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‘No Kings’: onda de protestos contra Trump toma as ruas dos EUA neste sábado

Mais de 3 mil manifestações estão previstas em todo o país em rechaço à política interna e externa de Washington; em Minneapolis, ato contará com presença de Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez

Mais de 3 mil protestos contra o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, estão programados em várias regiões dos Estados Unidos, neste sábado (28/03). Sob o lema “No Kings”, os atos visam denunciar a concentração de poder no Executivo e a condução de medidas agressivas na política externa, comércio e imigração.

A iniciativa reúne uma ampla coalizão de grupos progressistas e movimentos sociais, que apontam o governo Trump como um risco às instituições democráticas e aos mecanismos de controle do poder. “Trump quer nos governar como um tirano. Mas estes são os Estados Unidos, e o poder pertence ao povo — não àqueles que aspiram a ser reis ou a seus aliados bilionários”, afirma a plataforma do movimento.

Minneapolis
A organização dos atos deste sábado está a cargo de redes como MoveOn, Indivisible e 50501, que vêm estruturando a mobilização com foco em participação ampla e caráter pacífico. Um dos maiores protestos do movimento “No Kings” acontecerá em St. Paul, Minneapolis, nas proximidades onde agentes de imigração assassinaram os cidadãos estadunidenses Renee Good e Alex Pretti, em janeiro.

Entre os artistas e oradores que se apresentarão em St. Paul estarão o senador Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez. Atos também estão previstos em redutos republicanos, como Flórida e Texas, sinalizando uma capilaridade nacional do movimento.

A Casa Branca reagiu com desdém às mobilizações. Em comunicado, a porta-voz Abigail Jackson afirmou que “os únicos interessados nessas sessões de terapia de delírios de Trump são os jornalistas pagos para cobri-las”, minimizando a relevância política dos protestos.

Protestos
Segundo Randi Wingarten, presidente da Federação Americana de Professores (AFT), com esses atos, os norte-americanos estão dizendo a Trump: “você foi eleito para nos ajudar e ajudar nossas famílias a termos uma vida melhor, não para ajudar os bilionários, não para criar robôs como professores, não para simplesmente criar maneiras de você e sua família ficarem ricos”.

“É por isso que cada vez mais pessoas o veem como um rei”, destacou Wingarten ao Democracy Now. “Precisamos encontrar uma maneira de nos sustentar. Não queremos uma guerra que custe bilhões de dólares. Não queremos uma guerra que aumente o preço da gasolina”, acrescentou.

Este é o terceiro grande ciclo de protestos do movimento “No Kings”. A primeira mobilização ocorreu em junho de 2025, coincidindo com um desfile militar organizado por Trump em Washington; outra grande jornada de protestos ocorreu, em outubro, reunindo milhões de pessoas em todos os 50 estados do país.

*Opera Mundi


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Política

Presidente do CPMI do INSS, Carlos Viana, comprou avião de R$ 330 mil por R$ 1,5 milhão

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), desembolsou R$ 1,5 milhão na compra de um avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda., empresa da qual é sócio-administrador. Documentos mostram que o valor pago pela aeronave é 4,5 vezes superior ao registrado na negociação anterior, realizada três anos antes, quando o mesmo modelo havia sido vendido por R$ 330 mil.

Segundo o Metrópoles, a aeronave adquirida por Viana é um EMB-810D (Seneca III), prefixo PTR-VD, fabricado em 1984 e utilizado para voos privados de pequeno porte. A compra foi realizada em abril de 2025 e quitada seis meses depois.

A Fazenda Salto Grande, responsável pela aquisição, está localizada em Verdelândia, no norte de Minas Gerais, e possui capital social de R$ 400 mil, segundo dados da Receita Federal. Em 2024, o senador declarou patrimônio de R$ 3,5 milhões.

O histórico do avião revela sucessivas transações ao longo das décadas, com valores significativamente inferiores ao pago por Viana. Após circular por diferentes proprietários desde 1984, a aeronave foi vendida por R$ 330 mil em setembro de 2022, antes de ser adquirida pelo senador por R$ 1,5 milhão em 2025.

Além da compra do avião, documentos também indicam que Carlos Viana destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Segundo a apuração, os repasses foram feitos à Fundação Oasis, braço social da igreja.

Um dos envios ocorreu em 2019, quando Viana destinou R$ 1,5 milhão à Prefeitura de Belo Horizonte, com destinação específica para a Fundação Oasis. Outros repasses identificados incluem R$ 1,47 milhão em 2023 e R$ 650,9 mil em 2025, destinados à unidade da fundação em Capim Branco, na Região Metropolitana da capital mineira.

“Ao longo do histórico das atividades sociais da Fundação Oasis, os projetos têm como princípios básicos a garantia da primazia do bem-estar da família, como elemento-chave para a proteção e a socialização dos proprietários, por meio da transmissão do capital cultural, do capital econômico e ético, que determina a Carta Maior de nosso País, a Constituição Federal de 1988”, diz o site da Fundação Oasis.

Os repasses ocorrem em meio à atuação do senador na CPMI do INSS, onde ele preside os trabalhos da comissão. Segundo a coluna, Viana tem atuado para blindar a Igreja da Lagoinha nas investigações conduzidas pelo colegiado. DCM.


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Mundo

Líder da oposição alerta para ‘desastre da segurança’ em Israel

Yair Lapid afirmou que forças israelenses estão operando ‘além da capacidade’; chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, também alertou para ‘colapso’ do setor

O principal líder da oposição em Israel, Yair Lapid, acusou o governo do premiê Benjamin Netanyahu de conduzir Israel a um ‘desastre de segurança’ na guerra que trava contra o Irã e o Hezbollah no Líbano. A declaração ocorre um dia após o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, manifestar preocupação com um ‘colapso’ no setor.

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (26/03), Lapid afirmou que ofensiva está provocando um número excessivo de vítimas e as Forças Armadas israelenses “estão no limite e além dele”. “O governo está enviando o Exército para uma guerra em várias frentes sem uma estratégia, sem os meios necessários e com um número muito reduzido de soldados”, denunciou.

Lapid, informa a Al Jazeera, tem criticado frequentemente a condução do governo israelense nas guerras que trava na região, embora continue apoiando as ofensivas militares de Israel em Gaza, no Irã, no Líbano e em outros lugares.

As declarações de Lapid ocorrem após os comentários vazados do chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, na quarta-feira (25/03).

‘Colapso’
Segundo informações do Canal de Notícias 13, veiculadas na imprensa israelense, durante uma reunião do Gabinete de Segurança israelense, nesta quarta-feira (25/03), Zamir alertou que as Forças Armadas do país “entrarão em colapso”, devido às crescentes demandas operacionais e à escassez de pessoal.

“Estou levantando 10 bandeiras vermelhas diante de vocês”, teria dito Zamir, ao defender que as Forças de Defesa de Israel “precisam de uma lei de recrutamento obrigatório, uma lei sobre o serviço na reserva e uma lei para estender o serviço obrigatório”.

“Em breve, as Forças de Defesa de Israel não estarão prontas para suas missões de rotina e o sistema de reservas não se sustentará”, afirmou.

Segundo The Times of Israel, desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, os militares israelenses têm repetidamente informado aos legisladores que lhes faltam 12.000 soldados para compor as várias frentes militares levantadas pelo país na região.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Brasil teme ‘nova aventura’ de Trump na região para desviar atenção de Irã

Flávio e Eduardo Bolsonaro fazem pressão nos EUA por ação sobre terrorismo

Membros do governo brasileiro temem que a baixa popularidade de Donald Trump nos EUA e o impasse na guerra no Irã possam levar o republicano a fazer “novas aventuras” na América Latina.

A avaliação de Brasília é de que, diante do conflito, a “grande perdedora” por enquanto tem sido a credibilidade do presidente dos EUA como parceiro internacional e mesmo de imagem perante seu próprio eleitorado.

A preocupação, portanto, é de que a região seja usada para “salvar” a reputação de Trump como líder de um esforço para retomar uma postura de hegemonia no mundo. Atos “diversionistas” poderiam ser usados para tirar o foco da opinião pública dos EUA da crise no Irã.

Nesta semana, pesquisas apontaram que 59% dos americanos desaprovam o governo Trump, o pior índice do republicano em seus dois mandatos. Se não bastasse, cresce a resistência da opinião pública dos EUA diante de uma guerra no Irã que começa a se prolongar, sem uma solução em vista.

A avaliação do governo é que pode existir algum tipo de ingerência dos EUA nas eleições na Colômbia, ainda que de forma sutil. Nos últimos meses, a realidade é que o presidente colombiano Gustavo Petro se beneficiou na opinião pública do embate com Trump. Mas, nas eleições de maio, não se descarta alguma ação por parte da Casa Branca, ainda que não seja no uso de militares.

Uma situação ainda mais crítica vive Cuba. O Brasil notou que, diante do impasse no Irã, o governo americano voltou a falar publicamente sobre a ilha no Caribe.

Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA
Outro fator que está sendo acompanhado de perto pelo governo Lula é a ação de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA. Neste fim de semana, os dois estarão na reunião da ultradireita norte-americana, no Texas, e Brasília acredita que vão fazer campanha para que os EUA declarem o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas.

Brasília acredita que, enquanto houver uma negociação entre Brasil e EUA nesse aspecto, a Casa Branca irá evitar seguir o caminho proposto pelos filhos do ex-presidente brasileiro. A estratégia que o Brasil usa é a de tentar talhar o lobby bolsonarista, ocupando o espaço político na relação bilateral.

Caso haja uma ofensiva de Trump nesse aspecto, a preocupação mais imediata do Brasil é de que sanções financeiras sejam estabelecidas contra empresas nacionais.

Existe ainda, num médio prazo, o risco de que isso seja transformado em instrumento para justificar uma ação militar contra focos específicos no país.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Moraes envia à PGR pedido para incluir Moro na investigação sobre Milícias Digitais

Sem provas, o ex-juiz suspeito insinuou que eleição de 2022 foi ilegítima e fez ataques ao presidente Lula

Pré-candidato ao governo do Paraná e ex-juiz declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Sergio Moro (PL-PR) está na mira do Inquérito das Milícias Digitais após o ministro do STF Alexandre de Moraes encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um requerimento para que o parlamentar seja formalmente incluído na investigação. A informação foi publicada nesta quinta-feira (26) pela Carta Capital.

Sem qualquer embasamento, Moro colocou em dúvida a legitimidade do resultado das eleições presidenciais de 2022, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL). O autor do pedido enviado à PGR foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). De acordo com o 247, a Procuradoria tem cinco dias para se manifestar, e após receber o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Moraes poderá expedir uma decisão sobre a inclusão de Moro no inquérito.

O gatilho para o pedido foi uma fala do senador durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na última terça-feira (24). Na ocasião, Moro afirmou: “A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento.” A declaração foi interpretada como mais um capítulo na disseminação de narrativas que contestam a validade do processo eleitoral brasileiro.

De acordo com Lindbergh Farias, ao sustentar esse tipo de discurso, Moro contribui para manter em circulação o que o parlamentar classificou como “o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional” — argumento central para embasar o pedido de inclusão do senador no inquérito.

Histórico polêmico
O histórico de Sergio Moro é marcado por controvérsias judiciais e políticas. Ex-juiz federal da Operação Lava Jato em primeira instância, Moro teve sua suspeição declarada pelo próprio STF em 2021, decisão que culminou na devolução dos direitos políticos do presidente Lula.

Após a condenação que retirou Lula da corrida eleitoral de 2018, Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro para ocupar o Ministério da Justiça, cargo que exerceu até abril de 2020, quando pediu demissão em meio a uma crise com o então presidente. Anos depois, em 2023, o ex-magistrado foi derrotado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo por fraude em domicílio eleitoral, ficando impedido de concorrer pelo estado paulista.

O Inquérito das Milícias Digitais investiga a organização e o financiamento de redes de desinformação voltadas a atacar instituições democráticas brasileiras, incluindo o próprio STF. A eventual inclusão de Moro no inquérito ampliaria o alcance das investigações a um dos nomes mais proeminentes da oposição ao governo federal.


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Política

Debandada do PL após filiação de Sergio Moro ao partido

48 prefeitos deixam o PL

A decisão de 48 prefeitos do Paraná de deixar o Partido Liberal (PL) foi oficialmente anunciada nesta quinta-feira (26), durante uma coletiva de imprensa em Curitiba. O movimento acontece em resposta à confirmação de apoio da legenda à candidatura de Sérgio Moro ao Governo do Estado, uma decisão que gerou reações entre lideranças municipais.

O evento foi realizado no Hotel San Juan, no Centro Cívico, e contou com a presença de dezenas de autoridades. De acordo com os organizadores, dos 53 prefeitos presentes, 48 confirmaram a desfiliação do partido. Alguns gestores justificaram a ausência, enquanto outros ainda estão indecisos sobre a decisão.

O ex-presidente estadual do PL, deputado Fernando Giacobo, explicou que a desfiliação foi motivada por divergências políticas e pela quebra de compromissos previamente firmados. “Esse acordo foi quebrado. Então, não fui eu que descumpri palavra”, declarou.

Segundo Giacobo, o grupo político que deixou o partido vinha se alinhando com um projeto político diferente do de Moro, e a decisão de apoiar o ex-juiz foi vista como incompatível com os princípios defendidos pelos prefeitos.

Em um discurso sincero, Giacobo falou das dificuldades pessoais envolvidas na decisão. “Vocês não pensam que está sendo fácil para mim sair de um partido que eu estou há seis mandatos”, disse, destacando que a coerência política foi o fator que o levou a romper com a legenda.

Ele também fez críticas à filiação de Moro, mencionando casos passados envolvendo o ex-juiz e ex-ministro.“Eu não posso concordar que o partido filiou um cidadão […] que quis botar Jair Messias Bolsonaro na cadeia”, disse.

Embora o rompimento tenha sido significativo, ele deixou claro que não imporá nenhum destino partidário aos prefeitos, segundo o DCM.

Ele afirmou que cada um poderá escolher sua nova legenda, levando em conta as necessidades políticas e administrativas de seus municípios. Apesar disso, a tendência é que os prefeitos se alinhem com partidos de perfil semelhante ao grupo político atual.

O movimento de desfiliação também foi respaldado pelo prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Ele afirmou que a decisão foi tomada em unidade, como forma de preservar um projeto político alinhado com o atual governo estadual e destacou que o grupo deve seguir em apoio ao governador Ratinho Junior (PSD), mantendo os avanços conquistados nos municípios.

A adesão de Sérgio Moro ao PL foi confirmada na semana passada e gerou uma série de críticas e divisões dentro do partido. Ele se tornou pré-candidato ao governo do Paraná, e recebeu apoio do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro. No entanto, a decisão foi vista por muitos como uma tentativa de romper com o atual governo estadual.


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Política

Lula diz que governo apresentará solução para famílias endividadas

Instrução foi dada pelo presidente ao novo ministro da Fazenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (26), ter demandado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente, essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas, para que melhor planejem seus orçamentos.

Em visita à unidade industrial da montadora Caoa, em Anápolis (GO), Lula disse que, apesar de a economia do país estar bem, há ainda um problema a ser resolvido: “temos a sociedade brasileira um pouco endividada”.

De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como é o caso das que são adquiridas para a formação de patrimônio, como imóveis; ou que garantam qualidade de vida, como a aquisição de automóveis ou aparelhos domésticos.

O problema, segundo ele, é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no final do mês.

“Aí, a gente fica zangado e culpa quem? Culpa o governo. O mundo é assim. A gente culpa o governo por tudo que dá errado. Eu sei que, na cabeça das pessoas, funciona assim”, disse o presidente.

“Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas”, acrescentou.

Busca por uma solução
Lula disse não querer que as pessoas deixem de se endividar “para ter uma coisa nova da vida”.

“O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem, e como é que a gente pode começar a ensinar as pessoas a administrar o salário”, disse, ao falar também sobre os riscos de comprometer o orçamento futuro por meio do uso exagerado do cartão de crédito.

“Por isso o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, acrescentou.

Momento raro
Durigan assumiu o cargo de ministro da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar as próximas eleições. Segundo o novo ministro, o país passa por um “momento raro”.

“Não é senso comum nem algo básico que um país cresça e se desenvolva gerando emprego; que tire as pessoas do Mapa da Fome e, ao mesmo tempo, mantenha a inflação sob controle. Estamos vivendo um momento raro”, disse o ministro.

Ele lembrou que o atual governo foi o que mais fez concessões na área de infraestrutura; e o que mais apostou no desenvolvimento do país.

“Ao mesmo tempo, foi o que mais passou recursos a estados e municípios. Isso também não é comum. É raro e mostra que nosso compromisso é com todos: com o meio ambiente, com o agronegócio, com a indústria, com a economia e com a democracia. Mais que tudo isso, nosso compromisso é para que o nosso povo viva com qualidade de vida.”

Produtividade e inovação
Segundo ele, um dos desafios a ser enfrentado pelo ministério é aumentar a produtividade e a inovação no país. Algo que, na avaliação do governo, abrange uma melhor formação de trabalhadores e, também, a redução da escala 6 por 1, que dará, aos brasileiros, o direito a folgar dois dias por semana.

Ainda nesse contexto, ele destacou os benefícios que a reforma tributária trarão para a produção no país, uma vez que dará mais eficiência e racionalidade ao pagamento de tributos.

“No ano que vem, vamos ganhar — e muito — em racionalidade, eficiência e celeridade na nossa economia. Isso aumenta a produtividade, com cada um de nós trabalhando melhor. Não necessariamente mais tempo, mas, no tempo de trabalho que a gente tem, com a gente entregando todo o nosso potencial”, argumentou.

*Agência Brasil


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Mundo

Hezbollah e resistência iraquiana se unem ao Irã em ofensiva contra forças dos EUA e Israel

Eixo da Resistência realiza novas ondas de ataques com mísseis de precisão contra instalações militares em territórios ocupados e bases norte-americanas da região

As forças armadas da República Islâmica do Irã, em coordenação com o Eixo da Resistência, intensificaram suas operações de retaliação contra alvos estratégicos de Israel e das forças de ocupação norte-americanas. Nesse contexto, Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos EUA, denunciando a tentativa de Washington de impor termos de rendição previamente descartados.

Desde o início das hostilidades, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizou 82 ondas de ataques utilizando armas guiadas de precisão. Essas operações atingiram instalações militares importantes nos territórios ocupados e bases de ocupação dos EUA na região, deixando claro que, apesar da retórica triunfalista e contraditória de Washington, a resistência mantém a iniciativa estratégica e operacional em toda a frente de batalha.

As defesas aéreas iranianas, como parte da Operação True Promise 4, marcaram um novo marco estratégico ao abater um quarto caça F-18 norte-americano sobre Chabahar. O ataque, realizado com sistemas de fabricação nacional, demonstra a vulnerabilidade da tecnologia do agressor às avançadas capacidades defensivas da República Islâmica.

O Hezbollah e a Resistência Iraquiana juntam-se à frente
A frente de resistência expandiu-se com a participação ativa do Hezbollah no Líbano e da Resistência Islâmica no Iraque, que infligiram danos significativos às capacidades logísticas e militares do inimigo.

O Hezbollah tem concentrado seus ataques em instalações militares israelenses ao longo da fronteira norte dos territórios ocupados. Essas ações são uma resposta ao assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e um protesto contra as violações sistemáticas do cessar-fogo por Tel Aviv ao longo do último ano.

Entretanto, grupos de resistência iraquianos mantêm operações diárias, direcionando seus projéteis contra alvos militares dos EUA tanto em território iraquiano quanto em outros países árabes da região.

Ataques e defesas de precisão
As ondas 80 e 81 da Operação True Promise 4 empregaram mísseis de precisão (Emad, Qiam, Khorramshahr 4) e drones para atingir mais de 70 pontos estratégicos nos territórios ocupados.

As forças iranianas lançaram ataques diretos contra locais estratégicos nos territórios ocupados, atingindo centros de comando em Safad, Tel Aviv, Haifa, Dimona e Kiryat Shmona. A ofensiva afetou infraestruturas críticas de defesa aérea, fábricas de drones pertencentes à Associação da Indústria Aeroespacial (IAI) e diversas bases logísticas ligadas ao Mossad.

Em paralelo, a operação estendeu-se a instalações militares norte-americanas na região, com impactos registados nas bases de Ali Al-Salem e Arifjan, no Kuwait, Al-Azraq, na Jordânia, e Sheikh Isa, no Bahrein. Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) confirmou o abate de um caça estratégico F-18 americano, após este ter sido interceptado sobre o espaço aéreo de Chabahar.

Na área de segurança interna, as autoridades iranianas desmantelaram uma rede terrorista em Semnan composta por sete mercenários com ligações diretas a serviços de inteligência estrangeiros . Segundo o relatório, o grupo contava com financiamento externo e treinamento especializado para realizar atos de sabotagem, fabricando dispositivos explosivos.

A Resistência Islâmica do Hezbollah intensificou sua defesa no sul do Líbano, conseguindo destruir oito tanques Merkava em Al-Qawzah e Taybeh , enquanto realizava ataques combinados com drones e artilharia contra tropas no norte da Palestina e nas Colinas de Golã ocupadas.

Por fim, a Resistência Islâmica no Iraque juntou-se à ofensiva, atacando a base norte-americana “Victoria” em Bagdá e os centros operacionais do Mossad em Erbil.

O Irã rejeita as exigências de Trump para o fim da guerra
A República Islâmica do Irã rejeitou a proposta de cessar-fogo de 15 pontos do governo Trump, classificando-a como uma tentativa de rendição dissociada da realidade militar. Um porta-voz oficial declarou à Press TV que “o Irã não permitirá que Donald Trump dite quando a guerra termina; o Irã a encerrará quando decidir e quando suas próprias condições forem atendidas “, descartando quaisquer negociações que possam prejudicar seu programa de defesa soberana.

Como condições inegociáveis ​​para a paz, Teerã exige a cessação completa das hostilidades, o pagamento de reparações de guerra e o fechamento permanente das bases militares americanas na região. Além disso, reafirmou seu controle legal sobre o Estreito de Ormuz e denunciou as alegações da Casa Branca sobre negociações diretas como uma manobra de propaganda para mascarar o fracasso da Operação Epic Fury no campo de batalha.

Trump envolto em contradições
O governo Trump mantém uma postura contraditória, alegando que sua Operação Epic Fury está perto de atingir seus objetivos, enquanto simultaneamente reconhece sua incapacidade de restabelecer o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Embora a Casa Branca afirme ter enfraquecido Teerã, a secretária de imprensa Karoline Leavitt admitiu que o governo dos EUA não tem uma data prevista para garantir o transporte de petróleo , demonstrando que o controle dessa via navegável estratégica permanece sob a soberania iraniana.

A tentativa de Washington de fabricar um cenário diplomático favorável esbarrou na realidade depois que o Ministério das Relações Exteriores iraniano refutou as alegações de Trump sobre conversas positivas durante o fim de semana. Teerã esclareceu que recebeu apenas mensagens unilaterais dos EUA expressando o desejo de diálogo, caracterizando a narrativa da Casa Branca como uma manobra midiática para obscurecer a resistência do Irã à agressão estrangeira.

A retórica imperialista oscila entre uma suposta preferência pela paz e ameaças de ataques “mais fortes do que nunca” caso o Irã não aceite uma rendição disfarçada de acordo. Essa postura ignora o fato de que a escalada foi iniciada pelos EUA e por Israel com bombardeios que resultaram em vítimas civis em Teerã; agressões que provocaram uma forte resposta defensiva da Resistência contra instalações militares americanas em toda a região do Oriente Médio.

Por fim, o fracasso estratégico da intervenção fica evidente na esfera econômica global com a alta dos preços da energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Apesar do triunfalismo americano, a realidade no terreno demonstra que a soberania do Irã sobre suas águas territoriais permanece intacta, deixando o governo Trump preso a uma narrativa de força que não se traduz em vitórias tangíveis.

Defesas iranianas abatem o quarto caça F-18 dos EUA
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alcançou um novo marco defensivo na quarta-feira ao abater um caça estratégico F-18 das Forças Armadas dos EUA. A aeronave invasora foi interceptada com precisão sobre Chabahar, no sul do Irã, e posteriormente caiu no Oceano Índico, demonstrando a alta capacidade de resposta da rede integrada de defesa aérea iraniana.

Esta operação marca o quarto abate bem-sucedido de caças estratégicos pertencentes às forças hostis de Washington e Tel Aviv no contexto do conflito atual. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) enfatizou que o ataque foi realizado utilizando um novo e avançado sistema de defesa aérea de fabricação inteiramente nacional, reafirmando a independência tecnológica da República Islâmica diante da agressão imperialista.

Com essa ação, as defesas aéreas do Irã consolidam um histórico de resistência que já resultou na derrubada de quase 140 drones americanos e israelenses até o momento. Teerã descreveu a operação como motivo de orgulho, pois demonstra a vulnerabilidade dos sistemas de guerra ocidentais à determinação soberana dos povos que defendem seu território.

É crucial enfatizar que a atual demonstração de determinação e as operações retaliatórias da República Islâmica são motivadas pela necessidade de defender sua soberania após as agressões ilegais perpetradas pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.

Esses ataques, que violaram flagrantemente o direito internacional, resultaram em um trágico número de mortes de aproximadamente 1.300 até o momento, incluindo civis e militares. Diante desse cenário de cerco criminoso, Teerã reafirma que suas ações não são meramente uma resposta militar, mas um ato de justiça e resistência contra uma coalizão que busca desestabilizar a região ao custo de vidas humanas.

*Opera Mundi


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O investimento bilionário em Drones, blindados e mísseis para garantir soberania de Defesa ao Brasil

A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica

No final de 2025, o Senado brasileiro aprovou um novo aporte orçamentário de R$ 30 bilhões, a ser distribuído ao longo de seis anos, para financiar projetos estratégicos de Defesa do país, em exceção ao arcabouço fiscal.

Com um orçamento anual que costuma variar em torno de R$ 120 a R$ 130 bilhões (ou entre 1,1% 1,3% do PIB), o Brasil tem mais de 70% de seu dispêndio com Defesa concentrado em gastos obrigatórios com pessoal e previdência militar, enquanto menos de 10% recebe aplicação em equipamentos e programas de modernização.

A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica.

Segundo o Ministério da Defesa, um dos principais destinos da nova rodada de recursos vai ser o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), programa de monitoramento de mais de 16 mil quilômetros das fronteiras terrestres brasileiras que conta com radares, sensores eletro ópticos, drones de monitoramento e centros de comando e controle para comunicações criptografadas.

O programa também auxilia na fiscalização de atividades ilegais, como o garimpo, o tráfico e crimes ambientais nas regiões florestais mais remotas da Amazônia.

O Sisfron deve receber novos drones operados pela Força Aérea Brasileira, os modelos Hermes 450 e 900, fabricados pela israelense Elbit Systems e projetados para atividades de reconhecimento e inteligência em fronteiras, em missões táticas de longa duração.

A Elbit Systems, com sede em Haifa, mantém licitações com o governo brasileiro e é uma das principais fornecedoras de armamentos e equipamentos avançados do país.

Uma das subsidiárias da companhia, a AEL Sistemas, que fornece eletrônicos e aeronaves à Força Aérea (FAB), tem atuação física em Porto Alegre, enquanto a ARES Aeroespacial e Defesa, subsidiária da Elbit no Rio de Janeiro, é especializada na produção de estações de armas remotas e outros equipamentos terrestres com os quais abastece o Exército.

No caso das forças terrestres, o foco da modernização é o principal blindado produzido para transporte de tropas no Brasil, o VBTP Guarani, um 6×6 desenvolvido em parceria com a indústria nacional e projetado para mobilidade em terrenos diversos, equipado com proteção balística e capaz de integrar-se a sistemas digitais.

Outra modernização deve ser o programa ASTROS 2020, sistema de artilharia de foguetes de alta precisão produzido pela Avibras e capaz de operar com mísseis táticos.

O objetivo é aumentar a capacidade de dissuasão do Exército Brasileiro com mísseis que alcançam até 300 km. De acordo com a Forum, o shoot-and-scoot (sistema que “atira e sai” rapidamente) brasileiro é considerado um dos sistemas de artilharia mais poderosos de sua geração e, entre 2025 e 2026, com o novo aporte aprovado para a Defesa, o Exército Brasileiro deve reformular o sistema ASTROS com a inclusão de sistemas de IA, mísseis e drones.

De acordo com as Forças Armadas, o Astros deve ser renomeado para “Fogos” e passar por melhorias técnicas, como a junção de três plataformas de lançamento verticais em um único “guarda-chuva”, sistema de direção de tiro superior.

Os blindados brasileiros, como o EE-9 Cascavel, veículo de seis rodas desenvolvido para auxiliar em missões de reconhecimento de terreno, devem passar por melhorias tecnológicas que prolongarão sua vida útil, com novos sensores e sistemas de tiro e comunicações.

Submarino nuclear
Uma das apostas mais ambiciosas das Forças Armadas brasileiras é o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que inclui quatro submarinos convencionais (da classe Riachuelo) e o primeiro submarino de propulsão nuclear das Américas, SN-10, desenvolvido em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN).

O SN-10 deve entrar em fase final de comissionamento, testes de desempenho, homologação naval e incorporação à frota da Marinha do Brasil entre 2032 e 2034, equipado com armamento ofensivo de alta capacidade, capaz de lançar torpedos pesados, como o franco-brasileiro F21 Artemis, além de mísseis antinavio, como o Exocet SM39, e minas navais.

Um dos elementos centrais do novo aporte é o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e a redução da defasagem do setor.

Como nota à Agência Senado o autor do projeto de lei que viabilizou o novo aporte, Carlos Portinho (PL-RJ), o Brasil já acumula anos de juros do contrato de entrega dos caças Gripen, negociados com a fabricante sueca Saab e a Embraer durante o governo Dilma, por atrasos de pagamento. O valor das perdas, segundo ele, “já equivale ao valor de duas aeronaves” Gripen.

Apesar disso, o primeiro caça F-39E Gripen desenvolvido totalmente em território brasileiro deve ser apresentado pelo presidente Lula nesta quarta-feira (25). Das 36 aeronaves contratadas, 15 terão montagem final em solo brasileiro.

Até então, a Força Aérea Brasileira (FAB) conta com 11 aeronaves F-39 Gripen entregues e em operação ou em fase de testes. As entregas devem se estender até 2032.


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“EUA e Israel cruzaram todas as linhas”: milícia xiita no Iraque fala em “ponto sem volta” após ataque ao Irã

Em entrevista exclusiva, oficial da organização xiita iraquiana Badr revela o papel do Iraque na guerra do Irã e aponta para risco de expansão do conflito

requentemente ignorado, o Iraque é um dos pontos fundamentais de tensão na atual guerra entre EUA, Israel e Irã. O país e a República Islâmica não estão só entrelaçados pela fronteira terrestre de 1,5 mil quilômetros que compartilham. Carbala, no centro do Iraque, é a cidade onde Hussein ibn Ali, neto do profeta Maomé, considerado pelos xiitas como o terceiro imã, foi martirizado em 680 d.C pelas forças do califa omíada Yazid I. A morte de Hussein na Batalha de Carbala é o principal dia santo do xiismo: durante a Ashura, data que marca o martírio do imã, milhões de xiitas pelo mundo participam de grandes procissões e homenagens, durante as quais os homens batem violentamente contra os próprios peitos para relembrar a dor de Hussein. A data também é considerada pelos xiitas como um símbolo da luta contra a opressão, princípio fundamental para a identidade do próprio xiismo.

Para além dos locais religiosos, também foi do Iraque que veio a principal ameaça à República Islâmica do Irã logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em setembro de 1980, um ano após o triunfo da revolução iraniana, o líder iraquiano Saddam Hussein, incentivado pelo Ocidente, invadiu o Irã, temeroso de que os princípios da revolução iraniana se espalhassem para um Iraque que, embora então liderado por um sunita, tinha maioria xiita. Ávido por conquistar zonas ricas em petróleo, como o Cuzistão, e estabelecer domínio completo sobre o rio Chatt al-Arab, Saddam deu início a uma guerra que, ao longo de oito anos, levaria a ao menos 500 mil mortos, pelo menos 200 mil deles iranianos. Para além das ondas sucessivas de jovens iranianos que se lançavam contra os inimigos iraquianos e da enorme engenhosidade iraniana em readaptar equipamentos militares de segunda mão, no que foi fundamentalmente uma guerra de improviso, um dos elementos estratégicos mais importantes com os quais o Irã pôde contar foram as organizações xiitas que, dentro do Iraque, combatiam contra Saddam.

Dentre estas, uma das mais relevantes é a Organização Badr. Nascida entre 1982 e 1983, durante a Guerra Irã-Iraque, com o nome de Brigadas Badr, a organização era o braço militar do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), liderado pelo clérigo xiita Mohammad Baqir al-Hakim. Formada por generais iranianos e clérigos iraquianos, a organização cresceu a partir de exilados iraquianos no Irã, refugiados de guerra e desertores do exército iraquiano, e chegou a milhares de membros durante a guerra Irã-Iraque, na qual combateu ao lado dos iranianos.

Em 1991, durante os levantes contra Saddam, as Brigadas Badr foram fundamentais nos campos de batalha de Najaf e Carbala, e ao menos 5 mil homens da organização combateram, em 1995, durante a Guerra Civil Curda.

A partir de 2003, com a invasão americana do Iraque, as Brigadas tomam parte na luta contra Saddam e mudam seu nome para Organização Badr, passando a operar de fato como um partido político, agora liderado por Hadi al-Amiri. Ao lado de seu braço paramilitar, a organização amplifica seu trabalho político e de caridade, estabelece bases políticas ao longo de toda a comunidade xiita do Iraque e fortifica sua presença dentro do Estado iraquiano, chegando a controlar postos como o Ministério do Interior.

Em 2014, a organização combate contra o Estado Islâmico (DAESH) no país e se incorpora às Forças de Mobilização Popular (FMP), uma organização guarda-chuva composta por cerca de 40 grupos paramilitares, formada pelo Estado iraquiano para o combate ao DAESH e formalmente submetida ao Ministério do Interior, às Forças Armadas e ao primeiro-ministro do Iraque. Estima-se que a Organização Badr atualmente tenha entre 10 e 15 mil membros ativos e controle de 10 a 17 brigadas das Forças de Mobilização Popular. Conta com um canal de TV, um jornal online, um centro cultural, uma organização de juventude e escritórios por todo o Iraque. Atualmente, tem 21 dos 329 assentos do parlamento iraquiano.

Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)

Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)

A Organização Badr é ainda, ao lado de muitas facções e grupos paramilitares no Iraque, parte do chamado Eixo de Resistência, a aliança regional coordenada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Ansar Allah (houthis), no Iêmen, e o Hamas, na Palestina.

Por isso, quando as explosões fizeram-se ouvir em Teerã, no dia 28 de fevereiro, e a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada, a Revista Opera entrou em contato com Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr em Bagdá, responsável político por um importante distrito do leste da cidade, para organizar a entrevista que segue, no qual tratamos dos impactos da morte de Khamenei entre o povo iraquiano – particularmente dentre os 60% a 69% de xiitas que conformam sua população –, da participação de grupos armados na política oficial do país e dos planos e ações da Organização Badr e outros grupos paramilitares frente à guerra entre EUA, Israel e Irã.

Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)

Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)

Como os ataques ao Irã e a morte do Líder Supremo Ali Khamenei foram recebidos pelo povo iraquiano? E que impacto isso teve nas Forças de Mobilização Popular (FMP), e particularmente na Organização Badr?

O povo iraquiano, em todas as suas diferentes correntes ideológicas — grupos religiosos, esquerdistas, comunistas e outros —, tem se sentido profundamente entristecido e intensamente indignado com o assassinato de Sayyid Ali Khamenei e de outros líderes iranianos que foram martirizados de forma tão traiçoeira.

Como você sabe, a comunidade xiita no Iraque é frequentemente descrita como tendo duas correntes religiosas principais: aqueles que seguem a linha associada a Muqtada al-Sadr e aqueles que seguem a autoridade religiosa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Nesta questão, no entretanto, ambas compartilham a mesma posição e estão agindo em total harmonia.

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

As Forças de Mobilização Popular (FMP) são uma instituição oficial do Estado iraquiano sob a autoridade do primeiro-ministro. No entanto, as facções da resistência [que compõem as FMP] são movimentos revolucionários cujas decisões decorrem do dever moral e religioso de defender a verdade e os oprimidos — mulheres, homens e crianças na Palestina e em todo o mundo. No que tange à justiça, humanidade e Islã, as fronteiras administrativas traçadas pela Grã-Bretanha não definem nossas responsabilidades.

Quanto à Organização Badr, nossa posição é clara e consistente: estamos ao lado da República Islâmica do Irã e de nossa sábia autoridade religiosa, representada por Sayyid Ali al-Husseini al-Sistani, que repetidamente exortou todas as pessoas honradas em todos os lugares a defender a República Islâmica em todas as plataformas e em todas as frentes.

Durante a Guerra dos Doze Dias contra o Irã no ano passado, as milícias iraquianas e as PMF não agiram. Isso agora mudou. Por quê?

Desta vez, o inimigo americano-sionista ultrapassou um limite grave ao assassinar aquele que consideramos a mais alta autoridade espiritual e religiosa para os muçulmanos no mundo, o Imã Khamenei. Este foi um ato chocante e devastador.

Homens e mulheres no Iraque sentem que mesmo sacrificar suas vidas e seu sangue por ele não seria suficiente. Naturalmente, tal evento produziu uma reação muito diferente em comparação com confrontos anteriores.

A resistência possui muitas opções e medidas dentro de seu quadro estratégico. Algumas dessas medidas agradarão nossos amigos e irritarão nossos inimigos, e elas serão implementadas no momento e da maneira apropriados.

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)

Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)
Já há relatos de facções do Eixo da Resistência lançando operações militares contra Israel e os Estados Unidos em vários países, em resposta aos ataques ao Irã. No Iraque, desde o 28 de fevereiro, milícias xiitas já realizaram várias ações, como um ataque no norte do país que resultou na morte de um soldado francês e vários ataques a instalações americanas, particularmente em Erbil. Os EUA e Israel, por sua vez, também atacaram posições das PMF no Iraque e declararam que intensificarão seus ataques contra elas. Se a guerra contra o Irã continuar, qual será o papel do Iraque? É possível que ele seja arrastado para o conflito ou que venha a passar por algum tipo de guerra civil? E qual seria a posição da Organização Badr nesse cenário?

Sim, grupos de resistência iraquianos já realizaram inúmeras operações visando interesses e bases americanas no Iraque. No entanto, essas bases também abrigam soldados de outros países aliados aos Estados Unidos sob a bandeira da chamada coalizão internacional.

A presença deles nessas bases os torna parte da equação, e eles devem arcar com as consequências dessa escolha, sejam eles franceses ou de qualquer outro país. Os povos dessas nações devem pressionar seus governos a adotarem uma posição de neutralidade; caso contrário, correm o risco de serem tratados como forças hostis.

Quanto à Organização Badr, nossa posição é de conhecimento público. As medidas específicas que podemos tomar não são algo que discutimos antecipadamente. Somente Deus sabe o que acontecerá a seguir, e em breve o inimigo também ficará sabendo.

Que papel a Organização Badr desempenhou durante os últimos dois anos do genocídio contra o povo palestino?

Nos últimos dois anos, a organização desempenhou um papel humanitário no apoio ao povo palestino. Isso incluiu a prestação de assistência financeira, o envio de alimentos e suprimentos médicos, tendas e equipamentos essenciais, além de facilitar os canais logísticos para a entrega dessa ajuda.

Além disso, oferecemos forte apoio moral e político por meio de nossa base popular e das plataformas de mídia da organização.

A própria Organização Badr não realizou operações militares durante esse período. Se o fizéssemos, todos saberiam, pois nossas ações teriam um impacto significativo.

O Iraque atualmente encontra-se governado por um primeiro-ministro interino, tendo em vista que não formou um novo governo após as eleições de novembro de 2025. Qual é a posição da Organização Badr em relação ao governo do atual primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, e à formação de um novo governo?

A Organização Badr detém atualmente 21 assentos no parlamento iraquiano, enquanto os partidos da Estrutura de Coordenação [aliança de partidos e facções xiitas pró-iranianas no Iraque] detêm, coletivamente, mais de 90 assentos.

A posição oficial da organização em relação ao governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani foi articulada pelo secretário-geral da Organização Badr, Hadi al-Amiri.

No momento, a organização apoia a indicação de Nouri al-Maliki para formar o próximo governo. Caso ele se retire dessa tarefa, é provável que a organização apoie o candidato alternativo que ele propor.

Como nosso Secretário-Geral costuma dizer, a relação entre a Organização Badr e o Partido Dawa Islâmico — do qual Maliki é membro — é como um “casamento católico”, ou seja, uma parceria política profundamente enraizada e duradoura.

Diferentes facções dentro das Forças de Mobilização Popular (PMF) assumiram posições divergentes quanto à escalada na região. Existem divergências significativas entre os grupos de resistência iraquianos sobre até que ponto o Iraque deve ir no confronto com Israel e os Estados Unidos?

Antes de responder à sua pergunta, é importante que todos compreendam um ponto fundamental. As Forças de Mobilização Popular (PMF) foram formadas a partir dos combatentes de facções armadas iraquianas que se levantaram para enfrentar o terrorismo do ISIS em 2014. Hoje, porém, a PMF é uma instituição oficial do Estado iraquiano. Ela opera sob a autoridade do governo iraquiano e possui uma estrutura militar organizada que, em muitos aspectos, se assemelha à de um exército regular.

As facções da resistência, no entanto, representam algo diferente. Elas representam o próprio povo. Suas decisões, reações e movimentos emergem da vontade popular. Não podem ser reduzidas à decisão de um único indivíduo, por mais elevada que seja sua posição. No Iraque, qualquer um que tente agir contra a vontade do povo rapidamente verá o chão ser retirado de debaixo de seus pés.

Quanto à sua pergunta sobre divisões entre as facções, não há nenhuma.

A frente de resistência no Iraque é composta por várias facções, cada uma com sua própria liderança e estrutura de comando. Cada facção adota as táticas que considera mais adequadas às tarefas e circunstâncias que enfrenta. Na verdade, essa diversidade de táticas fortalece a resistência. Ela complica o campo de batalha para os americanos e os fará experimentar a mesma sensação de impotência que sentiram outrora no Vietnã, no Afeganistão e até mesmo em Cuba durante a Baía dos Porcos.

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)
O senhor acredita que a atual guerra regional fortalecerá a influência política das facções da resistência dentro do Iraque, ou ela poderia gerar pressão para limitar o papel dos grupos armados no país, como pretende os EUA?

Os Estados Unidos sempre tentaram pressionar os governos do Líbano e do Iraque a desarmar a resistência e a enfrentá-la. Mas essa exigência é simplesmente impossível na prática. A resistência não é uma milícia que possa ser dissolvida por decreto — é uma expressão viva do próprio povo. A resistência é o povo, e o povo é a resistência. Alguém poderia tirar o fuzil das mãos de Ernesto Che Guevara? Alguém poderia tirar o violão das mãos de Víctor Jara? Alguém poderia impedir Mahatma Gandhi de praticar a desobediência civil?

Quanto à influência política, o Iraque possui um processo político democrático, e é o povo quem decide em última instância. O povo iraquiano já se pronunciou nas urnas ao eleger muitos representantes provenientes das fileiras da resistência. Os Estados Unidos não serão capazes de quebrar a vontade do povo iraquiano.

 

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)

Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)

*Pedro Marin/Revista Ópera


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