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União Europeia aprova acordo com Mercosul; França protesta

Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, considerado o maior tratado desse tipo no mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 722 milhões de consumidores. A decisão, tomada pelos embaixadores dos 27 Estados-membros, abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o pacto na próxima semana, em Assunção, no Paraguai.

O tratado ainda precisa passar por uma formalidade: a confirmação dos votos pelos governos dos países da UE, o que deve ocorrer nas próximas horas.

Apesar disso, a aprovação alcançada aponta que o pacto avançará mesmo diante da forte oposição liderada pela França e outros países como Polônia, Irlanda e Hungria, que temem impactos sobre a agricultura local.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Alemanha e a Espanha foram fundamentais para reunir apoio de uma maioria qualificada, necessária para a avaliação positiva. Com isso, a expectativa é que von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para a assinatura oficial do acordo no dia 12 de janeiro.

O pacto prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, o que deve facilitar a circulação de produtos industriais e agrícolas. De acordo com o DCM, com a redução de barreiras alfandegárias, estima-se que as exportações europeias para os países do Mercosul possam crescer até 39% e gerar cerca de 440 mil postos de trabalho no continente europeu.

O acordo entre UE e Mercosul teve suas negociações iniciadas em meados de 1999 e consolidou-se como uma das negociações mais longas da história da integração comercial mundial, com mais de duas décadas de debates e ajustes. O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai representam o Mercosul, enquanto a UE reúne os 27 Estados-membros.

Apesar dos sinais verdes no Conselho da UE, a proposta ainda enfrenta resistência interna, especialmente na França. Agricultores franceses protestaram em Paris com tratores bloqueando ruas, demonstrando descontentamento com a possibilidade de concorrência de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a oposição do país ao acordo, mesmo após concessões oferecidas pela Comissão Europeia, como subsídios e mecanismos de salvaguarda para proteger setores sensíveis.

Os opositores planejam novas estratégias para atrasar ou bloquear o acordo no Parlamento Europeu, que precisa ratificar o pacto até abril, ou até mesmo recorrer ao Tribunal de Justiça da UE, o que poderia prolongar o processo de implementação por anos.

A história comercial entre os blocos já reforça a importância dessa aproximação: em 2024, o volume de transações comerciais entre Mercosul e UE somou cerca de € 111 bilhões, com a UE exportando principalmente máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto o Mercosul se destacou em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.


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Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de pacientes na Venezuela

Mobilização contou com doações de hospitais universitários e filantrópicos que atendem o SUS

Um avião venezuelano chegará ao Aeroporto de Guarulhos (SP) na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, para recolher 40 toneladas de insumos médicos que garantirão a hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. Medicamentos, soluções fisiológicas, entre outros insumos, foram reunidos pelo Governo do Brasil com o apoio de hospitais universitários federais públicos e hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização é coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Ao todo, 300 toneladas de produtos foram reunidos para ajudar os venezuelanos que precisam do tratamento.

“Fazemos isso porque existe o que nós chamamos de solidariedade sanitária. As saúdes têm que estar trabalhando sempre juntas, ainda mais quando a gente fala de um país vizinho. Se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise na Venezuela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha Governo do Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de 16 mil pacientes na Venezuela

“E também por gratidão, porque eu nunca esqueço o dia em que a Venezuela mandou mais de 135 mil metros cúbicos de oxigênio para salvar o nosso povo de Manaus durante a Covid-19”, completou o ministro. Padilha ainda atestou que as doações não afetam em nada o tratamento de cerca de 170 mil brasileiros que fazem hemodiálise pelo SUS.

O Governo do Brasil também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Foram mobilizadas equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.

A Operação Acolhida foi totalmente assumida

pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária no país. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, 40 profissionais permanentes fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.

O Saúde nas Fronteiras conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.

*Agência Gov


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Chavismo segue no poder, bolsonarismo comemora só as bombas dos EUA

Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.

Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.

O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.

É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.

Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?

Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.

Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.

Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.

Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.

Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.

*Sakamoto/Uol


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Governo Lula teme que método de Trump na Venezuela se alastre pelo continente

Planalto acredita que Trump apostará em um pacto com Delcy Rodriguez. O presidente americano alertou que, se ela não atender a seus interesses, vai sofrer também uma ação

O governo Lula considera que a captura de Nicolás Maduro de Caracas neste sábado pode ser uma indicação por parte do governo de Donald Trump sobre como ele pretende agir no hemisfério Ocidental nos próximos anos.

A análise faz parte das considerações do Palácio do Planalto e será transformada em alertas que, nos próximos dias, serão levados tanto para o Conselho de Segurança da ONU como para conversas bilaterais que devem se proliferar ao longo da semana entre Lula e outros chefes de estado.

Violando as leis internacionais, a ONU e mesmo a Constituição americana, Trump agiu para derrubar um presidente e colocar, no lugar, um acordo que permita que permita que os interesses dos EUA sejam blindados.

O governo brasileiro, segundo fontes de alto de escalão, acredita que a Casa Branca irá apostar, num primeiro momento, por uma relação com Delcy Rodrigues, até então a vice-presidente. Também fica estabelecido um acordo para preservar o restante da estrutura chavista no poder. Trata-se, na visão do Planalto, de uma sinalização de que Trump temia a abertura de uma crise interna e, eventualmente, uma guerra civil.

Pelo acordo, fica impossibilitada a existência de um vácuo de poder. Em nome dessa estabilidade frágil, o governo brasileiro interpreta que Trump abriu mão de dar qualquer tipo de apoio para Maria Corina Machado, a líder da oposição. Na coletiva de imprensa no sábado, o presidente americano rejeitou a ideia de que a vencedora do prêmio Nobel da Paz assuma a presidência, alegando que ela “não tem apoio” na Venezuela.

Trump ameaça Delcy
Trump, neste domingo, de fato confirmou a existência de um entendimento com a nova presidente. Mas alertou que, se ela não seguir as orientações dos EUA, sofrerá um ataque ainda mais intenso que Maduro.

Segundo ele, Delcy vai pagar “um preço muito alto se não fizer o que é certo”. E ainda emendou: “provavelmente maior que Nicolás Maduro”. As declarações foram dadas à revista americana The Atlantic.

O ICL Notícias apurou que o governo brasileiro ainda tenta entender e colher informações sobre como vai funcionar o acordo entre Trump e Delcy. Também existem dúvidas sobre como o restante do chavismo vai se comportar e o que receberá em troca, para aceitar o pacto.

Para membros do governo brasileiro, um sinal importante foi o alerta de Trump de que poderia realizar uma segunda onda de ataques contra Caracas. Membros do governo Lula interpretaram isso como um alerta: ou o pacto permite que se tenha acesso aos recursos naturais – principalmente o petróleo, ou novas ações deveriam ser esperadas.

Também chamou a atenção da cúpula do governo Lula a ausência completa de referências à democracia ou direitos humanos na Venezuela, um discurso que os EUA vinham usando para colocar pressão.

Para o governo Lula, porém, a ação militar de Trump vai “muito além da Venezuela”. E esse é o ponto central do debate e da construção da posição brasileira sobre a ofensiva americana.

Exitosa, a ofensiva pode fortalecer a ideia de que o método de uma intimidação militar terá resultados na região, sempre que os interesses americanos forem ameaçados. “Pode se transformar em uma metodologia”, alertou um experiente negociador.

O cenário é de que um argumento pode ser forjado contra um governo e, partir disso, uma ação militar seja implementada para derrubar um líder que não atenda aos interesses.

O temor, portanto, é de que a região veja uma reprodução em série desse processo: pressão, chantagem por acesso a recursos ou áreas estratégicas e, em caso negativo, operações para derrubar ou enfraquecer governos.

Brasília destaca que parte dessa pressão já havia ocorrido no começo de 2025 com o Panamá. Sob a ameaça americana, o governo centro-americano abriu mão de seus acordos com a China e Trump abandonou a ideia de um discurso militar.

A Venezuela exigiu algo extra. Mas a questão é como os demais governos da região vão se comportar a partir de agora. Ou adotam uma postura “dócil” com Trump ou podem estar ameaçados.

Especial preocupação é o caso da Colômbia, onde Gustavo Petro já é alvo de sanções e Trump alertou que ele poderia ser o próximo.

No caso cubano, a ausência de recursos naturais é um elemento que pode tirar a ilha das prioridades da Casa Branca. Mas derrubar a estrutura castristas poderia ser uma “vitória simbólica” de Trump para sua base mais radical de extrema direita, inclusive latino-americana.

No caso brasileiro, o Planalto admite que existirá um uso eleitoral por parte do bolsonarismo da prisão de Maduro. A estratégia é a de manter um distanciamento em relação às atitudes do governo venezuelano e insistir no fato de que o Brasil criticou o comportamento de Maduro nas eleições e que jamais chancelou o resultado do pleito.

*Jamil Chade/Uol


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Lula: Ataques dos EUA à Venezuela são “inaceitáveis!”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou de forma contundente hoje (3 de janeiro de 2026) sobre os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela, classificando-os como “inaceitáveis”.
Em publicação no X (antigo Twitter) e em nota oficial, Lula afirmou que:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”
Ele enfatizou que atacar países em violação flagrante ao direito internacional é “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Lula lembrou que essa posição é coerente com a postura histórica do Brasil contra o uso da força como instrumento político e alertou que o episódio remete aos “piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, ameaçando a preservação da região como zona de paz.

O pronunciamento veio logo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que forças americanas realizaram um “ataque em larga escala” contra a Venezuela, incluindo bombardeios em Caracas e outras áreas, resultando na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país.

Trump justificou a operação como parte do combate ao que chama de “narco-terrorismo”, alegando que Maduro lidera o Cartel de los Soles, mas, como todos sabem, trata-se de roubo do petróleo venezuelano.

O governo venezuelano declarou estado de emergência, condenou a ação como “agressão militar gravíssima” e exigiu prova de vida de Maduro. O caso gerou reações divididas no mundo:

Países como Rússia e Irã condenaram veementemente a intervenção.
No Brasil, a esquerda repudiou os ataques, enquanto parte da direita expressou apoio à ação americana.
Outros líderes latino-americanos (como do México e Colômbia) também criticaram a ofensiva.

O Itamaraty convocou reunião emergencial, e o chanceler Mauro Vieira interrompeu férias para acompanhar a crise. Lula reforçou a disposição do Brasil em promover diálogo e diplomacia, cobrando uma resposta vigorosa da ONU.

É um momento de altíssima tensão na região, com risco de escalada. O Brasil, como vizinho e maior economia da América do Sul, adotou posição clara de defesa da soberania e contra intervenções militares externas.


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Financial Times prevê quarto mandato para Lula em especial de fim de ano

O jornal britânico Financial Times publicou, nesta quarta-feira (31), sua tradicional lista anual com 20 previsões políticas para o ano seguinte e incluiu a reeleição do presidente Lula nas eleições de outubro de 2026 entre as apostas. Segundo o veículo, o atual chefe do Executivo poderia se beneficiar do desempenho da economia brasileira e de “gols contra” atribuídos à direita bolsonarista.

A publicação menciona o recente histórico de saúde de Lula, lembrando que ele passou por uma cirurgia de emergência na cabeça há cerca de um ano. Ainda assim, o Financial Times afirma que a previsão é de reeleição, apontando fatores como o enfrentamento aos tarifaços do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e resultados econômicos considerados positivos. O jornal também citou a possível candidatura de Flávio Bolsonaro como um dos “gols contra” da direita.

“Gols contra da direita do Brasil também estão o ajudando. Alguns políticos conservadores pediram sanções dos EUA para punir o Brasil pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, mas a estratégia saiu pela culatra, já que Lula mobilizou a nação em torno dele”, explicou o jornal.

A previsão diz o mesmo que a pesquisa da Genial/Quaest, que apontou que Lula como favorito contra qualquer adversário, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nos dois turnos da eleição presidencial de 2026.

Hoje foi dia de o Financial Times cravar o favoritismo de Lula em 2026.

A consequência prática: por se tratar do principal jornal de finanças do mundo, o prognóstico do FT ajuda a normalizar o cenário de Lula 4, moderando expectativas do mercado internacional e da oposição.

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Nas demais projeções, o Financial Times indicou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não aceitará abrir mão da região de Donbas em um eventual acordo de paz com a Rússia, além de uma possível derrota dos republicanos nas eleições para o Congresso dos Estados Unidos, em novembro, segundo o DCM.

O jornal também aposta no derretimento da “bolha” da Inteligência Artificial no mercado financeiro. No levantamento anterior, a publicação acertou 13 das 20 previsões, entre elas a vitória de Donald Trump nas eleições americanas.


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Brasil

Abin alertou sobre neonazismo: a ameaça de ‘maior potencial de crescimento’ no Brasil

Num mapeamento dos riscos de violência e extremismo no Brasil, Abin alertou sobre potencial de expansão de grupos ultranacionalistas

Os movimentos neonazistas representaram a ameaça de “maior potencial de crescimento” no Brasil entre 2019 e 2020.

A informação faz parte de documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Desde meados de dezembro e pelas próximas semanas, o ICL Notícias traz com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.

Num relatórios sobre os riscos do terrorismo e dos atos de violência no Brasil e no mundo, de 6 de abril de 2020, a Abin traçou um mapa das diferentes correntes extremistas no país e seu potencial de representar um risco para segurança pública.

Naquele ano, a Abin alertava para o fato de que “ataques perpetrados por indivíduos ou grupos inspirados por ideologias extremistas, não necessariamente de caráter islâmico, vêm ganhando espaço no Brasil, como se verificou no massacre de Suzano, em 13 mar. 2019, e nas ameaças da célula ecoextremista Sociedade Secreta Silvestre (SSS) a autoridades públicas brasileiras em 2019”.

“Adeptos desses movimentos compartilham uma visão radicalizada de mundo e defendem o uso da violência como meio de promoção de seus ideais”, alertou.

Ainda que o risco fosse identificado em outros grupos ideológicos também, a Abin era explícita ao mencionar a ameaça da extrema direita.

“Com relação ao ultranacionalismo e ao neonazismo, esses movimentos se fortaleceram em 2019, com o aumento de ataques em diversos países do mundo”, disse. “No âmbito internacional, o crescimento dos grupos ultranacionalistas tem como principal motivação o aumento da imigração no continente europeu. Esses grupos são contrários ao que acreditam ser uma “islamização da Europa” e respondem a essa “ameaça” com ataques violentos”, explicou.

De acordo com a agência, o crescimento mundial do neonazismo estava influenciando a reorganização de grupos no Brasil, como o Crew 38 e Hammerskin Nation, o Misanthropic Division e o Combat 18/Blood & Honour/Aryan Strikeforce.

“Recentemente, houve aumento de ataques pontuais contra indivíduos que não se enquadram no estereótipo defendido por esses grupos. Desde a realização das operações policiais Azov e Hateless, em 2016 e 2017. respectivamente, os neonazistas brasileiros adotaram medidas de segurança para dificultar as ações policiais e de Inteligência”, constatou a Abin.

100 membros ativos em 2020 defendendo “revolução armada”
A agência, naquele momento, tentava ainda decifrar qual seria o tamanho da ala mais violenta do grupo. “A Nova Resistência, representante da ideologia da Quarta Teoria Política, é movimento favorável aos valores tradicionais e à religiosidade e contrário ao liberalismo em todas as suas formas. Surgiu no Brasil, em 2014, e expandiu-se pelo território nacional tenda constituído células em vinte unidades da federação”, alertou. “Haveria, ao menos, uma centena de membros ativos promovendo ações de propaganda no país. O grupo defende a revolução armada como resistência popular legitima”, destacou a agência.

“Além da Nova Resistência, grupos de ideologia integralista têm ressurgido no país e demonstram tendencia a radicalização, como constatado a partir do ataque promovido a sede da produtora do humorístico “Porta dos Fundos”, em dezembro de 2019”, disse.

“Há indícios de que membros de grupos integralistas possuam vínculos com a Nova Resistência, que comentou o ataque em suas redes sociais como “inevitável”, afirmou a Abin.

Intolerância religiosa
O informe também aponta como a intolerância religiosa de matiz não islâmica havia aumentado em 2019. “O uso de violência ou ameaça de violência tornou-se mais frequente, com emprego de armas de fogo, como fuzis e metralhadoras. Em alguns estados brasileiros, grupos criminosos organizados têm se envolvido em atos de intolerância religiosa com proibição de práticas de religiões de matriz africana territórios. Os eventos de intolerância religiosa são subnotificados, o que dificulta o monitoramento, análise e enfrentamento da ameaça”, afirmou.

Já naquele momento, a Abin destaca como a radicalização extremista violenta em ascensão no Brasil estava acontecendo nos fóruns da Internet e na deepweb. “Jovens, em sua maioria do sexo masculino, com histórico de problemas familiares, psiquiátricos e rejeição, encontram em grupos online um local de propagação de discursos radicais e de incentivo ao cometimento de massacres”, disse.

“Em 2019, os ataques à escola Raul Brasil, em Suzano/SP, representam o crescimento desse fenômeno. Após o atentado, ameaças de atos semelhantes espalharam-se pelos estados da federação. Em quase todos os estados, até o momento, foram relatados cerca de 80 incidentes. A maior parte deles restringiu-se a ameaças, os demais foram pequenas ações solucionadas pelas forças de segurança locais”, alertou.

Na web, a Abin havia identificado “uma mistura de ódio a gays, negros, mulheres e minorias em geral, apologia ao nazismo e à cultura dos “celibatários involuntários” (incels), símbolos do El, uso de roupas pretas e manifestações contrárias ao marxismo ou à esquerda”.

Projeção
A Abin não disfarçava a preocupação com o aumento da violência no país. “Em 2020, é provável que atos de extremismo violento, baseados em ideologias difusas, aumentem no Brasil. Com o crescimento do fenômeno em nível internacional, a tendência é que novos grupos, movimentos e ideologias surjam no Brasil por espelhamento”, disse.

“Com relação ao anarquismo insurrecional, é provável que permaneça representando baixo nivel de ameaça, restringindo-se a atos pontuais e manifestações em ambiente virtual. No que concerne ao ecoextremismo, a tendência é de fortalecimento do movimento com a criação de novas células na América Latina e na Europa”, disse.

Mas o alerta principal vai para o movimento de extrema direita. “A mesma tendência verifica-se nos grupos ultranacionalistas e neonazistas, sendo essas as correntes que apresentam maior potencial de crescimento e fortalecimento”, completou.

Ecoterrorismo
Um trecho do informe é ainda focado na ameaça do ecoterrorismo e às ameaças feitas contra o governo de Jair Bolsonaro.

“No Brasil, o expoente do ecoextremismo é a célula Sociedade Secreta Silvestre (SSS)”, disse.

“Já publicou onze comunicados, nos quais reivindicaram ataques com artefatos explosivos ou ameaças a autoridades públicas. Os fatos apontam para uma célula local, detentora de rede de apoiadores resilientes. Seus integrantes demonstram capacidade efetiva para empregar medidas de antivigilância”, apontou.

“Em 2019, a célula brasileira representou uma das principais ameaças no Brasil. Em
janeiro de 2019, três suspeitos foram detidos em Alto Paraíso/GO, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Departamento de Polícia Federal (DPF). após tentativa de ataque, em dezembro de 2018, contra o Santuário Arquidiocesano Menino Jesus, em Brazlândia/DF, e ameaças contra o presidente eleito, Jair Bolsonaro, e os então futuros ministros, Ricardo Salles e Damares Alves”, disse.

“Em abril de 2019, a célula reivindicou o incêndio de duas viaturas no posto da Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). na Floresta Nacional (Flona) de Brasília. A célula também fez novas ameaças aos ministros Ricardo Salles e Damares Alves. inclusive com ameaça de emprego de toxina biológica letal, e ameaçou de morte eventuais visitantes que realizem ecoturismo na Flona, principalmente, nos finais de semana”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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Governo Lula vê risco de interferência de Trump na eleição brasileira de 2026

Avaliação interna aponta que ações recentes dos EUA na América Latina podem se repetir no Brasil e influenciar o cenário eleitoral

247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a relação institucional com Washington não elimina o risco de uma eventual interferência externa no processo eleitoral brasileiro de 2026. Integrantes do Palácio do Planalto consideram que, mesmo diante de gestos recentes de distensão, os Estados Unidos podem adotar estratégias semelhantes às observadas em eleições de outros países da América Latina.

A análise foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, que ouviu um alto funcionário do governo brasileiro. Segundo essa avaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter feito apenas um recuo tático ao retirar parte das tarifas sobre produtos brasileiros e suspender sanções baseadas na Lei Magnitsky, após a tentativa frustrada de impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No entendimento do governo brasileiro, a preocupação se baseia em precedentes recentes. Na eleição legislativa da Argentina, Trump condicionou a liberação de um pacote de ajuda financeira de US$ 20 bilhões a um bom desempenho eleitoral do partido do presidente Javier Milei. Já em Honduras, durante o pleito presidencial, Trump apoiou publicamente o candidato da ultradireita, Nasry “Tito” Asfura.

Nesse contexto, a presidente hondurenha, Xiomara Castro, afirmou que houve um “golpe eleitoral” motivado pela “interferência do presidente dos Estados Unidos”. Antes da votação, Trump declarou que a candidata governista, Rixi Moncada, era comunista e que sua eventual vitória entregaria o país à Venezuela.

Às vésperas da eleição em Honduras, Trump concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura, que havia sido condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Passado quase um mês do pleito, o país ainda não tem um resultado oficial. Asfura lidera por margem estreita sobre o conservador Salvador Nasralla, enquanto uma apuração especial segue em andamento.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA revogou um visto e cassou outro de duas autoridades eleitorais hondurenhas ligadas ao partido de Xiomara Castro, sob a alegação de que estariam interferindo na apuração dos votos. Para o governo brasileiro, esse conjunto de ações reforça a necessidade de criar mecanismos de proteção contra possíveis interferências externas.

Entre essas medidas, autoridades citam a adoção de “vacinas”, como a ampliação da cooperação bilateral com os Estados Unidos no combate ao crime transnacional, anunciada recentemente. Segundo o 247, integrantes do governo disseram que essa estratégia também teve caráter preventivo para bloquear tentativas de grupos bolsonaristas de solicitar uma intervenção americana no Brasil sob o argumento do combate ao crime organizado.

O Planalto avalia que a agenda internacional terá um peso inédito na disputa presidencial de 2026. A percepção interna é de que Trump deve apoiar abertamente o candidato da direita brasileira, alinhado ideologicamente ao atual governo dos Estados Unidos.


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The Economist destaca potencial da Margem Equatorial e cita previsões positivas para a economia brasileira

De acordo com a revista, “as reservas, que ainda estão sendo extraídas, impulsionaram o País no ranking dos produtores de petróleo”

Em reportagem publicada esta semana, a revista britânica The Economist destacou o potencial da Margem Equatorial para o crescimento econômico do Brasil. A região compreende a faixa litorânea dos seguintes estados: Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá.

“As reservas, que ainda estão sendo extraídas, impulsionaram o País no ranking dos produtores de petróleo. Até 2030, os campos ‘pré-sal’ do Brasil o tornarão o quarto maior produtor mundial de petróleo. A agência nacional de petróleo e gás do Brasil estima que a parte do País na Margem Equatorial contenha mais de 30 bilhões de barris de petróleo, dos quais 10 bilhões podem ser recuperáveis”, continuou.

“Graças a essa região, a América do Sul se tornou a parte do mundo onde a produção de petróleo cresce mais rapidamente. A previsão é que sua produção aumente em um terço até 2030, em comparação com cerca de um quarto no Oriente Médio e um décimo na América do Norte”, acrescentou.

Segundo a publicação, “a maioria dos habitantes do Amapá, Estado onde fica Oiapoque, está entusiasmada com o petróleo”. “Ao longo da rodovia que liga a capital do Estado à cidade, barracas de comida e casas em ruínas estão cobertas com adesivos que dizem ‘Sim ao desenvolvimento! Sim ao petróleo!’”, continuou.

A revista mencionou algumas previsões. “O Ministério de Minas e Energia do Brasil estima que os investimentos na Margem Equatorial podem chegar a R$ 280 bilhões (US$ 52 bilhões) e criar 350 mil empregos. Essas expectativas provavelmente explicam por que os brasileiros apoiam cada vez mais a perfuração”.

Petrobras

De acordo com Leonardo Lucena , 247, a publicação da revista britânica, “o principal local que a Petrobras está de olho, conhecido como Bloco 59, tem uma profundidade de cerca de 3 km”.

“Fica quase duas vezes mais abaixo da superfície do que o poço Deepwater Horizon, no Golfo do México”, publicou. “A Petrobras é líder mundial em perfuração em águas profundas, já que os campos do pré-sal ficam a uma profundidade de cerca de 2 km”.


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Aliado de Trump, governo Bolsonaro monitorou apoio militar de Putin para Maduro

Abin mapeou fornecimento de Kalashnikov, caças e mísseis russos para os venezuelanos e alertou para estratégia do Kremlin de “retaliar” os EUA

Sob o governo de Jair Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou, mapeou e alertou para o apoio militar que Vladimir Putin estava costurando ao governo de Nicolás Maduro. Num relatório de 2019, o serviço secreto nacional apontava como o Kremlin havia construído uma aliança militar com Caracas.

A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Ao longo dos próximos dias, o ICL Notícias trará com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.

Em 2019, Bolsonaro havia estabelecido uma guinada na política externa brasileira, alinhando-se ao governo de Donald Trump. Naquele momento, em Washington e Brasília proliferaram reuniões para definir estratégias de pressão sobre Maduro, inclusive com o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

Mas os documentos, agora, revelam que uma das preocupações brasileiras se referia à presença militar russa na região. Num relatório de Inteligência N° 0154/92130, de 2 de maio de 2019, a Abin destacava como a defesa da Venezuela por parte da Rússia possui “motivações econômicas e geopolíticas”.

“A posição russa integra estratégia para aumentar sua influência em área tradicionalmente prioritária na política externa dos EUA”, indicou. “A aliança com a Venezuela também representaria retaliação à interferência estadunidense em questões ocorridas na esfera de influência da Rússia, como na Crimeia”, constatou.

Segundo a Abin, a aproximação entre os dois países foi “liderada pelo setor de Defesa, cuja parceria ocorre no comércio de armas; na instalação de fábricas, de centros de treinamento e de manutenção de material bélico russo; e em exercícios militares conjuntos”.

A agência aponta como a cooperação militar abriu possibilidades de negócios também em outras esferas. A atuação russa na área econômica, além do setor de Defesa, ocorre principalmente nos campos energético e financeiro.

A avaliação da Abin foi, naquele momento, que as relações entre Rússia e Venezuela ganharam impulso com a tentativa venezuelana de se afastar da influência estadunidense. “A Rússia se mostrou um dos poucos países com desenvolvimento tecnológico de ponta na área militar disposto a resistir às pressões e ao embargo estadunidenses, embora o material vendido à Venezuela não seja o mais moderno do arsenal de guerra russo. Atualmente, há cooperação nas áreas militar, econômica e política”, destacou.

Vladimir Putin e Nicolas Maduro. AFP

Os dados levantados pela agência de espionagem brasileira concluíram que:

Entre 2000 e 2017, a Venezuela foi o país que mais importou armamentos russos na América Latina, concentrando cerca de 80% dos US$ 4,7 bilhões exportados para a região.

No mesmo período, a Rússia também se posicionou como o maior fornecedor de armamentos para o governo venezuelano, respondendo por cerca de 70% do total de US$ 5,5 bilhões gastos, seguida pela China, com 11%. Comparando os períodos de 2009-2013 e 2014-2018, no entanto,
verifica-se uma retração de 83% nas importações de armas por parte da Venezuela.

A empresa estatal russa Rosoboronexport, exportadora de armas e equipamentos militares, é a principal exportadora desses artigos para a Venezuela. Desde o acordo assinado em 2001, a Rússia forneceu armamentos e equipamentos como rifles de assalto Kalashnikov (AK-
103), caças Sukhoi, sistemas de mísseis antiaéreos Tor-M1 e helicópteros Mi.

Naquele ano de 2019, a Rosoboronexport estava finalizando a construção de fábrica de munições e fuzis Kalashnikov AK-103 na Venezuela. Embora o acordo para a construção da fábrica tenha sido assinado em 2006, sua construção foi interrompida em diversas ocasiões, tendo sido retomada em 2016.

No período de 2004 a 2016, estima-se entre US$ 11 e 14 bilhões o montante de capital investido pela Rússia na Venezuela na área militar.

Presença de militares russos
Outro aspecto mapeado pela Abin foi a presença de militares russos na região. De acordo com os documentos, em 29 de março de 2019, a Rosoboronexport anunciou a inauguração do Centro de Instrução e Treinamento Simulado Conjunto General de Brigada Oscar José Martínez Mora, nas instalações do Batalhão de Helicópteros General de Brigada Florencio Jiménez, na cidade de San Felipe, a 230 km de Caracas. “O centro tem por objetivo fornecer treinamento e aperfeiçoamento para pilotos e engenheiros de voo de aeronaves russas modelos MI-17V5, MI-35M e MI-267”, disse.

A realização de exercícios militares conjuntos ganhou força a partir de 2008, quando a Rússia anunciou o envio de navios de guerra para realização de exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana.

“O intercâmbio militar e os exercícios conjuntos entre as duas nações foram intensificados recentemente”, destacou. “Em 10 de dezembro de 2018, uma aeronave de transporte militar An-124, um avião comercial da Força Aeroespacial russa e dois bombardeiros estratégicos TU-160 pousaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía, na Venezuela. Em 2008 e 2013, bombardeiros similares também estiveram presentes no país”, constatou.

Vigilância de Israel
A Abin ainda informou que, em 23 de março de 2019, dois aviões russos pousaram na Venezuela com cerca de 100 militares e aproximadamente 35 toneladas de equipamentos bélicos.

“Oficialmente, o governo russo declarou que a visita decorria da cooperação técnico-militar vigente desde 2001. O envio do contingente russo à Venezuela em março teria sido motivado por questões militares e técnicas. De acordo com imagens do sistema de vigilância satelital israelita iSi captadas em 07 de abril, na semana de 17 a 24 de mar. 2019 a Venezuela teria retirado o sistema antiaéreo russo S- 300 de armazém, na base Capitán Manuel Ríos, no estado de Guarico. As imagens identificaram lançador ereto, pronto para ser acionado, pertencente ao S-300”, disse.

Além do contingente encaminhado para a base Capitán Manuel Ríos, o governo russo está cooperando com a Venezuela na instalação de equipamentos de comunicação e radares de alerta para defesa antiaérea em Puerto Ordaz, no estado de Bolívar. Em 29 mar. 2019, 28 militares russos teriam se deslocado para o sul do país e se encontrado com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, para tratar sobre a situação da hidrelétrica de Guri.

Ao menos 14 militares russos, do contingente de aproximadamente 100, encontram-se na cidade de Guayana/Venezuela. Os russos estariam trabalhando em cooperação com cubanos para a construção do projeto Escudo Guayanês. O projeto consiste na elaboração e construção de centro de resistência militar, que deverá ser dotado de equipamentos de comunicação satelital, para a hipótese de invasão estrangeira.

A Abin ainda apontou que também haveria especialistas em guerra cibernética, os quais estariam atuando no treinamento das contrapartes venezuelanas para a proteção das infraestruturas críticas do país.

“Ademais, existiriam civis e militares russos no Exército venezuelano que auxiliariam em treinamentos de espionagem e na segurança de altos funcionários do governo venezuelano e prestariam assessoria à Direção Geral de Contrainteligência Militar (DCIM) e ao Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin)”, concluiu.

Investimentos russos
Outro destaque da Abin foi o volume de apoio econômico recebido pela Venezuela. “Entre investimentos e empréstimos, estima-se que a Rússia teria dado suporte financeiro de aproximadamente US$ 17 bilhões à Venezuela”, apontou.

Segundo a agência, o governo russo intensificou investimentos no setor energético venezuelano, principalmente por meio da atuação da empresa estatal russa Rosneft.

O governo russo ainda possui 49,9% das ações da empresa Citgo, subsidiária da petrolifera estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), situada nos Estados Unidos e alvo de sanções. Justamente por temer sanções econômicas impostas por países europeus, o governo venezuelano ainda planejava mudança da filial europeia da PDVSA de Portugal para Moscou.

Em 5 abr. 2019, os dois países estabeleceram parcerias comerciais para enfrentar as sanções econômicas da UE e dos EUA, bem como acordos na área energética. O país sul-americano também pediu auxílio na reposição de peças do seu sistema elétrico.

Desde então, o governo Maduro vem utilizando o Evrofinance Mosnarbank, instituição financeira russa, como alternativa para o manejo dos pagamentos a seus fornecedores.

“O banco é usado em transações que envolvem o financiamento de projetos petrolíferos e na compra de títulos da Venezuela e da PDVSA”, explicou a Abin.

Como foram obtidos os documentos
O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.

A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.

Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.

Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.

Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.

Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.

Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.

Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.

A decisão tem um impacto profundo, já que:

  • Estabelece jurisprudência: é a primeira decisão em nível federal que reafirma que nenhum órgão está acima da LAI — e que seus prazos não são opcionais.
  • Cria precedente: o entendimento agora pode ser replicado para cobrar outros órgãos que seguem descumprindo a Lei, como o Itamaraty e as Forças Armadas.
  • Desmonta o sigilo eterno: reafirma que a transparência é a regra, e o sigilo, a exceção — com prazo.

*Jamil Chade/Uol


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