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Irã rejeita plano de cessar-fogo dos EUA, afirma TV estatal

Teerã apresentou cinco condições para negociar, entre elas o fim dos assassinatos de seus líderes

O governo iraniano rejeitou as condições impostas pelos EUA para estabelecer um cessar-fogo na região e chamou os critérios apresentados pelos americanos como “excessivos”. A informação foi divulgada pela emissora estatal de televisão no Irã, a Press TV.

Mais cedo, as autoridades em Teerã ironizaram as declarações do presidente Donald Trump de que estariam desesperadas para fechar um acordo para encerrar a guerra. Nesta quarta-feira, diplomatas, a imprensa americana e israelense confirmaram que a Casa Branca enviou uma proposta de plano de cessar-fogo aos iranianos, por meio de negociadores do Paquistão.

O pacto prevê o fim de todas as atividades nucleares do país. Mas não fala em mudança de regime e nem em denúncias de violações de direitos humanos, argumentos que Trump sempre usou para justificar a guerra.

De acordo com as emissoras estatais, o Irã exige que os seguintes pontos sejam atendidos pelos EUA para que a negociação possa existir:

  • Cessação total das agressões e assassinatos por parte dos EUA e Israel.
  • Criar mecanismos para garantir que a guerra não seja reiniciada contra o Irã.
  • Pagamento de indenizações e reparações de guerra.
  • A conclusão da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região, incluindo Hezbollah.
  • Reconhecimento e garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.

Não chamem sua derrota de acordo

Num vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”.

“O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si?”, questionou.

“Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força”, disse Zolfaghari, fazendo referência a um dos lemas de Trump, que insiste em falar da “paz pela força”.

“Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, completou.

Horas depois, numa entrevista ao jornal India Today, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, admitiu que muitos países entraram em contato com o Irã, oferecendo-se para mediar o conflito. “Há mensagens circulando há alguns dias… Respondemos a essas mensagens. Nossa mensagem é muito clara. Continuamos a nos defender”, afirmou.

Para Baghaei, não se pode confiar na intenção de Trump de negociar a paz. “Vejam os fatos. O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. Portanto, a alegação deles de diplomacia e mediação não é crível. Porque eles iniciaram esta guerra e continuam a atacar o Irã. Então, alguém pode acreditar que a alegação deles de mediação seja crível?”, questionou.

Baghaei, ainda assim, admitiu contatos entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.

“Portanto, esse tipo de conversa está acontecendo entre o Irã e seus vizinhos e outros países amigos. Entendemos que os países da região, os países vizinhos, estão preocupados com as consequências e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a situação a se acalmar”, disse ele.

O que diz o plano
Enquanto as diferentes versões disputam espaço sobre a existência ou não de um processo negociador, a imprensa israelense e americana publicou o que seria o rascunho do plano de paz.

Eles são:

  • As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow serão desativadas e destruídas.
  • Transparência e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades no Irã.
  • O Irã abandonará o uso de grupos armados na região e cessará o financiamento e o armamento de seus afiliados regionais.
  • Desmantelamento das capacidades nucleares existentes já acumuladas.
  • Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
  • Nenhum material nuclear será enriquecido em solo iraniano, e todo o material enriquecido será entregue à AIEA.
  • O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”.
  • Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.

Em troca, o Irã receberia:

  • Assistência americana no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade.
  • Remoção de todas as sanções.
  • Remoção da ameaça de renovação das sanções.

ONU: “Flerte com catástrofe sem precedentes”

Numa reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o alto comissário do órgão internacional, Volker Turk, fez um apelo pela paz.

“A situação é extremamente perigosa e imprevisível, e gerou caos em toda a região, afetando Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e outros países”, disse.

“Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, insistiu.

Turk denunciou violações das leis internacionais por todos os lados. Ele acusou Teerã de estar atacando locais sem fins militares. Mas também indicou que ,“dentro do Irã, civis buscam abrigo dos ataques aéreos em todas as 31 províncias do país”. Segundo dados do governo iraniano, cerca de 1.400 civis foram mortos e mais de 20.000 ficaram feridos.

“Há um padrão crescente de ataques que afetam áreas residenciais, infraestrutura civil e outros locais protegidos pelo direito internacional. Casas, hospitais, escolas, sítios culturais, redes de transporte e infraestrutura energética foram atingidos”, afirmou.

Turk também denunciou a repressão no país. “Enquanto os iranianos se abrigam desses ataques, também enfrentam outra onda de cruel repressão estatal, incluindo prisões arbitrárias, execuções, intimidação e censura. A internet está fora do ar há mais de três semanas”, disse.

De acordo com ele, o conflito já causou perdas econômicas de cerca de 63 bilhões de dólares em toda a região árabe. Mas é sua repercussão global que preocupa.

“Este conflito tem um poder sem precedentes para envolver países além-fronteiras e em todo o mundo. A dinâmica complexa pode desencadear novas crises nacionais, regionais ou globais a qualquer momento, com um impacto terrível sobre civis e pessoas em todo o mundo”, disse.

Turk saiu em defesa de um cessar-fogo. “Não podemos voltar à guerra como instrumento das relações internacionais”, disse.

“Quando alguns Estados poderosos tentam enfraquecer o sistema multilateral, precisamos que o restante — a grande maioria — o defenda”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Governador do RJ, Claudio Castro e vice são condenados e têm o mandato cassado

Cláudio Castro (PL) foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (24 de março de 2026) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022

O placar foi de 5 a 2 pela condenação à inelegibilidade por 8 anos (contados a partir de 2022, ou seja, até 2030).

Votos a favor da condenação (maioria): ministra Isabel Gallotti (relatora), Antônio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia.

Votos contra: ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
veja.abril.com.br

A acusação envolvia irregularidades na contratação de milhares de funcionários temporários na UERJ e na Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas), que teriam sido usados como “cabos eleitorais” durante a campanha de reeleição, configurando abuso de poder.Sobre a cassação do mandatoCláudio Castro renunciou ao cargo de governador do Rio de Janeiro na segunda-feira (23 de março de 2026), um dia antes da retomada do julgamento.

Com a renúncia, a cassação do mandato ficou prejudicada (não pode cassar quem já não ocupa o cargo). No entanto, a inelegibilidade permanece válida.

Impacto político

Castro era pré-candidato ao Senado em 2026 (chegou a anunciar planos ao lado de Flávio Bolsonaro).

Com a inelegibilidade até 2030, ele está impedido de disputar qualquer eleição nesse período, inclusive o Senado.

Ele já sinalizou que vai recorrer da decisão, mas, por enquanto, a inelegibilidade está valendo.

O caso começou no TRE-RJ, que havia absolvido Castro, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE, que reformou a decisão. Essa condenação se soma a uma longa lista de crises políticas envolvendo governadores do Rio nos últimos anos (prisões, impeachments e cassações).

Relembrando o caso
Os cargos secretos consistiram na contratação de dezenas de milhares em programas sociais e de extensão universitária às vésperas da campanha eleitoral de 2022, com base na descentralização de recursos orçamentários para a fundação Ceperj e para a Uerj.

O esquema foi revelado pelo portal UOL em junho de 2022. O governo Castro usou a fundação Ceperj — uma espécie de IBGE da administração fluminense — para empregar cerca de 27 mil pessoas em programas sociais. As folhas de pagamento eram secretas e não foram informadas nem mesmo para os órgãos de controle, como o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado).

O governo do Rio usou descentralizações de crédito — quando um órgão permite que outro ente use parte de seu dinheiro — para injetar centenas de milhões na Fundação Ceperj.

O mesmo procedimento foi usado para bancar projetos de extensão ligados à Uerj, que também mantinham folhas secretas de bolsistas contratados com remunerações mensais de até R$ 35 mil.

No caso da Uerj, 45 mil bolsistas foram contratados nas folhas secretas.

O esquema movimentou em torno de R$ 1,3 bilhão em aproximadamente 1 ano e meio — entre o segundo semestre de 2021 e dezembro de 2022.

Até ser interrompido por decisão judicial em agosto de 2022, o esquema no Ceperj custou R$ 502,7 milhões aos cofres públicos. Já na Uerj, as folhas secretas dragaram R$ 798,9 milhões até serem interrompidas por decisão da universidade, em dezembro de 2022.


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Política

A mesma Globo, que pressionou o judiciário para prender Lula, agora dá a Bolsonaro a anistia disfarçada de domiciliar

A anistia concedida pelo STF a Bolsonaro, na figura de Alexandre de Moraes, foi desingripada pela Globo, mais precisamente por Malu Gaspar, que lubrificou as chaves da Papuda para Bolsonaro voltar para o seu hotel cinco estrelas e, de lá, ganhar voo próprio para curtir a vida.

Jamais se pode esquecer que o Grupo Globo é bilionário, ou seja, é parte da oligarquia brasileira e, através de uma campanha de degradação de imagem, pode transformar qualquer um num monstro que ele desenhar em seus bastidores.

É só ler o recadinho da bolsomorista, Malu Gaspar, em matéria no Globo de hoje, deixando claro que a pizza de marmelada, preparada por ela e os Marinho, só estará concluída depois que a anistia ampla, geral e irrestrita de Bolsonaro for completada, inclusive com a permissão da volta de Eduardo Bolsonaro ao Brasil, sem que ninguém lhe enconste um dedo. Está lá na capa do Globo para quem quise  er:

“Moraes busca saída honrosa e tenta blindar STF ao conceder prisão domiciliar para Bolsonaro”

Além de colocar a cabeça de Moraes à venda, Malu deixa claro que a vedação que fará com que a mídia pare de perseguir Moraes só acontecerá de fato quando rentregar o serviço completo, com anistia, com tudo que, convenhamos, é uma barbada para um grupo que, em defesa dos seus interesses, trata o pescoço da mãe como canela.

Sim, esse é o estágio do neoliberalismo que carrega com ele o fascismo em estado puro, essa é a verdadeira cara da extrema direita brasileira. Afinal, falamos do Grupo Globo que tem um século de prática golpista no Brasil, geração após geração.

Lógico que, depois disso, Moraes seguirá como um pato manco rumo à porta dos fundos do STF.

O que de fato há por trás disso, por ora, dá para imaginar, mas não afirmar.

Mas não será Bolsonaro o único a se lambuzar dessa gigantesca pizza de marmelada. A Globo e os demais jornalões ainda não desistiram da terceira via e, certamente, tentarão lubrificar cada vez mais a imagem de Tarcísio para transformar seu nome e imagem em algo mais palatável.

Flavio Rachadinha já mostrou que tem um teto baixo e de vidro e, com certeza, é o mais cagado dos candidatos de direita disponíveis na praça.

O risco de perder a eleição e o guarda-chuva do foro privilegiado é grande e muito arriscado para quem tem a folha corrida que ele tem.

Não se espantem ou se afobem, sendo Tarcísio o candidato oficial da Faria Lima/PCC, Globo/Master, fintechs e big techs, o evangelhistão bolsonarista, por ordem do demôbuo mor, trabalhará em peso para tirar a fórceps o quarto mandato de Lula para colocar o vigarista, escolhido pelos donos da terra, para cumprir o papel sujo a ele designado.

Não se esqueçam que foi assim que Temer e Bolsonaro viraram presidentes após golpe em Dilma e a prisão de Lula, forjada nas redações da Globo e congêneres.

O que dá esperança de derrotar toda essa escumalha é a reação nas redes que colocou a Globo de joelhos e a obrigou a pedir desculpas pela manipulação grosseira do powerpoint.


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Política

Sob governo Tarcísio, Igreja Universal faz parceria com secretarias e sedia reuniões de professores do Estado

A Igreja Universal do Reino de Deus, que controla o partido Republicanos, ao qual é filiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, integra convênios e parcerias realizadas sem licitação ou concorrência com o Poder Executivo paulista em, pelo menos, três secretarias estaduais: Segurança, Administração Penitenciária e Educação.

Desde o ano passado, a Secretaria de Educação tem utilizado templos da igreja para realizar reuniões com docentes e outros servidores da pasta, o que tem revoltado os profissionais, que são obrigados a ouvir sermões e palestras religiosas à guisa de orientação para exercício de seu ofício.

Em junho passado, por exemplo, um caso como esse gerou revolta nos professores da baixada santista, que passaram a receber “orientações sobre segurança na sala de aula” em um templo da Igreja Universal.

O evento foi organizado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio 6° Batalhão de Polícia Militar do Interior, e foi voltado para diretores de unidades estaduais, sendo o convite estendido para os diretores de escolas municipais e supervisores de ensino, segundo o DCM.

A Secretaria Municipal de Santos (cujo prefeito é Rogério Santos, também do Republicanos) aceitou o convite “em razão da importância do tema das palestras: ‘Plano de Contingência Escolar’ e ‘Ataque em escolas, medidas de prevenção, proteção e mitigação”.

Não foram apenas temas ligados à segurança, no entanto, que preencheram a agenda do dia. Conforme relatado por professoras presentes, “o evento foi iniciado por uma espécie de oração, conduzida por um pastor”.

A pasta de Educação, assim, se junta às de Administração Penitenciária e Segurança entre aquelas que, sob Tarcísio, recebem orientação e realizam eventos e programas em parceria com a igreja de Edir Macedo, sempre com a ausência de concorrência para o estabelecimento dos convênios.

É o caso do “Termo de Cooperação Técnica nº 011/00/2024”, assinado pela igreja de Edir Macedo e o governo Tarcísio, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária, no dia 3 de outubro de 2024. Nele, está estabelecido que a igreja passava a ser responsável pelo:

“Desenvolvimento de ações educativas de Cursos de Capacitação e Qualificação Profissional, na modalidade presencial, destinadas às pessoas privadas de liberdade, em cumprimento de pena dos regimes fechado e semiaberto, sob a custódia da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, mediante a implementação do Projeto “Cursos de Qualificação Profissional UNP (Universal nos Presídios)”, como parte integrante do Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania (PROET), instituído no âmbito da Secretaria da Administração Penitenciária.”


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Política

Lula quer retomar refinaria baiana e criar reserva de combustíveis

Governo investe R$ 9 bilhões na Regap e planeja estoque regulador para blindar o mercado interno contra crises no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo

O governo federal define os eixos de uma estratégia para retomar o papel do Estado no setor de energia e proteger o consumidor brasileiro da instabilidade geopolítica global. Em visita à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), na última sexta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos bilionários e reafirmou a intenção de recomprar ativos estratégicos, com destaque para a Refinaria de Mataripe, na Bahia. A venda da antiga RLAM para o fundo Mubadala em 2021, por US$ 1,65 bilhão, é apontada pelo governo como um marco do desmonte da soberania energética.

Durante o evento em Minas Gerais, Lula foi enfático ao prever a reversão desse processo, afirmando que, embora possa demandar tempo, o Estado irá recomprar a unidade baiana. Essa intenção já havia sido formalizada em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto de 2024, quando a Petrobras confirmou a realização de um processo de investigação aprofundada, análise e auditoria para uma possível aquisição, condicionada a avaliações econômicas e ritos de governança.

O retorno ao refino baiano

Para o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, essa privatização fragmentou a capacidade de resposta estatal. Em entrevista ao canal Tutaméia na semana retrasada (13), ele pontuou que a perda da unidade baiana retirou do país o poder de amortecer as variações de preços no mercado interno, criando um ambiente propício para abusos econômicos e especulação:

“A venda de Mataripe agravou a perda de capacidade de regulação de preços em mercados regionais. A privatização da refinaria de Matarip […] levou a essa situação. Quer dizer, você perdeu a capacidade de amortecer as variações de preços no mercado baiano”, afirmou Gabrielli.

A recomposição do parque de refino também se justifica sob o peso de investigações da Polícia Federal, que apuram se a venda de Mataripe foi facilitada por crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O ativo foi entregue ao fundo dos Emirados Árabes por cerca de metade do valor de mercado, e a PF investiga se o recebimento de joias de luxo e diamantes por Jair Bolsonaro e sua comitiva funcionou como uma propina indireta pelo negócio vantajoso.

Regap: R$ 9 bilhões e combustíveis do futuro

Enquanto negocia o retorno à Bahia, o governo transforma a Regap em vitrine de expansão e transição ecológica. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê aportes que podem chegar a R$ 9 bilhões em uma década, visando elevar a produção dos atuais 166 mil para 240 mil barris por dia em cinco anos, segundo o Vermelho.

O projeto inclui a fabricação de combustíveis do futuro, como o Sustentável de Aviação (SAF) e o Diesel R Renovável (biocombustível), além da instalação da primeira usina fotovoltaica em uma refinaria da companhia, capaz de reduzir em 20% o gasto energético da planta. Para o ministro Alexandre Silveira, as iniciativas “fortalecem a capacidade de produção de combustíveis da refinaria, além de promover a transição energética e gerar empregos”, afirmou.

Escudo contra o Estreito de Ormuz

A urgência em ampliar o refino ganha contornos estratégicos diante da crise no Oriente Médio e do risco de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, um gargalo vital para o petróleo mundial. Para blindar o abastecimento, Lula defendeu a criação de um estoque regulador público, comparando a necessidade de reservas de combustível ao “escudo” das reservas internacionais de dólar. Atualmente, o Brasil opera com níveis operacionais mínimos, o que amplia a vulnerabilidade diante da dependência de importações de diesel e gás de cozinha.

Para enfrentar esse cenário, o governo articula ferramentas que incluem a criação de uma sala de situação no Ministério de Minas e Energia, a fiscalização de estoques obrigatórios pelas distribuidoras, o uso seletivo de tributos e a ampliação de biocombustíveis. A estratégia marca uma mudança de paradigma, abandonando a lógica de mercado estrito em favor de uma política de segurança energética onde a Petrobras e o Estado retomam o centro do tabuleiro.


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Política

Suspeita de que emendas pagaram filme de Bolsonaro faz Dino cobrar Câmara e PL

Decisão do ministro do STF vem no âmbito da ADP 854 e exige explicações sobre um aparente esquema denunciado pela deputada Tábata Amaral (PSB)

O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a fechar o cerco contra a falta de transparência no uso de verbas parlamentares. Nesta segunda-feira (23), o ministro Flávio Dino determinou que a Câmara dos Deputados e parlamentares do Partido Liberal (PL) prestem esclarecimentos urgentes sobre um suposto desvio de finalidade nas chamadas “emendas Pix”. A suspeita central é de que recursos públicos tenham sido usados, de forma indireta, para financiar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão foi tomada dentro da ADPF 854, a ação que discute a constitucionalidade do orçamento secreto e exige a rastreabilidade total dos gastos.

“Ecossistema” sob investigação
O despacho de Dino baseia-se em uma petição protocolada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar apresentou indícios de um intrincado “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”. Segundo a denúncia, associações e empresas que recebem as emendas compartilhariam o mesmo endereço físico, infraestrutura de operação e seriam geridas por um comando unificado.

O ponto mais sensível da representação diz respeito ao filme “Dark Horse”. A produção cinematográfica, encabeçada pelo deputado Mário Frias (PL-SP), pretende narrar a trajetória de Bolsonaro até a chegada ao Palácio do Planalto. Para Tabata, o dinheiro público pode estar “conferindo lastro indireto ao custeio da produção cinematográfica privada”, o que configuraria uma grave irregularidade no uso das emendas.

Parlamentares na mira
A investigação aponta que entidades ligadas a este grupo receberam montantes significativos de emendas destinadas por nomes influentes da ala bolsonarista no Congresso. Entre os deputados citados na petição estão:

Alexandre Ramagem (PL-RJ)

Carla Zambelli (PL-SP)

Bia Kicis (PL-DF)

Marcos Pollon (PL-MS)

Próximos passos
Flávio Dino deu um prazo de cinco dias úteis para que a Câmara dos Deputados se manifeste oficialmente. Além disso, o ministro determinou que os deputados mencionados sejam ouvidos antes de qualquer decisão cautelar, diz Henrique Rodrigues, Forum.antr

Ao fundamentar a medida, o ministro reiterou que o objetivo é assegurar o cumprimento das regras de transparência e rastreabilidade já fixadas pela Corte. “A medida busca garantir que recursos públicos oriundos de emendas parlamentares não sejam pulverizados em estruturas opacas”, destacou o magistrado em sua decisão.


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Mundo

Rússia alerta: ‘Ataques à usina nuclear no Irã podem ter consequências irreparáveis’

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirma que escalada a instalações energéticas é ‘extremamente perigosa’; Usina de Bushehr, primeira do Oriente Médio, foi construída com participação russa

Ataques contra instalações nucleares iranianas, incluindo a usina de Bushehr, são potencialmente extremamente perigosos e podem ter consequências irreversíveis, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (23/03).

Ao comentar o relatório da Organização de Energia Atômica do Irã sobre o projétil que atingiu a área da usina, localizada na cidade de Bushehr, na semana passada, o porta-voz reiterou que Moscou expressou repetidamente suas preocupações.

“Bushehr é uma instalação nuclear sob o controle da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A Rússia mantém diálogo constante com a AIEA”, afirmou Peskov, relembrando as “declarações alarmantes” sobre a situação feitas por Alexei Likhachev, chefe da corporação russa de energia Rosatom, principal contratada para a instalação nuclear iraniana de Bushehr.

“É claro que os sinais relevantes estão sendo transmitidos aos Estados Unidos. Consideramos os ataques contra instalações nucleares como potencialmente extremamente perigosos e capazes de ter consequências irreparáveis”, enfatizou o alto funcionário, reiterando que a Rússia, ao adotar “uma postura extremamente responsável” sobre o assunto, já expressou suas preocupações repetidamente.

A usina nuclear de Bushehr é a primeira usina nuclear do Irã e de todo o Oriente Médio. Sua construção começou em 1975 e foi retomada em 1995, após um longo período de inatividade, com a participação da Rosatom.

Em setembro de 2011, a primeira unidade geradora foi conectada à rede elétrica e iniciou sua operação comercial em junho de 2013. A construção da segunda unidade foi iniciada, embora as obras tenham sido suspensas devido ao conflito atual. Um contrato também foi assinado para a construção de uma terceira unidade.


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Política

Bolsonaro vai para casa: Manifestação da PGR é pela prisão domiciliar de Bolsonaro

Decisão final cabe a Alexandre de Moraes, do STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (23), em que diz ser favorável à concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão final cabe ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com o ICL, após novo pedido protocolado pela defesa na última quarta-feira (18), Moraes havia remetido os laudos médicos de Bolsonaro à PGR na sexta-feira (20) e solicitado manifestação da PGR sobre o tema. O ex-presidente está internado desde 13 de março com um quadro de broncopneumonia.

Na manifestação, o procurador-geral Paulo Gonet afirma: “A evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas.”

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente cumpre a pena na Papudinha, em Brasília.


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Luis Nassif: A Globo recebeu dinheiro do crime organizado

O Banco Master e a Refit utilizaram dinheiro do crime organizado para patrocinar um evento do Valor Econômico (do grupo Globo) em NY

A manchete emula apenas o padrão do Jornal Nacional, copiando a manchete do Estadão em relação a Fábio Luís Lula da Silva.

Se fosse aplicado aos regabofes da Globo, patrocinados por Daniel Vorcaro, o sentido da manchete poderia ter sido o mesmo.

Os jornais repetem, passo a passo, a escandalosa campanha da Lava Jato. Na época, a revista Veja, dirigida por Eurípides Alcântara, soltava o lixo. E o Jornal Nacional repetia, achando que, assim, não sujaria suas mãos. Agora a parceria é entre o Estadão – dirigido pelo mesmo Eurípides – e o Jornal Nacional.

O padrão Veja está nítido nessa manchete.

A matéria diz que a Polícia Federal está investigando se o tal careca do INSS teve como beneficiário final uma agência de viagens que emitiu passagens para Lulinha. Não confirma o pagamento para a agência, não estabelece uma relação sequer com Lulinha – a não ser o fato de Roberta Luchinger ter pago uma passagem para ele.

Uma não-notícia, vazada pela Polícia Federal. Apesar do discurso indignado do diretor geral da PF, de que a organização não vaza informações, ela vaza não apenas informações, mas boatos e desconfianças antes de sua comprovação. Pelo visto, Andrei Rodrigues é o último a saber.

Primeiro, a matéria não diz que a tal agência é beneficiária. Diz que a PF ainda investiga. Depois, não estabelece qualquer relação com Lulinha. Apenas informa que Roberta Luchsinger – apresentada como “amiga do Lulinha” – vale-se dos serviços de tal agência e andou pagando viagens para Lulinha através da agência.

O lance seguinte é a informação – mais que conhecida, já divulgada pelos próprios advogados de Lulinha – que o careca do INSS pagou uma viagem de Roberta e Lulinha a Portugal, para conhecer uma fábrica de cannabis, cuja produção ele teria interesse em vender no Brasil.

Por que o careca e sua lobista, Roberta Luchsinger, envolveram Lulinha? Pela mesma razão que o Master patrocinou evento da Globo, contratou escritórios de Ricardo Lewandowski e Alexandre Moraes: demonstração de prestígio. Lulinha é o filho do homem.

O Banco Master e a Refit utilizaram dinheiro do crime organizado para patrocinar um evento do Valor Econômico (do grupo Globo) em Nova York, merecendo elogios de dirigentes da Globo. E suas ligações com o submundo já eram amplamente conhecidas, ainda mais pelos analistas da Globo.

Os jornalões já provocaram uma tragédia política no país, com a ignominiosa cobertura da Operação Lava Jato. Sua repetição é uma ameaça ao Brasil formal. E, se a ignorância não fosse tão crassa, saberiam que seu reinado só acontece no Brasil formal, não na selvageria terraplanista que sucederá em caso de vitória de seu candidato Flávio Bolsonaro.

Assim como no período do Jair, serão os primeiros a pagar a conta.

*Luis Nassif/GGN


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De Globo lixo a Globo luxo

Escrúpulo é para os fracos.

O powerpoint da Globo é somente um aviso de que a pizza da condenação de Bolsonaro, chegou.

Toda essa movimentação do powerpoint da Globo, decalcado da Lavato, nada mais é do que um pacto de sangue entre os Marinho e Bolsonaro. Essa gente não brinca com seus patrimônios e, claro, uma hora sentariam para conversar não só para se proteger no caso Master, como também estabelecer parcerias estratégicas para ampliar ganhos no submundo da vida nacional.

Dia desses, os ex-ministros do STF, Marco Aurélio Mello e Ayres Britto participaram do programa da GloboNews com Júlia Duailibi. Numa convocação estratégica, Marco aurélio, num tom crítico e sarcástico, dissse que, no STF, há algo de podre, porque nem ele, nem Ayres Britto, como ministros nunca passaram plo constrangimento de serem xingados na rua. O que ele não disse é que os dois sabujos da grande mídia nunca se posiciaram contra o status quo do qual a Globo é parte.

A grande mídia transformou-se no mais potente apito de cachorro do bolsonarismo e quer tornar isso a principal arma de guerra contra Lula e a favor de Flavio Bolsonaro, aquele do miliciano Adriano da Nóbrega, de Fabrício Queiroz, de Wassef. Flavio é senador pelo Rio de Janeiro, que acabou ocupando o lugar de Marielle, o mesmo Flavio Bolsonaro da fantástica loja de chocolates que lhe deu uma mansão fantástica a partir de uma lojinha de 3 x 3, na base da venda de trufas e nhá benta.

O homem é um Midas, pois num microespaço transforma chocolate em ouro e outras tantas edificações nos espaços mais caros do Brasil.

Ou seja, Rio das Pedras e Muzema dão samba, por isso os Marinho instalaram uma sucursal nessa ponte de divindades da milícia, onde a turma de Flavio invade terrenos do Estado, constrói prédios que costumam desabar e aluga, a preços módicos, para quem se arrisca na aventura que, em muitas vezes, terminou em morte.

Isso dá a dimensão de onde foi a milícia após a chegada de Bolsonaro ao poder.

Há hoje uma gangue faminta que, pelas vozes de Andreia Sadi, Valdo Cruz, Merval Pereira, entre outros obsequiosos discípulos dos Marinho, manda transmitir mensagens ao bolsonarismo de que agora eles são aliadíssimos do clã.

Num piscar de olhos, a Globo saiu da condição de lixo para Globo luxo no pasto bolsonarista, apoiando o principal líder solto da maior organização criminosa do país, envolvido com esquema de peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação indébita a partir de recursos públicos.

Flavio é investigado por fazer parte de um contexto amplo que envolve a família Bolsonaro e outros inúmeros crimes. Os casos estão em andamento no judiciário.

No Brasil, quem não sabe que várias mansões compradas a peso de ouro e com dinheiro vivo pelo clã Bolsonaro, são fruto da mais pura e genuína corrupção?

Pois é, mas parece que a mídia brasileira, por conveniência, está sofrendo de amnésia, a mesma que afeta a memória dos barões da mídia sobre uma gama de crimes do clã que ela mesma denunciou.


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