

A pesquisa ouviu 5.014 eleitores, por recrutamento digital aleatório, entre os dias 25 e 30 de agosto. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-07972/2026.

No levantamento anterior, em 29 de julho, Lula aparecia com 44,9%, e Flávio Bolsonaro, 35,8%.

1º turno – estimulada (quando é apresentada lista com nomes dos candidatos)

  • Lula (PT): 43,4%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 33,7%
  • Augusto Cury (Avante): 7,8%
  • Renan Santos (Missão): 7,6%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 3,3%
  • Pablo Marçal (PRTB): 1,9%
  • Romeu Zema (Novo): 1%
  • Samara Martins (UP): 0,9%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0,1%
  • Wilton Grassi (Democrata): 0,1%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 0,1%
  • Não sabe/Não respondeu: 0,2%

2º turno

Lula x Flávio Bolsonaro

  • Lula (PT): 47,1% (era 49,2% em 28/7)
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42,6% (era 42,9%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 10,3% (era 7,9%)

Lula x Ronaldo Caiado

  • Lula (PT): 46,6% (era 48,2% em 28/7)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 41% (era 38,9%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 12,9%)

Lula x Romeu Zema

  • Lula (PT): 47% (era 48,6% em 28/7)
  • Romeu Zema (Novo): 40,7% (era 39,6%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 11,8%)

Lula x Renan Santos

  • Lula (PT): 47.5% (era 47,6% em 28/7)
  • Renan Santos (Missão): 26% (era 30,2%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 26,6% (er 22,2%)

Evolução das intenções de voto no 2º turno
Lula (PT)

  1. Fevereiro – 46,2%
  2. Março – 46,6%
  3. Abril – 47,5%
  4. Junho – 48,8%
  5. Julho – 49,2%
  6. Agosto – 47,1%

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Fevereiro – 46,3%
  • Março – 47,6%
  • Abril – 47,8%
  • Junho – 42,3%
  • Julho – 42,9%
  • Agosto – 42,6%

Branco/Nulo/Não sabe

  • Fevereiro – 7,5%
  • Março – 5,8%
  • Abril – 4,7%
  • Junho – 8,9%
  • Julho – 7,9%
  • Agosto – 10,3%

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Vídeo: Flávio no epicentro do Banco Master: Lula transforma o escândalo em questão eleitoral

Lula decidiu fazer aquilo que Flávio Bolsonaro provavelmente mais gostaria de evitar, colocar o caso Banco Master no centro da campanha eleitoral e obrigar o candidato do PL a responder por sua relação com Daniel Vorcaro.

Na propaganda eleitoral, a campanha de Lula não tratou o episódio como uma nota de rodapé, muito menos como um assunto superado. Fez o contrário, trouxe o caso para o primeiro plano, recuperou o áudio de Flávio dirigindo-se ao banqueiro e recolocou diante dos eleitores a pergunta que continua sem uma resposta politicamente convincente: afinal, o que aconteceu com o dinheiro que Flávio pediu a Vorcaro?

É uma jogada eleitoral de alto impacto porque atinge justamente o ponto mais vulnerável da candidatura de Flávio, a distância entre o discurso de candidato que promete combater a corrupção e as notícias sobre sua proximidade com personagens e negócios que estão sob investigação.

A campanha de Lula explorou essa contradição sem rodeios. O áudio, as referências ao Banco Master e ao projeto do filme Dark Horse passaram a funcionar como uma espécie de cartão de visitas político de Flávio. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Flávio teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro e recebido R$ 61 milhões; o senador afirmou que os recursos estavam relacionados à produção do filme e prometeu prestar contas.

O problema político é que, enquanto Flávio tenta declarar o assunto encerrado, a campanha adversária insiste em mantê-lo aberto. E eleição é, sobretudo, disputa pela narrativa. Se Lula conseguir fazer o eleitor associar o nome Flávio Bolsonaro às palavras Banco Master, Vorcaro e dinheiro sem explicação, terá criado uma marca eleitoral extremamente difícil de apagar.

Mais do que atacar Flávio, portanto, Lula está tentando transformar o episódio em uma pergunta permanente durante a campanha: por que um candidato à Presidência precisa ser cobrado para explicar sua relação financeira com o dono de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do momento?

A ofensiva é ainda mais significativa porque ocorre justamente quando a corrupção voltou a ocupar lugar central na disputa presidencial.

Flávio pode tentar mudar de assunto, atacar Lula ou repetir que o episódio é “página virada”. Mas há um detalhe cruel para sua campanha: quem decide se uma página virou não é o candidato; é o eleitor.

E Lula acaba de colocar essa página bem no meio da propaganda eleitoral.

A mensagem é brutalmente simples: antes de pedir o voto dos brasileiros, Flávio terá de explicar o dinheiro, o banqueiro e a história que envolve os dois.

E quanto mais ele tentar fugir do Banco Master, mais Lula terá oportunidade de perguntar por que ele está fugindo.


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Lula reconstrói o SUS e prepara o Brasil para cuidar de quem envelhece

Há uma diferença essencial entre governar e simplesmente ocupar o Palácio do Planalto: governar é escolher que país se quer construir. E, na saúde pública, a escolha de Lula é inequívoca: reconstruir o SUS, recuperar aquilo que foi desmontado e preparar o Estado brasileiro para enfrentar um dos maiores desafios das próximas décadas — o envelhecimento da população.

Não é uma tarefa pequena. O SUS atravessou anos de subfinanciamento, descontinuidade de políticas públicas, negacionismo e uma concepção de Estado que tratava direitos sociais como despesas incômodas. Durante a pandemia, essa visão produziu consequências dramáticas. Agora, o movimento é inverso: recuperar programas, recompor políticas, ampliar investimentos e devolver ao sistema público sua capacidade de cuidar de milhões de brasileiros.

Mas Lula não está apenas reconstruindo o SUS que encontrou. Está tentando fazê-lo avançar para uma nova etapa.

E a atenção à população idosa é talvez uma das expressões mais importantes dessa mudança.

O Brasil envelhece rapidamente. Ignorar essa transformação demográfica seria uma irresponsabilidade histórica. O país precisa de um sistema de saúde capaz de cuidar não apenas da doença, mas também da autonomia, da prevenção, da qualidade de vida e da dignidade de quem envelhece.


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Ex-repórter da Globo acusa emissora de tentar “derrubar Lula”

Neide Duarte criticou sabatina do presidente no JN e questionou uso de informações vazadas de investigação da PF como elemento para levantar suspeitas

A jornalista Neide Duarte, que trabalhou por décadas na Globo e passou por alguns dos principais telejornais da emissora, criticou publicamente a condução da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Jornal Nacional.

Em publicação nas redes sociais, Neide afirmou que a emissora estaria novamente empenhada em uma “batalha para derrubar Lula” e questionou o espaço dado durante a sabatina a informações relacionadas a uma investigação da Polícia Federal.

A manifestação foi publicada após a participação de Lula no programa Entrevista com o Candidato, conduzido pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos. O presidente foi entrevistado no contexto da cobertura eleitoral, e parte da conversa abordou suspeitas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.

Para Neide, entretanto, a abordagem adotada pelos entrevistadores teria privilegiado elementos ainda não comprovados em detrimento das propostas apresentadas pelo candidato. “A metade da entrevista foi sobre pedaços de frases, fotografias, suspeitas, nenhuma prova”, escreveu a jornalista.

A crítica se concentrou especialmente no uso de informações provenientes de uma investigação policial. Neide questionou se trechos de informações atribuídas à Polícia Federal poderiam ser tratados como evidências definitivas e ironizou a classificação da abordagem como “jornalismo investigativo”.

A jornalista também levantou questionamentos sobre a própria atuação das autoridades envolvidas na apuração. “Todos os policiais da Polícia Federal são incorruptíveis???? Vocês garantem???”, escreveu.

A manifestação não apresenta, contudo, evidências de que a Globo tenha adotado deliberadamente uma estratégia institucional para prejudicar Lula. A afirmação de que existiria um “plano” aparece como interpretação e acusação feita pela própria jornalista a partir da forma como ela avaliou a entrevista.

Neide questiona espaço dado às suspeitas sobre Lulinha
Um dos principais pontos levantados por Neide Duarte foi a investigação envolvendo Fábio Luís. Segundo ela, a quebra de sigilo bancário determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não teria encontrado elementos que comprovassem as suspeitas levantadas contra o filho do presidente.

“O Mendonça quebrou o sigilo bancário do Fabio Luis em janeiro e não encontrou NADA. Mas vocês continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora”, afirmou.

A jornalista também criticou a repercussão posterior da entrevista nos canais de notícias da Globo. Segundo Neide, a programação teria dedicado tempo excessivo justamente aos trechos relacionados às suspeitas, enquanto as respostas de Lula sobre questões de governo teriam recebido menos atenção.

“Tudo o que Lula tentou dizer sobre Brasil, educação, economia, segurança, parece que a maior emissora de TV do país não deu nenhuma importância”, escreveu.

Para ela, a cobertura teria deixado em segundo plano as propostas apresentadas pelo presidente e candidato à reeleição.

A questão ganha peso no caso de Lula pela trajetória da relação entre o presidente e a Globo. Ao longo de diferentes períodos eleitorais, a cobertura da emissora já foi objeto de críticas tanto de setores da esquerda quanto de outros grupos políticos.

A crítica recupera uma discussão histórica sobre o papel da imprensa brasileira em períodos eleitorais: até que ponto a cobertura jornalística deve concentrar-se na investigação de denúncias e suspeitas envolvendo candidatos, e em que momento essa abordagem pode acabar determinando a própria agenda eleitoral?

Em sua manifestação, Neide encerrou a crítica relacionando a atuação da imprensa ao risco de uma nova ascensão da extrema direita no país. “Se este país cair outra vez nas mãos da extrema direita estúpida, inimiga da educação, da cultura, dos projetos sociais, nós, brasileiros, saberemos identificar os responsáveis por isso”, escreveu.

A crítica ganha repercussão adicional pela trajetória profissional de sua autora. Neide Duarte entrou na Globo em 1980 e permaneceu na emissora até 1996. Ao longo desse período, trabalhou em programas como Jornal Nacional, Globo Rural, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e SPTV, além de atuar como repórter especial do Globo Repórter e do Fantástico. Ela também passou pelo SBT e pela TV Cultura antes de retornar à Globo em 2005. Permaneceu na emissora até 2022.

*GGN


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Flávio Bolsonaro no JN: uma seleção de mentiras em horário nobre

Flávio Bolsonaro entrou no Jornal Nacional não para enfrentar os fatos, mas para tentar substituí-los por uma narrativa cuidadosamente construída para consumo eleitoral. O resultado foi uma verdadeira seleção de mentiras, distorções, omissões e versões convenientemente adaptadas à sua campanha.

O mais impressionante é que ele sequer parece ter se dado ao trabalho de construir aquelas tradicionais “meias verdades”, nas quais se mistura um pedaço de fato com uma boa dose de manipulação. Não. Em vários momentos, Flávio simplesmente afirmou coisas que colidem frontalmente com os registros disponíveis. As checagens publicadas depois da entrevista identificaram uma sequência de declarações falsas ou enganosas.

No caso do filme Dark Horse, por exemplo, Flávio afirmou que as informações relevantes já eram públicas, quando não havia prestação de contas pública que comprovasse o destino dos recursos. Também tentou transformar em uma banalidade a relação financeira envolvendo Daniel Vorcaro, embora a própria documentação conhecida e as reportagens sobre o caso apontem para uma história muito mais complexa.

E não parou aí. Vieram as versões sobre Adriano da Nóbrega, o negacionismo climático, as urnas eletrônicas, o Pix, o 8 de Janeiro e a atuação do próprio Flávio em questões relacionadas ao Banco Master. Em diferentes pontos, a realidade documentada simplesmente não cabia na narrativa que ele pretendia vender ao telespectador.

É justamente aí que está o problema. Uma entrevista presidencial deveria ser um confronto entre propostas, fatos e responsabilidades. Não pode se transformar em um palco no qual o candidato lança uma afirmação atrás da outra e deixa para o público a tarefa de descobrir, depois, onde termina o discurso político e começa a falsificação da realidade.

E basta uma busca simples para desmontar boa parte desse turbilhão de versões. É só colocar no Google cada uma das frases ditas por Flávio no JN e confrontá-las com documentos, registros públicos e checagens jornalísticas. A narrativa começa a desmoronar em questão de minutos.

O problema, portanto, não é apenas Flávio Bolsonaro ter mentido. É a estratégia política por trás da mentira: falar com tanta segurança que o espectador possa confundir convicção com verdade. Repetir uma versão até que ela pareça um fato. Apresentar a própria narrativa como se fosse a realidade e apostar que ninguém terá tempo ou disposição para conferir.

Mas tem um detalhe inconveniente para essa estratégia: os fatos continuam existindo.

E os fatos não precisam de performance, gestual ou discurso ensaiado. Basta confrontá-los com aquilo que Flávio disse no JN.

Quando isso é feito, sobra muito pouco da entrevista além de uma sucessão de versões convenientes, omissões e afirmações que não resistem ao primeiro contato com a realidade.


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Flávio Bolsonaro, o candidato Sambarilove

Gerson Camarotti talvez tenha encontrado a melhor definição para a participação de Flávio Bolsonaro na sabatina do Jornal Nacional: o candidato assumiu integralmente o figurino e o gestual do Sambarilove da Escolinha do Professor Raimundo.

Foi um espetáculo à parte. Pergunta de um lado, floreio do outro. O entrevistador apertava, Flávio escorregava. Perguntava-se sobre um assunto, vinha uma pirueta verbal; insistia-se na questão, surgia uma cambalhota retórica. Quando a resposta ameaçava aparecer, lá vinha o velho e conhecido sambarilove: muita movimentação, muito gesto, muita convicção cenográfica e nenhuma substância.

Flávio parecia ter ido ao Jornal Nacional não para responder perguntas, mas para dançar em torno delas, imitando perfeitamente o personagem Armando Volta.

Era como se tivesse levado para a bancada uma cartilha intitulada: “Como falar durante vários minutos sem necessariamente chegar ao ponto”. O problema é que televisão não é salão de baile e entrevista não é concurso de coreografia. Em algum momento, o candidato precisa responder.

E aí apareceu o grande talento do sambarilove político: transformar pergunta incômoda em fumaça, questão objetiva em discurso e cobrança em vitimismo.

Quando surgiam temas espinhosos, especialmente aqueles que exigiam explicações mais concretas, o figurino ficava ainda mais completo. Braços para cá, cabeça para lá, sobrancelha para cima, indignação para todo lado — e a resposta, essa criatura misteriosa, continuava desaparecida.

O curioso é que o Sambarilove original fazia aquilo para arrancar risadas. Flávio, ao que tudo indica, tenta fazer o mesmo movimento para conquistar votos.

Só esqueceram de avisá-lo de uma diferença fundamental: na Escolinha do Professor Raimundo, o sambarilove era personagem. Na política, o eleitor espera encontrar um candidato.

Flávio Bolsonaro conseguiu, portanto, uma proeza rara: transformar uma sabatina presidencial em um número de variedades. Saiu de lá deixando a impressão de que, quando a realidade aperta, o melhor recurso disponível é mesmo tirar o sapato, ajeitar o chapéu imaginário e mandar ver no sambarilove.

Só faltou a musiquinha de entrada.

E talvez o mais revelador seja justamente isso: quanto mais se esperava uma resposta, mais aparecia o personagem. Quanto mais se cobrava conteúdo, mais vinha o gestual. Quanto mais a pergunta exigia precisão, mais o candidato parecia ensaiar uma coreografia.

No fim, Flávio não precisava de marqueteiro. Precisava era de um palco, uma orquestra e, quem sabe, do velho bordão:

“Sambarilove, sambarilove… e resposta que é bom, nada!”


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A mídia nativa de alta potência já escolheu seu candidato há muito tempo

Sem ilusões. Os papas da mídia nativa de alta potência, com a Globo à frente, não precisam declarar apoio explícito a Flávio Bolsonaro para trabalhar politicamente pela sua candidatura. É justamente aí que mora o perigo. O método é mais sofisticado — e muito mais eficiente: uma crítica milimetricamente controlada, capaz de preservar a aparência de independência enquanto poupa o candidato dos golpes que realmente poderiam desmontar sua candidatura.

O roteiro é conhecido. Em vez de blindagem escancarada, oferece-se ao público uma espécie de oposição cenográfica: uma pergunta mais dura aqui, uma cobrança ali, uma observação crítica acolá. Depois, encerra-se a conta. O candidato sai dizendo que foi “pressionado”, a emissora pode proclamar que fez jornalismo rigoroso e, ao mesmo tempo, aquilo que realmente poderia produzir dano político fica convenientemente fora do centro do palco.

É preciso observar o que acontece quando a entrevista chega aos pontos realmente explosivos. Flávio foi questionado sobre Banco Master, Daniel Vorcaro, os R$ 61 milhões relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, a tentativa de golpe e suas declarações sobre as urnas. Ainda assim, análises posteriores apontaram que ele conseguiu escapar de respostas objetivas em temas decisivos e que a condução permitiu que dominasse boa parte da narrativa.

É exatamente nesse espaço entre parecer crítico e ser efetivamente contundente que a mídia pode desempenhar um papel político decisivo.

O que está em jogo não é simplesmente favorecer Flávio com elogios. É algo mais sofisticado: normalizá-lo. Transformar um candidato cercado por controvérsias em um presidenciável “como qualquer outro”; deslocar os assuntos potencialmente devastadores para o rodapé; suavizar contradições; oferecer-lhe tempo para reorganizar a narrativa; e, sobretudo, impedir que a eleição seja travada em torno das questões que mais incomodam sua candidatura.

Foi assim que o bolsonarismo aprendeu a sobreviver politicamente: convertendo crises em espetáculo, acusações em vitimização e perguntas incômodas em combustível para sua própria mobilização.

Flávio, aliás, reproduz até gestos do repertório eleitoral do pai. Na entrevista ao Jornal Nacional, apareceu com palavras anotadas na mão — “Mudança”, “Futuro” e “7/set” — repetindo uma estratégia já utilizada por Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.

Portanto, não se deve esperar necessariamente que a grande mídia coloque Flávio no colo. Basta que não o coloque contra a parede.

A diferença é enorme.

Um candidato pode ser criticado durante quarenta minutos e, ainda assim, sair politicamente beneficiado se as perguntas mais importantes forem formuladas de maneira suficientemente branda, se as respostas evasivas forem aceitas sem insistência e se os temas mais perigosos forem rapidamente substituídos por outros.

É a crítica controlada: aquela que preserva a reputação de independência do veículo sem necessariamente ameaçar o projeto político do candidato.

E há uma razão para levar essa possibilidade a sério. A eleição de 2026 não é uma disputa qualquer. Flávio tenta ocupar o espaço político deixado pelo pai e, ao mesmo tempo, apresentar uma versão eleitoralmente mais palatável do bolsonarismo. A própria imprensa já registra a tensão entre o setor mais radical do movimento e a tentativa de construir uma candidatura mais moderada e profissionalizada.

Nesse cenário, a mídia tem uma escolha: investigar o candidato até as últimas consequências ou ajudá-lo a se tornar palatável ao eleitorado.

E é por isso que não basta prestar atenção ao que os grandes veículos dizem sobre Flávio. É preciso observar também o que deixam de perguntar, o que deixam de aprofundar e aquilo que retiram rapidamente do centro do debate.

Porque, numa eleição presidencial, a blindagem mais eficiente não é o silêncio.

É uma crítica cuidadosamente dosada — suficiente para parecer jornalismo independente, mas insuficiente para colocar o candidato em verdadeiro perigo político.

Se essa for a estratégia, a sociedade precisa reconhecê-la antes que seja tarde. Afinal, não se trata apenas de quem fala mais alto na televisão. Trata-se de quem consegue definir quais perguntas a sociedade fará ao candidato — e quais perguntas jamais chegarão ao horário nobre.


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