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Política

Flávio Bolsonaro atuou na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos

Senador também atuou na defesa de policiais militares do RJ acusados de matar quatro pessoas

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), atuou como advogado de defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Machado, de 5 anos, durante patrulhamento de rotina na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A menina brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa quando foi atingida pelo disparo de fuzil efetuado pelo PM, segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O assassinato, ocorrido na manhã de 2 de fevereiro de 2021, teve ampla repercussão nos principais jornais do país à época.

Ana Clara Machado, 5 anos – Foto: Reprodução

Delaroli, que era cabo no 12º BPM de Niterói, chegou a ser preso preventivamente, mas a medida foi revogada em novembro de 2021, quando a Justiça determinou sua substituição por medidas cautelares.

O senador Flávio Bolsonaro integrou a banca de defesa do militar. O parlamentar assina o recurso apresentado em 2024 ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que submeteu o caso a júri popular. O recurso foi negado pela Corte. O caso não cabe mais recurso e Delaroli aguarda julgamento.

A peça também é assinada por advogados dos escritórios Paulo Klein Advogados e Giusto e Klein Advocacia, entre eles, Paulo Márcio Ennes Klein, que já atuou na defesa de Fabrício Queiroz — ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado no esquema das chamadas “rachadinhas” no período em que trabalhou no gabinete do político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Procurado, o escritório Paulo Klein Advogados informou que não vai se pronunciar. O escritório Giusto e Klein Advocacia e o senador Flávio Bolsonaro não retornaram aos contatos do ICL Notícias.

O que diz a denúncia contra o PM
De acordo com a denúncia da promotoria, Delaroli atirou em direção à área residencial e de lazer onde Ana Clara brincava, “com vontade livre e consciente, assumindo o risco de matar”.

Ao escutarem os disparos de arma de fogo, pessoas que passavam pelo local gritaram “é morador, é morador”, em tentativa de fazer com que os disparos cessassem. “Mesmo após a advertência, o policial militar seguiu com os disparos, não se importando com o risco assumido de produzir o resultado morte”, ressaltou a acusação.

Ainda de acordo com os autos, após a criança ser baleada, um colega de farda de Delaroli, “muito nervoso” repetia para o cabo: “olha a merda que você fez”. Testemunhas relataram que os policiais demoraram para prestar socorro à Ana Clara, “apenas o fazendo diante da clemência dos moradores e parentes da vítima fatal”.

Local onde a menina foi assassinada – Imagem: Reprodução/Autos do processo

Em sua defesa, o policial militar afirmou ter reagido a uma suposta agressão de traficantes armados. O MPRJ, no entanto, sustentou que não havia indícios de confronto prévio, com base em depoimentos de testemunhas que negaram a ocorrência de troca de tiros e afirmaram que não havia atividade de tráfico de drogas no local.

A promotoria destacou ainda que a viatura dos policiais não tinha “qualquer sinal de confronto” e que a perícia arrecadou na cena do crime estojos de munição iguais aos usados por Delaroli.

Senador defendeu PMs acusados de emboscada
O senador Flávio Bolsonaro também assinou, ao lado da banca do escritório Paulo Klein Advogados, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em defesa de quatro policiais militares acusados de matar quatro homens durante uma emboscada no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em 16 de janeiro de 2020.

Nesse caso, a defesa também tentou reverter, no ano passado, a decisão que determinou que os réus fossem julgados pelo tribunal do júri. Os cabos Pedro Jeremias Lemos Pinheiro, Victor Barcelleiro Batista e Rafael Nascimento Rosa e o sargento Ricardo de Moraes Mattos eram lotados à época no Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da Coordenadoria de Polícia Pacificadora.

De acordo com o MPRJ, os assassinatos “foram cometidos mediante emboscada, tendo em vista que os denunciados [os PMs] ficaram escondidos no interior de um imóvel posicionando-se em um plano superior ao que se encontravam as vítimas, para subitamente atacá-las, com disparos de cima para baixo”.

A investigação apontou que os policiais teriam invadido uma residência pela manhã e aguardado até a tarde para realizar os disparos, feitos de cima para baixo, surpreendendo as vítimas sem chance de defesa.

Os policiais alegaram em sua defesa que foram para a comunidade pela manhã, para uma operação de combate ao tráfico. Após a prisão de um traficante e um policial ser baleado, os agentes afirmaram que deixaram o local.

O escritório de Flávio Bolsonaro em Brasília
Flávio Bolsonaro atuou nos dois casos com inscrição suplementar da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF). Seu registro de origem é no Rio de Janeiro. O senador tirou o registro no DF em abril de 2021, mesmo mês em que abriu um escritório de advocacia na capital federal, com endereço na mansão onde mora no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

Ele não é impedido de trabalhar como advogado por ocupar o cargo de senador. Pelo Estatuto da Advocacia, parlamentares não podem advogar contra ou a favor de órgãos e entidades ligados à administração pública.

Conforme mostrou reportagem da Agência Pública publicada em junho de 2022, Flávio Bolsonaro registrou como administradora do seu escritório de advocacia Letícia Caetano dos Reis. Ela contou em entrevista à Pública ter sido indicada à vaga pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador – que negou conhecê-la. “Eu fui convidada por um conhecido [do Flávio Bolsonaro] que também me conhecia. Eles me ofereceram para entrar em sociedade para administrar a empresa dele e aí eu aceitei para fazer essa administração”, contou Letícia Reis.

Foto: Reprodução – Agência Pública

Mais recentemente, investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou que Letícia Reis é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.

Relatório alternativo da CPMI apresentado na última sexta-feira por parlamentares governistas pede o indiciamento de Flávio Bolsonaro pela ligação com Reis.

Flávio Bolsonaro e a milícia
A relação de Flávio Bolsonaro com policiais militares associados ao crime no Rio de Janeiro é antiga. Quando era deputado estadual, o político empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega. Morto em 2020, Adriano foi acusado pelo MPRJ de liderar o grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime.

O podcast do Uol Investiga, “Polícia Bandida e o clã Bolsonaro”, sobre a relação da família Bolsonaro com agentes de segurança, mostrou que Flávio Bolsonaro e seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro, condecoraram pelo menos 16 PMs denunciados em organizações criminosas.

*Alice Maciel /ICL


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Política

Vídeo: Lula responde à Globo e mídia corporativa: “Vai fazer PowerPoint?”

Presidente fez clara alusão ao episódio da GloboNews, que forçosa e falsamente o colocou no escândalo do Banco Master com uma “arte”, para depois pedir desculpas pelo erro

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante um ato oficial de inauguração de obras e escolas conectadas, nesta segunda-feira (30), em Brasília, debochou abertamente das ações da mídia corporativa que sempre objetivam prejudicá-lo politicamente, usando como referência desta vez o episódio do farsesco e infame PowerPoint da GloboNews que o colocou como envolvido central no escândalo do Banco Master, há uma semana, gerando tanta turbulência que a emissora sentiu-se obrigada a confessar o “erro” e a pedir desculpas ao estadista.

“A Globo, o SBT, a Band, a Record, não vão fazer um PowerPoint mostrando isso aqui… Seria maravilhoso se fizessem um PowerPoint mostrando cada coisa que nós fizemos… Seria extraordinário, mas não vão fazer… Eu nem sei se eles captaram todas as informações que foram passadas aqui… Nem sei… Porque hoje, o fuxico, tem mais incidência que a verdade… O que foi dito aqui, se vocês acompanham a internet, vai ter mais gente destruindo o que foi falado aqui do que gente construindo o que foi falado aqui… E o que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer com isso que, se nós não tivermos capacidade de sair daqui com as informações que nós recebemos e fazermos o debate, que precisa fazer, a gente poderá permitir que os mentirosos de sempre indulzam a sociedade a uma mentira”, disparou o presidente. Com Forum.


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Mundo

Tarde demais: Trump ameaça destruir ‘completamente’ ilha de Kharg e pressiona Teerã por acordo de paz

Presidente dos EUA afirma que forças estadunidenses ‘propositalmente ainda não tocaram’ em alvos estratégicos como usinas de dessalinização e poços de petróleo

O presidente Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira (30/03) destruir “completamente” a ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, e outros importantes locais de produção de energia no país, caso Teerã não concorde com um acordo de paz e não ponha fim ao bloqueio de fato do Estreito de Ormuz.

Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que os Estados Unidos fizeram “grandes progressos” nas negociações com “UM NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL” no Irã e que um acordo provavelmente será “alcançado em breve”.

Mas ele também reiterou as ameaças de destruição extrema contra alvos iranianos que, segundo ele, as forças armadas dos EUA “propositalmente ainda não tocaram” desde o início dos bombardeios contra o Irã, realizados em conjunto com Israel há mais de um mês. Esses alvos incluíam a Ilha de Kharg, usinas de energia elétrica, poços de petróleo e “possivelmente todas as usinas de dessalinização”, afirmou.

Em uma entrevista publicada no domingo (29/03), Trump sugeriu que Washington poderia tentar tomar a Ilha de Kharg, que surgiu como um alvo potencial para as forças armadas estadunidenses. “Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não”, disse Trump ao Financial Times. “Temos muitas opções”.

Vale relembrar que os EUA bombardearam a ilha em um dos ataques de março, concentrando-se em suas instalações militares, enquanto deixaram intactas as instalações de exportação de petróleo.

*Opera Mundi


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Política

Vídeos: Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar vídeo de Eduardo em evento extremista nos EUA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explique uma possível violação das regras da prisão domiciliar após a circulação de um vídeo gravado por Eduardo Bolsonaro durante a Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, nos Estados Unidos.

A decisão foi tomada depois que imagens passaram a circular nas redes sociais mostrando o deputado licenciado afirmar que exibiria o conteúdo ao pai, mesmo com a existência de restrições expressas ao uso de meios de comunicação externos.

No vídeo, Eduardo diz: “Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro”.

https://twitter.com/i/status/2037996817745326302

A fala levou Moraes a cobrar esclarecimentos imediatos da defesa, já que a decisão que concedeu a prisão domiciliar estabelece proibição ao uso de celular, redes sociais e qualquer forma de comunicação externa, seja direta ou indireta.

Segundo o despacho, as regras impostas a Bolsonaro também vedam a gravação e o recebimento de vídeos e áudios, inclusive quando isso ocorrer por intermédio de terceiros. Moraes destacou que o benefício concedido ao ex-presidente está condicionado ao cumprimento rigoroso dessas limitações. De acordo com o DCM, qualquer indício de descumprimento passou a ser tratado como questão relevante pelo Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar no último dia 24, por um período inicial de 90 dias, após alta hospitalar para tratamento de broncopneumonia.

A medida determinou que o cumprimento da pena ocorra integralmente na residência do ex-presidente, em Brasília, com controle rígido sobre visitas e comunicações. O despacho do ministro ainda afirma que eventual violação das condições estabelecidas pode resultar na revogação do benefício, com retorno ao regime fechado ou transferência para uma unidade hospitalar penitenciária.

Durante o evento nos Estados Unidos, Eduardo também declarou que pretendia mostrar que o pai não poderia ser silenciado e apresentou o senador Flávio Bolsonaro como “próximo presidente do Brasil”. A CPAC reuniu lideranças da direita internacional entre os dias 25 e 28 de março.

https://twitter.com/i/status/2037779057220235517


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Política

“importantes serviços prestados ao RJ”, diz Flavio ao homenagear ex-PM condenado por assassinato de Marielle

Envolvido com grilagem de terras, construção, venda e locação de imóveis na região, o major Ronald também é acusado de fazer parte do Escritório do Crime, braço armado de milícia que era comandada por Adriano da Nóbrega.

Condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 56 anos de prisão por duplo homicídio e homicídio tentado no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves, conhecido como Major Ronald, foi homenageado por Flávio Bolsonaro (PL) em 2004 quando o agora pré-candidato à Presidência era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Na moção de louvor apresentada pelo filho “01” de Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o ex-PM é homenageado pelos “importantes serviços prestados ao Rio de Janeiro”.

À época, o gabinete de Flávio Bolsonaro tinha como funcionário Fabrício Queiroz, pivô do esquema de corrupção das “rachadinhas”, que incluía ex-esposa e mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, que comandava o braço de extermínio da milícia que atuava em Rio das Pedras, conhecido como Escritório do Crime, segundo Plínio Teodoro, Forum.

Em 2019, em prisão preventiva, Ronald e o subtenente reformado Mauricio Silva da Costa, o Maurição, tiveram que ser transferidos para um presídio federal de segurança máxima fora do estado.

Segundo informações do Ministério Público do Rio, os milicianos estariam ameaçando moradores da comunidade de Rio das Pedras que estão colaborando com as investigações.

Envolvido com grilagem de terras, construção, venda e locação de imóveis na região, o major Ronald também é acusado de fazer parte do Escritório do Crime, organização criminosa especializada em praticar assassinatos por encomenda.


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Política

Vídeo: Comediante constrange Huck ao vivo na Globo com piadas sobre Vorcaro e PowerPoint

Neste domingo (29), durante a premiação Melhores do Ano transmitida no Domingão com Huck, o humorista Paulo Vieira não deixou passar a oportunidade de debochar ao vivo do PowerPoint picareta exibido pela GloboNews, envolvendo o caso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A arte, que tentou associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT ao empresário, gerou enorme repercussão negativa nas redes sociais e demissões na emissora.

Ao iniciar o momento de piadas, Luciano Huck convidou o comediante para soltar suas alfinetadas. “Esse ano eu prometi que não ia falar nada polêmico. Não vou mexer com gente grande. Um humor tranquilo. Mas e o [Daniel] Vorcaro? Que maravilha, né?”, iniciou.

“Para quem não entendeu ainda o Vorcaro, eu fiz até um PPT [PowerPoint]. Brincadeira, não fiz! Eu não sei fazer PPT, eu trabalho na Globo, imagina!”.

Mensagens da Polícia Federal indicam que Vorcaro citou um jantar com Luciano Huck em 2024. O apresentador, por sua vez, já manteve vínculos comerciais com o grupo, incluindo seu papel como garoto-propaganda do Will Bank.

Em maio de 2024, Vorcaro também foi destaque no Summit Valor Econômico Brazil-USA, evento do Grupo Globo realizado no Hotel Plaza, um dos mais caros de Nova York.

Ele era o principal patrocinador e orador, abrindo os trabalhos e recebendo a chancela de credibilidade do maior site de economia e negócios do país.

A festa celebrava os 25 anos do Valor Econômico e reuniu os figurões do mercado financeiro do Brasil e alguns dos Estados Unidos. A partir daí, sua vida foi facilitada no mercado financeiro para cometer os crimes em série. Ele tinha a chancela do Valor e da Globo. DCM.


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Brasil Mundo

Brasil e EUA travam disputa e conferência da OMC vive impasse

A conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) vive um impasse e, apesar de a reunião já ter superado o prazo para seu encerramento neste domingo, os governos ainda não conseguiram chegar a um acordo. O centro é a recusa do Brasil e de outros países de aceitar um pacote que privilegie apenas uma moratória de impostos sobre serviços digitais – defendido pelos EUA -, por um tempo indeterminado e sem lidar com as tarifas contra produtos agrícolas.

O encontro se transformou numa espécie de teste para a sobrevivência da OMC.

O governo de Donald Trump queria o acordo de uma moratória para que nenhuma taxa fosse cobrada para produtos digitais, de forma indefinida e atendendo às empresas do setor de Big Techs.

Mas o governo brasileiro é contra, com uma avaliação de que essa moratória possa valer por apenas dois anos.

Ao longo dos últimos dias, a posição americana mudou para aceitar a isenção de taxas por quatro ou cinco anos. Mas, ainda assim, países em desenvolvimento se recusam a aceitar, sem contrapartidas.

Num discurso no dia 28 de março, o chanceler brasileiro Mauro Vieira alertou sobre o mal-estar que a posição de alguns membros poderia gerar e fez uma vinculação a outros setores das negociações.

“Os membros não podem perder de vista a obrigação contida no Artigo 20 do Acordo sobre Agricultura, que os orienta a aprofundar a reforma de forma a liberalizar ainda mais o comércio agrícola e reduzir os níveis de apoio e práticas que distorcem o comércio”, defendeu Vieira.

“A agricultura é o setor que menos progrediu durante os 30 anos de existência da OMC. Não podemos permitir que isso continue. Devemos encontrar o compromisso certo que dê início às negociações na Sessão Especial do Comitê de Agricultura e garantir que a agricultura não seja deixada de lado no contexto da reforma da OMC”, insistiu.

Segundo ele, o Brasil está pronto para aceitar uma declaração final da conferência. Mas alertou que “a agricultura não pode ser tratada de forma diferente de outros setores, como bens e serviços industriais ou a economia digital”.

“De fato, o progresso na agricultura seria uma enorme contribuição para o sistema de comércio internacional baseado em regras, nivelando o campo em termos de eficiência e desenvolvimento”, disse.

Ele, porém, alertou que outros países defendiam “uma moratória na aplicação de tarifas de importação sobre transmissões eletrônicas, enquanto mantêm as tarifas agrícolas o mais altas possível”.

“Isso inevitavelmente levanta questões de equilíbrio e equidade. Ao abordar um mandato sobre agricultura, precisamos ir além da fixação em palavras específicas e evitar ficar presos a compromissos ou modalidades iniciais”, insistiu.

“Precisamos chegar a um consenso e concordar com uma base equilibrada para discussões e um plano de trabalho que possa recolocar a agricultura no radar da OMC”, afirmou.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Após ataques a instituições de ensino, Teerã declara universidades de países inimigos como ‘alvos legítimos’

Guarda Revolucionária adverte professores e estudantes de faculdades israelenses e norte-americanas a manterem distância das unidades educacionais

A Guarda Revolucionária do Irã declarou neste domingo (29/03) que considera as universidades israelenses e norte-americanas no Oriente Médio “alvos legítimos”, em resposta aos recentes bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra instituições de ensino iranianas.

A denúncia contida no 50º comunicado da Guarda Iraniana alerta as autoridades israelenses e norte-americanas sobre os limites impostos pelo recente ataque à Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, ligada à força de elite iraniana, “todos os trabalhadores, professores e estudantes de universidades norte-americanas na região e moradores das proximidades” foram alertados para se manter a mais de um quilômetro de distância dessas instituições.

A medida é uma resposta ao ataque de sábado, 23 de março, contra a Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã, e ao atentado contra a Universidade de Tecnologia de Isfahan na quinta-feira, 20 de março. Embora não tenha havido vítimas fatais, o Irã descreveu os ataques como uma grave violação da educação e da pesquisa científica.

A declaração estabelece uma condição clara: se o governo dos Estados Unidos não condenar oficialmente os bombardeios até o meio-dia de segunda-feira, 30 de março, e não impedir que seus aliados ataquem instituições de ensino, “a ameaça permanece e será concretizada ”. Nesse sentido, exige que duas universidades estrangeiras sejam atacadas em retaliação para cada instituição iraniana destruída.

Este alerta surge após a 85ª onda de retaliação iraniana ao ataque lançado em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra a nação persa. As tensões persistem, com o presidente norte-americano Donald Trump também ameaçando bombardear usinas de energia iranianas caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz até 6 de abril.

*Operqa Mundi


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Política

Editores demitidos ameaçam denunciar que ordem do PowerPoint veio da direção da Globo

Demissões na Globo expõem crise interna, ameaça de denúncias e dúvidas sobre responsabilidade editorial e ética jornalística no caso do PowerPoint

Demorou um pouco, mas afinal foram demitidos os dois editores escolhidos para pagar o pato pelo PowerPoint exibido na Globonews. A demora se deu também porque havia uma ameaça de que os que tiveram as cabeças iriam denunciar que o PowerPoint foi o resultado de uma encomenda da direção. O presidente da Globo é Paulo Marinho.

O aviso dos editores, ao lado das restrições ao PowerPoint levantadas por raros jornalistas da redação, causaram a vacilação no cumprimento da ordem de demissão dos bodes expiatórios. O sentimento de injustiça cresceu com as alegações de que a arte que foi levada ao ar foi aprovada previamente pela direção, que agora tira o corpo fora e aponta para os que apenas a confeccionaram e levaram ao ar da maneira como foram orientados.

Todos sabem que o PowerPoint expressa com sinceridade o sentido e a letra do jornalismo da Globo: na dúvida, tudo contra Lula, PT e o STF. Houve reuniões tensas, exibiram-se mensagens comprovadoras da linha de hierarquia que levou ao suposto erro, mensagens devidamente desconsideradas.

De lá pra cá, a Globo tenta abafar o caso, ganhar tempo antes de voltar ao viés original.

O comunicado a respeito do erro é intencionalmente genérico e dissimulado. Não se apontam quais foram as incorreções cometidas no PowerPoint nem que pessoas tiveram suas imagens enxovalhadas sem razão nem provas.

Uma correção sincera deveria buscar reparar por inteiro os danos causados à imagem dos que foram criminosamente acusados naquela imagem. Uma ação honesta deveria explicitar sem ambiguidade a inocência dos que foram erroneamente apontados e reafirmar a responsabilidade dos que seguem sendo os verdadeiros culpados.

Em vez disso, a mensagem de Sadi é intencionalmente genérica. Uma suposta correção que não corrige nada e na verdade reafirma dessa maneira o vício original. Segundo Mario Vitor Santos, 247, faltou coragem para assumir os erros, faltou respeito à seriedade do fazer jornalístico e transparência na descrição do que ocorreu.

Um ofício exercido com seriedade deveria se preocupar antes de tudo com a imagem dos inocentes afetados em lugar de ocultar-se, como forma de se evadir e salvar a própria face. Esperar, porém, uma correção honesta, que implicasse, dizer que Lula e outros foram injustiçados pela Globo, é uma ilusão. A este ponto, só mesmo com uma decisão da Justiça, outra inimiga da mídia, no modelo celebrizado por Leonel Brizola.

É notável ainda o silêncio cúmplice de quase todos os outros veículos e jornalistas a respeito do caso, bem como de quase todas as entidades profissionais, reafirmando a justa dúvida, neste episódio lapidar, sobre afinal quais são os valores que comandam de fato o exercício do jornalismo dito profissional.


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Política

Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, é acusado de estupro; entenda, em detalhes, a denúncia de Lindbergh e Soraya

Deputado do PL de Alagoas e relator da CPMI do INSS é acusado de ter abusado de menina de 13 anos; ele nega acusações

Os parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentaram uma notícia-crime à Polícia Federal contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), solicitando a abertura de investigação sob sigilo.

O documento, protocolado em 27 de março de 2026, descreve acusações de estupro de vulnerável. Gaspar nega todas as acusações.

O que diz a denúncia
De acordo com a peça enviada à Polícia Federal (íntegra), os parlamentares afirmam ter recebido informações acompanhadas de documentos e registros de conversas que indicariam a prática de estupro de vulnerável. O caso envolve uma menina que teria 13 anos à época dos fatos.

Segundo o relato, a violência teria resultado em uma gravidez e no nascimento de uma criança. O documento aponta ainda que, devido à idade da vítima, ela não teria sido registrada formalmente como mãe, sendo a avó indicada no registro civil.

Acusação de pagamento por silêncio
Além da acusação principal, a notícia-crime também levanta a hipótese de tentativa de ocultação do caso. Segundo a Forum, os parlamentares relatam a existência de conversas e intermediações que sugerem o pagamento de valores para impedir que o crime fosse levado às autoridades.

Entre os valores mencionados estão cerca de R$ 70 mil já pagos e negociações que poderiam chegar a R$ 400 mil, com o objetivo de garantir silêncio e evitar a responsabilização penal.

Crimes apontados
O documento pede apuração de dois crimes principais:

  • Estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, que trata de relações com menores de 14 anos — independentemente de consentimento;
  • Fraude processual, por possíveis tentativas de dificultar investigações e ocultar provas.
  • Os parlamentares destacam que mudanças recentes na legislação reforçam que não há relativização possível nesses casos, mesmo diante de alegações de consentimento ou relação afetiva.

Pedido de sigilo e proteção
O documento também solicita que o caso tramite sob sigilo absoluto. O objetivo é proteger a identidade da vítima, da criança e de possíveis testemunhas.

Eles também pedem que a Polícia Federal avalie a inclusão dos envolvidos em programas de proteção, diante do risco de intimidação e da possível existência de pagamentos para silenciamento.

Próximos passos
A notícia-crime não implica culpa. O que ela faz é provocar o Estado a investigar. Caberá agora à Polícia Federal decidir sobre a abertura formal de inquérito, coleta de provas — incluindo dados digitais e financeiros — e eventual encaminhamento ao Ministério Público.

O que diz a defesa de Gaspar
Em nota, o deputado Alfredo Gaspar negou as acusações e afirmou que irá levar os parlamentares responsáveis pela notícia-crime ao Conselho de Ética.

Ao longo de toda a minha vida pública, construí uma trajetória limpa, honrada e dentro da lei. Sempre atuei com firmeza no combate ao crime e jamais me afastei dos princípios que norteiam minha conduta. As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade.

Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras. Adotarei todas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores dessas acusações, inclusive no âmbito do Conselho de Ética. Estou indo na Polícia Legislativa prestar uma notícia crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa. Seguirei firme, com serenidade e responsabilidade, cumprindo meu dever com a verdade e com o povo brasileiro. O Brasil merece respeito, e não será enganado por ataques desesperados.


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